terça-feira, 25 de dezembro de 2018

INFELIZ NATAL


Vários pensamentos surgiram e evaporaram no processo de publicação e divulgação do meu post anterior. Tudo o que quero hoje é ficar no meu quarto-ilha escrevendo e navegando na internet. Tudo o que preciso estou tentando conquistar ou está planejado. Adoraria que tudo corresse conforme os meus desejos. Mas a vida não é assim, eu tenho que a fazer assim e ainda há coisas que escapam ao meu poder. O que independe de mim é o que depende de terceiros. Eu só reino absoluto no quarto-ilha, aqui me sinto dono do mundo, do meu mundo, da parte que me cabe dele. Não preciso de mais espaços, eu espero. Afinal, todos os meus bonecos têm que caber aqui. Começo a duvidar se isso é possível. Penso em Blanka com certo desprendimento. O encontro do dia 27 vai ser crucial, se correr como o projeto. O do dia 29 seria crucial por outra razão, o encontro com a minha mãe. Se é que ela vai descer. Não tenho muito o que dizer, não encontro nada em mim que precise ser verbalizado. Temo que minha mãe tente impedir tais encontros. Ela demonstrou essa intenção. Ela não tem o direito. Eu quero fazer uma coisa que deixaria essa noite mais interessante. Acho que vou fumar um cigarro. Olhar os dedos da Little Mermaid quebrados é um tanto desolador, espero que a Gatinha opere a sua mágica. Espero tanto quanto que eu e Blanka rompamos o bloqueio do toque no dia 27.

20h59. Sou outro do que deixou essa cadeira para fumar. Isso é bastante interessante. Tive pensamentos romântico-calientes com Blanka. Não vai se dar dessa forma, creio. Pensar nisso me incomoda um pouco agora. Por isso fizemos a combinação no encontro anterior. Para que incômodos como esse tenham menor probabilidade de emergir. Penso em levar o computador para escrever enquanto ela dorme. Talvez compre o Viagra, só por via das dúvidas. Às vejo acho que achamos ou o acaso-destino nos ofereceu o companheiro perfeito um para o outro.

21h07. Pensei na festa do meu irmão agora com um misto de vergonha e prazer com a ideia. Nem incluí Blanka ou mamãe na equação. Mas quando as incluo não consigo prever o resultado. Não faço a mínima ideia. Acho que vou pedir a mamãe os remédios, comer e ir dormir. Não. Internet primeiro.

21h16. Vi o anjo “Querumbeck” na frente da prefeitura capixaba. Me indaguei como tais coisas viralizam. Já me sugeriram o YouTube ao invés do blog. Não me vejo nesse papel. Seria ainda mais tedioso para o público. Até que adquirisse desenvoltura para falar sem ler, nossa, acho até impossível isso acontecer. Aliás, o eu de agora repudia a ideia de me tornar “youtuber”. Prefiro blogueiro fracassado mesmo, me sinto mais realizado e me dá muito mais prazer me escrever do que me dizer. “Feita mais de luz que de vento, palavra”. Se bem que com Blanka me narrei bastante, fui bastante eloquente. Nossa, agora estou com medo do nosso encontro no dia 27. Sei que isso vai passar, há quatro dias para me acostumar. Será que as mulheres têm o desejo inato de terem suas vaginas preenchidas por algo, será que há um interesse inato pelo pênis? Não sei nem nunca vou saber, o que sei é que os órgãos sexuais sempre despertaram a minha curiosidade, desde pequeno. Vou fumar um cigarro.

22h06. Já tomei os remédios. Eu poderia ficar com mamãe enquanto ela cozinha, me limito a fazer um pouco isso a cada Coca que pego e cigarro que fumo. A internet voltou ao seu normal vigor. Ou pelo menos não está insuportavelmente lenta. Isso é bom. Melhor seria beber esse copo de Coca e ir dormir.

22h11. Já está tarde, preciso do cigarro saideiro para ir dormir. E precisarei acordar cedo para ir ao Natal dos Gonçalves, que pretendo narrar ainda nesse blog. Eu não narrei propriamente o dos Barros, mas não era o que o eu que chegou em casa ontem pedia. A probabilidade de as bonecas não chegarem quebradas de forma irrecuperável soltas dentro de uma mala é pequena. Acho que a chance de sucesso aumenta se forem envoltas em roupas e se as partes soltas venham num “tapauer” acolchoadas por esponja dentro da minha mochila. Percebi que mãos são especialmente frágeis.

22h29. Passei menos tempo com mamãe, fui me despedir dizendo que iria dormir agora, mas não sinto sono. Entretanto, acho que se deitar na cama adormeço. As mãos de Blanka são lindas, macias e seu carinho é delicado, quase um não tocar. Isso me agrada sobremaneira. A primeira vez que toco a pessoa desejada costuma ser a mais apaixonada e aproveitada de todas, a rotina diminui isso. Eu acho, nem lembro. Com cada namorada aconteceu de forma diferente, eu acho. As poucas namoradas. Já preciso fumar outro cigarro com Coca, aí nem volto para cá, vou direto me deitar.

2h43. Não consegui dormir até agora. Vou fazer isso agora.

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0h41. Nem todos chegam lá. Poucos são os que se contentam com o que têm e geralmente os quem têm menos são os mais contentes. Eu cheguei lá, se conseguir consolidar uma relação com Blanka. É difícil e contra todas as expectativas, mas não é impossível. Eu já flertei muito com o impossível e sei que cara tem. Eu chegarei lá, ou irei além de lá se eu e Blanka quisermos um ao outro, se fizer sentindo para ambos ficarmos juntos. Isso ainda não descobrimos. Mas falo que Blanka é para além de lá porque sou contente com o que tenho e estou mais em paz com o que sou. Já aprendi a viver sem dar e receber o carinho de uma mulher, por mais que esse vazio se faça.

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7h05. Acordei de 3h30 e não consegui mais dormir, mergulhei no maravilhoso mundo dos bonecos e lá fiquei até agora. Fiz uma pesquisa para Daisy da YetiArt, o ateliê chinês onde mando pintar meus kits, a respeito do valor de moedas de réis brasileiras, depois ela me contou que foi porque comprou uma faca que vinha decorada com duas moedas de réis. Fui fumar e botei um café para fazer, a Coca está acabando. Estou com bonecas na cabeça. O receio que tenho é de que não caibam no meu quarto. Espero que a arquiteta dê um jeito nisso, tenho esperanças. A minha caveira-coração já está na alfândega brasileira. Deve vir algum custo alfandegário para eu pagar. Queria dividir meu quarto no que tange as bonecas em secções: Batman, bonecos de 1/4 e 1/5 homens (poderia haver uma de monstros), bonecas de 1/4 [MB1] femininas, toy art mais videogames e minha coleção de PVC. Fora os meus CDs, filmes, games, livros, HQs e pôsteres. Acho que quero demais. Eu sempre quero demais. Acho a tarefa difícil, mas não impossível. Não tenho tantos bonecos grandes assim. Também não tenho poucos, sou um colecionador nível médio, pelo menos é o que posso aferir olhando as coleções de outros membros da comunidade. E o que vem para Recife fica, pois as caixas são jogadas fora, não há como vender ou enviar. Dos três bonecos que o meu irmão trouxe, as duas mais importantes vieram quebradas nos lugares mais improváveis, o que é melhor do que os prováveis. Espero que a Gatinha dê um jeito, só acredito nela para consertar as peças. Vou tomar um café com cigarro.

7h38. Ontem foi o Natal dos Gonçalves, minha família materna. Foi alegre, interagi o que pude e até almocei um pouco. Minha mãe me perguntou a diferença entre o Natal dos Barros e aquele, não soube o que dizer, pois os vejo cada vez mais parecidos, o mesmo distanciamento ou aproximação cada dia mais se equivalem, o carinho que tenho por ambas as famílias cada vez mais se equipara. Curioso sentir isso acontecer e um tanto triste pelo lado dos Barros, embora lá ainda me coloque e troque mais abertamente que com os Gonçalves. Lá, Blanka foi aceita, inclusive por meu primo-irmão e meu irmão que sabem de toda a história.

9h50. Minha mãe acordou e me disse que cancelou o meu cartão de crédito e que não aceitaria Blanka tal como é. Ou seja, arruinou meus sonhos de ter o quarto que sempre desejei e de ter a garota que se adequa perfeitamente às minhas necessidades atuais. Começou bem o meu dia, né? Arruinou minhas fontes de felicidade de uma patada só. O que ela não sabe é que o cartão dela é o secundário tanto na Sideshow quanto no PayPal e não tive coragem de lhe dizer. Estou me sentindo muito para baixo. Quero muito ter esse pernoite com Blanka, mas só posso tê-la se tiver dinheiro e só tenho dinheiro se mamãe me provier. Não sei se vai fazê-lo. Nossa, não imaginaria nunca que a curatela me traria até esse momento de sepultar os meus desejos mais queridos. Vida de merda. Tudo por causa da minha fobia ao estresse do trabalho. Por isso sofro esses abusos de autoridade. Concordo que o cartão veio alto esse mês. Não virá nos subsequentes, pelo menos não tão alto. Acredito que, no máximo, metade do que veio esse mês. Só falta o truque do MoAF que apliquei três vezes não funcionar. Mesmo assim não vai chegar ao valor desse mês. Não sei o que fazer da minha vida agora. Ouvindo U2 Songs Of Experience. Costumava me lembrar a liberdade que eu tenho, mas hoje fui amplamente tolhido dela. Só me restam as palavras, isso é muito pouco. Só isso até o final dos meus dias? Quando pensei que a minha felicidade estava se encaminhando para a sua completude, minha mãe ceifa tudo. Caralho nem as palavras eu tenho, minha mãe entrou no quarto e me censurou com chantagem emocional.

12h14. Estou com a cabeça mais fria, conversei mais calmamente com mamãe e chegamos a um entendimento, pelo que entendi, manterá o seu cartão até março e me dará dinheiro para sair com Blanka no dia 27. O meio-termo. Mesmo assim me sinto mal, ainda há raiva e frustração dentro de mim. É certo que gastei excessivamente durante a Black Friday, é certo que Blanka tem peculiaridades que desagradariam qualquer sogra do mundo. O que acho equivocadas são medidas extremas sem uma conversa ao menos. Tudo me foi imposto goela abaixo logo que mamãe acordou. Aliás já me veio com o cartão cancelado. Mal sabe ela que estava tratando com Ju justamente em assumir o controle que admiti ter perdido durante a Black Friday e em como com autocontrole se conquista mais liberdade. E que sentia prazer em reassumir o controle, me dava uma sensação de empoderamento, admitir que passei dos limites e restabelecê-los. Quanto a Blanka, eu e Ju conversamos que tivemos um começo bastante complicado e que a gente tem que viver para ver se vale a pena para ambos essa relação que se constrói. Não posso construí-la sozinho, nem estou disposto a isso. Meu irmão deu com a língua nos dentes a respeito do celular e fodeu a mim e a Blanka de verde e amarelo com mamãe. Esse dia de Natal está sendo uma merda. Só porrada, o acaso-destino tirando onda e botando para foder em mim, eu mereço, nada é imerecido e tudo veio de uma vez. Que seja. É a vida e segue. Mandei para Blanka o link do post anterior, no qual lhe dou a alternativa de desistir de mim, se lhe for mais conveniente. Nossa, me sinto muito mal. Acho que voltarei à solidão hoje, se é para tudo dar errado, que dê tudo de uma vez. Colho o que semeei e fico de mãos vazias em relação ao que não consegui cultivar, o afeto de Blanka. É a vida e segue até que um dia essa condição inútil para com a minha morte. Não me importaria de morrer hoje. Odeio sofrimento e estou sofrendo. Foda-se tudo, foda-se eu. Vou fumar um cigarro com Coca e me deitar ou ir comprar a porra das Cocas e os sorvetes. Caralho, estava numa paz tão grande, me sentindo bem. É nenhuma. Foda-se. Seja lá a porra como a porra for.

12h55. Nossa, como estou transtornado, não sei como voltar ao meu equilíbrio. O tempo é senhor de todas as coisas. Pelo visto o estigma que carrego é maior do que imaginava, meu irmão contar da buceta do celular por achar que eu não estava agindo como uma pessoa normal, mas sim como um doente. Ou sei lá por que caralho de motivo me deixa ainda mais puto. Me faz pensar que realmente somos todos egoístas até a medula, meu irmão preferiu satisfazer seu ego e o da minha mãe. É justo entre o santo e sua mãe ou o doente fracassado e a puta quem é a dupla mais merecedora de ter os egos saciados? Não há sombra de dúvida. E eu repito, foda-se, o tempo há de me tirar desse estado. Fazia tempo que não ficava tão injuriado. Que sentimento nojento e desprezível e como me envenena. Me seduz com seus olhos de serpente. Foda-se. Foda-se. Foda-se. E ainda vou ter que ir comprar sorvete, caralho. Foda-se. Vou comprar esse caralho de buceta de sorvete.

13h55. Os supermercados estavam fechados, só havia a loja de conveniência do posto e o sistema estava fora, então foi bom mamãe me dar em dinheiro, pois cartões não eram aceitos. Comprei as porras dos sorvetes e os refrigerantes. Minha mãe disse que meu irmão falou do celular sem querer. Há muito tempo já. Atos falhos, sei bem o que significam. Foda-se. Essa raiva não dura para sempre. Só não quer passar. Dá vontade até de dormir para ver se melhora. Eu estou com uma agressividade dentro de mim que desconhecia. Não gosto de quem sou no momento. Acho que muitos botões negativos foram apertados ao mesmo tempo hoje. Muitas frustrações e agressões. Todas merecidas, talvez isso seja o que mais doa, estar errado. Mas comprei a merda do celular com o dinheiro obtido através das vendas do eBay. E a porra da Blanka não dá sinal de vida. Nossa, estou muito exasperado, a raiva é corrosiva e parece que inebria, infecta a alma e a deixa encarnada, os nervos à flor da pele, para eu mandar tomar no cu falta uma gota. Por mim passava essa porra de Natal no meu quarto, não quero ver ninguém, pois sei que estou um poço de negatividade. A vontade é de gritar e humilhar alguém. É uma vontade negra e amaldiçoada, por isso preferiria me ausentar, para não maltratar ninguém. Destratar ninguém.

14h18. Acabei de ser sarcástico com Blanka. Porra, que desprezo do caralho. Puta que o pariu. Quem falar comigo hoje, neste estado emocional em que me encontro, é bem passível de ouvir algo desagradável. Ninguém merece isso. Eu sei o quanto é ruim, já passei por isso mais vezes do que gostaria. Decidi. Vou fumar um cigarro e me deitar.

17h37. Acordei, mas ainda estou ressabiado, incrível. Nada de Blanka até agora, acabo de ver. Não consegui falar com o meu irmão adequadamente. Não falei com ninguém a não ser com a minha cunhada. Os meninos assistem TV na sala, ignorantes de que ganharão o Nintendo Switch. Será o único lado bom do meu dia. Queria não carregar esse ressentimento no peito, mas ele insistiu em não me abandonar. Preciso de outro cigarro. Aparentemente mamãe nada disse sobre o motivo do meu comportamento pouco afetuoso. Toca Orange Sky a música que meu irmão dedicou a nós três, irmãos. Quando será que as palhaçadas e brincadeiras de pais perdem a graça para os filhos? Se é que perdem.

18h50. Os meninos, os dois filhos mais novos do meu irmão, em breve estarão jogando Minecraft aqui no meu PS3. Mal sabem que ganharão o Nintendo Switch. Nossa, meu astral ainda está ruim. Blanka também não deu notícias, talvez a carta lhe oferecendo liberdade do nosso compromisso tenha dado a ela a oportunidade de que precisava para me abandonar, sei lá. Do futuro sei tão pouco, nunca esperaria a carga pesada que recebi hoje de manhã, meu peito ainda está dorido. Mas já entrei na quinta página. Vou revisar e postar. Que venha o que o acaso-destino trouxer.


domingo, 23 de dezembro de 2018

NATAL DOS BARROS




“[00:17, 12/23/2018] Mário Barros: Cheguei, fumei, obrigado, avisa aí a titia, please. Preciso escrever ouvindo um som agora.
[00:19, 12/23/2018] Primo Mateus: Beleza Mariola. Vou avisar. Boa noite irmão
[00:20, 12/23/2018] Mário Barros: 👊”

0h21. Blanka disse que lia meu blog, queria tanto acreditar nisso. Acabo de voltar da casa da minha tia-mãe. Eu tenho adoração pelo meu irmão. É algo que talvez nem seja saudável, mas que eu acho muito bom, me é muito precioso privar da sua companhia, acho que somos absolutamente sinceros e abertos um como o outro, ele é uma pessoa que me faz singular bem. É o homem da minha vida que tem três homens da sua vida para crescer. Para sempre. Eu não terei isso. Infelizmente a vida como eu a dirijo, de acordo com as minhas escolhas, me priva disso. Talvez tenha medo de compromisso tão sério e perene como esse. Talvez algo em mim deseje loucamente, mas o medo sufoca. Há uma solução. E só uma. Que é lança-lo(a) no mundo e o abandonar aos cuidados da mãe. Me eximir completamente da responsabilidade (e também dos sabores e dessabores de levar uma vida acompanhado dele(a)). É a única forma de ter um filho e não influir negativamente em sua formação. Sim, porque me acho uma pessoa, um pai, nocivo e incompetente e preguiçoso. Não seria um bom pai em uma palavra. Prejudicaria mais do que completaria aquele ser que é metade de mim. Não sei como me sentiria quando me deparasse com aquela figura. Com o choro, irritante manifestação de vida e humanidade. Sim, porque me parece humano até o barulho de um bode, sei que não é, mas engana, tem profunda semelhança, parece uma sílaba “mé” ou “bé” pronunciada por algo com um tom de voz quase humano. Ao contrário do som do macaco, onde vejo menos humanidade na vocalização, embora seja bicho de inteligência e cognição muito mais elevados. Vou dar uma olhada na internet, mas antes vou tomar os meus remédios, com um copo de Coca e fumar um cigarro.

0h49. Pensei muitas coisas enquanto fumava. Toca Pictures of You que está incluso em algo que eu pensei. Mas, primeiro, o pensamento mais recente: o sogro do meu irmão falou comigo e eu confirmei que romperia o ano lá em Aldeia, espero que tenha como concretizar essa vontade, tradição, compromisso, oportunidade de conversar com o meu irmão. E de estar num lugar animado, festivo com pessoas legais, de bem, mas com quem não tenho a intimidade que eu acho que teria a obrigação social de ter. Pelo menos vou e nos tratamos com carinho, eu acho. Pelo menos com cordialidade e amabilidade. Antes, me questionei se Blanka lia realmente isso e imaginei um cruel teste enquanto fumava olhando para o hall de serviço e sua portinha vermelha na parede de azulejos verdes-claros, em frente ao elevador: seria uma prova irrefutável de que Blanka leu isso: se ela me dissesse ou escrevesse: “eu leio, incêndio”. Depois pensei em mamãe, que certamente lê esse blog, principalmente agora com o surgimento de Blanka, cujo nome deve relampejar no seu campo de leitura, ávida que está a respeito do relacionamento, e intuí que provavelmente vá se acovardar de encará-la no dia 29, pois não sabe como irá tratá-la, afinal crê que é um ameaça que se fantasia de bênção, ou que quero enxergar como tal, em sua opinião. Acha que eu irei sofrer me envolvendo com ela. Ela só não sabe que eu só vou me envolver com ela se ela se envolver comigo e que não desistirei fácil da luta. Caterpillar Girl, bem pertinente, o tempo transforma, o tempo que passamos juntos fortalece o elo, quero crer, mas a verdade é que nada sei, é tudo muito novo e muito doido para ambos, há mais perguntas do que respostas em nossas cabeças. Acho que foi um grande desafio social ao qual ela teve coragem de se submeter hoje. Mas certamente, se ela quisesse, eu faria o mesmo e me apresentaria aos seus pais. Não ocorrerá num futuro visível. Mas eu iria e teria que encarar o preconceito com a minha idade, talvez. Sabe o que eu pensei em dizer a Blanka agora? “Se você não tiver vontade de sair comigo no dia 27, no dia 29 ou em qualquer dia, se sua vida é melhor e mais fácil sem a minha presença, não se preocupe, seguiremos cada um o seu caminho agora, não me arrependo de nada e serei eternamente grato pelo que você me proporcionou, pelo que me fez fazer e sentir, por me acompanhar, por, num breve sopro, trilharmos juntos a estrada da vida, você me fez sentir um bem enorme, se não consegui lhe retribuir ou cativar, se você acha que isso nunca se dará, se está certa disso, acho que só nos cabe o adeus. Se eu sou mais uma obrigação na sua vida, eu sou uma coisa da qual você não precisa e que, mais do que isso, lhe desgasta e prejudica, pois obrigações pesam na alma, as fazemos a contragosto. Não quero você dessa forma, quero você por que acha interessante, diferente, novo trilhar parte da vida ao meu lado, que podem ser divertidos os momentos que compartilhamos, que quer ir um pouco mais adiante para ver onde esse nós vai dar. Quero que saiba que compartilho do interesse, curiosidade e receios, ou receios outros, mas receios da mesma forma, receios não são bons, mas é o que o novo sempre traz como efeito colateral, ainda mais um novo tão estranho como o que temos agora. Se fosse lhe pedir uma coisa é: seja você, pois eu estou tentando ser eu ao seu lado, e em tudo o que posso. O mais completamente que eu posso. Embora o completamente não exista fora dessas palavras. Aqui eu sou pleno, ouvindo The Cure e sendo pleno no meu quarto-ilha e colocando palavras no Word. Exterminar metade da humanidade com um estalar de dedos é muito pouco para o que posso aqui. Aqui o limite é a minha vontade absoluta e irrestrita, pena a minha imaginação ter atrofiado e encontrar mais prazer fora da ficção, a vontade é de botar para fora, acho que me botar para fora, a mim me parece que sem isso, eu não suportaria levar a vida tal como escolhi nas permissões que o acaso-destino me concedeu e às vezes me presenteou, como é o caso da curatela, de Blanka, das palavras, das bonecas, da mãe, com quem a minha relação anda tempestuosa, por ser um momento de transmutação meu que gera incômodo nela e preocupação, sempre preocupação. Não digo infudada, mas digo excessiva. Talvez eu tenha uma maturidade emocional que ela não reconhece, mas da qual me apodero, pois me permite ser mais meu e menos filho dela. Vou tomar um Coca com cigarro e comer uns biscoitos tortinhas de limão.

1h54. Não havia as tortinhas de limão, mas havia Negresco. Comi uns quatro. Hoje não sinto vontade nenhuma de comer. Para mamãe Blanka é o meu problema principal, o problema principal dela, ela acha que a minha tentativa de viver momentos felizes com uma garota especial (há vários significados para essa palavra e vários se aplicam) é problema dela, que ela tem que tomar a responsabilidade e controle da minha vida afetiva, o que a mim me parece um abuso de poder da parte dela, tem que haver um mínimo de respeito, eu tenho que ter independência na vida, abro mão dela em vários aspectos, mas nesse, não. Esse “problema” e sua solução sou eu que busco, que escolho, eu que dou. Nossa, do que eu mais gosto é quando estamos só nós dois, eu e Blanka. Parece que o resto do mundo não existe, certamente não importa, só importa um e o outro e o que vamos fazer para nos aproveitarmos da situação. Como podemos usufruir da melhor forma da companhia do outro, porque é tudo o que temos nesses momentos, um ao outro. É uma experiência muito íntima. Que muito me lembra uma terapia e quero que cada vez menos pareça com isso e torne-se uma companhia, um troca de outra natureza, de um tipo de afeto diferente e mais igual, embora em qualquer troca haja uma parte que está dando e outra que está recebendo, entretanto, a troca de carinhos físicos possa e deva ser idealmente simultânea, dá-se e recebe-se mutuamente e ao mesmo tempo. Compliquei para definir namorar. Namorar... me sinto e não me sinto preparado, desejo e tenho medo. Mas medo de quê? Acho de não ser retribuído e gerar a repulsa de Blanka. Sei como se sente em relação a abordagens de homens, isso dificulta bastante. Ela tem que se entregar, deveria tentar para ver como se sente. Precisamos construir intimidade para isso. Acho que podemos dar esse passo no dia 27, se mamãe der os meios, ou seja permitir que eu ponha em prática uma decisão que tomei e que só cabe a mim. E a Blanka, que já consentiu, mesmo com tantos poréns, tentar dar esse grande passo. Penso em colocar o Disintegration do Cure para que o momento seja ainda mais perfeito, depois Blanka pode escolher a música. Vou fumar e acho que vou dormir. Desculpem-me se fui redundante, a cabeça orbitou sobre vários temas correlatos. Maria não veio para o Natal dos Barros. Ficou um buraco que dói, pois acredito que ela acha que o esforço não vale mais a pena. Nem eu, nem mesmo Paulo ou as crianças valem a pena o deslocamento. Dá-se por satisfeita com o contato cibernético que é caudaloso, creio. A idade lhe roubou dessas empreitadas cansativas. A recompensa já não vale. Vou dormir, 2h41. Quando acordar, termino o restinho da página.

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16h58. Acordei e há mensagens de Blanka. Ainda estou acordando. A vontade é voltar para a cama. Prometi a mamãe que não o faria, ela me ligou enquanto fumava o primeiro do dia. Foi um sono bom. Queria mais. Parece que amanhã iremos a algum evento familiar encontrar o meu irmão. Vou fumar outro com Coca e bastante gelo.

17h24. Já é hora de acender a luz para enxergar o teclado. Björk toca e é exatamente o que desejo ouvir. Estou ainda sem cérebro. Não sei se acho o desabafo que escrevi a Blanka acima ainda pertinente, pois tenho medo de perdê-la dando-lhe a carta de alforria, por outro lado, não quero forçá-la a nada embora saiba que cada começo, cada construção exija um esforço e um desconforto de ambos os lados. Ontem não estava normalmente em mim ou estava em mim demais. Maria não ter ido foi algo que doeu em mim. Ainda dói. Mas eu compreendo. A sensação dela de não pertencimento, o fato de passar a maior parte do dia esquecida num sofá da sala sozinha, como aconteceu em anos anteriores. Eu entendo e respeito. E dói mesmo assim. É uma ruptura para a qual não estava preparado. Muito provavelmente definitiva. Acho que já estou com disposição de mandar uma mensagem para Blanka. Eita, entrei na quarta página. Estou meio inseguro em relação a esse post. Mas é o que sou, o que fui, o que sinto e penso ou pensei e senti. Dane-se, vou revisar e postar. A internet melhorou bastante hoje. Graças, pois passarei o resto do dia aqui escrevendo o que me ocorre depois daqui e navegando no maravilhoso mundo dos bonecos. Hoje é antevéspera de Natal. Amanhã é o dia dos Gonçalves. Que venha.  

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

DATAS E "DATES"


6h22. Eu fui dormir muito cedo, acordei para comer e perdi o sono. Mamãe apareceu aqui e, como é um comportamento diferente do dos cidadãos normais, já achou que eu estava com algum problema de ordem psicológica. O que ela não entende é que deixei de seguir os padrões sociais há muito tempo, a maioria deles não me agrada, não consigo nem quero me adequar. Prefiro levar a vida do meu modo, na minha toada. E minha toada inclui momentos como esse. Vou fumar um cigarro, um dos últimos, ainda bem que recebo carteira hoje. A internet está uma bosta. Mesmo assim fui completamente absorvido pelo maravilhoso mundo dos bonecos.

6h34. Só um coração de mãe sabe o que um coração de mãe passa e é capaz, especialmente tendo um filho tão esquisito quanto eu, com hábitos e gostos para lá de peculiares. Sei que estou vivendo a vida da melhor forma que posso, da melhor forma que sou capaz de viver, mas acho que tudo o que ela vê é um grande talento, um grande potencial desperdiçado e desperdiçando a vida. Aí já pode ser imaginação minha. Sei que faço exatamente o que gosto e quero. Espero que ela não cancele o meu cartão até março, seria uma bronca sem tamanho. Espero que não cancele o cartão nunca, pois agora que estou paquerando ele se faz mais útil do que jamais foi. Além da Rebel Terminator que está gerando estes valores elevados no cartão, pleiteio o Azure Dragon, mas tudo depende do custo de envio para o Brasil. Espero até agora a posição do cara da fabricante e ele não foi capaz de me dar resposta. Bom, não quero falar de bonecos agora. Queria falar da minha mãe, mas o que dizer dela? Está mais amorosa, mais preguiçosa, mais combalida pela idade e pelo tratamento contra a volta do câncer. Terá grande felicidade quando o meu irmão US chegar com a sua turma, assim como terei também. Falei de certa vergonha no lidar cara a cara com o meu irmão na terapia, mas não preciso fazer nada que não esteja disponível a fazer. Tenho certeza que meu irmão me compreenderá, é a pessoa que mais me compreende no mundo. Minha mãe é a que mais sabe de mim, mas não consegue compreender a maioria das minhas escolhas e tem dificuldade de aceitá-las, embora esteja aceitando muito mais do que costumava fazer. E por isso sou grato ao tempo e ao esforço dela, pois tenho certeza que se esforça para tentar entender o que vai na minha cabeça que é tão diferente do que vai na cabeça dela e dos demais com quem lida. Embora, como e todo e qualquer um estou tentando levar a vida da melhor forma que consigo. Minha mãe acordou, falei tanto nela que fiquei com saudade da sua companhia, vou lá ter com ela, depois volto, há tempo o bastante para essas palavras. Tempo demais até.

7h55. Mamãe soltou os cachorros em relação a Blanka. O canil inteiro. Sua total descrença na relação que pelo menos eu estou tentando construir, falou inclusive palavras de baixo calão que não cabem a mim reproduzir, se exacerbou tremendamente e justificou todo o seu preconceito e desconfiança advinda desse preconceito como o desejo de uma mãe de proteger seu filho. Que seja, disse que sentiu-se mais aliviada depois do desabafo indiferentemente se as palavras me agrediram ou não. Sinceramente não sei que expectativas ter em relação a Blanka se mal fala comigo desde o nosso último encontro. Sei lá da vida. Sei que estou zumbi e gosto desse estado, traz uma paz interior muito grande e gostosa de sentir, talvez por isso tenha ouvido o sermão de mamãe com tamanha tranquilidade. Imaginei que a minha relação com Blanka seria um desafio com vários obstáculos, difícil, mas não me veio à cabeça que encontraria tamanha rejeição de mamãe.

8h33. Me perdi com conversas com o eletricista, o pintor e no maravilhoso mundo dos bonecos. Bom mamãe está aliviada agora que desabafou toda a sua ira em relação a Blanka comigo. Não acredita que ela vá ao Natal dos Barros. Não acredito que ela não vá falar comigo hoje. Acharia falta de consideração. Mas ainda é cedo. Hawkmoon 269 passando, potente e maravilhosa, U2 no seu melhor, para o meu gosto. Ouvi muito esse vinil. Quando Blanka nasceu não havia mais vinis. Nossa, a diferença de idade é gigantesca e eu acho isso uma vantagem. A juventude feminina não tem preço. É o espetáculo mais belo que o universo pode proporcionar a esse primata bípede que vos escreve. Pelo menos minha mãe disse que eu escrevo bem. Gosto de ouvir isso, embora custe a acreditar que algo de bom parta de mim, há sempre um bloqueio, uma negação, uma relutância, desconfiança. Quem me moldou tão inseguro e tão desacreditado das minhas qualidades? Por que continuo a me colocar assim? Por que não aceitar que tenho qualidades, pálidas e fugidias, mas tenho? E, mais difícil ainda, aceitar que elas me bastam para me ver como uma pessoa digna, não digo ilibada, mas normal, tão pecadora como qualquer ser humano, com alguns lapsos de graça.

10h02. Nesse momento, estou meio puto de não ter notícias de Blanka. O veneno que minha mãe enfiou-me goela abaixo fazendo efeito. E é bastante tempo sem falar comigo mesmo. Quero só saber a justificativa.

10h18. O tempo se arrasta. Vou fumar. E beber Coca.

10h32. Me disse chateado com Blanka a esta pela falta de comunicação.

10h40. Eu não sei mais o que dizer, nem sinto vontade de dizer. Talvez seja o cansaço o pior que o pintor está trabalhando na porta do meu quarto, então não posso fechá-la e ligar o ar para um cochilo.

FOTO DO PINTOR QUE COM A INTERNET BOSTA NÃO CONSEGUI CARREGAR


19h31. Dormi até as 16h e fiquei conversando com Blanka até agora. Foi bom.

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14h51. Estou conversando com Blanka, o que é bem melhor que escrever para quase ninguém. Depois conto do exame de pulmão que fiz hoje.

15h28. Ela tem afazeres, então cá estou de volta à escrita solitária. Talvez nos falemos amanhã. Não sei. Sei que a médica viu meu raio-X, meu teste de função pulmonar e achou tudo normal, não falou, como da primeira vez, que eu havia perdido 38% da minha capacidade pulmonar. Estranhei, talvez tenha feito o exame de forma errada da primeira vez e, como o aparelho agora foi diferente, tenha o utilizado melhor. Realmente um mistério. Mas se nada há de anormal, fico feliz. Pediu apenas que continuasse usando a bombinha até acabar. Estou pensando em Blanka, em como despertar o seu afeto por mim. Para isso é necessário, creio eu, que me deseje sexualmente, para além do carinho, quero muito que aconteça o encontro do dia 27. Não sei se irei para Porto com o meu irmão, entretanto. Caso vá acho que retornarei no mesmo dia, mas acho a probabilidade de mamãe ir no dia 26 mais plausível, então no dia 27 estaria livre. Veremos.

17h11. Não sei como o tempo passou até este momento, mas passou. A internet está um droga, falarei com mamãe para que ela, ou eu, tome uma medida antes de o meu irmão chegar porque ele e minha cunhada vão precisar de internet. Mas não quero pensar nisso agora, nem quero escrever. Queria era poder levar Blanka para Porto, mas sei que mamãe vai ser terminantemente contra, ademais nem sei se Blanka teria disponibilidade para ir. Nem sei se mamãe vai. Deixa para lá, já estou querendo demais. Mas queria um pernoite com Blanka no dia 27 e sua presença na festa da piscina no dia 29, caso realmente haja. Essas duas coisas acho mais possíveis. É, mas a prova de fogo vai ser agora dia 22, no Natal dos Barros. Se conseguirmos sobreviver a ela, creio que haverá uma maior consolidação do casal que pretendo que nos tornemos. Depois desse dia, acho que a nossa relação fluirá de uma nova maneira, mais fácil, não sei, posso estar imaginando coisas aqui. Desde que percebi que não sei distinguir o que factual do que é mera imaginação dentre as coisas que me passam à cabeça, acho que se projeto qualquer coisa, ela não passa de ficção. Embora Blanka também esteja achando que esse dia 22 será um divisor de águas para a gente. Estava tranquilo, já volto a ter receio e ansiedade quanto ao dia. Bem, o que tiver de ser será. Estou otimista apesar do pé atrás. Encontrei a garota que tem as particularidades que se adequam às minhas necessidades. Não sei se preciso mais do que o que teremos à nossa disposição, nossos encontros não serão tão frequentes, ou serão tão frequentes quanto desejarmos. Mas vai ainda um longo caminho até ela realmente querer me ver, sentir minha falta. Ela é emocionalmente muito fechada, especialmente no que tange a homens. Minha intuição ou imaginação acredita ser possível, é ter paciência. É um processo, um difícil processo, especialmente para ela. Queria que as coisas avançassem antes da alagoana ressurgir, se bem que isso nada muda a natureza aberta da nossa relação. Na nossa relação, para o bem ou para o mal, não há espaço para ciúmes. Odeio ciúme, é um sentimento corrosivo e mesquinho. Odeio sentir. Até agora não se deu. Nem pode se dar. Ela tem Dande como a pessoa da sua vida, tem isso bem cristalizado no seu ideário.

19h53. Conversamos ainda um bom bocado, talvez nos vejamos nos dias 22, 27 e 29. O dia 27 sendo meu presente de Natal, um pernoite no motel que eu tanto pedi. No Senzala, que achei mais ajeitadinho que o Olympikus, num quarto com banheira. Pedi que considerasse com carinho e me desse a resposta após o dia 22, ela disse que daria no próprio dia. E disse que topava vir para o aniversário do meu irmão no dia 29. Espero que após o dia 22, mamãe encasquete menos com Blanka. Será o momento de a “sogra” conhecer a nova “nora”. Nossa nem consigo imaginar tal encontro. Será desconfortável para ambas, mas acho que ainda mais para mamãe, o preconceito que carrega é enorme.

20h17. Fui fumar um cigarro e me perdi do assunto por um momento pensando que este não seria o momento apropriado para morrer, injetado de vida que estou. Os próximos dias prometem só coisas boas, é uma época muito boa para ser eu. Se tudo correr minimamente como planejado, tem início uma fase muito feliz da minha vida. Em verdade acho que o embrião dela, quiçá o feto, já esteja formado. Não sei realmente. É tudo muito novo, uma descoberta, que vai se desnovelando a cada novo dia. É uma novela a minha vida agora, de enredo elaborado, com drama, mistérios, verdades, segredos e o romance que se constrói mas que não se consolida nos primeiros capítulos, os primeiros capítulos foram em verdade bem sui generis, a novela promete ser boa, repleta de emoções.

21h17. Enquanto caminhava rumo a pizzaria uma parte autônoma ou secundária de mim me conduzia até lá, visto que eu estava pensando em coisas todas outras. Todos na pizzaria me receberam com um sorriso de simpatia mútua, pois sorri também, feliz em revê-los. Quero divagar por outras paragens. Me vem a chegada do meu irmão, mas não é sobre isso que quero falar. Bateu o modo antissocial em mim, nossa como odeio, Blanka o conhece bem, se deu no nosso último encontro. Lutei contra ele e agora me aparece de novo. É algo do que devo dar um tempo agora, esse medo de enfrentar as pessoas, do social. Não preciso disso agora. Imaginei uma cena fictícia agora, na casa de uma amiga, na madrugada que se iniciou com o fim da celebração do seu aniversário ou, antes ainda disso, com a missa de sétimo dia de seu pai. Ficamos o marido, dois amigos dele e eu, depois de um bocado de cerveja, eu não estava bebendo, acenderam um baseado e eu fumei. Entrei numa vibe legal com eles falando de filmes de super-heróis, foi quando me deu vontade de ver Deadpool, pelo o que o melhor amigo do marido propagandeou do filme, que ainda estava nos cinemas à época, eu acho, até que chegou o momento que me travou: o marido botou quatro carreiras de cocaína e cheirou uma numa nota de cem reais enrolada, ofereceu o canudinho e o espelho a nós, os demais entraram na onda, primeiro o melhor amigo, depois o namorido de outra amiga nossa que esticaram conosco da missa para o bar para a casa do casal, eu fiquei mais meia-hora e chamei um Uber pra casa enquanto discutiam se filmes de super-heróis e fantasia baseadas em séries de livros, como Harry Potter poderiam ser considerados clássicos, eu só considero clássicos dessas categorias o The Dark Knight Returns e Senhor dos Anéis. Gostaria de ter coragem de colocar um da Marvel, mas não tenho, tenho da Pixar; no mínimo Wall E, é o 2001 (outro inegável clássico) da Pixar. Vou fumar e comer. FIM. Acabou-se a ficção. E o post.