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sábado, 12 de maio de 2018

A ETERNA FUGA DO TÉDIO


Minha mãe me acordou dizendo que meu tio, aquele tio para quem mandei o livro, havia ligado e que me ligaria daqui a uma hora. Ela parecia bastante animada com a notícia, como se ele trouxesse boas novas. Não estou com coragem de falar com ele. Preferia que não ligasse. Mas sabe-se lá. Se ligar vou atender, claro.

11h45. Estava peruando pela internet. Que coisa mais curiosa esse contato do meu tio. O que será que queria? Que quer? Bom, esse é um contato que não fico ansioso em receber, como o estou em relação a Seu Raimundo. Ainda bem que agora que acabo de acordar não guardo grandes ansiedades comigo. Acho um saco ansiedade ontem fiz verdadeira ode à ansiedade manifesta na incerteza de receber resposta de Seu Raimundo, ansiedade que deveras sentia. Hoje estou mais tranquilo, talvez por ter investido tanta energia nisso ontem. Tomara que não me acometa de novo. Deveria levar esse assunto de livro com mais leveza. Vou tentar relaxar e deixar a vida me levar. Tomara que consiga esse intento hoje. Meu juízo não aguenta tanta ansiedade seguida. Hoje é sexta-feira, talvez haja saída com meu primo-irmão, melhor seria se não tivesse. Não estou com vontade de sair da minha toca, meu quarto-ilha. Hoje não queria nada que perturbasse o meu humor. Certamente não queria que meu tio me ligasse pedindo mais layouts. Isso estaria entre as últimas coisas que queria. Descobri que o aplicativo de celular Prisma agora é pago, que droga, queria ver como o Hulk ficava com os seus fantásticos efeitos, mas não vou pagar para isso. Nem acho que muitas pessoas pagariam pelo serviço que oferecem, mas cada cabeça é um mundo. Meu Hulk é muito invocado, não canso de babar. Com a luz do dia é que fica invocado mesmo. “Landlady” toca pela primeira vez hoje. Se nada mudar dentro de mim ela ainda vai tocar várias vezes. Ela mais que à liberdade, tem estado muito vinculada à expectativa de resposta do grande escritor. Graças que uma boa noite de sono reduziu a minha ansiedade. Que continue assim. Ontem elaborei um texto de doze páginas só tratando e enfrentando a minha ansiedade da pior forma possível. Foi muito exaustivo emocionalmente. Não gostei do dia de ontem. Há dias piores, mas também há dias muito melhores, como esse se afigura até o momento. Não tenho vontade de fazer nada que não escrever aqui, talvez porque Tico e Teco ainda estejam se entendendo. Fato é que estou tranquilo e isso é o que importa. A editora do concurso para onde mandei o meu texto ainda não me deu resposta e pouco se me dá pois não há a mínima possibilidade de eu ganhar pelos critérios avaliados. Tenho que tomar um banho hoje. Mas estou com preguiça de tudo no momento. Preguicinha boa, vontade apenas de me dizer aqui. Quantos podem usufruir de um momento de preguiça em plena sexta-feira, às 12h20, tendo 41 anos de idade? E isso sem pressões externas? Sem prazo, sem estar desempregado, sem estresse nenhum? Eu sou um abençoado e mais abençoado sou por ter as minhas palavras. No texto de ontem, que não publiquei aqui, entrei no embate até com o significado que estas palavras têm para mim. Foi uma coisa pesada comigo mesmo, estava num astral muito ruim. Que bom que passou mais. Mas continuo condicionando o meu livro à anuência de alguma autoridade que eu veja como portadora da qualidade de julgar a obra meritória ou não. Em caso negativo, não a publicarei, pois não vou enfrentar toda a dor de cabeça que a publicação vai me causar por egolatria, egocentrismo, narcisismo. É muito pouco. É uma razão fútil essa de agradar o meu próprio ego. Novamente penso em vovô que publicou vários livros com esse intuito e não é o que projeto para mim. Ele estava pouco se importando para a qualidade literária ou para qualquer coisa. Achava que tinha uma boa história para contar – ou histórias – e mandava ver. Acho admirável tal autoconfiança, mas não disponho dela. Preciso de mais. Da tal aprovação de alguma autoridade ou entidade que eu respeite. Mas não vou remoer esse assunto, não quero ansiedade hoje. Já me basta o que passei ontem e anteontem e antes até. O problema é que me falta conteúdo, vivências novas. Hoje eu poderia me focar em como tenho a vida que pedi a Deus. Primeiro, eu não trabalho, ou melhor, trabalho no que me dá prazer e nenhuma renda que é escrever. Escrever para mim não para os outros. Os outros são consequência e até por isso sou lido por muito poucos, mas já me acostumei com esse fato. Afora isso, a despensa está cheia de Cocas, vou receber minha carteira de cigarros hoje, estou ouvindo o som que eu quero ouvir, no quarto que tanto amo, tendo o Hulk como meu grande companheiro. Afora o Homem-Aranha Simbionte, a Rei Ayanami, o Coisa e, mais acima, o Demolidor. Moro num bairro agradável que já foi mais agradável antes da descontrolada e irresponsável verticalização da área. O progresso às vezes se dá de forma mesquinha e desenfreada.

13h03. Minha mãe me adiantou o que meu tio quer de mim, mais trabalhos de layout. Disse que perguntou do livro a ele e que ele disse que eu “tenho jeito” e que há partes, não me lembro a palavra, mas algo entre tristes e pesadas. Mencionou da festa do meu avô o que é bem no começo do livro, o que para mim indica que não leu a obra completa. Acho essa uma parte chata do livro, quando ainda alimento a falsa expectativa de ter alta o mais rápido possível. Isso é na primeira semana de internação. Não acredito que vou ficar fazendo layouts para o meu tio. É tudo o que não queria. Terei que saber dar uma parada nisso quando eu sentir que está me fazendo mal. Um trabalho de layout que me foi recompensador? A marca do Carnaval de Olinda que foi utilizada dois anos seguidos. Deu um baita trabalho, mas me senti recompensado ao imaginar os milhares de pessoas que a viram. É uma pena que não tenha conseguido achar uma fonte adequada para ela. Mas é isso. Gostei de um ou outro layout de lançamento de prédio que fiz, é o tipo de anúncio que é um quebra-cabeças, há várias peças para encaixar de maneira informativa e harmônica, de preferência chamativa e agradável aos olhos. Afora isso, não consigo me lembrar de outros layouts que fiz que me marcaram. Não gosto de fazer layouts, não sou diretor de arte. “Landlady” passa uma vez mais. Para mim, meu tio não vai fazer nada para que meu livro seja publicado, se fosse para publicar por esse meio, se ele intercedesse junto à Cepe, onde já trabalhou em elevado cargo, não me importaria com a aceitação de ninguém, pois teria o meu livro nas livrarias. De todo modo, ainda falta acabar a revisão. Quando acabar, volto a mandar o livro para ele. De nada vai adiantar já sei. Mas quem não arrisca não petisca. Usei essa expressão para o concurso, outra via que acho tão infrutífera quanto esta. Acredito mais que a opinião de Raimundo Carrero venha que meu tio venha me ajudar a publicar a obra. A vida pode me mostrar equivocado também. Mas dizer que eu “tenho jeito” para a escrita é muito pouco é quase dizer que eu sou medíocre. Mas não vou entrar de novo sobre esse mérito da minha mediocridade senão entro na minha bad trip de ontem. Hoje quero um dia mais astral para mim. Eu mereço. É sexta-feira, ontem passei 13 horas escrevendo quase ininterruptamente. Foi exaustivo, por mais que o faça com prazer, mas mergulhei fundo e não gostei nada do que vi. Hoje quero mais leveza, mais frescor. Meu tio ainda não ligou. Ainda bem. Espero que não o faça. Talvez não o faça, visto que é sexta-feira. Deixará para me ligar na segunda. E já me pedir um novo layout. Espero que não vão subindo de complexidade, agora um panfleto, depois um folder – odeio folders – então uma campanha e por aí vai. Bom que o destino/acaso mostre a suas cartas. Confesso que tais cartas não as queria ver hoje. A únicas coisas que gostaria que o destino/acaso me trouxesse são uma comunicação do escritor ou da incrível revisora. Teimo em escrever incrível colocando um acento agudo em cada “i”, ainda bem que o corretor ortográfico elimina o primeiro automaticamente. Não tenho muito o que dizer. Vi uma postagem da incrível revisora e penso no cuidado que teve para elaborar o texto. Perfeccionista do jeito que é. E extremamente racional pelo que aferi do texto. Não á à toa que tenha se dado tão bem com o meu primo urbano. Acho que formam um casal harmônico e feliz. São companheiros da forma um tanto distante, mas não muito. Na medida ideal para os dois. É uma coisa a qual estou completamente desacostumado, sair com os amigos da namorada. E é uma coisa, caso tenha uma namorada que inevitavelmente irá se dar. Mas no meu horizonte ninguém se afigura para preencher esse papel que falta em minha vida. Mas não falta muito não, enamorado que estou das palavras. E da solidão. Será que a solidão será quebrada por algum evento noturno? Talvez no sábado? Meu primo acho que tem interesse em comparecer ao forró da Casa Astral. Vou ver se é isso mesmo.

13h55. Não era, era para o show de Cordel do Fogo Encantado. Não sei se tenho disposição para tanto. Não gosto do som da banda – pode me chamar de herege – e acho que vai ser uma aglomeração sem tamanho. Se bem que seria um bom lugar para encontrar uma garota, quiçá a Garota da Noite. Mas essa vai me evitar com absoluta certeza. Nem as minhas mensagens do Facebook se dá mais ao trabalho de acessar. Caso perdido. E pouco se me dá. O desprezo às vezes cansa. Dentro em breve tomarei um merecido banho. Falta-me disposição, mas uma vez com a ideia na cabeça eu vou me aclimatando com ela até fazer o movimento para a realização do ato. Mas isso só daqui a dois copos de Coca e um cigarro. Tenho quatro cigarros, dá um por hora até as 18h00, quando mamãe combinou de me dar a próxima carteira. Queria ir pegar Coca agora, mas com o casal na cozinha, me sinto atrapalhando. Vou mesmo assim. Mamãe vai me convidar a comer, dizendo que a costela ficou uma delícia etc.

14h11. Como supus, minha mãe me fez experimentar a costela. A nova TV da casa chegou. E já foi convocado o rapaz para instalá-la. A medida que vou ficando velho passo não mais a ver todos os adultos como homens ou mulheres, só se forem mais velhos que eu, como há mais gente nova do que velha, chamo-os rapazes ou moças. É uma condição peculiar ficar velho, uma que particularmente não me agrada. Mas acho que a partir dos 60 uma década a mais ou a menos não faz tanta diferença. Serei velho da mesma forma. Até os 50 ainda sou coroa, a partir daí dou velho. Embora as crianças me achem velho já de agora, eu creio. Vou fumar um cigarro.

14h23. “Landlady” começou assim que entrei no quarto. Acho que muitos invejam a minha posição, sem trabalhar, recebendo mensalmente uma pensão, todo o tempo livre do mundo. Mas o que fazer com esse tempo livre é a questão. Muitos se pegariam sem saber com o que ocupá-lo, eu me descobri na escrita senão me veria imerso num oceano sem fim de tédio. A escrita é a razão de viver os meus dias. É ela que me livra do tédio, ela é a minha ocupação, o que faço com prazer da minha vida. Mas já louvei tanto a escrita aqui – e tantas mais louvarei, tenho certeza, pois sou eternamente grato a essa vocação, se posso chamar assim – que não utilizarei mais palavras sobre o assunto por ora. Mas ter tanto tempo livre e não ter outra coisa que me interesse fazer é uma coisa que acho estranha, minha mãe mais ainda. Minha mãe outorgou ao meu tio o direito de me explorar, ou seja, fazer layouts por uma recompensa mínima doada a ela. E está orgulhosa de mim e animada com a ideia de que eu faça algo além de escrever. Mesmo que seja uma coisa que não gosto de fazer e que não se reverterá no meu principal intento, o livro publicado. Razão primeira e única de ter entrado em contato com o meu tio. A vida prega cada peça, parece que a Publicidade é um fantasma que nunca vai deixar de me assombrar. Há um mosquitinho inconveniente no meu quarto. Não gosto de mosquitinhos inconvenientes no meu quarto, mas gosto menos ainda de findar uma vida de um ser que tem o mesmo direito de existir que eu. Mamãe usa o WhatsApp e fica apitando aqui no meu computador. Não tiro vidas dos seres menos evoluídos, por mais que me alimente deles e não tenha pudor em fazê-lo, mesmo sabendo das crueldades do mercado da carne. Sou um animal onívoro. Não me satisfaria apenas de plantas. Não me vejo tomando essa atitude nem tão cedo. Não me vejo a tomando nunca. Pode me achar desumano nessa parte em que sou humano demais. Meu irmão abdicou dos prazeres da carne, no sentido literal apenas, e tornou-se vegano. Mas meu irmão é uma pessoa iluminada, não é o meu caso. Nunca será. Minha alma é cheia de máculas que não há como remover. Não gosto de quem eu sou e não me esforço para ser uma pessoa melhor, simplesmente porque gosto da vida que levo, da maneira que levo. A culpa, essa incansável carrasca, já me açoitou tanto que me acostumei com as suas chibatadas e as levo qual um boi de carga, sem reclamar, apenas seguindo em frente carregando todo o peso de ser como sou. Não é peso demais nem de menos, é a justa cruz que tenho que carregar. Não trocaria todas as regalias que tenho por algumas gotas de dignidade, não me parece uma troca justa. Para encher o meu poço de dignidade seriam precisos barris e barris de dignidade. E um esforço moral que não ouso empreender. Me sinto falho, fracassado em quase todos os âmbitos da minha vida, mas levo a vida que quero, que sempre sonhei. Escrevendo. E parece que sonhei certo, pois não me canso de escrever e quanto mais escrevo mais vontade tenho de me dizer como uma sede insaciável. Que continue assim, pois é aqui que me protejo do fracasso, da culpa, da falta de dignidade, de toda a aspereza do meu ser, mesmo que os revelando como faço agora. Há uma sensação de expurgação de tais impurezas da alma na escrita. É como se me confessasse e isso traz alívio, alento para alma combalida. Não é à toa que estou sozinho e mais sozinho a cada dia me torno. Não vejo isso como coincidência, mas como consequência do que sou e de como ajo. Tenho mais do que mereço, mas não ouso abrir mão disso por uma causa maior, pois não vejo causa maior que a minha própria. Ao menos, em não recaindo na minha droga de preferência e tendo estabilizado meu transtorno bipolar, não faço mal a ninguém, nem a um inconveniente mosquito que, por sinal, desapareceu, deve ter saído pela janela aberta por onde entrou. Me vejo estagnado, alienado, cada vez mais distante da sociedade. Isso me preocupa um pouco, mas já me preocupou muito mais. Me preocupa deveras não ter mais condição de escrever, de ter algum tipo de lesão por esforço repetitivo ou coisa que valha. De ficar senil e perder meu eu. Isso me amedronta muito mais que o isolamento. É certo também que não queria ficar de todo isolado. O contato humano ainda me é algo singular e precioso, especialmente com pessoas queridas. Mas esses vem escasseando, a vida vai nos distanciando como a expansão do universo vai distanciando os corpos celestes. Foi-se o tempo da disposição e disponibilidade para os encontros. Eu estou praticamente sempre disponível, mas convites são escassos, para dizer o mínimo. Se eu mesmo não me convido, o que acho cada vez mais inconveniente como o mosquito intrometido, é difícil que haja alguma interação social para mim.

15h09. Minha mãe veio trazer o café de máquina para mim, devidamente adoçado, uma regalia que só uma mãe que ama é capaz de proporcionar. Me sinto amado nesses gestos e busco retribuir com carinho que é a única moeda que tenho de troca e o qual distribuo com sincero prazer, coisa que não acontecia antigamente. Antes era um movimento forçado e alienígena, hoje é espontâneo e desejado. O tempo é realmente senhor de todas as coisas. Não pensei jamais que me entenderia tão bem com a minha mãe quanto se dá hoje. E os prospectos são ainda mais positivos. Ou assim quero crer, ambos amadurecemos. E nos tornamos mais macios um com o outro. Um bom destino para a costela que ela comprou seria uma farofa, comerei hoje como está, mas como a peça é muito grande talvez, se eu sugerir, se converta em farofa o restante. Isso se durar até a vinda da fantástica faxineira. A TV que meu padrasto comprou é de impressionantes 65 polegadas. A caixa é enorme. O rapaz da instalação ainda não chegou. Hoje, o passatempo do casal será explorar e desfrutar da TV. Espero que dê tudo certo e que a tenham instalada e operacional hoje à noite. O aluno de mamãe que viria à tarde não vem, então ela decidiu que vai dormir um pouco. Ou um muito, quem sabe.

15h18. Voltando ao meu peculiar modo de vida, acredito que só não caí ainda numa profunda depressão por conta em sua grande parte dos medicamentos que a Doutora me receitou. Viver isolado escrevendo e cheio de dilemas existenciais mal resolvidos me parecem a receita certa para uma depressão. A escrita é a parcela restante que empresta sentido aos meus dias. Sem a escrita não sei se os remédios seriam o suficiente. Mas na soma dos dois se dá a receita para que vá levando a vida como levo. Me vi agora sem palavras para dizer. Preciso me movimentar para o banho, mas não sinto o menor ímpeto de fazê-lo agora. Minhas axilas já exalam o odor característico que me é um alerta para tomar banho. Passarei desodorante dessa vez. Mas antes de ir quero me deixar aqui mais um pouco. Queria tomar banho no cair da tarde, lá pelas 17h27. Hahaha. É que, como já disse, gosto do número 27.

15h25. Daqui a duas horas e dois minutos vou tomar banho. Seu Raimundo volta a me assombrar. A vontade de mandar-lhe um e-mail me assalta o juízo. Novamente, tenho que me controlar e só mandar quanto a revisão definitiva do livro ficar pronta. Quem sabe não me responda antes, mas acho tão improvável que tal resposta venha. Não perco a esperança, entretanto. Acho que ele é um homem de palavra, mas achou o meu texto tão ruim que não teve coragem de me responder. Pelo menos é isso que acontece na minha fantasia. Não tenho base factual nenhuma para apoiar minhas suspeitas, só o fato de terem se passado 11 dias desde que o enviei o texto. Mas esperarei e não mais matutarei sobre ao assunto aqui (espero). Está entregue. Será entregue novamente se não receber resposta do velho mestre. “Landlady” uma vez mais. E outras vezes virão. Nossa como deposito esperanças gigantescas em Seu Raimundo Carrero. De validação da minha obra como livro. Seu aval significaria que sou de fato um escritor. E valeria pagar todo o custo social pesadíssimo que teria por conta do livro. De outro modo não vale. Mas não vou entrar nessa seara uma vez mais. Toquemos no assunto quando da revisão final. Duvido que consiga tal proeza, pois o pensamento fica me rondando como um lobo esfomeado. Mas me esforçarei para isso, pelo bem do leitor deste espaço. Ontem desabafei tudo o que queria e podia sobre o assunto e cheguei à conclusão que eu sou uma pessoa medíocre, um merda. Não foi dos textos mais agradáveis que produzi e por ser tão redundante não coube aqui no Profeta, até por que tenho um post já na gaveta para publicar. Esse está com cara de que vai para o Profeta também. Amanhã. Hoje publicarei o anterior. Espero encontrar o vídeo no YouTube dos Ninja Boys para colocar no post. Eu sei que isso é meio patético, mas gosto do cheiro que exala das minhas axilas. Há algo de muito humano e masculino nele. Não é desagradável talvez por ser meu cheiro, que a muito me lembra aos das axilas dos demais, só que mais leve, mais brando. Mas acho que me agrada por ser meu. E só por esta razão. De qualquer forma, o horário do banho vai se aproximando e não vou me desobedecer, cumprirei o horário ao qual me dispus. Nossa, pensei no meu amigo jurista agora e em como odiaria trabalhar usando a cabeça o dia todo para chegar em casa e ter uma mulher e uma filha me esperando. Na minha casa, onde eu pago as contas, onde tudo depende de mim. Isso me assusta. São responsabilidades demais para quem está acostumado a não ter nenhuma a não ser com a escrita. Ela me cobra muito menos, ela me diverte e me preenche. E não preciso me preocupar com contas pois minha mãe e meu padrasto se apropriam delas. Odeio as responsabilidades do mundo adulto. Até quando morei com a Gatinha, eu delegava as contas a ela, que era a minha, bem dizer, gestora financeira. O estresse com a TV começou. Passarei um bom tempo sem sair do quarto. Até que esse assunto se resolva. Ou de 17h27 para tomar banho. E eu que queria pegar um copo de Coca vou ficar querendo. É, o estresse está pesado. Meu padrasto está muito agitado e vociferou há alguns instantes. Vai sobrar para a minha mãe. Eu não quero me meter, não acho que devo, eles são um casal que se entendam. Acho que dá para pegar Coca agora, só escuto silêncio.

15h58. Peguei um copo de Coca. O último da garrafa. Ainda bem que há mais. Odeio quando o meu padrasto se exalta. Ele é muito grosso nessas horas, bruto até, ainda bem que somente verbalmente. Fala alta, grita até. É algo que me é profundamente estressante. Mas é a vida, nem tudo pode ser bonito, nem tudo pode ser bacana.

16h05. Me perdi pela internet. Achei umas luzinhas que ficariam massa para iluminar meus bonecos premium format. Não sei vendem no Brasil, vi na propaganda de lançamento de uma boneca num e-mail promocional.

16h10. Me deu um branco agora pensando na minha coleção e na reforma do quarto que nem sei se vale a pena. Se for para durar mais 25 anos vale a pena.

16h13. Ainda perdido em pensamentos, dessa vez sobre a mortandade. É um caminho triste esse que leva à morte e, com a evolução da medicina, a velhice hoje em dia é estendida enormemente. Se bem que a adolescência também foi estendida, o que acho que compensa. Uma pena a infância ter ficado mais curta. Eu não sei mais o que dizer. Mas algo me virá, algo sempre vem. Me peguei pensando no meu amigo bailarino. Pois é, raro, mas tenho um amigo bailarino, ganhou até uma bolsa para estudar dança na Itália, num dos lugares mais tops que há. Encontrei com ele no aniversário da Gatinha, mês passado. É jovem, bem mais jovem que eu, visto que bailarino. Eu não sei qual a vida útil de um bailarino, mas essas coisas que têm o corpo como principal ferramenta geralmente não duram muito além da juventude. Como disse a juventude foi estendida, então, quem sabe aos 40 anos não esteja fazendo ainda o que ama fazer? Tomara. Graças aos céus escrever requer muito pouco do corpo. E ao meu amigo, quando o corpo não mais responder às demandas da dança, restará lecionar o que aprendeu. Imagino que esse seja o destino da maioria dos bailarinos. Não sei, nada entendo de dança. Posso estar falando só asneiras, o que não é novidade para o leitor mais assíduo, se é que há alguém além de você, tia, corajosa leitora dos meus caudalosos posts. Hahaha.

16h28. Cinquenta e nove minutos para o banho a tarde já caiu bastante, acho que posso encarar o banho agora, não preciso esperar até as 17h27. É o que farei. Quem sabe não me surja novo assunto para essas páginas? O pior que já estou na sexta folha e tenho me botado como metal não ultrapassar a sétima ou parar no comecinho da oitava. Vou lá.

16h56. Tomei banho, passei desodorante e estou aqui sem a mínima vontade de escrever. O cara da TV esteve aqui, tocou e ninguém atendeu, então foi embora, razão da ira do meu padrasto. Estão vendo se arrumam quem o substitua. Tivessem me deixado de sobreaviso eu teria atendido o rapaz e chamado meu padrasto, mas pensei que estava tudo dentro dos conformes. Deu errado. Bola para frente. O que posso dizer a mais? Acho que vou publicar o post anterior, só para passar o tempo. Como eu disse o fardo de ter tanto tempo livre é a eterna fuga do tédio.

17h02. Meu amigo da piscina, acaba de me chamar para descer. Ótima pedida. Vai ser bom para mudar de ares. Já vou entrar na sétima página desse post de hoje. Se bem que posso ficar na sexta mesmo. Começo outro. Vou usar o tempo que me separa da descida para publicar o meu outro post. Grande abraço.

domingo, 23 de julho de 2017

SEM SACO PARA ESCREVER

Estou sem saco para escrever, me divertindo no maravilhoso mundo dos bonecos. Inventei um cacoete para o meu alter ego que é terminar as frases com reticências. Acho que isso deixa minhas colocações meio blasé ou despretensiosas, sei lá. Tão fã do busto do Hulk estou que mudei até a imagem do meu alter ego para uma imagem do busto devidamente alaranjada. Levantaram uma questão pertinente: o que fazer com as estátuas quando morrer. A melhor resposta que vi, que é o que acho que vou fazer, é, quando estiver velhinho, começar a vendê-las devagarinho e deixar o dinheiro para alguém, talvez os sobrinhos, para não dar trabalho a ninguém. Isso me parece o mais acertado a se fazer, desde que eu guarde as caixas. Esse problema das caixas é um que precisa ser solucionado. A única saída que vejo é arrumar cara de pau para pedir a meu tio para abrigá-las no mesmo local onde os livros de papai estão guardados. Se é que vou saber guardar as figuras nas caixas novamente. Vou precisar tirar uma foto antes de cada uma antes de tirá-las da caixa para poder reproduzir depois. Cancelei um dos bonecos que encomendei para o qual só faltava uma parcela para ser entregue. Vi uma filmagem da versão de produção dele e achei a pintura péssima e a pintura é parte essencial do boneco, o Killer Croc. Não me arrependo. Espero utilizar isso como argumento para que mamãe me permita comprar a Red Sonja e talvez o Monstro do Pântano. Estou realmente em dúvida em relação a ele. Completamente em cima do muro. Se lançassem com a cabeça clássica, o que eu acho que não vai acontecer, eu compraria. Talvez ainda compre mesmo com a cabeça estranha do jeito que está. É meu personagem favorito, ora bolas. Ele não é famoso, então nunca mais vão fazer outra versão. Não é como o Batman que ano sim, ano não a Sideshow lança uma nova estátua. Ele é do segundo escalão, tanto é que em quase 25 anos, é a primeira vez que a empresa faz uma estátua do Monstro do Pântano. Fiz uma piada lá, mas parece que ninguém entendeu. Acho que foi culta demais. Ou ninguém deu a mínima mesmo. Hoje consegui fazer duas comissões, mas de produtos de baixo valor. De qualquer forma fiz e a alegria é a mesma quando o celular dá o toque dizendo que chegou e-mail e eu vejo que é uma comissão. Fiz até uma lista dos próximos produtos que pretendo divulgar com as devidas frases motivacionais, tentando parecer o menos mercantilista possível. É porque não lançaram mais nada para pre-order no site da Sideshow, aí fica difícil vender o que já é antigo. Mas vou seguir tentando. Tem uns caras que até curtem as minhas escolhas, mas só fazem isso também. Comprar que é bom, nada. O post sobre as minhas impressões dos bonecos que mais me marcaram, para o bem ou para o mal, na Comic Con teve 450 visulizações até agora. Um recorde desse meu período em que estou banido do maior grupo de estátuas. Os meus dois posts anteriores tiveram menos de 280 visualizações. Então foi um grande salto. Não acho que chegue a 500 visualizações, mas ficaria muito feliz se chegasse. Enquanto isso eu não posso ver quantas visualizações teve o meu post do Profeta, pois estou acompanhando de perto esse. Mas chegou na fase em que está subindo devagar. Não chega a 500 nem a pau. Mas vou checar o Profeta. Aposto que não chegou nem e 40 dessa vez. Como eu previ, 35. Mas vou parar de contar essas coisas aqui. Eu vou dormir. Amanhã eu vejo se escrevo mais.

Red Sonja só para ter uma imagem.


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10h56. Dormi cedo e acordei cedo. Mas com isso deixei o presidente de uma empresa que estou tentando entrevistar a ver navios. Ele vive na Ásia, então os fuso-horários não batem. E como eu havia dormido pouco na noite anterior capotei. E confesso que não estava levando muita fé que essa entrevista vingaria. E agora que dei esse furo, não sei se o cara vai realmente me responder. Vamos torcer que sim. Mamãe acordou virada na macaca, não quer falar com ninguém, foi dormir no outro quarto, nem com meu irmão, que acabou de fazer uma chamada de vídeo para mim, ela quis falar, logo ela, que adora meu irmão. Tenho a vontade e ao mesmo tempo o receio de sentar lá com ela e perguntar se ela não quer desabafar. Acho que vou preparar um leite e perguntar. É isso. 11h14.

11h44. Funcionou. A priori refratária, mamãe acabou desabafando, parece que ainda são resquícios da reunião de condomínio que quase acabou em pancadaria. Nossa, não estou com saco nenhum de escrever aqui. Estou meio que viciado no mundo maravilhoso dos bonecos. Torcendo para converter alguma comissão. Coloquei um robô do “Exterminador do Futuro” como link afiliado porque não houve nenhuma peça da série na SDCC desse ano, para ver se angario alguma comissão. E gosto de ver as postagens também.

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20h53. Almocei, cochilei e estou de volta, obviamente, acompanhando a San Diego Comic Con pelo Facebook. Mamãe viu um pedaço de um live stream e viu um Batman “Legendary Scale” que é enorme e ficou se perguntando quem compraria aquilo. É enorme, mais de um metro. Eu também me pergunto, mas quem sou eu para questionar, se comprei um busto do Hulk que, em tese, tem 66 cm de altura? Hahahaha. E os outros bonecos não são pequenos, não. Têm em média 40-50 cm de altura a depender da base. Os de 1/4. Os de 1/6 e 1/7 tem tamanhos mais aceitáveis. Acho que tenho até de 1/8, os Batmans preto e branco. Fizeram pipoca. Posso sentir o cheiro daqui. Pensando bem tenho bonecos minúsculos, os de toy art de vinil. Tenho bonecos de todos os tamanhos para ser sincero, menos supergigantes. Há bonecos de tamanho 1/1, ou seja, do tamanho real de um ser humano. Geralmente são de “Guerra nas Estrelas”. Há dois ou três em exposição na SDCC, um Stormtrooper e um Boba Fett, com certeza. Os quais, por sinal, também ganharam life-size busts como o Hulk. Mas acho que o Hulk, por ser Hulk é o maior de todos. A cabeça dele é maior que a minha, o que não é pouco. Hahahahaha. É difícil achar chapéu que caiba na minha cabeça. Sério. Quando fui à Alemanha, à época da Oktoberfest, quis comprar um chapéu a típico do evento. Penei para achar, viu? Nenhum entrava na minha cabeça. E o que acabei comprando ainda é meio apertado. Hahahaha. Mas gosto dele, deveria inclusive usar mais aqui. Até para proteger do sol, quando o sol vier, que a chuva está pegando em Recife. Estou completamente alheio ao mundo. Vou ver se assisto o Jornal das 10 hoje. O pior é que acho que vai ser na hora do próximo live stream da Sideshow, que vai estar dando um código de 50 dólares em Reward Points para o primeiro que conseguir colocar o código no site. Não sei. O celular tem me avisado quando um live stream está para começar. Espero que não me decepcione dessa vez. Consegui pegar um código... SOSAD. Irônico. Os outros valiam 50 dólares, mas era para os primeiros que digitassem. E a galera digita muito rápido. Eu fiz o meu melhor mas devo ter perdido por nano-segundos. Tudo bem 5 dólares em Reward Points é melhor do que nada. Acabei perdendo o Jornal das 10. Droga. Mas estava fazendo algo muito mais divertido para mim. E estou viciado em divulgar esses links afiliados. Pena que divulguei vários e nenhum gerou nenhuma venda. É a vida. Acho que funciona mais com lançamentos. Mas como todo mundo da Sideshow está na Comic Con, acho que lançamentos só a partir da segunda.

1h35. Está difícil escrever para cá, tão entretido estou com o maravilhoso mundo dos bonecos. Um amigo de internação do nada veio falar comigo e trocamos um papo legal pelo Messenger do celular, visto que no computador estou como o meu alter ego dos bonecos.

1h50. O mundo dos bonecos deu uma parada agora. E o cara da companhia que ia me mandar a entrevista não mandou. E ele esteve online, mas depois de ontem, fiquei sem cara de perguntar a ele. Aposto que está me dando o mesmo gelo que acha que dei nele. Senão se enfureceu, parece que ele é dado a essas mudanças súbitas de humor, e não vai mais responder. Eu já começo a ficar com sono. O que posso falar da minha vida? Tenho respirado bonecos este final de semana por causa da SDCC. E acho que vai continuar assim depois que ela passar, devido à minha compulsão por links afiliados. Quando recomeçarem a lançar novos produtos, principalmente. E parece que semana que vem tem a WonderFest na Ásia, onde a Prime 1 e a XM fazem seus lançamentos. E onde espero ver o Monstro do Pântano da Prime 1 e me decidir qual dos dois vou tentar convencer minha mãe a comprar. Acho que vai ser uma batalha difícil, mas talvez consiga, quem sabe. Afora isso, minha mãe agradeceu por ter desabafado comigo e reafirmou seu compromisso de procurar uma terapia. Bom isso. Talvez venda outro boneco que tenho na casa do meu irmão para justificar a compra de mais dois. Provavelmente vou vender a um preço mais baixo do que comprei. Talvez muito mais baixo. Isso me incomoda, mas me incomoda muito mais eu me arrepender depois. Nossa, tem tanta coisa aqui no meu quarto que adquiri por impulso. Por exemplo, por que diabos eu comprei o DVD de “A Noiva de Chucky”? Só porque estava barato. Mesmo assim, eu teria me poupado dinheiro se o tivesse deixado lá. Nunca o assisti. Acho que vi o filme no cinema e achei divertido daí comprei. Esse e muitos outros. Acho que vou distribuir os que nunca irei assistir ou que posso baixar. Dos games não consigo pensar em me desfazer. Eu ainda acho que vou jogá-los. E sou um colecionador de games também. De bonecos, games, revistas e Coca-Colas. Dessas, a que consigo diminuir é a coleção de Cocas. Que é a menor, por sinal. Os filmes posso doar a grande maioria. Vixe, 2h41 já? Como o tempo passou rápido. Mas hoje estou disposto a ter a minha noitada cibernética. Se bem que nem sei. Acho que vou dormir dentro em breve. Preciso me desfazer de muita coisa do meu quarto. E muita coisa vai ser preciso meu irmão selecionar. Para poder haver espaço para as bonecas. Gostaria de ter duas prateleiras para as bonecas para que, se eu quiser, poder ampliar a minha coleção. Não muito, mas o espaço para mais umas cinco figuras, sem contar as que já tenho e as duas que pretendo adquirir. Esse post está muito chato. Eu sou um cara muito chato. Ou tenho me tornado assim. E, como sempre digo, isso não me incomoda, incomoda os outros. Me incomoda só porque meu texto fica chato para quem não gosta de bonecos, muito embora um bom contador de histórias é aquele capaz de tornar qualquer assunto interessante, na minha opinião. Vi o trailer do “Liga da Justiça”. Os atores estavam lá na SDCC para responder perguntas e assinar pôsteres para um seleto número de felizardos. Estou ajudando uma garota, até bonita e jovem – não sei o que faz acordada a essa hora – a encontrar uma Poison Ivy que seja legal e pagável com parcelas de no máximo cem dólares por mês. Não sou dos mais entendidos, dei as dicas que podia. Acho que ela nem leu a dica mais valiosa, ou melhor, mais barata, uma boneca menor de PVC da Poison Ivy muito bem-feitinha. Acho que tenho alguns admiradores ou caras que pensam como eu no Facebook. É estranho isso. Entramos nas mesmas discussões, nos aproximamos por mais que nunca falemos de nossas vidas pessoais, só de bonecos, mas é possível sentir a sintonia. É muito estranho isso. Mas é legal ao mesmo tempo. Fazer parte de uma comunidade. E lá, eu não sou eu, eu sou um personagem, uma persona. Tento escrever de um jeito que convenha com o meu avatar de Hulk alaranjado. Não sei me explicar bem. Tem o recurso das reticências nos comentários, como se quisesse deixar alguma coisa no ar, que o leitor completasse a minha fala ou como se fosse uma resposta contemplativa, fruto e um fluxo de raciocínio, sei lá. Cada um que interprete as reticências a seu modo, eu faço delas o meu estilo. E procuro entrar só em discussões que me interessam. Uma particularmente interessante foi a de um boneco de um Robin feito para sugerir, ao ver de todos, homossexualismo. Eu tentei dar a resposta mais apropriada à situação no meio de um bando de machistas mas sem parecer preconceituoso, me pareceu um desafio interessante e eu respondi “Parece que a diversidade sexual chegou aos colecionáveis...” Claro que com reticências, afinal é o meu estilo. Já com a menina que eu estava conversando, eu não usei reticências, talvez porque a conversa fosse mais objetiva, talvez porque eu quis ser mais eu porque achei a garota bonita. Sei lá. Coisas do meu alter ego. Hahahahaha. 4h03. As horas voam. Não queria emendar hoje, mas pelo visto é assim que vai ser. Está tão bonzinho aqui escrevendo e checando o Facebook de quando em quando. E se for dormir a essa hora de que horas eu vou acordar? 17h? É melhor segurar o sono e encarar o domingão travado de sono, pois não dormi bem ontem. Fui dormir muito cedo e acordei cedo, me levantando várias vezes durante a noite. Mas é a vida. As horas inventaram de passar depressa demais, deu nisso. Talvez não aguente e durma, mas seria bom não fazê-lo. Receberei o esporro de mamãe.

4h20. Dei uma indireta para o cara da entrevista, ele disse que vai mandar hoje (domingo) e que as imagens ele envia amanhã (segunda). Pois precisa do designer para acessar as imagens que ilustrarão a entrevista.

4h33. Acho que vou dormir, já me desconectei do Facebook, senão não durmo. Entrei no meu Facebook normal e achei estranho a ex-empregada de papai estar curtindo tantas coisas minhas. Ela curtiu praticamente todos os posts. Espero que não seja mais uma jogada da minha madrasta. Outro dossiê para tentar me tirar a curatela. Vade retro.

5h13. Me deitei, mas não estou a fim de dormir. Algo me atrai para o computador. Talvez esteja achando o Monstro do Pântano pouco detalhado porque me acostumei a ver o busto do Hulk que obviamente tem um rosto muito mais detalhado, devido ao tamanho. Talvez porque a escultura do Monstro do Pântano provavelmente seja feita à mão e as demais sejam por computador. Mas há esculturas feitas à mão que são mais detalhadas que ele. Talvez seja o estilo e a direção de arte fez o design e de quem o esculpiu. Certamente quem esculpiu a estátua não foi a mesma pessoa que esculpiu a base, pois esta é bem mais precisa e detalhada. O Monstro do Pântano é um monte de texturas. Talvez porque a foto que estou vendo seja muito em close. Talvez tenha que esperar pelo da Prime 1 no dia 29. Certamente vou esperar pela WonderFest para ver a escultura da Prime 1 porque a da Sideshow não vai ser lançada agora mesmo. Se for é muito azar. E se for e não tiver a cabeça clássica que eu quero como acessório, que não vai ter, tenho quase certeza, eu posso esperar. Eu preciso esperar. Eu sento no computador e me dá sono, eu deito na cama e não consigo dormir. O raio do Bluetooth deu pau. Eu teria que reiniciar o computador para fazê-lo funcionar. E fazer isso demora mais tempo do que estou disposto a esperar. Tenho quase certeza que permanecer muito tempo sentado na cadeira desencadeia minhas crises de provavelmente proctalgia fulgax. Eu sinto as pontadas no meu cóccix nesse exato momento, como presságios de uma nova crise. Estou fora do Facebook. Isso deixa as coisas mais entediantes e soporíferas. Mas não tem nenhum alerta para o meu alter ego, não adianta entrar. Aliás não tem para nenhuma das duas contas. Ainda estou cismado com esta da ex-empregada do meu pai. Será que o que ela curte aparece na página dela e a minha madrasta pode ver e tentar nova artimanha para me detonar? Espero que não. Ainda bem que estou bem distante do meu Facebook original agora. Outra coisa que me deixou grilado é que as mensagens que a ex-empregada curtiu estavam marcadas como vistas. E eu não vi todas elas nem a pau. Se vi uma ou duas foi muito. Meus ombros doem de tanto digitar, de ficar nessa posição por tantas horas seguidas. Acho que vou reiniciar o computador mesmo para ouvir o som do som. Deu para entender, né? Vou reiniciar enquanto vou pegar Coca e encher umas caçambas de gelo.

5h47. Enchia as caçambas de gelo, troquei o botijão d’água, enchi as garrafas e a porta da geladeira com água, botei minha Coca e cá estou de volta. Sinto pontadas na região da dor. Mas acho que ela não se manifestará hoje. Assim espero. Quero só ver quando o meu irmão souber que quero comprar mais dois bonecos ao longo de 2017-2018. E vender um que está lá. Mas vou dar um tempo. Vou esperar ele se mudar primeiro, arrumar a casa e daí vendo. Quanto mais tempo para o boneco se valorizar, melhor. Só não quero que lancem o Monstro do Pântano esse ano. Deixem para o ano que vem. Ambas as figuras, aliás. Acho que a Sonja sem dúvida deixarão, até que acabe o estoque da que está à venda agora. Pois é, anunciaram uma tendo outra ainda para vender. Que é muito massa por sinal, mas não faz o meu estilo como a nova Red Sonja faz. Eu preciso ter essa boneca. E ela precisa ter o rosto extremamente bem pintado. Fui olhar e havia 13 alertas no meu alter ego, mas eram todas postagens e um cara querendo entrar no meu grupo. Massa o cara querer entrar no meu grupo, mas uma pena que não havia nenhuma conversa. Eu sempre erro o lugar de colocar quando vou mover um trecho de uma frase ou vou clicar para mudar uma palavra, são as coisas com as quais mais me confundo. Aliás, quase 100% das vezes me confundo. Como é que pode? Quando peguei esse texto para escrever estava com duas páginas e agora está com cinco? Isso me surpreende toda vez. Não sei de onde tiro tanta asneira tão rápido. 6h09. Agora não dá mais para dormir. E eu nem conectei o som ao meu computador para ver se funciona, mas só ele não ter ligado automaticamente já é um bom sinal. Olha aí, conectou. Massa. Por falar em massa, a última atividade do CAPS na quarta foi com massa de modelar, como instrumento de modelagem ou desenho. Eu desenhei um computador para variar. E não falei para variar. Essa semana não falei quase nada, estava sem ter o que dizer. Dizer o quê? Da minha expectativa sobre a feira de bonecos? Era só no que eu pensava. Por falar nisso pensei em outra coisa, em dar o ultimato às minhas amigas psicólogas em relação ao nosso encontro. Mas acredita que estou encabulado até para esse encontro. Mas vou tomar coragem e mandar a mensagem.

6h21. Depois de limpar as conversas dos grupos de Facebook, lembrei de mandar a mensagem para a minha amiga psicóloga. Dei uma de Hulk, sem ultimado, apenas coloquei “julho está acabando...” Não sei se foi mais ou menos descortês que o ultimato, mas foi o que me veio, o que senti pertinente, então coloquei. Pensei até em botar alguma carinha, mas não tem uma carinha de “pensativo” como no Facebook então ficou sem carinha, foi seco mesmo. E irônico. Sarcástico e um tanto ácido. Mas foi o que veio, estou meio chateado mesmo. Se eu não cobrar, elas não tomam a iniciativa. Pelo visto veem o encontro não como uma celebração, mas como uma obrigação, o que é uma pena. O Hulk alaranjado está sem nenhuma notificação, que pena. Quase boto reticências agora. Será que vou trazer o trejeito do meu alter ego para o meu eu cotidiano? Se bem que o meu cotidiano tem sido muito mais o alter ego que esse que escreve aqui. Que são facetas da mesma pessoa. Não sofro de distúrbio de múltipla personalidade, não, mas, como o meu alter ego, posso brincar mais, incorporar um eu ligeiramente diferente. Um cara me chamou como amigo e me convidou para o grupo dele, não tive dúvida, mandei logo um link afiliado e depois o meu post do blog de bonecos. Tem pouquinha gente no grupo dele. Menos que no meu, mas acho que vai chegar a 600 visualizações o que só não será o meu marco histórico, pois atingi mais de mil visualizações com o meu post sobre como me senti ao ser banido. Mas depois disso foi só ladeira abaixo até esse post. Vamos ver, se a entrevista sair, se alcanço um pouco mais de gente. O meu alter ego é mais ligado em visualizações que eu! Hahahahahaha. E é muito mais mercantilista, mais mercenário e mais cara de pau. É divertido incorporar ele. Eu gosto. Mas é outra coisa estranha, parece até que gosto mais do alter ego do que de mim atualmente. Acho que porque ele é mais cara de pau mesmo. Manda link afiliado como se fosse post pertinente. Mas preciso dar um tempo nos links afiliados. Só vou postar um novo link afiliado agora... à tarde. E a tarde começa ao meio-dia. Hahahahaha. Ou seria melhor postar agora que não tem ninguém olhando o Facebook?

6h48. Tentei o Facebook brasileiro agora e é só vídeo, só vídeo, só vídeo, enche. E o pior que acabo vendo algum, o que acaba me enfurecendo mais ainda. Lá no mundo maravilhoso dos bonecos, a galera posta o link para os vídeos não postam vídeos diretamente na página, só se forem muito curtos. Faltam seis hits para alcançar 600 visualizações. Acho que vou postar de novo no grupo do Sideshow. Apagar o outro e postar novamente. Só para gerar polêmica. Talvez agora eu esteja mais conhecido, depois desse final de semana de intensivão por lá. Que tem ainda a WonderFest para curtir. Não é tanta curtição quanto a SDCC, mas acho que vai ser bem legal também. É porque sou fã da Sideshow, gosto do estilo da maioria das esculturas deles e não gosto das esculturas da XM e da Prime 1, principalmente porque são muito pesadas para o meu bolso. E porque são muito grandes. Se bem que a Prime 1 está fazendo bonecos de 1/4 agora. E a XM faz de 1/4, mas com bases enormes. Se bem também que a XM vai lançar uma linha de 1/6. Estou muito curioso para ver. Vou aproveitar que as pessoas estão dormindo e postar de novo no Sideshow o link para o meu blog. Péra. Não sei quando volto.

7h51. Adentrei numa discussão que me levou a criar um link afiliado. Vamos ver se se converte em alguma venda/comissão. Foi do boneco do qual ganhei a primeira comissão, Carnage, um personagem do universo do Homem-Aranha. Espero que ele me dê sorte.

8h36. O mundo dos bonecos deu uma parada, então volto para cá. Mamãe já deu uma levantada, mas dessa vez não foi agressiva comigo só ligeiramente trágica. Só perguntou se eu estava usando alguma droga. É uma pergunta desconfortável. Mas faz parte do jeito mamãe de ser. Não esperava que minha noitada cibernética durasse tanto, mas as horas passaram tão depressa que me vi entre dormir de cinco horas da manhã e acordar de cinco da tarde e aguentar o resto do dia. Optei pela segunda, até porque eu me deitei e não consegui desacelerar para dormir. Será que estou entrando em estado de mania? Acho que se tivesse já teria comprado o Pea Weasel visto que cancelei o Killer Croc e vai cair uma grana no meu cartão de crédito. Preciso explicar a mamãe quando a conta de julho chegar. Inclusive que pretendo comprar as duas estátuas. Acho que o que eu preciso mesmo é abraçá-la, dizer que estou bem, feliz e que eu a amo. Vou tentar fazer isso quando ela sair de seu quarto. Tomara que eu tenha coragem. É tão difícil para mim demonstrar tais sentimentos tanto com ela como era com papai, que só abracei de verdade uma vez na vida. Pelo menos abracei. Não sei se meus irmãos tiveram igual sorte. Talvez minha irmã, por ser mulher, tenha abraçado algumas vezes, dado carinho algumas vezes. Meu irmão, talvez, quando voltou de alguma viagem dos EUA. Pensando no meu irmão, estou tão antissocial que, se for aos EUA, talvez até ele eu tente evitar. Não sei. Espero que não. Mas minha mãe precisa de um abraço e de um eu te amo. E saber que eu estou bem, que me sinto bem. De bem com a vida. Fui pegar Coca e já são 9h02. O tempo está voando.

9h09. Fiz tudo o que disse que faria com a minha mãe. Me sinto melhor. Acho que ela também. Estou usando muito mais pontos finais que o habitual. É o costume adquirido de escrever em inglês, meu irmão me disse que eles preferem e escrevem com frases curtas. Olha, todo metido, “mania de escrever em inglês”, mas ora, ora... Hahahahaha. As gargalhadas dou lá também, só que lá é mais fácil, só escrever “lol” (laughing out loud). As pessoas no grupo da Sideshow estão curtindo o meu post de link afiliado, só não vou saber se alguém comprou porque estou esperando o danado do e-mail do cara que disse que ia me mandar a entrevista hoje e meu celular está carregando, então não posso checar meu e-mail normal. E eu quero ser rápido na resposta ao entrevistado depois da desfeita que fiz com ele anteontem dormindo no ponto literalmente, assim que receber, quero agradecer. Agora se ele não mandar hoje, vai ser de lascar. Aí ele pode ser o presidente da murrinha, que eu vou ficar indignado. Acho que ter postado o blog de bonecos deu uma sobrevida a ele, mas não muito grande. 606 visualizações até agora. Talvez o povo ainda esteja acordando. Mas o post já está lá embaixo porque ninguém curte. Não nem está muito lá embaixo é o quarto ou quinto post. O do Carnage é o primeirão. Botei um comentário mais mercantilista nele. Não sei se pegou bem. Talvez apague. Talvez não. Vou deixar por uma hora. 9h59. Até as 11h00. Estou louco para ver se converti alguma comissão. Vou deixar o presidente lá esperando, já que ele não manda e-mail nenhum e vou dar uma checada para ver se surtiu algum efeito.

10h03. Converti uma comissão de um item que eu nem postei em link afiliado nenhum, acho que o cara foi ver o Carnage e o site da Sideshow sugeriu o boneco e o cara comprou. Um Magneto bem baratinho. Mas de grão em grão, a galinha enche o papo. Mas o frisson que dá ter angariado uma comissão é extasiante. Eu adoro, me divirto e me sinto o vendedor, na verdade eu me sinto manipulando um bando de viciados a gastar seu dinheiro para eu faturar em cima. Dando uma de espertalhão. Sendo o esperto. Revendo, eu converti uns bonecos bem caros. Espero que a galera não cancele os pedidos! Se isso acontecer, eu perco a comissão. Eu acho. Embora isso seja injusto comigo que fiz o trabalho todo certo para a Sideshow. É torcer.

10h30. A movimentação começou no maravilhoso mundo dos bonecos e eu tenho que mudar meu e-mail para o do meu alter ego. Vai que o cara manda o texto e eu não vejo. Que nada. Nada ainda. Pelo menos meu blog de bonecos teve mais cinco visualizações.

11h01. Está meio morgado agora no maravilhoso mundo dos bonecos, então venho me refugiar aqui para o sono não me pegar, pois ele se aproxima lépido e fagueiro. Gostaria de ter convertido outra comissão para me dar um boost de adrenalina. Vou checar já que o cara não envia e-mail droga nenhuma. Pelo menos meu blog de bonecos está com 617 visualizações, seis a mais que da última vez. Olha, ganhei mais uma visualização no Profeta, não sei como. Alguém rolou bastante a página, viu? Se você que fez isso ler esse post, muito obrigado pelo interesse! Acho que vou finalizar esse post. Revisar e colocar no ar. Já está muito extenso. Começo outro em seguida para não sucumbir ao sono. Revisar já vai me dar um sono danado...


11h51. Ele mandou a resposta da entrevista! Mas estou morto de sono para revisar. Vou tentar, anyway. Primeiro publicar isso.

sábado, 8 de abril de 2017

UM ATRÁS DO OUTRO

Recife, 6 de abril de 2017

Acabei de publicar um post – e ver uma entrevista com Kurt Cobain – e cá estou escrevendo de novo, acho que motivado pela curtida que recebi pelo post no Facebook. Sobre o que escrever me escapa. Fiquei marcado pela entrevista com Kurt. Imaginar que ele está morto, que ele tinha planos de, num próximo álbum que nunca aconteceu, experimentar com novos elementos musicais para além do grunge, talvez elementos eletrônicos... seria tão interessante se isso tivesse acontecido. Vejo os Strokes como um Nirvana, com uma trajetória musical similar a esta acenada por Kurt Cobain, a cada novo disco os Strokes, na minha opinião de leigo, se distanciam da proposta inicial e tentam percorrer novas trilhas, por isso gosto tanto da banda, pela não-acomodação criativa. Pelo contrário, buscam se reinventar a cada álbum. Embora todos os discos tragam o “DNA” Strokes, os arranjos, os ritmos, os vocais (principalmente em “Comedown Machine”, repleto de falsetes), evoluem ou se transformam a cada novo disco, a partir do “First Impressions Of Earth”. Por isso espero ansiosamente por cada novo lançamento dos Strokes, para ver o que eles vão aprontar agora. O disco dos meus sonhos seria uma parceria deles com Björk. Acho que sairia algo fantástico da junção dessas duas potências criativas. Cheguei a postar a ideia tanto no site dos Strokes quanto no de Björk. Fiz minha parte, por mais improvável que isso pareça. Que coisa idiota a se fazer, você deve estar imaginando. E eu concordo, se não achasse que vale a pena perseguir um sonho até onde for possível, mesmo que um sonho impossível. Parece um contrassenso, mas há aquele famoso dito que o destino não importa, o que importa é a jornada. Por esse prisma, me senti satisfeito por ter tentado alguma coisa para que o álbum dos meus sonhos fruísse. Obviamente, não guardei ou guardo expectativa de que vá acontecer. Importa que eu tentei os meios que me cabiam para alcançar o meu sonho. Mentira! Esqueci que posso mandar tweets para eles. 19h25. Pronto, tweets enviados para ambos! Agora realmente não há nada mais que eu possa fazer. Será que aquela teoria de que cada pessoa está a apenas seis graus (pessoas) de separação uma das outras é verdade? Acredito que sim. Difícil é ter acesso às pessoas mais distantes de nós. Por exemplo eu tenho um grande amigo que foi o acompanhante de Eddie Vedder do Pearl Jam quando de sua vinda ao Brasil. Em teoria, através dele eu conseguiria chegar a Eddie Vedder, mas, passar dele para o próximo elo (pessoa) que me liga a Eddie Vedder seria extremamente difícil, mesmo que meu amigo me servisse de intermediário. Talvez até conseguisse chegar ao próximo elo, mas deste não passaria, ou seja, nunca vou bater um papo com Eddie Vedder. Hahahahahaha. E teria outras pessoas que me interessariam muito mais bater um papo, como Robert Smith do The Cure ou Chico Buarque, por exemplo. Até Rodrigo Amarante, por mais que não tenha apreciado muito o seu disco solo. Admiro pela liberdade musical que teve e imprimiu ao trabalho, mas confesso que gostei mais do primeiro solo de Marcelo Camelo. Achei mais acessível e mais melódico. Vou até botar o de Amarante para ouvir agora. Mas por que desembestei a falar tanto de música? Principalmente sem entender nada do assunto? Metido, nada! Hahahahaha. 19h42. Vou pegar Coca. Não, não ainda, vou comer o resto do gelo no meu copo. Mas, como dizia – e acho que por isso entre na seara musical – vale a pena perseguir sonhos. Meu sonho agora é publicar um e-book. Preciso que minha mãe preencha e assine o documento de tributação da Amazon, que eu envie pelos Correios e que a Amazon dê o aval de que está tudo ok para que eu possa realizar esse sonho. Imagine. Poder publicar o que eu quiser, quando quiser. Isso seria a glória para mim. Realmente um sonho tornado realidade. Espero que consiga. E parece que nem preciso ter ISBN para publicar lá. Só falta este bendito documento. Minha mãe chegou, vou logo cercá-la para vir fazer isso, como se dispôs a fazer. 19h51.

19h54. Fui pegar a Coca e buscar a minha “vítima”, mas ela está fechada no quarto trocando de roupa ou tomando banho, pois acabou de voltar da hidroginástica. Estou ouvindo Amarante. É um disco com arranjos muito mais esparsos e minimalistas que o de Camelo. Mas cansei de falar de música, até porque não sou músico, sou só ouvinte e pouco entendo do riscado. Estou fazendo hora para que mamãe saia do quarto. Me lembrar que meu (ex?) psicólogo pediu o número de recibos que passou no ano passado para mim e que quem deve guardar é o meu padrasto, tenho que pedir isso à minha mãe também. A Coca está acabando. Em breve, terei que ir comprar mais. O gelo também está acabando. Antes de dormir preciso botar umas caçambas para gelar. O gelo me preocupa mais que a Coca, visto que a Coca tem uma solução imediata já o gelo está sujeito às leis da Física para se fazer gelo. Mas acho que há o suficiente para hoje até o final da noite. Se eu for o único a utilizar, digo. Mas acho que serei. 20h16. Ainda à espera de mamãe. 20h22. Acabou o disco de Amarante e começou “Pitanga” de Mallu Magalhães, o próximo da playlist. Acho que ela finalmente acabou. Vou ver.

20h26. Acabou, mas já arrumou outra coisa para fazer. Tirar comidas para o meu padrasto jantar. Mas disse que viria. Eu resolvi aceitar uma sopa e agora ela vai esperar a sopa esquentar para me servir, para depois, quem sabe vir aqui. Or so I hope. Gosto mais de “Pitanga” do que dos discos solo de Camelo ou Amarante. É uma pequenina e singela pérola, muito delicada, muitas vezes insegura e sempre feminina e doce e upbeat. Estou usando muitas expressões em Inglês neste parágrafo, foi mal, é que me pareceram as mais adequadas.

21h03. Preenchi o formulário com mamãe e ela ficou de ler e assinar. Veremos. Tomara que sim. Ainda terei que enviar pelos Correios.

21h38. Minha mãe mandou-me ir comprar logo a Coca, antes que ela dormisse, desconfiando, na sua paranoia, que poderia dar outro fim ao dinheiro, qual seja, comprar drogas. Se ela soubesse, introjetasse, que não adianta nenhuma medida de precaução quando eu ou qualquer viciado quer usar drogas que o impeça. Nós sempre damos um jeito, por mais escuso que seja. É um tormento isso para os familiares, mas mais até para o viciado, quando a viagem passa e a culpa assola. É verdade que ela só assola se for um usuário que está em busca de recuperação, pois os que estão soltos na buraqueira mesmo não dão a mínima. Já fui desses de não dar a mínima, já estive no fundo do poço. Se bem que o poço não tem fundo, sempre é possível se atolar um pouco mais. Mas nos meus piores momentos, me atolei bastante, fui baixo, muito baixo, comigo mesmo e com os que me amam. É uma maldição o danado do vício. O pior é que nunca dá para saber se é realmente a última vez. Mas não quero trazer este assunto tão nefasto à tona. Só resta dizer que não tenho certeza que estou entre os 20% que ficam limpos de vez. Acho que nem quem faz parte dos 20% sabe. Só conheci uma pessoa que eu tive convicção que nunca usaria e assim o fez até a morte. E este tinha experimentado de tudo. Quando eu digo tudo, eu acho que só se exclui meta-anfetamina. Até heroína ele usou. Mas seu problema principal foi o álcool. E teve por muito tempo outro vício secreto, fazer parte de um grupo de extermínio de malfeitores. Conversando com ele intimamente, ele admitiu que era viciado nessas execuções também. Porém abandonou esses dois vícios e todos os demais, exceto o cigarro. Morreu de câncer não relacionado diretamente com o fumo ao que me consta. E sofreu bastante nesse momento final de definhamento físico antes da morte. Acredito que se existe carma, ele pagou todos os seus pecados e erros em vida, pois tinha uma vida familiar infernal, a mulher tinha um transtorno de personalidade seríssimo e para evitar a prisão tinha que ficar internado na Clínica de Drogados, o que não deixa de ser uma prisão. Mesmo assim suportava com paciência de Jó a esposa e amava muito as filhas. Além de ser um ser humano exemplar, em todos os aspectos. Físicos e morais. Mas foi bicho solto a maior parte de sua vida e, se carma existe, pagou o preço por tudo o que fez suportando a esposa (no sentido de dar suporte também), o cárcere e o câncer. Mas não acredito em carma. Espero estar certo na minha descrença, senão irei direto para o umbral! Hahahahaha. Pois é já estive metido com o espiritismo, mas não me convenci da parte sobrenatural, dos médiuns e acabei por desacreditar da doutrina como um todo, embora a história de carma justifique o porquê das desigualdades sociais. Nossa, já estou na terceira página de absolutamente nada. Ou será que o possível leitor achará algum conteúdo de valor aqui? Espero não magoar nenhum espírita com a minha descrença, mas isso é uma coisa minha, respeito todas as religiões desde que não se tornem fanatismo, pois o fanatismo é perigoso. Cega e pode ferir. Que cada um tenha a sua crença respeitando as demais. Que ache a sua mais válida, tudo bem, pregar a fé ainda vai; impô-la à força, não, isso não pode. É errado. Mas sobre o que posso falar agora. A imagem da entrevista com Kurt Cobain não me sai da cabeça. Ele tinha uma presença magnética, era muito bonito e estava particularmente falante nessa, que no YouTube diz ser uma de suas últimas entrevistas. A entrevista tem 26 minutos e uns trocados de tempo, então foi uma longa entrevista para os padrões dele, que era meio averso a isso. Uma das palavras que ele mais usa no “In Utero” acho que é “me”. Não sei se ele encarna personagens nas músicas ou fala de si mesmo e suas percepções de mundo. Preciso ler as letras. Li algumas, mas não todas. Segundo o baixista, tudo pelo que Kurt estava passando ou era está nas letras das músicas. É que queria ter o CD, o disco físico, com o encarte para poder acompanhar direitinho. Se é que o encarte contém as letras, mas antigamente, e “In Utero” pode ser considerado de antigamente, eles continham quase que por obrigação. Não é que nem o novo do Radiohead que só vem com um bando de imagens e sem nenhuma letra. Acho isso um desserviço com quem compra. As letras são parte integrante da obra adquirida e contê-las no encarte ainda mais quando vários cantores cantam de forma ininteligível para quem não tem o Inglês como sua língua-mãe – como Thom Yorke – deveria ser obrigatório ter letras no encarte. É possível ser plasticamente interessante e ainda conter as letras.

23h14. Fui matar a fome dos remédios e acabei perdendo o fio da meada ou o assunto esfriou para mim. Não comecei a jogar o “Persona 4”, pois o Word exerce uma atração irresistível sobre mim. É a coisa mais fácil e agradável de se fazer que tenho no meu quarto-ilha. E simplesmente não consigo parar de escrever. É um impulso vital em mim. Vou pegar outro copo de Coca. 23h22. Vou encerrar isso daqui à 0h. Péra que vou fumar um cigarro que vai ser o meu “digestivo”.      

23h29. Ah, me perdoem os antitabagistas, mas é muito bom fumar um cigarro após uma refeição. Eu sei que pode ser mortal também, mas viver é mortal e já abdiquei de drogas muito mais letais, então estou no lucro, em vista do meu passado recente. Preciso recomeçar a digitar os meus “Diários de um Manicômio”, que pretendo que seja o meu próximo e-book. Ainda mais revelador que o primeiro. Preciso criar um pseudônimo para publicar essas obras, caso consiga efetivamente completar o meu cadastro na Amazon. Tudo depende de minha mãe assinar o documento que imprimi. E de enviá-lo, obviamente. Tomara que isso se concretize. Se não acontecer, ficarei tremendamente frustrado. Estou com vontade de jogar “Persona 4” agora, mas agora é tarde demais para isso hoje. Tomara que amanhã a vontade se faça presente mais uma vez e que eu dê início ao jogo. Amanhã é um dia especial em vários sentidos. Pode haver CiBrew à noite, há o CAPS, talvez o desfecho do episódio do “Desabafos do Vate”, talvez a ex-namorada do meu amigo vá e espero que ela não tenha lido o texto que escrevi sobre o nosso encontro na própria CiBrew há três semanas. Ou seria melhor que não fosse. Seria um desafio social a menos para mim. E tenho que criar coragem e perguntar a loirinha da CiBrew se ela é/está solteira. Sei que não vou conseguir, mas quem sabe se começar a me concentrar nisso a partir de agora, eu não seja capaz de fazer a pergunta? Eu chegaria para ela e diria que tenho duas perguntas, a primeira seria esta, se ela me perguntasse qual era a segunda, eu pediria que ela mencionasse um filme que tenha gostado muito. Se formos realmente à CiBrew, talvez o nosso amigo que é sócio da CiBrew possa responder à pergunta ele mesmo. Mas o ideal seria ir perguntar diretamente a ela. Seria o mais bravo e mais interessante para mim, em nível social, a se fazer. Se eu pudesse beber só um pouquinho para perder um pouco da vergonha. Mas não posso. Isso está fora de qualquer cogitação. Vai ser à base de Coca Zero mesmo. Meu primo confirmou presença na CiBrew. E na Casa Astral. Então meu final de semana promete.

0h22. Agora é sério. Meu último copo de Coca e depois caminha. Coloquei o “Amnesiac” do Radiohead, que é um disco deles que conheço muito pouco. Acho que o restinho do líquido para cigarros eletrônicos da garrafinha chinesa está com pouca nicotina. Eu esqueci de agitá-la antes de derramar o líquido e acho que no final sobrou a parte com menor nicotina, pois a vontade de fumar cigarro não passa. Mas não vou fumar. Vou só de Vaporfi mesmo. O “Aminesiac” tem se revelado um dos discos mais experimentais do Radiohead. Incrível como os pelos da barba crescem incansavelmente. Aparei a barba hoje à tarde e no meu pescoço já começam a despontar pontas grossas de pelo. Amanhã já devem estar aparentes. Estou com sono. Tenho que acordar amanhã de 8h30. Nem sei como vai ser o grupo, depois do desabafo de um dos usuários na quarta. Disseram que eu poderia começar falando no grupo, por não ter tido a oportunidade de me pôr na quarta. Mas não sei se invocarei esse poder. Não tenho muito o que dizer. Afora o que está contido no “Desabafos do Vate” e sobre as saídas programadas para o final de semana, não tenho muito a acrescentar. Ah, posso mencionar também sobre o e-book. Sem saco para o “Amnesiac” agora. Acho que vou de “In Utero” mais uma vez. Se bem que o copo de Coca está no finalzinho. Vontade monstra de fumar cigarro normal, mas vou me segurar. A Coca acabou, assim como o gelo. Não porei mais. Se bem que só mais um copo ia bem. Mas tenho que pensar no amanhã. Talvez minha mãe vá à universidade à tarde e eu não posso ficar sem Coca amanhã. Além do que preciso dormir. Já são 0h42. Vou fechar o computador, senão não paro de escrever. Acho que pode ser o filtro do Vaporfi que já não esteja essas coisas todas, talvez o troque amanhã. Depois que voltar do CAPS, digo. Pois pela manhã só tenho tempo de trocar de roupa dar um grau nos dentes e partir. Já estou até bocejando. Vou fechar esse computador, amanhã continuo. Se bem que já está em quatro páginas de Word isso daqui. Me surpreendo sempre com a minha prolixidade. Aliás vou ouvir só mais uma vez “Poses” de Rufus Wainwright. Não, não vou não. Fico por aqui mesmo.

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11:12. Estou no CAPS, mas doido para ir para casa. Acho que vou esperar os grupos começarem e “dar lavrando”. O iPod está dando aviso de bateria fraca. Vou ouvi-lo no meu som hoje para testar a entrada de áudio e para descarregá-lo e ter tempo de recarregar antes da CiBrew.

11:22. O meu amigo do violão veio tocar aqui perto, mas agora na outra mesa. Tem dois outros usuários ouvindo, então não precisa da minha plateia. X está numa mesa próxima, compenetrada na sua escrita. Estou escrevendo por escrever, nem com disposição para isso eu tenho. Acho que vou fumar um cigarro e ir embora.

11:45. Acho que vou colocar meu plano de fuga em prática agora.

12h28. Escapei mesmo. Cheguei em casa e conversei com minha mãe, vi mais uma atrocidade de Trump na TV, aparentemente o cara atira para todas as direções, inclusive para direções que disse que não iria atirar, entrando em contradição consigo mesmo. Falei com mamãe sobre a minha atividade no CAPS e sobre a sua atividade no CAPS, afinal hoje foi o dia da reunião dos familiares de usuários AD (Álcool e Drogas). Ela pegou o nome de terapeutas fornecidos pela equipe. Espero que ela marque uma consulta. Vou pressioná-la para isso.

12h52. Fui perguntar se mamãe iria sair hoje à tarde para que, se fosse o caso, me desse logo o dinheiro para ir para a CiBrew. Mas ela não vai sair. O que dificulta, mas não invalida o que trato no “Desabafos do Vate”. Está dando algum pau no Blogger que não me permite acessar a página do “Jornal do Profeta”. Isso muito me preocupa. Estou com sono, acho que vou tirar um cochilo. 13h03. Tentar acessar o Blogger mais uma vez. Nada. Que ozzy. Descobri o Wattpad e nesse parece que é mais fácil publicar meus textos. Vou tentar mais tarde publicar o da “Novíssima Religião”. E tentar ver se consigo enquadrá-lo em “não-ficção” e “ficção científica”! Hahahahaha. É um texto que desafia classificações. Mas agora estou muito cansado. Não sei bem por quê. Eu dormir cerca de oito horas. Mas se meu corpo pede, eu obedeço. Espero só ouvir o WhatsApp, se ele tocar. Vou deixar o celular ao lado da minha cabeça, na mesa do som. Acho que publicarei “A Novíssima Religião” em Inglês e Português. 13h32. Cada vez vai ficando mais tarde para eu dormir, mas peguei um copo de Coca quando fui pegar o controle para ligar o ar. Putz grilo! Nem acessar a página de visualização do “Jornal do Profeta” eu consigo. Vou ver se isso é um problema isolado ou do Blogger em geral. Vou tentar acessar a minha outra conta do Blogger. Também deu pau. Então talvez seja um problema do Blogger de forma geral. Assim espero. Acho que é um problema generalizado do Blogger. Não carrega o meu blog de bonecos também. Talvez tenha dado pau no sistema deles lá. Ou pode ser Trump “tumpando” por causa dos blogs que o difamam. Tudo é possível. Inclusive o Blogger estar de volta quando eu acordar.

15h32. Acordei. Ou melhor, levantei da cama, pois não caí em sono profundo em nenhum momento, fiquei realmente só cochilando, não dormindo, o que não acho uma coisa gostosa de se fazer, por isso me levantei. Pelo menos o sono parece que foi embora. E meu blog voltou à ativa. Então levantei num mundo melhor do que o deixei quando fui deitar. No entanto ainda estou com preguiça de postar “A Novíssima Religião” no Wattpad. Preciso formular uma capa. Revisar o texto em Inglês.

17h49. Publiquei a versão em Inglês. Não sei se fiz certo. Acho que publiquei tudo no lugar do índice (sumário, na verdade, mas é como chamam no site). No meu iPod, segundo as estatísticas do iTunes, a música menos tocada é “A Murder Of One” do Counting Crows, tocada apenas três vezes, e a campeã em reproduções é “Cochise” do Audioslave, tocada nada menos que 58 vezes. Estou com preguiça de publicar a versão em Português da “Novíssima Religião”. Acho que não vou fazê-lo.  18h13. O iPod está devidamente carregado para a night.

18h27. Vou reiniciar o meu computador, ele está muito lento. Há vários dias que não desligo. E vou fazer uma limpeza nos temporários quando reiniciar. Até daqui a pouco.

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14h59. A noite foi ótima. Muito agradável mesmo. Querem que eu encare a Casa Astral hoje. Não sei se tenho pique. Ontem a noite foi muito longa e depois que cheguei em casa ainda fui escrever no “Tap” um aplicativo, da turma do Wattpad, exclusivo para celulares, eu acho, em que se digita os textos em forma de chat. Me comprometi a escrever 10.000 palavras em 30 dias no aplicativo e ontem, cada vez que me via isolado socialmente, corria para digitar nele. É perfeito para uma história que tenha muitos diálogos, para o meu monólogo é um tanto estranho o formato, pois há um número limitado de caracteres que podem ser digitados num bloco de texto. Por outro lado, me leva a considerar cada post como um pequeno capítulo e me motiva a deixar um “gancho” para o próximo post de chat, algo que desperte o interesse do leitor a dar mais um “tap” e ler a próxima mensagem de texto, embora não tenha conseguido esse intuito em todos os posts, aliás deixei muitos sem esse gancho. Hoje, o meu irmão, filho do meu padrasto, e família vieram nos visitar. O meu sobrinho, filho dele, parece gostar de mim, acho que porque tenho o quarto cheio de brinquedos e videogames. De qualquer forma, o pequenino fez questão de trazer um jipe de brinquedo só para me mostrar. Fiquei sinceramente comovido. Talvez seja com gestos assim que a criança desperte o amor dos adultos. Mas ainda sou reticente a tal sentimento. Gosto do guri, mas não tenho muita paciência para lidar com ele. Ainda mais por ele não parar quieto e gesticular e pular e falar e correr e ir e voltar. Espero sinceramente que sua tia, irmã do pai, consiga convencê-lo de que eu estou “trabalhando” nisso aqui e que não posso ser interrompido. 15h34. O horário para a Casa Astral está se aproximando a passos largos. Ontem conheci uma figura interessante, 37 anos com cara e corpo de 28, recém-saída de um casamento e, portanto, bastante desiludida com a humanidade em geral por ora. Obviamente não deu a menor bola para mim, foi até ostensivamente evitativa à minha pessoa. Na hora em que fomos nos despedir dela e seguir adiante na noite, falei para ela que esperava que seu desencanto com a humanidade passasse logo, que os acontecimentos ainda estavam muito recentes e que o tempo é senhor de tudo. Ela ficou impressionada que tenha tido uma percepção tão profunda de sua pessoa em tão pouco tempo de convivência e me deu vontade de dizer, “pois é, perdeu de conversar mais comigo”. Em verdade, só disse mais ou menos o que ela repartiu na mesa e juntei alhos com bugalhos par tecer o meu comentário. O tempo todo em que digitei no tap, ansiei muito para que houvesse o aplicativo para PC, pois digitar no celular com suas letras e teclado minúsculos é uma tarefa muito árdua e chata para mim. Meu celular, por sinal, está com a bateria péssima, carreguei ontem à noite e quando acordei agora há pouco já estava completamente descarregado. A vontade de publicar o e-book aos poucos se distancia do centro dos meus desejos. Não sei bem por quê. Mas perseverarei, mesmo assim. Acho que em parte é porque eu agora tenho duas plataformas para publicar sem burocracia nenhuma e o desafio das 10.000 palavras em um mês está tomando o centro das minhas atenções. Quando cheguei da night, quase endoidei achando que tinha perdido o dinheiro, que a minha mãe nunca iria acreditar em mim. Mas ela havia pegado o dinheiro sem que eu o visse. Procurei em todos os lugares possíveis e nada. Me desesperei, pois não haveria modo de convencê-la de que perdi o dinheiro e iria ser um pandemônio aqui em casa. Que alívio quando ela disse que havia pegado o dinheiro. Você não pode imaginar. Foi como um presente da vida, aliás, como uma pegadinha da vida, que me pôs angustiado para depois me revelar que aquela carga emocional e procura frenética eram totalmente desnecessários. Menos mal, hoje eu só fui interrogado sobre o meu esquecimento sobre ter posto o dinheiro na mesa. Mas eu procurei na mesa e não estava. Eu procurei em tudo quanto é canto, até no elevador. Foi ozzy. Não imaginei nunca que minha mãe havia pegado, ela geralmente não faz isso. Só quando acorda. Mas deixemos esse assunto para lá. A Casa Astral. Vou ou não vou? Não posso nem olhar o grupo de WhatsApp para ver quem vai. Se alguém. Queria que ninguém fosse, pois assim não me sentiria compelido a ir. Achei muito interessante ontem como, no final da noite, cada um que ficou tentando tomar a palavra para si e dominar a conversação. Menos eu, pois não havia nada a acrescentar sobre São Paulo, morei lá quando era criança apenas, não tinha maturidade para fazer análises psicossociais dos paulistanos. Mas, além desse, qualquer assunto despertava essa vontade insaciável dos outros três companheiros de ser o centro das atenções ou o orador a protagonizar o momento. Sem cabeça para assistir essa batalha, me voltei para o “Tap”. E continuei nele quando cheguei em casa, lento como uma tartaruga, digitando somente com o indicador – é como consigo digitar – até umas cinco da matina. Horário por volta do qual outro acontecimento se deu. Mas este reservo ao “Desabafos do Vate” ou ao Tap. Não tenho muito mais o que revelar aqui. É uma pena que encontrei uma garota que achei interessante, só que ela estava de saco cheio da humanidade. Aí fica difícil para mim. E para qualquer homem for that matter.

16h28. Acabei de perguntar ao meu primo-irmão se ele vai mesmo para a Casa Astral. Como queria que ele respondesse que não. E será que minha prima, que está separada, vai?


17h10. Fui comer uma delícia de abacaxi, a pedido-ordem da minha mãe, com a família do meu padrasto que é a minha também. Foi bom. Gosto muito deles. Mamãe transmitiu um conceito sobre mim que eu acho que destoa completamente da verdade dos fatos. Ela disse que todos os meus sobrinhos gostam de mim. Gostam muito de mim. O que, para mim, a exceção talvez do que veio aqui hoje, é uma completa falácia. Não lhes dei cabimento ou carinho para isso. E me sinto culpado e me torturo por isso, mas não está nos meus genes criar afeto pelas adoráveis e terríveis criaturinhas. Simplesmente é uma coisa que não se dá. Infelizmente. Estou louco para que meu celular carregue para que eu continue a escrever no Tap. É o meu novo “videogame”. Por falar em videogame, estou sem paciência para o Wii U ou PS3. Só em pensar, sinto repulsa. Me dá um negócio ruim. E me dá outro negócio talvez pior, por estar me sentindo assim. Mas não lutarei contra isso. Meu primo ainda está indeciso quanto a ir para a Casa Astral. Eu estou com 30% de mim querendo ir e o resto querendo não sair de casa. Acho que vou acabar com esse post por aqui, pois já está muito grande, e depois começo outro. Vou revisar. 17h30. A Casa Astral já abriu faz meia-hora.