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segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

DILEMA MORAL E FEZES


Eu não sei o que quero fazer, apenas o que tenho que fazer, por isso abri esta página em branco para ver se a minha alma assenta e se acalma. O que tenho que fazer? Complementar o post novo do Profeta e acabar de revisar o post do meu blog mais secreto. Tomei muito café e quando passei de volta para a Coca meu organismo e meu eu estranharam e ficaram em rebuliço. Fumei também. Uma difícil escolha moral apresentada pela existência ontem me deixou ainda mais perturbado porque a escolha que fiz foi a menos “cristã” possível. Essa moral judaico-cristã que permeia as sociedades ocidentais, sei não, viu? Acho válidas e tudo o mais, mas machucam às vezes. Fato é que fui comprar um remédio ontem de noite na farmácia a pedido de mamãe. Ela me outorgou o cartão de crédito e me disse que comprasse só e tão somente o remédio designado, nenhum centavo a mais. Quando estou prestes a entrar na farmácia uma miserável com uma miserável criança me pede uma lata de leite pequena para o infante. O pior que a forma que falei com ela lhe deu alguma esperança, pois o pedido me tocou e por um momento me decidi a ajudá-la. Porém ao cruzar a porta da farmácia e encerrar a triste figura do lado de fora do ambiente climatizado, limpo e brilhante onde vi que o leite era muito mais caro do que julgava, a obrigação de cumprir o combinado com a minha mãe se fez mais forte que a caridade e comprei somente a medicação. Pedi desculpas a miserável, expliquei-lhe toda a história e ela foi bastante compreensiva, disse que não havia problema. Nossa, tal desafio moral me doeu e dói profundamente e realmente não sei se fiz a escolha certa. Reconquistar a confiança da minha mãe é fundamental para a nossa relação e para futuros pleitos financeiros para com ela e sinceramente me sentiria mal quebrando o nosso pacto, faltando-lhe com o respeito, mas a criança sem leite não me sai da cabeça, me assombra desde ontem. Eu tinha os meios só que eles não me pertenciam e a decisão que tomei foi deixar outro ser humano com fome. Um pequeno ser humano vítima da sociedade que não educa. Pronto, desabafei. Vou voltar à revisão, quero postar no blog secreto hoje. E depois, se me restar disposição, complementar o post do Profeta, que mais parece um mosaico, com fragmentos de informação uns emendados nos outros. 21h58. Esqueci de botar a hora no início, atarantado que estava.

0h27. Revisei o imensamente redundante texto, desnecessariamente caudaloso, e o postei no blog secreto. Não vou fazer os acréscimos ao post de Blanka, acho insignificantes e depois de ter mergulhado no outro texto as memórias do que tinha a acrescentar se perderam nalgum recanto de mim que não tenho acesso. Talvez ao revisar o dito texto eu relembre, agora vou dar uma olhada no maravilhoso mundo dos bonecos.

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Estamos prestes a partir para Gravatá. O namorado da minha irmã PE irá conosco (minha mãe, meu padrasto e eu). É gostoso mergulhar no maravilhoso mundo dos bonecos mesmo que não tenha mais nenhuma peça a adquirir e não possa fazê-lo.






0h05. Foi bom, mas minha alma se encontra desassossegada, pode ser cansaço, pode ser um caroço mais profundo. Não encontro palavras e nem quero procurar, me abstrai mais o maravilhoso mundo dos bonecos, onde voltei a ser mais atuante. Sonho com a minha boneca chinesa, uma obra de arte de uma sensibilidade única na minha opinião. Impossível de ser concebida por um ocidental ou por alguém que não tenha crescido imerso no universo cultural e folclore chineses for that matter. Escrever me incomoda no momento.

0h22. Escrevi um pequeno adendo no meu projeto paralelo do blog secreto. Vou fumar e pegar Coca.

0h37. Algo me pede para deitar e dormir, a parte mais sensata de mim; no entanto, uma parte maior e predominante insiste em permanecer, talvez porque tenha passado tempo demais longe do meu porto seguro, do meu quarto-ilha, das palavras. Percebo, especialmente logo que acordo, que me falta fôlego para enunciar as sentenças, as últimas palavras saem com esforço e falta de ar tornando-se quase inaudíveis. Isso ficou claro para mim na conversa que travei com o namorado da minha irmã PE quando este chegou à nossa casa e eu havia acordado há pouco e fumado um bom bocado já, como sempre faço ao despertar. É um alívio pensar que dificilmente me faltará fôlego para digitar as tais das palavras. Conversamos sobre religião e sobre o incômodo que me causou a frase em sua camisa: “Be more”. Me pareceu uma cobrança de uma suposta insuficiência de quem a está vestindo, uma ordem para mudar quem se é. Ju acha que estou em um momento de transformação. Eu sinto que esse processo empacou, eu, mula, empaquei, não quero avançar nem retroceder. Sei que Ju vai respeitar o meu ritmo e isso me acalenta. Nada forçado funciona comigo. Nem com ninguém, faz-se mas não com a alma, pois a alma está tomada por rebeldia e repulsa por fazer o que não é a sua vontade íntima e verdadeira. Sei que a idade vem me roubando os meus medos e isso é gracioso. Isso não quer dizer que me ponha disposto e aventureiro no mundo, só mais tranquilo comigo mesmo. Tenho medo de ter um filho e de sentir o medo do que o mundo poderia fazer com ele. O mundo quase me engoliu, roubou a minha vida, devorou a minha alma, senti a escuridão fria e desesperada de seu estômago. Que alívio, que felicidade estar seguro no meu quarto-ilha com as minhas palavras, imprestáveis palavras, visto que não lidas. De que servem palavras que não são lidas? Palavras são escritas para serem lidas ou essa é a fantasia de quem escreve. O desejo maior meu, pelo menos. Empatado com um amor recíproco. Ou melhor, uma paixão recíproca, deixa o amor para mais tarde, ele vem quando as almas recolhem suas penas. E vale a pena. Desculpe o jogo de palavras esdrúxulo, mas significativo. Parece que me aclimatei e esquentei na escrita... pronto, foi só pensar isso e todas as palavras fugiram de mim. Fugirei delas e me refestelarei no maravilhoso dos bonecos.

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14h15. Três copos de Coca e duas xícaras de café depois, a dor de cabeça com a qual despertei começa a ceder. Mas não muito. Nada de interessante aconteceu na minha vida. A fantástica faxineira adentrou meu quarto para me avisar que intenta limpá-lo, mais cigarros e café para esperar.





15h14. Presenciei o que a fantástica faxineira considerou uma intervenção divina. Entendo o seu ponto de vista, embora não acredite. Fato é que parou de arrumar o meu quarto e foi atender a filha na sala por causa do som que estava rolando aqui. Nesse ínterim, vim pegar cigarros, pois os havia esquecido. Quando tentei abrir a porta do meu quarto, algo a bloqueava, não importava quanta força eu pusesse o que quer que estivesse impedindo a porta de abrir não cedia. A fantástica faxineira tentou também, sem sucesso, e decidiu ir pelo lado de fora do apartamento, através da jardineira, para entrar pela janela que havia deixado aberta. Infelizmente, como se vê na foto, há a máquina do meu Split bloqueando a passagem. Ela pensou e ensaiou contornar o obstáculo umas três vezes e acho que foi aí que rogou a Deus que a ajudasse. Voltou por onde veio e retornou à frente da porta que nós pensávamos estar sendo bloqueada pelo rodo tombado. Eis que Deus se manifestou e o que impedia a entrada no quarto-ilha se revelou ser a chave que havia caída bem ao alcance de suas mãos. Tal fato foi visto como uma bênção do Criador pela fantástica faxineira, eu fiquei aliviado, pois não sei se a tela de proteção suportaria o seu peso caso despencasse ao contornar o ar, mas não acreditei ser obra de nada a solução tão simples e segura para o problema da porta, se muito do acaso-destino. Ela, que viveu o milagre, deve estar contente com o bom e amoroso Pai. Deve ser reconfortante tal sentimento. Meu pai são cinzas no fundo da maré de Macau, um livro de Quimiometria e as lembranças e fotos que guardamos dele. O criador do universo, pois também acho que um universo tão organizado como o nosso tenha sido fruto de uma ação inteligente, ainda está por vir e será proveniente da evolução tecnológica ou de complexidade do universo. Preciso revisar o post anterior, talvez complementá-lo, mas me falta disposição. Prefiro escrever isso peidando por causa do café. O dia está particularmente e mais quente se me afigura por estar bebendo algo quente, liguei o ar e botei o volume do som no 25, coisa rara. Já me acostumei à altura. Vou fumar e pegar mais café. Não ainda. Marteladas querem concorrer com o som, posso aumentar o volume, são marteladas bastante sonoras. O café já frio da xícara acabou. É hora de repor a cafeína e a nicotina do meu incrivelmente resistente organismo. As marteladas estão mais ferozes e constantes.





15h59. Como é de praxe, o café me deu uma caganeira, a minha teoria é que ele age como um lubrificante/desinfetante do intestino, soltando e liquefazendo o que nele está contido, facilitando ou praticamente obrigando a expulsão do seu conteúdo. Foi a última xícara, tenho pouca Coca e acho que a despensa está trancada. Posso pedir à fantástica faxineira que faça mais café, porém meu estômago tem um limite de tolerância que uma vez ultrapassado, o que quase se dá no momento, torna tomar o líquido uma experiência desagradável e nauseante. Não quero vomitar, como uma vez já se deu. Outra teoria é que o café irrite o meu sistema digestivo e por isso os peidos, a caganeira e o enjoo. Sei lá e não faz diferença para os efeitos do café sobre mim tais hipóteses. Sei que antes de pedir mais uma carrada de café, tomarei uma Coca bem gelada com cigarro para “limpar” e ver se a porta da despensa está destrancada, o que me faria migrar definitivamente para a Coca por hoje. Água não me apraz, prefiro café com todos os seus colaterais. Preferiria, entretanto, ter Coca. Essa não me faz mal que eu perceba, afora o bucho bastante dilatado. Nunca estive tão gordo. E isso nunca me importou menos. Tenho um pequeno pedaço da vida de Blanka, sou um pequeno pedaço de sua existência e de seus pensamentos, não ouso dizer de seus sentimentos. Ela ocupa fatia maior do meu ser e isso é evidente. E sim, nutro sentimentos por ela, mas nada que configure ainda uma paixão. O pernoite no motel será um momento decisivo para ambos, eu creio. Em verdade, em relação a Blanka não sei em que crer. Nossa, preciso escrever um adendo no post anterior! Um que me deixa muito feliz! Em relação a Blanka! Momento.

16h26. Pronto. Acho que adicionarei mais coisa ao post anterior quando tomar coragem para revisá-lo. Este está quase acabando, tenho que ter um pouco de disciplina e cumprir o que me comprometi a fazer e que venho protelando por alguma razão que me escapa. É hora de enfrentar. Talvez decida que nada deva acrescentar. É a saída mais fácil, mas não é a desejada. Ou a ideal, na minha opinião. Vou fumar. Antes que comece Björk na lista 6.

16h40. “Nail in my head, from my Creator, You gave me life, now show me how to live”. Comentei com a fantástica faxineira que Deus a havia ajudado hoje. Ela respondeu, “Com certeza. Em tudo”. Tal resposta me deixou atarantado, fui tomado por uma preguiça de existir, uma vontade de tombar morto ali. Não sei se foi porque migrei para a Coca ou pela inesperada resposta. Nunca saberei. Acabou-se o post. Vou tirar uma foto da privada. E vou tomar mais Coca com cigarro. A despensa está aberta. Sem mais café por hoje, acho eu. Algo em mim pede mais, para alternar com a Coca. Acho que é o que vou fazer.

17h00. Foi o que fiz. Vou revisar e postar logo esse antes de partir para o que realmente deveria fazer.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

ROTINA




Algo em mim está descontente com a existência, desgostoso com a minha vida, por mim, poderia morrer agora. Não há mais nada a ser visto, nada mais a ser feito que desperte algum interesse. Nem as minhas amadas bonecas porvir, nem Blanka, nem a reforma do meu quarto. Talvez um copo de Coca gelada. Vou tomar um banho, às vezes me faz bem. São 16h19, sou eu em leve estado depressivo. É chato, incômodo, sofrido, sem razão aparente. Ao banho.

17h04. Se não volto o mesmo, não volto muito diferente. Pelo menos estou mais conformado com a minha realidade dentro do quarto-ilha com as minhas palavras. Me deu vontade de mandar um alô para toda a galera da pizzaria onde compro as Cocas que se dispuseram a ler o meu blog, me sinto honrado, prestigiado e contente com o interesse pela minha medíocre pessoa. Espero passar aí assim que mamãe acordar para comprar mais duas Cocas. Rapaz, realmente não estou num dia bom. Não consigo entender, pois não consigo achar a causa. Olho para a base da estátua da Red Sonja, que também foi danificada na vinda dos Estados Unidos, e a acho horrível, uma das piores, mais feias e menos inspiradas bases de todos os tempos. A Red Sonja compensa imensamente esse pecado e acho que vou acabar apelando para a minha tia-vizinha para consertar, visto que o restaurador que encontrei pelo Google não me responde.

17h22. A internet está dando pau. Especialmente os serviços da Google. Curioso e irritante.

17h43. A internet voltou a pegar pela rede de mamãe, que aparenta ser lenta. Não canso de olhar para a base danificada da Red Sonja e pensar na oferta da minha tia. Acho que é a ânsia que tenho de resolver as coisas o mais rápido possível. Talvez o restaurador seja a opção mais acertada e esperar o seu contato o mais sensato. De um dos dois para os quais mandei mensagem.

19h48. Apelei para a minha tia-vizinha, apostei nos seus dotes de restauradora de arte, mesmo que pop art. Não aguentei esperar por resposta que não vinha dos profissionais. Ela ficou de arrumar Superbonder para seguir na reparação, mas já colocou uma das falanges da mão da Pequena Sereia. Nossa, muito bom estar na companhia dela, tem um astral muito positivo. Por falar em astral, o meu está bem melhor. Acho que era a solidão que me oprimia e onde volto a mergulhar, um pouco mais confortável com a condição.

20h41. Meu irmão chegou com a turma toda e minha cunhada me convidou para acompanhar dois casais – ela e meu irmão e sua irmã e o marido – ao sushi. Embora tenha encarado a ideia com acanhamentos e estranheza, acho que vou ceder ao convite.

0h07. A noite foi bem mais agradável que o restante do dia, a começar pela convivência com a minha tia-vizinha, depois o sushi, onde soube dos incríveis investimentos imobiliários do pai da minha cunhada, finalizando com mensagens de Blanka, que se importou comigo mais do que poderia imaginar. Tudo corroborou para um dia que valeu a pena ser vivido, apesar do desconforto emocional que me acometeu em sua maior parte. Não estou com saco de escrever. Blanka está menstruada e sentindo as fortes cólicas que a acometem nesses períodos, como havia me contado anteriormente. Amanhã disse que conversa melhor comigo. Não quero sair com ela sentindo cólicas, não me incomoda a menstruação, mas a dor rouba parte de Blanka, que não estará por inteiro se estiver sofrendo por dentro.

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11h50. Há algo de deprimente em acordar e vir sentar diante desta máquina, algo que me faz questionar se isso não seria muito pouco. Vou fumar um cigarro. Com café frio de ontem.

12h19. A turma subiu da piscina, eu me isolo. Acordei pensando em Blanka. Nossa, como é difícil para mim, bicho antissocial que me tornei. Ainda bem que o desejo de a encontrar prevalece.

12h45. Meu irmão e família estão indo para Aldeia. Detesto despedidas. Tomara que mamãe faça realmente café.

13h09. Eles já foram. Mamãe fez café da máquina de expresso, portanto apenas uma xícara. Não sei como escreve “expresso” na grafia italiana, acho que é diferente.

13h21. Pronto. Acho que agora não serei mais incomodado. A não ser pela lentidão da internet. E preciso da internet para me comunicar com Blanka. Tive outra crise de sonambulismo ontem. Não sei se o termo é esse, pois estou metade acordado, metade dormindo, oscilando entre a consciência e inconsciência dos meus atos.

13h33. Olho para a tela e não me vem nada para dizer, é uma situação diferente para mim que sempre tenho algo a dizer, visto que não deixo de pensar e escrevo o que penso. Me deixei prestar atenção na música, Pretend We're Dead do L7. Penso em Blanka e na internet, penso em fumar um cigarro também. É o que vou fazer. Talvez botar café para fazer.

14h03. Planejo cortar o cabelo e fazer a barba hoje. Esperar a minha mãe acordar. A vontade que tenho é dormir também. Não posso depender de situações exteriores para estar bem comigo mesmo. Fato é que esse tem sido o caso nos últimos dias. Tenho que me conscientizar que pelo menos por 300 dos 365 dias desse ano, serei eu só com as minhas palavras e que isso tem que me bastar. Não é um pensamento agradável, mas já tive piores, já cortejei a morte e mais de uma vez quase caí em seus braços fatais. Nossa, o meu quarto foi invadido por um barulho advindo de alguma máquina de alguma das reformas que estão se dando no prédio, em andares próximos ao nosso, além da troca da cerâmica que reveste o edifício, que gera marteladas ao longo de todo o dia. Aos que se perturbam com barulho isso se mostrou um impedimento para o sono. A mim, pouco se me dá o barulho. Vou fumar um cigarro com Coca bem gelada e me deitar.

14h37. Coloquei mais um copo de Coca. Vou reiniciar a máquina, o Chrome está com algum bug. Já bebi o copo de Coca todo. Vou reiniciar e me deitar. Bem, antes acho que vou fumar mais um cigarro com Coca.

15h05. Ao me deitar, senti que dormir era uma atitude inútil e deprimente, de entrega, não era a minha vontade. Ao ir fumar o supracitado cigarro dei de cara com a empregada da casa do meu amigo cineasta que veio me entregar o livro do meu amigo escritor que o cineasta havia levado por engano. Acredito que lerei. Há poucos minutos recebi a ligação do restaurador, que disse que poderia vir no domingo aqui para ver as peças. Terei que falar com mamãe a respeito disso. Blanka disse-me ontem que poderia entrar à tarde ou à noite para conversar comigo. Se mamãe topar o restaurador e Blanka falar comigo o resto do dia promete ser bom.

15h35. Fui fumar e mamãe acordou (temporariamente), falei com ela a respeito do restaurador e ela já ficou preocupada com o preço. Disse-lhe que faria tudo com ela e só aceitaria o serviço caso ela estivesse de acordo. Combinei também de fazer a barba e o cabelo e comprar Coca, que acabou. Vamos ver o que o acaso-destino me trará. Enquanto isso projeto.

16h01. Falei com o meu amigo cineasta pelo WhatsApp Web, mas a internet está um bosta. Que saco.

16h14. Este seria o horário ideal para ir cortar o cabelo e comprar as Cocas, mas mamãe dorme e não quero perturbá-la. Quanto à internet, melhor esquecê-la por ora. Meu padrasto está ocupado, não vai comprar briga com o provedor por minha causa agora.

[15:46, 1/11/2019] Amigo cineasta: vcs foram para areias?
[15:47, 1/11/2019] Mário Barros: Fomos. Foi massa, mas fomos com uma prima que gosta de beber, então não aproveitei muito a companhia dele, do que me arrependo.
[15:48, 1/11/2019] Amigo cineasta: saquei. mas aproveitaram o passeio ao menos
[15:48, 1/11/2019] Mário Barros: Sim, sim. E o lugar maravilhoso, palco de tantas memórias. E trouxemos Maria conosco. Foi bom.
[15:49, 1/11/2019] Amigo cineasta: que massa
[16:17, 1/11/2019] Mário Barros: Interagi melhor com meus sobrinhos, isso também foi bom. Não esperava isso de mim, mas eles me cativaram de alguma inexplicável maneira.
[16:21, 1/11/2019] Amigo cineasta: crianças têm esse dom
[16:22, 1/11/2019] Mário Barros: Acho que eles atingiram uma idade com a qual consigo lidar. Especialmente o mais velho, que é uma pessoa de um otimismo incomum.
[16:23, 1/11/2019] Amigo cineasta: foi o que estava mais discreto no dia da piscina
[16:25, 1/11/2019] Mário Barros: Confesso que no dia da piscina a mágica ainda não havia se dado. :P

20h27. Dormi. Acordei me sentindo meio febril, mas acho que é ilusório, excesso de cama. Nada de Blanka até agora. Talvez Dande ainda esteja com ela. Quem saberá? Estou curioso a respeito do restaurador. O pessoal da pizzaria onde compro as Cocas é sempre muito gentil e afetuoso comigo, é bom ir lá, me faz bem. Não consigo imaginar quantos leram o meu blog ou se algum continuará lendo. Não importa, foi a recepção mais calorosa que meu texto já recebeu. Houve quem dissesse, por falta de adjetivo melhor, que o texto era “interessante”. Blanka disse que lia, mas isso foi no começo, duvido que o faça hoje em dia. Nossa, tomar Coca já gelada com gelo é uma delícia. Acordei com um astral melhor, mas queria ter feito a barba e o cabelo hoje. Faço na segunda. Estou mais gordo do que jamais fui e nunca comi menos, aliás, já: quando da minha dieta somaliana leve no período do CAPS. Consegui perder entre dez e doze quilos. A maioria das minhas roupas não cabe mais em mim. Há camisas que adoraria usar e que simplesmente tornaram-se insuportavelmente apertadas de vestir. Ou, melhor dizendo, eu me tornei demasiado rotundo para entrar nelas. Lembro-me, quando dessa perda de peso, que olhava para os mais gordos com desdém, tomado de superioridade por perder o peso que eles não conseguiam, apenas comendo pouco, muito pouco, uma refeição dia sim, dia não, ou algo do gênero. Hoje me acostumei a comer uma vez ao dia, mas comer muito, tarde da noite, movido pela fome que os remédios me dão. Vou fumar e acabou-se a terceira página.

sábado, 17 de novembro de 2018

BLANKA I

Eu assisto xvideos.com. Eu me masturbo, prática normal, e o canal oferece milhares, senão milhões, de vídeos gratuitos das mais variadas categorias. Por que trago o assunto à baila? Porque há uma tendência que parece ser o novo padrão de sexo oral em que as mulheres tentam emular “garganta profunda” enfiando pênis enormes goela abaixo, muito mais do que seria confortável para elas, inclusive “vomitando” saliva porque devem sofrer algum tipo de lavagem estomacal antes dessas cenas. Além de não achar tal prática excitante, acho excessivamente degradante, submissa e agressiva para com a atriz, a mulher, o ser humano que está se submetendo a isso. Me revolta, não me excita. Mas nada posso fazer a não ser deixar a minha nota de repúdio aqui visto que a imensa maioria das cenas de fellatio que assisto são agora dessa natureza. Fora eu uma dessas atrizes, não só não me submeteria ao procedimento, como organizaria um movimento para que a prática fosse abolida. Não sou e a vida segue um tanto pior para as profissionais do ramo. Temo que homens empoderados pelo que veem nos vídeos venham a cobrar das parceiras tal feito. Mas chega de falar de sexo oral, coisa que há mais de dez anos não experimento.

14h44. Fui comprar Coca. Blanka está incomunicável porque precisou desinstalar o Tinder para que o seu primo tentasse consertar o seu celular. O nosso pré-relacionamento não pode ser descoberto por ninguém, pelo menos nas condições atuais. As condições do que pode vir a ser uma relação entre nós são as mais peculiares possíveis. Um verdadeiro romance do século XXI, com uma série de complexidades que às vezes me deixam perdido a respeito do meu papel nele. Acho que esse papel cabe a mim desenhar e definir, será uma construção, sempre respeitando os espaços que não são meus dentro dele. Sei que Blanka não está apaixonada por mim, eu confesso que ainda não estou apaixonado por ela, mas também sei que sua presença em minha vida me faz bem.

15h46. Como a relação é aberta, eu não tinha o que fazer e possuo cinco superlikes do Tinder para gastar diariamente até a minha assinatura expirar, fui ver o cardápio de gente, gastei meus superlikes, dei likes em outras, mas confesso que não sei se teria paciência para trocar ideia com alguma das selecionadas.

16h00. Fui fumar e vi vindo de volta um senhor que caminhava penosamente a passos curtos e lentos, aparentemente difíceis e sofridos de serem dados. Não pude deixar de me questionar se esse é o futuro que me espera, fumante e sedentário que sou. Entretanto, acho que não serei tão longevo, pois o sedentarismo, o cigarro e minha alimentação me levarão à morte precoce, isso sim. Que seja, a vida já me deu o bastante, há coisas a esperar, mas todas provavelmente se concretizarão em 2019, 2020 o mais tardar. Pode ser que Blanka entre de fato em minha vida e permaneça até lá, mas não tenho grandes esperanças. Não acho que conseguirei conquistar o seu afeto, é muito difícil, ainda mais tendo o seu coração já uma dona, com quem tem planos de longo prazo. Não digo ser impossível, mas há um ditado que diz que não se pode servir a dois senhores. Descobrirei. Uma coisa que me decepcionou bastante foi um realinhamento no nosso pacto. Acho que vou sair magoado dessa história se me doar demais. Ainda bem que ainda não me apaixonei. Infelizmente ou felizmente, sei lá, sei que é fácil me apaixonar e sei que é bom viver uma paixão. Mas é muito melhor quando é recíproca, que não vai ser, serei mais um instrumento do que a melodia. Penso que na cabeça dela me dará um mês, três no máximo e se sentirá no direito de me descartar. Espero que não. Vou tirar um cochilo, estou precisando.

19h30. Acordei e tomei banho. Foi um sonho quebrado, em que ia e vinha do mundo de Morfeu. Despertei pensando em Blanka, pensamentos sensuais, sobre a sua nudez. Agradáveis pensamentos que nem sei se se concretizarão. Também pensei nas minhas bonecas amadas, as femininas, especialmente. Acordei tomado de feminilidade ou, pelo contrário da apreciação masculina pelas formas da mulher, eterno encanto para mim, pelo menos, que tenho tais formas e feições por coisas mais belas do universo. Poderia nomear os pensamentos que tenho de Blanka agora como saudade? Se não o são em muito se aproximam da definição. A vontade de revê-la cresce em mim e provavelmente só o farei no dia primeiro de dezembro, dia da festa de 15 anos da minha prima caçula. O que me veio de forma preocupante é a recepção negativa da minha família materna (e também a paterna, suponho) se por acaso numa das celebrações que sucederão a estadia do meu irmão em solo brasileiro eu optar por tomar umas cervejas. Repudiarão a minha escolha, me criticarão e alertarão, mas espero que após o choque inicial e vendo que nada decorre do fato, relaxem. Há uma diferença social enorme para mim no fato de poder tomar minhas cervejas, me sinto como qualquer outro adulto ciente de suas escolhas, não como o viciado reprimido. Me vejo mais igual aos demais e esse sentimento é bom. Acho que é das melhores partes, não ficar com inveja ou constrangido por ter na minha repressão ao álcool uma lembrança do estigma que me assombra, hoje mais na cabeça dos outros que na minha. Se bem que o fato de querer beber é uma negação do estigma o que é, ao mesmo tempo, a lembrança de sua existência. Ei de superar essa fase. Às vezes bate-me o medo de estar em estado de mania. Mas todo e qualquer bem-estar que sinto me desperta esse alerta. Não acho que seja o caso, se bem que andei comprando algumas coisas que não deveria. E sinto um desejo forte de ter um Super-Homem, o novo Super-Homem da Sideshow na minha coleção. Acho que, tirando o Monstro do Pântano, que nunca terei por questões logísticas, é o único super-herói que me faz falta na coleção. E a peça é soberba. Contentar-me-ei com o que já tenho e o que já tenho é muito. Comprarei o Azure Dragon com o meu PayPal e darei minha coleção por vista. Se a arquiteta conseguir reservar algum espaço livre para uma ou duas peças de ¼ espero receber os pontos da Sideshow e negocio com mamãe a compra do Super-Homem. Não me incomoda que não seja o exclusivo. Mas não vou sonhar com o que não tenho quando tenho tanta coisa que possuo a sonhar. Que não sei quando vai fazer seu trajeto da América do Norte para a do Sul. Um dia. Espero que não depois do Natal de 2020. Preciso contar a meu irmão sobre Blanka, mas não tenho coragem. Prefiro que ninguém saiba. É uma história nossa, minha e dela, e quero que continue assim. Não diz respeito a mais ninguém, é uma construção nossa, pouco ortodoxa, é verdade, mas não menos válida – embora não esteja validada de fato ainda – e valiosa. Estamos ainda na planta do nosso projeto, não botamos tijolo sequer, estabelecemos as bases: honestidade, respeito e sinceridade. A cumplicidade e a intimidade construiremos juntos e são o corpo e alma da relação, que espero que seja leve, carinhosa e divertida de ser construída. Prazerosa, tanto para mim quanto para ela. Nossa, como queria que a regra de que não se pode servir a dois senhores fosse uma exceção na nossa relação que é toda repleta de exceções. Esta, talvez a mais importante, acho dificílima de ser alcançada e preciso manter os pés no chão a esse respeito. Difícil tarefa. Se bem que Blanka pode facilitar tomando as atitudes erradas. Percebo que ela está acostumada a mentir. Preciso reeducá-la, por falta de melhor termo, em relação a isso. Que minta para o resto do mundo, é a relação dela com o mundo, mas não minta para mim, pois é a minha relação com ela.

22h44. Tive que ir à farmácia comprar remédios para o meu juízo e quando voltei vi uma resenha do novo jogo de Pokémon para Switch, embora sempre tenha tido vontade de jogar um game da franquia, especialmente na tela grande com gráficos mais bonitos, eu não senti o menor tesão em voltar a jogar videogame. Eu realmente não sei o que aconteceu comigo nessa esfera. Ou pokéball. Haha. Fato é que darei o meu Switch para os meninos, filhos do meu irmão e que não sentirei saudades, ao que tudo indica. Existe para mim algo muito mais interessante que é Blanka. A única razão para não dar o Switch seria se Blanka gostasse de jogar. Mas nem assim mudarei a minha decisão, terá ela que se contentar com o PS3. Vou fumar, eu preciso.

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14h33. Estou ainda despertando. Ensinei mamãe a fazer café na cafeteira que ganhei da minha tia jornalista. Talvez o café me traga alguma memória RAM adicional. Não consegui ver o vídeo de Rodrigo Silva inteiro ontem, fui completamente subjugado pelo sono. Não me pareceu cansativo, estava interessante, mas o sono ganhou do meu empenho. O vídeo está numa aba aberta exatamente onde parou. Vou tomar um café e ver se com ele arranjo a coragem para assistir.

15h30. Tomei café, fiz coisas outras, principalmente mergulhei no maravilhoso mundo dos bonecos. Foi bom. Não quero ver pregação sobre o perdão no momento, simples assim. Eu acho que sei a importância do perdãooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii8888888iiiiiiiiiiiiiii8iiiiiiiuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu888888888888888888888888uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu ß Estava colando adesivos com as letras que estavam apagadas para ter uma melhor referência. Funcionou. Ficou tudo torto, mas isso é o de menos, não buscava a perfeição estética apenas a referência visual e nisso fui muito bem-sucedido, tanto que digito com muito menos erros e mais segurança, um aumento significativo na minha qualidade de vida, graças a mamãe, mais um motivo para ter por ela a mais profunda gratidão. Estou louco para que os pagamentos da boneca acabem, isso me dará tremendo alívio. Espero que o cara do Azure Dragon me contate nos próximos 15 dias para podermos fechar o meu último negócio, pelo PayPal, nada a ver com o cartão da minha mãe, e me veja livre de todos os pagamentos até março. Estou tomado de gratidão por talvez enfim ter a minha coleção completa. Verei depois o que farei com os 73 dólares de desconto que amealharei na Sideshow. Mas isso vai ficar para depois da SDCC. Sobre o perdão, acho que tenho experiência nessa prática, o acaso-destino no seu balé genético e sociocultural me agraciou com a facilidade de esquecer mágoas e rancores. Tenho para mim que se não me fizer significativo e importante na vida de Blanka, ela vai me dar uma relação de um a três meses e depois me mandar pastar, pois, por ora, não guarda nenhum sentimento de afeto por mim. Não sei se serei capaz, sendo como sou de provocar tais sentimentos nela, farei o que eu entendo por meu melhor e só me resta torcer para que seja suficiente. Há também o problema da aceitação da minha mãe. Esta festa de 15 anos vai ser essencial. Que ela, Blanka, não dê para trás. À medida que a data se aproxima, eu me sinto inseguro. Imagino ela. Preciso fumar.





16h12. Será um golpe difícil se na cabeça de Blanka já estiver tudo estipulado para me deixar. Seria frio e maquiavélico da parte dela. E não a conheço o suficiente para duvidar dessa possibilidade. Até me parece a mais plausível, mas o tempo e o acaso-destino que agiram a meu favor após uma década podem continuar sendo benfazejos comigo. Seria muito bom. Por suas respostas o nosso vínculo ultrapassará o carnaval. O que faz crer que ela gosta de ter planos de longo prazo, se agrada disso. Pode ser tudo mentira também. Mas não posso pensar tão mal da pessoa a quem quero desejar e repartir todo o meu bem. Acabou a terceira página. Revisar e postar.



sexta-feira, 2 de novembro de 2018

SUGAR BABIES E COMPLETANDO A COLEÇÃO DE BONECOS





16h56. Doce Solidão de Marcelo Camelo rolando. Não a acho tão doce, tampouco me é amarga, é café com adoçante. E cigarros. Falando em doçura, descobri um a nova (?) categoria de relação chamada “sugar”. Há a “sugar baby” que procura um “sugar daddy” para financiar os seus desejos consumistas. O tema me veio, pois uma gatíssima, capa de Playboy mesmo, linda em todos os aspectos e dimensões, que encontrei no Tinder e com a qual desperdicei um superlike ontem, reapareceu hoje se intitulando sugar. Acho uma inversão de valores tão grande leiloar a juventude e reprimir os sentimentos para se tornar prostituta de um homem só, quando a escolha de um parceiro, além de significar subjugação, está atrelada não aos valores estéticos e morais, mas a quanto o candidato está disposto a pagar por ela. É mais seguro que a prostituição? Creio que sim, pois a relação sugere exclusividade de parceiro. De qualquer forma é um retrocesso que vai contra toda a onda feminista que hoje inunda o mundo. São garotas bem-nascidas e bem-criadas, que vivem uma vida de conforto, geralmente estudam e que mesmo de posse de tudo isso querem se vender por puro consumismo e um suposto e sonhado glamour que só o dinheiro proporciona (na cabeça delas). Mas o dinheiro sozinho não proporciona respeito, afeto, admiração, cumplicidade, intimidade, em uma palavra, dinheiro não compra amor. E quem se vende não pode esperar por isso. É a versão do século XXI para os casamentos arrumados de tempos atrás, só que dessa vez são as próprias garotas que se dispõem a isso. É uma opção social que me deixa perplexo. Eu entendo a vontade de ter uma vida fácil com todas as necessidades materiais supridas, afinal é exatamente o que eu tenho. Mas para isso não tive que me vender a ninguém, mas tive que abdicar dos meus direitos civis e outorgá-los à minha mãe e a quem a vier substituir quando o tempo chegar. Anyway, eu dei um novo superlike na garota que se transformou em sugar. E escrevo isso especialmente para ela se porventura me der um match, o que dificilmente ocorrerá. Ela é bonita e gostosa, talvez excessivamente bonita e gostosa para o meu gosto, certamente não tenho dinheiro para sustentar uma relação como essa e não me interesso por relações em que o que fala mais alto é o dinheiro. Entendo como uma relação trabalhista, como um serviço oferecido. O serviço sendo sexo e o desempenho de um papel social totalmente artificial, a supressão do ego, dos sentimentos e da escolha em nome do consumo. Uma das anomalias do capitalismo. Pessoas, garotas, abrindo mão do ser para ter. Mal sabem que o que perdem é bem mais valioso que o que compram, desperdiçarão a juventude, relevarão o sentir, tornando-se lacaias do novo lançamento da Chanel ou da Dolce e Gabbana. Tenho muita pena, mas há várias garotas optando por isso nos aplicativos de relacionamento. Vendendo-se como produtos de consumo, como pessoas para serem usadas e descartadas. Desumanizam-se no processo e não se apercebem disso, iludidas de que estão exercendo a liberdade plena, apenas demonstram a escravidão e devoção ao deus dinheiro. Não são poucas, ouso dizer que é uma trend que está apenas começando e que creio vem da falta de disposição e de coragem para assumir as responsabilidades e independência da vida adulta, que esta demanda, abrindo mão das recompensas que tal posição proporciona. Aqui me identifico com as sugars, vivo uma eterna adolescência, onde tenho liberdade restrita, mas suficiente e nenhuma das responsabilidades da vida adulta. Também vivo no oco emocional e afetivo, mas não por escolha própria, mas por incompetência. Fui fumar e perdi completamente o foco do que estava dizendo. Acho que disse tudo. Gostaria muito que a supergata me desse match para que pudesse repartir esse post com ela. Queria compreender o que a fez optar pela prostituição seletiva ou exclusiva, abrindo mão da sua autonomia para estar à disposição de um homem toda vez que este quiser usá-la, quiçá abusá-la. Ainda mais estudando na UFPE, em teoria, pelo menos é o que o perfil diz. Como disse as sugars são meninas bem-criadas, que receberam educação de alto nível e têm um confortável modo de vida. Acho que têm medo da vida ou se desiludiram com os afetos nesse mundo hedonista de hoje. O amor morreu, o respeito pelo sentimento foi esquecido, tudo revolve relações superficiais e sexo. Obviamente é uma generalização, mas para garotas bonitas acho que isso se faz mais presente. Esses aplicativos que uso não são voltados para caras como eu que querem uma relação com carinho e intimidade, é um cardápio para conseguir sexo de graça, trepadas inconsequentes e impessoais. Essa é a principal utilidade para a maioria. Isso me deu uma ideia para talvez alavancar a visualização do meu perfil. Vou criar um layout dizendo “leia o meu perfil”, isso talvez desperte a curiosidade e a leitura do pequeno texto de descrição que fiz e revele uma proposta diferente, não sei. Sei que vou tentar.

19h40. Eis abaixo. Só não consegui colocar como a minha imagem de capa, não sei fazê-lo ou se é possível.




19h41. Fui sacar o Tinder depois de ter colocado a imagem e apareceu outra sugar baby. Como disse, essa moda vai pegar, muitas patricinhas se prostituindo para ricaços. Não deixam de ser prostitutas, pois não estão interessadas na pessoa, mas no dinheiro. Ficam ofendidas e dizem que não são garotas de programa. A diferença, se existe, é mínima. Mas se a opção lhes desce melhor com a negação do fato que se vendem por dinheiro ou pelo que o dinheiro compra, que seja. Não deveriam se envergonhar, entretanto, é uma das profissões mais antigas do mundo e tão digna quanto qualquer outra aos meus olhos. Não vejo demérito nenhum na prostituição, tenho pena apenas, pois se negam sentimentos especiais e talvez necessários para uma existência mais completa e feliz. Mas cada uma é dona de seu corpo e o utilizá-lo como empreendimento não é mais ou menos louvável que outras formas de conseguir dinheiro. A juventude, entretanto, não é propriedade delas, mas do tempo, que a rouba diariamente. Se não se planejarem, terão problema quando o tempo lhes arrancar a exuberância que só outorga por efêmeros anos. E eles passam cada vez mais rápido à medida que a idade avança. Bom, vou fumar. E provavelmente mudar de assunto.

20h14. O dia passou muito rápido, estou agora em busca de contato com um cara do maravilhoso mundo dos bonecos.

20h34. Até agora nada. Percebo que o fato de eu ter todo o tempo do mundo para mim me torna mais ansioso e impaciente com os demais que tem afazeres muito mais importantes do que tratar comigo. É estupidez da minha parte, mas também meio inevitável. Um efeito colateral do meu modo de vida. Adoro o meu modo de vida. E sinto minha vida mais completa agora do que sentia quando comecei esse texto. É uma sensação agradável que, ao mesmo tempo, me gera certa apreensão e preocupação. Espero que sejam infundadas, que tudo transcorra bem. Completa ficará mesmo quando e se o cara do maravilhoso mundo dos bonecos me contatar. Espero que o dinheiro que tenho no Paypal seja suficiente para comprar e pagar o envio do Azure Dragon para o Brasil. A versão verde, exclusiva da SHCC. Tomara que o cara me responda, será a última aquisição para a minha coleção. Ela estará, para o meu gosto, completa. Sabe o que seria massa? A Gatinha ir comigo e mamãe para os Estados Unidos no ano que vem para ajudar a embrulhar as bonecas que estão lá e colocá-las da forma mais protegida possível nas malas. Queria ir à época do meu aniversário ou no meio do ano. Desculpe-me leitor, estou totalmente embriagado pelo maravilhoso mundo dos bonecos, meu hobby, minha segunda paixão, depois das palavras. Sei que é indevido, mas fiz e faço porque a vida é minha. Nossa, como queria fechar o negócio do Azure Dragon hoje. Finalizar minha coleção em grande estilo com uma peça bela e exótica, que destoa de todo o resto da minha coleção, é a expressão de um artista chinês e é uma figura riquíssima, única. Se pudesse, a colocaria do lado do meu computador, lado oposto ao Hulk que reinará soberano à entrada do quarto. De todas as peças que tenho e terei acho que o Hulk sempre será a que mais gosto. Foi certamente a mais cara. Vou fumar um cigarro. O tempo passa mais rápido e a necessidade se faz.

21h10. Beijei a minha mãe por gratidão, foi bom. Afora o Azure Dragon, nada me falta na vida, bem falta o quarto preparado para receber e exibir todas as estátuas, mas isso está mais perto que longe, talvez se dê em fevereiro. Será que até lá o Tinder, o Badoo ou qualquer outro meio vai ter me garantido um relacionamento? Não sou tão otimista, mas o acaso-destino age das formas mais misteriosas e inesperadas. Estou tomado, apesar da solidão, por uma sensação boa de completude.

21h23. Um item que coloquei à venda no eBay vai vender e cobrir o rombo que eu fiz ontem no meu Paypal assinando sem querer o Badoo para a vida inteira. Fiquei muito puto. Já fiz altas burradas nesses aplicativos de paquera comprando coisas sem querer. Acho que agora consegui bloquear todos os débitos automáticos. Acho inescrupuloso colocar os serviços para serem renovados automaticamente sem avisar isso ao usuário. Me deixei enganar umas três vezes. Sem dúvida a do Badoo foi a pior, pois não quero o serviço até o fim dos meus dias e preciso de todo o dinheiro necessário para pagar o Azure Dragon.

21h30. O boneco foi vendido, falta o cara pagar. Já falei com o meu irmão que teria remessa para esse sábado.

21h53. Tudo encaminhado com a venda do eBay. Vou fumar um cigarro para celebrar. Nenhum sinal do cara da Gantaku, fabricante do Azure Dragon, ainda.

22h04. Não queria terminar esse post sem uma definição sobre o Azure Dragon, mas não sei qual é o fuso-horário da China, logo não sei quando tal resposta virá. Não posso crer que nenhum dos meus superlikes não vá resultar em match, acho até injusto isso. Nem para bater um papo? Será que sou tão repugnante assim? Tão velho assim? Realmente é desmotivador para dizer o mínimo. E estou cada vez menos seletivo, mesmo assim... nada.

23h13. Descobri que são 11h na China e reenviei as mensagens tanto para a página oficial da Gantaku quanto para o cara que trabalha lá. Vamos ver se recebo resposta dessa vez.

23h39. Será que irei dormir com a minha última estátua encomendada hoje? Não parece ser o caso, mas resistirei até as 2h para ver se concluo a transação. Vou fumar.

2h12. Nenhum sinal do cara da Gantaku. Mandei um e-mail para ele dizendo exatamente qual era a minha proposta e enviei outro para a loja que vende o Azure Dragon (versão normal) nos Estados Unidos perguntando se eles poderiam declarar um valor sensivelmente menor para o item. Acho que a loja dirá não. O frete eu não achei tão absurdo quanto imaginava, embora a figura seja mais de cem dólares mais cara na loja americana. A Gantaku já havia concordado em declarar um valor menor por ela, mas não soube informar do frete. É um saco esperar, viu? E esperarei a resolução desse imbróglio para postar esse texto.

2h49. O sono me domina, acho que só terei resposta da Gantanku amanhã. Ah, em relação a burlar a alfândega brasileira sou corrupto sim, pois não compactuo com as taxas absurdas que passaram a cobrar. Acho revoltante, especialmente para um bem que não concorre com nada produzido no Brasil. Sei que é desculpa de amarelo e liso. Mas, em tese, será a última vez que usarei desse expediente. Se bem que há dois kits meus para serem pintados na China...

3h41. Nada do cara. Vou mandar uma última mensagem.

4h00. Vou acabar o copo de Coca para dormir e ver o que se dará amanhã quando eu despertar. Aposto que a loja americana não vai querer mudar o preço e que o cara da Gantaku não vai ter respondido o meu e-mail.

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Recebi resposta dos dois e-mails. A loja americana disse que era ilegal declarar preço outro que não o verdadeiro. O cara da Gantaku disse que havia reservado uma versão exclusiva para mim e que ainda não tinha as dimensões e peso da caixa do Azure Dragon para me passar, mas assim que tivesse o faria. Mandei um e-mail de agradecimento e esclarecendo quanto julgo ser o preço da estátua e que valor eu desejo que ele declare no envio. Parece que está tudo encaminhado para possuir a última estátua da minha coleção. Isso é suficiente para que meu dia comece com uma alegria e uma satisfação superiores. Pensar que a minha coleção estará completa traz um alívio inesperado para mim. Não há mais nenhuma figura que eu queira. Até a próxima SDCC (San Diego Comic Con) e mesmo com esta não há personagens que me venham à cabeça que possam despertar o meu desejo. Se bem que, como mudei o foco da minha coleção para garotas lindas, independentemente da personagem, pode ser que algo surja, por isso pedi à arquiteta que deixasse espaço para mais três figuras, embora esteja relativamente seguro que as que tenho estão de bom tamanho. Agora é o trabalho de formiguinha de trazer parte significativa da coleção que está na casa do meu irmão e lá vá chegar. O Batman branco é o que mais me preocupa, por ser muito grande e pesado. Acho que a base terá que ir em uma mala e o corpo na outra. Meu irmão disse que não quer se arriscar a trazer bonecos fora das caixas por mais que tenha sido eu quem sugeriu tal expediente a ele. Se mamãe resolver mesmo ir no ano que vem para lá, poderemos trazer as figuras restantes embrulhadas nas roupas. É a única forma de trazer o Batman, pois sua caixa deve ser quase do tamanho de um fogão, logo grande demais para embarcar para o Brasil. Só o frete para casa do meu irmão, ou seja, frete local, dentro dos Estados Unidos, foi mais de cem dólares. Imagine o tamanho e o peso do trambolho. Será a minha segunda centerpiece, ficará dentro do armário, como que num altar. As dimensões da figura? Altura: 83.9cm, largura: 48.3cm, profundidade: 39.7cm. É como as dimensões cósmicas, não consigo nem imaginar, só vendo. Enfim, estou a um passo de fechar a minha coleção e isso me dá uma paz interior grande, não sinto mais aquele frenesi ansioso por estátuas, pois consegui todas as que realmente desejo. Não há mais nenhuma. E fecho com uma que destoa completamente do resto das estátuas, um dragão aquático, com duas garotas e uma série de pequenos detalhes, uma peça de arte, desligada de qualquer franquia e inspirada no folclore chinês.


15h43. Agora que desatei a escrever, não quero parar. Às vezes quando fumo baixa um pouco o meu astral. Mas nada me rouba a calma de não precisar mais comprar bonecos. Espero realmente que nenhuma outra estátua venha dar o “clique” em mim. Posso simplesmente deixar de acompanhar o maravilhoso mundo dos bonecos, mas sei que não farei isso e que estarei com todas as minhas atenções voltadas para a próxima SDCC. Com o passar dos anos – e coleciono bonecos há cerca de 15 anos – fui me tornando cada vez mais seletivo, muitas das que tinha perderam o encanto para mim e as vendi. Fiz péssimos negócios em sua maioria, mas tenho bastante orgulho das peças que agora tenho. Todas me agradam e será um sonho acalentado há muito, muito tempo, tê-las todas expostas no meu quarto, desenhado especificamente para abrigá-las. Preciso, inclusive travar novo contato com a arquiteta de posse de novas medidas conseguidas com os fornecedores. E ver esse negócio de a cama abrir, pois não sei como ela vai abrir se houver uma estante na parede, que acho que vá ser inevitável para a parte de PVC da minha coleção, as japonesas. Bom, ela é que vai arquitetar tudo e não quero deixar nenhuma figura de fora. É bom sonhar e estar embebido de pensamentos sobre bonecos. Colecionar bonecos é algo que faço desde guri, só que hoje coleciono bonecos high-end. São absurdamente caros e bem feitos e bem-acabados e, com a digitalização das esculturas, o nível de detalhes hoje é absurdo. Tenho medo de lançarem outra garota linda na próxima SDCC, mas, como disse, acho difícil suplantar as que tenho. Eu tenho as mais lindas das mais lindas. E nem sempre o fato de serem modeladas em computador garante uma figura que me desperte atenção. Como disse, tornei-me mais seletivo, extremamente seletivo. Consegui passar incólume pela SDCC 2108. Nenhuma me deu o clique. Acredito que será assim de agora em diante. Ou espero que seja. Essa paz de não precisar de mais nada além do que tenho e do que está encaminhado me dá uma sensação de preenchimento, de, como disse, completude. A Gatinha já se dispôs a vir aqui montar e consertar três bonecas japonesas, só confio nela, tem uma habilidade manual fora do comum. Minhas mãos trêmulas da medicação não seriam capazes de fazer o trabalho. Afora que a minha coordenação motora é pífia. Mas chega, já escrevi demais. Vou fumar um cigarro para revisar e postar isso.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

ELES NÃO



14h14. Acabada a publicação de um, volto aqui para despejar mais palavras pois elas são o centro da minha existência. Penso palavras, sinto (muitas vezes em palavras) e escrevo, faço uma confissão, um desabafo onde pouco resta de mim não revelado. É o que faço, é o que sei fazer de melhor e, sei, não é muito bom. Dane-se, me preenche. Não tenho mais a gana de ser reconhecido como escritor, não faz mais diferença e nunca fez, em verdade, era fruto de uma vaidade que não mais possuo porque pesa carregá-la, é impossível de concretizar e não levarei tal título para lugar nenhum. Minha mãe veio me perguntar se eu achava certo ter bebido no dia da eleição, respondi prontamente que sim. E se não beberei mais é porque eu não quero e não por causa das ameaças dela. Foi um dia singular e queria extravasar, pronto, passou. A vida segue. Não me arrependo e nem ressaca tive. Foi ótimo, um momento em que transbordei amor quando tudo era ódio e revolta. Foi um bom antídoto para a situação. Especialmente para a situação dentro de mim. E aprendi bastante sobre mim com essa embriaguez. Ela facilita a socialização, mas numa medida menor do que eu supunha. Também a fissura do crack não me veio, não deu nem sinal. Mas não arriscarei. Não preciso. Eu não preciso de álcool, essa foi a minha percepção. Ele dá alegria, ele deixa me deixa mais sentimental e expansivo, mas não é necessário para o meu bem-estar. Não me fará falta. Valeu a pena me conceder esse momento, acho que precisava. Até para fazer essas descobertas. Bom experimento. Desde já tenho vontade de voltar à Vila Edna. Sem álcool. Mas acho que esse assunto já deu. Se não tiver dado, voltará. Não tenho restrições em relação a isso.

14h37. Me sinto sensivelmente mais maduro do que da última vez que tomei um porre, isso me agrada. Aprendi alguma coisa ou algumas coisas ao longo desses seis, sete anos que estava sem beber. Pus minha mãe em modo paranoico porque ela descobriu the hard way que tem menos controle sobre mim do que supunha. Que eu sou mais independente do que ela gostaria. Bom é nesses choques de realidade que as relações se redimensionam, tomam novas formas e direções. Não sei se ela terá mente aberta para isso, creio que não, mas nada posso fazer a não ser seguir o meu caminho da melhor forma que encontro. Que sei e aprendi. Mais com a vida até que com eles, meus pais. A fase de influência formadora deles se esvaiu há algumas décadas. O resto foram experiências, escolhas, consequências e toda a gama de lições que a vida me proporcionou, muitas vezes de formas bem duras. Dei muitas cabeçadas, mas acho que aprendi algo. Tirei lições, me dou mais ao respeito, me respeito mais, me gosto mais também. Eu amo a vida, nunca pensei, depois da infância, que gostaria de ser eu novamente, mas me encontro satisfeito com quem sou. Tenho até um tiquinho de orgulho desse eu que se transmuta e do que já foi transmutado. Vou fumar com café. Me deu um branco agora pensando que darei o meu Nintendo Switch para os meus sobrinhos.

15h04. Mamãe me mostrou charges da oposição a Bolsonaro e as taxou de “ridículas” e fomentadoras da “separação social”. Bom, praticamente metade do Brasil é oposta ao presidente, o que ela queria? Que porque o cara foi eleito, todo mundo iria abaixar a cabeça e aceitar? Todo mundo se abraçar em delirante e desvairada alegria? Muita ingenuidade. Bom, me botou um áudio sobre a situação da Venezuela, onde o estado tomou conta de tudo. Não acho que seja esse o caminho. Não sou comunista nem radical. O que acho é que não podem ser maculados os direitos humanos e a democracia. A oposição e o povo em geral acompanhará mais de perto esse governo do que qualquer outro que tenha havido antes. Ou não, esse movimento pode ser como um carnaval que se dá de quatro em quatro anos. Não sei bem o que falo pois estou em verdade pensando na minha coleção de bonecos no momento. No Batman branco. Em como trazê-lo para cá. Acho que ele vai ser maior do que imagino. Como espero que Bolsonaro seja menor, menos perigoso do que imagino. Tenho minhas dúvidas a respeito do Batman e do presidente. Não aguento mais café por enquanto. Vou tomar uma Coca com gelo. E fumar mais um cigarro.

15h32. Minha mãe aparentemente foi dormir... de novo. Realmente está de saco cheio de lecionar. Não sei por que não desiste logo. Já deu, já fez demais, está de bom tamanho. Bem, a vida é dela, tem mais chão que eu, sabe o que é melhor para ela. Embora sejamos sempre aprendizes porque a vida nunca para de ensinar, é uma eterna e ininterrupta aula. Isso me dá esperanças de ser alguém melhor para mim com o passar dos anos.

15h37. Estou entediado, isso é um saco. Olhar para o Hulk me acalenta. Vi um rumor de que uma das pessoas cotadas para o ministério da educação tem como um dos planos ensinar criacionismo no colégio. Espero que seja fake news, afinal é inconstitucional, visto que o Brasil é um país laico. Não se pode dar predileção a uma religião em detrimento das demais. Estou com vontade de começar a escrever no “Eu Não Sou Cristão”. Se bem que posso dizer o que penso aqui mesmo, não faz muita diferença o endereço e sim o conteúdo. Não tenho muito deste último, é verdade, mas o pouco que eu tenho acha um acinte tal possibilidade. Ainda mais não sendo cristão.

15h55. Minha mãe me ligou, chamou no quarto e me cortou o Chartreuse. Descobri que o meu lar não é uma democracia. Não para mim. Eu sou tido como alguém de uma hierarquia inferior, um subordinado, alguém a quem é negado o direito de decidir acerca de diversos aspectos da minha vida. É certo que consolidei alguns direitos, mas outros me são vetados. Melhor ficar no meu quarto-ilha e reinar absoluto aqui, dono das minhas palavras. A relação que tenho com a minha mãe aos 41 anos de idade é adoecida e o pior disso é que é assim em grande parte porque o permito. Não sei como consertar isso. Não sei se tem conserto. Ou eu não tenho coragem de consertar, tenho medo como um garotinho tem medo da mãe. Eu acho que ainda sou o garotinho em relação à minha mãe e acho que ela me vê da mesma forma, foi uma relação que não amadureceu, que estancou e isso parece ser cômodo para os dois, por mais que agora me incomode. Ela consegue incutir culpa onde não há razão para tal. Tomei um porre e daí? Não fiz nada de errado, não destratei ninguém, não busquei outras drogas, vim para casa escrever. Passou. Ah, quer saber? Foda-se. Não vou me encher de energia negativa por conta da reação da minha mãe a esse episódio. Vou seguir, mas agora não me sinto bem. Depois do novo ataque dela ao meu ego com essa história do Chartreuse. Se ela vai esperar por arrependimento da minha parte, é melhor jogar o Chartreuse fora. Não me arrependo. Meditei muito sobre o assunto antes de tomar a decisão de beber. Achei que estava seguro e pedi a um amigo que me apontasse se estivesse sendo excessivo em algum momento. Não me excedi. Sepultar esse assunto nesse parágrafo. Já deu. Vou fumar.

16h24. Meu astral está baixo, o convívio com a minha mãe está pesado. Saco isso. Não queria voltar ao tema, mas até me culpar pela sua improdutividade no trabalho colocou em minha conta. É muito drama, chantagem emocional para cima de mim. O pior é que sucumbo. E sucumbido sigo escrevendo sem muito gosto. Meu irmão vem para Recife no final do ano e nem isso me anima, a reforma do meu quarto me apetece mais. Me peguei pensando enquanto fumava que, no meu leito de morte – que espero muito que seja o meu quarto-ilha –, definhando e sentindo as dores do câncer que me carcomerá por dentro, chamarei o filho da fantástica faxineira para escolher as três figuras que quiser da minha coleção, com exceção do Hulk. O Hulk com todos os seus defeitos e humanidade, pois foi esculpido à mão, é a peça mais impressionante que eu já vi e que tenho o orgulho de possuir. Quero que me faça companhia até o meu último suspiro. Pode ser que o meu leito de morte seja num mórbido e impessoal hospital, isso seria deveras triste. Creio na evolução da medicina, entretanto e essa crença me anima, pois me lembra da evolução tecnológica como o todo, da qual sou fiel, e que transcenderá Bolsonaro, eu transcenderei Bolsonaro. A não ser que ele engrosse e cace e mate a oposição, mas acho que não se dará. Falou tanto em democracia. Embora não saiba o que democracia signifique para mente tão estreita. Quero fumar outro cigarro, mas não vivo numa democracia e certamente sofrerei uma retaliação desnecessária se for. Não estou a fim. Prefiro segurar mais meia hora para fumar tranquilo. Estou intranquilo no momento. A constatação de que sou da classe oprimida aqui em casa me causa desgosto, mas não me rebelo, não me sinto preparado para uma revolução. Nem sei se jamais estarei. Porque doerá na minha mãe, ela iria sofrer com a mudança. Não gosto de fazê-la sofrer pois isso me dói. Sou tão codependente desta situação patética quanto ela. Mereço ser oprimido. Tenho quase toda a liberdade que anseio, está de bom tamanho. Aceitar as coisas como são. Ou seja, só vou fumar às 17h. Faltam 15 minutos. Não gosto do estado de espírito em que me encontro. Como mudá-lo? Dando uma olhada no Tinder.

16h55. Nada no Tinder. Li algumas matérias sobre Bolsonaro. Não me agradaram. Tampouco me surpreenderam. 16h59. Estou de baixo astral. Hoje não está sendo um dia bom, preciso de sono, de um novo despertar e um novo amanhecer para me sentir tranquilo. O sono tem essa vocação de amansar os meus demônios interiores. Vou fumar.

17h12. A luz escapa, a noite se anuncia. Estou ouvindo Valsa Brasileira de Zizi Possi e estou ouvindo há tempo demais. Vou botar a lista 6 em modo aleatório. Pronto. Começou bem com Ella e Louis cantando Can’t We Be Friends?, um retrato da maioria das minhas paixões. Não sei porque essa vocação, provavelmente por ser feio. Ou mais especificamente por me achar e me portar como feio. Tenho que largar mão disso. Dar um foda-se para isso também. A vida é muito curta para me privar por me achar feio, mas o Tinder e o Badoo comprovam, nesse tempo que estou disponível nos aplicativos só me curtiram barangas velhas. Sou só opção para isso. As gatas me descartam como eu descarto todas as mulheres feias. A sina da solidão vem se somar ao desgosto da vida que agora me toma. Vai passar, é só um momento em que me desequilibrei emocionalmente. Não se pode estar bem todos os dias.

17h29. Mandei um foda-se para o anjo do Tinder. Não ia dar em nada mesmo. Nem sei se era real. Foda-se. Uma fedelha e eu me desmanchando por ela, tendo ansiedade e sofrendo por sua atenção cibernética. Mereço mais que isso. Mereço ter mais respeito comigo. Não me aguento vou escrever mais coisa para ela. Preciso desabafar.

17h38. Desabafei, me sinto melhor. Adoro passar lição de moral para o anjo do Tinder. Acho que essa foi a última, pois duvido que ela vá puxar papo comigo de novo. Preciso acender a luz, não enxergo mais as letras e não decorei suas localizações nesse teclado USB que uso em substituição ao do notebook, que quebrou. Acho que vou fumar. Que dia mais chato, vixe.

18h03. Fui lá e beijei minha mãe. Ela me beijou de volta. O Badoo estava programado para cobrar automaticamente que ozzy. Só descobri quando recebi o recibo por e-mail. Já desprogramei isso.

18h12. Me perdi na internet, nada de interessante. Eu estou usando do meu subterfúgio para melhorar meu dia. Aumentei o volume de 10 para 12. Agora está legal. Não aumento mais porque minha mãe reclamaria. E acho que o 12 está perfeito, potente, com clareza, mas não incomoda. Ouvindo Virus, de Björk. O momento pede Björk. Gosto do universo musical para o qual ela me transporta. Acho que preciso fumar. Vou fumar. Não. Esperar dar 18h30. Estou sem inspiração, com mais vontade de pensar do que de escrever. São pensamentos bestas sobre minha mãe achar que eu estou fumando muito. A vida, a existência é fantástica como a enxergo nesse momento, parece mágica, incrivelmente complexa, o universo em que estou inserido do quarto-ilha com seus bonecos é um fantástico cenário. Meu quarto vai ser um fantástico cenário que muito me agradará admirar e ocupar. Sabe o que eu queria? Estar perfeitamente aclimatado com este teclado, pois as letras já estão apagando e eu ainda não as decorei com perfeição. Mas gosto do teclado, pois é bom de dar porrada, teclo com força e certa violência, é mais prazeroso assim. 18h27. Como foram longos esses minutos. Às vezes o tempo se dilata inesperadamente. A percepção do tempo, digo. A espera do momento de fumar, dada a vontade que tenho, faz com que se alooonguem... 18h29. Falta pouco para saciar tal vontade. Deu.

18h36. Enquanto fumava na escada, lembrei da atleta da escada, uma vizinha a quem convidei para um papo, sugerindo interesses afetivos, e me respondeu não convir porque tinha noivo. E, pensando nela, pensei numa ficção. FICÇÃO: estava agora fumando na escada e a atleta da escada apareceu praticando o seu treinamento vespertino de descer e subir degraus. Ao passar por mim parou para me cumprimentar. Eu não tive dúvida e sugeri: “e se a gente se beijasse agora inesperadamente, sem pensar? Seria o nosso segredo e sua oportunidade de experimentar outra boca. Vem cá”. E nos beijamos apaixonada e vorazmente. Ao nos descolarmos eu digo: “filmei tudinho no celular e vou mandar para o seu noivo”. Ela empalidece. Eu digo: mentira, mulher, nem celular tenho aqui”. FIM. Já estou com vontade de fumar outro cigarro, mas só de 19h. Nossa que vontade de fumar. Olhei que alguém me deu like no Badoo, mas, para ver esse like ou eu dou like para aquela pessoa, que não dá para saber quem é, seria obra do acaso-destino, ou assino o Badoo premium. Me contentarei se alguma para quem eu dei crush der chat para mim. É o que me interessa em verdade. Toquei numa parte do meu corpo que me deu desconforto mental, que onda. Não aguento, vou fumar. 18h53. Passou. Vou quando a música acabar. Fantástica, por sinal, New World, de Björk, do filme Dançando no Escuro, de Lars Von Trier pelo qual a cantora islandesa, protagonista, ganhou a palma de ouro de Cannes. O filme mais triste que eu já vi, de longe. Em uma linha o filme trata da incompreensão, pela sociedade, de uma pessoa com caráter perfeito. Vou fumar, enquanto entra Army Of Me, que foi trilha de um filme que de que gosto muito, Sucker Punch. Acho que até o assistiria agora.

19h07. Mudei de ideia, escrever é mais interessante e não sei onde o filme está salvo. Tenho o Dancer In The Dark em Blu-ray. Achei na Alemanha com legendas em alemão. Mas comprei, tenho que o assistir também em algum momento. Agora quero agradecer à existência por me permitir fumar e extrair o prazer que extraio disso. Acho “existência” uma palavra tão bela e tão carregada de complexidade. A miraculosa dança dos átomos que origina coisas como eu, como Björk, como a porra do anjo do Tinder, como esse evento incomensurável que é o agora no universo. É realmente uma das palavras mais preciosas do meu vocabulário e uma fartamente utilizada porque a amo. Ela me possibilita, me permite, me cede parte de si para que eu seja. Não há palavra outra que não gratidão. E amor profundo. Meu humor mudou completamente, volto a estar encantado com a vida, o beijo fez diferença. Nossa, quero fumar outro tomando uma Coca-Cola. Acho que um dia ainda crio coragem para experimentar o meu esperma. Tenho essa curiosidade sobre o seu sabor. Quem o sabia bem era a minha segunda namorada.

19h23. Puxa, deve ser uma sensação estranha, se é que Bolsonaro teve essa consciência, que todos os brasileiros passaram quinze dias pensando nele, mesmos os que votavam em Haddad. Parte com devoção cega e parte com medo ou raiva, mas todos pensando em uma só pessoa. Milhões e milhões de pessoas com você na cabeça. É muito doido. Foi um momento muito doido da democracia e pode continuar sendo. Ou não. É uma incógnita. O grande mistério nacional. As expectativas são quase irreais de ambos os lados, gente esperando um golpe militar, uns com anseio, uns com medo. É muito doido. Eu espero tudo com muita curiosidade, estou praticamente blindado da sociedade encastelado no meu quarto-ilha. Mas quando sair com o meu primo-irmão na noite não acho improvável ver, ao menos uma vez, um bêbado puxando a arma para outro. Mas isso por ora é ficção. O Brasil vai ter o que merece, o que pediu, o que demandou com o voto. A vontade do povo se fez. Estupradores serão castrados quimicamente. Entendo a ideia “preventiva”, mas acho desumano demais. O ato do estupro é desumano também (para os dias de hoje, afinal na época da escravidão era praxe brancos estuprarem negrxs e índixs, ou assim tenho para mim, pois até a tortura era permitida e o assassinato). Acho um passo atrás no nosso padrão civilizatório, mas talvez faça o estuprador pensar duas vezes antes de fazer uma vítima. Não sei. Penso nos possíveis inocentes que poderiam ser punidos injustamente. As feministas devem defender tal medida. FICÇÃO: casal briga e se separa. Mulher vingativa, lacera a vagina e o ânus com algo e se agride. Diz que estava sendo estuprada pelo ex-marido, por isso se separou. O cara é condenado, preso, violado e agredido e torturado por todos os outros presos e pela polícia, pois estuprador é repudiado até por marginais, depois é castrado quimicamente. E tudo o que pode fazer é chorar e gritar sua inocência, sem efeito. FIM. Vou fumar. Estou fumando muito hoje. Espero que traga boas ideias.

19h57. Vi parte de uma entrevista de Bolsonaro para o Jornal Nacional, meu padrasto torce para que Moro vá para o STF. Fumando só me veio a garota do último vídeo pornô que eu vi, linda, mignon, namoraria com ela, não parecia vulgar como uma atriz pornô geralmente me parece e, no entanto, foi a forma que escolheu de levar a vida. Ou de levar na vida. Desculpe a piada infame. Estou meio sem ideias. Acho que vou navegar um pouco. Li um texto que parecia sobre alguém com aversão à penetração. Perguntei se podia publicar aqui dando a autoria. Nossa, agora que percebi, estou na quinta página! Me descontrolei. Vou seguir, o blog é meu. Ela permitiu. Vou postar.

“Eles não.

Para tudo se tem uma primeira vez, e nem sempre são boas. Talvez nem as segundas, ou terceiras vezes são. Talvez nunca passem a ser. A culpa não foi sua. Foi minha por não saber dizer não. Se despiu, me invadiu. Fiquei sem reação. Não, eu não disse não. Ninguém viu, nem ouviu. Me senti nada, fiquei sem nada. Para ele não foi nada. E por que ninguém disse nada? Não foi a primeira, nem a segunda, nem vai ser a última. Não foi bom, nem vai ser. Me senti pó. E por isso, hoje, prefiro ficar só. Eles não, dessa vez não.”

Texto: Júlia Comelato, 30.10.18.

Já que tenho o texto, vou encerrar por aqui, revisar e postar porque a autora quer o link. Foi um post repleto de sexo. Curioso. Imagino que reação ela vai ter a respeito da minha colocação. O nome do post será “ELES NÃO” em homenagem a escritora iniciante. E usarei a imagem que ela usou para ilustrar. Curioso. A existência, a existência... cheia de inesperados.

BEBI



18h43. Ontem tomei um porre e foi muito bom, precisava extravasar toda a tensão política que havia em mim e o que emergiu foi amor, um amor puro, concentrado e irrestrito. A Vila Edna é o meu santuário. Uma amiga definiu ainda melhor, uma palavra ainda mais significativa, mas que agora me escapa. Lembro que achei a colocação dela bonita. Achei todas as pessoas muito lindas – e são pessoas magníficas – que me pareceram mais belas pela embriaguez. Conversei, expus sem me expor ao ridículo.

19h54. Tive acesso a informações de diferentes segmentos. Vi o discurso de Bolsonaro, me impressionou o grau de religiosidade do discurso e deixou muita coisa no ar. Vamos ver no que vai dar. Vi também um rumor de que uma nova versão do Switch seria lançada. Do resto, não me lembro.

20h37. Estava conversando com o meu amigo de Lisboa. Ele fez severas críticas ao comportamento do meu amigo da piscina que, desde que achou que eu mandei um vírus para ele, nunca mais falou comigo. Mamãe veio ter uma “conversa” comigo porque leu o post anterior a esse. Veio com fúria, autoritarismo, ameaças e xingamentos, pobre codependente autoritária que é. Tentarei relevar. É apenas uma pessoa tentando viver da melhor forma que sabe e que viu seu status quo ameaçado porque tomei um porre ontem. Não sei por que lê isso, se o que sou a desagrada. Foda-se, continuarei levando a minha vida da forma que me apraz, estou de consciência tranquila e cada vez mais sei dos meus passos. Cada vez menos coisas são em vão, me apego aquelas que tem mais significado e significância para mim. Fui a Ju hoje e falar da forma como ela me trata e me enxerga é um alívio. É como um unguento para os insultos à minha individualidade e minha liberdade que ouvi. Foda-se. Não pensei que o lema do meu amigo de Lisboa calaria tão profundamente em mim e encontraria eco no meu sentir. É a mãe que eu tenho, que não se trata e que me vê como uma criança. Há o lado bom e o lado ruim disso e se ela é codependente é porque de alguma forma alimento isso. Estamos debatendo, eu e Ju, como me tornar mais independente, romper essas correntes umbilicais que me prendem à minha mãe e eu me exercer com maior liberdade no mundo. Uma liberdade que vá para além dessa tela, desse quarto, uma liberdade que desaprendi a achar necessária e da qual não sinto falta. Talvez essa falta de necessidade de liberdade seja o que me impeça de ver benesses em cortar esses laços.

21h36. Conversei mais um pouco com o meu amigo de Lisboa. Ele está passando por uma fase difícil, mas tem planos para superá-la. Imagino que a solidão seja imensa. Odeio solidão. Nunca me dei bem com ela. Com esse estar sozinho no mundo. Se bem que faz tanto tempo que não experimento e o eu que experimentou a solidão era completamente outro em circunstâncias completamente diversas e adversas que não sei como encararia a solidão de fato hoje. Dificilmente a liberdade me levaria novamente à cola. Pois é a solidão implica, na minha cabeça, inevitavelmente em liberdade e responsabilidade. Não me dou muito bem com responsabilidade, sou meio alérgico ao bicho que faço da responsabilidade, assumo apenas aquelas que me são inevitáveis. Assumo a responsabilidade pelos meus atos. Há coisas que quero fazer, mas esperarei. Tudo a seu tempo. A paciência é uma virtude cada vez mais rara nos dias de hoje onde o imediatismo impera, são tempos impacientes, urgentes. Me veio novamente o discurso de Bolsonaro, ele salientou diversas vezes a democracia. Isso foi bom. Vamos ver na prática. Não estou com muito saco para escrever agora, o tédio que há muito não me apoquentava resolveu me tomar quando revi rapidamente as alternativas que tinha. A que mais me agradou foi fumar um cigarro. É o que farei.

22h01. Minha mãe foi até a escada onde eu fumava para dizer que estava “muito triste comigo, muito triste...”. Eu disse que era recíproco, o que não é bem verdade, estou com raiva e impressionado com como um texto pode ser interpretado de várias maneiras diferentes. Não sei o que acrescentar. Sei que a raiva vai passar (da minha parte) e que essa energia ruim que esse sentimento me traz ira evanescer. Acho um sentimento nocivo. Entendo toda a sua função evolutiva e da necessidade dele para certas mudanças, até mudanças que visem o equilíbrio entre poderes, embora seja usado mais para sobrepujar, mas não gosto de carregar raiva ou medos desnecessários. Vou ligar o ar e tentar me reconectar ao momento. Acho que vou botar um Cure para rolar. Cai bem. E vou fumar outro. Só para relaxar e me desligar dessa vibe negativa disparada pela minha mãe dessa. Eu a amo, mas às vezes ela consegue ser... sei lá. Muito, muito inconveniente e chata. Consegue quebrar completamente a minha paz de espírito.

22h24. Where The Birds Always Sing, do Cure tem a letra bem interessante, fico bem impressionado com a minha capacidade de compreendê-la. Acabou. Não quero me apegar às músicas e essa que passa não me apetece muito, não sei nem se conheço. Acho que não. Não posso dizer no que estava pensando, é meu demais para esse blog. Preciso de alguma privacidade, né? Todos querem ter um lado privado que não repartem por vergonha do julgamento social. Algo íntimo demais, talvez. Eu não tive esse tipo de medida no Diário do Manicômio e aprendi com isso. Nossa, nem acredito que o casal da Vila Edna vai lê-lo. Me deu uma sensação muito ruim em relação a isso agora, nossa. Um medo e uma vontade de impedir e não ser capaz muito forte. Eu não preciso dessa exposição, não faz mais sentido para mim. Bom é a vida e segue. O acaso-destino com a minha ajuda deu nisso. É assumir responsabilidades e pelos atos e arcar com as consequências. Mas não iria deduzir que falar que tinha feito um livro impublicável despertaria nele a curiosidade de lê-lo. Leeloo. Vou fumar enquanto uma das músicas que mais ouvi na vida passa, “Pictures Of You”.

22h45. Nossa, ser sincero às vezes dói.

[21:26, 10/29/2018] Mário Barros: Cleto, infelizmente não poderei ir amanhã. Grato pela compreensão. Boa semana pra ti.
[22:17, 10/29/2018] Cleto Campos: Vamos remarcar?
[22:45, 10/29/2018] Mário Barros: Honestamente, Cleto, eu desisti. Me perdoe. Desejo toda sorte do mundo pra você, você é uma pessoa superpositiva. Foi um prazer.

23h04. Pronto. E dei um crush em uma vendedora que gosta de beber. Fiquei imaginando os desdobramentos disso. O choque de realidades, inevitável. A chamaria para o Relaxe o Bigode aqui do outro lado da rua. Pagaria a conta, mamãe me daria o cartão. E aí, se rolasse, haveria três alternativas, combinarmos de marcar um segundo encontro. Ou a gente ir beber na piscina do meu prédio até mamãe ir dormir para a gente poder subir. Ou a gente ia para um motel com o cartão, eu poderia fazer isso e acho que mamãe preferiria. Mas isso só aconteceria se o clima esquentasse no bar. Ela só tem 21, mas pela foto aparenta ter mais. Não é nenhuma beldade, não sei porque eu dei o crush acho que achei o cabelo e o corpo dela bonitos. E a idade suposta. Acho que mais do que por ser o auge da beleza da mulher e me intimidar menos, é pela impossibilidade que dou esses likes. Insinuar desejo para alguém que não me achará desejável pela idade.

23h35. Estava me alimentando. Acho menos bestial do que dizer “comendo”. Me ocorreu uma ficção, ei-la: com o armamento da população por Bolsonaro, cidadãos ultraconservadores formam grupos de extermínio, intitulam-se “Faxineiros do Capitão” e, encapuzados e motorizados com veículos de placa fria, saem matando por aí bandido, traficante, mendigo, usuário e daí para gays e prostitutas é um pulo. FIM. Ah, certos grupos seriam formados por policiais ou com policiais como membros. FIM MESMO.

23h41. “To Wish Impossible Things” uma das minhas prediletas do Cure. “Catch” outra que é fofa, muito doce. Pulei para outra que gosto muito: “The Loudest Sound”. Acho que daqui a pouco vou me retirar. Essa frase me deu um alívio, acho que estou precisando dormir, o sono de ontem não me recuperou. Comer, fumar e dormir.

0h14. Vou acabar o copo de Coca para me deitar. Espero que durma. Acho que vou. A vida é tão interessante, até para mim que uso o meu tempo quase todo diante desse computador.

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11h39. Tico e Teco ainda estão se reativando. Nada demais aconteceu, minha mãe acordou carinhosa e me preparou um leite. Estou com sono e uma leve dor de cabeça, nada demais, resistirei aos dois. Não sei o que fazer do meu dia pois não encontro palavras em mim. Lembro de Portugal porque a Portuguesinha me respondeu o comentário do Instagram. Mas não queria estar lá agora no momento, estou bem aqui no centro do meu mundo, o melhor lugar para se estar. Estou achando que vou dormir mais um pouco. Vou tentar um cigarro com Coca antes.

11h59. Estou um pouco mais desperto, mas continuo sem ânimo para atravessar esse dia. Vou dar uma olhada na internet.

12h10. Nada de interessante. Lembrei de uma coisa que não me cabe contar aqui, pois não me diz respeito, mas que me deixou triste. Um possível rompimento de um casal que tinha tudo para dar certo. Não gosto de rompimentos. Extrapolei as possibilidades e pensei no que se daria se eu me tornasse o companheiro da figura, visto que já fui apaixonado por ela. O Hulk fica incrível sob a luz do meio-dia. Acho que não daria certo, não sou homem suficiente para ela. É preciso ter uma boa dose de raça e paciência para enfrentar tal relação, é uma pessoa de personalidade forte e exigente, portanto demandante. Não sei se teria essa disponibilidade ou as habilidades necessárias para suprir tais demandas. Nem sou mais apaixonado por ela. O que é primordial. Se fosse, talvez ainda valesse o esforço. Ainda bem que não estou mais. Aliás, quando qualquer possibilidade de romance se aproxima da realidade, logo me retraio e rejeito. Medo, medo de dar certo, de dar o próximo passo, justamente o passo na direção que mais me interessa, do fim da solidão. Faz tanto tempo que estou imerso nela que desaprendi o que é estar com alguém e o prospecto de estar com alguém me assusta. Não sei como curar isso.

13h10. O Facebook ainda está na ressaca das eleições. Eu? Estou curioso com o futuro. Muito curioso. Minhas expectativas são todas negativas (ou quase todas), mas creio que será educativo para o brasileiro. Nossa, ainda estou com sono. Que diabos... Acabou a terceira página.  

domingo, 28 de outubro de 2018

BEBEDEIRA?

18h49. Nada me é mais aprazível que uma folha de Word em branco. Penso que ela guarda todas as possibilidades do universo, mas sei que em verdade, quando a tomo, ela se limita somente ao que há em mim e ao que estou disposto a oferecer. Mesmo assim, constrita dessa forma, me agrada muito. Estou ouvindo In Utero, do Nirvana. É um disco que gosto bastante, é meio desgovernado, desesperado, sombrio. Estava dando uma navegada na internet. Vou fumar e pegar Coca.

19h16. Mamãe me comunicou que vai deixar a fantástica faxineira em casa e que irei acompanhá-la. Saíram duas pesquisas, uma indicando empate entre os presidenciáveis e outra com larga vantagem para Bolsonaro. Acredito mais na segunda, não acho que tenha jeito.

21h16. Finalmente, depois de pegar os filhos e deixar a fantástica faxineira em casa, passar no Bompreço para comprar Cocas e uns poucos outros pertences e minha mãe botar alguns vídeos de Sandy para eu ver, sento aqui culpado. Ela queria que eu a fizesse mais companhia. Mas faz tanto tempo que não escrevo, escrevi pouco hoje por causa da faxina. Estou ouvindo Sandy e pensando no Azure Dragon. Foi só falar e o anjo do Tinder me surgiu na cabeça porque lembrei das eleições e que lhe disse que voltaria a me comunicar após tal evento, ou seja, amanhã. Penso em beber bebidas alcoólicas amanhã. Tomar um porre. Extravasar toda a tensão desse período conturbado da história nacional. Não sei se faça isso mesmo, mas é uma ideia que vem ganhando força ao longo dos dias. Não terei dinheiro, nem sei onde vende crack por aqui, não acredito que buscaria a droga, que é a razão pela qual parei de beber. Se me bater fissura, é realmente um sinal de que não devo beber.  

21h32. Não sei o que fui fazer além de fumar outro cigarro, mas a ideia de beber amanhã pulsa em mim. Veremos. Como já chegarei em casa bêbado, mamãe não poderá fazer nada a não ser encarar os fatos. Talvez vá querer me proibir de ir à Vila Edna, alguma maneira de me punir há de inventar. Mas um porre na vida não vai me matar. Porra, é a minha vida e só vou passar por ela uma vez! Nada vai acontecer comigo além da possível e provável ressaca. E da retaliação da minha mãe. Vale a pena. Eu acho. Nem lembro mais como é estar embriagado. Mas não quero mais falar disso. Talvez nem o faça. Comentei com o meu primo-irmão e ele questionou se eu estou podendo beber. Escrevi mais ou menos o que disse aqui.

22h24. Fiz uma coisa que não fazia há semanas: fechei o Chrome. Confesso que me sinto meio órfão. Vamos ver quanto tempo resistirei. É um hábito já bastante consolidado, alternar entre as palavras e a internet. Ainda mais com o Tinder acessível pelo navegador. Peguei o tique de olhar de tempos em tempos se surge alguém. Ainda estou decepcionado com o fato de não ter conseguido a atenção da balconista. Não há nada que eu possa fazer. É seguir dando os meus superlikes e confesso que estou cada vez menos exigente em relação às garotas que o merecem, mesmo assim os que dei não resultaram em nenhum match. Peguei no mouse para olhar o Tinder motivado pela frase anterior, mas me lembrei que havia fechado o Chrome. Não sei porque me privo. Acho que vou fazer uma limpeza do HD. Momento.

22h55. Em vez de abrir o aplicativo de limpeza de disco eu, sem pensar, reabri o Chrome e, uma vez aberto, não resisti e fui navegar. Tem jeito não. Botei para baixar o filme que mamãe queria ver, sugestão da fantástica faxineira, e Ant-Man and Wasp.

23h05. Fui fumar um cigarro. Estou ansioso por amanhã. Acho que mais pela possibilidade de beber. É bom trelar, quebrar barreiras, embora não esteja certo de que realmente farei isso. Escrevendo a frase anterior me desanimei. Não sei, não sei. Não quero ir muito tarde para lá, mas também ignoro que horas vou acordar. Ter fechado o Chrome, mesmo que o tenha reaberto, parece que deixou o computador mais rápido, curioso. Vou pedir ao pai da Vila Edna que guarde o conteúdo do livro só para si. E, se preferir, nem leia. Não sei. Estou cheio de dúvidas hoje. Coloquei o novo disco do U2 para ouvir, ele tem um significado especial na minha vida. Significa liberdade, em particular da cola e do manicômio. Indo além, a liberdade que experimento na minha vida, limitada como é. Minha liberdade é de um tipo diferente, pouco correlato com a liberdade de ir e vir, que é identificada, creio, como a liberdade mais primordial. Eu raramente saio do meu quarto e, quando saio, não tardo a sentir falta de estar nele. O meu isolamento eu julgo já ser algo meio patológico. Tal isolamento acho que é reflexo da condição – e decorrente condicionamento – experimentada no período que passei praticamente em prisão domiciliar quando morava com meu pai. Foi a medida encontrada por ele para me impedir de usar cola. Não guardo ressentimentos de sua decisão, morando em Boa Viagem, longe da minha turma, não havia muitos lugares para onde quisesse ir. Sofro também privação financeira, por mais que receba pensão, só posso utilizar dinheiro quando outorgado pela minha mãe. Isso também não me incomoda (muito), não fora pelas bonecas e pelos cigarros. Nossa, queria muito que mamãe passasse a me dar uma carteira por dia. Acho que vou pedir isso de Natal a ela. Por falar nisso, preciso ir ao banco desbloquear o meu celular para poder efetuar saques da poupança. Não agora no final do mês, mas no começo do mês que vem. Vou fumar. Não sei. Talvez acabe tentando ir na terça, visto que segunda tenho Ju.

0h18. Já é dia da eleição. Daqui a 7h41 minutos, começará. Tomei os meus remédios, me despedi de mamãe e agora tenho a noite só para mim. Meu amigo cineasta me mandou uma música de Caetano para ouvir: Amanhã. Ouvirei agora. Momento.

0h48. Era uma música linda e positiva de Guilherme Arantes, interpretada por Caê. Resolvi botar o disco todo para ouvir. Saudade danada me bateu do meu amigo cineasta. Amo-o muito. Me dei conta do imenso após ouvir a música. Dei um crush para uma garota muito interessante do Badoo. Pois, é estou apelando para dois aplicativos de paquera. Tentando o que não me invade. Já dei superlikes e crushes para várias garotas e nada. Aliás, houve o anjo do Tinder e a garota do Instagram, mas não sei se são/eram perfis reais. Estou com saudade do meu anjo, apesar da insegurança em relação à sua identidade. Findada a apuração ou confirmada a vitória, mandarei mensagem para ela. Talvez ébrio, talvez não. A vontade que tenho tenho que calar dentro de mim. O tempo virá, é só ter paciência. Acho que vou comer.

1h36. Devidamente alimentado. Foi um jantar digno, gostei. Primeira coisa que me veio? O anjo. Não que haja esperança em algo que não sei nem da veracidade. Gostaria que a garota que curti no Badoo me desse bola, é bastante interessante e possui um piercing argola no nariz como o anjo e é loira como o anjo e é apetitosa como o anjo. E fuma, o que, para mim, é um plus. Bom, dei várias curtidas, pode ser que alguma vingue apesar da minha idade e do meu bucho.

1h48. Acho que vou me retirar dentro em breve...

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13h28. Acordei há algum tempo. Recebi um match no Badoo, mas estou sem coragem de começar uma interação, acho que porque não é alguém que me encante de verdade. Dentro em breve me arrumarei para ir à Vila Edna, mas confesso que não estou muito disposto para birita hoje, agora. Botei meu celular para carregar mesmo não tendo descarregado, pois quero ter bateria para mandar a mensagem para o anjo do Tinder quando o resultado da eleição se der. Sei que é contraditório querer falar com alguém que talvez seja fake e que não me dá a mínima e não querer falar com uma garota que revelou um interesse sincero pela minha pessoa. Façamos o seguinte: quando o meu celular carregar, eu vou me aprontar para ir à Vila Edna. Uma vez lá, inicio o papo com a garota que me deu o match no Badoo.

14h22. Acho que vou para a Vila Edna às 16h. Um bom horário eu creio. Nem muito cedo, nem muito tarde, bem, talvez só um pouquinho tarde. Em verdade, acho adequado. Sobre beber lá, confesso que não me decidi. Acho que só chegando lá. A antecipação já me causa desconforto, as vésperas sempre me dão vontade de desistir, sei bem como sou. Coloquei uma Coca para gelar no congelador para levar para a Vila. Estou com mil pensamentos na cabeça como formigas de asa em volta da luz em dia de chuva. Vontade de fumar tomando uma Coca bem gelada. Resistirei um pouco mais. Confesso que estou puto com um amigo de infância meu que mora no Canadá e defende Bolsonaro. Mas não deixarei o antagonismo político macular a nossa relação. Essa raiva passará. Vou fumar, não há por que esperar. A vida é muito curta para ser desperdiçada com esperas sem sentido. Isso deveria se aplicar ao anjo, mas em relação a ela guardo uma terna esperança.

14h53. Não estou muito inspirado para a escrita. Estou curioso para escrever embriagado, se isso se der. Minha mãe vai pirar na batatinha. Vai dar um escândalo. Ameaçar, internação inclusive, sei tudo o que me espera. Não acho que seja um ato irresponsável. Estou plenamente consciente. Não quero me prejudicar. Não acho que vá me bater fissura de crack embora não tenha certeza disso. Descobrirei. Ou não. Não decidi sobre a bebedeira, mas como é um pensamento dominante, acho que levarei o meu projeto a cabo. Não sei também se haverá resistência por parte dos habitantes da Vila Edna à minha ideia. Creio que não, mas nunca se sabe.

15h07. Creio que ébrio eu não conseguirei resistir ao impulso, visto que o id vai estar sem rédeas, e não encomendar uma das duas últimas estátuas que quero. A Harley Quinn. Espero que me controle. Pretendo beber seis long necks. Mas sei que quando começo é difícil parar. Esse é um dia sui generis em muitos aspectos. Confesso que estou com um pouco de medo de beber e ser inapropriado. Pedirei que me sinalizem se eu agir dessa forma. E que me coajam a manter as estribeiras. Vixe, que fixação chata. Ainda bem que já estou na terceira página e que daqui a pouco em vez de projetar o futuro, estarei efetivamente vivendo esse futuro que projeto. O Brasil, meu amado Brasil, fazendo uma escolha odiosa. E eu entendo, o povo cansou do PT, o povo é conservador e violento. Se vão haver casualidades na guerra contra o tráfico, isso não incomoda o eleitor porque eles creem que não será com eles. Ansiosos por “segurança”, anseiam por armas. Sei bem que tipos vão querer ter armas em casa. São os piores tipos. Vou fumar.


15h26. Está quase na hora de me aprontar. Está quase no final da terceira página. Quando ela acabar, vou me preparar. Colocarei o meu melhor perfume, colarei o adesivo de Haddad e vou para o ninho de resistência e de amor que é a Vila Edna. Me dói um pouco deixar a minha mãe sozinha, mas ela concordou. Ademais tem que preparar aula e prova. Não teria tempo para companhia, companhia essa que poderia estar oferendo agora, em vez de estar aqui a escrever e não ofereço. Então é hipocrisia da minha parte o que acabo de falar. Ainda acho que Bolsonaro, na coletiva que dará após a apuração dos votos dirá algo como “petralhada, agora vocês vão ter que me engolir!”. Bom, acabou a terceira página. Vou revisar, postar, tomar banho e ir.