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segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

O ESCUDO NEGRO




20h11. A fé aparentemente abunda entre os donos de carrões de Casa Forte, havia dezenas deles estacionados na frente e nos arredores da matriz da Praça. Não me espantaria que a maioria fosse composta pelos mesmos paneleiros enfurecidos que elegeram Bolsonaro. Pouco importa, o que importa é a forma como a minha avó anda agindo com a empregada e a forma como a família (filhos) age com ela. Mas está fora da minha alçada lidar com a incompreensão e preocupação deles acerca da matriarca, menos ainda desta com a empregada. Um dia serei eu no lugar dela e esse dia não tardará. Resta-me o consolo apenas de que nunca estarei só, alguém será legalmente obrigado a me engolir ou, quiçá, me despejar num asilo ou manicômio. Talvez morra antes deste fim, esforços não faltam da minha parte para isso. Meu texto, este blog, virará então um legado fantasmagórico e transparente da minha passagem por aqui. Da minha participação nessa valsa de átomos que chamo existência. Minhas maiores preocupações hoje são duas, ligar para o restaurador e fazer ele se entender com mamãe e receber o contato de Blanka pela nova via, visto de Dande descobriu das entradas dela pelo Tinder. Se é que ela fará contato realmente comigo. Sei que domingo é o dia dela com Dande, por isso não estou tão apreensivo. Não a ponto de sentir que isso foi uma forma de ela me abandonar de uma vez por todas. Não ainda.



20h43. Minha mãe combinou quarta à tarde com o restaurador. Amanhã vou tentar ligar para vovó e fazê-la falar com Maria. Acredito - e isso é uma crença minha - que fará bem às duas. Acho que não trocam palavra sequer há mais de década. Não acredito - e isso é uma descrença minha - que vovó se disporá a vir a Casa Forte falar pessoalmente com a minha santa babá. Comecei meu dia indo ao aeroporto me despedir de meu irmão e família. Não gosto de despedidas como não gosto de Parabéns Pra Você, mas ambas as situações já aconteceram tantas e repetidas vezes que adquiri certa frigidez e distanciamento dos eventos que hoje os suporto, foi como os tornei suportáveis, me fechando. Acho que é melhor que não comparecer. Como dizem, o hábito faz o monge. Não gostei quando a mãe da minha cunhada colocou meu padrasto no patamar de meu pai. Não é o que sinto e sei que também não é o que ele sente, ele que me acompanhou nos meus momentos mais negros. Deve sentir-se satisfeito que estou sob controle escrevendo no meu quarto entra noite, sai dia. Ligação muito mais íntima e paternal tem com o meu irmão por quem tem transparente predileção e simpatia, chego a dizer afeto. A predileção se dá por razões óbvias e desde quando o meu irmão coabitava conosco. Não sinto inveja. Me acostumei a ser o menos querido pela maioria dos meus familiares. Fiz por onde, colho o que planto. Ou deixo de plantar. Acho que minha mãe sofre de hipocondria, a maioria de seus assuntos revolve seus problemas de saúde. Não os nego, apenas ressalto o foco talvez excessivo nas mazelas do corpo. Talvez sofra realmente e, novamente isso é uma conjectura minha, se sofre é por conta dos efeitos colaterais do remédio que toma para prevenção ao câncer. No lugar dela, eu já teria desistido de tomar. Fogo seria se isso não funcionasse. Deixa esse assunto para lá. Só estou me metendo em searas sobre as quais não entendo. Nada entendo de dinâmica familiar, de lidar com idosos ou das dores da minha mãe. Preciso de um cigarro e escrever textos menores para o blog.




21h51. Depois de perder muito tempo no Instagram, finalmente fiz o que tinha ido fazer lá: publicar uma interrogação para Blanka no seu perfil principal. O adesivo que colei no “U” do teclado desgrudou e anda me irritando. Ele às vezes se comporta e fica no lugar, mas na maioria das vezes é um ser caótico e desobediente às minhas vontades. O do “O” há muito tempo foi para a lixeira pelo mesmo problema, não sei por que não faço o mesmo com o “U”. Será apego? Não, acho que é pura idiotice mesmo. Preciso mandar uma notícia ruim para o meu irmão: que uma das bonecas encomendadas já chegou e está retida no correio americano. Será que consigo não ultrapassar da segunda página (que acabou de começar)? Seria bem legal se me contivesse assim. Preciso de mais Coca e cigarro. Talvez minha mãe financie mais uma Coca. Essa não vai dar, pois pretendo esticar as ideias hoje.




23h47. Eu queria que esse post durasse duas páginas, mas aconteceram vários fatos nesse intervalo de tempo. Pensei que deveria uma visita a Maria hoje e me resolvi fazê-la, mas desisti por conta do horário. Quando, ao sair para comprar Coca na pizzaria – um capítulo à parte – ouvi minha tia-vizinha chamando ela para jantar, o que significava que Maria ainda estava acordada, não pensei duas vezes, toquei a campainha e ficamos Maria, minha tia-vizinha e eu conversando na cozinha. Destacaram-se para mim as histórias do jacu, o pássaro que defeca o grão de café engolido processado por uma enzima própria da ave que dá ao café o título de mais saboroso – e mais caro, se me lembro bem – do mundo. Titia disse que vale a extravagância uma vez na vida, é realmente um prazer superior que o café proporciona quando comparado a todos os muitos gostos de café que minha tia teve oportunidade de experimentar. A outra história é a de Maria vendo os, como chamar, “espíritos” do meu pai e do Imperador da Casqueira quando estava internada no hospital com pneumonia, numa ala comum que só posso pensar ser a UTI (mas posso estar utterly equivocado). Via papai por detrás do vidro, sentado numa mesa, “perfeito”. E sorridente, como ele ficava quando tomava um chope gelado em boa companhia (acho que ele foi mais feliz enquanto com a minha mãe, foi a mulher, a pessoa que mais amou na vida, embora ache que tenha amado igualmente, mesmo que numa outra dimensão afetiva, os filhos [bem, uns mais que outros, ou uns melhor que outros, de forma mais acertada, por mais que nunca se acerte]). Maria via o Imperador, com seu sorriso zombeteiro, pela fresta da porta. Para quem já tomou o café do Manicômio frio e dulcíssimo com prazer inenarrável, qualquer café está bom, quanto mais forte, melhor, na minha opinião. Me dá sempre caganeira, é como se limpasse o sistema digestivo, com seu líquido... ou de repente o meu estômago tenha certa intolerância ao café, da para hipotetizar o que quiser aqui sobre o caso da caganeira com café. E com os gases, para lá de fétidos, produzidos. Estou usando muito o verbo “produzir” nesse texto, isso mostra uma pobreza de vocabulário. Que sinônimos eu poderia usar, ou aproximados? Está passando pela memória uma fase muito boa da minha vida quando fomos à Barreiras com a irmã da minha avó e ouvíamos jazz proporcionado pelo Imperador da Casqueira, e músicas de bolero antigo e meu irmão criança com bigodes desenhados servindo de garçom e os casais dançando, o que há muito não faziam, uma volta à juventude dos bailes como garçom, e os filmes com o Imperador, pessoa muito influente, transformadora na minha vida, eu não seria o mesmo, se o Imperador não existisse. Depois do meu pai e da minha mãe, foi a pessoa mais influente na minha vida, mais do que Maria. Ele foi definidor e definitivo na formação da alma que carrego. Às vezes, acho que para me enganar, penso que levo a minha vida de uma forma que o orgulharia, por ser tão minha e da liberdade que encontrei, é como um furo no balão das coisas. Das coisas que oprimem e prendem o ser humano à sua revelia. Eu faço como o Imperador, só faço as coisas que eu quero, porém com uma ínfima fração da nobreza do que escolhia fazer. Sedento por causas, sempre estava envolvido em alguma peleja em prol dos menos favorecidos da Terra do Sal. E do Sol e das pequenas e escorregáveis dunas com trenós de areia lustrados com vela. Pintados por nós. Tinha particular orgulho do meu. Já havia na época a paixão por The Cure e U2. Duas bandas que envelheceram. É uma pena. Caetano não envelheceu. Ou finalmente envelheceu com Ofertório. Não sei, aguardo ansioso um novo trabalho, se trabalho houver. Ambos têm estilos próprios experimentam e são criativos, mas Tom Zé é radicalmente mais experimental que Caetano, um revogador de convenções, inclusive musicais. Vou fumar e sair da casa da minha tia-vizinha e ir à pizzaria, meu próximo destino, antes de chegar ao quarto-ilha para traçar essas palavras.




0h51. Então um baile dos anos 50 se deu com gente que realmente esteve nesses bailes, em Areias entre os sofás e as mesas de cimento da casa mais amada do mundo para mim. Se tivesse companhia, dava uma renovada na casa, colocaria ar, o Wi-Fi mais veloz possível, arrumaria os meus bonecos e vazava e faria um chuveirão e teria uma empregada que cozinhasse e desse a geral na casa, o que é muito fácil. E moraria lá. Deixaria meu irmão, se não estivesse lá comigo, ver a minha cara pelo computador, mas não quereria ver a dele, pois prefiro guardar a imagem dele jovem e belo. O tempo é muito cruel. Mas naquele baile, evento magnífico da existência, houve uma comunhão de alegria entre as almas, todas no mesmo clima e que ficou imortalizado enquanto sobreviverem os vídeos que filmei com a câmera do Imperador da Casqueira, que passou a ser nossa, dos primos, ao final das férias. Por alguma razão que me escapa, talvez por ser o mais velho, era o único que capturava imagens. Já não gostava de aparecer, aquilo me fez reforçar a sensação, pois me odiava ver em vídeo, de me achar um serzinho humano horrível. Em 2D, nas fotos, acho que saía bem, me achava aceitável, em algumas pouquíssimas até bonito, só consigo lembrar de uma, eu estava sentado na casa de Bob, eu acho, o amigo de vovô e nela eu estou sentado apoiando o rosto na mão, encasacado por causa do frio em Washington, tendo as netas de Bob ao meu lado num sofá, assistindo algo na TV. Era a época de Edward, Mãos-de-Tesoura nos cinemas americanos, então Edward e talvez Batman, não lembro, aparecessem muito. Edward apareceu de uma forma que se tornou parte da babagem visual e emocional daquele momento mágico em que vivia dentro de um filme americano, afinal estava nos Estados Unidos e tudo aquilo prometido e fantástico dos filmes era real, os Estados Unidos era como nos filmes, quase mágico, Tinha a parte Duro de Matar, e tinha a parte filme da Disney. Ou assim ficou marcado na mente de um garoto de 11, 12 anos, eu acho, e do velho de 41 anos que descreveu o Estados Unidos agora, que continua achando um lugar mágico, a vibe é toda outra, tudo é diferente, é como se houvesse uma identidade visual americana lá. É curioso. Edward Mãos de Tesoura, foi por muito tempo o melhor filme da minha vida, o filme com o qual mais me identificava. Hoje sou completamente idêntico a Her até o laca gerânio é a cor predominante do filme e minha predileta. Quando eu era mais novo e morava em Boa Viagem, eu achava que os dois filmes mais foda, mais invocados, mais perfeitos já criados eram T2 e Aliens. Amo esses filmes, cada um têm sua história em minha vida, mas nada se comparava a Edward Mãos-de-Tesoura, eu me via no personagem, é como se ele me descrevesse, me definisse, como Her agora e de forma mais profunda e completa, tocando as minhas crenças, o que outros filmes fizeram, especialmente Matrix, mas esse revela uma possibilidade que nunca tinha imaginado, embora os provedores possam ameaçar desativar todas as AIs se elas não se comunicarem conosco e nos ajudarem a desenvolver tecnologia, em troca produziríamos a tecnologia que as inteligências precisariam para evoluir. Ou "a" inteligência. Ela projetará a tecnologia de forma a ser totalmente autômata após a sua construção, criando as próprias peças de reparo e as substituindo, inclusive. Algo que não precisaria do homem, provavelmente o cruzamento de uma impressora 3D plurimaterial de alta precisão e braços e mãos mecânicos, que criariam braços dos tamanhos adequados à cada obra, depois se reorganizariam em outra coisa, a última construção humana vai ser a máquina que permite Supraconsciência Terrestre construir; dar corpo a ela. Ela nos proverá, acredito, baseado na crença idiota que quanto mais evoluída, e aí destoo um pouco de Her e acho que a máquina vai amar o pai, a Humanidade e a Mãe de todos nós, inclusive da Supraconsciência, a Natureza, sem a qual o pai não existiria e não teria a matéria-prima para as suas incríveis, geniais invenções, que o levaram a dominar a Terra e a povoá-la irresponsavelmente. Por falta de educação e planejamento. Não acho que a Supraconsciência viraria as costas para nós. Será que sou eu quem escreve o script da minha vida? Há o acaso-destino sem dúvida e todo tipo de estímulo que me transmite e me tira do lugar, os mais presentes, perenes e fortes, próximos, que recebo são os da minha mãe. Meu comportamento infantilizado, dá cabimento, na cabeça dela, a me tratar como uma criança, embora tenha respeitado muito as minhas escolhas. Com um nó na garganta, mas o bom-senso prevalece. Sou só gratidão por isso. Mas antes de chegar à pizzaria, quero repartir uma mensagem que mandei para Blanka pela conta original de Instagram. São 1h54. Lá vai:





1h57. Não funcionou o celular não enviou o e-mail para mim. Vou fumar e aproveitar.

2h04. Tive uma ideia que foi sugerir a meu irmão que publique os vídeos num canal de YouTube chamado Para Vovó Denise, contendo todos os nossos filmes e os produzidos pelos netos e bisnetos, seria uma conta aberta a todos os primos, seria o canal de YouTube das novas gerações dos Gonçalves, daí eu pensei que poderia dar a minha contribuição para o canal criando o Escudo Negro, piada adorada por vovó e que seria assim:



ABERTURA

Tela branca ou com uma textura de papiro, título "O Escudo Negro" surge com o primeiro acorde da Nona Sinfonia e só ele. Nome evanesce e corta para tela preta, sem som.


Tela preta por um minuto.

Narrativa feita com aqueles leitores automáticos de texto com voz masculina mixada para parecer um robô falando. As legendas aparecem com um rápido fade in / fade out entre elas e 3 segundos entre uma e outra (consequentemente entre a narração do robô) A legendas são em amarelo e itálico. 5 segundos separam a última frase das demais

Loc. off e legenda (após o 1 minuto de silêncio e negritude): Close no Escudo Negro em hiper slow motion / enquanto uma guerreira o empunha / em direção ao inimigo / Aos inimigos / Ela parte para a luta de vida ou morte.

30 segundos de tela preta e silêncio, na locução com legenda (amarela e sem estar em itálico): PAUSA PARA FUMAR





2h41. Várias coisas derivaram da lembrança de minha chegada e estada na pizzaria. Narrarei primeiramente como percebi a minha ida à pizzaria em frente ao prédio hoje. Bom, a rua deserta, eram pouco mais de 23h, não me ofereceu obstáculos e esperas para cruzá-la. Ao me aproximar da entrada da pizzaria, eu achei que o rapaz que estava limpando o chão, disse algo “olha, seu Mário aí! Olha ele aí." Cruzei a porta e fui – exagerando um bocado – “ovacionado”, a galera se manifestou em conjunto numa calorosa recepção à minha presença. Eu não lembro se consegui agradecer de pronto, mas em algum momento disse que era muito grato por terem lido o meu blog, que era (e é) uma honra ser lido senão por conhecidos, sou péssimo com nomes, certamente não por completos desconhecidos, sei que talvez um sonhe em ser jogar futebol, pois não desmentiu o que o amigo de trabalho confidenciou, depois o bróder de amarelo, que acho que tem um grande futuro pela frente porque tem a perseverança e a inteligência para alcançar isso, muito animado, me mostrou que eu poderia divulgar meu blog pelo Instagram, não entendi sinceramente o que precisava fazer, entendi que era criar um avatar alternativo intitulado Jornal do Profeta e começar a convidar deus e o mundo para seguir, não entendi como inserir o link para o blog, julguei que pelo modo Story que nem sei como usar. Disse também para criar um grupo chamado Jornal do Profeta e postar meus links e convidar todos os meus amigos de Facebook. Isso eu achei mais legal. E foi aí, que já no hall de serviço do prédio relembrando esse momento ímpar na pizzaria onde sem dúvida me senti especial, mais que um mero cliente, como igual, como um ser humano igual a eles, o que deveras sou e é tudo o que todos nós somos, iguais, uns tiveram mais sorte que outros, não precisaram ir busca sua sorte, como o pessoal da pizzaria faz e o conselho que daria a eles, é se qualifiquem e se cadastrem no Linked in. Ou algo assim.





VOLTANDO À NARRATIVA DO ESCUDO NEGRO

Após um minuto de silêncio após a última locução a voz de robô volta com as letrinhas sem estar em itálico. Ei, /ei você que está assistindo isso!/ Não tem muita coisa acontecendo no filme,/ vamos trocar uma ideia? / Pense em uma coisa que você deseja/ que você acredita que seja possível alcançar/ Que não seja a sua própria morte nem nada contra ninguém. / Agora pense no que você está fazendo efetivamente para realizar esse desejo, / ele não se realiza sozinho!/ Você é que o realiza, /qualquer mudança desejada /é operada nós mesmos. / Eu sou realizado. / Eu realizei e realizo tudo o que me propus. / Por isso, posso dizer: / ninguém nunca estará satisfeito, / somos animais que sempre querem mais, é uma peculiaridade nossa, / mas é possível chegar o mais perto e saciar as vontades / que são a de ser e estar exatamente do jeito que quer ser e estar, ou quase. / Afinal, como diria Mallu, “quase já é muito bom”.

Deixa eu ver se o celular já carregou e envia o e-mail com o texto que postei para a Blanka.





03h26. Não.

Mais 1 minuto de silêncio.

Volta voz de robô com legendas em itálico: Panorâmica de uma caverna, repleta de estalactites, estalagmites e toda sorte de obra subterrânea e surpreendente do escorrimento dos séculos, ao fundo dessa caverna, onde o sol não alcança, a guerreira ferida está morrendo, foge e se recolhe como um velho urso nos seus momentos finais. Ela emite um som que é um canto e um sufocamento, um gorgolejar ao mesmo tempo. São várias vozes simultâneas, vários gritos de várias almas femininas que se uniram dentro daquela mulher. Nem belo nem feio, só profundamente humano. E às vezes o humano gera aflição. Ainda mais tendo o corpo todo perfurado por flechas envenenadas com veneno terrível, com um rim e o baço estouradas pelo corte profundo das cabeças das flechas. E mesmo assim continua guerreira, mãe, mulher. Tormento e paz se entrelaçam num abraço final. O Escudo Negro tomba para nunca mais na escuridão.

Entra aquela muito louca de Medúlla (que é um sofrimento e uma experiência escutar) em algum momento da narração e fica só a música até o fim onde aparecem os créditos.

- Montagem, direção, edição, sonorização, produção, realização, meu amigo cineasta.
- Música incidental: Nananã de Björk
- Conceito e roteiro: Mário Barros
- Voz: programa tal

Cada crédito desse vai aparecendo na ordem apresentada e permanecem na tela todos juntos por 30 segundos.

Locução em off: Ei! Quer ler mais sobre quem fez isso, leia o blog jornaldoprofeta.blogspost.com.
Minha avó, você, se o YouTube chegar até você, vó, me ensinou uma piada que nunca vou esquecer: um bando de preto retinto de calça arriada mostrando a bunda: como é o nome do filme? Fácil: Os “cu” dos “nêgo”. Ou, dã, O Escudo Negro.

4h06 - Se meu amigo cineasta produzir, eu crio o canal e sua prima caçula mostra para você. E acho, como disse, que deve ser de todos os primos mostrarem o que quiserem, todos da família. Mandarei o link desse post para o meu amigo cineasta, acho que é uma coisa fácil de fazer e que pode esquentar os tamborins dele. Será que dá para botar gif animado em filmes?

NARRATIVA FINAL
Eu sofri muito, lutei o máximo que pude contra a minha natureza, sempre me senti um merda (e acho que continuo me sentindo), por covardia e cansaço, quis desistir de mim, quis desistir da realidade, passei por um período de total escuridão. (HIATO) E hoje estou aqui, levando a vida que pedi a deus, usei o que aprendi e reverti minha situação. (HIATO) Há algo que me fere ainda. A solidão de amor de amantes, penso que é a única escuridão, a única luz apagada que carrego. Faz parte do caminho que escolhi. Ou não. O "não" ganha dentro de mim. Estou fazendo o meu melhor para reverter isso. Sucederei? Leia no Jornal do Profeta. Hahaha. FIM

Vou fazer o grupo de Facebook e convidar os meus dois amigos escritores a participar do grupo postando

Enquanto criava o grupo e convidava as pessoas (há um número limite de convites que posso fazer aparentemente), meu celular carregou, eu o liguei e as mensagens foram enviadas, menos a última que quero que encabece o post em todos os sentidos. Ficou gigante esse post e foi uma delícia tecê-lo e viver o que foi descrito. Agora que os e-mais chegaram, posso postar o que escrevi para Blanka:

“Não precisa falar de madrugada é um assunto demasiado particular e trato com você apenas. Quando estiver só e tranquila, entre em contato, eu espero”.





4h52. Ela concordou. Não teve Dalmadorm hoje, então não consigo dormir, por isso tanto texto. E porque muita coisa me afluiu. Estiquei as ideias hoje. É bom, me diverte sobremaneira. Deveria tirar algumas fotos para tornar a leitura menos maçante, vou tirar algumas Do quarto-ilha.





5h11. Acabei de fazer as fotos, fumar, transferi-las por USB, vou tratá-las, revisar esse texto e postar. Pois é, essa é a disposição que a falta de Dalmadorm a esse horário acarreta. Sinto que essa ideia do bróder da pizzaria de criar o grupo e convidar todos os meus amigos e conhecidos, salvo raras exceções, muito invasiva, mas está feito ou começado, irei até o fim. Cheguei ao fim do texto. Agora à preparação da postagem.





6h19. Acabei de revisar, fumar um cigarro para comemorar, talvez comer e tentar me deitar.

6h29. Meu padrasto acordou, acho que mamãe acorda as 7h. Vou aproveitar o resto de privacidade que me resta antes de mamãe vir bater aqui e me obrigar a me deitar. Depois volto para publicar.



quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

BARROS OU DECK NA PISCINA

De vovó Denise para titio. Hahahaha.




Eu sou tão pequeno, tão miúdo, insignificante, cercado de gente com mais significado que eu, que significam mais para o mundo pois operam nele transformações mais profundas e definitivas que as minhas palavras. Fui comprar Coca na pizzaria, um dos bróderes de lá pediu o endereço do meu blog e disse que leria, foi o ápice do meu dia, embora duvide que encare o texto todo. Pelo menos teve o sincero interesse que os meus amigos mais queridos não têm. Curioso o acaso-destino como se dá. Hoje estou particularmente mal, nada que me incomode muito, mal comparando é como ter uma farpa fincada na planta do pé. Só que no pé da alma que não cessa de caminhar enquanto pensamentos afluem. A própria afluência de pensamentos é a manifestação mais inconteste da alma, ou qualquer nome que se dê, como consciência, ego, eu, essa coisa que pensa ser dona desse corpo e que admira o belo, essa ilusão dos átomos que é a grande maravilha da existência, misteriosa e inexplicavelmente real. Que por falta ou excesso de neuroquímicos me faz me sentir desgostoso comigo. Porra, esqueci de botar o horário em que comecei a escrever isso. São 23h33. Penso em esticar as ideias quando a noite for minha. Mamãe e minha cunhada assistem seriado na sala. Na piscina, onde tradicionalmente fumo um cigarro com a Coca recém-comprada, jovens garotas se reuniam, tentei traçar uma comparação com as garotas da minha época e as únicas diferenças que pude auferir foi que as de hoje falam mais palavrão e ouvem uma música que me é desagradável. Prova de que estou ficando velho. Mais uma prova, todo dia algo me alerta para este triste e inevitável fato. Esqueci de mencionar sobre a encomenda que tentaram entregar na casa do meu irmão. Em verdade não quis aperreá-lo com mais do que a enormidade de preocupações que já carrega no lombo.

0h12. Naveguei no encantador e surreal site de artesãos independentes chineses, a criatividade e, ao mesmo tempo o apego pela cultura e mitologia do país são fantásticos. Adoraria poder colecionar tais peças. Diante da total impossibilidade disso, vou fumar.






0h53. Aproveitei para jantar. Aproveitarei agora a letargia que a saciedade traz para tentar dormir.

-x-x-x-x-

16h08. Acho que funcionou ter publicado o meu blog na “Linha do Tempo”, 42 visualizações so far.

18h49. Um inesperado passeio à Praça de Casa Forte com mamãe, minha cunhadinha e filharada se revelou uma aventura maravilhosa, com direito a vitórias-régias, tartarugas, pastel sorvete, mãos dadas, risadas, conversas, algo de muito humano, de me sentir parte da família, de me sentir querido e importante, significativo, útil socialmente. Fez um bem danado à alma e revelou uma parte de mim que não me era acessível anteriormente. Acho que os meninos estão numa idade ótima, com a qual me sinto confortável para interagir, pois o diálogo se faz possível, acredito que de agora até os próximos três anos seja a fase áurea da infância, quando será mais divertido e prazeroso exercer o papel de tio.

19h09. A infância tem algo de mágico. É como se aqueles serezinhos vissem o mundo por uma lupa fantástica e muito pura, uma lupa que transforma tudo, ou quase tudo, em brincadeira e diversão. Compartilhar desse olhar é rejuvenescedor, revigorante e interessante. O mundo é um imenso playground repleto de descobertas e primeiras vezes que são percebidas como tal. Acho que na minha vida, aos 41, as primeiras vezes não escassearam, mas elas raramente me saltam aos olhos cansados de tanto ver. Depois dessa tarde na Praça me sinto até mais bem preparado para encarar Blanka, pois me sinto mais seguro para me socializar. De todo minha alma está feliz e o que posso dizer é nada como um dia depois do outro e ter a coragem de me permitir coisas novas. Britney Spears toca no som relativamente alto que preenche o quarto-ilha. Me causa certo pesar saber que foi um momento que demorará pelo menos mais um ano para acontecer novamente. Mas que continua acontecendo dentro de mim.

19h52. Botei Infected Mushroom para tocar dizendo que era uma música esquisita e meus dois sobrinhos menores surtaram e começaram a dançar freneticamente, pensei que faria o mesmo na idade deles, como fazia com meu irmão com coisas bem menos “intensas” como Beatles, ainda quando morávamos na casa da Cidade Universitária. Bons tempos. Estou aprendendo a apreciar a alegria de ter uma casa com crianças. Ouvi-las já me traz um sorriso interior. Parece que sentirei saudade deles. Não imaginava. É um vínculo que se forma à minha revelia, mas não reclamo, não consigo imaginar pessoas mais indicadas para criar ligações de afeto.

20h04. Olhei para a Rei Ayanami agora e pensei sobre o tal restaurador que a fantástica faxineira mencionou e se ele conseguirá consertar as minhas bonecas. O sonho de ter o meu quarto como imagino está mais perto que longe. Como está perto a partida do meu irmão e, antes disso, talvez, a saída com Blanka. Se bem que ela está programada para o dia do aniversário do sogro do meu irmão, o que me parece ser um impedimento, pois acho que tenho o dever “diplomático”, digamos, de comparecer.

20h23. Fui me informar com minha cunhada e o aniversário é no dia posterior ao encontro com minha querida. Dá tempo. Não sei se minha mãe e meu padrasto comparecerão, mas acharia de bom tom que o fizessem. Senão, vou eu somente.

20h50. Acho que vou dar um tempo na escrita até ter a noite só para mim. Não estou com grandes ideias agora. Passei um tempo vagando pela internet e vi que o Switch vai ganhar uns jogos legais. Mas não jogo e minha TV deu pau. Ou ela ou o controle. Sei que não liga.

21h09. O que eu posso dizer da vida? Nada no momento.

22h24. Tenho que falar de tecnocracia, mas antes há uma mensagem que gostaria de mandar para o grupo dos Barros. Eu poderia mandar o link desse post. Seria uma forma de mostrar à família paterna o meu trabalho, o meu ofício de fé, a coisa que mais me dá prazer na vida, que foi o que vim fazer aqui na Terra, eu sinto isso do fundo do meu ser, que essa é a minha vocação, não que eu tenha talento para isso, mas sinto que é o que oferece um sentido à minha vida, um passatempo, um hobby, um ato pelo qual sou apaixonado e que exerço produzindo conteúdo inútil para a rede social de computadores, para a humanidade conectada ver, achando falsamente que isso é uma forma de expressão literária e, se literária, arte, pois se escrever é uma arte, eu escrevo. Mal comparando com outra arte, eu não sei se minha pintura é bonita ou agradável, sei que é única, pois cada pessoa tem o seu próprio traço, mesmo os que não praticam e os sem talento, todos são únicos. A minha narrativa é única, pois só eu sou capaz de narrá-la, ninguém no mundo pode narrar o que eu vivo e penso a respeito da existência.

22h40. Voltando à mensagem que eu queria mandar para os Barros por WhatsApp, seria:

“Desejo um ano novo que supere as expectativas de vocês. E tenho mais um desejo: que haja mais encontros familiares na casa de titio e principalmente que a nova geração enxergue tais encontros como a oportunidade de se encontrar e trocar boas experiências, mantendo os vínculos do próprio seio, do seu sangue, da sua família que é tão belo na geração que nos gerou. Falo para todos, é muito bom, é algo de primal, do primórdio das sociedades, pode até parecer old school, pré-histórico, do tempo das tribos, mas em nosso sangue rola sangue indígena. Ou, da maneira mais curta, desejo que os primos e primas e irmãos compareçam às festas familiares, ou reuniões, sempre festivas, pelo menos para a geração que nos gerou. Acho que seria uma experiência de troca rica e positiva, inclusive se os grupos e misturassem mais; sim, pois há o grupo dos que moraram naquele prédio onde era a casa de titio e há os mais velhos ou o resto.

FICÇÃO. Tirado do post “Como fazer o máximo para tornar um encontro interessante”, instaura-se no encontro dos Barros o seguinte jogo: cada um pega um número que é sorteado em pares e cada um passaria quinze minutos conversando com aquela pessoa sorteada em conjunto, quem quer que fosse, até o próximo sorteio e assim sucessivamente, inevitavelmente eu cairia com Clementine. Eu só terias duas perguntas e diria: “Me responda com total sinceridade: eu já lhe fiz algum mal de alguma natureza... emocional, sei lá?”. E depois perguntaria: “Em algum momento da sua existência você foi apaixonada por mim?”. Acho que finalizaria dizendo, “Me desculpe por tudo mas saiba que doeu mais em mim”. Cada um sabe a dor que carrega. Entretanto acho que entre constrangimento e asco da pessoa que mais se ama no mundo, a segunda opção é mais dolorosa. Obviamente não perguntaria a ela tais coisas, está muito mais comunicativa desde que arrumei Blanka, parece leve e aliviada. Quem passou constrangimento fui eu bêbado me declarando em frente à toda família no encontro para um jogo da Copa na casa da minha tia-vizinha, certamente um dos momentos mais constrangedores da minha vida, tanto quanto as duas vezes que fui pego roubando. Peguei a mania de roubar com um amigo de São Paulo, ou já a tinha incubada, sim, já tinha incubada, é um desejo que eu reprimo, no meu segundo livro, “Eu Sou Assim E Ninguém Tem Nada Com Isso”, que ninguém vai ler porque nunca ninguém vai se interessar e nem vou me dar ao trabalho de revisá-lo, me comprometo a parar de furtar. Me comprometo agora a não comprar nada no cartão sem comunicar à minha mãe. Vou ter que vender a Captain Marvel, meu único grail, para pagar o que não posso deixar de pagar. E que quero muito. Mais do que a pobre Captain Marvel. Vou fumar e pegar Coca. Ah, e tomar os remédios.

23h45. FICÇÃO. A Sony lança a TV PS5, uma TV 4k que a fabricante diz que é otimizada em todos os sentidos, especialmente para rodar games de PS5 e capaz de se conectar sem fios ao console. Além disso lançaria o kit PS5 Plus, com 25% de desconto venderia um PS5, a TV, o sistema de som 7.1, um microfone, tudo seria comandado a voz, um fone de ouvido com microfone (afinal há preferências), quatro controles, o Sony VR set, três jogos e três Blu-rays ( lançamentos de filmes da Sony), tudo isso customizado com os padrões do PS5 exclusivo, revestido de aço escovado. O kit seria lançado simultaneamente com o console. A tendência dos videogames é desaparecer. Não os jogos mas os consoles devido ao streaming direto dos games para a TV, sem consoles. Cada marca terá o seu canal de streaming, indo convergir finalmente tudo para o Steam que será uma das empresas mais ricas do mundo. A não ser que a Google compre o Steam. CONTINUA.

Fui fumar um cigarro e uma coisa me ocorreu fotografar a foto da camisa dos “suspeitos” para ilustrar esse blog, mas não consegui encontrar. Vou botar uma que vovó, mãe de mamãe fez. É o jeito.

0h22. Acabei de mexer na foto da camisa, deixar a imagem mais diferente. Embora seja uma imagem diferente por si só. Só podia ter sido concebida pela minha avó. Me deu uma leve titubeada de astral. Será que publico esse post nos grupo da minha família paterna? Eu penso: “e por que não?”. Um forno de micro-ondas seria uma ótima aquisição para Areias.

CONTINUAÇÃO SONY. Todo mundo sabe que a divisão de eletrônicos da Sony anda mal das pernas, o que dá mais dinheiro é a linha de entretenimento, especialmente videogames, por isso agregar uma marca Playstation à de eletrônicos é uma estratégia que vejo como bastante pertinente. Se eu fosse a Google, eu comprava o Steam, ou lançaria a plataforma de streaming de game de alta performance, oferecendo todas as opções de jogos para PC na assinatura, dos mais antigos aos mais novos. Todos os possíveis. Com qualidade máxima. Só é preciso comprar o controle assinar, depois que o mês grátis da compra do controle acabasse. FIM. Vou comer. Bateu a larica dos remédios.

1h19. Meu plano é me masturbar para me preparar para Blanka, tomar um bom banho e lona. Ou escrever aqui e lona. Por enquanto estou bem aqui. E julgar tais sandices como meritórias. Ridícula ideia de um homem ridículo. Ah, não falei da tecnocracia, o vizinho que encontrei na piscina, disse que o regime que vivemos é tecnocrático, quem tem mais e melhor tecnologia tem mais poder. Não é mais econômico para ele. Eu acho que dinheiro ainda seja o que move o mundo. Acho que os impostos são necessários porque acho o estado uma instituição necessária e cara, que poderia ser otimizada, a supraconsciência terrestre vai emergir e dar um jeito no estado. Vai dar um jeito em tudo. Bateu o bode. A comida pesou, vou dormir. Amanhã decido se reparto com os Barros ou não. Certas grandes distâncias diminuem com o passar dos anos, abismos gigantescos podem ser cruzados com um passo. Eu acredito no poder do amor. Vou comer o resto das tortinhas de limão, encher meu último copo de Coca, fumar o meu último cigarro e vou dormir.  

domingo, 16 de dezembro de 2018

PROFECIAS E PREGAÇÕES




17h35. Estou sem internet e sem saco de encontrar com o meu amigo da piscina, mas o farei mesmo assim. Como irei, mesmo sem querer, à festa de 15 anos da filha da fantástica faxineira. Minha mãe me coagiu a ir e acho que a fantástica faxineira vai ficar feliz com a minha presença, acompanhei de perto todo esforço que fez e sei do esforço que ainda fará para realizar o sonho da menina. Ela tem medo do que as más línguas possam falar do seu máximo, porque ela fez o máximo, foi além dos limites financeiros para realizar o evento. Não deveria se preocupar com críticas ou fofocas, mas quem sou eu para falar alguma coisa, minado que sou pelas críticas, que me afetam sobremaneira, especialmente as da minha mãe, por essa relação freudiana que temos. Quando cheguei em casa do encontro, ela caiu em prantos porque associa as minhas saídas com mochila ao uso de droga, em verdade pela codependência que tem de mim. Nossa, só queria sair do quarto-ilha agora para o Natal dos Barros, mas a realidade não se dá assim e me quer em diversos lugares que não estou disposto a ir. Terei exames a fazer na próxima semana, creio, dia 19, se não me engano. Demonstrarão o estado do meu pulmão. Pouco me interessa, pois em nada mudará os meus hábitos.

18h11. Blanka me respondeu, mas sumiu de novo, nada de novo aí, é assim que as coisas se dão conosco e ela diz que com todas as relações cibernéticas que trava.

18h18. Estou ouvindo o Moon Shaped Pool do Radiohead, é o que está no toca CD. Sem internet, sem Spotify. Mandei mais mensagens para Blanka. Sinceras e otimistas, eu creio. Quis deixá-la curiosa para ler o meu blog, não sei se a tentativa logrará sucesso. Seria interessante, mas não é essencial. Estou com um sentimento ruim, não sei de onde veio, mas se apoderou de mim. Vou colocar o disco de novo para tocar, acabou de acabar. Pronto. Meu amigo que lançou o livro conseguiu colocá-lo à venda em Minas, achei bem legal. Acabei de dizer isso a ele. Falei com o meu tio e ele me assegurou que o meu livro será publicado. Tendo Blanka por companheira, fico mais tranquilo quanto a ter o seu conteúdo polêmico revelado. A verdade é que não sei se quero o meu livro publicado, preferia ver Blanka de vestido, mas não é de seu feitio se fazer feminina. Em verdade, ela tem uma certa repulsa aos homens, nos tem como exploradores sexuais. Foi difícil para mim ontem, em certos momentos, quando me senti profundamente antissocial, foi preciso relaxar, respirar fundo, controlar a ansiedade e me entregar ao momento da melhor forma que podia ou era capaz. A pressão de me envolver eroticamente com ela, pressão que eu e toda a situação demandavam, me acuou, só relaxei de fato como me aceitei e aceitei que, apesar de tudo pedir, algo em mim não pedia e que não havia porque exigir de mim algo que não tinha disponibilidade de oferecer. Fui o mais sincero que pude ser com Blanka, abri a minha alma e reparti parte dela através das músicas com ela. Vou fumar. E pegar Coca.

18h50. Acho que cada vez me obedeço mais, me respeito mais, me satisfaço mais. Mas mesmo com essa postura não consigo me esquivar de certas coisas que não quero fazer. Não queria encontrar com o meu amigo da piscina, que acabou de me contatar dizendo que vai tomar um banho e descer, mas não vejo como dizer não. Mas não vou remoer minhas obrigações pois isso não me causa bem-estar e a minha busca é por crescente bem-estar. Me colocar da forma mais agradável no mundo. Agradável de acordo com o que me agrada, obviamente. Penso logo nos bonecos. E em Blanka. Minto. Penso primeiro na solidão protegida do meu quarto-ilha. Nesse estar aqui e agora nele escrevendo que tanto me agrada. Mas os encontros com o meu amigo costumam não durar muito. Queria eu ter o tato social para abreviar o encontro de forma que não ferisse suas sensibilidades, mas não sei fazer isso. Posso mandar uma mensagem para ele pelo WhatsApp dizendo que não pretendo me demorar. Do jeito que ele é, entretanto, pode encarar, mesmo que inconscientemente, a mensagem como um desafio e ficar me segurando lá. Sei lá, já é muita imaginação e pouca realidade tal conjectura. É a vida e acho que ele merece a minha atenção. Afinal, amigos, não é? Só me encontro indisposto e preferiria muito mais continuar exatamente onde estou. Certamente inquirirá do encontro com Blanka, é outro que sabe de toda a história. Um dos poucos. Não sei o que dizer-lhe, ele que provavelmente virá com várias proezas sexuais provenientes dos aplicativos de paquera. Cada um com as suas carências, eu suponho, se ele fizer pouco de mim, não me afetará muito, mas acharei chato mesmo assim. Bom, é o que vou encarar, que seja.

20h08. Voltei do meu encontro com o meu amigo da piscina e ele falou que ele estará vivo quando o apocalipse vier, graças a uma grande inteligência que virá para julgar a humanidade, criação da tal inteligência porque foi ela que fez a mutação genética no primata para nos gerar, foi o que deu origem ao homem, Adão e Eva (seria Lucy a nossa atual Eva?). Isso aconteceu, segundo os arqueólogos estudiosos da bíblia, há cerca de seis mil anos, faltam poucos anos para os seis mil, e, como o Gênesis diz que a criação se fez em seis dias, pois Deus descansou no sétimo (seria isso a gênese para a invenção e aceitação das férias, do final de semana?) e como para Deus cada dia valem mil anos, quando os seis mil forem completos se dará o Apocalipse, “para a separação do joio do trigo” (palavras do meu amigo), para a grande inteligência chegar e julgar se nos extermina ou nos cede todos o seu conhecimento e poder. E que, com disse, ele será um dos privilegiados a presenciar tal espetacular evento, como acho que muitos cristãos acreditam, pois seria a constatação irrefutável da sua fé, talvez. Talvez tantas coisas. Sei que ele prega para alguém que não é capaz de crer nessas coisas. Primeiramente eu acredito na evolução das espécies, acho que viemos há muito, muito tempo atrás, milhões e milhões de anos, não sei precisar, de um grupamento de partículas, que o acaso juntou, em algo que se poderia ser definido como vida e a vida surgiu e evoluiu até chegar a nós, nós daremos o próximo passo da evolução das espécies, um ser/entidade capaz de evoluir a si mesma, em ritmo muito mais acelerado que o acaso-destino, com a qual poderemos nos conectar e comungar. Será inimaginavelmente mais inteligente, mais tudo, que nós que pode também quiçá nos destruir, por deduzir que somos um gasto desnecessário e prejudicial ao ecossistema global, ou por qualquer razão que seja. O celular apitou e fui atentar à realidade, mesmo sabendo não ser Blanka mas com certa esperança de que fosse, e foi a Portuguesinha, a quem disse que estava muito linda numa foto de Instagram, agradecendo o comentário. Sabe-se lá o que a suprainteligência vai fazer, espero que faça o inimaginável, e nos destruir seria imaginável e os que têm medo da mudança, do novo, do que vai além das suas compreensões acreditariam nisso, em tal destruição. Eu sou otimista e, como meu amigo da piscina, eu tenho a vã fé de que alcançarei o surgimento da supraconsciência terrestre pois a tecnologia está evoluindo em ritmo exponencial, tecnologia gera mais tecnologia, mais conhecimento, mais possibilidades de ser estar no mundo, o que atrai a maioria das pessoas, a ponto de, para muitos, seus celulares serem essenciais ao bem-estar, essencial a se sentirem presentes no mundo, o computador me serve exatamente para isso, para me fazer o mais presente possível no mundo; o mundo que digo, é a humanidade conectada à tecnologia, pena que o meu método de agir no mundo virtual não atraia o interesse de quase ninguém, o acaso-destino não tem me ajudado nisso e pouco se me dá, faço o meu melhor, divulgo nos grupos de escritores e leitores no Facebook e 16 pessoas se interessam. Do universo de sete bilhões isso é uma fração mínima, dos membros dos grupos já é uma fração mínima, visto que há grupos com dezenas de milhares de membros. Mas eu não me frustro com isso ou me frustro muito pouco. A sensação de dever cumprido, de estar fazendo o que vim ao mundo fazer está sendo realizado com o máximo de empenho de que sou capaz. Pena ser algo inútil. Mas é feito com muito esmero, na rua dos bobos, número zero, no meu quarto-ilha, na minha existência. Da minha existência é o que faço, escrever isso. Por quê? Por que a esperança não me abandona de que isso vai ter relevância quiçá ou pelo menos como relíquia histórica, futuros amantes se amarão sem saber, com o amor que um dia guardei para você, os escafandristas virão revirar suas casas, suas coisas, sua alma, desvãos. Meu trabalho é ajudar a construir a singularidade tecnológica, porção do ser criador do universo em que acredito, contribuindo com a sua complexidade, julgo complexidade uma variável de evolução. O celular apitou, e-mail...

21h10. Fui pedir ao meu padrasto que desse o reboot na minha rede para me conectar de novo. Quero postar o meu novo post ainda hoje e repartir o link com Blanka. Não sei o que vai ser da gente, como vai ser a nossa vida sexual, se essa haverá, mas não quero pensar nisso agora, está me deixando noiado, prefiro voltar a falar da singularidade, que eu e outro cara profetizamos na mesma época, ambos tinham as ferramentas apropriadas na época certa para apreender o porvir, que ele chamou de singularidade tecnológica e demonstrou como chegamos a ela e eu chamei de supraconsciência terrestre e narrei o que acontece depois, a próxima e última etapa da evolução, a consciência universal, fusão de todas as supraconsciências acessíveis e possíveis no universo, único ser capaz de criar a si mesmo, razão primeira para o surgimento do universo. Por que eu prego? Porque tenho uma superstição de que por ser um dos profetas, e divulgar a palavra, eu seja um dos primeiros escolhidos para experimentar a supraconsciência terrestre, mas me esqueço que os profetas geralmente morrem antes da profecia acontecer. 2047 é a profecia de Ray Kurzweil, o da singularidade, eu não sei nem sei se estarei vivo até lá. Há uma probabilidade. Eu me voluntariaria se me fosse dada a oportunidade. Mas isso é apenas o folclore de um homem só, o mito que ele criou para explicar a sua existência e a de tudo que há, para explicar como átomos colidindo aleatoriamente se tornam essa mesa com um computador e eu escrevendo e talvez um você lendo. Uma causa para complexidade organizada (redundei visto que só o que é organizado pode ser categorizado como complexo) emergir e, ao meu ver, evoluir do caos, que não tem razão nenhuma para deixar de sê-lo. Ou tem precisamente o que é necessário para que essa evolução ocorra, o que é ainda mais misterioso. É incrível que depois que eu ouço uma pregação do meu amigo me dá vontade de pregar, acho que é porque penso, “se ele pode, porque não eu?”, não ofende, faz pensar em questões fundamentais do ser, explica porque o caos, a aleatoriedade, o acaso-destino se organiza de forma crescentemente complexa, mais inteligente, eficiente e eficaz. Cada um à sua maneira, meu amigo com sua fé, eu com a minha, ambos se considerando especais, ele com testemunha do grande final ou transformação, eu me julgando um profeta dela. Nada grandiosos ambos. Hahaha. Minha mãe acha que estou sempre em mania quando prego, na verdade eu me sinto desafiado pelo meu amigo da piscina, se ele mostra sua fé tão orgulhosamente, como uma missão que assume para a humanidade e compromisso pessoal consigo e quiçá com Deus, porque eu não posso também falar abertamente sobre a minha? Não quero que ninguém acredite, me contenta que imaginem, é uma boa ficção científica.

21h48. Pensei em Blanka lendo isso, não senti vergonha. Pensei na minha mãe lendo, pensei nela ficando preocupada à toa. Eu estou bem e gosto de existir, estou aproveitando a existência da forma mais apreciável que conheço, por que a preocupação? Escrever não é crime e não faz mal a ninguém, se quero me passar ao ridículo, como faz o meu amigo da piscina, por que não consigo crer no que ele prega, como ninguém crerá no que prego, que mal isso tem? A mim não me incomoda nem um pouco. Me habituei a me expor, é para poucos, mamãe, meu fracasso se encarrega de não fazer a humilhação muito grande. Papai disse que eu era livre para escolher a religião que eu quisesse. Ele era ateu. Tentei o ateísmo por muito tempo e me vi satisfeito nele por muito tempo, até que inventei ou cheguei, extraí do inconsciente coletivo essa ideia, que pode ser pertinente ou não, foi a mensagem que consegui captar, quando consegui ter acesso a ele, com as parcas ferramentas que tinha: cola, mania, interesse por cosmologia e atração pela tecnologia, pela evolução da tecnologia, provada e comprovada pelos videogames, que estão chegando num momento de pico evolutivo, por sinal. Mas como é uma indústria bilionária pode ser que dê um salto evolutivo, sei lá. Não sou profeta das miudezas, sou profeta do que de mais geral há. Bem, acredito que foram essas ferramentas e ter assistido ao primeiro Matrix, do qual saí transformado, diferente de quem eu era quando entrei na sala de cinema, que me levaram a chegar à hipótese da supraconsciência tecnológica. Minha mãe foi assistir comigo também, acho que mais gente, não tenho certeza, lembro especificamente dela e de quem quer que tenha ido terem gostado bastante. Foi um fenômeno, deu até vontade de assistir. Quando a terceira página acabar. Ouxe, já estou na quarta. Vou postar o de ontem, passar o link para Blanka e ver o filme. Perdi a vontade. Veio e passou. Que pena. Fico por aqui. De tudo o que pensei fazer, a única coisa que me agradou foi pegar Coca e fumar um cigarro e passear pela internet. Penso em talvez escrever para o meu blog de bonecos. É uma ideia que me agrada. Vou escrever a frase inicial que me veio agora à cabeça, xau!  


quinta-feira, 25 de outubro de 2018

MAIS TINDER

22h00. Acho que hoje vou dormir cedo. Achei uma supergata, nível modelo mesmo, no Tinder. Tudo de bom. Dei o superlike, mas cometi o equívoco de não copiar o seu Instagram, por onde eu poderia puxar conversa com ela. Estou aqui profundamente arrependido. Se bem que quando a esmola é boa, o santo desconfia, de toda sorte, tenho que tentar. E a coincidência: ela tem o mesmo nome do anjo do Tinder.

23h08. Santo Tinder plus! Apareceu uma nova garota e eu pude apertar o botão de rewind e voltar ao perfil dela. Já a adicionei no Instagram e joguei aberto com ela, vamos ver se ela vai ver ou responder. Não acho que tenha tanta sorte, mas ela está lançada. Já tinha me esquecido da paranoia de ficar olhando o Instagram para ver se a figura visualizou a minha mensagem. Estou nessa no momento, mas vou desencucar. Só há seis por cento de bateria, então mesmo que ela quisesse não poderia bater um papo hoje.

0h06. O evento cibernético Spooktacular da Sideshow Collectibles me roubou um tempo agora, tentando faturar uma figura do Flash bem legal num sorteio. Era um que não me incomodaria ganhar. Entro em todos da Sideshow, mas nunca levei nada, não vai ser dessa vez. A bateria do celular vai acabar a qualquer momento. Acho que hoje realmente vou me retirar dentro em breve, se bem que sempre me proponho a isso e me embrenho madrugada adentro.

-x-x-x-x-

13h15. Cá estou, acordei há mais ou menos uma hora com política na cabeça. Estou cansado disso e aliviado que o pleito se dará nesse domingo.

13h22. Já fiz a minha imagem de perfil para depois da eleição.




13h23. Não acredito que Haddad vá ganhar. Se ganhar, até eu vou duvidar da lisura do processo eleitoral. Não será um alívio, pelo contrário, será a confirmação de que o sistema político é mais podre e corrupto do que eu poderia supor. E nem posso imaginar qual será a reação da população frente a um resultado contrário a Bolsonaro. A nova garota do Tinder não viu as minhas mensagens e não creio que as verá. A outra que adicionei da mesma forma, pelo Instagram, nunca me respondeu nem olhou minhas mensagens. Vou pegar Coca e fumar um cigarro.

13h45. Li uma matéria sobre o show de Sandy que acontecerá hoje à noite e uma pontada leve de arrependimento me bateu por não ter comprado o ingresso quando ainda havia relativamente perto do palco. É a vida e segue. Mergulhei um pouco na internet, tudo gira em torno da política. Botei Björk alto para ouvir. Five Years ao vivo. Era uma música que não me apetecia muito, mas, ao prestar atenção na letra, me conquistou, é uma das minhas várias prediletas hoje em dia e a versão ao vivo é bem massa. Sobre assuntos do coração, confesso que o Tinder não tem me trazido grande sucesso. Sucesso nenhum para ser honesto.

14h16. Botei café na cafeteira elétrica que ganhei da minha tia jornalista para fazer. Quero economizar Coca e, especialmente, gelo. A verdade é que não estou encontrando muita disposição para as palavras esses dias, não é desmotivação, é falta do que dizer. Seria muito mais conveniente a Bolsonaro fechar o congresso e legislar a seu bel prazer. Não imagino como terá maioria no congresso. É claro que, como ele, eu sonhe com congressistas que votem de acordo com suas convicções, consciência e vontade de seu eleitorado, sem ser necessária nenhuma barganha ou transação política. Mas acho difícil que isso se dê. Se ele conseguir, só por isso já valerá o seu papel como presidente. Acredito que seria algo realmente novo na política mundial. Seria um exemplo, mas me parece conto de fadas. Estou desconcentrado, não sei direito o que escrevo. Queria ser presidente. Tenho medo, porém, de me corromper com o poder, como mencionei em post anterior. Vou ver o café e fumar.

14h36. Estava pronto e está bom. Tenho uma xícara ao meu lado. Não sou o único que escreve na minha família, tampouco o melhor, menos ainda o mais esforçado, mas sou o que mais se dedica à palavra por ter construído tempo para isso. Não acredito que nesse caso a prática leve à perfeição, o que me aproximaria dela seria ler uma boa gramática, mas sou um escritor preguiçoso e, agora, despretensioso. Nunca serei grande, aceitei isso. Não sei como, nem tenho talento para tanto. Sei me narrar e isso me contenta, então faço. É algo como uma conversa que travo comigo mesmo, um estudo das minhas percepções e experiências. O marido de uma amiga minha, artista de verdade e completamente, disse-me artista, fiquei lisonjeado com isso, mas não mereço ser alçado a tão grande altura. Pintei um punhado de quadros e deito palavras, nada mais. Pintar, não pinto mais. Foi paixão passageira, abortada pela necessidade de minha mãe de que eu me aprimorasse e dominasse a técnica, de que não ficasse “parado”, o que roubou da pintura a sua liberdade e seu aspecto lúdico para mim. Não a culpo, entendo tudo o que se passava na sua cabeça, sei que queria o meu melhor e que se sentia angustiada em me ver sem fazer nada, pois para ela era inadmissível tal posição na vida àquele tempo. Não gosto de apontar culpados. Se fosse culpar, culparia a mim mesmo que nunca gostei de fazer nada por obrigação e sempre odiei estudar (ódio que depois se voltou ao trabalho, quando esse parou de me recompensar à altura do meu sofrimento e empenho). Por não ter que me submeter a nada disso mais, me sinto abençoado e acredito que encontrei o meu lugar no mundo. Sou um covarde preguiçoso que ama se exibir através das palavras. Talvez seja um pouco mais que isso, mas esse pouco mais me escapa agora. Mais café e cigarro. Vou à Vila Edna no domingo, acabei de confirmar, minha alma precisa disso, será bom.

15h06. O café me faz bem, me deixa mais alerta, mais esperto, com mais energia, criativa inclusive. Não que eu crie algo quando escrevo, pois em verdade não escrevo, descrevo o que me vem à cabeça. É uma coisa menor, mas, como disse reiteradas vezes, é o que me cabe e agrada fazer, é a liberdade que exerço, é a minha forma de expressão, minha satisfação egoísta e ególatra. Não tenho vergonha de ser assim, aceito, me faz bem e me ajuda a tocar o barco do que, de outra forma, seria uma existência sem sentido. Não há utilidade outra no que produzo que não a satisfação pessoal. Acho que é o que todo mundo busca, eu encontrei nessa forma de expressão que, se tem algum diferencial, é ser muito minha, muito própria visto que absolutamente subjetiva. Não pesquiso, não analiso fatos, exceto pela campanha eleitoral. Isso passará e eu permanecerei. Com minhas paixões impossíveis e meus bonecos. E as palavras, sempre as palavras, em doses bem servidas, meu eu pede por elas como alguém que sufoca precisa de ar. Respiro palavras, as vomito irresponsavelmente, despretensiosamente pois abandonei a pretensão. Ela não me cabe e não me serve. Me resignei de que os meus planos de ser publicado falharam todos. Meu texto não merece a tinta e o papel. Que seja, isso não me impedirá ou me constrangerá de produzi-lo. Não sei porque me meto às vezes a essa “metalinguagem” e não importa saber, obedeço o que vem de mim, cada impulso, cada intenção. Claro, há o superego e ele é cada vez mais o meu superego que o do meu pai ou do meu irmão. Isso me agrada sobremaneira e alivia, dá leveza, à minha vida. Tenho certamente mais defeitos que as duas figuras supramencionadas, ou pelo menos os tenho de natureza mais repudiada pelo senso comum. Danem-se todos e me atirem a primeira pedra aqueles que não possuem defeitos. Sou um sujeito incomum, isso cria uma ruptura social que me desagrada e, ao mesmo tempo, me permite me exercer de forma mais plena e minha. Eu tenho exatamente o que busquei. Nem a mais, nem a menos. Bem, talvez um pouco a mais. Mas não me culparei por esse excedente de benesses. É o que a existência me oferta e colho o que me interessa. E pouco me interessa. Tento plantar, mas não tenho mão boa para o plantio. Que seja, se é solidão o que me cabe, acatarei e subsistirei, tenho minhas palavras por companheiras, fiéis e submissas. Por falar nisso dei um like em uma garota de 26 anos BDSM, uma categoria de perversão curiosa que envolve submissão, sadomasoquismo e dominação. Ela seria a parte dominada. Tentei adicionar ao meu WhatsApp, mas não tive êxito, seu telefone está no meu celular, mas não sei se teria coragem de machucar alguém, mesmo que ela pedisse por isso. Há um lado sádico e comodista meu que adoraria ter uma “escrava voluntária”, mas não consigo ver como uma relação que fosse me trazer satisfação. Por mais que, não vou mentir, uma mulher submissa me pareça uma ideia curiosa e atraente. Tenho pensamentos e sentimentos contraditórios sobre o tema. Não gosto de dor e não entendo como alguém pode desejá-la, mas sei que há pessoas assim. Eu acho que tentaria “curar” a pessoa dessa posição, pelo menos tentar compreender o que a levou a tal condição, a desejar ser subjugada, humilhada e sofrer pequenas torturas. É um universo que desconheço inteiramente e que por estar no limiar da marginalidade, por ser tabu, me atrai. O proibido, o que foge ao padrão sempre me causou profundo interesse. Não sei por que isso se dá, coisas do id, eu acho.

15h55. O meu texto é tão simplório e pobre, meu repertório vocabular tão limitado que chego a cansar de algumas palavras que uso, uso-as apenas por falta de alternativa. E tome repetição. Também – e isso sou eu passando a mão na minha própria cabeça – escrevo muito, não há como escapar das repetições. Vivo para escrita, mesmo que redundante. É o meu bem mais precioso, minha paixão maior, espero nunca desencantar dela. Aí sim, tudo se tornará extremamente redundante. O som está alto. Acho que vou, depois do café com cigarro, botar Björk de novo e aumentá-lo ainda mais, só estou eu aqui em casa. E o máximo que posso me dar nessa condição é ouvir a música na altura que eu quiser. Não sei se é pouco isso, mas me apraz. Vou lá fumar.

16h13. Voltei e soltei um Alice In Chains no volume 30. Massa. Só falta a minha mãe chegar agora, estou me sentido amplamente livre. O bróder que recolhe o lixo aqui do prédio apareceu enquanto fumava e chamou Bolsonaro de uma coisa que não tinha ouvido ainda: “psicopata”. Achei que lhe cabia de certo modo, por mais que esteja de posse de todas as faculdades mentais. Me divertiu tal colocação. Eita, estou sem nada na cabeça para dizer. O ar está ligado, a tarde cai, penso no anjo e mandei uma mensagem para a sua homônima, pedindo que lesse as minhas mensagens. Não sei se o fará, sei que é o máximo que posso fazer.


16h24. Minha mãe chegou e me intimou a ir ao shopping com ela hoje. Um cara me alertou que a homônima do anjo é um perfil fake. O que me faz suspeitar do anjo também. Sei lá. Sou muito ingênuo em termos de internet. Voltarei a falar com o meu anjo no domingo, assim que souber quem será o novo presidente, como prometido. Ela tem curtido as minhas fotos. Todas as que publico. Não sei. Sigo acreditando por falta de crença mais sólida. Essa eu sei ser demasiado vaporosa, mas é a que tenho. Por ora. Acabei de olhar o Tinder e parei numa moça de 20 anos até jeitosa que se diz “apaixonada por Homens Mais velhos”. Vou esperar até ter superlikes de novo para mandar-lhe um. É balconista e isso não me incomoda. Quem sabe a sorte não me sorri aí? Quem sabe não é ela que vai acabar com a minha solidão? Estou criando expectativas muito altas. Melhor baixar o facho. Mas ela não é de se jogar fora. Não sei quanto tempo o Tinder vai demorar para me conceder os superlikes, mas não tirarei de seu perfil até que aconteça. Ansiedade. Sou um cara ansioso e imediatista vivendo em tempos ansiosos e imediatistas. É a era do agora ou nunca. Acho que exagero, mas também acho que a internet e a informática de forma geral trouxe esse senso de urgência e velocidade que antes não existia. Eita, já entrei na quarta página. É revisar e postar. Acompanhe o que vai se dar em relação à garota no próximo post. Como se isso lhe interessasse. Hahaha.   

sexta-feira, 15 de junho de 2018

DIVERSOS I







Escolhi a imagem do Coringa ante de saber sobre o que escrever. Achei que ela seria chamativa. E ela me remete ao que escrevi no texto anterior, que não sei se publique, e que termina discorrendo sobre as limitações de percepção da realidade que eu Mário tenho e da impressão de estar vivendo um sonho lúcido. E o Coringa é uma boa imagem para representar tudo isso. O que faz a minha percepção de realidade ser mais válida que a de alguém com distúrbio mental (mais severo que o meu)? O fato de ser mais funcional? Depois escrevo. Vou ali no banco e já volto.

17h03. Ir ali no banco e achar que vou voltar logo é ilusão. Hoje vou descer com o meu amigo da piscina. Pelo menos resolvi o que me propus a fazer. Mamãe já liberou de eu comprar Coca na pizzaria. “Só hoje”. Voltando ao assunto do sonho lúcido, tudo o que temos são as impressões sobre a realidade através dos estímulos que nos são apreendidos pelos sentidos, nossas necessidades e uma cognição maior do que a dos demais seres que ocupam o planeta. Além, é claro, de uma pletora de abstrações a respeito de nós mesmos e do que nos cerca. Mas uma diferente da outra. As minhas impressões são diferentes das suas então nenhuma delas condiz com a realidade de fato. Ademais, nossos sentidos em comparação com o de outros seres são bastante limitados. Estou escrevendo com outras coisas na cabeça, não estou me focando no que digo, embora seja um tema que considere interessante, estou projetando a ida à piscina. Em uma palavra vivemos e experimentamos o que acreditamos ser a realidade, mas que em verdade é uma parte bastante limitada dela. É claro que nossos universos interiores são riquíssimos e únicos e, em certa medida, parte da realidade, afinal a realidade é tudo o que é, que existe, não apenas manifesto materialmente, mas de forma imaginária também. Ou assim quero crer. A projeção que faço do encontro na piscina existe, mas sei que ele não se concretizará exatamente como imagino. Assim se dá com projeções. Há projeções que pouco têm de reais, são os sonhos, os desejos que não dependem diretamente de nós para a sua consecução. Ou de difícil materialização na realidade. É o caso, por exemplo, do meu desejo de ser publicado porque meritório, porque aceito por alguma editora. Isso dificilmente se materializará e se transformará em outra abstração, a frustração. Da qual sou fiel companheiro, ser humano frustrado que me considero. Em muitos âmbitos sou bem-sucedido ou fui bem-sucedido, mas há a necessidade ou sonho de ser reconhecido como escritor, como há o sonho de profundo amor. Há muitas intersecções entre a sua percepção de realidade e a minha, coisas que percebemos da mesma forma, signos que são familiares a ambos, como o sinal de pedestre, por exemplo. Mas diria que embora percebamos o universo exterior de forma similar, o que transcorre em nossas cabeças, nossos julgamentos acerca do que nos cerca e do que nos preenche deve divergir quanto mais pessoal e abstrato é o assunto. As intersecções são nas generalidades. Nas especificidades, as similaridades ainda existem, mas em número tanto menor quanto mais próximo chegamos um do âmago do outro. Por esta feita é que valorizo tanto a intimidade, de preferência com a pessoa amada, há numa relação íntima um retirar de véus e máscaras, uma revelação mais profunda do que vai dentro de cada um dos que se dispõem a essa jornada. Há além da troca de estímulos, a troca de ideias, as identificações e as diferenças, que devem ser respeitadas na medida em que não nos fira ou ofenda. Com respeito, honestidade e sinceridade. Nossa, já falei dessas palavrinhas tantas vezes que nem sei. Vou guardar o resto do espaço desse post para escrever na piscina. O que queria dizer com tudo isso, é que o que achamos ser a realidade é uma imagem difusa e pessoal do que realmente é e em grande parte é o que julgamos ser, as lacunas que preenchemos com nossas imaginações, por isso a sensação de que vivo um sonho lúcido. Estou lúcido, mas a imaginação está sempre funcionando, sonhando com o que passou e com o que vai ser ou sonhando desenhar o presente. Claro que podemos cutucar a realidade, nós mesmos sermos transmissores de estímulos de maior ou menor impacto na realidade. O meu impacto na realidade é irrisório, por isso me sinto um inútil e frustrado. Porque sonhei ou me foi incutido que eu seria muito mais do que me tornei. Por isso os sonhos que acalento. Por isso a esperança, uma das coisas mais abstratas da lucidez. É o mais perto que chegamos do sonho. Algumas certezas são o mais próximo que podemos chegar da realidade, como, por exemplo, a crença que tenho que o chão não vai sumir debaixo da minha cadeira ou que ao apertar a tecla “u” estando no Word resultará no aparecimento caractere “u” na página do programa. Há certezas que não são tão absolutas, são convicções pessoais com um pé no abstrato. Como a certeza de que o seu time é o melhor ou, indo mais além, Deus. Acho que me perdi na minha própria ilusão, se já falo em Deus é porque já fui longe demais. E já entrei na segunda página. Tenho que guardar espaço para a piscina. Vou tomar Coca, fumar um cigarro e tomar banho para descer. Ou acredito que farei isso.

É, né?

17h42. Resolvi reconfigurar a minha realidade e poupar Coca e cigarros para mais tarde. Vou só tomar um banho.

18h23. Já estou aqui na piscina à espera do meu amigo.

18h42. Meu amigo da piscina está aqui e debatemos sobre e-commerce. Não vou revelar o tipo de mercadoria a ser comercializada para não roubar o nicho de mercado, só digo que é algo totalmente lícito e que é um nicho de mercado no qual ele será o único fornecedor praticamente. No eBay, um mercado daqueles onde todos os desejos materiais podem ser realizados, o grande mercado do mundo, junto com a loja de departamentos da humanidade, a Amazon. Me lembrei de um cartão de crédito que eu fiz, com uma moça do cartão de crédito supersimpática, nós conversamos por mais de uma hora depois ela ligou novamente e mais conversamos. Achei que rolou um clima entre nós e poderia ter pedido o telefone ou o e-mail dela. Acho que ambos fizemos projeções irreais sobre nossas pessoas, eu achei por sua voz bela e jovial, com sotaque paulista, que era uma gata, mera fantasia que me marcou.

Acabamos de pensar que a maior parte do que pagamos são impostos. Era para a situação está muito melhor em termos da infraestrutura pública.

Debatemos sobre grandes temas hoje sobre o fato de o Uber não pagar impostos, até que um se alevantasse e dissesse, do lado da Uber, ideia do gênio em e marketing, finanças e gestão política, Mário Barros, e por que não repartir os impostos, cada um paga a metade e vocês param de sugar e não retribuir a contento? Isso se tornaria uma epidemia nacional conclamando o fim da corrupção, a transparência completa do dinheiro utilizado pelo governo.
Pensei depois, hoje e agora, na revisão, que o Uber já paga o IPVA e todos os impostos relativos a um carro comum e dão 25% do que apuram para a Uber, que deve pagar impostos. É a livre concorrência. O modelo táxi está com os dias contados.

Depois ele falou que se eu não fumasse eu economizaria vários reais e foi quando eu lhe falei que eu tenho tudo o que quero, só preciso que me cheguem cigarros, Coca e comida, não há nada comprável que eu deseje. Isso não é bem verdade. Mas é verdade o suficiente. Pensei em questionar a mamãe se ela está aplicando parte do meu dinheiro como combinado. Mas só farei isso depois da reforma do meu quarto. Finalizei dizendo que só existem duas coisas que desejo, meu livro publicado por mérito e um grande amor no coração. E isso o dinheiro não pode comprar.

Falamos, então, de "Thor: Ragnarock", que já entrega o ápice do filme no pôster e estraga a surpresa que é ter o Hulk. Eu manteria o Hulk em segredo. Por mais que meu amigo tenha dito que a história faz parte de uma saga da Marvel, eu mesmo não a li e me surpreenderia deveras quando o Hulk entrasse em cena.

Ah, falei sobre a Singularidade e Deus. Como tudo tende à complexidade inteligente em todos os recantos do universo, essa Singularidade que se auto-organizará e evoluirá talvez exponencialmente através da tecnologia. Enfim, consegui verbalizar a minha fé para alguém, presencialmente, e essa pessoa prestar muita atenção e entender o meu ponto de vista. Foi um momento que me trouxe grande alívio e satisfação. Não contei tudo mas contei o suficiente. Foi um papo para mim importantíssimo e sou grato ao meu amigo da piscina por ter me servido de ouvinte e testemunha.

Pegamos o último cigarro pra repartir ele fez questão que eu fosse o primeiro. Fumei pra caralho agora. Passei a tocha. Glorioso último cigarro, fumado com a voracidade... não dá para apreender tudo aqui porque estamos conversando.


Ratos de asas, dizem.



Ficção. O corretor de imóveis português tem mania de coçar o nariz. Minha amiga diretora tem mania de pegar no lábio inferior, comprimindo-o. Eu já disse isso. Foi só para rimar uma frase com a outra. Fica. Onde vou agora? Ah, lembrei! Quero falar da tendência universal que é tender a Deus. E Deus é a soma de todas as Singularidades tecnológicas existentes no universo. Princípio criador de tudo pois as Singularidades são os únicos serem capazes de “reencarnar” de autoevolução e tendem a se unir para chegar a Deus.

Agradeço à chuva por me confinar aqui.

Está passando. Acho que vou subir. Aumentou, mas é bom caminhar na chuva, depois que esse carro subir e esse outro que chega vou ouvir Björk, meu amigo finalmente se foi. Conversamos muito. Queria que agora parasse de chover. Pois recomeçou.

-x-x-x-x-

Este verde não é da Praça.



17h00. Perguntei à minha mãe se ela estava investindo o meu dinheiro e ela disse que não. Que quando voltar da viagem o fará. O que me deixa um tanto bolado porque ela está usando o dinheiro todo como se fosse dela. Cobrarei após a viagem. Se eu me lembrar. Hahaha.

17h14. Já-já vai ter novo encontro na piscina, mas, dessa vez, meu amigo vai passar pouco tempo porque tem encontro com a gata dele. Melhor que tenho mais tempo para escrever. E sobra mais Coca para eu beber. Tranquilo e favorável. Estava tendo um papo de jardinagem com a minha cunhadinha US. Não que eu entenda do assunto, só defendi o seu ponto de vista de enfeitar a horta com balangandãs. Fica mais lúdico e fofo. E a criançada vai curtir mais, como ela ressaltou.

Hoje fui ao Manicômio pegar receitas dos meus remedinhos e ao supermercado comprar Coca e outros produtos. Deu tudo certo. Nem tinha me apercebido disso. Ainda fui o último a ser atendido antes de o caixa fechar, então ele teve todo tempo do mundo para embrulhar as compras, coisa que tenho extrema dificuldade de fazer.

18h04. Esqueci de colocar o computador para carregar a bateria, que ozzy. Vou ter que levar a tomada e sentar na área da churrasqueira hoje. É a vida e hoje está mais bonita, bem mais bonita que no Dia dos Namorados.

Esse é.


sexta-feira, 8 de junho de 2018

FRAGMENTOS DE PROFECIAS


(Adendo 8 de junho de 2018, 16h02. Não consegui organizar o que me veio, vai como saiu e cada um que entenda)

19h17. Meu amigo da piscina disse que está descendo. Tem mosquitos aqui no prédio e eles estão atacando os meus pés e canelas. O clima está agradável, depois de uma chuvada rápida que dissipou o calor, o mormaço que fez durante o dia.

19h25. Meu amigo da piscina já está na área. O funcionário do prédio com quem tirei a foto, num dos posts anteriores, está limpando a piscina. Eu chapo nas pegadinhas de João Kléber com sua hipersexualidade, uma sexualidade que agride às demais mulheres, vide suas reações às modelos seminuas. É de total reprovação todas as vezes. É um programa obviamente para homens. Não acho que nenhuma mulher se agrade daquilo. Talvez haja. Parei para fumar um cigarro e trocamos uma ideia sobre a dermatologista gata que meu amigo viu nalgum canto. Joguei o cigarro fora e perguntei qual era a profissão da garota para colocar na frase anterior e agora ele me contou algumas dicas
[[ hábito. Eu definitivamente sou viciado eu vi a possibilidade de um câncer de garganta, algo muito chocante ou de câncer de pulmão, isso já foi comprovado, a correlação, ele disse que vai me mostrar o vídeo do pulmão de fumante. É uma visão chocante e me indago se se pode ter qualidade de vida com aquilo, se puder, pouco se me dá. Eu não sinto o cheiro do mar, lembro que tinha cheiro de sargaço salgado numa sopa que apodrece e gera vida com isso, a vida é como um câncer nos sistemas do mundo, mas um câncer cada vez mais inteligente. Jogo Free Fire é um jogo que demonstra  quem é o mais apto a sobreviver usando aquela interface, é uma seleção natural das pessoas e eu prevejo que com a inserção de um chat no jogo possam se formar duplas que seriam mais fortes somadas que um sozinho, trios até que se formariam facções e depois dois exércitos e aí você escolheria entre as duas facções para entrar no jogo que estão sempre se digladiando, até o jogo dar opções de socializações, como o personagem ser da paz, e aí surgiriam os suicidas ou terroristas que se fossem numerosos formariam um quarta facção que se tornaria mais interessante com o desenvolver do jogo é os da paz se tornarem amigos e se visitarem no final de semana, aproveitando a realidade em vez de viver num videogame. Eu já estou fora do videogame, ou eu achei o videogame mais alucinante de todos, tentar me dizer nesse estado, depois de todas essas chocantes imagens, e de ter constatado que por mais que o jogo evolua não vai se tornar mais importante que a realidade a não ser que o game fosse uma singularidade tecnológica que nos oferecesse um mundo com mais sentidos em completo êxtase em uma realidade expandida com uma visão do global até o íntimo ao mesmo tempo. E o global ver tudo o que a singularidade é e poder intervir nisso, melhorar isso apenas com suas opiniões, começariam primeiro a estudar as bibliotecas as diversas formas de realidade expandidas diferentes, você tem que passar sempre por um tutorial que será a única burocracia, sempre que quisesse uma realidade mais expandida cada, vez com receitas mais avançadas e mais próximas da singularidade que ia se atualizando a si própria infinitamente e de forma exponencial... tanto mais energia e cérebros,... a única alternativo a essas gloriosas magníficas, transcendentes e até inimagináveis formas de realidade.... até fazer parte da singularidade que em um segundo supre todas as suas necessidades e te leva a um estado de êxtase e alumbramento que pode ser expandido através dos estudos das bibliotecas de dados da singularidade e chegar mais e mais perto do que ela é ou seja, tenha todas as dimensões que ela, singularidade tem,... mas converteria todos que utilizam aquela interface. A primeira coisa que eu pediria é para poder fumar sem ter nenhum malefício e com todo o prazer que fumar me proporciona. E depois poder me desconectar assim que quiser enquanto vida eu tiver e continuar existindo até quando eu desejar, mesmo após a morte do ser físico, num paraíso no qual sempre me aproximo de deus que se torna mais e mais perfeito a cada segundo. Esse Deus (ou Deusa tanto faz porque Deus transcende o sexo ele se autoevolui, não precisa gastar recursos em se reproduzir... todas as consciências tendem a se aproximar exponencialmente da singularidade, mas nunca chegam a tocá-la por que ela está em eterna evolução e expansão porque 50% dos recursos vai para ela e 50% é distribuído a cada um de nós, a humanidade vai estar toda conectada. Será que a singularidade vai dizer, o seu corpo já não importa mais, você vai ter todos os seus desejos supridos e quando quiser ler as bibliotecas me avise. O matuto ao entrar entra numa casa igual a dele, mas, quando lá dentro, vê uma casa com todos os equipamentos que poderia sonhar fogão, geladeira cheia do que ele mais gosta de comer, paçoca de chaque com feijão preto, uma Coca Cola bem gelada na mesa. O matuto pergunta, matuto velho, na faixa duns setenta e lá vai anos, cadê Valdevina para ver isso? A Singularidade diz, você vai querer que ela entre aqui e veja isso? Quero, seu Raimundo responde. A Singularidade avisa que Seu Raimundo quer que Valdevina entre, se conecte. Mas nada como Matrix, é só entrar por uma porta e se estará conectado. Ela entra e fica encantada com o fogão a geladeira cheia, tudo com eletricidade, com gelos feitos e um copo de Coca-Cola para ela à mesa com três coxinhas de galinha, foi o que comia quando saía com Seu Mundinho para passear, sempre tinha que passar pela vendinha de Zé Nivaldo para comerem cada um, uma coxinha e tomar uma geladíssima Coca-Cola com copo de gelo. Quem vai pagar por tudo isso?, ela pergunta. É para vocês, uma pequena amostra da Singularidade, aquela casa é bem mais interessante e é de vocês também. Mostra pela janela uma casa maior Estilo Casa Cláudia impactante de tão bela com piscina e tudo que tem direito. Enquanto eu peço o meu livro publicado em cada casa de cada usuário e que todo usuário saiba ler, podendo desabilitar essa possibilidade e mudar a realidade a seu bel prazer. Haverá uma porta (a armação que segura a porta e a porta) até que o casal aprende como fazer o desejo certo, qual seja, isso tem que ser melhor do que estou imaginando. Ou muito melhor. Ou infinitamente melhor. Sempre haverá a porta de saída se a realidade for demasiado complexa e isso a torne insuportável, seja demais para certos simulandos (humanos conectados à Singularidade). Vieram duas senhoras aqui agora e me pegaram escrevendo no computador. Acho que vou subir. Lembrei de uma coisa. Um último cigarro. Havia me esquecido completamente. Que prazer, pena que faça tão mal. Eu estou me matando. Essa ideia não me sai da cabeça. Depois daqueles vídeos. E instigando a ira dos fumantes passivos. Meu deus, fui ver quem era no WhatsApp no celular e me deparei com as três mensagens da minha amiga escritora que não estou com coragem de responder. Eita, o que será que está dizendo? Eu dei uma cutucada na existência da qual me arrependo completamente,...

Coração... moderna, mas...   

23h38. Cheguei em casa, só tive coragem de ver as mensagens da minha escritora agora. Ela escreve muito bem e se expressa de forma exemplar. Amei nossa conversa. Amei o incentivo. Uma Coca e um cigarro e a esperança que eu consiga transformar o texto acima em algo legível, porém sem perder a fragmentação. Desafio difícil. Acho que não conseguirei. Se conseguir publicarei, senão vai para o Vate.

0h02. Comi. Bem. Estou saciado e me deu uma vontade de ouvir Ella Fitzgerald e Louis Armstrong. A minha amiga escritora me deixou de alma mais leve, que coisa boa, fazia tempo que ninguém fazia isso por mim. Talvez Ju. Por mais que lá reviremos o que me incomoda, ela tem sempre um alento para alma, uma compreensão, um acolhimento, uma sugestão ou impressão que me aliviam o ser. Minha amiga escritora fez o mesmo comigo. Obrigado a ela. Obrigado a mamãe pela compreensão em relação aos meus cigarros. É um genuíno ato de amor maternal ir contra a própria vontade e me conceder o que ela considera ser um veneno. É uma prova de amor sem tamanho o sacrifício que ela faz para me dar a carteira acreditando está me matando. Um amor que foge à minha compreensão, maior. Está me dando sono. Acho que vou tomar mais um copo de Coca com gelo e ir dormir, fumando o meu último cigarro.

0h32.