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sexta-feira, 30 de novembro de 2018

ALAGOANA


A alagoana voltou a dar sinal de vida e ao que tudo indica está disposta a passar uma semana comigo em Maceió. Blanka, por outro lado, parou de me responder, talvez esteja impossibilitada devido ao acidente com a mãe, que caiu e parece que vai ter que sofrer uma cirurgia. Bem na semana da festa de 15 anos que iríamos. Confesso estar meio desanimado a respeito dela, às vezes penso que inventou tudo isso para não ir e que vai ficar sem falar comigo até depois da festa. Veremos. Acabei de descobrir que a minha calça social não cabe mais em mim.

17h05. Reservei um flat em Ponta Verde que acho que está de ótimo tamanho e preço, posso cancelar até dia 14 de fevereiro se a alagoana der para trás. É a forma mais econômica e privativa de realizar essa aventura e todos dizem que a localização é ótima. Mandei fotos para ver se animam a alagoana a topar essa empreitada que para mim é primordialmente sexual. Claro que vou querer ir a um ou dois bons restaurantes, tomar uma cerveja na praia, tomar um banho de mar, mas o principal é desfrutar da delícia que é a alagoana. Dormir com uma garota, há quanto tempo não desfruto disso? Dez anos, quase onze. Queria muito, muito, muito que tudo acontecesse como estou planejando e desejando.

18h48. Voltei da cabeleireira, onde fui fazer a barba para o evento de sábado e Blanka me explicou toda a situação, a mãe vai fazer uma pequena cirurgia amanhã para pôr um osso no lugar, mas não disse se iria à festa ou não.

19h24. Estava desabafando com a minha amiga enfermeira sobre a minha enrolada situação. Nossa que confusão. E acho que acabarei de mãos vazias como comecei. Pelo menos tenho o alento das minhas bonecas. Espero que meu irmão tenha combinado com algum vizinho para pegar as correspondências, não quero que chegue coisas da MoAF e fiquem um mês pegando neve. Poderia causar sérios danos aos bonecos. Vou até me comunicar com ele a respeito disso.

21h24. Falei com minha amiga enfermeira e com Blanka até agora. É praticamente impossível que vá à festa, não há quem a renda no hospital. Mas, não sei por quê, guardo um pouco de esperança ainda; minha esperança é assim: quase imortal. Dei umas duras nela, pus algumas coisas em pratos limpos. Gostaria que mamãe não objetasse que ela viesse ao aniversário do meu irmão aqui no prédio.

22h09. Repassei a mamãe o que o havia dito a Blanka e respeito dela, acho que ela reagiu como se achasse que eu queria queimar o filme dela com a futura nora. Quando mencionei a festa de Paulo, que Blanka poderia e estava disponível disposta a ir, mas que isso violava a regra de ela não passar da portaria do prédio como estipulado por mamãe, ela começou dizendo que não tinha nada a ver com ela, era um espaço público, depois fechou reafirmando a sua regra, então fiquei sem entender se podia ou se não podia. Agora, na minha cabeça, trazer Blanka para a festa me parece um desafio social, quero crer que mais fácil depois da festa de Natal dos Barros, outro desafio social. Queria que meu irmão dissesse, “olá, Blanka, bem vinda à família, nesse caso, a dos Barros” e minha cunhada completaria, “Barbosa de Barros” pois o seu núcleo familiar estaria presente. O celular piscou e uma mulher no aplicativo está se oferecendo de esposa para ascender financeiramente, viver em melhores condições e mais confortáveis que a atual. Talvez até pudesse virar profissional do lar, dona de casa. Essa parte da dona de casa é muito atraente para estrangeiros, ter tudo limpo, cozinhado, a casa sempre em ordem, tudo comprado, menos as compras dele na Amazon; às dela já haveria feito. Dois consumistas como toda a humanidade, essa necessidade de ter mais que todos os homens têm. E que hoje evolui para ter o melhor possível, a melhor tecnologia. A Apple é em teoria a marca mais desejada, seus produtos são mais valiosos para quem os possui, pois, seguindo ouvi, é a marca mais valiosa do mundo. Vou comer, e tomar Coca e fumar.

23h46. Vesti o pijama, tão mais confortável

0h00. Mandei para a alagoana:

“Espero que nosso segredo, nossa pequena aventura particular por Maceió, cresça em você. Experimentar o novo, embora gere receio, eu também sinto, pode ser muito bom. Uma memória boa para guardar é o que sei que vai gerar, uma boa lembrança de um bom e curto momento que a vida deu”.

0h15. Meu intento com o texto acima? Que ela entendesse que é um segredo, ninguém além de nós (e minha mãe) vai ficar sabendo; que a compreendo e que vai ser uma coisa curta e boa. Não quero deixar espaço para culpa e medo. Nenhum receio. Vou fumar um cigarro e acho que vou me retirar.

0h31. Estou sem internet. Mais um motivo para dormir. Não vejo o meu pau como algo sexualmente desejável ou excitante, isso me consome. Vou fumar o meu último cigarro e ir dormir.

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7h12. Madruguei hoje, fui fazer xixi, emendei com um cigarro com Coca e acabei despertando. Mamãe estava suspeitando que eu havia cheirado cola, ainda bem que me perguntou e desfez suas suspeitas, eu espero. Nem sabia que havia cola aqui e, mesmo se soubesse, não mexeria. Não quero mais me meter com cola. Eu estou focado nas garotas e na minha coleção. A minha última peça já foi enviada para o Brasil, encontrará forte rejeição de todos, o que me diverte, pois não quero agradar ninguém além de mim mesmo com a coleção. Minto. Quero que meu quarto seja um local curioso que desperte a vontade dos visitantes de conhecê-lo, se depararão com essa peça que foge completamente aos padrões, mas verão tantas mais encantadoras ou cool que o conjunto parecerá interessante, quiçá meio mágico, como um museu, um pequeno museu de pequenas maravilhas. Queria que todas ficassem ao alcance dos meus olhos em especial as garotas. Mas todas de 1/4, se possível. Todas, inclusive as de anime se possível, mas aí acho improvável. Espero que a arquiteta opere milagres. Estou com a cabeça muito mergulhada no maravilhoso mundo dos bonecos porque não há novidades no campo das garotas, acho que a alagoana não vai topar, mas vamos ver o que a vida traz. A semente foi plantada. Espero que daqui para lá mamãe já tenha aceitado mais Blanka e que libere o cartão para a viagem. E o preço do flat. Para ficar num lugar desconfortável e sem privacidade, melhor nem ir. A outra pousada que me encantei ficava isolada da cidade num lugar massa, era linda, mas teria que consumir tudo da própria pousada, o que acabaria saindo muitíssimo mais caro. O flat é perfeito. A maioria dos casais recomendou e a localização recebeu nota 9,4, o que é um grande ponto positivo para mim que quero fazer um pouco de turismo sem andar muito. Da varanda, não sei se a do apartamento que peguei, consegue-se ver o mar no final da rua. Poderei fumar na varanda, o que é outro plus, embora a pousada oferecesse varanda também, mas não a mesma privacidade. Bom, tenho até 14 de fevereiro para desmarcar sem custos, mesmo prazo que a alagoana tem para decidir se me acompanha ou não nessa aventura.

8h04. Voltei pensando nos comandos que mamãe me deu. Ela se tornou mais agressiva, impaciente, com a troca de remédios, mas se se sente bem, desde que não me agrida, ótimo. Pelo menos parece mais disposta e isso já é muito bom.

8h36. Fui levar umas coisas para a minha mãe ao carro e quando volto sou recebido por notícias de Blanka, sempre uma alegria. Queria muito que ela fosse para os 15 anos. A esperança resiste, mas é inútil. Mamãe já jogou agouro dizendo que as bonecas não vão caber todas no quarto. Se for o caso, tiro até a TV, mas não queria, por mais que não a use para muita coisa, nesses últimos dias, além de um pouco de Inside, para coisa nenhuma. Nem tenho vontade de usar. Mas para o caso Blanka ou qualquer outra que venha passar a noite aqui, a TV é essencial, com seus seriados e quiçá, a depender da pessoa, games.

8h46. A caveira já está no correio australiano. Nossa, minha mãe vai odiar. Disse a ela que completei a minha coleção. Mamãe não acreditou porque eu já disse isso várias vezes, segundo ela. Essa é a vez que sinto como a mais definitiva. Eita, entrou um Audioslave agora que eu estava precisando ouvir para instigar. Nail in my head from my creator, You gave me life now show me how to live”. Eu curto esse som. E penso na minha coleção e no agouro de mamãe. O desafio será lançado em fevereiro para a arquiteta. Há realmente uma pletora de bonecos, cerca de 15 anos colecionando, não é para menos. Queria continuar, mas estou satisfeito com o que tenho. Sério. Talvez venham a lançar algo que me encante, mas acho difícil. As duas peças que mais amo? O Hulk e a Harley Quinn, ambas da Sideshow. Dificilmente serão barradas, se a pintura da Harley Quinn realmente ficar tão boa quanto a do protótipo. Tenho muito medo disso. A pintura da Rebel Terminator, já revelada, me desapontou um pouco. Mas chega de falar de bonecos, né? Não há novidades no campo das garotas. Mandei mensagem para a Gatinha, talvez possa ir à festa comigo. Não queria. Queria Blanka. Ou ninguém. A Gatinha só seria legal para encontrar vovó. Tomara que ela tenha compromisso amanhã e não possa ir. A Gatinha visualizou as mensagens agora e nada respondeu. Acho que vou fumar um cigarro para a vida passar mais depressa.

9h28. Marteladas me rodeiam e eu com o som no talo, estou bem no meu mundinho, só um tanto ansioso. E sem saco para escrever. Vou dar uma passeada pelo fantástico mundo dos bonecos.

10h14. Vou fumar, acordei muito cedo, então o dia parece muito mais longo.

10h35. Última xícara de café fria. Minha tia, mãe da aniversariante, está inconformada porque não vai conhecer Blanka, como comuniquei no grupo. Repassei a mensagem para Blanka, vamos ver no que é que dá.

11h05. Até agora nenhuma mensagem do meu enroladíssimo rolo.

15h05. Em teoria, a operação da mãe de Blanka deve estar se dando agora. Ou sendo encaminhada. Acredito que não deva estar sozinha no hospital e que por isso não pode se comunicar comigo. Dormi cerca de duas horas. Acordei meio deprê, mas não há razão para isso. A vida continua bem, eu continuo bem. O que tiver que ser será e não há como escapar disso. Logo que acordei mergulhei no maravilhoso mundo dos bonecos que era o que estava aberto aqui no computador. E acabou-se a terceira página. Revisar e postar.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

SERÁ QUE HOJE VEJO UM FILME?


Uma promessa de diversão adiada para amanhã. Outra promessa de diversão praticamente assegurada para o sábado. Essa semana está sendo boa para mim. E parece que passou voando por causa da saída que fiz ontem para o lançamento do livro de nossa amiga escritora. O chato é que estou sem ânimo de ler o livro. Essa minha aversão a tudo que não seja a escrita começa a ser sufocante. Estou me sentindo desconfortável escrevendo isso, ao mesmo passo que não sinto ânimo para fazer mais nada. Talvez um filme mais tarde. Tenho dois em mente, “Cargo” e “Thor: Ragnarok”. Talvez, talvez. E talvez começando a ver eu retome o hábito. Seria ótimo, uma ótima variação no meu cotidiano, desgrudar um pouco desse teclado. Eu sei que isso me faria bem. Racionalmente eu sei. Mas o difícil é o resto de mim fazer o movimento, tão condicionado está com esse hábito, esse vício das palavras.

17h10. Me perdi no site de filmes. Estou cada vez mais motivado a ver um filme, é quase uma ideia concreta.

17h47. Copiei uma série de filmes, três de zumbis, dois de super-heróis e um de ficção científica para assistir. Vi que tenho as duas primeiras temporadas da série “Twin Peaks”, mas não tenho disposição para tanto. Porém estou com vontade de me transportar para mundo outro que não esse onde existo e me dedico às palavras. Vou marcar a sessão para começar as 20h00. Estou com um pouco de fome. Pedirei que mamãe, se puder, faça a farofa de charque para mim. Estou com saudade de Maria, mas acho que é tarde para ligar. Vou tentar.

17h54. Não consegui. Tento outra hora, noutro dia. Amanhã quem sabe. Espero me lembrar. Vou me lembrar, pois vou revisar isso. Vou divulgar o meu post nas redes sociais. O de Camila Coutinho quase ultrapassa a marca das 60 visualizações, parou em 59. Mudei de ideia, não vou divulgar o post anterior porque não quero que alardear a mudança que talvez se dê na minha vida. Puxa, até agora não passei da primeira página, é a falta de disposição para a escrita, acho. O que não quero mencionar me domina a mente. Fantasio. Mas juro que queria estar conversando com uma mulher jovem, bela, legal e inteligente nesse momento. Acho que todo homem hetero queria. Não sei por que Ju ainda não me mandou as opções, espero não estar armando uma cilada para mim. A semana se aproxima do fim. Amanhã já é quinta, o que significa que nessa semana provavelmente não vá rolar o primeiro encontro. Estou tomando a minha última xícara de café. Acho que vou ver “Cargo”, mas não dou certeza, posso ir para o outro extremo e assistir “Valerian”, realmente não sei, mas algo me diz para assistir “Cargo”.

18h45. Estava até agora conversando com minha antiga dupla na 3Pontos e ele me mandou uns trailers superengraçados de “Thor: Ragnarok” que não passaram no Brasil. Fiquei com vontade de ver o filme. Minha bunda está doendo de passar tanto tempo nessa cadeira. E volto eu para essas palavras que estão tão sem graça ultimamente. Estou baixando um bocado de filmes e nem sei ainda se vou ver algum. Hahaha. Isso não é lá muito engraçado, mas vamos ver o que acontece às 20h00. Talvez veja o Thor, talvez o “Cargo”. Talvez um depois o outro. Ou não veja nada e fique aqui a escrever sobre a minha vã existência, mas há tempos não me sinto tão empolgado para ver um filme. Acho que dessa vez vai. Coloquei outro para baixar “Coco” da Disney ou da Pixar, nem sei. Tenho várias animações para ver. E tenho vontade de fumar um cigarro para dar um descanso às minhas nádegas.

19h05. Voltei. Estava sonhando enquanto fumava. Com a possível AT. O que é AT? Não quero revelar agora. Já revelei em outro post. Nesse, que pretendo talvez divulgar quero que permaneça em segredo. É algo que não fala bem de mim e diz muito da minha condição de isolamento social. Será talvez uma bênção nesse sentido, então fico a elucubrar sobre o assunto. Ju ficou de me passar as possibilidades ontem e não o fez. Deve ter esquecido. Entendo. Talvez esteja esperando para a próxima consulta, não sei. Não gosto de chamar de consulta, prefiro sessão, é menos frio e mais próximo do que nossos encontros significam para mim. É uma experiência orientada de troca de impressões e percepções acerca da minha vida e da vida de modo geral. E chegamos à conclusão de que eu estava insatisfeito com a minha atual situação de ficar a minha vida inteira escrevendo e que a possibilidade de passar a minha vida inteira escrevendo me assustava. Nossa, vai ser uma decepção se a AT for feia. Seria muito mais fácil e interessante para mim que fosse uma gata. Que eu a considerasse bonita. Que me encantasse. De todo modo será uma revolução social para mim, como já disse no outro post, e acho que será inevitável uma transferência afetiva da minha parte. Eu sou carente demais. Talvez por causa disso Ju esteja pensando em me indicar um homem. Não rolaria para mim de jeito maneira. Se for homem, não vai rolar para mim, eu que só faço interagir com homens ou, mais raramente, com mulheres que não me atraem. Mas vou mudar de assunto. Pode ser que o meu amigo da piscina satisfaça as suas necessidades sexuais (e as de sua namorada) e venha dormir aqui ainda hoje o que possibilitaria talvez um encontro hoje à noite, mas acho difícil. Vai querer dormir junto, eu creio. Ele me ensinou que para mulher não importa bucho, feiura, nada disso, o que importa é a conversa. E a conversa é justamente o que me falta. Ou oportunidade para ter tais conversas. É aí que a AT entra. Como esse assunto vai dominar meus escritos se AT realmente existir, vou falar mais abertamente aqui sobre o assunto, pois é a expectativa do momento. É a coisa que mais me acende a alma. Mas tenho quase certeza que vou me decepcionar. O acaso-destino poderia me sorrir dessa vez. Sei que em muito já me sorri, mas dessa vez seria essencial. Seria outro divisor de águas para mim. Acho que Ju está considerando, dado o meu nível de carência, que vou me apaixonar rapidamente pela pessoa e que esse não deveria ser o foco da coisa, mas são dez anos de carência, vou me frustrar com a impossibilidade de concretização desse amor, que não é concretizável, e tal frustração acabe sendo um impedimento para a relação terapêutica. Mas acho que a transferência afetiva vá ser inevitável. Será que conseguiria seduzir uma AT? Acho improvável, para dizer o mínimo. Acredito que elas saibam como manter o distanciamento emocional adequado (para elas). Quem não vai saber sou eu. Eu não sei para onde sair com a pessoa. Eu preferia, das primeiras vezes, ficar na piscina conversando. Eu acho. Só de pensar já me bateu um medo. Medo que é natural quando uma novidade se apresenta na vida, uma mudança. Eu tenho uma pessoa específica em mente, ex-estagiária do CAPS/Espaço Rizoma, casada até onde sei e gatinha. Ela seria uma opção que me contentaria imenso. Mandei a sugestão para Ju, para ela ter ideia do que me passa pela cabeça. Que tipo de pessoa me seria perfeita.

20h10 e não coloquei filme nenhum para assistir, parece que vontade sumiu falando desse assunto que é tão mais interessante e humano para mim. Mais pessoal também. Vai acrescentar um fator novo na minha vida com o qual eu não contava até segunda passada e que não me sai da cabeça desde então. Meu padrasto chegou. Interroga minha mãe sobre o joelho, creio. Acho que dentro em breve vou ver o filme mesmo. Acho que vou de “Cargo” mesmo. Caramba, a viagem me atingiu como uma locomotiva o juízo. Tenho que relaxar quanto a isso. Também. Interessante como fico mais tenso quando o meu padrasto chega. Não sei por que isso, nunca me fez mal e só me deu um esporro na vida. Mas que esporro. Até hoje não me desceu a goela. Eu não verei mais jogos de futebol na presença dele. E tenho dito. Mas posso desdizer. Embora me lembrar me dê raiva até hoje. E já fazem quatro anos. O post sobre Camila Coutinho chegou à marca das 60 visualizações. Ela tem lá o seu poder. Eu gosto do post da AT. Acho que vou divulgá-lo. Ou não. Mas será uma parte importante da minha rotina. Sei lá. Esse post já dá uma boa ideia do que uma AT seja. Acho que meu padrasto está comendo, sinto o cheiro da comida daqui. Queria fumar um cigarro, mas isso só quando ele sair da cozinha. A sessão de cinema foi protelada até as 21h00. Assim posso escrever mais. Embora agora que falei de todas as minhas expectativas em relação a AT, não resta muito a dizer.

20h36. Ju não viu minhas mensagens e não verá hoje, tenho convicção. Não sei o que achará delas. Não sei bem o que pensar, talvez em destruir um casamento... hahaha. Obviamente não me acho tão interessante assim. A figura é casada com um baixista de uma banda de rock daqui, como posso competir com isso? Já estou delirando completamente agora. Estou curioso com quem Ju vai me sugerir. Muito curioso. Curiosíssimo.

20h56. Já tomei o remédio e a hora de sessão de cinema chegou, mas não estou disposto ainda a enfrentá-la. O que me bloqueia eu realmente não sei. Não estou com vontade suficiente de assistir. Estou com minhas fantasias na cabeça. Graças aos céus a fantasia do livro só me veio agora. E hoje acho pertinente, por mais que achasse que tivesse que ter narrado mais comportamentos dos pacientes com distúrbios mentais, mas não tive essa visão na época e agora já foi. Vivi, escrevi, está vivido e escrito. Entrou na parte da lista 6 que é o disco de Ella Fitzgerald e Louis Armstrong. Tocou no lançamento do livro. Só falta achar um meio meritório de ser publicado. Mas o dia vai chegar. Eu sei que é só triscar em mim, ser engraçadinha para eu me apaixonar. E não ser gorda. Não curto. Me perdoem as gordinhas, mas prefiro as magrinhas. Nem gosto das gostosonas, tipo avião, não gosto de mulher grande, intimida. E não tenho tesão. Bom, estou redundando eu creio e creio que deveria ver o filme. Cadê a disposição? É de lascar, se fosse posto de frente para a TV ligada com o filme passando talvez assistisse. Não sei. Vou ao menos plugar o HD externo na TV. Pronto pluguei. Uma etapa a menos. É só ligar a TV conectar e assistir. Que saco não ter saco para ver um filme que tenho vontade de ver. É tão frustrante, é como se houvesse uma gravidade desse teclado e dessa tela que me atrai para eles. As palavras, as palavras. E o som com Ella & Louis está tão gostoso de ouvir. Sei não, eu, viu? Mas vou assistir o filme ainda hoje, eu acho. Hahaha. Ozzy, ozzy. Estou pensando na sugestão que dei a Ju.

21h29. Olhei o Twitter. Perdi o meu tempo. Por que eu não boto a droga do filme para assistir. Acho que vou jantar. Talvez de barriga cheia, alguma coisa mude.

22h04. Eu cheguei a botar na tela para clicar e começar o filme, fui jantar, mas quando voltei não tive vontade nenhuma de assistir. É ozzy ao extremo. Mas é a vida como se revela agora para mim. Não estou com saco de escrever tampouco. O que me resta? Existir por existir? Isso é de uma pobreza imensa. Vou seguir me dizendo aqui, por mais que a saciedade me roube quaisquer disposições. A saciedade rouba-me de mim. Fico sem motivação para nada. Só fumar cigarro e beber Coca.

22h23. O dia ficou tão desinteressante de barriga cheia, o tédio impera e começou Faith No More na lista 6, não estou a fim de ouvir. Vou pular. Pulei para a única do Lemonheads da lista “Into Your Arms”. Acho que vou comer a coisa doce e ir dormir. Veremos.

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8h49. Hoje tive um pesadelo do qual minha mãe me despertou para tomar o remédio e cá estou nesse horário extremamente cedo para os meus padrões. Meu amigo redator gostou tanto da dedicatória da nossa amiga escritora que colocou como foto de perfil do WhatsApp. Ele certamente pagou com juros e correção o que aprontou com ela. Seria tão bom que essas duas almas se reencontrassem.

8h58. Mandei o parágrafo acima para a nossa amiga escritora. Adoro cutucar a existência. E se é pelo bem de duas figuras que gosto e admiro bastante e que tiveram a relação interrompida pela imaturidade dele à época, acho que é uma boa causa. Ainda estou acordando. Já tomei duas xícaras de café. E tenho só uma Coca. Menos de uma Coca. E um longuíssimo dia pela frente, como há muito não tinha. Isso não é ruim, pode ser que hoje assista um filme. Hahaha. Até parece. A história da AT já vem me assombrar, é a minha nova fixação. Não gosto disso, posso ter uma tremenda decepção. Aliás, certamente vou ter uma decepção.

9h19. Fui pegar café e fiquei zanzando pela internet. Não há mais o que ser dito sobre a AT. Só esperar pela manifestação de Ju. Que acho que não vai gostar da minha sugestão. Já estou com vontade de fumar outro cigarro. Preciso me segurar. Só tenho seis. Mas pela manhã é quando fumo mais. Vou esperar dar 9h30. O bicho apitou pensei que era Ju, mas era o meu colega de CAPS perguntando se eu queria conversar porque lhe contei sobre o pesadelo que me pôs de pé mais cedo que o habitual. Não sei se gosto ou desgosto de ter acordado mais cedo. Acho que gosto mais do que desgosto. Sobre o que foi o pesadelo? Chegávamos eu e meu amigo com quem morei de um final de semana na praia e várias pessoas, amigos, estavam em nosso apartamento, estavam todos com maconha e o apartamento estava todo sujo. Até com areia de praia. Sei que minha avó materna aparecia para dar uma arrumada no apartamento e pegava no pesado, com rodo, água e sabão e nada de o apartamento ficar limpo, em grande parte porque os cigarros que eu estava fumando deixavam muitas cinzas, cinzas demais, no chão vermelho tijolo do local. E era me dada a incumbência de montar uma daquelas fonte de água, que a mesma avó, a única que é viva, havia me dado e eu não conseguia entender as instruções e montar a geringonça. Em certo momento, minha avó pegou ar porque ela limpava e o chão ficava sujo, meu amigo também estava puto com a aglomeração lá em casa que nada fazia e eu só queria tudo arrumadinho para poder fumar um com a galera. Tentava abraçar minha avó e acalmá-la, sem muito sucesso, foi quando minha mãe me acordou. Vou tomar um café e fumar um cigarro.

9h47. Fiquei tão absorto pensando em garotas e amor, dois assuntos interessantíssimos, que fumei o cigarro sem perceber. Foi um cigarro desperdiçado, bem dizer, pois não me concentrei em momento sequer no ato de fumar. Foram vários pensamentos, não os enumerarei aqui, resta dizer que acabei de fumar pensando que havia ido cinco vezes a um motel na minha vida. Duas vezes com prostitutas, que não comi, duas com uma namorada e uma para uma festa com os amigos da agência. Na segunda vez que levei a minha namorada, aluguei o maior quarto do hotel. Era imenso, tinha três andares, elevador e piscina, só para dar uma ideia, além de vários quartos, foi uma experiência meio fantasmagórica aqueles lugares todos vazios e só nós dois lá dentro. Acabamos que ficamos na cama de casal que achamos mais aconchegante e de lá não saímos. Era tudo o que precisávamos, todo o resto foi desnecessário. E bote resto nisso. Pelo menos conhecemos a dependência mais cara do motel, foi, bem, educativo. Aprendi que para duas pessoas que se desejam, elas se bastam e uma cama ajuda. Nossa, como queria que minha amiga escritora e meu amigo redator acertassem os ponteiros. Acho que seria ótimo para ambos. Preciso dar uma chance ao livro dela, mas nesse meu lento despertar é uma ideia que passa longe. Escrever é mais fácil e demanda menos de Tico e Teco. Acho que às 11h00 vou dar um passeio. Estou deixando o celular dar uma carregada. Hoje parece que é um dia abafado, estou com o ar ligado aqui e não sinto frio. Choveu pela manhã. Espero que não aconteça de chover quando eu for à rua. Não sei se terei disposição mesmo, mas seria uma boa. Lembrei! Eu preciso ajeitar o acesso ao meu cartão poupança no banco. Que saco, odeio ir a banco, mas vou fazer isso, é uma caminhada e resolvo logo esse problema. É uma saída com objetivo, chato, mas prefiro que uma saída a esmo.

10h10. O que queria agora? Nada. Do jeito que está, está bom. Não queria nenhuma notícia boa ou ruim. Queria me deixar estar aqui como aqui me deixo no momento. Já estou na quinta página. Invadi o quarto do casal, que dormia ao ar livre, na calçada ao lado do prédio de luxo, para passar para comprar itens desnecessários à minha sobrevivência e aos quais o casal nunca teria ou terá acesso em sua miserável existência. Me senti quase indecente fazendo isso, como se estivesse sendo acintoso com aqueles dois corpos magros, marrons, abraçados no passeio público cobertos por uma velha, surrada e rota manta. Tudo o que tinham estava ali a vista das pessoas que olhavam com descaso e até ofendidos com a cena, como se fossem intrusos dentro de suas realidades pequeno-burguesas. Foi uma imagem que não saiu da minha cabeça e o contraste quando olhei para o meu carrinho de compras só me fez me sentir mais culpado por ter nascido em berço de ouro. Não trocaria de lugar, entretanto, com eles, por mais que eles tivessem ao que me pareceu, algo que meu mundo pequeno-burguês não me proporciona, amor de casal. São mais ricos de coração que eu. E que muitos dos que passavam por ali, desconfiados e injuriados com a cena. Já postei as duas fotos antes, mas como não divulguei o post anterior as coloco aqui também.






Depois disso ainda fui à Universidade Católica para o lançamento do livro da minha amiga e vi uma garotada jovem, bonita e bem nutrida de barriga e cuca, muitos com carro, oportunidade que aqueles dois jovens no chão duro nunca terão acesso, que nem lhes passa pela cabeça, pois vivem o momento, vivem em busca da próxima refeição ou quiçá do próximo tiro da pedra, sabe-se lá. Sei que guardo profunda admiração por esses seres a quem o acaso-destino fechou praticamente todas as portas, que não são bem-vindos e bem vistos em lugar nenhum. Que são uma ofensa aos que passam talvez por lhes mostrarem quão dura a realidade pode ser, por mostrarem até aos que pouco têm que têm pelo menos alguma coisa, um teto, uma cama, um jantar para preparar. Sei lá o que digo. E como disse no outro post, acho que uma foto vale mais que mil palavras. E duas fotos valem mais que duas mil.

10h31. Preguiça de ir no banco. Não acredito que passarei por um processo de burocracia digital. Isso é um enorme contrassenso. A tecnologia deveria reduzir a burocracia, mas ela conseguiu se imiscuir na tecnologia, ô, praga.

10h50. Quase hora de ir ao banco. Acho que vou repartir esse post com a minha amiga escritora. Nesse caso, quero dizer a ela que meu amigo redator não pediu que eu interviesse em seu favor, que o fiz de livre e espontânea vontade, que ele até hoje se lembra da bola que você deu a ele (“para você o que você gosta diariamente”) e que seu filho é seu fã e não entende como o pai pode ter perdido “uma garota assim”. Pronto disse tudo o que precisava dizer. Estou novamente me intrometendo na vida de vocês, mas mais do que no direito, me sinto no dever. É tão ruim viver sem ter alguém para amar. Eu que o diga que estou, como os leitores mais assíduos sabem, há uma década sozinho. Minha solidão é tanta e minha dedicação às palavras tão obstinada – ou obcecada – que não consigo colocar um filme para assistir e preciso de uma AT para me fazer companhia. Mas não queria falar de mim, queria falar de duas pessoas que considero especiais, inteligentes e divertidas, que têm senso de humor (que meu pai diria que é a principal característica de quem é inteligente) e que podiam somar muito um na vida do outro, em um nível diferente do que foi no passado, afinal muito tempo passou e a maturidade, no que interessa, chegou para ambos. Acho que estou só desperdiçando palavras aqui, mas essa é a minha especialidade. Escrevo quase sempre para ninguém ou para pouquíssimos. Agora que tenho convicção, se tiver coragem, de que terei uma leitora assegurada, posso gastar minhas palavras com ela. Meu amigo redator, que espero, não leia isso, iria morrer de vergonha desse papel de cupido que faço. Mas o problema é dele, não meu. O meu problema é ver dois “1” solitários e querer ser o “+” para que virem par. Não sei, amiga escritora, se você está solteira de fato, se não estiver descarte isso. Foram e serão realmente palavras em vão. Caso esteja solteira, saiba que o nosso amigo redator sonha com uma outra chance. E acho que ambos estão à altura um das expectativas do outro. 11h06. Vou lá no banco. Quando voltar, escrevo a sétima página publico e posto. Provavelmente a próxima página será escrachando o sistema bancário. Hahaha. Vamos à luta.

11h43. Voltei, o banco estava insanamente cheio, lotadíssimo, não tive coragem de enfrentar aquilo e um bando de gente de idade tendo que passar por aquele inferno, homem primata, capitalismo selvagem. Vou de novo quando os bancos estiverem mais tranquilos. Aproveitei e passei no banco onde o meu amigo de CAPS trabalha para dar um abraço nele, que está passando por uma crise e tendo que trabalhar num dia de imenso movimento. Embora o banco em que eu deveria ter entrado estivesse muito pior, talvez por ser uma agência menor. Não sei, sei que o meu problema pode esperar, não preciso disso agora, queria só solucionar um problema com a minha conta poupança, pobre daqueles que realmente precisavam estar lá e enfrentar as filas. Coitados. Voltando e respirando outros ares acho que essa minha ideia de servir de cupido deveras ridícula, mas as regras do meu blog são claras, se está escrito, fica. Vou pagar o maior papel de palhaço, mas era o que eu era nos velhos tempos, visto-me mais uma vez desse papel no picadeiro da vida para o revival ser completo. Hahaha.

11h55. Pelo visto ainda tem uma sobra da página seis para escrever. O que digo agora. Ainda não consegui ler Natasha, na verdade, amiga escritora, não gosto de ler, gosto apenas de escrever o que, eu sei, é contraditório, pois quanto mais se lê, em tese, melhor se escreve. Prometo que tentarei, nem que seja um conto por dia. Assim que publicar e divulgar esse post, eu tento ler um capítulo e ver um filme. Acho que não começarei por “Cargo”, por ser muito demandante emocionalmente, vou para uma coisa que precise de menos miolos, o Thor. Ah, amiga escritora, obrigado pela dedicatória, muito daquele menino agridoce ainda existe de fato, tanto é que me passo por esse papel ridículo, tentando refazer um laço rompido há vinte anos e cujo interesse da outra parte é confesso, real e sincero. Meu deus, se nosso amigo redator souber do que escrevo aqui, acho que terá um enfarto. Hahaha. Mas eu posso dizer a você porque eu não sou ele. Então uso minha boca, ou os meus dedos, para fofocar o que ele me disse. É interessante imaginar que estou conversando com você. Por sinal você está muito bem, não mudou nada desde aqueles tempos há muito idos. Quanto a mim? Ah, passei por cada coisa que você não pode nem imaginar. Daria outro post só para te contar. Síntese? Burnout, abuso de drogas, tentativa de suicídio, manicômio privado, repeat. Mais ou menos isso. Hoje já não trabalho, sou curatelado e passo os meus dias a escrever asneiras como essas que lhes são dirigidas nesse blog para um punhado de gente desconhecida ler. Raramente tenho mais de 40 visualizações. Escrevi um diário quando de um internamento no manicômio que sonho em transformar em livro, mas só se alguém meritório ou uma editora achar o material merecedor disso, não me publicarei por egolatria somente. Meu ego não é tão grande. O fantasma do meu pai, por outro lado, é imenso e castrador. Está sendo revisado. Mas não sei se vai ser publicado, justamente porque preciso dessa aprovação prévia para sentir que o material é válido. Mandei para Raimundo Carrero que disse que leria com prazer, mas não cumpriu o que prometeu. Foi um baque para mim. Mas estou de boa agora. Quando a revisão ficar pronta e a incrível revisora (como a chamo aqui) e eu acharmos que está redondo eu vou apelar para um tio meu que é secretário de comunicação e se este não der jeito eu saio mandando para as editoras que aceitam originais. Ah, eu e meu amigo redator, com o seu filho de 16 anos estaremos no Relaxa o Bigode no sábado provavelmente do finalzinho da tarde em diante. Tem uns chopes afrescalhados, uns petiscos legais (tudo carne) e uma radiola de ficha inacreditável. Querendo aparecer... fica em Casa Forte, na Estrada das Ubaias. Mas é óbvio que você não vai aparecer e vai achar isso tudo uma grande macaquice da minha parte. Como você pode ver eu poderia ser um dos personagens do circo de Natasha. Hahaha. Desculpe se continuo ridículo e com aspirações tolas como ver dois pombinhos felizes. Mas adoro dar essas cutucadas na existência. A existência é o melhor brinquedo que existe. Sempre que acho uma brecha brinco com ela. A estimulo sem saber direito qual vai ser a resposta, fico só na expectativa do que ela vai me mandar de volta. A existência é fantástica. Pronto, nisso eu mudei. Na maior parte dos meus dias, na maior parte das minhas horas, eu gosto de existir. Isso para mim é uma transformação radical e tremenda. É ótimo gostar de viver, levei 20 anos para chegar a essa conclusão. Minhas depressões sempre foram de rachar. Mas está tudo controladinho agora, tomo os meus remedinhos e faço a minha terapia, agora em busca de gostar de mim. É, ainda não aprendi esse detalhe básico, mas não perdi a esperança de descobrir ainda nessa encarnação, que acredito ser a única, por sinal. Ah, vi o seu filho, que guri bonito. Parabéns. Mostra pra ele o Meu Hulk e o meu Coisa. O Hulk é em tamanho real, diz a ele. Eu achando que você vai ler até aqui. Sou realmente muito sem noção. Ah, e conta pra ele que o meu elevador é cor-de-rosa! Hahaha.



Além de rosa, o elevador é monitorado por HAL. Hahaha.


12h32. Nossa, mas eu sou dado a passar vergonha mesmo. Parece que eu tenho uma vocação para isso. Que saco. Mas é a vida e segue. Tentei cutucar a existência para ver se faço o quase impossível acontecer. Mas só farei papel de um idiota sem noção. Que seja, pelo menos tentei. E você, superego, se comporte na frente da menina, não seja tão grosseiro como costuma ser. Pois é, amiga meu superego é ozzy. Gosta de me humilhar e me rebaixar e me fazer sentir como se fosse titica de galinha. Ou em outra metáfora fecal, a merda do cavalo do bandido. Hahaha. Estou na sétima página e a nova regra do blog é que o post não pode ter mais de sete páginas. Não sei se você leu até aqui e, em verdade, tenho vergonha de saber. Saiba que me diverti bastante escrevendo pensando que o fazia especialmente para você. E para você outro ou outra que porventura aporte por aqui por engano ou interesse. Mas principalmente para a minha amiga escritora, sem dúvida, ela e meu amigo redator foram os personagens que dominaram a minha cabeça no dia de hoje. O café acabou e tenho pouca Coca para tomar e poucas linhas para traçar. Saco é revisar e montar este post. Será que encararei o Thor? Estou com mais espírito para ele. Acho que vou encará-lo, sair dessa fixação de escrever e só escrever. Ou começo outro post, mas estou sem conteúdo, o que nunca foi um impedimento, mas quero me sentir um pouco mais uma pessoa normal, daquelas que usa o tempo livre para ver um filmezinho. Eita a página sete acabou, pulou para oitava. Hora de parar, palhaço imbecil. Obrigado por esse final, superego. Eu fiz por merecer. 12h45.


Adendo 16h23. Eu finalmente consegui assistir um filme! "Thor: Ragnarok"! Você não imagina a conquista que isso é para mim. Não quero ver outro agora, mas acho que verei mais nos próximos dias, quiçá hoje à noite depois do encontro com o meu amigo da piscina (se esse se der).

quarta-feira, 6 de junho de 2018

ACOMPANHANTE TERAPÊUTICA E NATASHA


Voltei de Ju, ela me sugeriu uma acompanhante terapêutica uma vez por semana. Eu disse que iria pensar no caso, desde que seja mulher e jovem. Quem me dera bonita, mas aí já é pedir demais. Ela me perguntou por que mulher e jovem, eu disse porque me intimidaria menos, eu iria me sentir mais à vontade e seria mais agradável. Parece-me uma ideia interessante, seria massa se tivesse carro. Se bem que existe Uber para isso. Não sei onde eu quereria ir. Não há lugar nenhum que me apeteça. Talvez um passeio ao shopping para um filme. Talvez uma caminhada até o parque do baobá. Sei lá. Ter alguém para conversar no coração da semana, no coração da tarde, ainda mais mulher e jovem, seria interessante. Me colocaria num movimento que não conseguiria e não consigo fazer sozinho. Obviamente, se for bonita, eu vou acabar projetando fantasias sobre ela. Talvez seja lésbica, mas se for mulher, jovem e bonita, sendo lésbica ou não, está de bom tamanho. Melhor seria hetero, mas é tão difícil psicóloga hetero. Bem, difícil não é, mas há muitas lésbicas no meio. Se for gorda e feia vai ser uma decepção, mas acho que até assim encararia. Sendo mulher. E jovem. Uma ida até o Açude seria uma. Nossa, estou tomado pela ideia, é como se uma lufada de benfazeja brisa airasse as concavidades do meu ser. É definitivamente uma possibilidade. Para depois da viagem.

17h50. Alguém apagou o post que coloquei no site da tal da Camila Coutinho. Hahaha. Censura! Hahaha. Que pena, sem esse auxílio luxuoso meu post não alcançará as 60 visualizações. Perguntei se apesar da censura, ela havia lido. Fiquei curioso. Hahaha. Camila Coutinho, eu quero é que essa figura exploda de tanto sucesso.

17h59. Outro assunto para me obsediar agora. Quem será a minha acompanhante terapêutica? Eu disse a Ju que estava cansado, enfastiado de pensar sobre o livro. Me perguntou do que achava sobre a atuação do meu tio. Disse-lhe que achava que ele julga estar me ajudando mandando publicidade para eu fazer e que não quer meter o seu nome numa publicação tão polêmica quanto a minha obra, que julga não ser meritória, digna de publicação. Isso é o que eu afiro da sua postura. Mas não me farei de rogado e pedirei que me ajude a encaminhar para as editoras para avaliação assim que o livro chegar a bom termo com a incrível revisora. Falamos sobre a minha relação com as margens da sociedade. Eu disse que tinha piedade, compaixão e admiração pelos que estão à margem da sociedade. Que eu mesmo vou até o limite das margens, que sempre fui um transgressor. E que transgrido no modo de vida que escolhi, mas que admiti não ser suficiente a vida que eu levo, que estou insatisfeito com ela. Ju ficou satisfeita com a minha insatisfação e daí a sugestão da acompanhante. Me lembrei do meu amigo redator com essa história de acompanhante. Hahaha. Nem olhei muito para o meu Hulk hoje e agora é tarde, já anoiteceu e ele perdeu sua exuberância de quando é dia. Estou com a acompanhante na cabeça. Aposto que Ju vai querer me empurrar uma lésbica. Dificilmente me proporá alguém que me encante, pelo menos é o que acho. Não adianta elucubrar sobre o assunto. Eu ronco e babo quando durmo. Foi o que me veio à cabeça agora. Hahaha. Dificilmente me acompanhará tão longe a tal acompanhante. Hahaha. O que é uma pena, a depender da pessoa. E não, não penso em sexo, mas tão somente dormir com alguém, saber uma garota na minha cama, observá-la dormir. Acordar e ela ainda estar lá. Mas isso definitivamente não vai acontecer. Queria que meu celular já estivesse carregado. Para me comunicar com Ju. Está numa fase Björk a lista 6, que ótimo. Não sei o que dizer. Não queria esperar até a viagem para começar esse experimento social. Queria antes, na próxima semana já. Nossa, como queria que fosse uma gata. Me sentiria superbem. Me apaixonaria no primeiro dia, tão carente estou. Hahaha. Eu já sei o que a acompanhante vai dizer se eu puxar um papo romântico, ou que já tem namorado ou que é lésbica.

18h56. Fui comer uma paçoca com feijão agora e minha mãe acha que eu deveria começar o mais rápido possível com a moça, antes mesmo da viagem. Eu sinceramente acho também, estou tomado de esperança e fantasias. Ter alguém, uma mulher jovem para conversar, é uma ideia fantástica. Que me deixa ansioso de um jeito ruim e bom ao mesmo tempo. Eu só precisar ser eu e mesmo assim ser escutado por uma garota é fantástico. Queria isso agora. Espero que Ju não me venha com barangas. Quem me dera fosse uma garota atraente. Sei que não trocaríamos carinhos, a não ser que ambos quiséssemos, mas sei que isso não vai acontecer. Já penso até numa figura comprometida e gata que ela poderia me sugerir. Já a sabendo comprometida, esfriaria os meus calientes ânimos, mas não deixaria de ser uma companhia agradável.

19h31. Me perdi no Pinterest. Meu novo passatempo. Minto. Não me anima a ponto de ser chamado de passatempo.

19h48. Mandei um WhatsApp para Ju, sugerindo que começássemos o experimento social antes da viagem e pedindo para ela não me mandar nenhuma baranga. Hahaha. Acho que ela vai ficar ofendida. Agora já foi. Não sei “desenviar”. Sei que é possível, mas não sei se quero desfazer o que foi dito, prefiro uma figura bonita mesmo, não vou mentir. Estou com medo de enfrentar esse contato com a acompanhante terapêutica agora que ele se aproxima mais de sua concretude. Saco isso.

20h21. Ju riu e disse que amanhã me manda as possibilidades. Ótimo. Excelente.

21h16. Estava conversando no WhatsApp com o meu amigo redator que não poderá ir ao lançamento do livro amanhã e com meu amigo de Lisboa que parece um pouco carente. Meu padrasto acaba de chega e reclama do fedor no hall. Reclama em vão. É o preço da convivência com um fumante. Eu estou mais na minha casa do que ele na dele. Não me incomodo com as gritalhadas dele com a minha mãe e suas manias, que ele me deixe com as minhas. Comuniquei à minha mãe que vou ao lançamento do livro amanhã e ela achou ótimo. Parece que finalmente saio da minha péssima fase. Estou até animado com a viagem, veja só. Será que tudo isso é por causa da possível acompanhante terapêutica? Sabe o que penso fazer a respeito? No primeiro encontro? Que ela realize um desejo meu, uma entrevista para o blog. Ela pergunta, eu respondo. Tudo pelo computador. Vai ser bastante estranho para ela, mas é um começo bem ao meu estilo. Quem me dera fosse uma gatinha. Estou torcendo por isso. Muito. É melhor não criar expectativas. Mas a expectativa da entrevista não vou deixar de considerar. Quem sabe não comece essa semana mesmo? Que ousadia. Sem ao menos me preparar com Ju para o evento. Mas não descarto nada. “Ciranda da Bailarina”; pense numa música que levanta o meu astral. Descobri isso um dia desses e confirmo agora. A lista está passando em modo contínuo. Vai vir duas massas do Counting Crows e depois The Cure a dar de rodo. É até melhor ouvir assim. “A Murder Of One” do supracitado Counting Crows toca, depois vem “Colorblind” deles, para mim a melhor da banda. Estou mais de bem com a vida e não acho que seja apenas por conta da cafeína, acho que tenha a ver com essa ideia da acompanhante terapêutica, que passarei a chamar de AT até saber o seu nome, se é que vai acontecer mesmo. Mas não teria por que não acontecer. A não ser que eu não me encante por nenhuma das alternativas. Ou seja demasiado caro. Vamos ver o que Ju vai me apresentar amanhã. Obviamente pesquisarei no Facebook pelos perfis das garotas. Se soubesse usar Instagram pesquisaria lá também. Acho que essa possibilidade de ter uma mulher na minha vida, mesmo que paga para me fazer companhia é uma ótima. Eu que há tempos não tenho isso e que sinto tanta falta. Experiência social curiosa. Espero que deliciosa e agradável também. Estou gerando muita expectativa a respeito disso. Ainda tinha Cranberries e uma banda que toca uma música de Super Mario Galaxy antes do Cure entrar. Não me empata em nada. Cure entrou. E com uma linda “Underneath the Stars”. Estou pensando e pensando sobre a quem dedicar o livro amanhã. E a ideia me parece bem fixa na cabeça. Nessa cabeça torta.

22h35. Fui tomar os remédios. Minha cabeça está repleta de pensamentos sobre garotas, perspectivas, prognósticos, esperanças, confissões, desabafos, encontros, desencontros, sonhos, muitos sonhos. Meu amigo redator já sinalizou que quer ir para o Relaxa o Bigode no próximo sábado com o filho. Eu de pronto concordei. Ainda mais para começar mais cedo e acabar quando o bar fechar à meia-noite. Perfeito. Estou animado com a vida como a dias não me sentia. Tudo conspira a favor para que hoje o dia seja especial. A consulta com Ju foi boa, minha mãe está empolgada como eu com a ideia da AT, tomei muito café, meu amigo redator já sinalizou um programa massa para o sábado, tomei coragem de ir sozinho para o lançamento do livro, uma série de fatores que, graças, vão além do meu livro, isso apareceu na sessão e permeou uma parte do papo, mas não foi o assunto que definiu a nossa conversa. Estou excitado com o porvir, não vai ser uma mera repetição do meu cotidiano. Não vai ser somente sentar a bunda e escrever. Quero dar uma rosa para a AT. Hahaha. Juro! Qual a explicação que darei a ela? Que faz tanto tempo que não faço uma gentileza a uma dama que não poderia perder a oportunidade de fazê-lo. Apresentá-la ao quarto-ilha e a entrevista na piscina. Estou... agora me bateu medo. Mas, como Ju me disse pelo WhatsApp o medo surge sempre que uma novidade se afigura. Só queria que fosse gatinha e legal. Só? Isso é o que todo homem quer, eu suponho. Mas não poderei pegar nela. E acho que não vai ser gatinha, se for é muita sorte e muita bondade de Ju. Veremos. Amanhã não poderia demorar mais a chegar. Quem imaginaria, minha situação ficar tão crítica que eu precise de uma acompanhante terapêutica para me colocar de novo no mundo. Para redescobrir o que é intimidade com uma desconhecida ou talvez uma conhecida do CAPS, quem sabe? Acho que estou esperando muito da AT. Preciso baixar o meu facho. Mas será uma pequena grande revolução na minha vida. Mandei um e-mail para a Cultura perguntando se eu lançar um livro de forma independente eu posso colocar à venda lá. Não consigo ficar parado em relação ao livro por muito tempo. Sempre me pipoca uma ideia – estapafúrdia – que sinto necessidade de tentar. Vou pegar Coca e fumar um cigarro.

23h25. Eu gosto de entrar no meu quarto-ilha, mas a permanência nele me cansa. Essa coisa a AT, se rolar, espero que mude um pouco isso. Eu poderei fazer o programa que quiser com ela. Até passar uma tarde no meu quarto, o que seria o último programa que eu escolheria, eu acho. A ideia é me libertar do quarto-ilha, seria burrice ficar aqui confinado.

23h47. Me perdi no Pinterest. Estou com receio dessa empreitada da AT não dar certo e eu não saber dizer não, interromper o processo. Será que ela terá carro? Já me indaguei isso, já estou me repetindo faz tempo. Acho que vou comer e dormir. Melhor que faço.

-x-x-x-x-

11h54. Acabei de acordar. Não encontro em mim a coragem de ir só ao lançamento. Ou de encarar a AT. Muito menos ainda para isso. Tive um pesadelo desesperador de que estava numa festa de universidade, calourada, e todos começavam a virar zumbis e a única coisa que importava era sobreviver. Em síntese foi isso. Não estou com disposição para escrever e não tenho café. Ouvindo a lista 6 em modo contínuo já está em U2. “Rejoice” do “October”. Pelo menos não estou de baixo astral. Ou não o sinto ainda. Acabei de dar uma boa olhada para o Hulk sob a luz do dia. Vou pegar Coca que está acabando.

12h21. A Coca acabou. Mamãe disse que vai fazer café. Veio aqui e cobriu o nariz com a camisa, está meio pesado o clima do quarto mesmo. É sempre assim quando acordo. Hahaha. Obviamente se a AT for uma gatinha vai rolar transferência afetiva. É inevitável, eu acho. Dado o meu grau absurdo de carência. Não adianta, mil pensamentos me passam pela cabeça, não apreendo nenhum. Ou quase, lembro das histórias do meu amigo redator, da ida ao lançamento do livro e da AT. Legal que não me passou a história do meu livro. Me passou agora que notei sua ausência do meu rol de pensamentos. Nossa, chegar a um grau tal de isolamento que me seja necessário pagar uma pessoa para me fazer companhia me envergonha. Não quero que a minha família materna saiba disso. Não queria que ninguém além da minha tia-mãe soubesse. Ela já sabe, mandei uma mensagem lhe contando. Mandei uma nova mensagem pedindo confidencialidade. Bom o que tiver que ser será. Passeando pelas músicas do “Rattle And Hum”. Vamos ver se o café me inspira mais. Espero que essa empreitada da AT seja bem-sucedida e útil para a minha pessoa. Vidinha medíocre. Precisar de um expediente desses para me socializar, para ver coisas novas. Acho que terei que ir ao Bompreço antes de ir para o lançamento do livro. Preciso comprar Cocas e cigarro. Dois itens de primeiríssima necessidade para mim que não existem mais nessa casa para além da carteira de cigarros que tenho para fumar hoje. Estou animado com o encontro no Relaxa o Bigode no sábado. Meu amigo redator se diz confiante que as mídias convencionais vão sobreviver às mídias de internet. E deu como exemplo que o maior anunciante de TV seja um site de turismo. O que parece incoerente com a tendência. Eu já sou um pouco mais cético em relação a isso. Acho que tudo converge para a internet.

13h13. Estou vazio de pensamentos, espero que mamãe tenha feito o café, preciso do meu dopping diário de cafeína para funcionar bem.

13h39. Uma xícara e meia de café depois estou cá de volta. Ainda sem inspiração. E sem saco para ir a lançamento de livro ou ao Bompreço. Tenho que preparar o meu espírito para ambas as coisas. A lista 6 recomeçou uma vez mais. “Them Bones” do Alice In Chains tocando.

13h59. Tive que reiniciar o computador para atualizar o iTunes. Me sinto mais desperto, mas igualmente sem conteúdo. Do que quero falar não cabe aqui no Profeta. Ah, meu tio ainda não viu as mensagens de WhatsApp que mamãe mandou para ele. Não importa, uma vez com o livro revisado eu entrarei em contato com certeza. “Orange Sky” de Alexi Murdoch, uma música que fala de amor de irmãos. Garimpada pelo meu irmão que mora nos EUA e nos dada de presente, a mim e à minha irmã que mora na Alemanha e a qual vou visitar dentro de alguns dias. Estou menos indisposto com a viagem, mas não estou disposto hoje como me encontrava ontem. Ontem foi um dia singular, estava animado com a vida e suas novas possibilidades, não me encontro com similar empatia pela existência hoje, estou mais contido e ensimesmado. Uma desesperança em relação à AT me toma. Se não for gatinha, perderá metade do encanto para mim. Vamos ver quem Ju me sugere. Já estou me repetindo demais nesse tópico. Acho que é a falta de conteúdo ou/e a esperança de a AT ser alguém apaixonável do meu ponto de vista. Não acredito que vá conseguir seduzir a AT se ela me for sedutora. Mas gostaria muito que ela fosse agradável aos olhos e à cuca. Minha tia-mãe me respondeu que nada contou da AT e que não contará. Ótimo. Preciso fazer o mesmo pedido à minha mãe.

14h24. Acabei de pedir, ela concordou. O irônico é que reparto isso aos quatro ventos aqui, mas sei que além da minha tia-mãe e sua irmã ninguém mais da família lê, então estou de boa. Preciso ir ao Bompreço. Sem saco nenhum. Preciso ir até as 15h00. São 14h27. Tomar coragem. Se estivesse acompanhado, iria sem problemas, tendo com quem conversar é outro astral, torna-se um passeio e não um fardo. Vou botar mais uma xícara de café, quando acabar, eu vou. Nem botei a xícara toda, acho que vou fumar um cigarro antes de ir, acompanhando esse café, já que não tenho nada a dizer aqui. É bom que ainda estou na quinta página sobra tempo para dizer como foi o negócio do livro.

14h38. Bem, fumei o meu cigarro, tomei o meu café e, mesmo sem disposição nenhuma, vou encarar esse Bompreço porque tenho necessidades básicas a serem supridas. Hahaha.

Assunto: Natasha

17:15. Estou no local de lançamento do livro. Estou morrendo de vergonha. Vim sozinho e já cumprimentei dois amigos da época de faculdade. Um se reproduziu, não sabia e a julgar pelo tamanho do bebê acho que é uma recente novidade. Estou, como sempre, me escondendo nas palavras. Espero ter coragem de comprar e pegar os autógrafos. Minha vontade é pegar um Uber e sumir. Eu não fiz a festa devida por causa do bebê. Não soube fazer. Não me senti disponível para tal. Acho que minha amiga escritora já está no recinto. Está sentada na mesa principal escrevendo, só não consigo ver o rosto. Estou muito errado, nossa. As fotos que tirei hoje mostram como a realidade pode se afigurar de formas completamente diversas num único dia. Parece que ela está dando uma entrevista. E está sendo filmada. Me projeto na mesma situação e sinto um calafrio. Para ela é mais fácil, eu acho, afinal é professora. O que posso dizer da situação? Me sentei bem isolado das pessoas. Preciso tomar coragem para comprar o livro, aliás, os livros, e pegar os autógrafos. Ai, ai, ainda não me sinto apto. Ainda mais com alguém filmando. Como me meti nessa? Se estivesse com a acompanhante gatinha ou com o meu amigo redator, seria uma situação social bem mais fácil. Acho que vou ficar para o final. Talvez seja mais tranquilo. Talvez seja tranquilo demais. Talvez o mais salutar seja no momento de maior concentração, quando eu serei apenas mais um. Nossa, será que sairei daqui sem livro? Não posso ser tão bicho do mato.

17:47. Meu amigo redator me pergunta se já peguei o livro, os livros. Às 18:00, faça chuva ou faça sol, eu vou lá. Tenho dez minutos para me preparar para isso, que situação ozzy. A fila já está grande, acho que não vai ser tão difícil quanto estou projetando aqui na minha neurose escrita. A música ambiente ao vivo é agradável e deixa o ambiente menos hostil. Penso na AT. Cinco minutos para enfrentar a parada. Quatro. Que ozzy. Mas é a vida e eu vou cumprir a missão. Três minutos. Ainda vou ter que mandar o abraço para o amigo que se reproduziu do meu amigo redator. Dois minutos. Saco. Um minuto. Não há por que protelar mais. Vou nessa, encarar o desafio.

Assunto: Pós autógrafos

18:28. Peguei os autógrafos. Foi difícil, mas sobrevivi. Estou contente e com o coração ainda retumbando dentro do peito por causa da adrenalina. Ela é uma mulher interessante, seria massa se ela e meu amigo redator se reentendessem. Vou fumar um cigarro e voltar pra cá. Está friozinho e tem onde sentar. Mas preciso fumar.

18:54. Fumei e voltei. Vou dar um tempo até as 20:00. Aqui e quando terminar, lá embaixo. O que posso dizer? Aqui parece que já se aproxima do fim. E não posso gastar muito mais bateria por causa do Uber. Mas acho que dá legal para escrever mais um pouquinho, 66%. O filho dela é bem bonitinho. Está vendo algum desenho por celular com outro guri aqui na minha frente. Mandei a foto da dedicatória para o meu amigo redator. Acho que ele gostou bastante. Vou parar de responder. De repente, se a galera for daqui para algum lugar... Não. Não teria coragem. E só tenho três cigarros e dezoito reais no bolso. O negócio está acabando mesmo aqui. Acho que já-já saio de fininho. Consegui fazer tudo o que me propus. Só não consegui dar o abraço e dois beijinhos, mas não me propus a tanto. Ah, uma foto da minha dedicatória.





19:18. Está chegando a hora de partir. Acho que vou dar o ninja. Dou um tempo de 40 minutos lá embaixo e chamo o Uber. É, é o melhor a fazer. Vou nessa. Continuo o post de casa.

20h51. Cheguei em casa. Ah, as fotos das diferentes realidades pelas quais passei hoje







Acho que imagens valem mais do que mil palavras. Da completa miséria à arte, passando pela compra de artigos fúteis num só dia. É uma grande variação. Por falar em variação, Ju esqueceu de me mandar referência das ATs. Ainda bem, meu espírito já sofreu oscilações demais por um dia só. Estou de bem comigo, ainda bem.

21h46. Minha mãe chegou e quis ver o livro e a dedicatória. As dedicatórias. E quis que eu tomasse o remédio, o que já fiz. Tenho uns filmes massa para assistir, de zumbi, estou ficando motivado a assisti-los, isso é um ótimo sinal. Preciso recomeçar a assistir filmes. É uma coisa boa, me desfoco disso aqui. Espero que tal ímpeto continue amanhã. Quando acordo parece que meus desejos evanescem. Sei lá que me dá o sono que me rouba dos meus desejos. Vou experimentar o Grego de frutas vermelhas da Betânia.

22h24. Que decepção. Ele é branco com um gosto estranho e tem uma calda de “frutas vermelhas” no fundo. Espero que o meu padrasto goste. Eu não mais os comerei. O pior que peguei doze. Bem, onze agora. Detonei um Bono de morango também. Não vou comer mais nada hoje. Será que terei disposição para ler “Natasha”? Fico na dúvida.

22h50. Estou entediado, acho que vou jantar e vou dormir. Amanhã, reviso e posto isso.