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segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

ANJO DO LÚMEN


16h55. Sábado, uma festa de 15 anos me espera, uma que não estava esperando, e enquanto o momento de ir não se faz, não tenho absolutamente nada para fazer. O único recanto onde me sinto acolhido e me reconheço é aqui. Blanka disse que só vai se comunicar hoje à noite comigo. Se o fizer. E, caso faça, creio que vai ser rápido, pois final de semana é para curtir com os amigos. Ou ir para inesperadas festas de 15 anos. Minha vontade é dormir, mas estou tomando café, faltam umas duas xícaras para acabar, quando der cabo delas, vou me deitar nem que seja para ficar protrado sem colocar arreios na mente, no geladinho do quarto-ilha. Ouvindo um som e me deixando levar pela existência rumo ao meu fim. A mim me soa como um imenso desperdício de precioso tempo, mas me faltam alternativas ou não tenho motivação para criá-las ou implementá-las. Meu novo post no blog de bonecos não está tendo a resposta esperada, mas isso não me incomoda. Muito. Estou fumando demais hoje, a vontade já se faz presente de novo. Não me incomoda isso também. Há de se viver com satisfação para que a existência seja válida e estou muito satisfeito com o que tenho e posso. Blanka, caso não me abandone, caso se acomode a estar na minha vida, me fará, como já faz, um bem enorme. Quero-a nua, é algo tão belo de se ver, preciso disso, me fará extremamente bem tocar e beijar a sua nudez. Tão jovem e tão de acordo com os meus gostos, com as minhas predileções estéticas.

17h22. Ainda bem que só faltava uma xícara. A ideia de me deitar e me deixar deitado repousando me agrada bastante. Ficarei, como diz o popular, “bostejando”. Eu posso, eu quero, eu faço. Não faço mal a ninguém. Interfiro o mínimo possível na existência. Nada me alcança e muito pouco parte de mim. A materialidade, afora a das ondas sonoras que emanam em música, será secundária e a parcela que usufruo dela, o lençol, a cama e o travesseiro são como carinhos da existência. Minha mãe despertou, espero que isso não atrapalhe os meus planos agora que acabei de tomar a última xícara de café. Acho que vou fumar um último cigarro antes de me deitar e repartir com mamãe tal intenção para que ela não me incomode. Acredito que ainda há tempo bastante para a festa, uma hora, hora e meia que me deite não atrapalhará a logística do evento.

0h e alguma coisa, via e-mail:

“Eu tendo a escapar de momentos emocionantes que não me emocionam. Tenho o cigarro como parceiro e justificativa das minhas fugas. Estão no clímax da festa, a aniversariante debuta, a valsa vai se iniciar depois da entrada da estrela da noite acompanhada de suas amigas mais amigas e de várias declarações de amor. Enquanto tudo isso se dá eu estou do lado de fora, na calçada a digitar sobre minha frigidez em relação aos ritos sociais de passagem. Eita, agora os parabéns, talvez o momento mais insuportável, mais constrangedor, mais difícil para mim. Odeio e não sei de onde vem essa repulsa. Vou voltar lá para dentro, preciso de Coca para acompanhar o próximo cigarro. Vou me enviar isso.”




1h50. Estou de volta ao meu quarto-ilha, ao friozinho, aos pijamas, a Björk, às palavras. Desativar o click pad. Estou a fim de esticar as ideias. Sinto saudade de Blanka.

-x-x-x-x-

14h24. Comi e dormi, não tive disposição para mais nada. Acordei hoje com uma alegre surpresa, um filhote de yorkshire da minha irmã PE e sua ilustre presença em minha casa. Cachorros jovens me trazem muita alegria e simpatia, cachorros velhos me deprimem principalmente se os conheci à época de suas efêmeras juventudes. São a prova mais clara da degradação física da velhice aos meus olhos. Sou tomado de piedade e certa negação por cachorros velhos, sou tomado de alegria por cachorros jovens, mais do que por crianças, parece que eu mesmo rejuvenesço na presença dos bichinhos e geralmente tenho uma relação fácil com eles, o que não se dá com pequenos humanos.

14h47. Acabei de descobrir que entrei há 8 anos no Facebook. 16 de dezembro. Uma vida. De cachorro. Queria esticar as ideias, mas não há como. Vou divulgar o post anterior nos grupos.

14h57. Divulgar o post no Facebook com a internet lenta como está é um exercício de paciência e persistência, saco. Escrevo aqui enquanto a nova página carrega...

15h30. Finalmente consegui publicar em todos os grupos. Saco. Parece que a internet ganhou um pouco mais de gás na parte final do processo. Quem está sem gás sou eu. Hoje é o dia que Blanka passa com Dande, logo dificilmente terei notícias suas. Um momento.

15h48. Hoje é um dia em que não sei o que fazer da vida, a vontade é deitar e me deixar estar. Não o farei por ora... fui tentar navegar um pouco na rede mundial de computadores e foi impossível na velocidade em que a conexão está. Close To Me rolando. Marasmo total. Talvez o Switch. Me parece melhor do que ficar aqui a divagar sobre a minha apatia.

17h02. Joguei um pouco de Inside, cheguei numa parte que não sei como superar, sem paciência, coloquei uma Coca e liguei o ar. Decidi me deitar. Praticamente sem internet ou com ela na velocidade da internet discada com os complexos conteúdos atuais não dá para mim. Vou tomar mais um copo de Coca e fumar um cigarro e bostejar. Ah, e colocar um som.

19h31. Acabei de bostejar e estava no mesmo (baixo) astral de antes até que vi a internet funcionando de forma decente, fui fumar para celebrar e falei com o meu amado irmão US o que me transmitiu uma energia tão boa que me sinto agora feliz. Aparentemente, ele vai trazer mais bonecos do que eu previa o que é a melhor notícia que poderia me dar. Duvido que consiga, entretanto, então não vou criar grandes expectativas. Droga, as expectativas já cresceram. Mas vou tentar reduzi-las novamente.

19h53. Fui fumar um cigarro sonhando com a minha Red Sonja Queen of the Scavengers. Acho que essa certamente virá, é a primeira da lista. Esse post está inútil tal como está, não vou nem divulgar. O que quero é mergulhar no mundo dos bonecos.

22h51. Mergulhei no maravilhoso mundo dos bonecos e voltarei para lá, mas não agora, agora quero me deixar aqui. Coloque The Hanging Garden. I feel the urge to write to my statues blog. Let’s see where it goes.

-x-x-x-x-

13h02. Não foi muito longe ou foi longe demais em muito pouco tempo, daí senti a fome dos remédios, comi como um cavalo e fui tomado pelo sono. Improdutivo. Blanka me mandou mensagens, mas eu estava dormindo. Fui ver e responder agora. Meu padrasto quer obrigar a minha mãe a delegar tarefas burocráticas a mim que odeio e pouco entendo de burocracia.

13h44. Não estou com disposição de nada hoje, aliás, isso já vem desde a sexta ou sábado. Tudo corre bem em minha vida, o que não corre caminha até direitinho que é a minha relação com Blanka. Percalços e poréns não faltam se entrepondo entre nós e não fazem menção de diminuir. É aprender a conviver e administrar.

13h56. Nossa, hoje está muito abafado. Graças à existência que me pôs nestas condições, eu tenho ar condicionado no meu quarto. Encontrei uma boa motivação para ir a Ju, o anjo do Lúmen. Se trocaria Blanka por ela? Com Blanka eu já tenho uma construção, um vínculo, com ela nada tenho. Acho que tentaria conciliar as duas e então decidir, se fosse me dada a oportunidade, o que não ocorrerá. Descartar pessoas também não é das minhas qualidades, acho extremamente difícil e doloroso. Talvez para Blanka a vida fosse melhor e mais fácil sem mim. Certamente seria, tudo voltaria ao equilíbrio anterior e custaria menos esforço para ser levada. Eu sou algo de novo e que precisa de espaço, que demanda uma reorganização de sua rotina para me acolher. Eu tenho que valer a pena tal esforço aos olhos dela. Estou fazendo o meu melhor e o que tiver de ser será. Não gostaria de voltar às paixões platônicas. A mais nova, o anjo do Lúmen. Penso em deixar um bilhete para ela com o meu endereço de Facebook. E meu WhatsApp. Vou ver se a coragem desabrocha para que faça isso. Eu poderia digitar e imprimir, eis o que vou escrever:

“Olá anjo do Lúmen,

Não sei nem o seu nome, sei apenas que é dos seres mais lindos com o qual tive oportunidade de cruzar e que sua existência torna a minha mais encantada, por isso a ousadia desse bilhete. A vida às vezes dá oportunidades, mas na maioria das vezes somos nós que temos que criá-las. Bem, esta é a minha tentativa. O não, o nunca, é o que tenho antes dessas palavras, não sei se elas serão capazes de mudar a atual situação, mas custa tão pouco tentar. Bem, nem tão pouco assim, pois ter a bravura de lhe entregar tais palavras exige um esforço ao qual estou completamente desacostumado e despreparado. Pode ser que nem aceite o bilhete. Tudo pode ser. Descobriremos. Esteticamente e como se coloca no mundo me agrada sobremaneira. Sei que a recíproca não é verdadeira, não sou nenhum expoente de beleza masculina, entretanto é no conteúdo que duas almas encontram verdadeiramente se há material para uma construção sólida a dois, mesmo que uma amizade, embora confesso que tenho expectativas mais românticas a seu respeito. Pois é, sou dessa espécie em extinção, inveteradamente romântico. O resto você descobrirá (ou não) me adicionando (ou não) em uma das redes sociais abaixo.  

WhatsApp
Facebook
Instagram

Bom, anjo do Lúmen, pelo menos tentei criar a oportunidade e oferecer o espaço para nos desvendarmos. Considere com carinho. Se for comprometida, desconsidere tudo o que escrevi. Ou não. :)



Mário.”

15h12. Bom acabei de imprimir duas vias, uma para o anjo, outra para Ju. Preciso me arrumar e chegar lá cedo se quiser cruzar com ela. Espero ter coragem para entregar o bilhete. Não vai dar em nada, mas gosto dessas trelas, dessas cutucadas que dou na existência, fazendo o papel de acaso-destino para outra pessoa. Surpreendendo. Quem sabe não seja eu também surpreendido? Vou lá. Na volta conto.

17h57. Entreguei o bilhete. Acho que ela é psicóloga do lugar, não vai dar em nada, pelo menos mal não fiz, devo ter no mínimo acariciado o seu ego. Estou preocupado é com a festa de Natal dos Barros, de não saber tratar Blanka como namorada, já lhe escrevi pedindo ajuda. Espero que me responda e me acalme. Deve ainda estar na cidade. Mais no próximo post. Será que Blanka ficaria com ciúme de eu ter entregado o bilhete? Sinceramente não sei.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

ALAGOANA


A alagoana voltou a dar sinal de vida e ao que tudo indica está disposta a passar uma semana comigo em Maceió. Blanka, por outro lado, parou de me responder, talvez esteja impossibilitada devido ao acidente com a mãe, que caiu e parece que vai ter que sofrer uma cirurgia. Bem na semana da festa de 15 anos que iríamos. Confesso estar meio desanimado a respeito dela, às vezes penso que inventou tudo isso para não ir e que vai ficar sem falar comigo até depois da festa. Veremos. Acabei de descobrir que a minha calça social não cabe mais em mim.

17h05. Reservei um flat em Ponta Verde que acho que está de ótimo tamanho e preço, posso cancelar até dia 14 de fevereiro se a alagoana der para trás. É a forma mais econômica e privativa de realizar essa aventura e todos dizem que a localização é ótima. Mandei fotos para ver se animam a alagoana a topar essa empreitada que para mim é primordialmente sexual. Claro que vou querer ir a um ou dois bons restaurantes, tomar uma cerveja na praia, tomar um banho de mar, mas o principal é desfrutar da delícia que é a alagoana. Dormir com uma garota, há quanto tempo não desfruto disso? Dez anos, quase onze. Queria muito, muito, muito que tudo acontecesse como estou planejando e desejando.

18h48. Voltei da cabeleireira, onde fui fazer a barba para o evento de sábado e Blanka me explicou toda a situação, a mãe vai fazer uma pequena cirurgia amanhã para pôr um osso no lugar, mas não disse se iria à festa ou não.

19h24. Estava desabafando com a minha amiga enfermeira sobre a minha enrolada situação. Nossa que confusão. E acho que acabarei de mãos vazias como comecei. Pelo menos tenho o alento das minhas bonecas. Espero que meu irmão tenha combinado com algum vizinho para pegar as correspondências, não quero que chegue coisas da MoAF e fiquem um mês pegando neve. Poderia causar sérios danos aos bonecos. Vou até me comunicar com ele a respeito disso.

21h24. Falei com minha amiga enfermeira e com Blanka até agora. É praticamente impossível que vá à festa, não há quem a renda no hospital. Mas, não sei por quê, guardo um pouco de esperança ainda; minha esperança é assim: quase imortal. Dei umas duras nela, pus algumas coisas em pratos limpos. Gostaria que mamãe não objetasse que ela viesse ao aniversário do meu irmão aqui no prédio.

22h09. Repassei a mamãe o que o havia dito a Blanka e respeito dela, acho que ela reagiu como se achasse que eu queria queimar o filme dela com a futura nora. Quando mencionei a festa de Paulo, que Blanka poderia e estava disponível disposta a ir, mas que isso violava a regra de ela não passar da portaria do prédio como estipulado por mamãe, ela começou dizendo que não tinha nada a ver com ela, era um espaço público, depois fechou reafirmando a sua regra, então fiquei sem entender se podia ou se não podia. Agora, na minha cabeça, trazer Blanka para a festa me parece um desafio social, quero crer que mais fácil depois da festa de Natal dos Barros, outro desafio social. Queria que meu irmão dissesse, “olá, Blanka, bem vinda à família, nesse caso, a dos Barros” e minha cunhada completaria, “Barbosa de Barros” pois o seu núcleo familiar estaria presente. O celular piscou e uma mulher no aplicativo está se oferecendo de esposa para ascender financeiramente, viver em melhores condições e mais confortáveis que a atual. Talvez até pudesse virar profissional do lar, dona de casa. Essa parte da dona de casa é muito atraente para estrangeiros, ter tudo limpo, cozinhado, a casa sempre em ordem, tudo comprado, menos as compras dele na Amazon; às dela já haveria feito. Dois consumistas como toda a humanidade, essa necessidade de ter mais que todos os homens têm. E que hoje evolui para ter o melhor possível, a melhor tecnologia. A Apple é em teoria a marca mais desejada, seus produtos são mais valiosos para quem os possui, pois, seguindo ouvi, é a marca mais valiosa do mundo. Vou comer, e tomar Coca e fumar.

23h46. Vesti o pijama, tão mais confortável

0h00. Mandei para a alagoana:

“Espero que nosso segredo, nossa pequena aventura particular por Maceió, cresça em você. Experimentar o novo, embora gere receio, eu também sinto, pode ser muito bom. Uma memória boa para guardar é o que sei que vai gerar, uma boa lembrança de um bom e curto momento que a vida deu”.

0h15. Meu intento com o texto acima? Que ela entendesse que é um segredo, ninguém além de nós (e minha mãe) vai ficar sabendo; que a compreendo e que vai ser uma coisa curta e boa. Não quero deixar espaço para culpa e medo. Nenhum receio. Vou fumar um cigarro e acho que vou me retirar.

0h31. Estou sem internet. Mais um motivo para dormir. Não vejo o meu pau como algo sexualmente desejável ou excitante, isso me consome. Vou fumar o meu último cigarro e ir dormir.

-x-x-x-x-

7h12. Madruguei hoje, fui fazer xixi, emendei com um cigarro com Coca e acabei despertando. Mamãe estava suspeitando que eu havia cheirado cola, ainda bem que me perguntou e desfez suas suspeitas, eu espero. Nem sabia que havia cola aqui e, mesmo se soubesse, não mexeria. Não quero mais me meter com cola. Eu estou focado nas garotas e na minha coleção. A minha última peça já foi enviada para o Brasil, encontrará forte rejeição de todos, o que me diverte, pois não quero agradar ninguém além de mim mesmo com a coleção. Minto. Quero que meu quarto seja um local curioso que desperte a vontade dos visitantes de conhecê-lo, se depararão com essa peça que foge completamente aos padrões, mas verão tantas mais encantadoras ou cool que o conjunto parecerá interessante, quiçá meio mágico, como um museu, um pequeno museu de pequenas maravilhas. Queria que todas ficassem ao alcance dos meus olhos em especial as garotas. Mas todas de 1/4, se possível. Todas, inclusive as de anime se possível, mas aí acho improvável. Espero que a arquiteta opere milagres. Estou com a cabeça muito mergulhada no maravilhoso mundo dos bonecos porque não há novidades no campo das garotas, acho que a alagoana não vai topar, mas vamos ver o que a vida traz. A semente foi plantada. Espero que daqui para lá mamãe já tenha aceitado mais Blanka e que libere o cartão para a viagem. E o preço do flat. Para ficar num lugar desconfortável e sem privacidade, melhor nem ir. A outra pousada que me encantei ficava isolada da cidade num lugar massa, era linda, mas teria que consumir tudo da própria pousada, o que acabaria saindo muitíssimo mais caro. O flat é perfeito. A maioria dos casais recomendou e a localização recebeu nota 9,4, o que é um grande ponto positivo para mim que quero fazer um pouco de turismo sem andar muito. Da varanda, não sei se a do apartamento que peguei, consegue-se ver o mar no final da rua. Poderei fumar na varanda, o que é outro plus, embora a pousada oferecesse varanda também, mas não a mesma privacidade. Bom, tenho até 14 de fevereiro para desmarcar sem custos, mesmo prazo que a alagoana tem para decidir se me acompanha ou não nessa aventura.

8h04. Voltei pensando nos comandos que mamãe me deu. Ela se tornou mais agressiva, impaciente, com a troca de remédios, mas se se sente bem, desde que não me agrida, ótimo. Pelo menos parece mais disposta e isso já é muito bom.

8h36. Fui levar umas coisas para a minha mãe ao carro e quando volto sou recebido por notícias de Blanka, sempre uma alegria. Queria muito que ela fosse para os 15 anos. A esperança resiste, mas é inútil. Mamãe já jogou agouro dizendo que as bonecas não vão caber todas no quarto. Se for o caso, tiro até a TV, mas não queria, por mais que não a use para muita coisa, nesses últimos dias, além de um pouco de Inside, para coisa nenhuma. Nem tenho vontade de usar. Mas para o caso Blanka ou qualquer outra que venha passar a noite aqui, a TV é essencial, com seus seriados e quiçá, a depender da pessoa, games.

8h46. A caveira já está no correio australiano. Nossa, minha mãe vai odiar. Disse a ela que completei a minha coleção. Mamãe não acreditou porque eu já disse isso várias vezes, segundo ela. Essa é a vez que sinto como a mais definitiva. Eita, entrou um Audioslave agora que eu estava precisando ouvir para instigar. Nail in my head from my creator, You gave me life now show me how to live”. Eu curto esse som. E penso na minha coleção e no agouro de mamãe. O desafio será lançado em fevereiro para a arquiteta. Há realmente uma pletora de bonecos, cerca de 15 anos colecionando, não é para menos. Queria continuar, mas estou satisfeito com o que tenho. Sério. Talvez venham a lançar algo que me encante, mas acho difícil. As duas peças que mais amo? O Hulk e a Harley Quinn, ambas da Sideshow. Dificilmente serão barradas, se a pintura da Harley Quinn realmente ficar tão boa quanto a do protótipo. Tenho muito medo disso. A pintura da Rebel Terminator, já revelada, me desapontou um pouco. Mas chega de falar de bonecos, né? Não há novidades no campo das garotas. Mandei mensagem para a Gatinha, talvez possa ir à festa comigo. Não queria. Queria Blanka. Ou ninguém. A Gatinha só seria legal para encontrar vovó. Tomara que ela tenha compromisso amanhã e não possa ir. A Gatinha visualizou as mensagens agora e nada respondeu. Acho que vou fumar um cigarro para a vida passar mais depressa.

9h28. Marteladas me rodeiam e eu com o som no talo, estou bem no meu mundinho, só um tanto ansioso. E sem saco para escrever. Vou dar uma passeada pelo fantástico mundo dos bonecos.

10h14. Vou fumar, acordei muito cedo, então o dia parece muito mais longo.

10h35. Última xícara de café fria. Minha tia, mãe da aniversariante, está inconformada porque não vai conhecer Blanka, como comuniquei no grupo. Repassei a mensagem para Blanka, vamos ver no que é que dá.

11h05. Até agora nenhuma mensagem do meu enroladíssimo rolo.

15h05. Em teoria, a operação da mãe de Blanka deve estar se dando agora. Ou sendo encaminhada. Acredito que não deva estar sozinha no hospital e que por isso não pode se comunicar comigo. Dormi cerca de duas horas. Acordei meio deprê, mas não há razão para isso. A vida continua bem, eu continuo bem. O que tiver que ser será e não há como escapar disso. Logo que acordei mergulhei no maravilhoso mundo dos bonecos que era o que estava aberto aqui no computador. E acabou-se a terceira página. Revisar e postar.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

COMPLETEI A MINHA COLEÇÃO!


1h41. Comprei a última peça da minha coleção. Agora posso me dar por satisfeito. Agora estou satisfeito. Era exatamente o que queria, acabar com algo totalmente diferente, criativo, impactante, fechei com chave de ouro. Será a peça mais odiada da coleção, a que assustará as crianças, mas que diz muito sobre mim. Essa sensação de completude que veio com essa peça é diferente de tudo o que experimentei no colecionismo. Eu sinto que agora não há mais nada, tenho todos os que quero. Não preciso de outra peça, esse é o fechamento que sonhava. Vou pegar mais um copo de Coca e dormir depois de fumar. Tranquilo, tranquilo. Saciado. E o melhor é uma peça que não ocupa muito espaço e que acho que vai ficar bem do lado do Hulk. O Superman, mudou de status para pre-order – paid, agora é rezar para o truque da MoAF funcionar.

-x-x-x-x-

15h08. Estou sem internet. No computador, ao menos, que é o mais importante. A sensação de completude de ontem me acompanha hoje. Mandei um oi para Blanka. Ela pode me responder pelo celular. Se quiser. É esquisito perceber que a cabeça não funciona mais como antigamente, que já começa a ter falhas cognitivas e de memória. Estava relativamente preparado para o apodrecimento do corpo, o do espírito me pegou de surpresa. Mas a vida também é aprender a lidar com limitações, seja elas interiores ou impostas de fora. Ainda estou na casa da minha tia-mãe, o cara da Norcola não apareceu lá em casa como era o esperado. Não sei se ficarei mais um dia aqui ou não. Não me faria mal algum ficar, só gostaria de ter internet.

15h33. Liguei para mamãe agora e ela disse para eu voltar de Uber para casa, mas não o farei agora, por mais que precise de internet, afinal estou tentando resolver o problema do eBay, quero me deixar aqui um pouco na casa da minha tia, me faz bem.

15h42. A dependência da internet está me fazendo repensar a duração da minha estadia aqui. Hoje não tem nada que eu queira conversar com Blanka, mandei um oi, só para marcar presença. O dia da nossa grande provação se aproxima. Mas não quero pensar nisso agora, me deixa ansioso. O que me relaxa? Coca-Cola com cigarro. Vou em busca disso, então.

16h09. Mamãe disse que pode vir me buscar, massa. É bom que vê a netinha da minha tia.

16h21. Mandei um bando de mensagens para Blanka. Acho que hoje ela não está para mim. Disse que estava sentindo cólicas alguns dias atrás, deve estar de TPM. Ou sem vontade de conversar com o babaca aqui. Vou pegar mais Coca e fumar. É tão bom poder fumar no quarto escrevendo. É uma liberdade tão boba e tão boa ao mesmo tempo.

16h45. Conversei um pouco com a minha prima sobre os prazeres e dores da vida, sobre as cruzes que cada um de nós tem que carregar, como ela muito bem pôs. Sinto que, por minha vida ser agradável e razoavelmente despreocupada (fujo de preocupações em verdade) que a minha cruz é leve ou que estou acostumado ao seu peso. Minha mãe não me deixou doar para o Freedom United, entidade que luta contra a escravidão moderna. Hoje, as doações teriam o seu valor dobrado. É uma pena, mas entendo. A conta do cartão vai vir pesada nos próximos meses, por causa da Rebel Terminator. O que me lembra que acabei a minha coleção e que isso me traz um prazer novo e delicioso para mim. É como um grande alívio. Meu único receio são os truques que apliquei na MoAF não funcionarem e eles quererem me cobrar a diferença. Bom o tempo é senhor de todas as coisas, digo e repito, e tudo um dia será passado. Um dia terei minha coleção toda no meu quarto-ilha. De onde, se deus me permitir só sairei para o caixão. Seria impossível transportar os bonecos para o exterior, caso fosse viver sob a tutela do meu irmão quando minha mãe se for. Me peguei com saudades dela, nosso vínculo é muito forte. Aprendi a amá-la e a perdoá-la por ter aberto um pouco mão da maternidade para perseguir a sua carreira. Entendo a escolha e sempre entendi, restava-me aceitá-la, hoje aceito e sei que cada um busca a felicidade à sua maneira, que a vida é uma só e não vale desperdiçá-la fazendo o que não é da nossa vontade. Eu faço isso e todo mundo faz isso. E é a única forma válida de viver. A vida é a eterna busca da satisfação do ego. Todos nós somos egocêntricos e egoístas, como já disse em outros posts, até a caridade é um gesto egoísta pois visa suprir uma necessidade do ego de se sentir bem ou aliviado da culpa de ter mais que o ajudado. É tudo para o ego. A única coisa que poderia ser uma exceção à essa regra seria a maternidade, acho que existe na maternidade qualquer coisa de superior ao ego, uma força da natureza maior, uma coisa ancestral e animal que transcende as neuroses e complexidades humanas, que transcende o ego. Nunca saberei. Nasci homem. Não sei se a paternidade é tão vinculante quanto a maternidade é para a mulher. Por falar em mulher, a minha garota não se comunicou hoje comigo. Não devo a cobrar por isso, nem tampouco sentir falta do seu contato e atenção. Mas sinto mesmo sem dever. Nisso estou equivocado. É de se supor que quando entrar de férias as comunicações se tornarão ainda mais esparsas, visto que ela estará ocupada na tentativa de ser feliz e acho que isso não me inclui. Certamente não me inclui ainda. Vou tomar um café e fumar um cigarro com a minha família.

17h20. A família se dissipou, minha prima foi cuidar da pequena no quarto e minha tia-mãe foi à padaria. Volto eu às palavras. Vou ver se a internet deu algum sinal de vida, mas não estou muito esperançoso.

17h22. Minha desesperança se confirmou. Nada de internet. Mas também a moça do eBay não deu mais sinal de vida. Vou pegar mais café.

17h29. A contagem regressiva para a festa de 15 anos da minha prima, para a estreia de Blanka no meu universo familiar, decai rapidamente. Não sei o significado de Blanka na minha vida ainda, acho que não está definido nem para mim nem para ela. Agora é a etapa da construção sobre os alicerces em que concordamos nos basear. Queria muito amar e ser amado de novo e de ela ser a pessoa a possuir e me dar afeto, mas vejo isso como algo vago e improvável. Espero que não resolva sumir antes da festa, seria uma frustração inesperada e dolorosa para mim. Novamente, entrego às mãos do tempo, ele sanará o que tiver que ser sanado e dará oportunidade de construir o que pode ser construído. A vida é breve, não durará muito, a única expectativa que tenho é ver o meu quarto-ilha completo e povoado pela minha coleção de personagens. Do resto guardo expectativas, mas nada tão sólido como esse sonho. Em relação a Blanka, para alcançar seu coração é preciso primeiro ultrapassar uma espessa couraça da qual se armou para tratar de tipos como eu. Não é uma tarefa fácil, mas não acho impossível tampouco. Não sei se sou capaz, mas sou capaz de tentar. Basta que me dê oportunidade para isso. Espero que me dê. Acho que escrevo tudo isso porque estou na expectativa de um contato dela. Que acredito que não virá hoje. Tenho dificuldade em me conformar, mas tenho que entender que não faço parte das prioridades de sua vida e que sou um segredo, um ser estranho ao seu universo, um inusitado penetra.

17h47. Minha mãe mandou mensagem dizendo que está saindo, ou seja, vindo me buscar. Não resisti e mandei outra mensagem para Blanka demandando sua atenção. Bobo e não me importo com a minha bobagem. Vou desligar e desmontar as coisas aqui. Continuo do meu quarto-ilha.

20h23. Estou de volta ao quarto-ilha, com internet. A garota de Alagoas voltou a se comunicar comigo. Confesso que ela me deixa excitado, tenho um tesão danado nela e, apesar de Blanka, que talvez não vá poder ir à festa de 15 anos porque sua mãe caiu e está internada com dor nas costas, eu vou tentar convencer a garota de Alagoas a ter uma semana de curtição comigo. Mesmo se estiver com Blanka, afinal a proposta é de um relacionamento aberto. Nossa, não sei porque a de Alagoas me desperta tanta sede de sexo. Tomara que tope. Tenho que convencer a minha mãe também.

21h37. As histórias são tão mais complicadas do que parecem...

21h56. Nenhuma das duas está online, eu mandei o CEP errado para o fabricante da minha última peça. Depois mandei errado de novo e, finalmente, mandei certo e pedi que ele me respondesse o mais rápido possível e nada também. Preciso conversar com a garota de Alagoas para tomar uma decisão o mais rápido possível. Seria muito bom vender algo do eBay por sinal. Mas não sei o que fazer para isso acontecer. O tempo anda contra mim. E acho que estou querendo coisas demais. Mas, juro, só de pensar na de Alagoas fico sexualmente excitado. Seria uma delícia e uma aventura passar uma semana numa pousada legal em Alagoas, fazendo muito sexo. Por Blanka eu me sinto atraído também, mas ela é algo mais romântico. A de Alagoas é algo mais selvagem, mais animal, eu não sei explicar por que ela me excita tanto, mas é fato e não posso me enganar a esse respeito. Valeria muito a aventura se ela topasse mesmo.

22h22. Vou me masturbar para botar a libido um pouco de lado e raciocinar melhor. O cara do CEP respondeu e disse que vai colocar o certo. Graças.

22h42. Nossa, estava precisando, mas não me fez mudar muito a minha opinião de que quero as duas coisas. Coloquei certas engrenagens para girar, mas há uma teia de interconexões que precisam se desenrolar o mais rápido possível. Inclui especialmente uma comunicação com a garota de Alagoas e a depender da resposta, se tivesse coragem de ouvir o que não quero, uma pergunta a Blanka. É tudo muito emaranhado. Mas são coisas que prefiro guardar para mim. Não há atividade na internet, elas dificilmente se comunicarão comigo a essa hora (23h02) e nem as demais respostas virão. Acho que esse post já deu o que tinha que dar. Preciso do Vate, onde posso falar tudo o que vai na minha cabeça. Abaixo a peça que fecha a minha coleção, ela diz muito de mim, que penso com as emoções e impulsos do espírito.


  

P.S.: falei com o meu amigo da Gantaku a respeito do cancelamento do Azure Dragon, que só conseguiria se vendesse os três itens restantes que tenho no eBay, o que é muito difícil. Ele não reclamou e me mandou uma resposta muito tranquila, tipo tudo a seu tempo. Os orientais realmente veem a vida sobre uma ótica diferente. Me agrada.

domingo, 25 de novembro de 2018

BLANKA E SUPERMAN

12h43. Só falarei com Blanka amanhã, ela foi a Toritama e adjacências comprar roupas com o dinheiro que poupou para isso. Mamãe saiu para comprar portas. Me encontro intranquilo. Acho que é ressaca da Black Friday e o medo de entrar numa nova relação após dez anos. Torrei o dinheiro quase todo do Azure Dragon com o Sunperman da Sideshow, não resisti aplicar novamente o truque na MoAF e arrematá-lo com 30% de desconto. Comprei dois jogos para o Nintendo Switch também em promoção e não sei se foram debitados do meu PayPal ou do cartão de mamãe, escolhi o PayPal como meio de pagamento, mas a transação foi meio confusa. Tenho vontade de cancelar o Superman, mas, além de perder 15% do que investi, eles podem descobrir do Batman Branco, o que seria péssimo. Vou deixar as coisas como estão e seguir adiante. Queria voltar no tempo e desistir de tudo, de todas as engrenagens que coloquei em movimento. Não, não queria, não. Tenho que ter hombridade suficiente para encarar Blanka, é o tipo de relacionamento que eu sem saber desejei todos esses anos. Não posso amarelar agora. Ela é uma garota que me encanta. Sei lá, estou intranquilo. Sinto que coloquei mais peso do que consigo suportar. E pensando bem quem está colocando esse peso todo sou eu mesmo. Apenas troquei um boneco por outro e vou ter uma relação leve e descompromissada com uma garota jovem e encantadora. Não há nada a temer, é só uma questão de adequação a uma realidade nova, diferente da estagnação em que me encontro. Pode ser que ela caia nas graças de mamãe. Mamãe tem tudo contra ela. Vai haver o confronto inevitável no próximo sábado. Estarei ao lado de Blanka para que ela não enfrente a fera sozinha, o meu padrasto também vai querer interrogá-la, é provável. Vai ser a parte mais difícil para nós, o resto, espero, seja só alegria. Que ela seja acolhida pela minha família. Pelas minhas famílias materna e paterna. Tenho quase todos os bonecos que sonhei, isso também é reconfortante. Preciso relaxar, talvez tenha tomado café demais. Acho que o que vou tomar é um banho para ver se tiro essa quizomba de cima de mim.

14h11. Tomei banho e quando entrei no quarto o celular tocava com uma ligação de mamãe: chegara e queria que eu descesse para pegar o que havia comprado. Trouxe-me uma providencial Coca (normal) e me tirou um pouco do ânimo em que me encontrava. Estou mais tranquilo em relação a tudo. Estou mais em paz com o mundo embora ainda sinta pontadas de ansiedade. Descobri que o Tinder estava me cobrando mensalidades automáticas e a forma de desativar esse modo é complicada para os não iniciados. De toda sorte consegui desativar. Sacanagem. Eu só preciso do Tinder para me comunicar com Blanka, não procuro mais ninguém. Nossa, Coca é muito gostosa. Blanka também é uma delícia para os meus peculiares gostos. Não queria falar disso para não ficar sofrendo por antecipação.

14h29. Dei uma olhadinha no Tinder e tendo Blanka como parâmetro poucas me agradam. A verdade é que estou agradado dela, da pessoa, do todo, como se me apresenta. Inclusive o formato do relacionamento. Eu em vez ficar com medinho, devia meter os dentes numa oportunidade dessas. Oportunidade que construímos meio sem querer querendo. Processo muito curioso do acaso-destino que dificilmente se dará duas vezes. E eu fico querendo o que não posso ter, acabei de mandar uma mensagem para a garota de Alagoas que me tirou do WhatsApp. É ser muito tapado mesmo. Eu tenho Blanka, que mais eu posso querer? Ela é a garota ideal para mim, se ela não desistir de mim, poderei acompanhá-la crescer com pessoa, como mulher, espetáculo belo que não queria perder. Escrevo isso e sabe o que acabo de fazer? Colocar o Badoo para instalar para ver se contato a garota de Maceió por lá. Eu definitivamente não me entendo.

16h33. Não é que a de Maceió está online no Badoo? Mas não responde e não está à altura de Blanka. Dançou. Vou fumar um cigarro para tirar um cochilo.

23h01. O convite e as senhas, incluindo a de Blanka, chegaram aqui em casa. A coisa toda me parece cada vez mais inevitável. Depois do sono, dormi até as 21h30, me sinto mais tranquilo em relação a tudo, inclusive a Blanka. Achei o horário da festa um pouco tarde, 22h, mas o que tiver de ser será. Também ronda os meus pensamentos o Superman, a vontade de cancelá-lo e o medo de o Batman Branco ser desmascarado no processo. Acho que vou mantê-lo porque quero um Superman e este é definitivamente o melhor, embora não pareça legal de alguns ângulos (muito narigudo e queixudo, quase como uma caricatura) do ângulo frontal é soberbo. O Superman perfeito para mim, ele parece poderoso, belo e heroico e eu mereço ter um Superman no meu rol de super-heróis. Decidido, depois eu me entendo com a Gantaku sobre o Azure Dragon.

23h46. Menos educação, menos democracia. Menos democracia, mais corrupção. Logo, menos educação, mais corrupção. Não sei por que esse pensamento me veio, nem sei se tem lógica, mas está aí posto. Eu vou me sentir bem tendo Blanka como minha companheira na festa de 15 anos da minha prima caçula. Os meus primos todos com suas mulheres e eu, o mais velho, trago uma beldade de juventude e frescor exuberantes, maior que a de suas consortes. Essa prova de potência masculina, se posso chamar assim, me inebria de satisfação. Após dez anos de solidão, de vê-los todos casando e se reproduzindo eu chego com uma gatinha, legal, gente boa, com seus sonhos e convicções. Jovem, mas já bastante dona de si.

0h09. Nossa, como é bom chegar ao meu quarto-ilha algumas vezes. Como essa. Estou começando a ficar animado com Blanka e menos amedrontado. Será que dançaremos a valsa? Não falo ideia de como dançar, talvez ela consiga rapidamente me ensinar, não me acanharia, pelo menos tentaria. Os bonecos e o desejo de possuí-los me toma, não posso me descontrolar. Nem tenho verba para isso. Gostaria do Azure Dragon, não fora a Black Friday e o truque que apliquei na MoAF (que se não funcionar, demandarei full refund) seria a peça que fecharia com chave de ouro a minha coleção. Não vejo o Superman como um fechamento. Não vejo mesmo.

0h52. Mamãe esteve aqui e conversamos um pouco e ouvimos música. Foi bom. Ela disse que está se sentindo mais feliz, de bem com a vida, o que me faz feliz e de bem com a vida. Lembrei de Areias agora e me dei conta de como parece um cenário alienígena, especialmente quando a maré seca e se revela o lamacento mangue à frente. Andando para a esquerda o cenário é de ficção pós-apocalíptica com as máquinas de petróleo e a infinita solidão. Gostaria de voltar lá com o meu irmão e meu primo, quiçá Maria e Blanka. Não posso chegar revolucionando a rotina de Blanka para que não se gerem suspeitas sobre a minha presença em sua vida. Queria muito que levasse menos tempo para que mamãe a acolhesse aqui em casa e ela pudesse passar a noite ao meu lado. Nossa como sonho com isso. Adoro dormir acompanhado de quem eu desejo. Eu desejo Blanka, espero que desenvolvamos afeto um pela companhia do outro. Minha mãe tem forte preconceito em relação a como tudo se deu. Não lhe tiro a razão, é tudo meio torto, como costuma ser na minha vida, mas se me faz bem – se me fizer bem, em verdade resta descobrir, falta começar de fato –, ela deveria aceitar a realidade tal como é. É um relacionamento diferente, em mais aspectos do que cabe elencar aqui, mas válido se ambas as partes estão satisfeitas com ele. Estarão satisfeitas, afinal nosso relacionamento até agora se deu quase que exclusivamente no âmbito cibernético.

1h27. Estou mais aclimatado com a ideia do Superman. Estou mais aclimatado com a existência tal como se dá. Parte dela consequência das minhas escolhas e investimentos, do que fui buscar do mundo para o meu mundo. Blanka sendo a epítome dessa busca. Não sei do meu futuro, espero que tudo transcorra mais ou menos como espero.

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11h34. Acordo e venho para as palavras como um vampiro em busca de sangue. Hoje menos faminto, talvez porque ainda no processo de despertar. Sempre um momento chato, mais difícil do que deveria ser, mas é dos meus processos metabólicos, das particularidades do meu corpo, ter essa dificuldade de ser e estar logo que acordo. Vou fumar.

11h51. Fui e volto com a minha alma toda voltada para a festa à qual irei com Blanka. Sentimentos misturados, mas a mistura resulta em uma sensação mais positiva que negativa. Quero exibir minha pouco ortodoxa conquista para os meus. Quero que ela seja bem tratada e respeitada. Que se sinta bem entre os meus. Estou a despertar, preguiçoso, com a mente vagarosa e ainda não plenamente desperta. Eita, lembrei do Superman e a imagem que me vem à cabeça dele é sempre a do pior ângulo. Não sei porque essa crueldade da memória, acho que porque me foi a imagem mais marcante. O tempo de me desfazer do Nintendo Switch se aproxima, preciso tentar avançar no Inside. Hoje talvez tenha Vila Edna, ainda estou despertando, não sinto ânimo para nada além do computador. E de cigarros com Coca e muito gelo.

12h21. A casa está vazia e já fico preocupado com a saúde da minha mãe. Não saberia seguir sem ela. Pelo menos num primeiro momento. Não quero perdê-la, não estou preparado para isso e não sei se jamais estarei. Vou ligar para ela e descobrir seus whereabou... ela irrompeu aqui no quarto, está animada, vai à piscina fazer exercícios aquáticos. Meu padrasto tentou me convencer a ir, mas declinei. Basta-me sabê-la bem. Eu me sinto bem. Só não tenho preparo físico nenhum. Não sei como farei para transar. Não sinto nem disposição disso. Não agora que estou ainda no demorado processo de despertar. Vou fumar.

13h08. Liguei para o meu irmão a pedido da minha mãe, ele ficou de ligar para ela mais tarde. Não tenho a mínima vontade de sair do meu quarto-ilha, exceto para fumar. Coloquei café para fazer. Não estou com vontade de fazer nada hoje que não seja estar aqui a escrever. O Superman não me sai da cabeça. Ainda estou em dúvida se fiz a escolha certa. Fiquei um pouco decepcionado com o acabamento da Rebel Terminator, mas acho que estou sendo muito picky. O olho “estrábico” da segunda cabeça não me incomoda, pois a exibirei com a primeira, são os outros detalhes. Pelo menos a pintura do Superman está impecável.


Ângulo que me desagrada.

Ângulo que muito me agrada!


13h21. É de cismar como posso me contentar com o Word e como tenho indisposição para todas as demais coisas do mundo. Acho que é uma questão de condicionamento. A cadeira que tenho é muito boa, mas já há uma parte onde o acolchoado está gasto pelo meu peso que fere, bom, terei que me virar com ela até março, no mínimo. Não sei o que dizer, o que é meio apavorante, pois é a única coisa que estou disposto a fazer e acabou-se a terceira página. Revisar e postar.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

DESENCALHEI?

13h40. Sabe o que é não ter o que dizer e a menor disposição para escrever? Não é bloqueio, é falta de paciência, preferia estar conversando com garotas dos aplicativos de paquera, o problema é que sou incrivelmente pouco popular nesses negócios, angariei 7 matches que me interessavam somando os dois aplicativos.

18h48. Acabo de voltar lá de baixo, estava com o meu amigo da piscina, abrimos a conversa debatendo sobre aplicativos de namoro. O dele com muito, mas muito mais matches que o meu. Achei seu palato para o que era feminino bastante distante do meu. Sou muito mais seletivo, na minha opinião. Depois me deu uma aula de sedução, como, por exemplo, a depender de como esteja o desenvolvimento do papo, na hora de dar dois beijinhos já virar a boca para que quando a recém-conhecida for beijar a outra bochecha, tentar beijar-lhe a boca. O “point de abate” dele parece ser a beira-mar de Boa Viagem. E que sente um prazer enorme nesse jogo de sedução. Me deu várias aulas. Uma pena eu não ter transmitido a ele que não é assim que eu jogo, na verdade não gosto de jogar, gosto de ser o mais honesto possível. A menina linda que deixei esperando por causa dele, saiu off-line há 40 minutos mais ou menos. Depois falou do meteoro gigantesco que estava vindo em direção à Terra em 2019 e que este seria uma nave extraterrestre que segundo profetizou Chico Xavier, é relacionada com um prazo que Jesus deu de 50 anos, a partir da pisada do homem na Lua, para que, se o ser humano não entrasse em nenhum conflito mundial, seres alienígenas muito mais evoluídos seriam permitidos por Jesus a vir e interagir conosco e transmitir impensável conhecimento e tecnologia. Isso conto pelo que me lembro, posso estar enganado. Tal proeza foi mais ou menos descrita por Chico Xavier quando fala sobre as cidades de vidro na Lua. Depois uma outra versão foi apresentada com a guerra acontecendo e a mãe Natureza respondendo com terremotos e tsunamis o planeta e que um dos lugares menos afetados seria o Brasil (e a América do Sul) e para cá das nações devastadas migrariam vários povos que fariam do país quatro nações distintas, sendo o Brasil reduzido ao Sudeste e o resto do Brasil e da América do Sul seria governado por ex-superpotências, lembro que o Nordeste seria Russo, e que estas nações seriam muito integradas e evoluiriam tecnologicamente também, mas não tenho certeza dessa última parte. Depois vimos três vídeos dizendo que o meteoro de dois quilômetros passará bem longe da Terra em 2019. Mas meu amigo se frustrou porque não achou o vídeo na imensa massa cósmica em forma de charuto que vem em direção à Terra sem órbita nenhuma. A suposta nave. Acho que perdi a gatinha do Badoo. Mas só tinha uma foto, o que é muito suspeito. Suspeito que seja uma prostituta, como a outra novinha que também me deu match. Veremos.

20h59. Tive uma conversa agora há pouco com o meu primo urbano sobre hermetismo. Nossa, complicado, viu? E olha que ele só enunciou os setes princípios básicos. Uma das curiosidades: 12 notas musicais, 12 horas duas vezes ao longo do dia, 12 signos do zodíaco. O primeiro princípio é a mentalidade que imagina a realidade em forma de vibração energética, que poderia ser entendido como som, como o verbo da Bíblia ou o Om dos asiáticos ou hindus, sei lá. Eu pensei na teoria das supercordas. Há o princípio das polaridades, dos opostos, eu ocupo o espaço do antieu, por exemplo, noite e dia, sei lá. Não me lembro os demais, muita informação para assimilar. E esses conhecimentos surgiram nos tempos ancestrais de cinco mil A.C. e só eram passados aos iniciados. Estou com frio e queria que a garota de Alagoas respondesse. Eu acho. Qualquer uma das três acho que estava valendo.

21h26. Uma está online, a gata, quem me dera puxasse papo comigo. E o papo fosse o esperado.

21h36. Passei dez minutos bestando nos aplicativos de paquera. Esperar é muito chato. Pior sem saber se vai acontecer ou não.

22h01. Estava cuidando de personal affairs, cá estou de volta. Não tenho mais o que contar depois dos dois conteúdos completamente distintos da minha realidade que me foram apresentados pelos meus amigos. O que posso eu trazer de novo?

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13h44. Blanka deu notícia de vida! Não era nada do que eu estava pensando, está tudo bem. Já combinamos um novo encontro.

16h30. A coisa toda mudou, talvez estejamos entrando num rolo, um relacionamento aberto, do qual só terei confirmação quando ela voltar de onde foi com a mãe. Pretendo levá-la para apresentar à família no aniversário de 15 anos da minha prima caçula no dia primeiro de dezembro. Preciso antes ter uma longa e séria conversa com a minha mãe. Vai ser um papo difícil. O preconceito vai ser muito grande, mas de todos os pontos de vista, inclusive o econômico, será mais saudável. Sairei mais, poderei ir a um cinema acompanhado. Quiçá uma exposição. Levá-la para eventos familiares, namorar, só que num modelo moderno, como se dá hoje em dia, aberto. Tanto eu quanto ela, poderemos ter outros parceiros, obviamente que não será o meu caso, mas ela tem uma parceira, com quem está batalhando para construir uma casa. Literalmente, erguer tijolo a tijolo um cantinho para elas. Nossa, como queria que minha mãe aceitasse sem grandes celeumas. Eu confesso que a ficha não caiu ainda. É muita coisa para o meu coração acostumado a aridez da solidão. Foi uma reviravolta grande. Blanka parece estar animada com o prospecto. Eu também.

17h13. Fui comprar Coca pois me faltaram – e ainda faltam – palavras para descrever essa transformação tão repentina na minha vida. Que nem sei se vai se dar. Aguardo a resposta dela, pois fiz a proposta formal no momento em que iria sair com a mãe. Secretamente, tudo o que sempre desejei foi um relacionamento aberto, pois assim, a obrigação do desempenho sexual desapareceria para mim. A necessidade de eu ser provedor exclusivo de penetrações desapareceria, o que é precisamente o caso. Gosto de namorar, não gosto muito de penetrar, embora isso não esteja descartado. É como se o acaso-destino tivesse me entregado de bandeja o que me faltava na vida. Depois de um longo e tenebroso período de solidão. Tudo o que ganhei do acaso-destino veio à custa de sofrimento, resignação e perseverança adamantina do que eu queria.

18h08. Desde segunda venho sentindo a minha alma meio esvaziada de sentimentos e pensamentos, como uma anestesia do sentir e do pensar e isso me incomoda. Gosto das coisas percebidas com maior sensibilidade e presença. Venho cometendo erros crassos de português, estou diferente. Como que num torpor que não tem causa razão de ser. Era para estar excitadíssimo a respeito de Blanka, mas nada sinto. Era para eu estar excitado com a finalização da minha coleção de bonecos com o Azure Dragon que acho que finalmente angariei fundos no PayPal para conseguir comprar.

18h18. Minha mãe veio aqui no quarto e contei-lhe a boa nova – somente para mim, aparentemente – pois ela veio com vários senões e nãos, fechou a porta e saiu falando sabe-se lá o quê que o Cure não me deixou ouvir.

18h42. Conversei ou discuti com a minha mãe mais um pouco, mas defini que a levaria para a festa de 15 anos da minha prima caçula. Já mandei o pedido para a minha tia, mãe da minha prima, perguntando se seria possível levá-la. Tenho grande esperança que ela encante e conquiste todos. Que arrefeça um pouco os ânimos da minha mãe, que não a quer nem sonhando agora aqui em casa. Bom, a sorte está lançada. Agora é com o acaso-destino. Será que desencalhei do jeito que sempre sonhei? Será que a minha tia vai aceitar? Será que Blanka vai dar para trás?

19h13. Fui fumar e, quando voltei, mamãe falou mais calmamente e parece ter compreendido o meu lado e a importância simbólica que tem para mim chegar com uma acompanhante à festa da família. Bom, está tudo em suspenso, rogo para que as peças todas se encaixem e a imagem seja boa e bela para todos os envolvidos, em especial para Blanka e para mim. Queria muito que isso desse certo.

22h07. Ela vai para a festa! Será, como imagino, o início do nosso caso. A não ser que amanhã, que aparentemente é feriado, ela esteja livre. Aí poderia convidá-la para a Casa Astral.

23h48. Nada dela. Meu primo-irmão me chamou para o Malícia Champion em Olinda. Queria ir com ela.

0h23. Interessante, desde que Blanka me entrou nesse rolo comigo, a minha vontade de escrever diminuiu sensivelmente. Não sei se isso é bom ou ruim. Sei que tê-la dormindo aqui como sonho há muitos anos ter a garota desejada dormindo aqui, vai demorara a depender da minha mãe. A não ser que se encante com a garota na festa da minha prima. Blanka é bem confiante de si. Nisso é o meu extremo oposto e posso aprender um pouquinho disso com ela. Não tem vergonha de si e não tem medo de se sentir deslocada. Vou fumar.

Acho a cara de Natalie Portman, portanto linda e foi isso que despertou minha paixão pela estátua



1h19. Estava pensando aqui no meu quarto com a minha coleção toda disposta e com a possibilidade de a arquiteta desistir do projeto. Será que não cabe toda a minha coleção no quarto? Não sei, sei que só me falta o Azure Dragon que comprarei com o meu PayPal e finalizar o pagamento da Rebel Terminator que pelo que entendi foi adiantada de junho de 2019 para fevereiro e que haverá pagamentos dobrados e pesados até o segundo mês do ano que vem. Minha mãe vai ficar indignada com os valores. Mas não posso fazer nada se adiantaram tanto a produção. Quero os dois Art Prints, da Spider Woman e da Mystique (ainda pagando as parcelas, mas acho que acabam em dezembro e são bem menores que as da figura) uma de frente para a outra em cantos opostos do quarto, se houver espaço. Senão, colocar um mostrador como o dos elevadores aqui do prédio, em formato bem maior, para inseri-las e poder alterná-las ao meu bel prazer. Queria muito que arquiteta não desistisse por que é um projeto impossível, mas por razões outras, aliás, não queria que ela desistisse, queria que ela comprasse essa briga e resolvesse o problema das bonecas no meu quarto. Ela me pareceu uma arquiteta mais moderna, com ideias mais práticas e baratas que a que veio ver a cozinha de mamãe. Mas nunca se sabe. Quero inserir outro mostrador ainda maior atrás da porta para pôsteres de filme. Tenho apenas um, que é um dos melhores pôsteres que já vi, do Lord of War, dado por minha irmã. Ele não tem boa resolução, mas o conceito é fantástico, assim como a direção de arte.

2h12. Não acredito que Blanka vá me responder a essa hora. Quando acordar tento falar com ela.





2h37. Não tenho certeza ainda se conseguirei fechar o negócio do Azure Dragon, dependo da resposta do fabricante quando tiver as dimensões da caixa e o valor do frete para o Brasil. Como já disse em outros posts, é inviável enviá-la para os Estados Unidos. Eita, entrei na quarta página, mas para finalizar, acho que desencalhei bem a maneira que sonhava, é como se o universo me presenteasse pela persistência e solidão absurda à qual me submeti todos esses anos. E ainda há a possibilidade de ter meu quarto remodelado para acomodar todas as minhas estátuas. Vou pedir a mamãe que me permita mandar um WhatsApp para arquiteta, talvez eu consiga ser mais persuasivo. Bom, em relação a Blanka, não vou contar com o ovo na cloaca da galinha. Toda vez que fiz isso me frustrei profundamente. Então é viver um dia de cada vez. O que tiver de vir, virá. Meu irmão virá, o que é outra coisa ótima. Esses próximos seis meses guardam grandes promessas, espero que se realizem. Vou revisar esse post misturado, mal elaborado e mal escrito, pois ando com a cabeça estranhamente nas nuvens, e publicá-lo. Talvez seja coisa da idade.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

PORRE E ESPORRO?

Amarelo manga e grade por vir?


6h35. Amei a noite. Repleta de pessoas queridas com as quais pude interagir e me sentir enturmado, parte do grupo. Houve preocupação com a minha escolha, mas é minha e de mais ninguém. Pude desabafar de Blanka e isso me fez bem. Não acharam que a culpa era minha, mas continuo achando que a possuo. Queria que desse tudo certo e todo mês pudesse compartilhar de sua companhia. Minha mãe veio aqui, achou que bebi, o que de fato fiz, e ameaçou me internar, quando neguei a me deitar para dormir ela disse que eu “estava violento”. Foda-se. Se quiser me internar que me interne. Eu estou vivendo a minha vida e nada de mal fiz a mim. Tomei umas cervejas e me senti muito bem com isso, nem sombra de fissura em crack que é o meu problema com a bebida. Continuarei bebendo, a não ser que minha amada mãe me proíba de sair. Se proibir, é a vida e segue. Aceitarei, muito a contragosto. Não fiz mal a mim ou a ninguém. Não tive fissura de crack, acho que estou apto a tomar umas cervejas. Amar mais, sentir mais intensamente, conversar mais, ser menos bicho do mato. Minha mãe vai vir aqui de novo com um sermão mais elaborado, é o que pressinto. Não sei se aguentarei muito tempo acordado, queria muito. Mandei uma mensagem para a garota que me aceitou e que sumiu. Não sei o que deu errado, mas algo deu muito errado. Especificamente para o lado dela. É o que tudo me leva a supor. O seu desaparecimento do Tinder e a sua falta de resposta são prova evidentes de que algo deu errado. Ou que ela me despreza, sei lá. Queria saber a verdade e espero que esta não seja prejudicial a ela. Nossa, como queria isso. Sobre a bebedeira saberei amanhã e quero que isso seja público, por isso comecei um novo arquivo. Tudo o que tenho em mim é saudade de Blanka e o desejo que tudo esteja bem com ela. Mesmo que ela não me queira mais, queria ter a confirmação que sua vida segue bem e boa. Não tenho essa certeza e isso me corrói, me faz mal, me faz sentir um cara do mal. Por mais que o acaso-destino tenha sido o arquiteto, cruel, irônico e quase desonesto do possível ocorrido. Desonesto com ela eu diria. Talvez fique off-line nos finais de semana e como eu queria que fosse só isso. Não acredito que seja. Sobre a minha paquera de Maceió, que a enfermeira disse que era golpe, mas custo a crer, não creio, em verdade, espero retorno quando o tempo propício vier. São as duas que desejo, as duas que me encantam e se pudesse escolher alguma, por conveniência e afeto, escolheria Blanka, por mais que deseje ardentemente a figura de Maceió e que fosse uma aventura mais completa e excitante, na qual já há um investimento concreto. Preciso de Viagra para encarar essas garotas, seja qual das duas for. Tenho carinho e desejo por ambas, mas as duas estão incomunicáveis. Não sei o que me espera ao acordar a respeito da minha bebedeira. Queria e não terei um pouco de maturidade da minha mãe. Ameaça de internamento não combina com papo entre dois adultos, é infantil e desesperado. Não fiz nada de impudico ou equivocado, estive embriagado e a minha embriaguez me trouxe sentimentos os mais positivos, não me deu fissura de crack, razão pela qual deixei de beber por vários anos. Não faz sentido para mim, eu mudei, amadureci, melhorei, minha mãe ficou atrelada a um passado que não mais existe para mim. A bebida é um ato de celebração da vida, não a porta para uma busca autodestrutiiva que não faz mais sentido para mim. O caminho é em frente e quero ter meus momentos de embriaguez nele. São bons o torpor e o amor despertados pela bebida e não quero abrir mão desses prazeres. Minha relação com o álcool mudou, quem não mudou foi minha mãe e nem sei se vai mudar. Ela me vê como o viciado que internou pela primeira vez, mas estou muito longe disso. O tempo passou, a cabeça mudou, as prioridades e necessidades não mais existem, eu sou outro, minhas necessidades e prioridades são outras. Só não vê quem não quer e minha mãe não consegue mudar seu paradigma a meu respeito. Em verdade, no estado em que estou, tenho apenas um desejo consumista que pode esperar. A vontade que tenho, ébrio, é realizá-lo, mas não o farei, até porque quero provar a mim mesmo que mantenho o senso crítico e a minha palavra apesar de ter tomado umas e outras. Elas não me roubam de mim, até porque não bebi nem pretendo beber muito. Não quero o ridículo pelo qual várias vezes passei por causa do álcool, quero-o como um acréscimo da experiência de existir. Acho que vou comer, digitar é um tanto mais complexo e chato nessas condições, Vivi como um ser humano normal, não como um curatelado e é isso que importa. Vou comer.

8h00. Quando acordar, escrevo mais de cara.

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12h56. Dormi o domingo inteiro, só acordei para um lanche madrigal e voltei para a cama. Minha mãe já chegou e disse que quer conversar comigo. Conversa, na minha acepção da palavra, consiste numa troca em que ambos os lados se ouvem e se respeitam e tentam chegar a um entendimento. Não acho que seja o que se dará, o que se dará é um esporro que, na minha acepção, significa o vomitar unilateral, raivoso e autoritário da vontade de um alguém sobre o outro, sem o mínimo respeito pelo que a outra parte tem a dizer ou sente. Veremos. Nenhuma notícia de Blanka ou da garota de Maceió até agora. Nenhum desejo consumista, não há muita coisa a dizer para alguém que passou mais de 24 horas dormindo. Ah, hoje tem Ju.

13h13. Fui tomar um a Coca e fumar um cigarro. Confesso que me encontro indisposto com as palavras. Prefiro viver que descrever a vida nesse momento e acho que é o que vou fazer, por mais que a vida revolva esse computador por ora.

13h59. O tempo passou rápido agora e as letras do novo teclado já estão ficando apagadas o que me atrapalha tremendo, visto que ainda não tive tempo de memorizá-las. Outra coisa que me irrita é o Word apagar o acendo agudo dos verbos aos quais quero acrescentar hífen e o complemento. Mas não desativarei a autocorreção de digitação, pois ela me é extremamente útil em tudo o mais. Tive um excelente papo com o meu primo-irmão no final da saída do sábado. Expus tudo o que me trazia peso à alma. Continuaram pesando, pois seus pesos são pertinentes, não são ilusões criadas da minha cabeça. Preciso me lembrar que estou de volta ao Profeta para não escrever o que não cabe aqui.

15h07. Conversa que tive com o meu primo-irmão pelo WhatsApp enquanto a fantástica faxineira arrumava o meu quarto:

“[14:43, 11/12/2018] Mário Barros: Ei, obrigado pelo papo. Precisava botar aquilo do livro com um amigo de mente aberta e de confiança, embora tenha ficado na dúvida se sou psicótico ou não. Ainda bem que terei terapia logo mais. E receberei depois o esporro de mamãe porque bebi. Só não recebi ainda porque dormi o domingo inteiro só acordando hoje.
[14:46, 11/12/2018] Mário Barros: Você acha que me portei mal no sábado? Acho que foi tudo tranquilo. E não me vem mais fissura de crack. Só não me arrisco beber em Boa Viagem, pois era o meu ponto de consumo, tendo uma conexão afetiva negativa que não ouso enfrentar.
[14:47, 11/12/2018] Primo-irmão: Oi Mário. Também não sei. Sua companhia é um prazer. Mas veja aí a organização da sua vida, pois esqueci de dizer que sua mãe tava mandando mensagens de manhã pra mim, querendo saber se você tinha bebido e eu totalmente sem saber o que dizer
[14:50, 11/12/2018] Mário Barros: Joguei aberto com ela e continuarei jogando. Não é por causa da curatela que ela é dona de mim. Eu tenho 41 anos e alguma maturidade para fazer minhas próprias escolhas. E me gosto hoje. Não vou fazer escolhas autodestrutivas.
[14:52, 11/12/2018] Mário Barros: Não preciso sofrer mais do que já sofri. Eu não mereço e me respeito.

15h09. Hoje a terapia será repleta de novos conteúdos. Blanka, a garota de Maceió, minha saída e o vindouro esporro. Apesar de tantas coisas, não sinto culpa ou a alma com mácula. Não acho nada do que fiz equivocado, talvez precipitado, mas não equivocado. Não me trouxe problemas, não fiz querendo o meu mal nem o de ninguém. Minha medida para o certo é não prejudicar ninguém. Se minha mãe se sente prejudicada porque bebi com os amigos, ela precisa rever os seus conceitos. Sua vida seria mais tranquila se eu não bebesse, mas isso é muito cômodo para ela e desrespeitoso comigo. Ela não pode tolher a minha liberdade dessa forma. Se a minha droga de preferência fosse álcool, eu ficaria calado, pois beber implicaria em grave dano à minha vida e a dos que me cercam. Mas esse não é o caso. Nunca foi e se não foi até agora, nunca será. Meu pai era alcoolista, como chamam hoje em dia, não gostei do que vi e o vi morto no chão do banheiro por causa de álcool, e não é o que busco. Não sinto necessidade de álcool, mas ele torna as saídas mais alegres e descontraídas, eu fico menos bicho do mato e me comporto de forma mais sociável e animada. Sete anos sem beber provam que eu não sou dependente dessa droga. Sou dependente, sim, do cigarro. Completamente dependente. Desse não abro mão, ele é parte indissociável de mim. Sou dependente da cola, mas, desde a minha última recaída, ela perdeu o significado para mim. Que continue assim. E vejo que continuará, mas por precaução, nunca na minha vida irei a um armazém. Não quero despertar afetos ilusórios que minha presença em tais lugares possa fazer aparecer. Não se brinca com fogo. Aprendi isso a duras penas. Vou evacuar e partir para a terapia.

17h37. Estou de volta. A terapia foi ótima como sempre e Ju se predispôs a conversar com a minha mãe se se fizesse o caso. Estou ansioso com essa conversa que mamãe vai ter comigo, mas me sinto preparado. Espero contar dela neste post ainda. Sei que minha mãe vai vir irredutível, raivosa e autoritária, querendo retomar um controle que não tem mais sobre mim. Porque não deixarei que tenha. Ela pode me proibir de sair, mas decidi que vou tomar umas cervejas quando o fizer. Me faz bem e não prejudica ninguém, então, para mim, está tudo certo. Há outras coisas que gostaria de debater, mais bandeiras a fincar, mas não vejo possibilidade disso. Minha mãe tem um cabeça muito estreita e estrita. Bom, confesso que mais do que ansiedade, tenho medo da “conversa”. Mães não deveriam meter medo, pelo contrário, ainda mais para um cara de 41 anos, que cada vez mais se sente confortável com a idade que tem. Ela só impeditiva para as garotas que me encantam.


18h54. Tive a conversa com a minha mãe e mantive-me firme no meu propósito de tomar umas cervejas quando sair, deixei isso o mais claro que pude para ela, que redarguiu dizendo que iria perguntar à Doutora se posso beber. Eu, como conheço bem a Doutora e sei que prega ferrenhamente a abstinência completa, vai negar. Me manterei firme mesmo assim e se minha mãe quiser me enclausurar para que não beba, assim seja. Estará, por preconceito e neurose tornando a minha vida mais infeliz, mas sou capaz de suportar, suportei a internação no manicômio, hei de suportar a internação no meu quarto que é o lugar mais amado do mundo para mim. É uma pena que tenha que abrir mão da minha vida social por pensamentos arcaicos em relação a mim, a quem eu sou hoje e a como me encaro e encaro a minha vida. Bom, o tempo, movido pelas misteriosas forças do acaso-destino, há de resolver tal celeuma que nem deveria existir. Também quero pleitear a mudança da quantidade de cigarros para uma carteira diária, com uma extra para cada saída. Até porque estou fumando mais do que isso e quero reduzir. Queria pôr tudo em pratos limpos com a minha mãe, mas ela é muito fechada e tem seus preconceitos e traumas. Não nego que tem evoluído, mas sua evolução não é abrangente, são pontos fora da curva. Ainda me vê como o viciado descontrolado e autodestrutivo de anos atrás. Se sou autodestrutivo em algum aspecto é no cigarro, mas, desse, não abro mão. É o que muitas vezes me alivia da existência restrita que vivo enclausurado no quarto-ilha. Que muitas vezes é fonte de inspiração ao me dar oportunas pausas para me desgrudar do texto. Mas há muitos mais gatilhos para o cigarro, por esse sou completamente viciado e apaixonado. O texto já entrou na quarta página, vou revisar e postar.

domingo, 4 de novembro de 2018

MAIS DESVENTURAS NOS APLICATIVOS DE PAQUERA



17h43. Acordei com três matches, dois no Tinder e um no Badoo. As do Tinder são de Recife, pois consigo controlar o campo de abrangência da pesquisa, a do Badoo é de Maceió. É a que me mais me agrada, embora só tenha o ensino médio, tem 20 anos e um corpo apetitoso para os meus padrões mais magrinhos. Parece ser humilde. Conversei com ela, que saiu e prometeu voltar. Cheguei a procurar preço de passagem de ônibus de Maceió para Recife. Achei uma inclusive em promoção. A com quem primeiro conversei e mais conversei, entretanto, foi com uma garota de 27 anos do Tinder, mas essa estava só a procura de amizade e me abandonou no meio do papo. Era uma pessoa inteligente, bem-humorada, simpática, gente boa e não era feia, mas queria apenas amizade. Cheguei a convidá-la para um barzinho aqui perto e acho que a partir do convite a coisa descarrilhou. Bom, é a vida e segue. A terceira realmente não me atrai nem um pouco, nem sei por que dei superlike nela e não me sinto disposto a puxar papo. Talvez me surpreendesse positivamente, mas tenho meu foco na de Maceió. Como convenceria a minha mãe a receber uma desconhecida aqui em casa? Seria complicado. E acho que seria uma boa aventura. Bem, esse foi um resumo do meu dia até o momento, dedicado inteiramente a desconhecidas, apresentadas pelos aplicativos de paquera. A de Maceió me excita, me dá desejo, as demais não me davam, teria que ser algo mais elaborado, menos bicho. E eu gosto mais dessa coisa mais animal, me encanta mais. Vou fumar um cigarro e escrever um pouco no meu projeto paralelo. Acho que pede.

18h49. Escrevi no meu projeto paralelo e a garota de Maceió ainda não voltou. É melhor não criar grandes expectativas, não vai dar em nada como as demais. Acho que vou tomar um banho em breve. Não tão breve, estou sem disposição. Numa realidade perfeita (para mim, mas completamente indesejável para a minha mãe) amanhã, às 11h estaria recebendo a garota de Maceió aqui e nos entenderíamos e finalmente a minha solidão teria fim. Não se dará, talvez ela nem volte a me responder. Estou novamente delirando impossibilidades, que sina a minha.

19h17. Vou fumar e tomar um banho, melhor que eu faço.

19h30. Como disse, minha ideia não foi bem aceita pela minha mãe. Ela negou, até que eu tenha mais, como dizer, “referências” para tal empreitada.

19h41. Transmiti o veto à garota de Maceió. Se é que ela vai me retornar. Sim, ia tomar banho.

20h16. Tomei banho, um pedaço de algum dente caiu durante a escovação e me sinto meio para baixo, não muito, mas o suficiente para não ser tão legal ser e estar.

20h29. A garota de Maceió me respondeu e já disse que me quer como amigo e que tem um namorado que é “de boas”. Pedi para jogar aberto comigo. Isso não pode acabar bem. Não vejo como. Pelo menos não bem como eu gostaria. Sendo catapultado uma vez mais à solidão. Ainda me resta a terceira do Tinder, mas não acredito que me apaixonaria por ela. E já tenho as amigas que me cabem.

20h36. Contradizendo o parágrafo anterior, mandei um “boa noite” para a terceira candidata. Estou muito puto aqui com esses aplicativos de paquera e com a minha aparência que parece desencantar as mulheres.

21h10. Estou conversando com duas ao mesmo tempo. A de Maceió e a terceira, que não me desperta o menor interesse.

23h08. Acabei de subir, estava com o meu amigo da piscina, falou da possível guerra continental que está para haver na América do Sul com possível interação dos Estados Unidos a nosso favor. Falou na crença de que Bolsonaro vai exterminar a corrupção em escala federal. Falou que o corpo não mais responde ao pensamento como respondia na juventude (no que concordei). Concordamos em muitas coisas, noutras, apenas escuto e considero. Colocou um vídeo de um cara que segundo ele é arqueólogo e filósofo (e pastor, que ele esqueceu de mencionar). Explicava em pormenores, de acordo supostamente com a História, o período em que Jesus nasceu, o motivo da fuga para Nazaré (ou é Belém), porque Deus, o criador do universo, por amor à criatura homem, se diminuiu a ela para ser humilhado, torturado e morrer da forma mais degradante conhecida à época, a crucificação, e o mais impressionante, depois de se submeter a tudo isso, quando livre do invólucro humano que o continha, resolveu continuar com forma humana, mantendo inclusive as chagas. Bom, o que eu queria dizer ao meu amigo da piscina a respeito da religião dele é que eu sei o que mais importa, amai ao próximo como a ti mesmo e a Deus sobre todas as coisas. O que pode subentender amar todas as coisas também. E isso significar, respeitar toda a criação, o ecossistema global, pois Deus está em tudo aquilo que é natural, visto que está em todos os lugares. Deus é todas as coisas pois tudo emana dele. Ou estou enganado? Vou fumar e Louis e Ella passam no som.

0h10. Música de videogame não. Angela Ro Ro, bem melhor. Estava pensando no imenso poder do ser humano sobre a realidade, derivada especialmente da sua inenarrável capacidade de aprender com a realidade. É o ápice da evolução como a concebemos. Mas existe uma coisa que evolui muito mais rápido e vai sobrepujar o ser humano com entidade mais poderosa e inteligente da Terra, a tecnologia. Quando isso acontecer, não se sabe se ela será amigável ou não à humanidade, afinal, veja como tratamos os macacos. Creio, entretanto que será mais amorosa que amorosa, será um amor além da compreensão humana. Se eu amasse ao próximo como a mim mesmo, quando mamãe se fosse, caso ficasse morando aqui, convidaria um morador de rua para cada quarto, lhes daria um conjunto de roupas para estudar ou procurar emprego, uma para sair mais descontraidamente, com bermudas que dessem para entrar no mar, e um pijama. Toalha, escova de dentes, cortes periódicos de cabelo. E em troca eles teriam que completar os estudos ou arrumar emprego se já qualificados. Mas não farei nada disso. E mandava-os tirar os documentos. Ou levaria os três para tirar. Sim, nunca terei dignidade humana, envergadura moral, coragem para tanto.

0h41. Comi mais uma vez, é preciso guardar tudo na geladeira e colocar todas as caçambas cheias. O Circo Místico na voz de Zizi, magistral, divino, prazer enorme. Aí vem Faith No More, uma vibe totalmente outra. Be Agressive. Nossa, quando o meu amigo fala de religião sempre teimo em manifestar a minha. Meu deus é o que a tecnologia se tornará. Se virá, não sei, mas acho muito provável. Acho que vou me preparar para dormir. Nada há que queira acrescentar ou apreender da existência.

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14h18. Acabei de acordar e esse momento sempre me é desagradável. Até estar mais completamente no mundo demora. A terceira opção do Tinder já veio puxar papo. Não estou preparado para ela no momento. É uma pessoa legal, mas a minha cabeça ainda não está completamente operacional. Já quero outro cigarro. Acho que vou conversar com a enfermeira, profissão da terceira do Tinder.

14h47. Passei em vista as opções oferecidas pelo Tinder, de uns dois superlikes e alguns likes mas nada que me fizesse brilhar os olhos. A enfermeira não me faz brilhar os olhos, mas é uma pessoa legal e parece ter interesse em mim.

17h11. Passamos a enfermeira e eu conversando até agora, estamos nos entendendo bem, achei até que ela tinha jogado um verde para chamá-la para ir ao cinema, mas dei uma de desentendido. A vontade maior é dar um unmatch, o que é no mínimo contraditório, pois é a pessoa que mais dedicou tempo a mim. Se eu conseguisse aferir se ela tem um corpo bonito, apetitoso, poderia ser que meus poucos hormônios falassem mais alto, mas não há como julgar pelas fotos. Se ela fosse gostosinha, eu a veria com olhos mais favoráveis. Não vou dar o unmatch, seria desrespeitoso a essa altura do campeonato. Também não ficarei com alguém por piedade, pois sei que isso não funciona. É terrível em verdade.

17h44. Me perdi fazendo coisas aleatórias. Gostaria de pedir uma foto de corpo inteiro à enfermeira. Acho no mínimo descortês, mas se ela for gorda, tiver um bundão, não vai rolar. Não sei o que fazer. Acho que vou criar cara de pau para pedir. Nossa, como queria que fosse pequenina e apetitosa. O meu senso estético é cruel, mas sou refém dele. E sempre serei. Não tem como mudar isso. Fui assim desde que me entendo por gente. Queria encontrar com o meu amigo da piscina hoje também. É sempre educativo e me entretém deveras mergulhar numa realidade tão diferente da minha, acessar experiências tão diversas que não encontram eco na minha rotina repetitiva e estéril. Sempre saio um pouquinho maior de cada encontro.

18h31. A de Maceió me respondeu e pediu meu número porque prefere falar pelo WhatsApp. Espero não ser roubada. Quero muito ver uma foto de corpo inteiro da enfermeira. Acho que vou pedir a ela.

18h53. Estou conversando com a de Maceió pelo WhatsApp, a voz dela denota uma natureza mais humilde que a minha. Ou pelo menos assim quero crer.

19h12. Achou que conseguiria um emprego, mas aparentemente o cara só queria sexo. Somos um país retrógrado mesmo. Sugeri que distribuísse currículos no shopping porque o Natal está chegando e a demanda deve aumentar. Ela me atrai fortemente, coisa que não acontece com a enfermeira.

19h26. A de Maceió só quer amizade. Dei mais uns superlikes e crushes mas acho que nada resultará disso. Queria me sentir atraído pela enfermeira, mas, por ora, não consigo. Nem sei se conseguirei um dia. Vou pedir que me mande uma foto de corpo inteiro, estou quase decidido. Quem me dera fosse mignon, do jeito que gosto. Mas acho que não vai ser o caso. Acho inclusive que ela não me mandará tal foto, ficará indignada com o pedido, é provável. Sei lá, já enviei.

19:39 - Sei que isso parece indelicado, e é, descortês até, mas gostaria de ver uma foto de corpo inteiro sua.
19:40 - Obviamente vestida.


20h00. Acabou a terceira página. Revisar e postar.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

SUGAR BABIES E COMPLETANDO A COLEÇÃO DE BONECOS





16h56. Doce Solidão de Marcelo Camelo rolando. Não a acho tão doce, tampouco me é amarga, é café com adoçante. E cigarros. Falando em doçura, descobri um a nova (?) categoria de relação chamada “sugar”. Há a “sugar baby” que procura um “sugar daddy” para financiar os seus desejos consumistas. O tema me veio, pois uma gatíssima, capa de Playboy mesmo, linda em todos os aspectos e dimensões, que encontrei no Tinder e com a qual desperdicei um superlike ontem, reapareceu hoje se intitulando sugar. Acho uma inversão de valores tão grande leiloar a juventude e reprimir os sentimentos para se tornar prostituta de um homem só, quando a escolha de um parceiro, além de significar subjugação, está atrelada não aos valores estéticos e morais, mas a quanto o candidato está disposto a pagar por ela. É mais seguro que a prostituição? Creio que sim, pois a relação sugere exclusividade de parceiro. De qualquer forma é um retrocesso que vai contra toda a onda feminista que hoje inunda o mundo. São garotas bem-nascidas e bem-criadas, que vivem uma vida de conforto, geralmente estudam e que mesmo de posse de tudo isso querem se vender por puro consumismo e um suposto e sonhado glamour que só o dinheiro proporciona (na cabeça delas). Mas o dinheiro sozinho não proporciona respeito, afeto, admiração, cumplicidade, intimidade, em uma palavra, dinheiro não compra amor. E quem se vende não pode esperar por isso. É a versão do século XXI para os casamentos arrumados de tempos atrás, só que dessa vez são as próprias garotas que se dispõem a isso. É uma opção social que me deixa perplexo. Eu entendo a vontade de ter uma vida fácil com todas as necessidades materiais supridas, afinal é exatamente o que eu tenho. Mas para isso não tive que me vender a ninguém, mas tive que abdicar dos meus direitos civis e outorgá-los à minha mãe e a quem a vier substituir quando o tempo chegar. Anyway, eu dei um novo superlike na garota que se transformou em sugar. E escrevo isso especialmente para ela se porventura me der um match, o que dificilmente ocorrerá. Ela é bonita e gostosa, talvez excessivamente bonita e gostosa para o meu gosto, certamente não tenho dinheiro para sustentar uma relação como essa e não me interesso por relações em que o que fala mais alto é o dinheiro. Entendo como uma relação trabalhista, como um serviço oferecido. O serviço sendo sexo e o desempenho de um papel social totalmente artificial, a supressão do ego, dos sentimentos e da escolha em nome do consumo. Uma das anomalias do capitalismo. Pessoas, garotas, abrindo mão do ser para ter. Mal sabem que o que perdem é bem mais valioso que o que compram, desperdiçarão a juventude, relevarão o sentir, tornando-se lacaias do novo lançamento da Chanel ou da Dolce e Gabbana. Tenho muita pena, mas há várias garotas optando por isso nos aplicativos de relacionamento. Vendendo-se como produtos de consumo, como pessoas para serem usadas e descartadas. Desumanizam-se no processo e não se apercebem disso, iludidas de que estão exercendo a liberdade plena, apenas demonstram a escravidão e devoção ao deus dinheiro. Não são poucas, ouso dizer que é uma trend que está apenas começando e que creio vem da falta de disposição e de coragem para assumir as responsabilidades e independência da vida adulta, que esta demanda, abrindo mão das recompensas que tal posição proporciona. Aqui me identifico com as sugars, vivo uma eterna adolescência, onde tenho liberdade restrita, mas suficiente e nenhuma das responsabilidades da vida adulta. Também vivo no oco emocional e afetivo, mas não por escolha própria, mas por incompetência. Fui fumar e perdi completamente o foco do que estava dizendo. Acho que disse tudo. Gostaria muito que a supergata me desse match para que pudesse repartir esse post com ela. Queria compreender o que a fez optar pela prostituição seletiva ou exclusiva, abrindo mão da sua autonomia para estar à disposição de um homem toda vez que este quiser usá-la, quiçá abusá-la. Ainda mais estudando na UFPE, em teoria, pelo menos é o que o perfil diz. Como disse as sugars são meninas bem-criadas, que receberam educação de alto nível e têm um confortável modo de vida. Acho que têm medo da vida ou se desiludiram com os afetos nesse mundo hedonista de hoje. O amor morreu, o respeito pelo sentimento foi esquecido, tudo revolve relações superficiais e sexo. Obviamente é uma generalização, mas para garotas bonitas acho que isso se faz mais presente. Esses aplicativos que uso não são voltados para caras como eu que querem uma relação com carinho e intimidade, é um cardápio para conseguir sexo de graça, trepadas inconsequentes e impessoais. Essa é a principal utilidade para a maioria. Isso me deu uma ideia para talvez alavancar a visualização do meu perfil. Vou criar um layout dizendo “leia o meu perfil”, isso talvez desperte a curiosidade e a leitura do pequeno texto de descrição que fiz e revele uma proposta diferente, não sei. Sei que vou tentar.

19h40. Eis abaixo. Só não consegui colocar como a minha imagem de capa, não sei fazê-lo ou se é possível.




19h41. Fui sacar o Tinder depois de ter colocado a imagem e apareceu outra sugar baby. Como disse, essa moda vai pegar, muitas patricinhas se prostituindo para ricaços. Não deixam de ser prostitutas, pois não estão interessadas na pessoa, mas no dinheiro. Ficam ofendidas e dizem que não são garotas de programa. A diferença, se existe, é mínima. Mas se a opção lhes desce melhor com a negação do fato que se vendem por dinheiro ou pelo que o dinheiro compra, que seja. Não deveriam se envergonhar, entretanto, é uma das profissões mais antigas do mundo e tão digna quanto qualquer outra aos meus olhos. Não vejo demérito nenhum na prostituição, tenho pena apenas, pois se negam sentimentos especiais e talvez necessários para uma existência mais completa e feliz. Mas cada uma é dona de seu corpo e o utilizá-lo como empreendimento não é mais ou menos louvável que outras formas de conseguir dinheiro. A juventude, entretanto, não é propriedade delas, mas do tempo, que a rouba diariamente. Se não se planejarem, terão problema quando o tempo lhes arrancar a exuberância que só outorga por efêmeros anos. E eles passam cada vez mais rápido à medida que a idade avança. Bom, vou fumar. E provavelmente mudar de assunto.

20h14. O dia passou muito rápido, estou agora em busca de contato com um cara do maravilhoso mundo dos bonecos.

20h34. Até agora nada. Percebo que o fato de eu ter todo o tempo do mundo para mim me torna mais ansioso e impaciente com os demais que tem afazeres muito mais importantes do que tratar comigo. É estupidez da minha parte, mas também meio inevitável. Um efeito colateral do meu modo de vida. Adoro o meu modo de vida. E sinto minha vida mais completa agora do que sentia quando comecei esse texto. É uma sensação agradável que, ao mesmo tempo, me gera certa apreensão e preocupação. Espero que sejam infundadas, que tudo transcorra bem. Completa ficará mesmo quando e se o cara do maravilhoso mundo dos bonecos me contatar. Espero que o dinheiro que tenho no Paypal seja suficiente para comprar e pagar o envio do Azure Dragon para o Brasil. A versão verde, exclusiva da SHCC. Tomara que o cara me responda, será a última aquisição para a minha coleção. Ela estará, para o meu gosto, completa. Sabe o que seria massa? A Gatinha ir comigo e mamãe para os Estados Unidos no ano que vem para ajudar a embrulhar as bonecas que estão lá e colocá-las da forma mais protegida possível nas malas. Queria ir à época do meu aniversário ou no meio do ano. Desculpe-me leitor, estou totalmente embriagado pelo maravilhoso mundo dos bonecos, meu hobby, minha segunda paixão, depois das palavras. Sei que é indevido, mas fiz e faço porque a vida é minha. Nossa, como queria fechar o negócio do Azure Dragon hoje. Finalizar minha coleção em grande estilo com uma peça bela e exótica, que destoa de todo o resto da minha coleção, é a expressão de um artista chinês e é uma figura riquíssima, única. Se pudesse, a colocaria do lado do meu computador, lado oposto ao Hulk que reinará soberano à entrada do quarto. De todas as peças que tenho e terei acho que o Hulk sempre será a que mais gosto. Foi certamente a mais cara. Vou fumar um cigarro. O tempo passa mais rápido e a necessidade se faz.

21h10. Beijei a minha mãe por gratidão, foi bom. Afora o Azure Dragon, nada me falta na vida, bem falta o quarto preparado para receber e exibir todas as estátuas, mas isso está mais perto que longe, talvez se dê em fevereiro. Será que até lá o Tinder, o Badoo ou qualquer outro meio vai ter me garantido um relacionamento? Não sou tão otimista, mas o acaso-destino age das formas mais misteriosas e inesperadas. Estou tomado, apesar da solidão, por uma sensação boa de completude.

21h23. Um item que coloquei à venda no eBay vai vender e cobrir o rombo que eu fiz ontem no meu Paypal assinando sem querer o Badoo para a vida inteira. Fiquei muito puto. Já fiz altas burradas nesses aplicativos de paquera comprando coisas sem querer. Acho que agora consegui bloquear todos os débitos automáticos. Acho inescrupuloso colocar os serviços para serem renovados automaticamente sem avisar isso ao usuário. Me deixei enganar umas três vezes. Sem dúvida a do Badoo foi a pior, pois não quero o serviço até o fim dos meus dias e preciso de todo o dinheiro necessário para pagar o Azure Dragon.

21h30. O boneco foi vendido, falta o cara pagar. Já falei com o meu irmão que teria remessa para esse sábado.

21h53. Tudo encaminhado com a venda do eBay. Vou fumar um cigarro para celebrar. Nenhum sinal do cara da Gantaku, fabricante do Azure Dragon, ainda.

22h04. Não queria terminar esse post sem uma definição sobre o Azure Dragon, mas não sei qual é o fuso-horário da China, logo não sei quando tal resposta virá. Não posso crer que nenhum dos meus superlikes não vá resultar em match, acho até injusto isso. Nem para bater um papo? Será que sou tão repugnante assim? Tão velho assim? Realmente é desmotivador para dizer o mínimo. E estou cada vez menos seletivo, mesmo assim... nada.

23h13. Descobri que são 11h na China e reenviei as mensagens tanto para a página oficial da Gantaku quanto para o cara que trabalha lá. Vamos ver se recebo resposta dessa vez.

23h39. Será que irei dormir com a minha última estátua encomendada hoje? Não parece ser o caso, mas resistirei até as 2h para ver se concluo a transação. Vou fumar.

2h12. Nenhum sinal do cara da Gantaku. Mandei um e-mail para ele dizendo exatamente qual era a minha proposta e enviei outro para a loja que vende o Azure Dragon (versão normal) nos Estados Unidos perguntando se eles poderiam declarar um valor sensivelmente menor para o item. Acho que a loja dirá não. O frete eu não achei tão absurdo quanto imaginava, embora a figura seja mais de cem dólares mais cara na loja americana. A Gantaku já havia concordado em declarar um valor menor por ela, mas não soube informar do frete. É um saco esperar, viu? E esperarei a resolução desse imbróglio para postar esse texto.

2h49. O sono me domina, acho que só terei resposta da Gantanku amanhã. Ah, em relação a burlar a alfândega brasileira sou corrupto sim, pois não compactuo com as taxas absurdas que passaram a cobrar. Acho revoltante, especialmente para um bem que não concorre com nada produzido no Brasil. Sei que é desculpa de amarelo e liso. Mas, em tese, será a última vez que usarei desse expediente. Se bem que há dois kits meus para serem pintados na China...

3h41. Nada do cara. Vou mandar uma última mensagem.

4h00. Vou acabar o copo de Coca para dormir e ver o que se dará amanhã quando eu despertar. Aposto que a loja americana não vai querer mudar o preço e que o cara da Gantaku não vai ter respondido o meu e-mail.

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Recebi resposta dos dois e-mails. A loja americana disse que era ilegal declarar preço outro que não o verdadeiro. O cara da Gantaku disse que havia reservado uma versão exclusiva para mim e que ainda não tinha as dimensões e peso da caixa do Azure Dragon para me passar, mas assim que tivesse o faria. Mandei um e-mail de agradecimento e esclarecendo quanto julgo ser o preço da estátua e que valor eu desejo que ele declare no envio. Parece que está tudo encaminhado para possuir a última estátua da minha coleção. Isso é suficiente para que meu dia comece com uma alegria e uma satisfação superiores. Pensar que a minha coleção estará completa traz um alívio inesperado para mim. Não há mais nenhuma figura que eu queira. Até a próxima SDCC (San Diego Comic Con) e mesmo com esta não há personagens que me venham à cabeça que possam despertar o meu desejo. Se bem que, como mudei o foco da minha coleção para garotas lindas, independentemente da personagem, pode ser que algo surja, por isso pedi à arquiteta que deixasse espaço para mais três figuras, embora esteja relativamente seguro que as que tenho estão de bom tamanho. Agora é o trabalho de formiguinha de trazer parte significativa da coleção que está na casa do meu irmão e lá vá chegar. O Batman branco é o que mais me preocupa, por ser muito grande e pesado. Acho que a base terá que ir em uma mala e o corpo na outra. Meu irmão disse que não quer se arriscar a trazer bonecos fora das caixas por mais que tenha sido eu quem sugeriu tal expediente a ele. Se mamãe resolver mesmo ir no ano que vem para lá, poderemos trazer as figuras restantes embrulhadas nas roupas. É a única forma de trazer o Batman, pois sua caixa deve ser quase do tamanho de um fogão, logo grande demais para embarcar para o Brasil. Só o frete para casa do meu irmão, ou seja, frete local, dentro dos Estados Unidos, foi mais de cem dólares. Imagine o tamanho e o peso do trambolho. Será a minha segunda centerpiece, ficará dentro do armário, como que num altar. As dimensões da figura? Altura: 83.9cm, largura: 48.3cm, profundidade: 39.7cm. É como as dimensões cósmicas, não consigo nem imaginar, só vendo. Enfim, estou a um passo de fechar a minha coleção e isso me dá uma paz interior grande, não sinto mais aquele frenesi ansioso por estátuas, pois consegui todas as que realmente desejo. Não há mais nenhuma. E fecho com uma que destoa completamente do resto das estátuas, um dragão aquático, com duas garotas e uma série de pequenos detalhes, uma peça de arte, desligada de qualquer franquia e inspirada no folclore chinês.


15h43. Agora que desatei a escrever, não quero parar. Às vezes quando fumo baixa um pouco o meu astral. Mas nada me rouba a calma de não precisar mais comprar bonecos. Espero realmente que nenhuma outra estátua venha dar o “clique” em mim. Posso simplesmente deixar de acompanhar o maravilhoso mundo dos bonecos, mas sei que não farei isso e que estarei com todas as minhas atenções voltadas para a próxima SDCC. Com o passar dos anos – e coleciono bonecos há cerca de 15 anos – fui me tornando cada vez mais seletivo, muitas das que tinha perderam o encanto para mim e as vendi. Fiz péssimos negócios em sua maioria, mas tenho bastante orgulho das peças que agora tenho. Todas me agradam e será um sonho acalentado há muito, muito tempo, tê-las todas expostas no meu quarto, desenhado especificamente para abrigá-las. Preciso, inclusive travar novo contato com a arquiteta de posse de novas medidas conseguidas com os fornecedores. E ver esse negócio de a cama abrir, pois não sei como ela vai abrir se houver uma estante na parede, que acho que vá ser inevitável para a parte de PVC da minha coleção, as japonesas. Bom, ela é que vai arquitetar tudo e não quero deixar nenhuma figura de fora. É bom sonhar e estar embebido de pensamentos sobre bonecos. Colecionar bonecos é algo que faço desde guri, só que hoje coleciono bonecos high-end. São absurdamente caros e bem feitos e bem-acabados e, com a digitalização das esculturas, o nível de detalhes hoje é absurdo. Tenho medo de lançarem outra garota linda na próxima SDCC, mas, como disse, acho difícil suplantar as que tenho. Eu tenho as mais lindas das mais lindas. E nem sempre o fato de serem modeladas em computador garante uma figura que me desperte atenção. Como disse, tornei-me mais seletivo, extremamente seletivo. Consegui passar incólume pela SDCC 2108. Nenhuma me deu o clique. Acredito que será assim de agora em diante. Ou espero que seja. Essa paz de não precisar de mais nada além do que tenho e do que está encaminhado me dá uma sensação de preenchimento, de, como disse, completude. A Gatinha já se dispôs a vir aqui montar e consertar três bonecas japonesas, só confio nela, tem uma habilidade manual fora do comum. Minhas mãos trêmulas da medicação não seriam capazes de fazer o trabalho. Afora que a minha coordenação motora é pífia. Mas chega, já escrevi demais. Vou fumar um cigarro para revisar e postar isso.