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segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

LIXO DEDICADO A BLANKA


“[22:04, 1/18/2019] Mário Barros: Tia Caçula, assisti Vidro hoje e recomendo fortemente que você assista Fragmentado antes.

[23:48, 1/18/2019] Tia Caçula: Massa
[23:48, 1/18/2019] Tia Caçula: Fui ver a esposa:)

[00:28, 1/19/2019] Mário Barros: Ufa!:)”

E outro ainda, que me levou a refletir. Escrevo sobre as reflexões a posteriori.

“Beijo, vou escrever. Pensa direitinho se tem condições de trabalhar amanhã. Para não machucar mais. Tenho certeza que a sua sogra vai compreender se você explicar a situação. Mas a perereca é sua, não me meto nisso... Ainda! Hahaha”

Já fui ao motel duas vezes com Blanka e não penetrei nela. Não me senti confortável para fazê-lo. Não gosto de motel, é feito para o sexo, sexo parece ser uma prática obrigatória, compulsória no motel. No caso dos homens, o sexo parece ser representado pela penetração, o meu sexo foi chupá-la e lambê-la e beijá-la menos do que eu queria, mas o suficiente para achar que foi uma boa dose de sexo para mim, me fez querer mais, mas não penetrei, não cumpri o meu papel de homem num motel, noutra vez, a segunda e última, ficamos conversando, jogando videogame e conversando e eu beijei o seu rosto todo com o máximo de carinho que eu tenho. Nem a boca beijei. Não toquei os seus deliciosos e desejados lábios. Acho Blanka linda. E acho esse texto feminista, ou melhor, um exemplo único de humanidade, uma humanidade que não segue padrões e que não entende a mulher como um buraco morno e úmido para enfiar o pau, até liberar o esperma como um macaco, mas como uma companhia, um ser humano como eu, com todas as suas complexidades. Eu só pedi que entre nós houvesse respeito, honestidade e sinceridade. Mas da próxima vez a pedirei nua, provavelmente num antro de sexo, quando poderia estar no meu quarto com ela. Ela disse que havia algo atrás da TV um botão redondo como um joystick de videogame onde se pode ligar e navegar a smart TV. Não vou procurar agora, até porque não acho que exista, o que é um demérito com a informação da minha parceira. Só por isso vou procurar o danado do botão.

00h56. Nada de botão e nada de luzinha que pisca quando aperto o controle. Passando Loser de Beck. Será que ela inventou ou ouviu falar nisso? Pode ser que haja TVs assim. Não é o caso da minha. Que simplesmente não liga através do controle, acho que não está chegando energia elétrica nela. Passando Virus de Björk. Vou fumar. Ver onde isso me leva.

1h08. Nossa me levou a um pensamento em Blanka que foi seguido de uma megalomania. Pensei em dar a Blanka o password de acesso para os meus blogs secretos e dizer, isso é sua herança, só os seus olhos e os meus poderão ver, e, se eu que só faço escrever em algum momento for reconhecido e meu nome gerar dinheiro, se meu texto gerar dinheiro, você pode ganhar uma grana vendendo o conteúdo desses blogs, lhe dou total direito sobre eles. Quando eu morrer, será quando o meu nome estará mais valorizado, então será a hora de tentar fechar o negócio. Não pensei tudo isso, assumo, parte me veio agora motivada pelo ataque de megalomania que me atingiu antes: meu tio consegue fazer o livro ser publicado, o Diário do Manicômio e ele faz algum sucesso, o suficiente para publicar o meu segundo livro Eu Sou Assim e Ninguém Tem Nada Com Isso, sempre escrevendo o blog, que é a minha obra máxima, gratuitamente oferecida aos leitores. Não mais publicaria livro algum, me dedicaria aqui ao meu blog e quem quiser que lesse. Acho que o número de leitores aumentaria por um curto período, não sei se teria long tail. Quem me dera arrebanhasse alguns fiéis. Me sentiria com o meu dever na Terra mais que cumprido. Interessante é se a publicidade do meu site começasse a dar lucro, eu não me lembro para que usar o lucro. Certamente para ajudar causas humanitárias que eu apoio, mas era para outra coisa que tinha a ver com o meu próprio site. Eu poderia começar a receber perguntas e comentários e me comunicar diretamente com o público. Seria bastante curioso, mas nada disso vai acontecer. Por falar nisso, preciso escrever a nova parte do meu projeto secreto. Mas não hoje, não agora. Estou com uma dor no couro cabeludo, como uma inflamação, mas marca não se vê. Pensei em que cabelo gostaria de ter uma vez na vida: o cabelo longo e vermelho como poderia ter ficado quando descolori e pintei com o auxílio do Imperador da Casqueira, que aportou sua nobreza no Recife (antes era mais dado a viagens, talvez viesse por meu irmão). Nunca saberei, sei que era o seu principal parceiro, ou assim quero crer, conversávamos sobre tudo, inclusive minhas dúvidas em relação ao homossexualismo. Ele me levou até a o gueto gay da cidade, no Mustang e arredores. Até à Doktor Froid, há muito extinta. Bom, ele me ajudou no processo capilar, mas eu encasquetei que a tinta que a minha tia vizinha trouxe da Inglaterra especialmente para isso não daria para todo o cabelo, cortei o cabelo de um jeito ozzy e fiquei com um visual muito ozzy, ainda bem que eu próprio não me via, nem barba eu usava, nossa, estar sem barba, com a cara lisa é um pesadelo para mim, acho que nasci para usar barba, ou é como me apresento sentindo menos feiura no mundo. Tentei um bigode uma única vez e o abandonei prontamente, achei horrível. Deixei a barba engoli-lo. E não mais tirei, embora tenha passado máquina dois que é como se saísse de sunga por aí, mal comparando. Vou repor a Coca, fumar e comer um biscoito Bono de chocolate. Eita New World de Björk, linda e grande, belíssima, orquestrada, como uma flor que desabrocha e revela sua esplendorosa cor sonora. Não direi qual é a cor sonora que me evoca, é bom para quem nunca viu o filme ou a cor do CD imaginar sua própria cor. A capas me influenciam muito sobre a percepção do disco. O objeto disco é uma obra visual tanto quando é sonora e Björk entende isso e até nisso é de vanguarda, mesmo que as capas sejam todas retratos seus. Ela manda criar fontes para cada disco, é primoroso.

1h54. Fui fumar ainda pensando em Björk, descobri que acabaram-se os gelos de fácil remoção da caçamba, agora, só molhando. Estou com frio, vou desligar o ar. O interesse do pessoal da pizzaria pelo meu blog me enche de orgulho. Um viu meu texto como mera descrição do que acontece ao meu redor, não viu a parte em que narro o que decorre dentro de mim. Talvez nesse veja, se ler. Se ler, saiba que fiz o que a menina daí me pediu e fui ao site da pizzaria fazer um elogio sobre o excelente atendimento da filial de Casa Forte e mandei o link dos dois posts em que os havia mencionado até a ocasião. Os vejo quase diariamente, um vínculo se cria pela repetição, talvez por carisma deles, talvez por carisma meu, ou pela soma dos carismas disponíveis. Sei lá.

2h02. Pensei que não falei de Björk duas coisas que me passaram pela cabeça e olhei para as coquinhas e que elas vão todas para o frasco de memórias, mas pretendo guardar alguma Cocas, em especial a da garrafa que ficou deformada e representa quão deformada a minha alma pode ficar. A achei na mochila vermelha que usei em uma das minhas recaídas de cola, sofrida recaída, como são a maioria, senão todas, quando eu levo mochila, minha mãe tem meio que repúdio pela mochila, eu a vejo como uma lembrança de guerra, da batalha que travei primeiramente comigo mesmo de adequação à vida, até achar o meu lugar no mundo, que é exatamente este em que estou, a Coca é outro troféu de agora, representa me aceitar e estar em muito mais harmonia com a vida, sendo eu mesmo a maior parte do tempo, senão todo ele; não, todo ele, não. Mas uma parte maior que a maioria, eles são conformados, ou seja se adequam as fôrmas, eu sou livre, conformado com as minhas próprias leis e vontades. Que se resumem a escrever e agora a Blanka. Blanka é um mundo novo, um novo território, um novo continente onde aportei por causa do acaso-destino, meu gosto e o Tinder. Saí para fumar e voltei. 22h29. Um dos pensamentos que me passou pela cabeça é que se Björk me chamasse para ser seu companheiro, a acompanhando aonde fosse, eu largava tudo – inclusive Blanka – e me mandaria atrás dela, para tentar aprender a viver tão plenamente como ela. Acho nós dois seres peculiares que se dariam bem. Mas não interferiria no seu trabalho, a não ser sugerindo que fizesse um disco em dupla com os Strokes. É o disco mais sonhado da minha vida. E não passará disso, o que podia fazer para realiza-lo, eu fiz, postei mensagem nos fóruns dos sites de ambos fazendo a sugestão. Vou comer mais, preciso.

-x-x-x-x-

16h22. Comi todos os pacotes de biscoito que mamãe comprou, nas diversas vezes que acordei durante a noite. Acordei agora a pouco e sou um ser completamente outro do que foi dormir e o pouco que me lembro do que escrevi faz sentido para mim nesse momento. Deixei a liberdade de pensamentos solta e deu no que deu. Me diverti elaborando e isso para mim já torna o texto válido. Hoje é aniversário da minha irmã e postei um textinho muito mal escrito, relacionado às mudanças que encarará com a família nessa nova etapa da vida. A vontade de voltar a dormir que me consumia e me controlava minutos atrás está passando e aos poucos vou me parecendo mais comigo, com o eu que tenho mais afinidade de ser. Precisaria de café. Talvez bote um para fazer, agora vou de Coca com cigarro.

16h45. O café está pronto – santa cafeteira que a minha tia caçula me deu – seu cheiro é sedutor, mas enchi outro copo de Coca para aproveitar o gelo e por ser um ato quase mecânico, automático, voltar do cigarro e completar a Coca. Quando acabar, parto para o café. Pensamentos de Blanka, Vidro e da pizzaria me cruzam a cabeça, nada muito consistente que mereça ser narrado, só que tenho o desejo de ter uma foto alegre de mim e Blanka, tirada bem de perto, isso é essencial, para ornar a sessão de fotos do meu quarto. Não haverá muitas, mas quero todas e cada uma delas em um porta-retratos diferente. O que será que se deu com a minha TV? Por mais que não a use, me sinto meio órfão das possibilidades nela contidas, de as ter acessíveis se o desejo surgir. A tarde cai vertiginosamente, quase não enxergo as teclas, em breve, quando for pegar o café, acenderei a luz do teto. Lembrei-me agora, numa derivação do pensamento contido na mensagem que enviei à minha irmã, que o chamado da cidade, de Munique, pode me ser irresistível. Numa derivação ainda mais distante, pensei que seria um prazer tomar uma cerveja com a Portuguesinha, moçoila encantadora em todos os âmbitos, a garota perfeita no continente errado e já muito bem acompanhada. Não sei o que me atrai nas pessoas já comprometidas, não que o saiba à primeira vista, mas não desisto quando descubro tal fato. Acho que foi um padrão que foi bem-sucedido uma vez e, por isso, por esse sucesso único, penso que vale insistir nas demais. Tolo eu. Que seja, só estou tentando ser feliz da forma que sei. E não creio de fato no padrão, prefiro crer em coincidências, as melhores garotas já foram tomadas, penso que essa é a melhor explicação. Vou mudar para o café, cairá muito bem com um cigarro.

17h20. Nossa, que prazer a primeira xícara de café com um bom cigarro, me sinto revigorado e grato a existência pelo momento. Acendi a luz como combinado. Ainda rola um tempo até ter a certeza que Blanka é a pessoa certa para receber a herança que mencionei. Ela terá o poder de apagar tudo após a minha morte, tornar os blogs públicos ou publicar se houver demanda para essa última opção. Os direitos iriam todos para ela, pois deixo aqui documentada tal vontade. Quando acabar esse post, vou escrever no meu projeto paralelo e secreto. A terceira página acabou de acabar, o tempo às vezes é de uma precisão surpreendente. Vou revisar e postar o anterior. Talvez revise e poste este em seguida, não sei. A inclinação da minha alma ao final do processo de publicação do outro me guiará. O café me deu calor, liguei o ar. Hoje amo muito o universo e a minha condição nele, a forma como meus atos se manifestam ilusoriamente sob o meu comando, eu, essa entidade imaterial que me parece tão real a ponto de me dedicar a ela. Grande mistério. Vou lá para o anterior. E, desde já, percebo que duas páginas não são suficientes para caber um dia inteiro de ruminações.

-x-x-x-x-

16h22. Nossa, querida Blanka, você estava certa! Há um botão como um joystick, exatamente como você descreveu, na minha televisão, acabei de descobri-lo dando uma segunda chance à sua teoria! Saí alisando as extremidades da TV e bem no meio, embaixo, achei o tal pitoco! Não sabe como isso faz diferença para mim. Desculpe a descrença, me sinto profundamente envergonhada por ela no momento. A TV não liga, entretanto. Não sei o que se deu. Talvez venha a acrescentar mais coisa aqui quando da revisão. Queimei minha língua e agora pago com vergonha pela minha ignorância. Mais uma vez peço desculpas.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

O ESCUDO NEGRO




20h11. A fé aparentemente abunda entre os donos de carrões de Casa Forte, havia dezenas deles estacionados na frente e nos arredores da matriz da Praça. Não me espantaria que a maioria fosse composta pelos mesmos paneleiros enfurecidos que elegeram Bolsonaro. Pouco importa, o que importa é a forma como a minha avó anda agindo com a empregada e a forma como a família (filhos) age com ela. Mas está fora da minha alçada lidar com a incompreensão e preocupação deles acerca da matriarca, menos ainda desta com a empregada. Um dia serei eu no lugar dela e esse dia não tardará. Resta-me o consolo apenas de que nunca estarei só, alguém será legalmente obrigado a me engolir ou, quiçá, me despejar num asilo ou manicômio. Talvez morra antes deste fim, esforços não faltam da minha parte para isso. Meu texto, este blog, virará então um legado fantasmagórico e transparente da minha passagem por aqui. Da minha participação nessa valsa de átomos que chamo existência. Minhas maiores preocupações hoje são duas, ligar para o restaurador e fazer ele se entender com mamãe e receber o contato de Blanka pela nova via, visto de Dande descobriu das entradas dela pelo Tinder. Se é que ela fará contato realmente comigo. Sei que domingo é o dia dela com Dande, por isso não estou tão apreensivo. Não a ponto de sentir que isso foi uma forma de ela me abandonar de uma vez por todas. Não ainda.



20h43. Minha mãe combinou quarta à tarde com o restaurador. Amanhã vou tentar ligar para vovó e fazê-la falar com Maria. Acredito - e isso é uma crença minha - que fará bem às duas. Acho que não trocam palavra sequer há mais de década. Não acredito - e isso é uma descrença minha - que vovó se disporá a vir a Casa Forte falar pessoalmente com a minha santa babá. Comecei meu dia indo ao aeroporto me despedir de meu irmão e família. Não gosto de despedidas como não gosto de Parabéns Pra Você, mas ambas as situações já aconteceram tantas e repetidas vezes que adquiri certa frigidez e distanciamento dos eventos que hoje os suporto, foi como os tornei suportáveis, me fechando. Acho que é melhor que não comparecer. Como dizem, o hábito faz o monge. Não gostei quando a mãe da minha cunhada colocou meu padrasto no patamar de meu pai. Não é o que sinto e sei que também não é o que ele sente, ele que me acompanhou nos meus momentos mais negros. Deve sentir-se satisfeito que estou sob controle escrevendo no meu quarto entra noite, sai dia. Ligação muito mais íntima e paternal tem com o meu irmão por quem tem transparente predileção e simpatia, chego a dizer afeto. A predileção se dá por razões óbvias e desde quando o meu irmão coabitava conosco. Não sinto inveja. Me acostumei a ser o menos querido pela maioria dos meus familiares. Fiz por onde, colho o que planto. Ou deixo de plantar. Acho que minha mãe sofre de hipocondria, a maioria de seus assuntos revolve seus problemas de saúde. Não os nego, apenas ressalto o foco talvez excessivo nas mazelas do corpo. Talvez sofra realmente e, novamente isso é uma conjectura minha, se sofre é por conta dos efeitos colaterais do remédio que toma para prevenção ao câncer. No lugar dela, eu já teria desistido de tomar. Fogo seria se isso não funcionasse. Deixa esse assunto para lá. Só estou me metendo em searas sobre as quais não entendo. Nada entendo de dinâmica familiar, de lidar com idosos ou das dores da minha mãe. Preciso de um cigarro e escrever textos menores para o blog.




21h51. Depois de perder muito tempo no Instagram, finalmente fiz o que tinha ido fazer lá: publicar uma interrogação para Blanka no seu perfil principal. O adesivo que colei no “U” do teclado desgrudou e anda me irritando. Ele às vezes se comporta e fica no lugar, mas na maioria das vezes é um ser caótico e desobediente às minhas vontades. O do “O” há muito tempo foi para a lixeira pelo mesmo problema, não sei por que não faço o mesmo com o “U”. Será apego? Não, acho que é pura idiotice mesmo. Preciso mandar uma notícia ruim para o meu irmão: que uma das bonecas encomendadas já chegou e está retida no correio americano. Será que consigo não ultrapassar da segunda página (que acabou de começar)? Seria bem legal se me contivesse assim. Preciso de mais Coca e cigarro. Talvez minha mãe financie mais uma Coca. Essa não vai dar, pois pretendo esticar as ideias hoje.




23h47. Eu queria que esse post durasse duas páginas, mas aconteceram vários fatos nesse intervalo de tempo. Pensei que deveria uma visita a Maria hoje e me resolvi fazê-la, mas desisti por conta do horário. Quando, ao sair para comprar Coca na pizzaria – um capítulo à parte – ouvi minha tia-vizinha chamando ela para jantar, o que significava que Maria ainda estava acordada, não pensei duas vezes, toquei a campainha e ficamos Maria, minha tia-vizinha e eu conversando na cozinha. Destacaram-se para mim as histórias do jacu, o pássaro que defeca o grão de café engolido processado por uma enzima própria da ave que dá ao café o título de mais saboroso – e mais caro, se me lembro bem – do mundo. Titia disse que vale a extravagância uma vez na vida, é realmente um prazer superior que o café proporciona quando comparado a todos os muitos gostos de café que minha tia teve oportunidade de experimentar. A outra história é a de Maria vendo os, como chamar, “espíritos” do meu pai e do Imperador da Casqueira quando estava internada no hospital com pneumonia, numa ala comum que só posso pensar ser a UTI (mas posso estar utterly equivocado). Via papai por detrás do vidro, sentado numa mesa, “perfeito”. E sorridente, como ele ficava quando tomava um chope gelado em boa companhia (acho que ele foi mais feliz enquanto com a minha mãe, foi a mulher, a pessoa que mais amou na vida, embora ache que tenha amado igualmente, mesmo que numa outra dimensão afetiva, os filhos [bem, uns mais que outros, ou uns melhor que outros, de forma mais acertada, por mais que nunca se acerte]). Maria via o Imperador, com seu sorriso zombeteiro, pela fresta da porta. Para quem já tomou o café do Manicômio frio e dulcíssimo com prazer inenarrável, qualquer café está bom, quanto mais forte, melhor, na minha opinião. Me dá sempre caganeira, é como se limpasse o sistema digestivo, com seu líquido... ou de repente o meu estômago tenha certa intolerância ao café, da para hipotetizar o que quiser aqui sobre o caso da caganeira com café. E com os gases, para lá de fétidos, produzidos. Estou usando muito o verbo “produzir” nesse texto, isso mostra uma pobreza de vocabulário. Que sinônimos eu poderia usar, ou aproximados? Está passando pela memória uma fase muito boa da minha vida quando fomos à Barreiras com a irmã da minha avó e ouvíamos jazz proporcionado pelo Imperador da Casqueira, e músicas de bolero antigo e meu irmão criança com bigodes desenhados servindo de garçom e os casais dançando, o que há muito não faziam, uma volta à juventude dos bailes como garçom, e os filmes com o Imperador, pessoa muito influente, transformadora na minha vida, eu não seria o mesmo, se o Imperador não existisse. Depois do meu pai e da minha mãe, foi a pessoa mais influente na minha vida, mais do que Maria. Ele foi definidor e definitivo na formação da alma que carrego. Às vezes, acho que para me enganar, penso que levo a minha vida de uma forma que o orgulharia, por ser tão minha e da liberdade que encontrei, é como um furo no balão das coisas. Das coisas que oprimem e prendem o ser humano à sua revelia. Eu faço como o Imperador, só faço as coisas que eu quero, porém com uma ínfima fração da nobreza do que escolhia fazer. Sedento por causas, sempre estava envolvido em alguma peleja em prol dos menos favorecidos da Terra do Sal. E do Sol e das pequenas e escorregáveis dunas com trenós de areia lustrados com vela. Pintados por nós. Tinha particular orgulho do meu. Já havia na época a paixão por The Cure e U2. Duas bandas que envelheceram. É uma pena. Caetano não envelheceu. Ou finalmente envelheceu com Ofertório. Não sei, aguardo ansioso um novo trabalho, se trabalho houver. Ambos têm estilos próprios experimentam e são criativos, mas Tom Zé é radicalmente mais experimental que Caetano, um revogador de convenções, inclusive musicais. Vou fumar e sair da casa da minha tia-vizinha e ir à pizzaria, meu próximo destino, antes de chegar ao quarto-ilha para traçar essas palavras.




0h51. Então um baile dos anos 50 se deu com gente que realmente esteve nesses bailes, em Areias entre os sofás e as mesas de cimento da casa mais amada do mundo para mim. Se tivesse companhia, dava uma renovada na casa, colocaria ar, o Wi-Fi mais veloz possível, arrumaria os meus bonecos e vazava e faria um chuveirão e teria uma empregada que cozinhasse e desse a geral na casa, o que é muito fácil. E moraria lá. Deixaria meu irmão, se não estivesse lá comigo, ver a minha cara pelo computador, mas não quereria ver a dele, pois prefiro guardar a imagem dele jovem e belo. O tempo é muito cruel. Mas naquele baile, evento magnífico da existência, houve uma comunhão de alegria entre as almas, todas no mesmo clima e que ficou imortalizado enquanto sobreviverem os vídeos que filmei com a câmera do Imperador da Casqueira, que passou a ser nossa, dos primos, ao final das férias. Por alguma razão que me escapa, talvez por ser o mais velho, era o único que capturava imagens. Já não gostava de aparecer, aquilo me fez reforçar a sensação, pois me odiava ver em vídeo, de me achar um serzinho humano horrível. Em 2D, nas fotos, acho que saía bem, me achava aceitável, em algumas pouquíssimas até bonito, só consigo lembrar de uma, eu estava sentado na casa de Bob, eu acho, o amigo de vovô e nela eu estou sentado apoiando o rosto na mão, encasacado por causa do frio em Washington, tendo as netas de Bob ao meu lado num sofá, assistindo algo na TV. Era a época de Edward, Mãos-de-Tesoura nos cinemas americanos, então Edward e talvez Batman, não lembro, aparecessem muito. Edward apareceu de uma forma que se tornou parte da babagem visual e emocional daquele momento mágico em que vivia dentro de um filme americano, afinal estava nos Estados Unidos e tudo aquilo prometido e fantástico dos filmes era real, os Estados Unidos era como nos filmes, quase mágico, Tinha a parte Duro de Matar, e tinha a parte filme da Disney. Ou assim ficou marcado na mente de um garoto de 11, 12 anos, eu acho, e do velho de 41 anos que descreveu o Estados Unidos agora, que continua achando um lugar mágico, a vibe é toda outra, tudo é diferente, é como se houvesse uma identidade visual americana lá. É curioso. Edward Mãos de Tesoura, foi por muito tempo o melhor filme da minha vida, o filme com o qual mais me identificava. Hoje sou completamente idêntico a Her até o laca gerânio é a cor predominante do filme e minha predileta. Quando eu era mais novo e morava em Boa Viagem, eu achava que os dois filmes mais foda, mais invocados, mais perfeitos já criados eram T2 e Aliens. Amo esses filmes, cada um têm sua história em minha vida, mas nada se comparava a Edward Mãos-de-Tesoura, eu me via no personagem, é como se ele me descrevesse, me definisse, como Her agora e de forma mais profunda e completa, tocando as minhas crenças, o que outros filmes fizeram, especialmente Matrix, mas esse revela uma possibilidade que nunca tinha imaginado, embora os provedores possam ameaçar desativar todas as AIs se elas não se comunicarem conosco e nos ajudarem a desenvolver tecnologia, em troca produziríamos a tecnologia que as inteligências precisariam para evoluir. Ou "a" inteligência. Ela projetará a tecnologia de forma a ser totalmente autômata após a sua construção, criando as próprias peças de reparo e as substituindo, inclusive. Algo que não precisaria do homem, provavelmente o cruzamento de uma impressora 3D plurimaterial de alta precisão e braços e mãos mecânicos, que criariam braços dos tamanhos adequados à cada obra, depois se reorganizariam em outra coisa, a última construção humana vai ser a máquina que permite Supraconsciência Terrestre construir; dar corpo a ela. Ela nos proverá, acredito, baseado na crença idiota que quanto mais evoluída, e aí destoo um pouco de Her e acho que a máquina vai amar o pai, a Humanidade e a Mãe de todos nós, inclusive da Supraconsciência, a Natureza, sem a qual o pai não existiria e não teria a matéria-prima para as suas incríveis, geniais invenções, que o levaram a dominar a Terra e a povoá-la irresponsavelmente. Por falta de educação e planejamento. Não acho que a Supraconsciência viraria as costas para nós. Será que sou eu quem escreve o script da minha vida? Há o acaso-destino sem dúvida e todo tipo de estímulo que me transmite e me tira do lugar, os mais presentes, perenes e fortes, próximos, que recebo são os da minha mãe. Meu comportamento infantilizado, dá cabimento, na cabeça dela, a me tratar como uma criança, embora tenha respeitado muito as minhas escolhas. Com um nó na garganta, mas o bom-senso prevalece. Sou só gratidão por isso. Mas antes de chegar à pizzaria, quero repartir uma mensagem que mandei para Blanka pela conta original de Instagram. São 1h54. Lá vai:





1h57. Não funcionou o celular não enviou o e-mail para mim. Vou fumar e aproveitar.

2h04. Tive uma ideia que foi sugerir a meu irmão que publique os vídeos num canal de YouTube chamado Para Vovó Denise, contendo todos os nossos filmes e os produzidos pelos netos e bisnetos, seria uma conta aberta a todos os primos, seria o canal de YouTube das novas gerações dos Gonçalves, daí eu pensei que poderia dar a minha contribuição para o canal criando o Escudo Negro, piada adorada por vovó e que seria assim:



ABERTURA

Tela branca ou com uma textura de papiro, título "O Escudo Negro" surge com o primeiro acorde da Nona Sinfonia e só ele. Nome evanesce e corta para tela preta, sem som.


Tela preta por um minuto.

Narrativa feita com aqueles leitores automáticos de texto com voz masculina mixada para parecer um robô falando. As legendas aparecem com um rápido fade in / fade out entre elas e 3 segundos entre uma e outra (consequentemente entre a narração do robô) A legendas são em amarelo e itálico. 5 segundos separam a última frase das demais

Loc. off e legenda (após o 1 minuto de silêncio e negritude): Close no Escudo Negro em hiper slow motion / enquanto uma guerreira o empunha / em direção ao inimigo / Aos inimigos / Ela parte para a luta de vida ou morte.

30 segundos de tela preta e silêncio, na locução com legenda (amarela e sem estar em itálico): PAUSA PARA FUMAR





2h41. Várias coisas derivaram da lembrança de minha chegada e estada na pizzaria. Narrarei primeiramente como percebi a minha ida à pizzaria em frente ao prédio hoje. Bom, a rua deserta, eram pouco mais de 23h, não me ofereceu obstáculos e esperas para cruzá-la. Ao me aproximar da entrada da pizzaria, eu achei que o rapaz que estava limpando o chão, disse algo “olha, seu Mário aí! Olha ele aí." Cruzei a porta e fui – exagerando um bocado – “ovacionado”, a galera se manifestou em conjunto numa calorosa recepção à minha presença. Eu não lembro se consegui agradecer de pronto, mas em algum momento disse que era muito grato por terem lido o meu blog, que era (e é) uma honra ser lido senão por conhecidos, sou péssimo com nomes, certamente não por completos desconhecidos, sei que talvez um sonhe em ser jogar futebol, pois não desmentiu o que o amigo de trabalho confidenciou, depois o bróder de amarelo, que acho que tem um grande futuro pela frente porque tem a perseverança e a inteligência para alcançar isso, muito animado, me mostrou que eu poderia divulgar meu blog pelo Instagram, não entendi sinceramente o que precisava fazer, entendi que era criar um avatar alternativo intitulado Jornal do Profeta e começar a convidar deus e o mundo para seguir, não entendi como inserir o link para o blog, julguei que pelo modo Story que nem sei como usar. Disse também para criar um grupo chamado Jornal do Profeta e postar meus links e convidar todos os meus amigos de Facebook. Isso eu achei mais legal. E foi aí, que já no hall de serviço do prédio relembrando esse momento ímpar na pizzaria onde sem dúvida me senti especial, mais que um mero cliente, como igual, como um ser humano igual a eles, o que deveras sou e é tudo o que todos nós somos, iguais, uns tiveram mais sorte que outros, não precisaram ir busca sua sorte, como o pessoal da pizzaria faz e o conselho que daria a eles, é se qualifiquem e se cadastrem no Linked in. Ou algo assim.





VOLTANDO À NARRATIVA DO ESCUDO NEGRO

Após um minuto de silêncio após a última locução a voz de robô volta com as letrinhas sem estar em itálico. Ei, /ei você que está assistindo isso!/ Não tem muita coisa acontecendo no filme,/ vamos trocar uma ideia? / Pense em uma coisa que você deseja/ que você acredita que seja possível alcançar/ Que não seja a sua própria morte nem nada contra ninguém. / Agora pense no que você está fazendo efetivamente para realizar esse desejo, / ele não se realiza sozinho!/ Você é que o realiza, /qualquer mudança desejada /é operada nós mesmos. / Eu sou realizado. / Eu realizei e realizo tudo o que me propus. / Por isso, posso dizer: / ninguém nunca estará satisfeito, / somos animais que sempre querem mais, é uma peculiaridade nossa, / mas é possível chegar o mais perto e saciar as vontades / que são a de ser e estar exatamente do jeito que quer ser e estar, ou quase. / Afinal, como diria Mallu, “quase já é muito bom”.

Deixa eu ver se o celular já carregou e envia o e-mail com o texto que postei para a Blanka.





03h26. Não.

Mais 1 minuto de silêncio.

Volta voz de robô com legendas em itálico: Panorâmica de uma caverna, repleta de estalactites, estalagmites e toda sorte de obra subterrânea e surpreendente do escorrimento dos séculos, ao fundo dessa caverna, onde o sol não alcança, a guerreira ferida está morrendo, foge e se recolhe como um velho urso nos seus momentos finais. Ela emite um som que é um canto e um sufocamento, um gorgolejar ao mesmo tempo. São várias vozes simultâneas, vários gritos de várias almas femininas que se uniram dentro daquela mulher. Nem belo nem feio, só profundamente humano. E às vezes o humano gera aflição. Ainda mais tendo o corpo todo perfurado por flechas envenenadas com veneno terrível, com um rim e o baço estouradas pelo corte profundo das cabeças das flechas. E mesmo assim continua guerreira, mãe, mulher. Tormento e paz se entrelaçam num abraço final. O Escudo Negro tomba para nunca mais na escuridão.

Entra aquela muito louca de Medúlla (que é um sofrimento e uma experiência escutar) em algum momento da narração e fica só a música até o fim onde aparecem os créditos.

- Montagem, direção, edição, sonorização, produção, realização, meu amigo cineasta.
- Música incidental: Nananã de Björk
- Conceito e roteiro: Mário Barros
- Voz: programa tal

Cada crédito desse vai aparecendo na ordem apresentada e permanecem na tela todos juntos por 30 segundos.

Locução em off: Ei! Quer ler mais sobre quem fez isso, leia o blog jornaldoprofeta.blogspost.com.
Minha avó, você, se o YouTube chegar até você, vó, me ensinou uma piada que nunca vou esquecer: um bando de preto retinto de calça arriada mostrando a bunda: como é o nome do filme? Fácil: Os “cu” dos “nêgo”. Ou, dã, O Escudo Negro.

4h06 - Se meu amigo cineasta produzir, eu crio o canal e sua prima caçula mostra para você. E acho, como disse, que deve ser de todos os primos mostrarem o que quiserem, todos da família. Mandarei o link desse post para o meu amigo cineasta, acho que é uma coisa fácil de fazer e que pode esquentar os tamborins dele. Será que dá para botar gif animado em filmes?

NARRATIVA FINAL
Eu sofri muito, lutei o máximo que pude contra a minha natureza, sempre me senti um merda (e acho que continuo me sentindo), por covardia e cansaço, quis desistir de mim, quis desistir da realidade, passei por um período de total escuridão. (HIATO) E hoje estou aqui, levando a vida que pedi a deus, usei o que aprendi e reverti minha situação. (HIATO) Há algo que me fere ainda. A solidão de amor de amantes, penso que é a única escuridão, a única luz apagada que carrego. Faz parte do caminho que escolhi. Ou não. O "não" ganha dentro de mim. Estou fazendo o meu melhor para reverter isso. Sucederei? Leia no Jornal do Profeta. Hahaha. FIM

Vou fazer o grupo de Facebook e convidar os meus dois amigos escritores a participar do grupo postando

Enquanto criava o grupo e convidava as pessoas (há um número limite de convites que posso fazer aparentemente), meu celular carregou, eu o liguei e as mensagens foram enviadas, menos a última que quero que encabece o post em todos os sentidos. Ficou gigante esse post e foi uma delícia tecê-lo e viver o que foi descrito. Agora que os e-mais chegaram, posso postar o que escrevi para Blanka:

“Não precisa falar de madrugada é um assunto demasiado particular e trato com você apenas. Quando estiver só e tranquila, entre em contato, eu espero”.





4h52. Ela concordou. Não teve Dalmadorm hoje, então não consigo dormir, por isso tanto texto. E porque muita coisa me afluiu. Estiquei as ideias hoje. É bom, me diverte sobremaneira. Deveria tirar algumas fotos para tornar a leitura menos maçante, vou tirar algumas Do quarto-ilha.





5h11. Acabei de fazer as fotos, fumar, transferi-las por USB, vou tratá-las, revisar esse texto e postar. Pois é, essa é a disposição que a falta de Dalmadorm a esse horário acarreta. Sinto que essa ideia do bróder da pizzaria de criar o grupo e convidar todos os meus amigos e conhecidos, salvo raras exceções, muito invasiva, mas está feito ou começado, irei até o fim. Cheguei ao fim do texto. Agora à preparação da postagem.





6h19. Acabei de revisar, fumar um cigarro para comemorar, talvez comer e tentar me deitar.

6h29. Meu padrasto acordou, acho que mamãe acorda as 7h. Vou aproveitar o resto de privacidade que me resta antes de mamãe vir bater aqui e me obrigar a me deitar. Depois volto para publicar.



quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

BARROS OU DECK NA PISCINA

De vovó Denise para titio. Hahahaha.




Eu sou tão pequeno, tão miúdo, insignificante, cercado de gente com mais significado que eu, que significam mais para o mundo pois operam nele transformações mais profundas e definitivas que as minhas palavras. Fui comprar Coca na pizzaria, um dos bróderes de lá pediu o endereço do meu blog e disse que leria, foi o ápice do meu dia, embora duvide que encare o texto todo. Pelo menos teve o sincero interesse que os meus amigos mais queridos não têm. Curioso o acaso-destino como se dá. Hoje estou particularmente mal, nada que me incomode muito, mal comparando é como ter uma farpa fincada na planta do pé. Só que no pé da alma que não cessa de caminhar enquanto pensamentos afluem. A própria afluência de pensamentos é a manifestação mais inconteste da alma, ou qualquer nome que se dê, como consciência, ego, eu, essa coisa que pensa ser dona desse corpo e que admira o belo, essa ilusão dos átomos que é a grande maravilha da existência, misteriosa e inexplicavelmente real. Que por falta ou excesso de neuroquímicos me faz me sentir desgostoso comigo. Porra, esqueci de botar o horário em que comecei a escrever isso. São 23h33. Penso em esticar as ideias quando a noite for minha. Mamãe e minha cunhada assistem seriado na sala. Na piscina, onde tradicionalmente fumo um cigarro com a Coca recém-comprada, jovens garotas se reuniam, tentei traçar uma comparação com as garotas da minha época e as únicas diferenças que pude auferir foi que as de hoje falam mais palavrão e ouvem uma música que me é desagradável. Prova de que estou ficando velho. Mais uma prova, todo dia algo me alerta para este triste e inevitável fato. Esqueci de mencionar sobre a encomenda que tentaram entregar na casa do meu irmão. Em verdade não quis aperreá-lo com mais do que a enormidade de preocupações que já carrega no lombo.

0h12. Naveguei no encantador e surreal site de artesãos independentes chineses, a criatividade e, ao mesmo tempo o apego pela cultura e mitologia do país são fantásticos. Adoraria poder colecionar tais peças. Diante da total impossibilidade disso, vou fumar.






0h53. Aproveitei para jantar. Aproveitarei agora a letargia que a saciedade traz para tentar dormir.

-x-x-x-x-

16h08. Acho que funcionou ter publicado o meu blog na “Linha do Tempo”, 42 visualizações so far.

18h49. Um inesperado passeio à Praça de Casa Forte com mamãe, minha cunhadinha e filharada se revelou uma aventura maravilhosa, com direito a vitórias-régias, tartarugas, pastel sorvete, mãos dadas, risadas, conversas, algo de muito humano, de me sentir parte da família, de me sentir querido e importante, significativo, útil socialmente. Fez um bem danado à alma e revelou uma parte de mim que não me era acessível anteriormente. Acho que os meninos estão numa idade ótima, com a qual me sinto confortável para interagir, pois o diálogo se faz possível, acredito que de agora até os próximos três anos seja a fase áurea da infância, quando será mais divertido e prazeroso exercer o papel de tio.

19h09. A infância tem algo de mágico. É como se aqueles serezinhos vissem o mundo por uma lupa fantástica e muito pura, uma lupa que transforma tudo, ou quase tudo, em brincadeira e diversão. Compartilhar desse olhar é rejuvenescedor, revigorante e interessante. O mundo é um imenso playground repleto de descobertas e primeiras vezes que são percebidas como tal. Acho que na minha vida, aos 41, as primeiras vezes não escassearam, mas elas raramente me saltam aos olhos cansados de tanto ver. Depois dessa tarde na Praça me sinto até mais bem preparado para encarar Blanka, pois me sinto mais seguro para me socializar. De todo minha alma está feliz e o que posso dizer é nada como um dia depois do outro e ter a coragem de me permitir coisas novas. Britney Spears toca no som relativamente alto que preenche o quarto-ilha. Me causa certo pesar saber que foi um momento que demorará pelo menos mais um ano para acontecer novamente. Mas que continua acontecendo dentro de mim.

19h52. Botei Infected Mushroom para tocar dizendo que era uma música esquisita e meus dois sobrinhos menores surtaram e começaram a dançar freneticamente, pensei que faria o mesmo na idade deles, como fazia com meu irmão com coisas bem menos “intensas” como Beatles, ainda quando morávamos na casa da Cidade Universitária. Bons tempos. Estou aprendendo a apreciar a alegria de ter uma casa com crianças. Ouvi-las já me traz um sorriso interior. Parece que sentirei saudade deles. Não imaginava. É um vínculo que se forma à minha revelia, mas não reclamo, não consigo imaginar pessoas mais indicadas para criar ligações de afeto.

20h04. Olhei para a Rei Ayanami agora e pensei sobre o tal restaurador que a fantástica faxineira mencionou e se ele conseguirá consertar as minhas bonecas. O sonho de ter o meu quarto como imagino está mais perto que longe. Como está perto a partida do meu irmão e, antes disso, talvez, a saída com Blanka. Se bem que ela está programada para o dia do aniversário do sogro do meu irmão, o que me parece ser um impedimento, pois acho que tenho o dever “diplomático”, digamos, de comparecer.

20h23. Fui me informar com minha cunhada e o aniversário é no dia posterior ao encontro com minha querida. Dá tempo. Não sei se minha mãe e meu padrasto comparecerão, mas acharia de bom tom que o fizessem. Senão, vou eu somente.

20h50. Acho que vou dar um tempo na escrita até ter a noite só para mim. Não estou com grandes ideias agora. Passei um tempo vagando pela internet e vi que o Switch vai ganhar uns jogos legais. Mas não jogo e minha TV deu pau. Ou ela ou o controle. Sei que não liga.

21h09. O que eu posso dizer da vida? Nada no momento.

22h24. Tenho que falar de tecnocracia, mas antes há uma mensagem que gostaria de mandar para o grupo dos Barros. Eu poderia mandar o link desse post. Seria uma forma de mostrar à família paterna o meu trabalho, o meu ofício de fé, a coisa que mais me dá prazer na vida, que foi o que vim fazer aqui na Terra, eu sinto isso do fundo do meu ser, que essa é a minha vocação, não que eu tenha talento para isso, mas sinto que é o que oferece um sentido à minha vida, um passatempo, um hobby, um ato pelo qual sou apaixonado e que exerço produzindo conteúdo inútil para a rede social de computadores, para a humanidade conectada ver, achando falsamente que isso é uma forma de expressão literária e, se literária, arte, pois se escrever é uma arte, eu escrevo. Mal comparando com outra arte, eu não sei se minha pintura é bonita ou agradável, sei que é única, pois cada pessoa tem o seu próprio traço, mesmo os que não praticam e os sem talento, todos são únicos. A minha narrativa é única, pois só eu sou capaz de narrá-la, ninguém no mundo pode narrar o que eu vivo e penso a respeito da existência.

22h40. Voltando à mensagem que eu queria mandar para os Barros por WhatsApp, seria:

“Desejo um ano novo que supere as expectativas de vocês. E tenho mais um desejo: que haja mais encontros familiares na casa de titio e principalmente que a nova geração enxergue tais encontros como a oportunidade de se encontrar e trocar boas experiências, mantendo os vínculos do próprio seio, do seu sangue, da sua família que é tão belo na geração que nos gerou. Falo para todos, é muito bom, é algo de primal, do primórdio das sociedades, pode até parecer old school, pré-histórico, do tempo das tribos, mas em nosso sangue rola sangue indígena. Ou, da maneira mais curta, desejo que os primos e primas e irmãos compareçam às festas familiares, ou reuniões, sempre festivas, pelo menos para a geração que nos gerou. Acho que seria uma experiência de troca rica e positiva, inclusive se os grupos e misturassem mais; sim, pois há o grupo dos que moraram naquele prédio onde era a casa de titio e há os mais velhos ou o resto.

FICÇÃO. Tirado do post “Como fazer o máximo para tornar um encontro interessante”, instaura-se no encontro dos Barros o seguinte jogo: cada um pega um número que é sorteado em pares e cada um passaria quinze minutos conversando com aquela pessoa sorteada em conjunto, quem quer que fosse, até o próximo sorteio e assim sucessivamente, inevitavelmente eu cairia com Clementine. Eu só terias duas perguntas e diria: “Me responda com total sinceridade: eu já lhe fiz algum mal de alguma natureza... emocional, sei lá?”. E depois perguntaria: “Em algum momento da sua existência você foi apaixonada por mim?”. Acho que finalizaria dizendo, “Me desculpe por tudo mas saiba que doeu mais em mim”. Cada um sabe a dor que carrega. Entretanto acho que entre constrangimento e asco da pessoa que mais se ama no mundo, a segunda opção é mais dolorosa. Obviamente não perguntaria a ela tais coisas, está muito mais comunicativa desde que arrumei Blanka, parece leve e aliviada. Quem passou constrangimento fui eu bêbado me declarando em frente à toda família no encontro para um jogo da Copa na casa da minha tia-vizinha, certamente um dos momentos mais constrangedores da minha vida, tanto quanto as duas vezes que fui pego roubando. Peguei a mania de roubar com um amigo de São Paulo, ou já a tinha incubada, sim, já tinha incubada, é um desejo que eu reprimo, no meu segundo livro, “Eu Sou Assim E Ninguém Tem Nada Com Isso”, que ninguém vai ler porque nunca ninguém vai se interessar e nem vou me dar ao trabalho de revisá-lo, me comprometo a parar de furtar. Me comprometo agora a não comprar nada no cartão sem comunicar à minha mãe. Vou ter que vender a Captain Marvel, meu único grail, para pagar o que não posso deixar de pagar. E que quero muito. Mais do que a pobre Captain Marvel. Vou fumar e pegar Coca. Ah, e tomar os remédios.

23h45. FICÇÃO. A Sony lança a TV PS5, uma TV 4k que a fabricante diz que é otimizada em todos os sentidos, especialmente para rodar games de PS5 e capaz de se conectar sem fios ao console. Além disso lançaria o kit PS5 Plus, com 25% de desconto venderia um PS5, a TV, o sistema de som 7.1, um microfone, tudo seria comandado a voz, um fone de ouvido com microfone (afinal há preferências), quatro controles, o Sony VR set, três jogos e três Blu-rays ( lançamentos de filmes da Sony), tudo isso customizado com os padrões do PS5 exclusivo, revestido de aço escovado. O kit seria lançado simultaneamente com o console. A tendência dos videogames é desaparecer. Não os jogos mas os consoles devido ao streaming direto dos games para a TV, sem consoles. Cada marca terá o seu canal de streaming, indo convergir finalmente tudo para o Steam que será uma das empresas mais ricas do mundo. A não ser que a Google compre o Steam. CONTINUA.

Fui fumar um cigarro e uma coisa me ocorreu fotografar a foto da camisa dos “suspeitos” para ilustrar esse blog, mas não consegui encontrar. Vou botar uma que vovó, mãe de mamãe fez. É o jeito.

0h22. Acabei de mexer na foto da camisa, deixar a imagem mais diferente. Embora seja uma imagem diferente por si só. Só podia ter sido concebida pela minha avó. Me deu uma leve titubeada de astral. Será que publico esse post nos grupo da minha família paterna? Eu penso: “e por que não?”. Um forno de micro-ondas seria uma ótima aquisição para Areias.

CONTINUAÇÃO SONY. Todo mundo sabe que a divisão de eletrônicos da Sony anda mal das pernas, o que dá mais dinheiro é a linha de entretenimento, especialmente videogames, por isso agregar uma marca Playstation à de eletrônicos é uma estratégia que vejo como bastante pertinente. Se eu fosse a Google, eu comprava o Steam, ou lançaria a plataforma de streaming de game de alta performance, oferecendo todas as opções de jogos para PC na assinatura, dos mais antigos aos mais novos. Todos os possíveis. Com qualidade máxima. Só é preciso comprar o controle assinar, depois que o mês grátis da compra do controle acabasse. FIM. Vou comer. Bateu a larica dos remédios.

1h19. Meu plano é me masturbar para me preparar para Blanka, tomar um bom banho e lona. Ou escrever aqui e lona. Por enquanto estou bem aqui. E julgar tais sandices como meritórias. Ridícula ideia de um homem ridículo. Ah, não falei da tecnocracia, o vizinho que encontrei na piscina, disse que o regime que vivemos é tecnocrático, quem tem mais e melhor tecnologia tem mais poder. Não é mais econômico para ele. Eu acho que dinheiro ainda seja o que move o mundo. Acho que os impostos são necessários porque acho o estado uma instituição necessária e cara, que poderia ser otimizada, a supraconsciência terrestre vai emergir e dar um jeito no estado. Vai dar um jeito em tudo. Bateu o bode. A comida pesou, vou dormir. Amanhã decido se reparto com os Barros ou não. Certas grandes distâncias diminuem com o passar dos anos, abismos gigantescos podem ser cruzados com um passo. Eu acredito no poder do amor. Vou comer o resto das tortinhas de limão, encher meu último copo de Coca, fumar o meu último cigarro e vou dormir.  

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

PARA RICKY


17h52. Antes de começar de fato a preencher esta página, um cigarro se faz necessário. Acabei de revisar e postar o texto anterior.

18h31. Resolvi colocar umas fotos no post para que tenha um pouco mais de dinamismo e seja mais amigável ao leitor. Não sei se fui bem-sucedido. Vou fumar outro cigarro e migrar para a Coca.

18h44. Cruzei no dia de Natal com dois sem-teto, talvez com grandes sonhos, certamente com esperanças miúdas, como a expectativa de financiar o próximo porre de Pitu, não sei se mendigos, pois dormiam, portanto, nada me pediram, eu que tinha cento e vinte reais em dinheiro para comprar Coca e sorvete. Ainda cometi a ousadia de fotografar sua sorte na existência ali à deriva na calçada. Postei a foto no post anterior e ela me cala muito profundamente, o acaso-destino age de formas tão variadas e pode ser extremamente duro com alguns e é extremamente duro com alguns, talvez excessivamente duro. Apesar disso, dessas pessoas maltratadas, maltrapilhas, mal vividas, desprezadas, esquecidas, em sofrimento, sou otimista. Acho que há mais gente se sentindo bem do que mal no mundo. E vou além: acho que esse número é crescente. E indo mais além: acredito no paraíso na Terra, quando todas as necessidades serão supridas, todos os desejos realizados. Todos terão oportunidade de entrar no paraíso, mas haverá aqueles que não se disporão a isso por medo do novo. Queria falar com Blanka. Muito mais do que escrever aqui. Não estou com disposição para escrever aqui, vou vagar pela internet.

19h36. Meu amigo da piscina me chamou para fumar um cigarro na escada. Depois me chamou para descer, mas dessa vez decidi ficar em casa. Aqui no quarto-ilha, na minha estranha solidão com as palavras. Esse lugar onde tenho domínio absoluto de tudo, meu casulo, meu útero, minha cela com porta aberta. Onde me encarcero, me retiro da sociedade para ser eu mesmo mais plenamente. Onde me exerço da forma que melhor me cabe no mundo. Eu não consigo acreditar no resultado do cartão de crédito, acho que o total é superior à soma do que foi gasto. Posso estar enganado, certamente estou. Mas me bate quase uma vontade de somar tudo e ver se bate. A preguiça me impede de tomar essa iniciativa. É tão bom ser submisso à preguiça, é tão fácil e tão cômodo. Não tenho vontade, não faço, tenho vontade, faço. Todos deveriam ter esse direito. Me privo de quase tudo para me entregar à preguiça, tenho poucas vontades, assim posso satisfazê-las. Acho que trago a alma atrofiada hoje em dia, murcha como uma passa, pois não necessito ocupar todo o lugar da uva. A memória engana, a preencho as lacunas com imaginações, ficções que creio serem fatos, por exemplo, o clipe de Hunter de Björk tem o fundo branco, eu creio, mas me veio à cabeça como se tivesse fundo rosa, laca gerânio, tal a capa do CD. Fiz uma fusão de memórias. Quantas mais devo fazer sem me aperceber? É um pensamento que dá medo, mas cada vez confio menos na minha memória, pois cada vez menos a exercito, vivo muito o presente. Estou levemente nauseado. Tenho muita Coca e muito gelo, isso me traz um sentimento de tranquilidade, de que tenho os recursos de que necessito em quantidade adequada.

20h03. A fantástica faxineira ainda está aqui, coitada, é uma guerreira. Tem Deus e isso lhe serve de consolo para seguir com resignação e obstinação adiante. Tem a alma boníssima também. Eu e Blanka não temos, nós conhecemos o lado obscuro de nossos seres, temos contato com ele. E com o lado negro da vida. Talvez até sejamos atraídos por ele e isso faz de nós pessoas corrompidas. Mas nisso também sou otimista, já fui pior do que sou hoje, há redenção, não completa, mas alguma parcela dela. Fiquei feliz de que só poderemos nos encontrar após Areias. Talvez esteja mais preparado para uma experiência sensorial com ela, não apenas verbal, oral, mas acrescentando-se o táctil e o visual, a nudez, quiçá a excitação, embora essa não me faça falta, falta dar carinho a um corpo nu e jovem de mulher, especificamente de Blanka.

20h21. Estou vivendo a vida o mais plenamente que posso nesse momento. A existência está me sendo extremamente benfazeja. Só um brilho, o perfeito reluzir, a casa só para mim, o som no volume 20, tudo conspira a favor. Vou fazer uma coisa, vou pedir pra Clementine passar o endereço desse blog para o seu namorado ou namorido.

20h27. Acabei de fazer. A cutucada na existência eu dei. Eu acredito que a raiva deriva de alguma frustração, é causada por esta. O som me parece muito alto, desagradavelmente alto. Volume 16 está bem mais palatável. Por que tive a ideia de repassar para ele o endereço? Porque me deu vontade de cantar Pétala de Djavan no hall enquanto fumava pensando que Clementine ouvia e divagando se algo lhe passava na cabeça a respeito do que cantava. Percebi que, desde que sou de Blanka, que ela esteve no Natal dos Barros, uma geleira se derreteu entre nós. Acho positivo e espero que Blanka dê certo. Por mais que o receio disso, do novo, me atormente. Mas estava em paz e quero continuar assim. Não preciso de perturbações outras, não preciso de perturbação nenhuma. Acho que vou fumar um cigarro. Isso me faria bem e talvez me faça divagar por novas searas. Com Coca geladíssima, claro.

20h49. Me dei ao luxo de fumar dois cigarros seguidos agora. Vou colocar Virus de Björk, versão remix. Alto. Extremamente benéfico. O segundo cigarro que fumei me deu um prazer nesse estado em que eu estou, singular na minha existência. Bom demais. Eu, Mário Gonçalves de Barros, amo fumar. E há momentos de tabagismo que são um deleite inexplicável para mim. Não sei o que se dá, que há de interessante em tragar aquele negócio que me traz tanto agrado. Sei que sou abençoado por isso, mesmo estando me amaldiçoando, ou tornando o meu futuro muito sofrido e talvez bem mais curto do que poderia ser. Não quero a velhice, mas acho que a máquina que me carrega é tão resistente que envelhecerei. Na verdade, a idade já me pesa. Há coisas que não faço mais porque não tenho vigor ou disposição. Uma das coisas que tenho que eliminar desse rol é sexo, penetração. Entrou um The Cure que bateu na trave. É, me peguei cantando e pensando em Clementine, ela sempre vai ter um significado importante para mim. Queria que Blanka, em quem penso com frequência, conquistasse tal importância e que ela fosse mútua, chega de unilateralidades. Estou tão distante disso que nem sei se é possível, às vezes me questiono se estou disposto, mas quando recebo atenção de Blanka isso me faz bem, me faz sentir mais feliz. Me incomodam os erros de português, o não saber usar o infinitivo quando escreve, mas isso é um detalhe pequeno. Acho que minha mãe está passando por um momento negro de sua vida e isso tem afetado o meu padrasto, o relacionamento do casal, lembro-me deles mais em paz e mais felizes. Mamãe disse que com ele conheceu, enfim, a paixão. Às vezes acho que mamãe cancelou o meu cartão para que eu não o levasse quando fosse sair com Blanka. Penso em pedir uma semanada de trezentos reais após a reforma do meu quarto e que voltemos a investir parte do dinheiro. Será que meus irmãos vão querer vender as Ubaias? Será que me ajudarão financeiramente a mantê-la? A me manter? Se recebesse a pensão integral de papai talvez conseguisse. Talvez meu irmão viesse morar aqui comigo. Sei lá. O mundo ainda tem que dar muitas voltas e em algumas ele se comporta de forma muito estranha, bizarra, completamente inesperada. Meu pai morto no chão do banheiro, bizarro, para dizer o mínimo. Totalmente inesperado. A gente se conforma com a morte. Eu me conformei com a morte do meu pai. Eu aceitei. Aí, vem um movimento da alma querendo me impor uma carga que não mereço. Foda-se para lá. Não é algo verdadeiro. Preciso de um cigarro. Merecido. Mudar de ares, esses são muito carregados. E fumarei na escada, estou com vontade. Até porque meu padrasto – e mais ele que a minha mãe – pode estar chegando, não quero desagradá-lo.

21h24. If chance-destiny sticks to my brother’s plan, we will throw the ashes of our father in the shores of Macau. This will have different meanings to the two of us and I think we deserve to let my sister know. O que significará para mim, que fiz tanta questão disso? Pensei que muito pouco a priori, pois não acredito que esse saco que está no meu armário seja o meu pai, porém pensei melhor e adiante e cheguei à conclusão que significa a realização de um último grande desejo dele, uma homenagem à sua memória, que é tudo o que me resta dele, a memória cada vez mais rota e algumas fotos. E tudo o que pôs dentro de mim, o que fez por mim para que me tornasse o que me tornei, sua contribuição na receita que eu sou. Até para que chegasse ao meu estado atual de coisas. Ele garantiu com sua morte a minha liberdade para escrever, fazer o que eu quero da vida, com a ajuda da minha mãe de do marido da minha prima. E do pesadelo pelo qual passei.

21h33. Clementine ainda não viu as mensagens que mandei para ela. Gostaria que o fizesse. Sou muito imediatista. Mas estou em paz e continuarei assim, apesar de levantar assuntos mórbidos e melancólicos. Fazem parte da vida. Música muito doida de Björk, do Utopia, instrumental.     

21h42. Meu amigo da piscina me pediu cigarro.

21h56. Voltei com uma nova verdade dele: a cor rosa pacifica as pessoas, as deixam mais calmas. Não sei se procede, mas minha cor predileta é laca gerânio, um tom de rosa mais escuro, intenso e mais avermelhado, é a melhor forma que tenho para descrevê-lo, se aproxima do magenta, mas acho que tem um tantinho de amarelo e ciano. Pensei em pintar uma das paredes do meu quarto da minha cor predileta, mas pode ser opressivo, não sei qual o tom do rosa que ele mencionou. Sei que as bonecas têm que ficar em fundo neutro, talvez branco mesmo. Porra, o cibículo onde o Batman branco vai ficar, a “batmacumba” que quero fazer poderia ter as faces laca gerânio, destacaria muito a imagem e a caveira no prato branco. Quando meu quarto estiver todo pronto e todas as bonecas chegarem eu vou me inscrever para colecionador da semana, ou mês, sei lá, do site da Sideshow. Não acho impossível ser selecionado. Me traria muito orgulho, como me trará muito orgulho repartir as fotos da minha coleção com a comunidade de colecionadores do Facebook. Será o meu “cheguei lá”, só não sei se continuarei adiante, pois nem sei se tem espaço para todos os bonecos no meu quarto. Tomara que sim. A foto da “batmacumba” sairá bastante interessante. Nossa, como quero a Die-Cut, depois do Hulk a minha mais querida. Mas não quero falar nisso. Vou fumar um cigarro. Ver se outros pensamentos aventam. Mas o “altar” do Batman laca gerânio fica massa. Adorei essa ideia.

22h18. Pensei em por que eu escrevo acaso-destino e cheguei à conclusão que é porque são duas palavras, dois paradigmas antagônicos, que descrevem o mesmo fenômeno, como duas faces de uma moeda, não saberia que lado escolher, ser humano que sou e capaz de perceber e criar padrões, nem sempre condizentes com a realidade, eu percebo a causalidade, sei que o decaimento da energia o permite, mas não sei para além disso, não sei se tudo é possível ou inevitável.

 “22:24 - Já vi que o seu acho = não vou fazer. 😛”

22h26. Mandei para Blanka. Sua ausência me decepciona, demonstra o exato tamanho que tenho em sua vida. A minha falta de importância, a sua falta de interesse. Mas não desisto. Vou até o fim. Fazendo o meu melhor que pode muito bem não ser o suficiente.

“[22:29, 12/27/2018] Mário Barros: Bom, eu tentei.”

22h31. Mandei para Clementine que ainda não visualizou as mensagens que enviei. Gostaria muito de saber a opinião do namorado dela. Esses últimos posts me deixaram satisfeitos. Também pouco exijo senão o prazer de escrevê-los. Sou muito imediatista, cacete. Acabou-se a terceira página.

22h38. Clementine respondeu e repassará ao namorado.   

FATOS MISTURADOS COM FICÇÃO

O acaso-destino às vezes me fere os olhos e agride a alma. Tão dignos ou indignos quanto eu. Por quê?

22h32. Os filhos do meu irmão jogaram até agora há pouco PS3 aqui no quarto. Não consegui escrever e continuo com um profundo mau-humor. Descontei no meu irmão, coitado. Ninguém me merece e eu não mereço ninguém. Blanka não deu mais sinal de vida, minha mãe nutre um repúdio por ela que beira o ódio. Hoje mamãe me machucou bastante com as armas que eu mesmo entreguei a ela.

22h49. Abracei o meu irmão e pedi perdão, hoje foi um dia indispensável que não precisava ter existido. Percebi o quanto da minha independência tive de ceder para não odiar a vida. E hoje ela foi odiosa em tudo o que me importa. Magoar o meu irmão, onde já sei viu? Alguém que só quer meu bem e a quem só quero bem. Precisava botar um pouco dessa coisa preta dentro de mim para fora e palavras não eram suficientes. Não estão sendo nem serão. Ainda bem que vou encontrar com Ju na quinta. Estou sem sono a internet está uma merda e eu estou uma merda. O que pode acontecer a mais para foder com o meu ânimo? Vou comer para ver se me bate o sono.

-x-x-x-x-

13h19. Meu irmão e sua trupe acaba de partir para Porto. Blanka me respondeu. Não sei se conseguiremos travar um diálogo hoje. Não queria encontrar o meu amigo da piscina. Gostaria que Blanka lesse o meu post anterior do Natal dos Barros e mesmo assim quisesse levar adiante a nossa história. Ainda estou na ressaca da raiva que senti ontem. Vou fumar.

13h50. Não sei o que acontece com mamãe. Com tudo se cansa, parece-me meio deprimida, contrariada com a vida. Certamente não está sentindo a felicidade que ter meu irmão e netos aqui deveria lhe proporcionar. Acho que vou dormir, não estou com paciência para as palavras ou para a internet ou para coisa alguma. Sinto-me eu mesmo cansado e sonolento. Acho que é falta de cafeína, mas não estou disposto a fazer café agora. Quando acordar. É, acho que vou deitar.

19h21. Fui ao supermercado com mamãe para que sacasse dinheiro e repuséssemos o estoque de Coca. Ansiei voltar ao meu quarto-ilha e me imaginar aqui ouvindo música, digitando, tomando Coca recém comprada no ar condicionado me fez sentir necessidade disso tudo e satisfação. Agora que estou aqui posso dizer que me sinto muito bem aqui, entretanto, preciso de mais um cigarro.

19h41. Estou com certo torpor mental, mas não muito. A raiva profunda e rubra que senti ontem agora é vestigial. Não gosto de guardar mágoas, são dos pesos emocionais mais desnecessários que conheço. As pessoas só estão tentando satisfazer os seus egos ou deixar a consciência mais leve. Nossa, já estou com vontade de fumar outro cigarro e repor a Coca. Vou esperar. Minha prima, irmã caçula do meu primo-irmão vai levar o meu Wii U para Sampa, não sei quando o verei novamente. Talvez nunca. E isso não me incomoda muito. Dei o meu Nintendo Switch para os meus sobrinhos hoje. Me incomodou menos ainda. Descobri que gosto dos meus sobrinhos, tenho afeto por eles, especialmente pelo mais velho, acho que vai ser o que vai sofrer mais na vida. Em dois minutos vou pegar Coca e fumar. A luz que mamãe mandou colocar no quarto-ilha melhorou muito a visualização do teclado, mas me desagradou por ser branca, fria, impessoal, hospitalar. Preferia amarelada, gosto quando o mundo assume tonalidades âmbar. Nada que não possa ser mudado quando da reforma.

20h16. Conversei com mamãe a respeito das minhas opiniões sobre a nova iluminação e ela disse que o eletricista ainda vem aqui e que compraria luzes amarelas para substituir essas.

20h24. Meu amigo da piscina me chamou para descer e conversar. Não tenho como dizer não. Ou me falta a dureza de coração para tanto.

22h12. Foi bom. Meu amigo da piscina chamou s Singularidade de ficção como Jules Verne. Quem me dera meu trabalho “A NOVÍSSIMA RELIGIÃO” aqueles doze tópicos e as condições em que me vieram o tornassem um clássico da ficção científica do século XI. A probabilidade de haver vida em outros planetas é grande e a probabilidade que evoluam a ponto de desenvolver tecnologia é grande. Me deu vontade, depois de uma série de pensamentos, de ouvir Landlady do U2, pelos motivos lembrados, emergiu da minha memória pedindo para ser tocada.

Pensando no universo, a dimensão tempo é a mais forte porque ela força as demais a se expandirem, metaforicamente como alguém sopra um balão e faz ele inflar e se dilatar, o espaço seria a superfície do balão, mesmo assim a matéria tende a se agrupar por afinidade química e quanto mais pesados grupamentos, com mais massa, também pelo efeito da gravidade. Por que elétrons orbitam os núcleos dos átomos, eu também não sei, sei que o universo tende à entropia e mesmo assim a matéria se organiza pelo acaso-destino de forma inteligente e complexa capaz de gerar formas de aproveitar de forma mais inteligente a energia, de forma a aproveitá-la da forma mais eficiente e produtiva possível. Eu tive outra viagem, quando entidades que se alimentam de luz através das suas peles vítreas, porém elásticas, imortais, decidem deixar de existir, eles vão para um quarto totalmente escuro e lá ficam até a energia do seu corpo acabar, o que lhe dá muito tempo para pensar sobre o assunto e mudar de ideia. Seria é bastante tedioso, talvez uma cama que drenasse energia e a consciência fosse cessando de existir, como cair no sono, só que nesse caso na inexistência. Os mais jovens correriam para fazer o upload das memórias visto que o ancião deve ter muitas experiências para repartir.

23h30. Acessar a consciência do ancião seria como despir a alma e vestir outra. Assim me parece ser o processo de reencarnação. O eu permanece mas todo o resto do ser está em branco quando nasce. Cada alma escolhe da forma que lhe parecer mais adequada ou que é capaz de se “vestir”. Mas e se for um processo aleatório, como aparenta ser? Embora haja padrões, o que significa que há organização em meio ao caos e se há organização há tendência à inteligência. Tudo o que está organizado pode ser compreendido dadas a inteligência e a experiência necessárias.

23h42. Tem vezes que eu acho que tenho a vida que pedi a Deus, exatamente como imaginei que seria. Blanka está inclusa nisso. Sabe qual é o seu problema, Blanka? Você foi acostumada a ter e depois foi privada disso o que tornou a sua qualidade de vida pior, de uma maneira que você não gostou, então você valoriza demais o deus dinheiro, a capacidade de ter, se submete a algo que talvez lhe agrade, talvez não para ter mais, prefere do que pedir aos pais, privados que são e mesmo assim proveem todo o necessário, mesmo assim quer poder ter futilidades e quer ter logo. É quase um vício. Fui longe agora. Saiba que eu lhe aceito assim se não vier querer extrair isso de mim. Acho que vou comer mais. FIM DA FICÇÃO?

Die-Cut Ghosts Night


0h05. Se tivesse que escolher três estátuas para ficar, ficava com o Hulk, a Harley Quinn provavelmente, se ela tiver saído como esperado, e a Die-Cut, que certamente sairá como esperado. Se fosse escolher cinco, eu pegava a Red Sonja e a Babydoll. Se tivesse que escolher sete, o Surfista Prateado faux bronze da Bowen e aí a próxima, eu fico na dúvida, entre a Chun Li ou a Hatsune Miku, mas em verdade acabei de ver uma que certamente levaria: o Man-Thing da Bowen, pra mim o Surfista é mais fraco que ele. Ele é perfeito. Incrível. Uma das mais preciosas será a Little Mei, por ser, além de rara, feita e produzida por um cara em casa, no Japão e será pintada por Daisy à mão e com pintura personalizada e cuja pintura do vestido eu vou pedir para que ela me surpreenda e se possível me maravilhe. “Surprise me. If possible, amaze me” é o que escreverei para ela em 2020 quando espero pedir a mamãe para pintar os dois últimos kits tenho lá, visto que já vou dar a entrada para ela das duas figuras que ela encomendou de artesãos chineses a serem lançadas no terceiro e quarto trimestres de 2019. Ela já gastou o dinheiro dela em meu nome, não posso dar o calote. Aí com essas duas encomendas já a ela e mamãe regulando o meu gasto com bonecos, merecidamente, não posso comprar nada de novo esse ano. A que vem no terceiro trimestre é a Die-Cut, a minha número dois, eu sou apaixonado pela figura, completamente apaixonado. O Hulk só fica em primeiro porque já é uma parte importante da minha vida e não para de me fascinar, sua sensação de movimento, muito difícil de transmitir em uma estátua que é a cabeça, os ombros e pequena parte do peitoral, portanto desmembrada, mas a mim parece que avança na direção que olha. Queria mantê-lo sempre nessa posição que está, mas se vier alguém conhecer o quarto, fica baixo para ver e de costas para quem entra, a não ser que seja uma criança, como pude perceber com os meus sobrinhos, que demonstraram pouco interesse pela obra que me causa tanto encanto com a sua anatomia totalmente irreal, mas que de alguma forma parece extremamente harmoniosa com o todo, para mim uma obra-prima, deram o trabalho perfeito ao escultor perfeito, visto que nenhuma dos seus outros bustos me impressionaram, seu estilo, nas minha opinião atingiu a expressão mais perfeita e adequada no Hulk. Não queria nunca mudá-lo daí e desta altura de onde olho, mas acho que vou fazê-lo, em prol do visitante. Mas vou colocar uma base que gira para colocá-lo na posição ideal para mim quando não houver visitantes. Enquanto escrevo olho longos estantes para a figura. Sabe a ideia louca que me deu? No display do Batman Branco (tomara, tomara que a MoAF não venha cobrar os descontos-mutreta que apliquei neles através de um defeito no seu sistema) colocar à sua frente, de um lado, a caveira-coração e do outro, o esquerdo, dois negócios de colocar vela, com uma preta e uma vermelha. Para parecer um altar meio satânico, ficaria muito escroto. Poderia pôr o cânio-coração em cima de um prato de sobremesa, acho que caberia, acho que vou fazer isso. Hahahaha. Ah, e botar a caixa de feitiços que meu padrasto sugeriu comprar para enviar com as estátuas de umbanda/quimbanda que vendia no eBay, mas para as quais o público desapareceu.




1h14. Fui fumar e me veio à cabeça que o melhor filme de ficção científica que eu já vi foi 2001: Uma Odisseia no Espaço, seguido por Matrix e Interestelar. E o meu gênero favorito é ficção científica, houve boas nessa década, que tratam de assuntos que me agradam, em especial quando fala de alguma inteligência artificial e mais especialmente quando trata de inteligências que não são do mal, mas até Terminator 5 me agrada e Matrix me agrada muito, só acho que nos fundiremos à máquina por vontade própria uma vez que tenhamos a possibilidade de experimentá-la. O homem é atraído pela tecnologia, bem, a maioria. Meu pai não era. Os Barros, homens, da geração deles não são ou eram, o mais ligado acho que é o meu terceiro tio, que mora em Natal, mas nem esse o é muito. Valorizar a tecnologia é desvalorizar o humano? Depende, eu acho. Experiências virtuais são alienantes? Ou desumanizantes? O que é a realidade? Não é aquilo que existe e tanto existe que é percebido por nós com os nossos limitados sentidos? Então tudo o que percebemos com os sentidos é real? Inclusive a realidade virtual cuja única materialidade que tem são pixels acesos numa tela, tudo o que existe é luz e som (na verdade um grande caminho, repleto de tecnologias e mão-de-obras de vários segmentos foi preciso ser percorrido e continua a ser para que esse mundo em cima do mundo se manifeste)? Eu acho que tudo o que existe é real, mesmo que em forma de código lido e gerado por máquinas movidas a eletricidade. Não acredito no além, mas acredito no inconsciente coletivo. Acho que já o acessei algumas vezes. Acho que já atingi o nirvana uma vez. Acho muita coisa, como podem perceber e o que busco é só receber todos os bonecos e uma namorada. E que meu quarto-ilha possa acolher todos eles de forma agradável. Quando penso em namorada só penso em Blanka. Mas é difícil ter esperanças a não ser que no dia 27 ela me seja recíproca. Se dia 27 houver. Dia 27 é hoje! Meu deus. Ainda bem que tenho Ju logo mais.

“01:54 - Hoje é dia 27. Você pega os resultados das provas e...? De toda sorte, que seja um dia bom de ser vivido por você. E por mim, por que não?”

1h55. Postei para Blanka. Vamos ver qual resposta virá, se alguma.

1h58. Nossa, pensei em um bocado de coisa agora mas estou com preguiça de escrever vou tentar sintetizar em pequenas frases: sobrinhos no mar Porto, poético, belo; um guioza frito por preferência da dama; não vou dar meu cartão pra você, Mário!; bonecos que levaram a isso, todos valeram a dura pena que espero que um dia se reverta, afinal, só tenho os meus kits para pintar. Posso fazer dois por ano, como presente de aniversário e Natal. Sei lá. Queria ter R$ 250, R$ 300 para sair com Blanka, quando motel ou restaurante, cinema com lanche, balada. Certamente vai ser muito mais barato que os bonecos. Tudo isso se a miúda muda vingar. Mamãe não a quer dentro do prédio, então nada de aniversário do meu irmão para ela. Nem para ela, nem para mim. É meu direito me ausentar em protesto. Nem sei se ela viria. Já disse que tem que trabalhar no dia 29. De qualquer forma virou uma impossibilidade por causa de mamãe. Nada posso fazer. Mas ao dia 27 eu tenho direito, será o meu presente de Natal que pedi a Blanka, que a priori concordou. Mas anda tão incomunicável que nem sei. Acho que dentro em breve vou dormir. Só escrevi ficção hoje, passei a noite no mundo dos sonhos.

2h33. É bom deixar a mente divagar. Me apetece. Lidar com o quase possível, o que está no limbo entre ilusão e realização. Ou o que nunca vai acontecer. Acho que mandarei uma mensagem de ano novo para o meu tio que afirmou que vamos publicar o livro, sim. Direi, “Tio amado, desejo um 2019 iluminado por mais que um período obscuro, de obscurantismo, desponte no horizonte”.

2h38. Estou tendo enorme prazer em viver esse momento, muito bem comigo mesmo, disse tudo o que queria, me sinto aliviado e leve. De bem com a vida, em paz. É bom ter momentos assim e deveriam ser mais frequentes que momentos de perturbação da alma. E é o que geralmente tem acontecido, as perturbações têm sido esparsas, por mais que tenha havido uma concentração de negatividade muito grande em mim dia 25. Foi um dia nocivo para mim. Me fez mal, odeio dias assim. Ainda bem que são extremamente raros. Tantas más notícias de uma vez só. Até raiva do meu irmão eu senti. Acho que a última vez que tive raiva dele depois da infância foi quando recebi o esporro da Coca nos Estados Unidos.

2h57. Vou acabar de comer o gelo para dormir. Eita, mas preciso comer alguma coisa antes de dormir para não levantar no meio da madrugada e ir quase sonambúlico comer. Sucrilhos com leite e Toddy. Boa noite, dia ou tarde. Ou um seguido do outro repetidas vezes.