sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

CARTA À MÃE E FICÇÕES




23h07. Mãe, obrigado por tudo que é na minha vida. Não sei viver direito sem você. Estou lidando com isso na terapia, mas o vínculo é muito forte. Meu maior medo é perder você, me sentirei completamente sozinho, largado no mundo, nada substituirá a segurança que você me transmite. Ninguém. Tenho medo do que serei sem você, do meu futuro. Espero que daqui para lá – e que esse para lá seja muito distante – eu me torne mais dono de mim, mais Mário, indivíduo independente, e menos filho seu. Não acho que vá conseguir, entretanto. Estou tentando, mas é tão bom ter você por perto, gerenciando vários aspectos da minha vida, se pudesse gerenciaria todos, mas isso seria demasiado sufocante. Respeito muito a liberdade que me dá de fazer o que gosto, o que amo fazer de forma irrestrita, de viver a vida como acho mais conveniente, melhor, mais agradável, mais desejada. Passei muito tempo sem desejar viver, você sabe disso. Acho que mereço agora curtir a vida, tentar ser o mais feliz que posso, mais satisfeito com a minha condição, papel e lugar na existência. Para tal satisfação sua presença é fundamental. Como você me sinto cuidado, provido, às vezes até amado. Mas isso é raro, pois acho que todos os dessabores que fiz você enfrentar danificaram o seu amor por mim. Você também não o demonstra das formas mais perceptíveis, embora com o tempo tenha me dado mais carinho, pois fui colher mais o seu carinho. Sou desesperadamente carente de carinho. Blanka terá que me dar carinho, muito carinho para me conquistar e tenho que o perceber sincero, honesto, querido. Mas dar carinho a mim é algo que você não está acostumada a fazer e eu aceito, parcialmente, pois anseio muito pelo seu carinho, não apenas na forma de guloseimas e limites. Sou muito grato pela Coca que me provê e pelo cigarro, embora este último não seja suficiente. Você não sabe a gratidão que tenho por isso e como ambos são fundamentais para o meu bem-estar.

23h38. Você e meu padrasto voltaram do shopping. A verdade é que amo você de uma maneira que não tem comparação com nenhum outro tipo de amor, eu sinto necessidade de você e do seu carinho. Indo ainda mais fundo, acredito que eu guarde um grande ressentimento porque não me deu carinho suficiente na infância, tanto é que quando começou a dar demonstrações tácteis de afeto eu senti como uma invasão, um abuso de intimidade. Hoje estou mais aberto e acredito que se eu lhe der mais carinho, eu um dia talvez receba mais carinho em troca. São palavras difíceis, mas não as escolho, a minha alma as vomita, queria eu ser um escritor que lapida o seu texto à maneira de Chico ou do meu amigo escritor, onde cada palavra é calculada, não consigo, odeio matemática, odeio qualquer coisa que tolha a minha espontaneidade e liberdade de me dizer. Você em muitos aspectos me censura, não consigo ser totalmente transparente aqui, nem deveria, visto que já há um desnudamento enorme do que sou. Mas queria dizer mais de mim e me privo por causa da sua presença, mas são irrelevâncias, em sua maior parte, e as guardo para o Vate. Estou confortável dessa forma, tenho a liberdade que me cabe no Profeta e ela me satisfaz. Suas críticas à minha, aos seus olhos, não aos meus, excessiva transparência me magoam, acho que eu, como autor da obra não deveria sofrer interferências de ninguém, mas não me furto a desobedecê-la e seguir o que a minha consciência pede e permite. Nossa, Coca com gelo é muito bom, sentir meu estômago gelado é muito bom, sentir os espocar do gás no negro e doce líquido na minha boca é uma experiência que não tem preço. Novamente obrigado por isso. Espero que você me ajude a pagar as bonecas que já encomendei, pode ser que o truque do desconto da MoAF não funcione, e há duas já encomendadas por Daisy (da YetiArt que pinta os meus kits) que já pagou o depósito por mim, visto que a compra só podia ser efetuada da China, que tenho que reembolsar e pagar o restante quando forem lançadas no terceiro e quarto trimestres de 2019. Não são tão caras como a Rebel Terminator. Eis a situação, tal como ela é. Se a malícia da MoAF funcionar, estamos bem e terei economizado mais de quinhentos dólares, se não, não sei o que fazer. Torçamos. Sei que depois disso, só quero mandar pintar os dois kits que tenho na China (YetiArt), mas isso não tem prazo, quando puder a gente faz. É um alívio para mim colocar tudo em pratos limpos em relação às minhas finanças com você. Me dá medo da sua reação. Eu tenho medo de você. Isso é tão ruim. Você tem o poder de me machucar com a maior facilidade. Às vezes intencionalmente. Muitas vezes visando “o meu próprio bem”. Saiba que quando você desfaz de Blanka e destila seu desgosto por ela me machuca. Pode continuar a fazê-lo, dói mais dessa maneira, mas aceito, assimilo, tento não guardar mágoas e afirmo que não vou desistir até que ela desista de mim. É o que de mais concreto e desejado eu tenho em dez anos. Dez longos anos de paixões platônicas e solidão. Não é um relacionamento simples e nem sei se é possível, mas vou vivê-lo enquanto o acaso-destino permitir. Enquanto achar válido, enquanto for promissor, enquanto me fizer bem. E é uma construção complicada, num contexto complicado com uma pessoa complicada. Ambos, eu e Blanka temos essas características, ela enfrentará tantas dificuldades quanto eu, se realmente vier a desenvolver afeto por mim, se desenvolvermos afeto um pelo outro. Ainda não há substancialidade para os dois lados, para os dois juntos. Talvez haja um dia, tentarei buscar esse dia. É uma meta de vida, acho que ela tem as qualidades que se adequam à minha pessoa e vice-versa. O tempo é senhor de todas as coisas e sonho com o dia em que o meu quarto terá todas as bonecas magistralmente dispostas com Blanka dormindo na minha cama. Aceita por você. É uma longa jornada, pedregosa jornada, não é nada fácil, mas acho a recompensa válida. Posso estar me enganando, criando ilusões impossíveis, sendo ludibriado, mas se sou, não é por muito e minha sensibilidade detectará se tudo não passar de um embuste. Mentiras são difíceis de sustentar. Elas tentem a inflar e explodir como balões e a verdade se revela. Vou comer os sanduíches que você me trouxe, eu acho. Não ainda, ainda não me bateu a fome dos remédios. Vou fumar.

00h45. É incrível como Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças consegue ser esquizoide, pastelão, fantástico, poético, trágico e romântico. Adoro o roteirista Kaufman (não sei de Charles ou Andy), gosto de como ele usa o fantástico para sobrepor realidades e as conectar. Gosto muito de Her. Esse seria o filme para me descrever, parece, senão um retrato, uma pintura de mim. Me identifico em vários aspectos com o protagonista, talvez o filme que mais profundamente tenha me calado, em vários momentos eu pensei, “parece que esse cara está falando de mim”. Amo esse filme, mas não sei se o reassistiria, prefiro ficar com a impressão inicial. E não estou muito para nada além de escrever. Estou em um dia extremamente prolífico, estou bastante satisfeito com a minha produtividade.

“00:59 - Eu gostaria de assistir Alita Battle Angel no cinema com você. Legendado.”

1h00. Mandei para Blanka agora. É verdade, eu tenho essa vontade de ver Alita Battle Angel, foi o primeiro filme a me tocar há tempos e não conseguiria pensar em companhia melhor que ela. Mas tenho que chamar mamãe para o cinema, vários filmes entrarão em cartaz em 2019 que me interessam, um cara da comunidade postou os lançamentos blockbusters mês a mês e há vários que quero ver: Rei Leão, John Wick 3, Avengers Endgame, Terminator e alguns outros. O Rei Leão será puro deleite visual, aceito até ver dublado. FICÇÃO: no futuro com o aceleramento da capacidade de processamento e da computação gráfica, pelo menos as animações poderão ter os personagens mexendo a boca de acordo com a língua de cada país, tudo mapeado da boca do leitor de cada nacionalidade, e várias renderizações seriam feitas, uma para cada língua. Acredito que isso aconteça até com os atores humanos, reais, depois que vi o FaceApp e o novo Photoshop fazerem. Ou foi o Première, não lembro. As crianças já crescem imersas na tecnologia, parece que têm atração por tecnologia. Muito curioso. E muito pertinente com o que penso. Uma parte que tem que evoluir é a UI em muitos casos. Precisa ser mais intuitiva e mais fácil, mas, mais fácil do que comandar o celular pela voz e ditar textos, tecnologias já bem avançada e incorporadas uma a outra? Tradutor falado de uma língua para a outra? Só falta o Google Tradutor se aperfeiçoar mais. Parece mágica. Mas é uma parte infinitesimal do que virá. Vou comer os sanduíches. FIM DA FICÇÃO.

1h40. Pensei que os sanduíches iam bater mais pesado, que bom, ainda estou com gás para escrever mais um pouco. FICÇÃO. Eu acredito que o meu organismo, meu estômago se acostumou à Coca, ele deve ter sofrido uma alteração na acidez do suco gástrico para compensar a acidez adicional da Coca, se tornando mais básico, sei lá. Fiquei com medo de ter câncer no estômago pensando a respeito. É cada paranoia. Xô. Vade retro. FIM DA FICÇÃO.

1h45. Queria que fosse difícil separar a minha ficção do real, gosto apenas de desgrudar um pouco e, pelo que percebi, começar e aterrissar no real. Os sandubas estão começando a me dar sonolência, é bom também deitar na cama, depois de passar o dia curvado na cadeira, me esticar, me espreguiçar, me espalhar ouvindo uma musiquinha baixinha, no escurinho, mas com a noite entrando pela janela, até que o sono me leve. É um procedimento muito gostoso e muito necessário, dar uma trégua para o corpo e a mente. Inclusive ao estômago e ao pulmão. Penso que posso ter câncer de garganta. É a hipótese em que acredito mais. Ou posso viver parcialmente sadio até que causa outra venha me levar. Um enfisema pulmonar, sei lá. Sei que confio no avanço da medicina. FICÇÃO. Descobre-se uma alteração genética que torna o indivíduo imune ao câncer, você gostaria que o seu filho tivesse o genoma alterado para dispor de tal segurança? E assim com a maioria das doenças. Com leucócitos mais inteligentes, poderosos e eficientes, com um maior repertório de doenças capaz de combater/imunizar. Quiçá nem seja necessária mudança no genoma, células artificialmente criadas, nano-robôs, em verdade, introduzidos como uma vacina para todos os males. FIM DA FICÇÃO. Vou comer tortinhas de limão que vi que mamãe, gentil e amorosamente lembrou e encomendou para mim, obrigado, mãe.

2h16. Ah, mãe, obrigado também pelos sanduíches hoje e sempre, acho que preciso comer mais comida de panela, não só farofa com feijão, sinto falta do frango guisado com macarrão de Maria, nunca mais o terei na vida. É triste essa constatação. Sinto falta de um cozido, talvez seja do que sinto mais falta. E de picanha gorda com maionese de batata, vinagrete, farofa de manteiga e arroz, de bife à parmegiana muito, muito. Pretendo levar Blanka um dia ao Udon. Quem sabe num dos vários filmes que vão ser lançados e que me interessam vocês duas não possam ir? Isso se durar até lá. Será que você tem medo de encontrar com Blanka porque tem medo de gostar dela, de ficar impressionada positivamente? Acho difícil que seja isso. Ou talvez seja, acho que nem você sabe. Você criou um mito terrível a respeito dela. Um nojo, quase uma fobia. Ao menos é assim que eu capto suas opiniões. Vou fumar o último cigarro parai ir dormir. Boa noite, mãe.

2h44. Outro filme que me marcou de forma indelével  foi Child Of God, certamente está entre os melhores filmes que já vi e atuação do protagonista é estupenda. É um filme impactante que deixa o espectador pensando sobre o que acabou de assistir. Pelo menos assim se deu comigo. Vou me deitar mesmo agora. Obrigado existência pelo dia de hoje, gostei muito do que vivi/produzi, usufruí da minha peculiar vida. Faltou uma dose maior de Blanka. É a vida e segue.

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11h26. Meu irmão chegou aqui com minha cunhada, sempre bom. Acabou-se a terceira página. Acabei de acordar e o meu despertar é demorado, chato, fico chato até me aprumar em mim.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

PARA RICKY


17h52. Antes de começar de fato a preencher esta página, um cigarro se faz necessário. Acabei de revisar e postar o texto anterior.

18h31. Resolvi colocar umas fotos no post para que tenha um pouco mais de dinamismo e seja mais amigável ao leitor. Não sei se fui bem-sucedido. Vou fumar outro cigarro e migrar para a Coca.

18h44. Cruzei no dia de Natal com dois sem-teto, talvez com grandes sonhos, certamente com esperanças miúdas, como a expectativa de financiar o próximo porre de Pitu, não sei se mendigos, pois dormiam, portanto, nada me pediram, eu que tinha cento e vinte reais em dinheiro para comprar Coca e sorvete. Ainda cometi a ousadia de fotografar sua sorte na existência ali à deriva na calçada. Postei a foto no post anterior e ela me cala muito profundamente, o acaso-destino age de formas tão variadas e pode ser extremamente duro com alguns e é extremamente duro com alguns, talvez excessivamente duro. Apesar disso, dessas pessoas maltratadas, maltrapilhas, mal vividas, desprezadas, esquecidas, em sofrimento, sou otimista. Acho que há mais gente se sentindo bem do que mal no mundo. E vou além: acho que esse número é crescente. E indo mais além: acredito no paraíso na Terra, quando todas as necessidades serão supridas, todos os desejos realizados. Todos terão oportunidade de entrar no paraíso, mas haverá aqueles que não se disporão a isso por medo do novo. Queria falar com Blanka. Muito mais do que escrever aqui. Não estou com disposição para escrever aqui, vou vagar pela internet.

19h36. Meu amigo da piscina me chamou para fumar um cigarro na escada. Depois me chamou para descer, mas dessa vez decidi ficar em casa. Aqui no quarto-ilha, na minha estranha solidão com as palavras. Esse lugar onde tenho domínio absoluto de tudo, meu casulo, meu útero, minha cela com porta aberta. Onde me encarcero, me retiro da sociedade para ser eu mesmo mais plenamente. Onde me exerço da forma que melhor me cabe no mundo. Eu não consigo acreditar no resultado do cartão de crédito, acho que o total é superior à soma do que foi gasto. Posso estar enganado, certamente estou. Mas me bate quase uma vontade de somar tudo e ver se bate. A preguiça me impede de tomar essa iniciativa. É tão bom ser submisso à preguiça, é tão fácil e tão cômodo. Não tenho vontade, não faço, tenho vontade, faço. Todos deveriam ter esse direito. Me privo de quase tudo para me entregar à preguiça, tenho poucas vontades, assim posso satisfazê-las. Acho que trago a alma atrofiada hoje em dia, murcha como uma passa, pois não necessito ocupar todo o lugar da uva. A memória engana, a preencho as lacunas com imaginações, ficções que creio serem fatos, por exemplo, o clipe de Hunter de Björk tem o fundo branco, eu creio, mas me veio à cabeça como se tivesse fundo rosa, laca gerânio, tal a capa do CD. Fiz uma fusão de memórias. Quantas mais devo fazer sem me aperceber? É um pensamento que dá medo, mas cada vez confio menos na minha memória, pois cada vez menos a exercito, vivo muito o presente. Estou levemente nauseado. Tenho muita Coca e muito gelo, isso me traz um sentimento de tranquilidade, de que tenho os recursos de que necessito em quantidade adequada.

20h03. A fantástica faxineira ainda está aqui, coitada, é uma guerreira. Tem Deus e isso lhe serve de consolo para seguir com resignação e obstinação adiante. Tem a alma boníssima também. Eu e Blanka não temos, nós conhecemos o lado obscuro de nossos seres, temos contato com ele. E com o lado negro da vida. Talvez até sejamos atraídos por ele e isso faz de nós pessoas corrompidas. Mas nisso também sou otimista, já fui pior do que sou hoje, há redenção, não completa, mas alguma parcela dela. Fiquei feliz de que só poderemos nos encontrar após Areias. Talvez esteja mais preparado para uma experiência sensorial com ela, não apenas verbal, oral, mas acrescentando-se o táctil e o visual, a nudez, quiçá a excitação, embora essa não me faça falta, falta dar carinho a um corpo nu e jovem de mulher, especificamente de Blanka.

20h21. Estou vivendo a vida o mais plenamente que posso nesse momento. A existência está me sendo extremamente benfazeja. Só um brilho, o perfeito reluzir, a casa só para mim, o som no volume 20, tudo conspira a favor. Vou fazer uma coisa, vou pedir pra Clementine passar o endereço desse blog para o seu namorado ou namorido.

20h27. Acabei de fazer. A cutucada na existência eu dei. Eu acredito que a raiva deriva de alguma frustração, é causada por esta. O som me parece muito alto, desagradavelmente alto. Volume 16 está bem mais palatável. Por que tive a ideia de repassar para ele o endereço? Porque me deu vontade de cantar Pétala de Djavan no hall enquanto fumava pensando que Clementine ouvia e divagando se algo lhe passava na cabeça a respeito do que cantava. Percebi que, desde que sou de Blanka, que ela esteve no Natal dos Barros, uma geleira se derreteu entre nós. Acho positivo e espero que Blanka dê certo. Por mais que o receio disso, do novo, me atormente. Mas estava em paz e quero continuar assim. Não preciso de perturbações outras, não preciso de perturbação nenhuma. Acho que vou fumar um cigarro. Isso me faria bem e talvez me faça divagar por novas searas. Com Coca geladíssima, claro.

20h49. Me dei ao luxo de fumar dois cigarros seguidos agora. Vou colocar Virus de Björk, versão remix. Alto. Extremamente benéfico. O segundo cigarro que fumei me deu um prazer nesse estado em que eu estou, singular na minha existência. Bom demais. Eu, Mário Gonçalves de Barros, amo fumar. E há momentos de tabagismo que são um deleite inexplicável para mim. Não sei o que se dá, que há de interessante em tragar aquele negócio que me traz tanto agrado. Sei que sou abençoado por isso, mesmo estando me amaldiçoando, ou tornando o meu futuro muito sofrido e talvez bem mais curto do que poderia ser. Não quero a velhice, mas acho que a máquina que me carrega é tão resistente que envelhecerei. Na verdade, a idade já me pesa. Há coisas que não faço mais porque não tenho vigor ou disposição. Uma das coisas que tenho que eliminar desse rol é sexo, penetração. Entrou um The Cure que bateu na trave. É, me peguei cantando e pensando em Clementine, ela sempre vai ter um significado importante para mim. Queria que Blanka, em quem penso com frequência, conquistasse tal importância e que ela fosse mútua, chega de unilateralidades. Estou tão distante disso que nem sei se é possível, às vezes me questiono se estou disposto, mas quando recebo atenção de Blanka isso me faz bem, me faz sentir mais feliz. Me incomodam os erros de português, o não saber usar o infinitivo quando escreve, mas isso é um detalhe pequeno. Acho que minha mãe está passando por um momento negro de sua vida e isso tem afetado o meu padrasto, o relacionamento do casal, lembro-me deles mais em paz e mais felizes. Mamãe disse que com ele conheceu, enfim, a paixão. Às vezes acho que mamãe cancelou o meu cartão para que eu não o levasse quando fosse sair com Blanka. Penso em pedir uma semanada de trezentos reais após a reforma do meu quarto e que voltemos a investir parte do dinheiro. Será que meus irmãos vão querer vender as Ubaias? Será que me ajudarão financeiramente a mantê-la? A me manter? Se recebesse a pensão integral de papai talvez conseguisse. Talvez meu irmão viesse morar aqui comigo. Sei lá. O mundo ainda tem que dar muitas voltas e em algumas ele se comporta de forma muito estranha, bizarra, completamente inesperada. Meu pai morto no chão do banheiro, bizarro, para dizer o mínimo. Totalmente inesperado. A gente se conforma com a morte. Eu me conformei com a morte do meu pai. Eu aceitei. Aí, vem um movimento da alma querendo me impor uma carga que não mereço. Foda-se para lá. Não é algo verdadeiro. Preciso de um cigarro. Merecido. Mudar de ares, esses são muito carregados. E fumarei na escada, estou com vontade. Até porque meu padrasto – e mais ele que a minha mãe – pode estar chegando, não quero desagradá-lo.

21h24. If chance-destiny sticks to my brother’s plan, we will throw the ashes of our father in the shores of Macau. This will have different meanings to the two of us and I think we deserve to let my sister know. O que significará para mim, que fiz tanta questão disso? Pensei que muito pouco a priori, pois não acredito que esse saco que está no meu armário seja o meu pai, porém pensei melhor e adiante e cheguei à conclusão que significa a realização de um último grande desejo dele, uma homenagem à sua memória, que é tudo o que me resta dele, a memória cada vez mais rota e algumas fotos. E tudo o que pôs dentro de mim, o que fez por mim para que me tornasse o que me tornei, sua contribuição na receita que eu sou. Até para que chegasse ao meu estado atual de coisas. Ele garantiu com sua morte a minha liberdade para escrever, fazer o que eu quero da vida, com a ajuda da minha mãe de do marido da minha prima. E do pesadelo pelo qual passei.

21h33. Clementine ainda não viu as mensagens que mandei para ela. Gostaria que o fizesse. Sou muito imediatista. Mas estou em paz e continuarei assim, apesar de levantar assuntos mórbidos e melancólicos. Fazem parte da vida. Música muito doida de Björk, do Utopia, instrumental.     

21h42. Meu amigo da piscina me pediu cigarro.

21h56. Voltei com uma nova verdade dele: a cor rosa pacifica as pessoas, as deixam mais calmas. Não sei se procede, mas minha cor predileta é laca gerânio, um tom de rosa mais escuro, intenso e mais avermelhado, é a melhor forma que tenho para descrevê-lo, se aproxima do magenta, mas acho que tem um tantinho de amarelo e ciano. Pensei em pintar uma das paredes do meu quarto da minha cor predileta, mas pode ser opressivo, não sei qual o tom do rosa que ele mencionou. Sei que as bonecas têm que ficar em fundo neutro, talvez branco mesmo. Porra, o cibículo onde o Batman branco vai ficar, a “batmacumba” que quero fazer poderia ter as faces laca gerânio, destacaria muito a imagem e a caveira no prato branco. Quando meu quarto estiver todo pronto e todas as bonecas chegarem eu vou me inscrever para colecionador da semana, ou mês, sei lá, do site da Sideshow. Não acho impossível ser selecionado. Me traria muito orgulho, como me trará muito orgulho repartir as fotos da minha coleção com a comunidade de colecionadores do Facebook. Será o meu “cheguei lá”, só não sei se continuarei adiante, pois nem sei se tem espaço para todos os bonecos no meu quarto. Tomara que sim. A foto da “batmacumba” sairá bastante interessante. Nossa, como quero a Die-Cut, depois do Hulk a minha mais querida. Mas não quero falar nisso. Vou fumar um cigarro. Ver se outros pensamentos aventam. Mas o “altar” do Batman laca gerânio fica massa. Adorei essa ideia.

22h18. Pensei em por que eu escrevo acaso-destino e cheguei à conclusão que é porque são duas palavras, dois paradigmas antagônicos, que descrevem o mesmo fenômeno, como duas faces de uma moeda, não saberia que lado escolher, ser humano que sou e capaz de perceber e criar padrões, nem sempre condizentes com a realidade, eu percebo a causalidade, sei que o decaimento da energia o permite, mas não sei para além disso, não sei se tudo é possível ou inevitável.

 “22:24 - Já vi que o seu acho = não vou fazer. 😛”

22h26. Mandei para Blanka. Sua ausência me decepciona, demonstra o exato tamanho que tenho em sua vida. A minha falta de importância, a sua falta de interesse. Mas não desisto. Vou até o fim. Fazendo o meu melhor que pode muito bem não ser o suficiente.

“[22:29, 12/27/2018] Mário Barros: Bom, eu tentei.”

22h31. Mandei para Clementine que ainda não visualizou as mensagens que enviei. Gostaria muito de saber a opinião do namorado dela. Esses últimos posts me deixaram satisfeitos. Também pouco exijo senão o prazer de escrevê-los. Sou muito imediatista, cacete. Acabou-se a terceira página.

22h38. Clementine respondeu e repassará ao namorado.   

FATOS MISTURADOS COM FICÇÃO

O acaso-destino às vezes me fere os olhos e agride a alma. Tão dignos ou indignos quanto eu. Por quê?

22h32. Os filhos do meu irmão jogaram até agora há pouco PS3 aqui no quarto. Não consegui escrever e continuo com um profundo mau-humor. Descontei no meu irmão, coitado. Ninguém me merece e eu não mereço ninguém. Blanka não deu mais sinal de vida, minha mãe nutre um repúdio por ela que beira o ódio. Hoje mamãe me machucou bastante com as armas que eu mesmo entreguei a ela.

22h49. Abracei o meu irmão e pedi perdão, hoje foi um dia indispensável que não precisava ter existido. Percebi o quanto da minha independência tive de ceder para não odiar a vida. E hoje ela foi odiosa em tudo o que me importa. Magoar o meu irmão, onde já sei viu? Alguém que só quer meu bem e a quem só quero bem. Precisava botar um pouco dessa coisa preta dentro de mim para fora e palavras não eram suficientes. Não estão sendo nem serão. Ainda bem que vou encontrar com Ju na quinta. Estou sem sono a internet está uma merda e eu estou uma merda. O que pode acontecer a mais para foder com o meu ânimo? Vou comer para ver se me bate o sono.

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13h19. Meu irmão e sua trupe acaba de partir para Porto. Blanka me respondeu. Não sei se conseguiremos travar um diálogo hoje. Não queria encontrar o meu amigo da piscina. Gostaria que Blanka lesse o meu post anterior do Natal dos Barros e mesmo assim quisesse levar adiante a nossa história. Ainda estou na ressaca da raiva que senti ontem. Vou fumar.

13h50. Não sei o que acontece com mamãe. Com tudo se cansa, parece-me meio deprimida, contrariada com a vida. Certamente não está sentindo a felicidade que ter meu irmão e netos aqui deveria lhe proporcionar. Acho que vou dormir, não estou com paciência para as palavras ou para a internet ou para coisa alguma. Sinto-me eu mesmo cansado e sonolento. Acho que é falta de cafeína, mas não estou disposto a fazer café agora. Quando acordar. É, acho que vou deitar.

19h21. Fui ao supermercado com mamãe para que sacasse dinheiro e repuséssemos o estoque de Coca. Ansiei voltar ao meu quarto-ilha e me imaginar aqui ouvindo música, digitando, tomando Coca recém comprada no ar condicionado me fez sentir necessidade disso tudo e satisfação. Agora que estou aqui posso dizer que me sinto muito bem aqui, entretanto, preciso de mais um cigarro.

19h41. Estou com certo torpor mental, mas não muito. A raiva profunda e rubra que senti ontem agora é vestigial. Não gosto de guardar mágoas, são dos pesos emocionais mais desnecessários que conheço. As pessoas só estão tentando satisfazer os seus egos ou deixar a consciência mais leve. Nossa, já estou com vontade de fumar outro cigarro e repor a Coca. Vou esperar. Minha prima, irmã caçula do meu primo-irmão vai levar o meu Wii U para Sampa, não sei quando o verei novamente. Talvez nunca. E isso não me incomoda muito. Dei o meu Nintendo Switch para os meus sobrinhos hoje. Me incomodou menos ainda. Descobri que gosto dos meus sobrinhos, tenho afeto por eles, especialmente pelo mais velho, acho que vai ser o que vai sofrer mais na vida. Em dois minutos vou pegar Coca e fumar. A luz que mamãe mandou colocar no quarto-ilha melhorou muito a visualização do teclado, mas me desagradou por ser branca, fria, impessoal, hospitalar. Preferia amarelada, gosto quando o mundo assume tonalidades âmbar. Nada que não possa ser mudado quando da reforma.

20h16. Conversei com mamãe a respeito das minhas opiniões sobre a nova iluminação e ela disse que o eletricista ainda vem aqui e que compraria luzes amarelas para substituir essas.

20h24. Meu amigo da piscina me chamou para descer e conversar. Não tenho como dizer não. Ou me falta a dureza de coração para tanto.

22h12. Foi bom. Meu amigo da piscina chamou s Singularidade de ficção como Jules Verne. Quem me dera meu trabalho “A NOVÍSSIMA RELIGIÃO” aqueles doze tópicos e as condições em que me vieram o tornassem um clássico da ficção científica do século XI. A probabilidade de haver vida em outros planetas é grande e a probabilidade que evoluam a ponto de desenvolver tecnologia é grande. Me deu vontade, depois de uma série de pensamentos, de ouvir Landlady do U2, pelos motivos lembrados, emergiu da minha memória pedindo para ser tocada.

Pensando no universo, a dimensão tempo é a mais forte porque ela força as demais a se expandirem, metaforicamente como alguém sopra um balão e faz ele inflar e se dilatar, o espaço seria a superfície do balão, mesmo assim a matéria tende a se agrupar por afinidade química e quanto mais pesados grupamentos, com mais massa, também pelo efeito da gravidade. Por que elétrons orbitam os núcleos dos átomos, eu também não sei, sei que o universo tende à entropia e mesmo assim a matéria se organiza pelo acaso-destino de forma inteligente e complexa capaz de gerar formas de aproveitar de forma mais inteligente a energia, de forma a aproveitá-la da forma mais eficiente e produtiva possível. Eu tive outra viagem, quando entidades que se alimentam de luz através das suas peles vítreas, porém elásticas, imortais, decidem deixar de existir, eles vão para um quarto totalmente escuro e lá ficam até a energia do seu corpo acabar, o que lhe dá muito tempo para pensar sobre o assunto e mudar de ideia. Seria é bastante tedioso, talvez uma cama que drenasse energia e a consciência fosse cessando de existir, como cair no sono, só que nesse caso na inexistência. Os mais jovens correriam para fazer o upload das memórias visto que o ancião deve ter muitas experiências para repartir.

23h30. Acessar a consciência do ancião seria como despir a alma e vestir outra. Assim me parece ser o processo de reencarnação. O eu permanece mas todo o resto do ser está em branco quando nasce. Cada alma escolhe da forma que lhe parecer mais adequada ou que é capaz de se “vestir”. Mas e se for um processo aleatório, como aparenta ser? Embora haja padrões, o que significa que há organização em meio ao caos e se há organização há tendência à inteligência. Tudo o que está organizado pode ser compreendido dadas a inteligência e a experiência necessárias.

23h42. Tem vezes que eu acho que tenho a vida que pedi a Deus, exatamente como imaginei que seria. Blanka está inclusa nisso. Sabe qual é o seu problema, Blanka? Você foi acostumada a ter e depois foi privada disso o que tornou a sua qualidade de vida pior, de uma maneira que você não gostou, então você valoriza demais o deus dinheiro, a capacidade de ter, se submete a algo que talvez lhe agrade, talvez não para ter mais, prefere do que pedir aos pais, privados que são e mesmo assim proveem todo o necessário, mesmo assim quer poder ter futilidades e quer ter logo. É quase um vício. Fui longe agora. Saiba que eu lhe aceito assim se não vier querer extrair isso de mim. Acho que vou comer mais. FIM DA FICÇÃO?

Die-Cut Ghosts Night


0h05. Se tivesse que escolher três estátuas para ficar, ficava com o Hulk, a Harley Quinn provavelmente, se ela tiver saído como esperado, e a Die-Cut, que certamente sairá como esperado. Se fosse escolher cinco, eu pegava a Red Sonja e a Babydoll. Se tivesse que escolher sete, o Surfista Prateado faux bronze da Bowen e aí a próxima, eu fico na dúvida, entre a Chun Li ou a Hatsune Miku, mas em verdade acabei de ver uma que certamente levaria: o Man-Thing da Bowen, pra mim o Surfista é mais fraco que ele. Ele é perfeito. Incrível. Uma das mais preciosas será a Little Mei, por ser, além de rara, feita e produzida por um cara em casa, no Japão e será pintada por Daisy à mão e com pintura personalizada e cuja pintura do vestido eu vou pedir para que ela me surpreenda e se possível me maravilhe. “Surprise me. If possible, amaze me” é o que escreverei para ela em 2020 quando espero pedir a mamãe para pintar os dois últimos kits tenho lá, visto que já vou dar a entrada para ela das duas figuras que ela encomendou de artesãos chineses a serem lançadas no terceiro e quarto trimestres de 2019. Ela já gastou o dinheiro dela em meu nome, não posso dar o calote. Aí com essas duas encomendas já a ela e mamãe regulando o meu gasto com bonecos, merecidamente, não posso comprar nada de novo esse ano. A que vem no terceiro trimestre é a Die-Cut, a minha número dois, eu sou apaixonado pela figura, completamente apaixonado. O Hulk só fica em primeiro porque já é uma parte importante da minha vida e não para de me fascinar, sua sensação de movimento, muito difícil de transmitir em uma estátua que é a cabeça, os ombros e pequena parte do peitoral, portanto desmembrada, mas a mim parece que avança na direção que olha. Queria mantê-lo sempre nessa posição que está, mas se vier alguém conhecer o quarto, fica baixo para ver e de costas para quem entra, a não ser que seja uma criança, como pude perceber com os meus sobrinhos, que demonstraram pouco interesse pela obra que me causa tanto encanto com a sua anatomia totalmente irreal, mas que de alguma forma parece extremamente harmoniosa com o todo, para mim uma obra-prima, deram o trabalho perfeito ao escultor perfeito, visto que nenhuma dos seus outros bustos me impressionaram, seu estilo, nas minha opinião atingiu a expressão mais perfeita e adequada no Hulk. Não queria nunca mudá-lo daí e desta altura de onde olho, mas acho que vou fazê-lo, em prol do visitante. Mas vou colocar uma base que gira para colocá-lo na posição ideal para mim quando não houver visitantes. Enquanto escrevo olho longos estantes para a figura. Sabe a ideia louca que me deu? No display do Batman Branco (tomara, tomara que a MoAF não venha cobrar os descontos-mutreta que apliquei neles através de um defeito no seu sistema) colocar à sua frente, de um lado, a caveira-coração e do outro, o esquerdo, dois negócios de colocar vela, com uma preta e uma vermelha. Para parecer um altar meio satânico, ficaria muito escroto. Poderia pôr o cânio-coração em cima de um prato de sobremesa, acho que caberia, acho que vou fazer isso. Hahahaha. Ah, e botar a caixa de feitiços que meu padrasto sugeriu comprar para enviar com as estátuas de umbanda/quimbanda que vendia no eBay, mas para as quais o público desapareceu.




1h14. Fui fumar e me veio à cabeça que o melhor filme de ficção científica que eu já vi foi 2001: Uma Odisseia no Espaço, seguido por Matrix e Interestelar. E o meu gênero favorito é ficção científica, houve boas nessa década, que tratam de assuntos que me agradam, em especial quando fala de alguma inteligência artificial e mais especialmente quando trata de inteligências que não são do mal, mas até Terminator 5 me agrada e Matrix me agrada muito, só acho que nos fundiremos à máquina por vontade própria uma vez que tenhamos a possibilidade de experimentá-la. O homem é atraído pela tecnologia, bem, a maioria. Meu pai não era. Os Barros, homens, da geração deles não são ou eram, o mais ligado acho que é o meu terceiro tio, que mora em Natal, mas nem esse o é muito. Valorizar a tecnologia é desvalorizar o humano? Depende, eu acho. Experiências virtuais são alienantes? Ou desumanizantes? O que é a realidade? Não é aquilo que existe e tanto existe que é percebido por nós com os nossos limitados sentidos? Então tudo o que percebemos com os sentidos é real? Inclusive a realidade virtual cuja única materialidade que tem são pixels acesos numa tela, tudo o que existe é luz e som (na verdade um grande caminho, repleto de tecnologias e mão-de-obras de vários segmentos foi preciso ser percorrido e continua a ser para que esse mundo em cima do mundo se manifeste)? Eu acho que tudo o que existe é real, mesmo que em forma de código lido e gerado por máquinas movidas a eletricidade. Não acredito no além, mas acredito no inconsciente coletivo. Acho que já o acessei algumas vezes. Acho que já atingi o nirvana uma vez. Acho muita coisa, como podem perceber e o que busco é só receber todos os bonecos e uma namorada. E que meu quarto-ilha possa acolher todos eles de forma agradável. Quando penso em namorada só penso em Blanka. Mas é difícil ter esperanças a não ser que no dia 27 ela me seja recíproca. Se dia 27 houver. Dia 27 é hoje! Meu deus. Ainda bem que tenho Ju logo mais.

“01:54 - Hoje é dia 27. Você pega os resultados das provas e...? De toda sorte, que seja um dia bom de ser vivido por você. E por mim, por que não?”

1h55. Postei para Blanka. Vamos ver qual resposta virá, se alguma.

1h58. Nossa, pensei em um bocado de coisa agora mas estou com preguiça de escrever vou tentar sintetizar em pequenas frases: sobrinhos no mar Porto, poético, belo; um guioza frito por preferência da dama; não vou dar meu cartão pra você, Mário!; bonecos que levaram a isso, todos valeram a dura pena que espero que um dia se reverta, afinal, só tenho os meus kits para pintar. Posso fazer dois por ano, como presente de aniversário e Natal. Sei lá. Queria ter R$ 250, R$ 300 para sair com Blanka, quando motel ou restaurante, cinema com lanche, balada. Certamente vai ser muito mais barato que os bonecos. Tudo isso se a miúda muda vingar. Mamãe não a quer dentro do prédio, então nada de aniversário do meu irmão para ela. Nem para ela, nem para mim. É meu direito me ausentar em protesto. Nem sei se ela viria. Já disse que tem que trabalhar no dia 29. De qualquer forma virou uma impossibilidade por causa de mamãe. Nada posso fazer. Mas ao dia 27 eu tenho direito, será o meu presente de Natal que pedi a Blanka, que a priori concordou. Mas anda tão incomunicável que nem sei. Acho que dentro em breve vou dormir. Só escrevi ficção hoje, passei a noite no mundo dos sonhos.

2h33. É bom deixar a mente divagar. Me apetece. Lidar com o quase possível, o que está no limbo entre ilusão e realização. Ou o que nunca vai acontecer. Acho que mandarei uma mensagem de ano novo para o meu tio que afirmou que vamos publicar o livro, sim. Direi, “Tio amado, desejo um 2019 iluminado por mais que um período obscuro, de obscurantismo, desponte no horizonte”.

2h38. Estou tendo enorme prazer em viver esse momento, muito bem comigo mesmo, disse tudo o que queria, me sinto aliviado e leve. De bem com a vida, em paz. É bom ter momentos assim e deveriam ser mais frequentes que momentos de perturbação da alma. E é o que geralmente tem acontecido, as perturbações têm sido esparsas, por mais que tenha havido uma concentração de negatividade muito grande em mim dia 25. Foi um dia nocivo para mim. Me fez mal, odeio dias assim. Ainda bem que são extremamente raros. Tantas más notícias de uma vez só. Até raiva do meu irmão eu senti. Acho que a última vez que tive raiva dele depois da infância foi quando recebi o esporro da Coca nos Estados Unidos.

2h57. Vou acabar de comer o gelo para dormir. Eita, mas preciso comer alguma coisa antes de dormir para não levantar no meio da madrugada e ir quase sonambúlico comer. Sucrilhos com leite e Toddy. Boa noite, dia ou tarde. Ou um seguido do outro repetidas vezes.