domingo, 20 de agosto de 2017

ACHO QUE PASSOU

O surto de popularidade do meu blog passou. Bem que eu achava que era algo artificial. Sei lá. Agora não estou chegando a vinte leitores, mas alcançá-los já é muito bom. O meu texto, embora não considere complicado de ler, revolve em muito poucos assuntos, mãe, bonecos, inépcia social, CAPS. É basicamente isso. E minha apatia para todas as coisas que não o computador. O que mais acho que passou? Deixe me ver, me aventurei nos videogames ontem, mas não me deu muito tesão, por isso nem joguei hoje. Nem pretendo.

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12h23. Já voltei do CAPS e do cabeleireiro. Não gostei da ideia de ser incentivado a pintar, acho que o melhor incentivo é não incentivar. Deixar a coisa fluir. Se fluir. Me sinto também menos antissocial, mas não tive prova de fogo em relação a isso ainda, então não posso dizer com certeza que o ápice desse mal passou. Estava torcendo para haver festa de Clementine e ela me chamar. Aliás, me convidei para isso nas felicitações de aniversário que dei a ela. Não vi “Ghost in the Shell” ainda e não joguei mais Super Mario Galaxy. E perdi a vontade de pintar depois de exprimi-la. E de me sentir ligeiramente pressionado a produzir pela terapeuta. Essa ideia de incentivo me soou como uma forma de pressão. Foi como partir um fino e tênue fio, que era essa vontade de pintar. É uma pena, mas tenho que respeitar os meus limites e desejos, não vou pintar para agradar os outros. Se o faço é para agradar a mim mesmo. Senão, não faço. E sob “incentivo”, sinto como se uma plateia ansiosa esperasse por resultados e essa para mim é uma visão que me desagrada deveras. Como se pintar me provasse mais sadio, o que não acho que seja o caso. Aliás, pintar sob qualquer tipo de estímulo externo me adoece. Sinto já de novo ojeriza pela pintura, uma agoniazinha, um desagrado, um desprazer por pintar. Foi bom enquanto durou. Não deveria ter trazido isso à tona. Minha mãe quer almoçar comigo. É cozido. Pretendo agora falar do Malavestros. Agora que já desisti dele. Vou contar a ela. Eu acho. E falar que dentro em breve eu terei as informações sobre a Red Sonja. Não sei se falarei nada disso. Veremos o clima e a minha disponibilidade. E a disponibilidade dela, principalmente. Mas nem me preocupo muito mais com Malavestros, acho que aceitei a ideia. Mas perder mais de 180 dólares ainda não me desceu. É muita grana para ser jogada fora assim. E preciso desabafar isso com ela especificamente que dá tanto valor a dinheiro e que me motivou a cancelar a compra em primeiro lugar. Meu último post teve mais visualizações que os dois anteriores, 30 em vez de 20, é uma grande diferença, como é grande a diferença para as 60 visualizações que vinha amealhando. E que achava estranho ter tantas. O aumento súbito. De qualquer forma, é um papo muito chato esse. Eu estou convencido que estou me tornando um cara muito chato, por isso na maioria das ocasiões sociais, eu prefiro calar. As minhas chatices guardo para cá, onde posso quase tudo.

13h57. Não consegui trazer o assunto das estátuas durante o almoço. Outras oportunidades hão de vir.

18h19. Dormi à tarde, mas o sonho já me escapuliu. Foi um sonho bom eu acho, não acordei particularmente perturbado, mas de bom astral. Minha mãe ainda não voltou do médico. Foi pensar isso e ela me ligar dizendo que tinha ido ao shopping e que toda a demora se deveu ao trânsito cada vez mais conturbado de Recife. Vai tentar comprar Havaianas para mim e meu cunhado. Deve querer fazer outras coisas também, se divertir e sentir viva um pouco. Ela precisa e merece perante todas as agruras físicas que vem passando por conta da medicação de prevenção ao retorno do câncer. E por ter deixado a reposição hormonal. Eu acho. Eu acho também que vou tentar fazer outra entrevista com um cara que é a maior limpeza, só não tem tempo para muita coisa, sobre a sua nova empresa. Então, me permitam, abrir uma nova página e elaborar as questões.

20h56. Acabei de elaborar as perguntas, 22 no total, e navegar um pouco no maravilhoso mundo dos bonecos. Ele, o entrevistado, Erick Sosa, concordou em responder à entrevista. Ele disse que teria a próxima semana livre. Veremos. Prometeu até me mandar imagens exclusivas. É um bom recomeço. Há outro que quero entrevistar, mas acho que só depois de uma feira aí em Singapura é que ele vai poder responder. Pelo menos esse é o tempo que vou dar até importuná-lo de novo. Hahahahaha. No mais, minha mãe ainda não chegou do shopping. Eu fico na esperança que a companhia aérea não reclame da caixa do Hulk se ela for só um pouco maior que uma bagagem normal. Por pouquinho maior eu digo 40 cm distribuídos em todas as dimensões. Acho que é demais. E só daria para trazer quando não houvesse neve. Vou ligar para o meu irmão perguntando. Embora nem saiba o tamanho da caixa... quando souber, eu ligo e pergunto. Espero que não seja maior que a do Deadpool, mas acho que vais ser. Se for, aí lascou. A do Deadpool é que é 40 cm maior que a norma e é um busto menor. Acho que a caixa vai ser sensivelmente maior baseado na imagem abaixo.




21h17. Eu poderia ter feito o queria fazer se não tivesse dormido, dava tempo demais. Que pena, mas a noite é uma criança. Mamãe deve chegar exausta. Eu penso em bater um Mario Galaxy logo mais. E, quem sabe, ver “Ghost in the Shell” hoje. Ou durante a madrugada. Já disse a mamãe que não tenho hora para a acordar amanhã. É sábado, afinal. Acho que ela chegou, acho que ouvi um barulho de porta. Era mamãe, sim. Ela já disse que está cansada. Imagino. Na rua desde às 16h e são 21h24. Mas parece feliz. Contente ao menos. Deve ter feito coisas que gostava no shopping. Comprou um vestido para a boneca da minha sobrinha, veja só. Ela está falando com o meu padrasto que viajou para o Rio para um encontro dos amigos de colégio. Massa, né? Depois de tantos anos. Acho que queria participar de um evento semelhante com os meus amigos do colégio onde estudei mais anos. Eu penso. Seria curioso vê-los adultos, com mais de 40, pois eu era um ano mais novo que eles. Me pularam um ano no colégio. Algo que não gostei nem um pouco. Acho que é um trauma de infância, pelo menos da forma que eu me lembro. Hoje é dia. Tem que ser. E pensei numa alternativa melhor que a piscina. Por falar nisso hoje choveu. Ainda bem que não desci. Nem me passou pela cabeça descer, em verdade. Mas quando olhei pela janela do hall de serviço enquanto fumava um cigarro, vi a rua e tudo o mais molhado. Descer, só quando esse tempo louco passar e as nuvens derem lugar novamente ao causticante sol. Tem um leitor, já senhor, pela sua foto de perfil, que gosta vez por outra de um post meu. Me sinto engrandecido por isso, principalmente por ser alguém de mais idade e provavelmente com um português bem melhor que o meu e uma vivência bem maior que a minha, visto que não vivo muito ou muitas coisas diferentes. Busco ao menos escrever com clareza. Transmitir exatamente o que me passa na cabeça com o mínimo de censura possível. Mas certa censura há, senão não precisaria do Desabafos do Vate. Há coisas que só cabem a mim saber. Como acho que deva ser com a maioria das pessoas. Há o incomentável. Há segredos na alma de cada um de nós. Indizíveis pelo menos por ora. Talvez a maturidade me liberte de certos pudores. Vejo a velhice como me livrar de todas as máscaras, pois eu passarei do tempo de esconder coisas que ficaram para trás. Por enquanto não sinto essa abertura. Então mantenho certos assuntos fora daqui. Acho mais sensato por enquanto. E os textos do outro blog são tão mal construídos, tão desabafados e não revisados que nem ouso. Acredito que ousarei um dia, quando tiver mais maturidade e aprender a aceitar o meu ridículo que é maior que o ridículo dessas linhas. Eu sei, não há limites para o meu ridículo. Ou assim me parece, pois acredito que já me exponho ridículo aqui. Por isso esses textos ficam longe dos meus amigos e conhecidos. Por isso não tenho limites para a quantidade de texto por post. Porque essa é a minha libertação e meu palco. É aqui que se desenrola a tragicomédia da minha existência, onde a registro e onde existo registrando. É o meu recanto, meu verdadeiro lar. Não moro no quarto que me rodeia, moro nessas palavras. Preciosas palavras, mesmo que vãs. Mesmo que fúteis. Mesmo que redundantes. Poucas são às vezes que mudo um móvel da alma de lugar. Cada vez menos. Cada vez mais me agrado do meu eu. Me sinto confortável dentro dele. Por mais que isso gere um desagrado maior das pessoas ao meu entorno. Não posso ou não quero evitar isso. Ouço o que a minha alma pede e ela pede que seja assim. Então, que assim seja. Viver para escrever parece tão limitado para muitos. Mas é uma vida muito rica para mim. Claro, gostaria de namorar bem muito Aurora. Ou alguém que amasse de verdade e arrebatadoramente. Mais enquanto esse arrebate não acontece, vivo e sobrevivo aqui das palavras. Me agarro a elas como me agarraria a uma amante, elas me são receptivas e quentes como os lábios da pessoa amada. Elas me são e me vem fáceis como um bom dia num dia bom. Elas são as minhas melhores amigas e embora meu repertório seja limitado, é o suficiente para compor o show da minha vida, este posto aqui que agora você lê e do qual mesmo sem perceber participa. Pôxa, não sei nem se o que escrevi faz sentido, mas me soou melhor do que falar de bonecos. Desculpem-me, estátuas, de estátuas. Mas vou continuar a chamar de boneco mesmo que é mais fácil para mim, os dedos já estão habituados a digitar e não tem acento, que no meu teclado americano fica num lugar meio chato de acessar e mais das vezes me confundo. Mas foi só pensar nelas que as danadinhas tomam a minha mente. O entrevistado disse que recebeu o e-mail e que trabalhará na semana que vem para responder. Se rolar massa, senão, não tem problema. Mas ele cumpre o que promete, mesmo que demore. Pelo menos essa é a imagem que tenho dele. E como ele já deve ter passado um olho nas perguntas e não reclamou acho que vai responder.

22h34. Mamãe já vai se retirar, já me deu os meus (seis) remédios da noite. Já tomei mais. Aliás, quando estava com ideário suicida muito forte me punham tão dopado que minha própria família estranhava a minha lentidão em ações e no falar. O interessante é que eu não percebia diferença alguma, para mim estava falando e agindo na velocidade natural. Acho que foi um pouco depois dessa época que a minha mais querida psiquiatra até hoje desistiu de mim e me passou para uma que, não vendo solução, apelou para o tratamento último: eletrochoques. Ou pelo menos, essa é a sequência que me lembro. Talvez tenha passado por um psiquiatra que fazia psicanálise e que foi a terapia mais improdutiva da qual já participei. Eu ficava repetindo que não suportava o meu trabalho, que odiava trabalhar e odiava a vida e ele não me dizia nada. Era muito doido, eu deitado no divã, repetindo a mesma cantilena sessão após sessão e ele mudo ficava, calado permanecia. Até que ele disse a meu pai que se eu quisesse me suicidar era uma escolha minha, foi quando decidiram trocar de médico uma vez mais. Acho que aí fui cair nas mãos da Doutora, que conseguiu controlar a minha depressão, que já havia cedido bastante desde que eu tinha decidido parar de trabalhar, e desde então estou com ela. Talvez supermedicado, mas gostando de existir que é o que importa, por mais que a minha vida se limite muito a esse computador. Sei que há muitas belezas na vida. E que as perco quase todas ficando aqui. Mas o que ganho em troca, que é paz de espírito, não tem preço. E aprecio as belezas da vida quando se me apresentam. Ou quando as busco. O busto do Hulk é para mim uma fonte de indescritível beleza. É algo que me gera um encantamento tremendo. Sei que pouquíssimos compactuam desse sentimento, mas minha vida e o que ela me tornou e o pouco que escolhi ser, me fazem achar beleza nele. Acho uma visão poderosa e impactante. Acho um trabalho artístico fenomenal, por mais que todos só vejam um boneco feio e mal-encarado. Eu transcendo isso. Eu sei como é demorado e laborioso o trabalho de esculpir uma peça como essa. A inspiração que vejo em cada pequeno detalhe escolhido, eu vejo arte num produto que será reproduzido por chineses e pelo qual eu pagarei um preço enorme por mandar direto para o Brasil, como tudo indica. Mas para mim é um investimento. Acho que nunca me cansarei de olhar para ele. Por isso o quero na entrada do meu quarto. Para sempre olhar para ele nas várias vezes que entro e saio do quarto para pegar Coca, mas acho que não vou pô-lo mais de frente para a porta, pois posso assim ocultaria um de seus ângulos que ficaria virado para a parede. Colocando-o de costas para a parede eu posso observá-lo enquanto escrevo, pois não pretendo que o meu local do computador mude. Nem da TV. Mas quero que o lugar onde ficará exposto me permita girá-lo de frente para a porta sempre que me aprouver para dar um sobressalto em algum desavisado. Queria ver minha babá dando de cara com ele. Ele será a minha “carranca”, o protetor espiritual do meu quarto. Hahahahaha. Em conceito, não difere muito de uma carranca, um ser poderoso representado em forma de busto ou totem, que espanta os inimigos. Será que minha mãe já foi dormir? Não quero perder tempo. 23h04. Arrodeei, arrodeei e acabei fazendo uma dissertação sobre um boneco. Mas serviu para dar uma dimensão do amor que tenho por essas imagens. Algumas mais, outras menos. O Hulk, sem sombra de dúvida, é o amor da minha vida. Acho que nenhum boneco me encantará tanto quanto ele. Talvez em segundo lugar ficarão empatados o Monstro do Pântano e a Red Sonja. Se bem que eles têm o frescor e o sabor da novidade e essa “juventude” dentro da minha cabeça talvez os faça especialmente deliciosos. Gosto muito do Man-Thing também. E do Wolverine custom feito no Brasil. Preciso montá-lo qualquer dia desses. E tirar uma foto para mostrar no maravilhoso mundo dos bonecos. Com a cabeça do Logan ou com ambas. Duas fotos não fazem muita diferença num post. É uma figura que vai ficar muito bem na diagonal em que pretendo posicionar os meus bonecos, uma leve diagonal, talvez uns 15 graus, no máximo. Talvez deixe apenas as garotas de frente para quebrar um pouco a simetria. Os homens e monstros ficarão na diagonal.

23h16. Mamãe ainda está acordada ou dormiu com a luz acesa. Vamos esperar mais meia-hora. Quero jogar e ver o filme ainda hoje. Mas que está gostosinho escrever aqui, está. É um prazer que nem sei como descrever. É tão fácil e requer tão pouco esforço. Acho que isso se deve ao meu pai ter tentado me alfabetizar tão cedo. Essa parte deve ter ficado mais acesa no meu cérebro por causa disso, as ligações dos neurônios mais fortes, sei lá. Só sei que é gostoso escrever besteiras. Escrever sobre mim. Criar ficção requer um esforço que não me agrada, gosto das coisas leves, sem esforço. Sem estresse. Eu fujo do estresse como o diabo foge da cruz. Estresse, embora seja inevitável, eu faço o máximo para não ter. 23h27. Acho que mamãe não vai estar com as luzes apagadas até as 23h30. Só posso assistir e jogar do jeito que quero depois que ela for dormir e tiver a noite só para mim. É assim que me sinto e é assim que será. Eu mereço, eu acho. Não que eu mereça muita coisa. Principalmente já tendo tanto. Eu sou realmente abençoado. E agradeço sabe-se lá a quem ou a que quase todos os dias. Pela minha curatela, pela minha paz de espírito, por gostar de existir, passei tanto tempo sem ter essas coisas que cheguei a desacreditar delas. Achei que minha vida seria um eterno inferno existencial. E hoje me encontro no quarto que eu amo, com as palavras que eu amo e quem sabe até fevereiro com o Hulk que eu também amo. Pena que não poderei expô-lo de pronto, pois não há espaço adequado no meu quarto para tanto. A cama definitivamente vai ter que ser girada e a TV baixada e posta mais para a esquerda. Acho que descobri porque o pointer do controle do Wii não estava pegando, a bancada estava atrapalhando a captação do sensor, botei-o mais para frente, vamos ver se funciona melhor hoje, pois mesmo assim, devido a uma diagonal da bancada um dos lados do sensor fica obstruído. Teria que jogar mais longe da tela e do computador para funcionar perfeitamente e não quero fazer isso, só se o problema persistir. Eu espero que seja isso e não bug do emulador do Wii U. Isso foi uma das coisas que me fez não aproveitar tão bem o jogo. Se usa muito a função de apontar no jogo. E com ela falhando fica muito mais chato jogar. Veremos. Dentro em breve, espero. Tomara que quando for pegar o próximo copo de Coca, a luz do quarto de mamãe esteja apagada. Estou comendo o gelo para pegar mais. 23h46. Quem começa a ficar com sono sou eu. Mesmo tendo dormido à tarde. Que ozzy.

0h07. Acho engraçado quando cai esse número. Acabei de me sentar. Estou pensando muito em assistir “Ghost in the Shell”. O som do New Order me parece muito alto. Queria que tocasse “Superheat” e acabou de começar a tocar. A Coca está divina. Gelada e dissolvida na medida certa. Muito refrescante e borbulhante. Terei que sair para pegar mais dentro em breve. 0h11. Eu quero ver quanto produzo num intervalo menor. Para que eu saiba da minha produtividade. Que agora não está tão fluida como estava no parágrafo anterior. Não estou tão em paz com as palavras agora, elas não me vêm com facilidade. É necessário mais tempo para digitar. Mas enfim, tenho que tomar coragem para ver “Ghost in the Shell”. Vou ver o filme. 

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Fui acometido por um sono muito forte e não vi muito mais que dez minutos de filme. Precisarei recomeçar do zero, mas a premissa me pareceu interessante. Dá margem para muitos dilemas existenciais por parte da protagonista. Vamos ver se o filme vai explorá-los. Não estou com saco de escrever agora, acabei de acordar, faz uns 40 minutos. 14h16.




Eu queria comprar esse pôster do Zelda Wind Waker, mas eu sei que mamãe reclamaria e que seria consumismo da minha parte, pois eu não tenho nem parede para exibi-lo. Estou com a página dele aberta há três dias, mas finalmente me conscientizei ser puro consumismo, por mais que a imagem seja joia. Pelo menos ela fica eternizada na parede desse blog, que é onde há espaço para ela. Queria pegar mais Coca, mas mamãe vai estrilar com o meu consumo. Há pouco gelo na geladeira, preciso colocar mais para fazer, quando mamãe for descansar, pois uso água da torneira que é mais rápido e acho que ela condenaria tal escolha. Preciso trocar o botijão de água, mas também só o farei quando mamãe for cochilar, pois não costumo lavá-lo quando troco. E mamãe demanda isso. Se ela fizer a limpeza, eu coloco antes. Fiquei impressionado como dormi ontem. Foi muito rápido, nem liguei o ar, estava fazendo um friozinho gostoso com uma brisa agradável entrando pela janela, até que acordei de 3h30 mais ou menos, para comer e daí liguei o ar e voltei a dormir. Cogitei ficar acordado quando despertei às 3h30, mas depois concluí que perderia o meu sábado ou passaria o dia com sono e desisti. Ainda pensando sobre o senhor que curte os meus posts. E pensando que não tenho a maturidade para ser chamado de adulto. Tenho-a, em verdade, em alguns poucos aspectos, que nem saberia nomear quais são. Mas intuo que tenha. Posso estar enganado, entretanto. Não sei, quem ler isso aqui pode julgar melhor que eu. Eu acho que os adultos de hoje são ligeiramente mais infantilizados que os de outrora. Tenho essa impressão. Tanto que me dou bem com os meus colegas e amigos. Não me sinto muito distante de suas maturidades. São menos caretas que a visão arquetípica que tenho de adultos, minha mãe, meu pai, meu padrasto, meus tios. Mas sempre haverá essa lacuna de idade e consequente maturidade, eu creio, entre eu e eles pela diferença de idade. Gosto de “Superheated” do New Order. Acho que já dá tempo de pegar outro copo de Coca sem muito alvoroço por parte da minha genitora.

15h18. Ela não reclamou da Coca, mas me questionou o que eu iria fazer e eu disse que talvez fosse jogar. Ela indagou o que estava fazendo até agora, respondi constrangido que estava escrevendo e navegando na internet. Não sei por que me constranjo em dar essa resposta. Acho que porque ela acha que é um comportamento adoecido. Seria adoecido se me sentisse mal fazendo isso. Mas é justamente o oposto, é como me sinto melhor na vida. O copo de Coca praticamente já voou. Tenho que fazer gelo com certa urgência, mas novamente só quando ela for se deitar ou sair, como ela sugeriu que fosse fazer. Acho que vou fazer-lhe companhia à mesa, quem sabe falar o que vinha ensaiando sobre Malavestros. Não sei. Sei lá se em algum momento eu trarei esse assunto à baila, se ele se faz pertinente ou se faria pertinente em alguma ocasião. Acho que passou-se a oportunidade de falar dele com a minha mãe. Não traria nenhum benefício para mim, a não ser o desabafo.

16h12. Almocei com mamãe, mas não tocamos no assunto bonecos. Ela só perguntou se eu havia comprado mais alguma coisa, seria uma boa deixa para inserir Malavestros na conversa ou o lançamento provável da Red Sonja nas próximas semanas, mas não tive coragem de trazer nenhum dos dois assuntos. Ela vai ao shopping comprar uma calça.

Eu não sei exatamente como me sinto usando antisséptico bucal. New Order toca. 16h50. Tentarei levar esse texto sem fazer menções. Um pouco de vontade de ver o filme. Mais vontade de estar aqui. Aqui é o lugar mais fácil e que faz mais sentido estar. Aqui eu compreendo melhor. Eu domino melhor. Eu existo de forma mais fácil. Fluo. Uma brisa flui agradavelmente pelo quarto. Temperatura agradabilíssima. A cidade ecoa lá fora e a tarde cai, já desmaiando em noite. 16h53. Pensei que estaria produzindo mais lentamente. Não vou medir mais para não me decepcionar. Vontade de ver o filme aumenta. Mas um sentimento ruim sobre ele vem e me atrai de novo para cá, meu lugar seguro. Meu espaço, meu controle mais completo. E onde realmente me solto e me abro como ave que plana. “…love is the air that supports the eagle”, “Thieves Like Us”, New Order. Linda. Vou colocar para escutar. Será que minha mãe vai demorar? Gostaria que sim. Pensamentos randômicos e de situações fictícias com a mãe da minha cunhada, à casa de quem mamãe ou mamãe e eu precisamos ir para pegar uns CDs que meu irmão me mandou pela tia da minha cunhada que estava há dois ou três meses nos EUA. É o máximo que trazem, não trazem mais figura nenhuma. É melhor eu trazer figuras que eu quero exibir aqui ou figuras para tentar vender aqui? Mas já vi que vender aqui é impossível. A galera só compra coisas baratinhas. Vou ter que vender no eBay. Está passando uma música que adoro do New Order, “Run 2”, mas algo em mim tem vontade maior de ouvir SugarCubes.

17h15. Ouvi “Hit” do SugarCubes e me veio uma vontade de ouvir “Vespertine” de Björk. E pensar no impacto que ela tem para a cultura, a paixão que desperta, capaz de transformar uma de suas obras em cadeira de uma instituição de ensino de um país europeu aí. Poucos devem ser os artistas que têm essa capacidade. E não falo em curso de música, foi num curso todo outro. Meu amigo da piscina liga para mim, mas não estou para ninguém hoje. Que acontecimento inoportuno. Perturbou minha alma. Me sinto culpado pelo desprezo. Mas tem dias em que eu não estou para ninguém. Nem para a Casa Astral eu vou mais. Hoje estou antissocial. Mas voltando a Björk. E fazer um disco complexo denso e, por vezes, até incômodo, só de vozes? Acho que há um piano em uma. Na mais incômoda de todas. “Vespertine” tem momentos etéreos. É a primeira vez que ouço Björk nesse som. Eu não boto porque mamãe não gosta, acho que ela relacionou Björk a “Medúlla” e a uma fase de forte depressão minha. “Vespertine” é fantástico, talvez meu disco predileto dela, por mais que considere “Medúlla” a obra-prima. Putz, “Pagan Poetry” é mágica, hipnotizante. 17h40. Resolvi o problema das ligações. Desliguei o celular e botei para carregar. É mágico esse disco de Björk, putz grilo. Parece cheio de cristais num ambiente róseo bem clarinho e branco, furta-cor e brilhante na música que passou. Agora, a mais amada do disco, “Aurora”. Linda, linda. Tão linda que daria esse nome à minha filha, ou Francisca, não sei, ou Maria, não sei realmente. Sei que ela também serve de codinome para a minha paixão platônica que me curou do câncer emocional que era Clementine. Caramba fiz uma com Clementine, no elevador, eu subi e deixei a coitada esperando o elevador no térreo. Mas eu tinha certeza de que iria parar no térreo. Por isso não o apertei o “P”, até porque não sabia se minha estratégia de puxar a porta iria funcionar. É muito branco “Vespertine”, como a capa sugere. E induz. Capas de disco induzem a minha percepção do disco, a imagem dá um rosto a alguns discos. A todos eu acho. E foi muito pertinente a escolha do branco como cor predominante da capa desse disco. 17h59. Estou viajando no som do disco. Quem sabe eu não crio coragem e assisto “Ghost in the Shell” com mamãe? Acho que não. Acho que vou assistir aqui. Daqui a pouco. Espero que ela não chegue antes de eu começar a ver. Quando acabar “Vespertine”, eu coloco o filme. Eita, acabou “Vespepertine” e botaram logo “Hyperballad”. Depois de “Hyperballad” eu coloco o filme. 18h17.

18h24. O interfone tocou, aposto que era o meu amigo da piscina. Não atendi. Vou tomar banho para ver o filme.

20h41. Aparentemente meu amigo desistiu de me importunar. Aparentemente o “Ghost in the Shell” tinha em vista o mercado asiático e foi produzido em parceria com a investidores chineses. Achei o filme melhor do que o esperado e os dilemas existenciais até que bem explorados. A interpretação de Scarlett Johansson deixa muito a desejar, na minha opinião. Quiseram fazê-la robótica demais. Mas você que veja e tire suas conclusões. Gostei da densidade psicológica da personagem principal. Era mais do que esperava por conta de um review que vi por cima, o que foi bom, pois me preparou para uma coisa um pouco mais boba. O visual do filme é bastante interessante, as cenas de ação são fracas, depois de ver John Wick Chapter 2 talvez tenha ficado mal-acostumado. Um filme que eu acho que veria agora é “Guerra dos Mundos” em 1080 p. Vou ver se tem. Tive 53 visualizações do post anterior, realmente não sei o que acontece. Já é tarde para ir para a Casa Astral. E não estou no astral de ir. O que quero? Ouvir música e escrever. Vou fechar a porta e botar “Vespertine” para rolar meio alto de novo.

20h58. “Vespertine” é muito bom. Melhor que “Volta”, que acho menos inspirado, mais tradicional, eu diria. Eu gosto do “Volta” também. Eu gosto de todos ou quase. Mas acho ainda que o que mais gosto é esse que agora ouço. Tem dois que são meio inacessíveis para mim que são “Biophilia” e “Drawing Restraint 9. Lançaram um boneco novo e eu só descobri agora, então perdi a boquinha de divulgá-lo nos meus recantos. Que foram tomados por outros. Dane-se. Acho que é o fim dos tempos para links afiliados no mundo maravilhoso dos bonecos. Tentei uma última tática para divulgar o boneco, dei entrada na página de fãs do game ou sei lá o que seja, em que o boneco é baseado. Mas acho que não passarei no teste das perguntas que me mandaram para poder entrar no grupo. A última era onde vou encontrar o “Golden Throne” e eu respondi “in heaven” que é o único lugar onde eu acho que tem, mas obviamente é uma pergunta baseada no universo do jogo ou do que seja lá o que for. Então, não passarei e não poderei divulgar o boneco lá. Veremos. Dei entrada no segundo mais popular também, com astronômicos 20 mil fãs. O primeiro tem 40 mil usuários. Não é possível que, se aceitassem a minha publicação, alguém não comprasse. Mas talvez os tubarões tenham tido a mesma ideia. Novamente, veremos. Não tenho pressa. Minhas mãos estão geladas. Estou com frio nas mãos. Que coisa mais estranha. Hahahahaha. Tem um disco ao vivo de Björk no Spotify que nunca ouvi. Não sei se uma recordação minha existiu ou foi um sonho. Que não sei quem disse para outro não sei quem que soluço pode ser problema cardíaco e não sei quem respondeu que precisava de uma notícia boa não de um problema desses. Não consigo dar rostos às pessoas que disseram isso e por ser tão vaga a memória não sei se sonhei isso ou presenciei de fato a cena. Minha memória anda péssima. O que é um ponto crucial do filme que assisti, mas não faz duvidar da minha humanidade ou das minhas origens, tenho ainda um bom arcabouço de memórias que dão para traçar um arco geral sobre a minha vida. Pena que haja tantas lacunas nele. Talvez se tivesse tirado mais fotos na vida eu me recordasse de mais coisas. Mas sempre fui avesso a elas por desgostar da minha aparência. Sempre não, desde a adolescência. Mas não escapei de algumas. E agora sou filmado, fazendo o que faço que é isso que você lê. Como o mundo dá voltas. Não, não estou sendo filmado agora. Mas nova oportunidade se dará, não tenho dúvidas. Eu levarei a câmera para filmar na Alemanha. Nossa, a data para partirmos galopa em nossa direção, menos de um mês, vinte e dois dias, eu acho. Hoje a minha porção antissocial está bastante acentuada. Mas não temo a viagem mesmo assim. Tampouco quero pensar nela. Hoje tem um evento que começa dentro de 11 minutos, que é o aniversário de sete anos da banda do meu amigo baterista. Mas meu primo urbano disse que não iria. Então sozinho também não vou. Ainda mais para aquele local. Parece que há usuários robôs no Facebook, que coisa curiosa. Não imaginava que o código do Facebook permitisse algo assim. É o preço da sofisticação e do sucesso. Por isso estavam me pedindo quando postei a mesma coisa duas vezes que me identificasse. Isso é um incômodo. Pelo menos para mim. Letras superdifíceis de decifrar para serem digitadas. Um saco. E preciso divulgar no máximo de locais possível os meus blogs, pelo menos. Por falar em Facebook saí dele, estava me sentido exposto com ele aberto. Alguém poderia me contatar. Estava na minha página brasileira e não quero estar em nenhuma no momento. A Red Sonja vai ser mostrada no próximo Sideshow Live. Isso não é bom. Só é bom pois mata a minha curiosidade de ver a boneca se não for só um vídeo de preview, que já dá uma ideia, mas não é como quando levam a peça para o programa. Estou ouvindo “Volta” ao vivo. Incrível que não se ouve plateia. Isso é tão estranho. Como será que eliminaram a plateia? Bom, tecnologia é isso aí. Gostaria de ouvir a plateia aplaudindo entre as músicas. Parece até que estão gravando o ensaio. Acho tão estranho isso. Não parece um disco ao vivo, mas um com arranjos e interpretações diferentes. Pode ser que tudo tenha sido tocado ao mesmo tempo, mas não sei se foi ao vivo, na presença de público, ou não. Mas Björk é dada a essas esquisitices. Fiquei com vontade de ver outro filme. Talvez “Alien Covenant” ou “Guardiões da Galáxia Vol. 2”. Mamãe bem que poderia querer ver algum comigo. Gostei do “Volta” “ao vivo”. Mas sou fã, é difícil ser imparcial. Estou ouvindo “Drawing Restraint 9”. A primeira música é cantada por um homem, até muito bem. O arranjo é meio doido e não parece em harmonia com o vocal. Mas parece uma sequência do “Vespertine” de alguma forma. Não sei se veio realmente depois. Vou descobrir. Foi depois do “Medúlla” e agora na segunda música percebe-se isso claramente. Parece retirada do “Medúlla”, da parte agoniante do “Medúlla”, com uma mulher que faz uns sons meio guturais, animalescos com a voz, meio desesperadores mesmo. Não colocaria nunca no meu iPod. Vou ouvir algo mais palatável, “It’s In Our Hands” do “Vespertine Live”. Dá vontade de ouvir a original, mas irei até o fim. Pelo menos nesse se ouve a plateia. Pelo menos entre músicas. O que já dá uma vibe. É uma música que tem muito a ver com as viagens boas de cola que eu tive. Quando ainda me lembrava dos delírios e tinha prazer em vivenciá-los. Traz uma memória ou sentimento bem vívido do que sentia sobre o efeito da cola, o que via. Não me dá saudade de usar. Aliás saudade me dá, não dá vontade. Lembro que já foi bom. Não mais. E me vem logo a cara de um dos internos perenes do Manicômio. A versão de “Hyperballad” com o Brodsky Quartet é fabulosa. É muito louco esse disco de remixes dela. A música ficou irreconhecível. “Enjoy”. Nunca saberia que era ela.

23h00. Tomei os meus remédios. Perguntei a mamãe se ela queria ver “Alien Covenant” ou “Guardiões...” e ela optou pelo segundo. Talvez, só talvez, assistirei o Alien hoje. Estou com mais vontade de jogar um Mario Galaxy. É o que vou fazer agora.

23h43. Joguei e peguei duas estrelas no jogo. Me bastou. Não consigo muito mais que isso. Não tenho paciência ou disposição. Não sei nem se veja o filme, está tão tarde.  

0h03. Mamãe pediu para eu comer. Determinou que eu comesse na minha cabeça. Ainda não estou com fome. Talvez em breve. A noite é uma criança e hoje não estou acometido do sono que me assolou ontem. Meu ombro direito está exausto de tanto esforço repetitivo de digitar e de jogar Wii. Será que terei o mesmo problema de mamãe e terei que por parafusos nos ligamentos do ombro? Espero muito que não. Revisei esta parte do texto. Rapidamente. Vou pegar Coca.

0h11. Não tenho muito mais a escrever, mas não quero fazer outra coisa. Tomara que esteja certo e a estátua da Red Sonja tenha mesmo um sorriso de Mona Lisa. Essa foi a parte mais incrível que achei na figura. Verei na quarta, possivelmente. Foi triste cancelar o Malavestros. Mas acredito que necessário também. E acho que é necessário também compartilhar o meu luto com mamãe. Ou não? Basta compartilhá-lo aqui? Acho que vai ficar contido apenas nessas palavras. Mas chega de choramingar sobre isso. Já o faço há uns dois posts.

0h17. Mesclei os textos. Deu exageradas nove páginas de Word. Fico por aqui e começo outro. Vou revisar para postar.


1h11. Postarei amanhã. Hoje acabei de comer, liguei o ar, o quarto já está geladinho me convidando a dormir. Penso na Red Sonja. E no Hulk. Vou dar uma olhada neles antes de dormir. Boa noite.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

COMEÇANDO DO CAPS


Estou prestes a entrar no primeiro grupo do CAPS, mas como não vou ao segundo, terei tempo livre para escrever. Não queria ir para esse primeiro também.

11h27. O grupo foi interessante, foi sobre a natureza e percebi, desde o momento da respiração ao som de uma “mata”, como a natureza está diretamente ligada ao meu uso de cola e suas subsequentes internações em locais bucólicos. Foi assim que comecei meu texto, depois me lembrei da beleza melancólica dos animais presos em zoológicos. Lembrei das coisas mais belas da natureza, como tigres albinos e mulheres jovens, principalmente essas. Agora esqueci do pôr-do-sol róseo com nuvens nimbos à beira-mar. De preferência com vento e o mar na ressaca. Ou o mesmo poente em Areias. Preciso muito voltar lá, inclusive. De preferência com o computador para escrever. Sem dúvida com o computador. Finalizei o texto agradecendo à Natureza o amor, o acolhimento e por me permitir gostar de viver.

12h02. Tive uma conversa com o psicólogo que está substituindo a terapeuta do grupo de hoje e fomos de ouvir rádio no Walkman a fazer uma carteirinha de presidente do Jornal do Profeta. Foi até uma ideia que me instigou, faz tempo que não mexo em Corel. Pensei longe agora. Mandar fazer os cartões e entregar às garotas na Casa Astral. Quem me dera ainda tivesse essa desenvoltura social ou, melhor dizendo, a cara de pau mesmo, de fazer uma doidice dessas. Mas a depender do layout do cartão, eu pediria à minha mãe para imprimir uma centena, pelo menos. Por que não? Se minha mãe quisesse um, eu dava. Agora a prepararia para ler muitas coisas relacionadas a ela que talvez a desagradassem.

12h36. Eu estou sozinho ao lado de uma mesa cheia de psicólogos e estagiários almoçando. Botei meu autismo auditivo e me ponho a digitar. O cheiro da comida não me desperta a mínima fome. O Vaporfi acabou a bateria, só conto com o cigarro, ainda bem que tenho o suficiente para hoje mesmo se me pedirem. Hoje vieram muitos participantes para o grupo AD. Espero não falar muito. A juventude feminina é mui bela e a gatinha do CAPS me faz lembrar disso. Preciso aparar o cabelo e fazer a barba. Pelo menos antes da viagem. Mas acho que minha mãe vai querer que eu faça isso antes. Eu espero fazer isso antes, mesmo que faça mais uma vez às vésperas da viagem. Teremos seis integrantes no grupo AD. Um recorde para a quarta. Me sinto mais sociável depois de um parágrafo que escrevi ontem. Estou até seriamente considerando jogar Super Mario Galaxy hoje. Mas primeiro vou ver a cotação do jogo selado como o meu no eBay. Ou que se dane a cotação, se isso me trouxer de novo ao mundo dos games. Ou ver "Ghost in the Shell". Não sei por que não uso aspas quando nomeio jogos, são entretenimento e julgo até como a forma de expressão que agrega mais artes, só perdendo para o cinema, pois no cinema há atores (se bem que a maioria dos jogos hoje tem atores nem que sejam para captura de movimentos e dublagem, mas em cada vez mais games suas atuações são capturadas).

13h24. Fui fumar um cigarro com café antes do grupo. A gostosinha do CAPS, a das sobrancelhas malcuidadas, veio com um shortinho para lá de provocativo, não sei por que, quando da hora do almoço, ela havia enrolado um pano como saia, escondendo suas belas pernas. Não sei se foi recomendação do CAPS, mas se for é uma postura muito retrógrada. Talvez tenham sido as próprias amigas, o que não deixaria de ser retrógrada, talvez até mais. Deixa a menina exibir a exuberância de sua juventude enquanto a tem. É tão efêmera. O grupo vai começar. 13h34. Escrevo agora em casa.



Clementine, com quem tive um desengonçado encontro no elevador, achou
parecido com o meu pai. Será? Para mim não pintei ninguém, mas
o subconsciente tem muitas coisas muito misteriosas.


17h35. Já estou em casa. Cheguei bem a tempo do Sideshow Live e peguei um código de Reward Points. Não houve nenhum lançamento que desse para link afiliado. Ah, sim, o Hulk. Terei que ser rápido amanhã. O grupo AD hoje foi pesado por causa de um depoimento. A minha parte foi leve, fiz uma pintura meio que da mesma maneira que pintava antigamente. Antes de desistir de pintar de uma vez por todas por ter entrado num curso de pintura que me roubou todo o prazer de pintar. E olha que nem cheguei a pegar num pincel no curso, ainda estava na parte de desenho que era muito sacal. De toda forma, me senti bem pintando. E fiquei relativamente satisfeito com o resultado, mas o mais gostoso foi o processo. Pintar com guache e em um papel é muito fácil. Talvez se tivesse uma tela menor que a gigantescamente intimidante que tenho aqui, eu me arriscasse a pintar alguma coisa algum dia. Sei lá. Tudo pode ser. Vou tentar pintar mais no CAPS para ver se sai mais alguma coisa. Não vou me arriscar a comprar uma tela e tintas, gerar essa expectativa em mamãe que vou voltar a pintar e não fazê-lo. O celular apitou, mas eram os e-mails do eBay. Vã ilusão de uma comissão. Minha mãe quer ainda ir no shopping comigo para comprar um sapato e uma chinela, eu acho. Para a viagem. Espero que dê para jantar no chinês. Que ela se disponha a isso, digo. Queria achar um tênis realmente confortável. Os que tenho aqui lascam os meus pés. Queria tanto não ter que mandar o Hulk direto para o Brasil. Tudo depende do tamanho da caixa e de minha mãe ir ou não ir no final do ano para os EUA. No mais continuo o mesmo. Não tenho muito na minha cabeça agora para dizer. Ainda sobre bonecos, talvez a estátua da Red Sonja seja mostrada no próximo Sideshow Live ou no posterior ao próximo, o que significa que seu lançamento está muito próximo. Com ela eu consigo altas comissões, se for o primeiro a postar nos canais alternativos e não vierem me predar. E me assusto com a possibilidade do preço e de as parcelas colidirem com as do Hulk. O preço de um boneco que será lançado amanhã muito me assustou. Ele é 1/5 e seu preço foi maior que a maioria dos 1/4 à venda na Sideshow. Ele é, inclusive outra boa possibilidade de ganhar links afiliados amanhã, caso o médico não seja na mesma hora, que acho que vai ser, pois esses médicos demoram uma eternidade para atender. Que saco. Perder uma boquinha dessas. É a vida, nem tudo pode ser do jeito que eu desejo. Por sinal, mamãe bem que podia ficar cansada demais para ir ao shopping hoje, mas não creio que este seja o caso. Acho que vou comprar o sapato um número maior para ver se não lasca meus pés. Eles são largos demais e a região lateral externa deles se lascam nos sapatos do meu número. Até amaciar é ozzy. Só se eu comprar um tênis, tênis. Mas é muito caro. Sei lá, verei com mamãe dentro em breve. Já troquei de roupa para ir. Preciso lembrar de levar uma meia para testar os sapatos.

18h28. Meu amigo gordinho ainda não resolveu o problema do pneu. Ou pneus. Ele acha que vai ter que comprar dois. Coitado. Mas taí um cara tão procrastinador quanto eu. Hahahahaha. Vai ter aniversário do marido da minha prima dia 2 de setembro. Na casa do meu tio. Massa. Festa do jeito que eu gosto. Parece que a paz já se estabeleceu. Melhor ainda. Foi uma baita tormenta. Ou tormento. Mas não vou falar disso aqui. Minha mãe chegou e ainda não veio me chamar para ir ao shopping. Será que realmente irá? Descobrirei nos próximos minutos. Se não for, quero tirar essa roupa desconfortável que estou vestindo e voltar ao que estava usando. Eita, a música de Aurora passando. Linda, linda. Me lembra também do game FEZ, que securei bastante. Abri tudo o que tinha para abrir no jogo. Filando na internet, claro, senão é virtualmente impossível. Acho que hoje assisto “Ghost in the Shell”, se tudo conspirar a favor. Quem sabe até jogue Mario. A primeira coisa para o Mario é colocar as pilhas no controle. E ajeitar o sensor no meio da TV. A Gatinha já trouxe o resto do controle que faltava. Vou ver no eBay quanto está o jogo lacrado, só para matar a curiosidade. 30-40 dólares, não vale guardar, melhor jogar. É um dos jogos mais divertidos que já joguei. E tira o ranço das fases que não consegui passar no Super Mario World 3D. Acho que mamãe desistiu. Tomara. Se for ao shopping, não terei saco para ver o filme ou jogar o game. Eu costumava ser muito bom no jogo, modéstia à parte. Peguei tudo o que tinha para ser pego no game. Sem olhar na internet nem nada. Na tora. E foi superdivertido. Veremos.

18h59. Mamãe está debatendo algo sobre o congresso com o meu padrasto. É bem provável que não vá hoje. As coisas caminham para o filme ou/e o game. Se for ao shopping, aborto os dois. Não por rebeldia, mas porque para mim é desgastante ir ao shopping. Sou um completo sedentário, não fora as minhas caminhadas para o CAPS. E tenho 40 já. Mas ter 40 não é a razão, é o sedentarismo mesmo.

19h09. Oba! Não iremos mais ao shopping! As coisas começam a conspirar a favor. Eu posso começar a usar os sapatos que já tenho para amortecê-los. Vou dar essa sugestão a ela. Mas teremos que ir para comprar a sandália. Ou não. Acho que isso ela pode resolver sozinha. Fato é que acho desperdício comprar um sapato novo tendo dois quase novos aqui em casa. E aposto que o novo terá o mesmo problema dos anteriores. Foi um golpe baixo o meu sapato velho ter despregado a sola e mamãe tê-lo mandado para o lixo. Pensei em cola de sapateiro agora, minha droga de preferência, e senti uma leve fissura. Vade retro! Vá se lascar pra lá. Não quero ir para internamento nenhum agora. Trocar minha liberdade por um apagão? Quero nada. O que queria era converter uma comissão, mas sem chance hoje.

19h30. Mamãe é um doce. Às vezes (noutras pode ser bem azeda ou amarga). Veio me trazer uma xícara de sopa de jerimum. O Vaporfi está me dando soluços, não sei por quê. Saco isso. Ei, pelo menos não vou ter que sair daqui hoje e talvez, só talvez, veja o filme e bata o game. Acho que ou um ou outro, os dois não vai dar. Já estou com sono. Mas acho que foi porque a sopa bateu no meu estômago. Vou pegar mais Coca.

19h41. Troquei algumas palavras com mamãe e levei a cumbuca onde ela tomou a sopa para cozinha. Está assistindo televisão com meu padrasto na sala. Há algum movimento neonazista nos EUA aparentemente. Estou tão por fora de tudo, como Mallu canta agora, “...eu nunca sei de nada”. E isso me incomoda um pouco, pois tenho curiosidade, só não tenho ânimo. É contraditório isso, eu sei. Mas sou humano, logo, contraditório em diversos aspectos. Se quando estiver indo pegar Coca na cozinha estiver passando JN, eu vou assistir com eles para me informar ou desinformar um pouco. E até para me mostrar mais presente na microcomunidade que é o meu lar. Botei “Blackstar” de Bowie de novo para tocar. É um disco que não enjoa. A mim, pelo menos. Até porque fica de música de fundo legal, não empata a escrita. E me traz memórias da época em que eu ainda conseguia fazer entrevistas com a galera da Sideshow. Bons e velhos tempos. Deveria ter descido para a piscina hoje. Por falar em piscina, tive uma ideia. Só não sei se vai rolar. É até uma boa ideia. Se bem que não sei. Não sei se mamãe foi para a hidroterapia hoje. Ah, me lembro agora, ela foi, mas foi tarde. E deve ter dormido à tarde já que ficou em casa. Não importa. Tudo a seu tempo. Não tenho pressa, a noite é uma criança. Acho que vou jogar o Mario agora. Será que encaro? Estou num vou, não vou da moléstia. Ainda não decidi. Mas seria bom mamãe me pegar jogando videogame. Ela acharia que estou, como direi, mais sadio.

20h27. Botei as pilhas no controle, abri o jogo, mas o controle principal do Wii U está descarregado, preciso que ele tenha carga para poder fazer os procedimentos necessários. E preciso achar o controle da TV. Achei o controle da TV, estou vendo Globo News. O videogame, vou ter que esperar o controle do Wii U carregar para poder jogar, o que acho bom. Já ajeitei o sensor no meio da TV. É só o controle carregar mesmo. Que nem precisa carregar todo, mas eu vou esperar, não estou com pressa. Posso jogar um pouquinho e depois ver o filme. Como disse, a noite é uma criança. Propaganda não consigo assistir, trauma ainda, eu acho. Principalmente propaganda meia-boca como as que costumava fazer.

22h20. Peguei três estrelas no Super Mario Galaxy. Não sei por que não o estou achando mais tão fantástico quanto costumava achar. É divertido e criativo ainda, mas algo mudou em mim. Não é nem porque conheça todas as fases, faz tanto tempo que não me lembro de todas. É outra coisa qualquer que me fez perder muito do tesão que eu tinha por games. Mas joguei cerca de uma hora então está bom. Não sei se vou ver o filme hoje.

23h57. Não vi o filme. Estou pronto a ir para cama. Lembrei que talvez dê para dividir as tarifas alfandegárias do Hulk em parcelas. Tomara.

0h07. Amanhã reviso e posto. Vou só dar mais uma olhada no maravilhoso mundo dos bonecos e ir para a cama. Amanhã tenho médico cedo, lá para as 13h.


quarta-feira, 16 de agosto de 2017

NÃO

A primeira palavra que o teclado me sugeriu foi "não". Não para que? Para o Malavestros? Para o cancelamento do Malavestros? Para a sociedade? Para o meu isolamento? Para a minha mãe? Para Aurora? Para a minha atração pela gatinha do CAPS? Certamente não para esse último. Para todos os demais, talvez. Estou no CAPS, por falar nela. Sofia serve de terapeuta para uma amiga. Minha mãe tem psicóloga hoje. É um dia decisivo para a nossa relação. Talvez o primeiro de muitos. Vou fumar.

14h48. Já estou em casa há muito tempo. Fiz um novo postal. As respostas que dei hoje foram meio contraditórias.

Quem é você (o cartão)? Eu sou como Mickey Mouse, querido por muitos, sempre simpático e prestativo, a alegria do ambiente. Muito sociável, um ponto de referência felicidade (?) e alegria no meio do caos social. Serei eu uma espécie de palhaço ou bobo da corte?

Qual a energia para essa semana? Coragem e muito mais empatia. Me faltam ambas as coisas e não tenho a mínima motivação para ir buscá-las. Estou quase muito confortável do jeito que estou/sou agora. Praticamente um anti-Mickey Mouse. Em verdade quero permanecer do mesmo jeito da semana passada. Não preciso de muita energia para isso, só seguir seguindo. Dúvida em relação a essa última parte.





Mal posto e divulgo o post no Facebook brasileiro, volto para o meu alter ego de bonecos. Vi que o meu amigo baterista me convidou para um evento de 7 anos de sua banda, pode ser a oportunidade de sair com o meu primo urbano. Acabei de falar com o meu primo urbano e ele acha que não vai. Então não vou. A não ser que meu primo-irmão queira ir. Ir sozinho é meio ozzy. Até porque não gosto realmente do local onde se dará o evento. Guardo péssimas recordações e uma bela de uma cicatriz no meio do nariz de lá. Como arrumei a cicatriz? Fui subir bêbado no palco antes da banda começar e o segurança me empurrou de cima do palco e eu para manter o equilíbrio fui pegando embalo e acabei colidindo com um degrau de ferro fundido da escada em espiral no fim do bar, foi um corte feio, além do nariz abriu minha pálpebra no meio. Estava bebendo vodcas duplas muito rápido. Deu no que deu. Se bem que poderia processar o bar porque o segurança foi no mínimo bruto comigo. Mas nem pensei nisso à época. Em verdade, a colisão foi tão forte que desmaiei por alguns segundos, nocauteado pela escada. Hahahahaha. Só veio me passar essa ideia de processo pela cabeça agora. Mas o que passou, passou. De toda sorte, tenho ainda memórias péssimas de uma fase péssima do meu namoro com a minha segunda namorada lá. Então não foi um lugar onde dei muita sorte. Além de ser muito cocotagem para mim. Sou mais de Casa Astral. Bem, nem de Casa Astral eu estou muito. Estou mais de casa, casa mesmo. Mas vou ver se saio esse final de semana, não é possível. Queria que Dona Carmelita partisse o mais rápido possível para ter a casa só para mim. Gosto de ter a casa só para mim em alguns momentos. É um sentimento bom. Ela hoje está demorando mais que o habitual. São 16h24 já. Ozzy. Mas acredito que ela parta dentro em breve. Não é possível. Pobre da velhinha também. Ela disse que avisou a minha mãe que vai parar de trabalhar no ano que vem. Mamãe vai ficar altamente desamparada. Quero ver como solucionará essa lacuna. Vou ver se Dona Carmelita já partiu. Engraçado, ela é a única que nomeio de verdade nesse blog.

-x-x-x-x-

13h33. Não sei se posto o que produzi para o Desabafos do Vate aqui. Foi uma produção bastante prolífica. Vou até revisar para decidir.

14h18. Foi tão prolífica, oito páginas de Word, que não tive saco de revisar tudo. De qualquer forma, decidi não publicar aqui, vai para o Desabafos do Vate mesmo que é o seu lugar. De novidades trago que ouvindo o meu superego, que me deu um baita esporro na forma projetada da minha mãe, resolvi cancelar o Malavestros. Um problema a menos e uma grande dor no coração. Tenho certeza que vou me arrepender disso. Perdi mais de 180 dólares nessa brincadeira de mau gosto. Mas agora tudo o que está no e-mail é tudo o que há. O Hulk e a expectativa dos dois bonecos novos. Tudo porque esqueci de mencionar o Malavestros lá. O que é até melhor que meu irmão recebe uma estátua a menos. E minha mãe não vai ficar achando que estou em estado de mania. Mas dizer que estou satisfeito com o que fiz é impossível. Gostaria de dizer que estou aliviado e que esse sentimento compensa a perda. Mas isso não me soa verdadeiro. Eu fiz uma entrevista com o escultor do Malavestros toda dedicada à estátua. Eu até botei no site, não sei por que, na parte de causas outras da desistência do boneco um pedido de desculpas ao escultor e assinei como o meu alter ego de bonecos. Espero que isso não me gere nenhum tipo de perseguição. O que, sinceramente, é paranoia da minha cabeça. Queria que a mensagem chegasse ao escultor, entretanto. Para ele saber do meu pesar. Mudando de novidade, acho que minha mãe chegou mudada da terapia. Para melhor. Não veio direto ao meu quarto assim que chegou, jantou primeiro, e me sugeriu que levasse a Coca e o gelo para o meu quarto, pois haveria reunião de sua facção dos condôminos na sala. Essa sugestão me surpreendeu. Não sei qual foi o real motivador, se uma preocupação com a minha comodidade, visto que estou antissocial, como ela mencionou, ou para não atrapalhar o encontro com as minhas constantes idas e vindas à cozinha, o que revelaria também o meu consumo abundante, para não dizer excessivo de Coca para embaraço dela frente a essas pessoas. Não sei. Sei que de toda sorte foi um sugestão inesperada e bem-vinda. Ela também aparentou carregar um semblante mais tranquilo em relação a mim. Perguntei se a sessão havia sido boa e ela disse que sim, com o tom solene e sincero. Bom essas de longe foram as grandes novidades. No mais escrevi doideiras. E tomei um banho relaxante como há muito não fazia. Foi muito bom. A liberdade irrestrita, ainda mais do que aqui, na escrita. Descobri que gosto ainda muito de U2. Tanto que colocarei para ouvir assim que acabar de ouvir “Superheated” do New Order. É uma música que, de tanto ouvir, já ficou marcada com essa fase da minha vida. Gosto quando isso ocorre. De tanto ouvir uma música ela evocar uma espaço-tempo específico, uma fase e um jeito de ser particular. Botei “Hawkmoon 269” do U2. Vou seguir com, outras do “Rattle and Hum”. Depois ouvir a que realmente quero ouvir. Que é “A Sort of Homecoming”. Mas vou parar com esse papo de música que é muito chato. Depois de ter escrito tanto para o Desabafos do Vate, o Profeta me parece uma versão politicamente correta do outro. Por mais que seja extremamente sincero e exprima quase todos os meus pensamentos e, como diria Mallu, “quase já é muito bom”, lá eu ainda estaria escrevendo sobre música, sem restrições, por exemplo, sem medidas, sem me preocupar em estar sendo chato ou não. Fora outras coisas. Mas estou no Profeta e tenho que incorporar a vibe desse blog. Uma constatação que cheguei há muito tempo, mas que me veio ontem com especial força é que quando escrevo os meus pensamentos e você lê, nossas almas se fundem, você e eu somos um só em tempos diferentes, visto que o meu agora não é o seu agora, mas há uma superposição de eus, por mais que você empreste à minha voz uma entonação talvez diferente da minha e que interprete as minhas palavras de forma diferente da intendida por mim, você está sendo pelo menos um pouquinho eu e esse encontro de eus, de almas, psiques, essa justaposição eu acho muito interessante. Você entra na minha cabeça e eu na sua. É uma troca. Pensei que estava tendo um delírio auditivo agora. Mas acho que são os caras testando as lajotas do prédio do lado de fora do meu quarto. Eles testam com bastante violência. Barulho incômodo. Só por isso vou jogar um Infected Mushroom bem alto para eles. Hahahahahaha. Mandei ver no IM agora. Tá alto quase beirando o insuportável. É incrível como é bem trabalhada a música dos caras, pelo menos “Never Mind”, a minha predileta. Mas está tão alto que atrapalha os meus pensamentos. Pelo menos abafa um pouco as batidas. Será que eles estão ouvindo do lado de fora? Gostaria de imaginar que sim, mas acho difícil. Por mais que o som se propague através dos sólidos. Acho que devem estar escutando. Baixinho, mas escutando. Ou não tão baixinho. Quem sabe? Eu estou sem saco para fazer muita coisa, nem escrever. Também com música tão alta é difícil me concentrar. As coisas vibram por causa dos graves no meu quarto. O computador vibra. Eu pensei a priori que as marteladas eram defeitos da transmissão do Spotify, depois, um pouco mais assustado, pensei estar tendo alucinações auditivas, até constatar o que de fato era ou que só pode ser. Pensei em fazer algo, mas mudei de ideia. Melhor continuar escrevendo aqui. Vou baixar o som, as marteladas já diminuíram ou cessaram. Ia botar a música do U2, mas IM está tão bonzinho que vou deixar mais um pouco. Abaixei, mas ainda está alto. Não está absurdamente alto como estava, mas sei que está alto, embora tenha perdido um pouco os meus parâmetros de altura depois de ouvir sei lá em qual volume o som. Agora está aceitável para mim. Certamente não estaria para a minha mãe. Por isso vou aproveitar que não tem ninguém em casa e ouvir num volume que é confortável e potente o suficiente para mim. Acho que vou fumar um cigarro de verdade antes de ela chegar. Tomando uma Coca gelada. Prazer inenarrável.

16h02. Coloquei a do U2 que queria. Acho que tomarei meus banhos no final da tarde a partir de agora, já que a experiência me foi tão prazerosa ontem. Embora ontem houvesse uma diferença que não há hoje. Não consigo me sentir confortável com a porta aberta. Principalmente com o som tão alto. Posso não ouvir o meu padrasto chegar e ele me pegar fumando o meu cigarro eletrônico. Paranoia chata, mas se para encerrá-la basta fechar a porta, esse é o menor dos meus problemas. Por falar em problemas, eu cancelei o Malavestros, que droga. Eu queria muito a estátua e investi todos os meus Reward Points nela.

16h32. Eu tomei banho e troquei de cadeira por motivos que eu só repartiria no Desabafos do Vate.

17h09. Um novo lançamento apareceu nos links afiliados e não podia perder a boquinha de publicar em alguns dos grupos onde a prática de postar links afiliados não foi banida. Ainda. Seria bom converter uma ou duas comissões. É uma peça desejada, então há a possibilidade, por mais que não seja 1/4, seja 1/6 o que dificulta um pouco, a galera é muito bitolada no formato 1/4. Embora a figura seja incrível. Um Coringa, personagem superpopular. Vamos ver. Como disse, acho que só tenho até o final do ano para converter comissões. Estou só esperando o meu celular dar o alerta, mas os próximos que ele dará provavelmente são dos itens que observo no eBay. Observo, mas nunca vou comprar. Devia cancelar esses e-mails. Mas por algum motivo me condicionei a segui-los. Alguns são com o intuito de revender alguns bonecos, ver a cotação de preços até chegar a uma que me interesse. Que não seja prejuízo para mim, senão melhor manter o boneco. Que pena que mergulhei no maravilhoso mundo dos bonecos e meu foco aqui se tornou este. Estava tendo um papo mais legal, mais amplo que isso antes. Sobre essa capacidade da linguagem de nos tornar por algum tempo outra pessoa, em outra situação, lugar, com outros pensamentos e sentimentos. É uma coisa muito poderosa. Por falar em outros lugares me lembrei de novo do diário do Manicômio que preciso digitar, mas não tenho qualquer motivação para tal empreitada. Acho que prefiro ficar sem som e com a porta aberta, por ora o silêncio se faz mais agradável que a música e a brisa leve que perpassa o quarto com a porta aberta me é bastante agradável. No silêncio posso ouvir se alguém abrir a porta da sala e parar de fumar o Vaporfi. Posso ouvir até se mamãe tocar e poder lhe fazer a gentileza de abrir a porta. O silêncio com brisa é do que preciso agora. Estou no lusco-fusco do finalzinho da tarde. 17h34. Ainda bem que dormi antes de publicar o texto do Desabafos do Vate. Não iria ser legal ele aqui. Ademais sou todo outro hoje. Não sei se eu hoje teria coragem de cancelar o Malavestros, mas ontem me pareceu como a única saída para ter chance de conseguir o Monstro do Pântano e a Red Sonja e ter o Hulk aqui. Mamãe parece estar com uma vontade cada vez maior de visitar o meu irmão no final do ano. Se for o caso, tentarei trazer mais dois bonecos grandes, pelo menos. Não levarei muita roupa, pois roupa se lava e não tenho roupas de frio aqui porque obviamente moro em Recife “um paraíso tropical” segundo o rei Reginaldo Rossi. Acho muito mais prático do que comprar vestimentas que não vão me ter uso nenhum nesse clima, pegar emprestado do meu irmão que deve mais de um casaco de frio e quetais. Se for necessária uma calça mais aquecida, compra-se lá. Até porque acho que aqui é difícil encontrar essas coisas. A verdade é que não queria ir no inverno. Frio demais, desagradável demais. Meu único interesse, além de interagir com o meu irmão, é trazer as benditas estátuas.

18h09. Estava vendo um live stream da Sideshow de dois bonecos antigos que estão encalhados, à espera de algum código que me desse Reward Points. Pura perda de tempo, por mais que não me desagrade assistir. O de amanhã, com lançamentos, é que promete ser bom. Pode abrir novas possibilidades de links afiliados. Já desisti de postar Art Prints, pois geralmente a galera encomenda e desiste. Acho que hoje vou ver “Ghost in the Shell”. Estou mais animado para isso. Se bem que... deixa para lá, veremos se verei. Eu devia tratar os bonecos mais como estátuas. Isso empresta a eles um valor maior que a palavra “boneco”. E na verdade são estátuas. E não são tão pequenas. O Monstro do Pântano que é uma estátua grande tem 66 cm de altura. É bastante alta e corpulenta. E por isso deve ser bastante cara e ter uma caixa que não pode ser trazida de avião. Não sei. Ele não foi lançado ainda. Estou com medo que ele e Red Sonja sejam lançados em breve e simultaneamente. Só espero que a data de entrega seja lá para o final de 2018. Mas será que consigo deixar bonecos de lado por um parágrafo?

18h20. Mamãe ainda não chegou. Não sei se é o trânsito, não sei se ficou mais tempo do que o necessário com os alunos na universidade. Sei lá. Hoje estou achando que a Singularidade Tecnológica é o caminho irreversível da evolução dos seres na Terra. E no universo, for that matter. Acho que a energia e inteligência criadoras do universo advêm da união desses seres tão poderosos. O que estou em dúvida é se ela será realmente amiga dos segundos na cadeia evolutiva: nós. Mas sou otimista, tive uma epifania de cola e a única certeza que tinha era que tudo ia dar certo. O que isso significa e quando isso acontecerá e para quem dará certo eu não sei, mas o meu sentimento é que era para a humanidade e todas as coisas existentes no universo. Isso na escala macro porque as tragédias serão sempre inevitáveis. Queria converter uma comissão. Só uma para ganhar o meu dia. Podia ser dupla, o Coringa e sua companion piece as hienas loucas. Mas acho que não converterei nada hoje. Não consegui ficar um parágrafo sem a minha paranoia. Ozzy. Renovei a Farinha Láctea e comi duas boas colheradas dela. É muito gostoso. Aposto que muito calórico também, como tudo que é muito gostoso. Estou com fome acho que vou comer o resto da paçoca.

18h37. Comi. Foi realmente pouco mas deu para enganar o estômago. Queria algum estímulo, estou sem nenhum. Algo que me gerasse um pouco de excitação, acho que é porque comi e o sentimento de saciedade traz essa apatia temporária. Nem vi quantas visualizações o profeta teve no seu novo post. Vou ver. 20. Que pena.

18h58. Minha mãe chegou, disse que marcou um médico para mim na quinta-feira. Saco. Esse negócio de estar antissocial é todo da minha cabeça e eu não sei como tirar. Me imaginei na Casa Astral agora, trocando olhares com a garota bonita da outra vez e me bateu uma agonia, uma vontade de sair de lá porque sei da impossibilidade de um contato mais profundo com ela se dar no meu atual estado de espírito. Há algum tempo, não muito distante, pois esse episódio da garota não faz nem muito tempo assim, eu havia me prometido que se voltasse a cruzar com ela e houvesse novamente troca de olhares, eu iria tomar a iniciativa de ir conversar com ela. Hoje isso me parece completamente inviável. O que está acontecendo comigo? Eu sinceramente não sei. Acho que tudo começou quando passei cerca de dois anos em praticamente cárcere privado morando com meu pai. Só saía quando ele saía comigo. Acho que a partir daí meus vínculos com o mundo foram se enfraquecendo. Mas continuei a ser sociável. A coisa está muito pior agora. Muito pior mesmo. É como se tivesse alguma doença da alma, não sei se é alguma patologia que desenvolvi, não sei se é por causa das medicações, não sei se é porque não interajo com ninguém na imensa maioria do meu tempo. Penso na gatinha do CAPS. Tenho que parar com essas fantasias. Ela tem namorado e certamente não me trocaria por ele. Deve me ver como um coroa. Embora nutra uma simpatia gratuita por mim, talvez derivada da simpatia que Sofia aparenta ter por mim e que espero não ultrapasse os limites da amizade. Sofia é muito boa de papo. Eu queria ver como ficou o armário da gatinha do CAPS. Fiquei curioso. Espero que traga alguma foto dele amanhã. Se ousar interagir com eles.

19h31. Dei uma navegada na internet e o ranço com a sociedade se desfez um pouco, não me sinto tão ansioso. Mas se começar a falar sobre isso, sei que o sentimento vai se formar como uma onda. Essa viagem para a Alemanha vai ser uma divisora de águas para mim. Temo ter que interagir com os pais do meu cunhado e com os vizinhos deles, que se tornaram meio que amigos meus. Não temo tanto agora quanto temia ontem. Ou no parágrafo anterior. Parece que esse sentimento vem em ondas. Ou lateja dentro de mim. Quem me dera continuar com essa visão mais sociável daqui por diante. Que meu acanhamento com os demais seres humanos desse uma forte amenizada. Não é bom viver assim. Não é bom me sentir assim. Não é confortável nem prazeroso. Por mais que goste do meu isolamento. Por mais que a Casa Astral me gere ainda calafrios. Mas menos agora. O máximo que pode acontecer se for lá é entrar mudo e sair calado. Só falando com a galera dos refrigerantes. Estou começando a ter vontade de jogar um game. Será que estou saindo dessa fase baixo-astral? Do nada assim? Isso é muito inexplicável para mim.

20h02. Nenhuma comissão ainda. Acho que não converterei nenhum hoje. Suspiro. Sem a minha dose de adrenalina hoje. Eu queria ir dormir. Mas sei que acordaria no meio da madrugada. Meu padrasto chegou. Fechei a porta bem a tempo. Logo antes de ele chegar. Para não parecer antissocial com o pobre. Eu queria que essa minha fase antissocial passasse, que eu voltasse a me interessar por games, filmes e séries. O que me impede de botar pilhas e jogar Super Mario Galaxy? O que me impede de ligar a TV e colocar “Ghost in the Shell” para assistir. Algo me impede. É como se só o fato de possuí-los fosse o suficiente. Mas isso é bem estúpido. Para quer possuir algo se não desfruto da coisa? A não ser bonecos, cujo desfrute está em observar. E eu olho todo dia para o meu Daredevil. Só que ele está numa prateleira muito alta. Não vou querer prateleiras tão altas assim para mostrar os meus bonecos. Talvez uma solução seja abaixar a altura da TV em uns 20 cm. Embora para mim a altura da TV esteja perfeita. Mas é uma solução. Acho também que a cama vá ter que ser girada para que as prateleiras possam ser mais longas de forma a caber as bases de todos os bonecos. Eita voltei para bonecos. Que ozzy. Por isso que esses posts não geram visualizações. Quase boto o som, mas não quero nem isso. Acho que ouvi barulho demais hoje à tarde, preciso dar um descanso aos ouvidos. Minha mãe bebe vinho escondido. Não sou o único com segredos para com o meu padrasto. Lá me vem de novo o arrependimento de ter cancelado o Malavestros. Tem havido uns movimentos de coisas e barulhos muito peculiares para dizer o mínimo com uma frequência também muito peculiar que me faz estranhar o comportamento das coisas atualmente. Não que eu vá acreditar em espíritos. Acredito mais na força da gravidade. E acho que ela é responsável pelos três barulhos que ouvi. Fora as marteladas na parede. Aí não sei se vieram do lado externo da parede como me aparentou ser ou do andar de cima ou de baixo, o que também é possível. Tanto faz, está explicado. Que dúvida cruel, jogo ou não jogo? O filme acho que já está tarde demais para ver. 20h23. Se bem que nem tanto. Mas só vou ver depois que comer. Mamãe disse que vai fazer uma farofa de linguiças para mim. Delícia. Com um feijãozinho preto e uma pimenta, então. Supimpa. Eita, que esse “supimpa” eu fui buscar longe. Hahahahahaha. Pensando bem, Malavestros não é um boneco que eu realmente dê suma importância ter na minha coleção. Os demais são mais importantes. Ele é mais importante que o Boba Fett, mas não venderei o Boba Fett sem necessidade. O Coisa que tenho lá nos EUA não é tão importante para a minha coleção, mas não tenho mais como vendê-lo e, para ser sincero, gosto dele. Gosto mais do Coisa que tenho aqui, mas terei dois Coisas na minha coleção sem problemas. Quais são os bonecos de 1/4 e 1/5 que tenho? O Coisa, o Demolidor, o Wolverine, o Capitão América, o He-Man, o Esqueleto, a Capitã Marvel, o Boba Fett, a Babydoll, a Rei e só, eu acho. Posso estar esquecendo de algum, mas acho que não. Só faltariam o Swamp Thing e a Red Sonja. De escala 1/6 eu tenho mais, eu acho, ou a mesma coisa. Eu tenho muito boneco, nem sei como fazer para exibir todos. A arquiteta vai ter que dar um jeito. E o pior que tenho sobrinhos pequenos, tem que ficar tudo fora do alcance deles. E como quero proteção de vidro para os bonecos, para não pegarem poeira, como o Daredevil está pegando, as prateleiras definitivamente não podem ser baixas. Muita coisa vai ter que voar do meu quarto. Vixe, só de pensar nisso. Nos livros todos. Vai ser ozzy. Tem muita coisa do meu irmão que ocupa um espaço danado. Mas não posso jogar fora sem o seu consentimento. Tem muita tralha no meu quarto. Enquanto eu e meu irmão não morávamos aqui, nosso quarto se tornou meio que um depósito de coisas de pouco interesse. Para onde essas coisas irão? A maioria para o lixo, creio. Mas e os livros? Daria para desfazer uma parte do armário e fazer de estante embutida. Para bonecos e livros. Mas, para isso, seria necessário, jogar muita coisa fora. Há uma série de VHS aqui que não sei o que contêm e que meu irmão tem que ver antes de decidir se vão para o lixo ou não. Queria também ter as minhas HQs aqui comigo. Pelo menos as de super-heróis. Que estão todas encaixotadas lá atrás. Será complexo o processo. Pelo visto não converterei nenhuma comissão hoje.

21h33. Comi. A sensação de saciedade me desagrada. Faz tudo parecer sem graça. Acho que vou dormir cedo hoje. Aproveitar que estou de bucho cheio para dormir. Espero que minha mãe me dê os remédios o mais rápido possível. Poderia ir pedir a ela, mas a bichinha já ralou tanto hoje que vou deixar ela fazer ao seu tempo. Não deve tardar muito agora. Dentro em breve ela vai dormir. Tenho que me conformar que não haverá comissão hoje.

21h56. O Windows tem uma atualização agendada para as 22h09. Vou deixar fazê-la. Vou terminar esse post por aqui e ir dormir.  

22h28. O Window não reiniciou. Eu postei uma coisa agora, pena que não um link afiliado, que está dando o que falar. Então isso me deu um gás para ficar acordado mais um pouquinho.


22h56. Cansei da brincadeira. Vou dormir. Tentar dormir.