domingo, 21 de agosto de 2016

FIV E OUTRAS BABOSEIRAS

Fui ao FIV – Festivas de Inverno da Várzea – e achei o ambiente bastante peculiar. A Várzea aparenta ter uma comunidade própria que se aproxima da de Olinda, mas não completamente. Muitos rastas, muitos homossexuais, muitas morenas bonitas, negras bonitas, pouquíssimos obesos, gente geralmente da classe C média, muito aprazível. Não consegui dar em cima de ninguém e quem me apeteceu ou aparentava ser jovem demais ou já estava acompanhada. Muita maconha no ambiente e sabe-se lá mais o quê. A coca estava barata variando entre três a quatro reais. Fiquei perto de um lugar onde ela estava a três e cinquenta. Agora o Word tira tremas, que droga. Acabei de descobrir ao escrever cinquenta. Encontrei a psicóloga do meu grupo de CAPS. E devia ter seguido o conselho dela e perguntado onde ela estava bebendo sei lá o quê que não reparei o preço da Coca antes de ter pago quatro contos na minha (lá onde ela estava era três). Arrependi-me, mas foi também a última coca da noite, pois os meninos partiram para o antigo e eu queria pegar a festa da minha prima e vizinha. O que de fato fiz, interagindo muito pouco com os convidados restantes porque eles não estavam muito a fim de conversar comigo, o que me deixou levemente irritado. Ninguém gosta de ser ignorado e foi assim que me senti, mesmo quando eu puxei o papo. Tem nada não. Achei-os meio boçais, estes novos amigos dela que nunca havia visto antes. Bom, perderam de conversar com alguém superiormente interessante, com uma vivência completamente diversa da deles. Perdi pelo mesmo modo. Mas não foi escolha minha. Ainda penso em voltar lá. Já que ainda está rolando e a porta está aberta. Mas entrarei mais para comer alguma coisa e encher meu refil de coca quando acabar. Estou trêmulo. Isso é falta de comida.

2h56. Deixei a idéia besta de ir lá e comi aqui em casa mesmo. Acho que a tremedeira está começando a passar. Queria comer bife à milanesa com purê. Vou pedir a mamãe para ela pedir a Dona Carmelita fazer quando ela vier. Aliás, queria comer bife à milanesa com batatas fritas. Ia ser perfeito. Eu sei que eu estou de dieta, mas ela iria para uma pequena viagem interespacial nesse dia. Eu mereço, eu acho. Nem sei se mereço alguma coisa. Já tenho mais do que mereço, tendo em conta o meu passado, mas, que seria bom, isso seria.

Por falar em passado, encontrei um companheiro de internação na Villa Passos. Ele me pareceu muito bem. Fiquei muito contente com isso. Conheci finalmente sua família, a qual tinha sincera curiosidade de encontrar, já que ele falava incessantemente nela durante a internação. Foi interessante e com colocar rostos e corpos nos personagens de suas histórias.

Foi bom esse encontro. Ele me tratou com calor e animação, o contrário da receptividade que tive na festa da minha prima. Puxa, realmente a frieza, a meu ver infundada, dos amigos da minha prima realmente me incomodou, pois voltei a falar nisso. Vou deixar esse assunto de lado. Eu estou com a vida ganha, graças a Deus. E agradeço a ele aqui com certa fé. Não sei de onde vem, mas surge, sempre que penso nesse assunto da curatela. A paz de espírito que ela me garantiu. Nunca havia experimentado tamanho alívio na minha vida. E todos os dias me sinto grato por isso. Morro de medo de perder. Acho que nem sei o que aconteceria comigo. Mas não quero falar disso para não atrair. Não acredito muito na lei da atração. Mas por via das dúvidas. Mudar de assunto.

Como venho dizendo, tem me trazido um prazer enorme o outro blog. E agora, uma certa ansiedade, posto que estou ficando sem ter sobre o que escrever.

Estou escrevendo encontro instalo o jogo Evolve do qual comprei o boneco Goliath há mais de um ano e que agora é gratuito. O jogo é enorme. Parece que tem 19 GB. Não sei nem se vai rodar nessa máquina, mas, como comprei o boneco, quero testar o jogo. Só para ver como é. Se não gostar ou não rodar, apago.


Faltam dez horas de download até eu poder instalar o jogo e ver se o meu computador roda. Cara como me arrependo de não ter comprado o outro computador... mas tudo conspirou contra. É a vida. Não tenho do que reclamar. Tenho um computador relativamente rápido, pelo menos para coisas não tridimensionais (como jogos ou ZBrush, que também não sei nem para onde vai :P). Tenho dois blogs que me preenchem o tempo, me preenchendo assim. Tenho um PS3 com vários jogos e acho que aprendi como consertar a armadura do meu personagem no Diablo 3, pois só faço morrer porque minha armadura está toda danificada. O ícone, além de partido em três partes, ficou vermelho agora. Aí, em qualquer luta que entro, me lasco. Espero que tenha entendido as coordenadas do meu amigo fã de Diablo (que estava conosco no FIV) e consiga reparar meus equipamentos. Aprendi que posso vender os itens que não quero do jogo (e pensar que joguei várias dezenas fora...) e fazer uma grana extra para poder pagar o conserto das minha armadura. Vou testar isso amanhã. Acho... Ando tão sem paciência para videogame ultimamente... E isso me incomoda bastante, pois tem zilhões de jogos irados que eu quero jogar e vou jogar. Não é possível. E ver filmes também. Preciso me reeducar a ver um filme por dia. Vamos ver se consigo pôr essas duas coisas em prática, quem sabe amanhã. Quem sabe... não sei de que horas eu vou acordar... só sei que vou acordar debaixo de esporro porque certamente, indo dormir mais de 3h43 da manhã eu vou acordar tarde. E aí enfrentarei um surto de mau humor por uma hora, pelo menos. Mas assim é minha vida, com seus percalços, mas finalmente agradável de ser vivida. Vou ficar por aqui, senão o “tetéu” vai aparecer aqui furioso.

10 horas de download...

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

UMA OUTRA ESTAÇÃO





Ouvindo “Uma Outra Estação” do Legião. Pois é, dei uma pausa pra Mallu e pro Bowie. Está tocando a música título, a segunda do disco e minha predileta. Para mim, é o melhor disco póstumo – brasileiro, pelo menos – empatado com de Cássia Eller cujo nome é uma data que não me recordo. Péra, vou ver no mestre Google. “10 de dezembro”. Pronto. Esses dois são os dois melhores discos póstumos que já ouvi. Se bem que não me lembro de ter ouvido outros. Só tributos. Entretanto, esses dois poderiam entrar na discografia original com louvor. Mas não sei se quero falar do meu gosto musical ultrapassado. O que me faz me lembrar de algo que não devo lembrar. Mariana, esqueci disso. De cobrar ao amigo do meu primo-irmão o contato dela no Facebook. É chato cobrar, mas com o blog de bonecos, estou aprendendo a ser mais chato do que já sou. Amanhã cobro a ele. Se me lembrar, quero dizer. Por falar nisso, não pude ir à Vila Edna no Dia dos Pais, pois estava tendo o Dia dos Pais do meu padrasto aqui em casa. E depois do almoço peguei num sono ferrado e só fui acordar quando mamãe veio me dar os remédios. Aí também fiquei acordado até as quatro da matina. No mundo fantástico dos bonecos. Darei mais um golpe financeiro na minha mãe. Na minha mãe, não! Vou usar minha pensão para pagar os fees do eBay. Acabei de fazer isso. Não sei se vai passar pelo crivo dela quando ela olhar a fatura do cartão. É o velho, se colar, colou. Por falar nisso, não sei se a atividade de hoje do grupo foi muito terapêutica, pois era para fazer uma história em quadrinhos do uso da minha droga de preferência, obviamente, a Norcola. Isso me deu um pouco de fissura, mas tenho muitas razões para não recair. Boas razões. Como não voltar para a clínica, como ganhar a aposta que fiz com um amigo meu de que não recairia de novo até o final do ano (e nem depois! Mas a aposta foi até dezembro). Como uma possível viagem no ano que vem, como o meu blog de bonecos, como não sofrer mais em troca de apagões. Como não ficar mais seqüelado do que já sou. Não, não e não! Mas esse exercício foi meio fora de contexto por gerar em mim memórias eufóricas da droga. Se tiver oportunidade de comentar sobre o exercício no próximo encontro, levarei esta observação. E amanhã seria o dia perfeito para recair, pois minha mãe vai passar o dia todo fora de casa. Mas não o farei. Tô cansado de me foder. Simples assim. Vou mudar até de assunto que falar sobre isso alimenta a fissura.

Sobre o que falar, então?

-x-x-x-

16 de agosto de 2016.

Continuando ou recomeçando, melhor dizendo. Tanto tempo desde a última frase. Fui pegar o “Blackout” de Britney Spears para ouvir e achei embaixo “Recanto” de Gal (que Caetano compôs para ela e arranjou com um arranjo bem diferente, meio eletrônico, o disco todo é meio difícil a priori, depois se torna o bicho. Um dos discos que mais gosto da minha coleção). Minha coleção de CDs... é uma pena... só sei onde está no máximo 1/3 dela. Vários CDs que gostaria de ouvir estão perdidos pela casa ou para sempre. E eu não tenho ânimo para localizá-los, sei que há muitos no quarto da minha irmã, num armário específico, mas nem me dou ao trabalho de ir resgatá-los, pois não há espaço no meu quarto para coloca-los. Meu quarto é um amontoado. De coisas minhas e não minhas. No mínimo, 1/3 do volume é não meu. Quero ver com essa reforma, o que será das coisas todas que amontoam o meu quarto, pois terei que abrir espaço para as bonecas e bonecos. Quando esta reforma vier. É uma pena and a pain in the ass minha mãe não deixar eu usar o dinheiro da pensão para bonecos. É só remédio, vestuário, plano de saúde, psicólogo, coca-colas, saídas e quetais. É uma pena que eu não posso eu mesmo gerir o dinheiro, mas teria que pagar tudo o que é pago com a pensão para poder pensar em gastar em boneca, não iria adiantar de quase nada. Não daria para eu comprar uma boneca, só se poupasse. Mas não posso. Então tenho que me contentar com as que já tenho e em como elas são. É a vida. E é bonita, é bonita e é bonita. Finalmente acho assim. Por mais que o caos às vezes opere contra. São várias variáveis, como diria Humberto Gessinger, e não se pode dar conta de todas. É impossível. É incrível que ainda mantenha esse quantidade enorme de controle sobre a minha vida quando penso que sou eu contra o universo inteiro de coisas que podem vir contra minha vontade! Chega a ser miraculoso isso. Que cada pessoa consiga isso ainda mais aglomerada no mesmo planeta, um monte de quereres e vontades dissonantes coexistindo em sua maior parte em paz cada um respeitando o máximo que consegue o quadrado do outro. É fantástico. Parece mágica e deve ser. Como a mágica dos formigueiros se auto-organizarem espontaneamente.


1h57. Nem lembro do que estava falando. Me perdi no Facebook. E uma googleada ou outra por aí atrás do que botar no blog de bonecos. 2h21. Ainda perdido no meu mundo de bonecos. Como diz a música “Estou longe, longe, estou em outra estação...”. Ah, cobrei ao amigo do meu primo-irmão que arrumasse o endereço de Mariana. Vamos ver no que é que dá. Ah 2, levarei o texto da Novíssima Religião para duas meninas do meu grupo do CAPS amanhã! Vai ser doideira!

sábado, 13 de agosto de 2016

EQUILÍBRIO

Chamei de "Liberdade da Plenitude", concluíram que eu era desequilibrado
depois que interpretei o desenho...




Num dos grupos do CAPS quarta-feira, num debate sobre a figura acima, que elaborei durante a atividade, o mediador do grupo pediu que eu pensasse sobre a palavra equilíbrio. Disse a ele, então que escreveria sobre ela aqui neste espaço. Passaram-se dois dias e eu não consegui achar motivação para escrever sobre o tema. Mencionei o fato para ele hoje e ele me disse para tentar equilibrar coisas, fisicamente falando mesmo, para ver se isso me dava uma luz sobre o texto. E não foi que deu? Tentei equilibrar meu isqueiro em pé na minha mão e descobri que alcançar o equilíbrio é a parte mais fácil; mantê-lo é que é extremamente difícil e, no caso do isqueiro, para mim, impossível.

Eu sou uma pessoa de extremos ou pelo menos assim me julgam. É fato que nem sempre consigo manter o controle sobre certos aspectos da minha vida. Me considero inexperiente emocionalmente em relação a garotas e ando um tanto quanto introvertido. Por outro lado, pego uma psicóloga do CAPS e falo abertamente da minha vida, como faço aqui. Da mesma forma, muitas vezes repetitiva, como aqui. É fato que tenho baixa autoestima no que diz respeito à minha aparência e minha cultura, por outro lado o meu blog de bonecos bota meu ego lá para cima quando recebo um elogio. Enquanto fisicamente me sinto um fracasso e isso me põe para baixo, assim como os meus defeitos de caráter que não consigo ainda controlar (e há também alguns que não quero controlar), de resto vou muito bem comigo mesmo. Acordo gostando de viver. Tenho coisas para preencher todos os meus dias e todas as minhas horas. Coisas que gosto de fazer. Então não tenho do que reclamar. Não me vejo como um desequilibrado emocional. Sou desequilibrado corporalmente falando e acho que isso se deva em parte aos remédios que eu tomo ou assim quero crer. A droga é que não consigo me lembrar os extremos que o terapeuta mencionou no grupo para transcorrer melhor sobre o assunto. É óbvio que não consigo manter o equilíbrio o tempo todo e cometo excessos. Mas, em comparação com dois anos atrás, eu estou muito mais comedido. Como consegui isso? A custa de muito esforço e de muita cabeçada na parede. Ainda ando dando com os cornos no muro, mas muito mais de leve agora, adquiri um autocontrole que não me imaginava capaz de ter, que ainda me é penoso controlar, mas a sensação de não ter feito uma besteira que vem depois e é recompensadora. Uma coisa que me incomoda, mas não o suficiente para que eu tome uma atitude é que me sinto em débito com uma série de pessoas, mas, por outro lado, gosto tanto de usar meu tempo da forma que me apraz que esse prazer empalidece qualquer vontade mudar a minha rotina. É algo que preciso trabalhar. Há certas responsabilidades de cunho emocional mesmo que preciso assumir. Não são tarefas domésticas. São cultivos de relações afetivas que estou deixando ao deus dará. É uma das mudanças que vejo como mais prementes na minha vida. Isso vai requerer esforço e privações aos quais certamente não estou disposto a me submeter, mas por um bem maior que eu, se fazem necessários. Falo principalmente da minha mãe e, num segundo plano, dos meus avós; e num plano intermediário das garotas. Por sinal a Mariana que encontrei na Bodega do Eduardo não me saiu da cabeça ainda e ainda estou batalhando por seu Facebook, muito embora eu tenha grandes suspeitas de ela ser lésbica, por mais que não aparentasse no agir, como também não aparentavam suas amigas, mas nas gírias relacionadas a mulheres. Espero estar redondamente enganado e espero conseguir o Facebook dela. Mas estou fugindo do meu assunto que é o equilíbrio. A pergunta que me vem é: se estou me sentindo majoritariamente bem – e bote majoritário nisso – deveria eu me forçar a mudar o andamento das coisas? Obviamente gostaria de emagrecer, mas exercícios estão cortados do meu rol de possibilidades, só me resta fechar a boca, por mais que este remédio da noite me dê uma fome do cão. Vou ter que voltar a pedir para trancarem a cozinha. Agora mesmo, 23h36. Estou com uma larica enorme. Doido para colocar algum alimento para dentro. O meio pacote de biscoitos que comi para enganar já não enganam nada. Por isso é bom trancar a cozinha. Para que eu não vá lá “estraçaiá” tudo o que encontrar pela frente. Funcionou antes. Pode funcionar agora. Reduzir a quantidade de Coca-Cola Zero também está fora de cogitação. Se minha barriga for por causa de contenção de líquidos por causa dos remédios, um abraço, xau pro louro, que as Cocas eu não abandono. Poderia tomar menos Coca, seria a decisão equilibrada, mas eu prefiro do jeito que está. Afinal a decisão tem que ser a mais equilibrada para quem? Este é o meu equilíbrio. Pelo menos por ora. Todos procuram o seu próprio bem-estar, se eu encontrei  e construí meu bem-estar por que deveria alterá-lo? Por que um adulto precisa de mais responsabilidades, mais repressão e mais sofrimento para amadurecer? Ah, só quem já passou pelo que eu passei sabe das responsabilidades, da repressão e do sofrimento inerentes à minha condição. Para mim tá bom disso. Serei para sempre infantilizado? Talvez, quem sabe? Tentarei dar mais atenção à minha mãe. É a única meta que me coloco no momento. E isso significa visitar meus avós domingo sim, domingo não. Vamos ver se consigo, pois estou sem a menor disposição para isso.


No que mais estaria desequilibrado? Nos gastos? Esta é a parte em que tenho exercido mais o meu autocontrole. Eu não tenho culpa se o estabilizador queimou. Mas tenho culpa de ter encomendado duas camisetas para mim. Infelizmente, não me sinto culpado pelas camisetas. Acho que, de vez em quando, eu posso escolher as roupas que quero vestir, não ser sempre uma escolha da minha mãe. Fato é que estou muito feliz do jeito que estou, tirando essa caspa que me deu na barba, meu bucho e a falta de uma flor na minha vida. Eu não sei, posso estar completamente equivocado, mas me sinto equilibrado. Em vista do que já fui. Em vista dos demais que me cercam. Estou em paz comigo e com o mundo. Nunca 100% em paz nem com um, nem com o outro, mas quem está? Não sou Buda, nem tenho pretensões budistas. Falta-me mais auto-aceitação e mais autoestima, mas um passo de cada vez, já percorri um caminho enorme e tenho sempre que ter cuidado para não tropeçar no meio dele, porque buraco preu cair é o que não falta. Já está de bom tamanho para mim, não preciso de responsabilidades outras, sofrimentos outros, repressões outras. Quero a vida o mais livre, leve e solta possível. Eis aí meu ponto de equilíbrio. Poder fazer minhas próprias escolhas dentro dos limites da curatela. A curatela é um fator bastante limitante, mas mesmo assim, existem graus de liberdade a se apreciar. E eu os aprecio. E como.