sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Karina e um monte de cigarros


0h32. Ouvindo I’m the Highway para variar (mesmo set list de sempre) e lembrando de Karina,a Clementine que surgiu lá no manicômio, passou apenas 10 dias mas mexeu comigo. 19 anos, rosto e jeito de anjo, a combinação, para mim, impossível de não me encantar. Escrevi alguns textos que entreguei a ela, declarando o encantamento escancaradamente e ela disse ter gostado de todos; pena eu ser um gordo barbudo de 35 anos. Fiquei igualmente feliz e decepcionado por sua estada ter sido tão breve e eu não ter podido conhecer mais sobre a pessoa por trás da visão angelical e, quem sabe, fazer o destino sorrir para mim. Mas acho que não aconteceria assim, seu interesse maior parecia ser por um interno mala tatuado, mais jovem e magro que eu. Será que haverá esse anjo que se encante por este ogro? Será que com mais tempo eu seria capaz de fazer a mágica acontecer com ela? Será, será, será... preciso de um é
.
Estou em casa, volto ao manicômio no domingo. Tenho dois compromissos a cumprir neste interregno: uma visita ao meu sobrinho e o aniversário de uma prima, ambos em Aldeia. Sem cerveja. Já me imagino sentado numa mesa afastada enchendo a cara de Coca-Cola. Amo minha família, mas sei repartir esse amor melhor acompanhado de umas geladinhas. Quanto tempo vai durar esta dieta etílica é um ponto de interrogação. Se ingressar no N.A. – o que não desejo – será para sempre. Este será não se tornará um é. Espero após a alta poder voltar a tomar minhas cervejinhas. Estava sendo tão comedido neste aspecto. Usando apenas como uma ferramenta social para dissipar minha timidez seletiva (festas e pessoas conhecidas principalmente).

0h51. Blower’s Daughter. Esta lembra Karina mesmo... Hahahahahaha! Como sou babaca e romântico! Tudo hoje é tão pouco romântico que não caibo. Romântico descabido! Hahahahahaha!

0h54. Era para eu estar trabalhando em Algo agora. Eu não sei por que eu não tiro isso da minha cabeça e entendo de uma vez por todas que este sonho é uma defesa, uma justificativa para a minha paralisia. Mas enchi um caderno inteiro com anotações lá no manicômio (um caderno fino, diga-se de passagem). A nova desculpa é que quero estar aqui fora pra que possa me dedicar integralmente e não me perder, pois, sinceramente, eu perdi o fio da meada do que escrevei no final de semana retrasada. Vou ver se meu primo-irmão está no Facebook.

1h12. Tá não. Minha tia me deu uma dica de só entregar bilhetes para Karina depois de bater bastante papo. Fiz tudo ao contrário! Hahahahahahahaha! Vou repor a Coca e fumar um ou dois Derby.

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1h51. Sem nada para escrever e com vontade de escrever e ouvir música (está tocando Giz, da Legião). Cadê a tampa da minha panela? Será que alguns são destinados à solidão ou se autodestinam a ela? Solteirão de 35 anos que deseja ninfetas: qual a probabilidade disso acontecer? Desse desejo ser satisfeito e satisfazer a ninfeta? Esta postura de autopiedade não ajuda em nada. O negócio é totalmente outro, como disse meu primo-irmão: você tem que ir com a postura de que ela é que vai estar perdendo se te desprezar. Difícil encontrar essa versão dentre os meus vários eus. Questão de prática, talvez.
Deveria estar fazendo a camisa do New Order que planejei mas estar aqui nesta página com estas letras ouvindo Little Joy é uma pequena diversão tão maior no momento. Mas sem temas é de lascar. Vou fazer pipi e fumar mais um ou dois Derby para ver se algo me ocorre.

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2h23. Tomei o Dalmadorm e acho que ele já começa a fazer efeito. Brincar com as palavras, me expor, tem sido há um bom tempo meu melhor e maior passatempo. Acho que sou um exibicionista. Até na minha timidez me exibo agindo em desacordo com a manada e chamando atenção para mim mesmo. Acho, aliás, tenho certeza de que sou carente, talvez por isso esse divertimento com as palavras. Com elas me dou a atenção que não consigo de outras formas. Não sei, sei que me diverte como um puxa a próxima e elas vão se emendando nisso que sou eu em forma de letras. Não sei por que não me envergonho disso, meu pai nunca ousaria, acharia ridículo, desnecessário, um desperdício. Para mim é a coisa mais necessária. Sentar aqui para escrever (e criar as estampas de camiseta) é tudo o que penso em fazer e não posso no manicômio. Muitos me perguntam sobre as pinturas, mas peguei abuso, medo delas, o mesmo tipo de medo que tinha e tenho do trabalho. Vagabundo que produz apenas palavras que se perderão na imensidão cibernética e agradam só a mim. Por que escolhi e estou vivendo a vida assim é uma questão que ainda está sem resposta para mim. A única que encontro é porque é a mais fácil e a que sofro menos, tenho prazer. Santa Chuva, com Maria Rita. Putz, estou fumando muito, já estou com vontade de mais um cigarrinho depois dessa música. Até porque vi que a próxima não tem nada a ver com esta – Cigarettes and Chocolate Milk de Rufus Wainwright. E o sono está batendo mais forte. Acabou a música, vou fumar.

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2h56. Mommy veio me mandar dormir. A coleira às vezes aperta o pescoço. Ainda bem que há o sono do remédio para combinar. Mas a vontade é a de continuar tecendo palavras, estava com tanta saudade disso. Sobre Algo, posso dizer que vejo sinais de que vai acontecer ao meu redor, como diz All Is Full of Love (que ouço agora): twist your head around, is all around you. Pronto. Vou revisar, achar uma imagem e publicar. E fumar mais dois cigarros!

All around you

domingo, 7 de outubro de 2012

Só besteirol


Estava fazendo uma camisa do Sugarcubes, redesenhando o Life’s to good do primeiro disco, mas ouvir Cigarettes and Chocolate Milk, do Rufus, me deu uma vontade danada de escrever, mesmo que apenas esta frase. Foi só esta frase mesmo, a música está acabando...

19h45. Começou All Is Full of Love, de Björk, e aí me bateu a vontade de palavras outra vez. Esta música mexe comigo, me deixa num clima de meditação, meio transcendental. Como eu queria que a letra da música fosse verdade. E o pior que é, só que não consigo – conseguimos? – enxergar.  Por sinal tem uma gatinha nova no manicômio que mexe comigo, gostaria de poder interagir mais com ela, conhecer mais do seu universo particular e mostrar um pouco do meu, queria, em verdade, despertar alguma forma de afeto e trocá-lo.

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1h03. Escrevi no caderno para ela a seguinte mensagem: “Você é o meu sol neste lugar, pena que seu olhar seja de final de tarde... Tentarei ir o máximo que puder ao pátio para receber (seu) sol.” Será que entregarei o bilhete e será que ele surtirá algum efeito benéfico a nós dois?

Estava tentando fazer estampas de camiseta. É um velho projeto meu. Como pode-se notar pelos horários anotados, toma tempo. Pelo menos não é doloroso, diria que é terapêutico até. Mas me sinto desmotivado, talvez cansado, para fazer mais agora. Sono. Fumar.

Tomei o Dalmadorm. Tentar escrever até bater o sono de verdade. Mas estou sem ideias. Em dúvida se entrego o bilhete. Me parece inútil ou até nocivo. Como dizem, de boas intenções o inferno está cheio. Refletirei mais sobre o assunto, embora acabe seguindo meus instintos românticos e entregando. É o mais provável pelo que me conheço.

Resolvi não me dedicar ao livro neste final de semana. Fazer partido não é bom. O negócio é estar com tudo na cabeça onde parou o que vem depois e para isso eu preciso de tempo contínuo, não esporádico. Nem lembro mais o que já escrevi. Vou começar do zero de novo. Até porque certas ideias mudaram. É preciso fazer pesquisa etc. e tal.

Também não estou empolgado para entrar nos Narcóticos Anônimos e o incrível é que minha mãe e meu padrasto me apoiaram nesta decisão. Vamos ver...

Fui ver o Côco da Lua com meu primo-irmão, havia gatinhas mas nenhuma me despertou “o sol”. Fiquei só na Coca-Coca e reparti um Red Bull com meu primo.

Amanhã é dia de votação. Eu gosto de dias de votação.

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Olhando agora para a foto de Clementine que tenho aqui no meu quarto me fez pensar na teoria do caos e em como uma pequena variação nas condições iniciais pode causar transformações inesperadas para o bem ou para o mal no desenrolar das circunstâncias. No caso de Clementine para o péssimo. O que recebi em troca do sentimento de carinho foi merecida repulsa de forma quase doentia. De certa forma gerei um trauma nela. De certo não quero formar mais um trauma na garota do manicômio que já deve ter problemas demais na cabeça. Duro é segurar minha impulsividade e a vontade de tê-la por perto e conversar, para ser sincero ter alguma exclusividade da atenção dela, um exclusividade cândida e alegre, que alivie e o sofrimento pelo qual passam os confinados. Sei lá, vou fumar e tomar um café, o que será, será. Besteira ficar remoendo isso agora. Desperdício de palavras. Ah, ela, meu sol, tem 19, eu 35. Fumar.

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2h37. Rolando Legião, Um Dia Perfeito. Mas enquanto fumava me lembrava dos versos de Chico “Futuros amantes quiçá se amarão sem saber com o amor que um dia guardei para você”. Acho que minha sina é o platonismo mesmo. Tornei-me um ser assexuado, mais de três anos sem ter uma mulher é de se estranhar. A maioria estranha. Eu me resigno. Love in the Afternoon do Legião também. Eu me perco no Google, vou mergulhando, mergulhando e quando vejo chego a algum lugar inesperado. Comecei pesquisando sobre Legião para uma  camisa e acabei vendo toy art. E cadê esse sono que não vem? Também, derrubei uma garrafa de café e estou solto na Coca-Cola... fumar. Evaporar, do Little Joy rolando. Vou dar pause não. Vou fazer fumaça e ver o que estará passando quando eu voltar. 2h57.
Pensei em intitular este post Só besteirol. Ainda não veio o sono e não me vem nada à cabeça para dizer. 3h12. All Is Full of love, Björk (Sempre ela... também é sempre o mesmo set list). Estou com medo de escrever o livro novamente. Mas tanta gente escreve merda por aí, por que não posso cagar um pouquinho também?

Vou publicar e tentar dormir. Depois de fumar o último cigarrinho com o resto da Coca que pus, claro!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Cadê os primos?

Manicômio para mim, hoje

Estou prestes a voltar ao manicômio e não me sinto nem bem nem mal por isso. Aproveitei bem o final se semana, saí duas vezes com meu primo-amigo-irmão Mateus e fizemos até karaokê. Tudo só na Coca-Cola. Estava pesquisando agora um pouco sobre teoria do caos no Wikipedia, mas confesso que não entendi direito, só me deixou com a suspeita que, numa sociedade, se esta for tida como um sistema caótico, a ocorrência dos muito ricos e dos muito pobres vai ser inevitável, a não ser que haja atratores que impeçam desvios dessa magnitude. Tenho que pensar mais sobre isso e se cabe no livro uma reflexão sobre o tema. Primeiro preciso entender se atratores tem realmente este poder de redesenhar a linha de variáveis possíveis num sistema caótico. Muita viagem pro blog do profeta este tópico. Deixa para lá.

No mais tive o prazer de encontrar duas outras tias, mas não interagi devidamente com elas, pois estavam ambas em situações sociais outras que não a minha e porque, em verdade, não vi(mos) muito o que ser dito. De qualquer forma é bom ver a família reunida, mesmo sentindo que algo está faltando, que algo se perdeu, se apagou. Talvez se eu estivesse tomando cerveja minha visão fosse diferente, mas acho que não foi e não é isso. Ainda é a perda do meu tio e do meu pai que não sararam devidamente. Não nos habituamos a este novo formato reduzido dos Barros ainda, mas tenho plena esperança de que isso aconteça. Acredito aliás que chega a hora da nova geração começar a puxar a responsabilidade de agregar a família para si, trazendo pelos braços e abraços a geração anterior para a festa. Nenhum dos meus primos veio e isto certamente fez as cotas de alegria e interação diminuírem.

Gostaria muito que os primos que por acaso chegarem a ler este texto pensem em dar sua parcela de vida e alegria nos próximos encontros. Tenho certeza que ela será muito bem-vinda. Revitalizante até.