domingo, 7 de outubro de 2012

Só besteirol


Estava fazendo uma camisa do Sugarcubes, redesenhando o Life’s to good do primeiro disco, mas ouvir Cigarettes and Chocolate Milk, do Rufus, me deu uma vontade danada de escrever, mesmo que apenas esta frase. Foi só esta frase mesmo, a música está acabando...

19h45. Começou All Is Full of Love, de Björk, e aí me bateu a vontade de palavras outra vez. Esta música mexe comigo, me deixa num clima de meditação, meio transcendental. Como eu queria que a letra da música fosse verdade. E o pior que é, só que não consigo – conseguimos? – enxergar.  Por sinal tem uma gatinha nova no manicômio que mexe comigo, gostaria de poder interagir mais com ela, conhecer mais do seu universo particular e mostrar um pouco do meu, queria, em verdade, despertar alguma forma de afeto e trocá-lo.

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1h03. Escrevi no caderno para ela a seguinte mensagem: “Você é o meu sol neste lugar, pena que seu olhar seja de final de tarde... Tentarei ir o máximo que puder ao pátio para receber (seu) sol.” Será que entregarei o bilhete e será que ele surtirá algum efeito benéfico a nós dois?

Estava tentando fazer estampas de camiseta. É um velho projeto meu. Como pode-se notar pelos horários anotados, toma tempo. Pelo menos não é doloroso, diria que é terapêutico até. Mas me sinto desmotivado, talvez cansado, para fazer mais agora. Sono. Fumar.

Tomei o Dalmadorm. Tentar escrever até bater o sono de verdade. Mas estou sem ideias. Em dúvida se entrego o bilhete. Me parece inútil ou até nocivo. Como dizem, de boas intenções o inferno está cheio. Refletirei mais sobre o assunto, embora acabe seguindo meus instintos românticos e entregando. É o mais provável pelo que me conheço.

Resolvi não me dedicar ao livro neste final de semana. Fazer partido não é bom. O negócio é estar com tudo na cabeça onde parou o que vem depois e para isso eu preciso de tempo contínuo, não esporádico. Nem lembro mais o que já escrevi. Vou começar do zero de novo. Até porque certas ideias mudaram. É preciso fazer pesquisa etc. e tal.

Também não estou empolgado para entrar nos Narcóticos Anônimos e o incrível é que minha mãe e meu padrasto me apoiaram nesta decisão. Vamos ver...

Fui ver o Côco da Lua com meu primo-irmão, havia gatinhas mas nenhuma me despertou “o sol”. Fiquei só na Coca-Coca e reparti um Red Bull com meu primo.

Amanhã é dia de votação. Eu gosto de dias de votação.

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Olhando agora para a foto de Clementine que tenho aqui no meu quarto me fez pensar na teoria do caos e em como uma pequena variação nas condições iniciais pode causar transformações inesperadas para o bem ou para o mal no desenrolar das circunstâncias. No caso de Clementine para o péssimo. O que recebi em troca do sentimento de carinho foi merecida repulsa de forma quase doentia. De certa forma gerei um trauma nela. De certo não quero formar mais um trauma na garota do manicômio que já deve ter problemas demais na cabeça. Duro é segurar minha impulsividade e a vontade de tê-la por perto e conversar, para ser sincero ter alguma exclusividade da atenção dela, um exclusividade cândida e alegre, que alivie e o sofrimento pelo qual passam os confinados. Sei lá, vou fumar e tomar um café, o que será, será. Besteira ficar remoendo isso agora. Desperdício de palavras. Ah, ela, meu sol, tem 19, eu 35. Fumar.

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2h37. Rolando Legião, Um Dia Perfeito. Mas enquanto fumava me lembrava dos versos de Chico “Futuros amantes quiçá se amarão sem saber com o amor que um dia guardei para você”. Acho que minha sina é o platonismo mesmo. Tornei-me um ser assexuado, mais de três anos sem ter uma mulher é de se estranhar. A maioria estranha. Eu me resigno. Love in the Afternoon do Legião também. Eu me perco no Google, vou mergulhando, mergulhando e quando vejo chego a algum lugar inesperado. Comecei pesquisando sobre Legião para uma  camisa e acabei vendo toy art. E cadê esse sono que não vem? Também, derrubei uma garrafa de café e estou solto na Coca-Cola... fumar. Evaporar, do Little Joy rolando. Vou dar pause não. Vou fazer fumaça e ver o que estará passando quando eu voltar. 2h57.
Pensei em intitular este post Só besteirol. Ainda não veio o sono e não me vem nada à cabeça para dizer. 3h12. All Is Full of love, Björk (Sempre ela... também é sempre o mesmo set list). Estou com medo de escrever o livro novamente. Mas tanta gente escreve merda por aí, por que não posso cagar um pouquinho também?

Vou publicar e tentar dormir. Depois de fumar o último cigarrinho com o resto da Coca que pus, claro!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Cadê os primos?

Manicômio para mim, hoje

Estou prestes a voltar ao manicômio e não me sinto nem bem nem mal por isso. Aproveitei bem o final se semana, saí duas vezes com meu primo-amigo-irmão Mateus e fizemos até karaokê. Tudo só na Coca-Cola. Estava pesquisando agora um pouco sobre teoria do caos no Wikipedia, mas confesso que não entendi direito, só me deixou com a suspeita que, numa sociedade, se esta for tida como um sistema caótico, a ocorrência dos muito ricos e dos muito pobres vai ser inevitável, a não ser que haja atratores que impeçam desvios dessa magnitude. Tenho que pensar mais sobre isso e se cabe no livro uma reflexão sobre o tema. Primeiro preciso entender se atratores tem realmente este poder de redesenhar a linha de variáveis possíveis num sistema caótico. Muita viagem pro blog do profeta este tópico. Deixa para lá.

No mais tive o prazer de encontrar duas outras tias, mas não interagi devidamente com elas, pois estavam ambas em situações sociais outras que não a minha e porque, em verdade, não vi(mos) muito o que ser dito. De qualquer forma é bom ver a família reunida, mesmo sentindo que algo está faltando, que algo se perdeu, se apagou. Talvez se eu estivesse tomando cerveja minha visão fosse diferente, mas acho que não foi e não é isso. Ainda é a perda do meu tio e do meu pai que não sararam devidamente. Não nos habituamos a este novo formato reduzido dos Barros ainda, mas tenho plena esperança de que isso aconteça. Acredito aliás que chega a hora da nova geração começar a puxar a responsabilidade de agregar a família para si, trazendo pelos braços e abraços a geração anterior para a festa. Nenhum dos meus primos veio e isto certamente fez as cotas de alegria e interação diminuírem.

Gostaria muito que os primos que por acaso chegarem a ler este texto pensem em dar sua parcela de vida e alegria nos próximos encontros. Tenho certeza que ela será muito bem-vinda. Revitalizante até.

domingo, 23 de setembro de 2012

Novas palavras




Palavras, minhas queridas palavras, emanação do meu eu, em verdade, meu próprio eu desnudo. Como estava com saudade de vocês, de sentir as teclas sob meus dedos emendando uma sequência que geralmente não gosto de saber onde vai dar, só de ir seguindo, como quem percorre uma trilha desconhecida sem saber o que vai descobrir na próxima curva ou se a estrada vai ser uma grande reta. Minha vida tem se desentortado, sinto isso dentro de mim. Podem ser as medicações apenas ou um movimento maior, da minha consciência, do meu comportamento ou tudo isso junto. Voto pelo tudo isso junto porque quero um pouco do mérito pra mim. Há atitudes novas, há até novo ânimo. Admito agora que estava muito doente de uma doença incompreendida e cercada de preconceitos. Eu mesmo ainda carrego muitos deles. Gosto de levar o mundo nas costas, mas não suporto o peso dos meus próprios erros. Esta é uma das atitudes que preciso mudar (embora meu projeto de vida atual seja um livro para criar o paraíso na Terra!Hahaha). Por falar nesse livro, descobri que tenho muito a pesquisar porque muito do que já escrevi já foi dito ou está sendo trabalhado pela ONU e suas subdivisões. Outras coisas, não tenho propriedade para concluir ou bases sólidas para deduzir, mas escrevi com o coração e pensando no bem comum da humanidade. Gostaria de dar forma crível a este trabalho e publicá-lo. É isto que tem preenchido o vazio deixado pela cola. Além disto, um embrião de idéia de uma lojinha de camisas estampadas no Facebook ou um estágio na primeira agência de verdade em que trabalhei, a Três Pontos (esta a mais assustadora das alternativas e também a mais improvável, pois eles presenciaram de perto manifestações nefastas da minha doença). Palavras, palavras queridas quanto egocentrismo; sempre tudo eu, sempre esse universozinho que habita minhas redes neurais. Bom o externo estará no livro. E, afinal, foi esta a trilha pela qual as palavras me conduziram.

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Mas quero ir mais longe, caminhar um pouco mais com as letras. Estou na casa da minha amada Tia Lúcia, um dos últimos recantos onde me sinto num lar. Não me sinto em um lar na minha própria casa porque lá são só minha mãe e meu padrasto. Lá eu me isolo. Aqui é como as casas do Divino, bairro da novela Avenida Brasil, sempre tem som, gente falando, pai, mãe, filhos, cachorro (nova adição à família), gato. É alegre, cheio de vida, de energia (se eu acreditasse que essas energias existissem).

Já aproveitei para matar minha secura de café – um item limitado no manicômio – com cigarros, derrubando uma garrafa deliciosa feita por Tia Lúcia. Provavelmente vai ter night hoje com meu primo-irmão Mateus e, quem sabe, mesmo estando a baleia que estou, eu assuma uma nova postura, mais corajosa, perante o sexo oposto e consiga carinho.


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Carinho, no planalto da minha alma não chove disso há mais de três anos. Não falo de carinho de família – neste caso há chuvas intermitentes – mas de carinho de mulher, de garota, uma que me encante. Quem sabe nessa night, assumindo uma postura diferente, não acabe chovendo na minha horta.