sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Das cartas de amor


Das coisas que teimo em escrever, cartas de amor estão entre as que mais gosto.  Amo, aliás. Amo através delas todo o amor que não posso amar de fato. De tato. Cartas de amor são beijos em forma de letras, palavras que se enlaçam como abraços, revelando o amor que, por uma coisa ou outra da vida, do tempo ou do espaço, não pode ser amado conjuntamente pelo destinatário e o remetente.

Cartas de amor podem durar mais que os amores em si, mais até que os seres a quem as palavras foram juradas. Ou podem nem chegar aos olhos destes. Ou ainda chegarem e não alcançarem o coração. (O fogo pode consumir o papel antes que a chama das palavras nele contidas acendam o sentimento.)

Escrever cartas de amor é fazer o coração que ama calado cantar. Escrever cartas de amor é dar às palavras seus significados mais belos, mais completamente humanos. A palavra coração em cada carta de amor é única, expressão do mais sublime brilho de uma alma, diferentemente da palavra coração dos livros de anatomia, onde todo coração é igual, uma máquina de pulsar sangue, víscera como as demais.

Mas escrever uma carta de amor não é falar de sua forma ou função, é falar do sentimento sentido por quem ela se destina, abrir o peito para...


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