segunda-feira, 29 de maio de 2017

ANIVERSÁRIO E DESDOBRAMENTOS MUSICAIS

Eu não sei o que escrever nem se quero escrever, mas como acabou-se a temporada de “The Walking Dead” e eu não tenho nada para fazer e a coisa mais fácil, cômoda e agradável para mim é digitar palavras, aqui estou. Minha mãe reclamou comigo que eu não tinha feito nada para o seu aniversário, nem um cartão. Isso me deixou para baixo, por mais que tenha discutido o assunto no CAPS e lá tenha me convencido de que era uma coisa aceitável a se fazer, não fazer nada. Não havia mais nada que eu pudesse escrever e temia que outra carta soaria redundante e poderia trazer em seu conteúdo coisas pesadas ou negativas, como a outra trouxe. Então me decidi em não fazê-lo. Sobre um cartão, como ela explicitamente mencionou, o que mais fiz na vida profissional foi fazer cartões ou anúncios de datas comemorativas e, por isso, peguei um abuso enorme por isso. Não disse isso a mamãe, nem acho que ela fosse compreender como uma justificativa plausível. O Infected Mushroom tem um som que se confunde muito com o som ambiente. Não sei se ouvi mamãe conversando com alguém ou se foi barulho da música. Isso importa porque eu quero comprar Coca, mas só posso fazê-lo quando meu padrasto acordar. 21h04. Ouvi a voz do meu padrasto.

22h42. Estou percebendo que ando desistindo de coisas quando começam a me desagradar ou por não serem como imaginei. Ou seja, estou mais intolerante. Talvez amanhã tenha celebração do aniversário do meu primo que morou aqui no prédio aqui na piscina. Tomara que realmente ocorra. Seria ótimo reencontrar essa turma. É também o dia que meu amigo cineasta ficou de combinar os detalhes do documentário. Acho que quero me deitar e dormir.

0h07. Peguei a chave para o mestre do dungeon no Zeldinha. Acho que vou me preparar para dormir levando em conta que pode haver a festa do meu primo amanhã. Não sei nem por que estou escrevendo isso se nem sei se vou publicar. Ou posso publicar e não divulgar. Estou com uma leve inclinação para assistir “The AO” (ou “OA”, sei lá). Mamãe disse que era de ficção científica e que era interessante. E parece que tem até o final, mas não dou certeza disso.

-x-x-x-x-




21h02. Acabei de ver um vídeo impressionante de Amon Tobin, “Islam Live” cuja iluminação do placo, todo formado por cubos, utiliza essas modernas técnicas de projeção com mapeamento tridimensional e computação gráfica. Sinceramente achei a música meio chata, mas o visual é deslumbrante, a música serve como trilha para o que ocorre com o palco, ou melhor, com o que é projetado no palco, visto que o palco é estático, o que se movem são as imagens, por mais que haja a ilusão de que o palco está se movendo em diversos momentos. Muito interessante. O aniversário foi divertido, gostei. Vi gente que há muito não via e isso foi bom. Acho que consegui interagir bem. Bem mais que na última ida à Casa Astral, sem dúvida, mas fiz mais o papel de entrevistador do que de entrevistado devido ao pouco conteúdo que tenho a acrescentar, pois minha vida é composta por um ciclo de atividades muito restrito. Não ia ficar falando do que debati no CAPS, muito menos sobre o que escrevo, então não tinha, nem tenho, muito a dizer. Peguei algumas dicas de música, estou ouvindo agora Ampex Twin, “Syro” o nome do disco, e estou achando muito mais interessante que Amon Tobin. É bem relaxante e viajado. Bom para escutar tendo fumado unzinho. Como assistir pela primeira vez o show de Amon Tobin também seria. Talvez, se a ocasião se apresentar, eu encare uma segunda assistida ao show nesse estado. Mas acho difícil. A ocasião se apresentar, digo. Assistir tudo de novo de cara acho mais difícil ainda. Não sei. Veremos. Depois de ouvir esse disco e os outros dois que meu primo me indicou, eu tento Wilco. Ouvi falar muito bem da banda. Perguntei como impulsionar o meu blog e a namorada do meu primo me falou para eu pesquisar sobre SEO, que parece que significa Search Engine Optimization. Acho que, pelo que significa o acrônimo, não vai funcionar para o meu caso, visto que escrevo sobre mim, não saberia que palavras-chave utilizar para atrair mais público. Mas vou dar uma pesquisada. Achei o documento da Google que a namorada do meu primo indicou, mas confesso que não tive saco para ler. Achei que era algo complexo e chato demais para investir o meu tempo. De qualquer forma, deixei a aba aberta (mais uma!) para, quem sabe, futuras consultas. Embora ache que o que vai acontecer é que não lerei e não utilizarei nenhum artifício para maximizar o número de hits do meu blog. Vou continuar a fazer da maneira que sempre fiz, afinal isso não é um espaço comercial, isso é simplesmente eu e minha escassa vida social. Esse post, por exemplo, nem vou divulgar nos grupos, nem sei bem por quê. Meu amigo cineasta, que também estava na festa de aniversário, reiterou a veracidade do documentário e disse que talvez viesse no São João, quando, pelo que entendi, começaríamos. Falei com a minha irmã hoje e ela me incentivou a fazer a viagem à Alemanha. Acho que vai ser melhor do que estou esperando. Sobre encontrar com os vizinhos, confesso que não estou nenhum pouco motivado a isso. Se pudesse simplesmente não cruzar com eles seria melhor. Muito melhor. Tremendamente melhor.

22h45. Acabei de tomar os remédios e já penso em me deitar. Amanhã é dia de CAPS. Gostaria de saber a natureza da mudança de uma pessoa para comigo, mas é uma questão para a qual não vejo meio de obter resposta, visto que não posso perguntar a ninguém, nem a pessoa. Queria entender também como me tornei assim tão recluso, não consigo fazer o caminho inverso e perceber quando esse movimento começou pois me falta memória para isso. Eu costumava ser alegre e falante, hoje tenho dificuldade em me posicionar (fisicamente mesmo) dentro de uma roda de conversa, como aconteceu diversas vezes na minha última ida à Casa Astral. Fiquei de fora de várias rodas de conversa, com o mesmo núcleo de pessoas – algumas variavam – que se formavam e se diluíam quando as ditas pessoas iam se locomover de um ponto para o outro da festa. Fiquei intrigado comigo mesmo e principalmente com eles que me sabendo parte do grupo, não abriam espaço para eu adentrar. Agora vejo que a culpa não foi exclusivamente minha, eles se fechavam como se eu não estivesse ali. Isso me incomodou um pouco, mas não muito, não queria realmente fazer parte daquelas rodas. Não querer fazer parte das rodas me incomoda bem mais. Mas fato é também que não possuía intimidade com nenhuma das pessoas, a não ser o meu primo-irmão. O contrário aconteceu hoje na festa onde poucos eram os que eu desconhecia. A maioria eu conhecia superficialmente, mas havia aqueles com quem realmente me dou bem e fazia questão de estar próximo a essas pessoas. Acho que meu desempenho social hoje foi aceitável. A namorada do meu primo falou do irmão deste, em como ele trata todos da mesma forma e como todos sempre tem ótimas impressões dele. Eu só pensava “um dia já fui assim, o que aconteceu comigo?”. Eu não sei a resposta, só sei que hoje não sou nem sombra do ser social que um dia fui. O mais estranho é que me sinto bem como sou agora, não estou deprimido ou coisa do gênero, pelo contrário, acho que nunca me senti tão bem comigo mesmo. É como se eu me bastasse, mas isso não é completamente verdade, pois ainda gosto de interagir com os meus amigos. Mas é como se eu me bastasse mais do que jamais me bastei. Esse eterno diálogo comigo mesmo através destas palavras muito me apraz e, por vezes, várias vezes, prefiro estar aqui que estar numa balada. Acho que estou ficando velho para baladas. Cansado delas. Gostaria muito mais de sentar num lugar e trocar uma ideia, conversar, como em parte fiz hoje. Na mesa estava meio impraticável, pois estavam tocando músicas sem parar, mas na roda de fumantes na calçada era ótimo para bater um papo, até que a chuva chegou e atrapalhou bastante essa dinâmica. Mas interagi bem, eu acho. E gostei de ter interagido. Gostei de Amphex Twin, é realmente um som eletrônico bem trabalhado. Estou ouvindo agora Flying Lotus que é meio jazz e bem acelerado, até o momento. É definitivamente black music. Acho que mistura elementos eletrônicos com instrumentos convencionais, a duração das músicas é curtíssima, principalmente em se comparando com os demais expoentes de eletrônica que ouvi, cuja média de duração de uma música é de mais de seis minutos. Era black music, até a quinta ou sexta faixa, agora ficou mais eletrônico. É curioso e não me desagrada. Meu primo detonou o Infected Mushroom, como se fosse música de segunda categoria comparado aos discos que me recomendou. Confesso que até agora o que mais gostei foi Amphex Twin. O Flying Lotus não é ruim, mas me parece mais jazz e hip-hop que música eletrônica. O disco tem 18 músicas, mas não deve ter muito mais que meia hora, 40 minutos, no máximo. O último que falta é Terry Riley, “A Rainbow Curved In C”, que meu primo disse que “é o começo dessa porra toda”. Estou curioso para ouvir esse. O Flying Lotus é outro bom som para ouvir depois de ter fumado unzinho. Nenhum deles parece propaganda de celular, como o meu amigo da piscina definiu o Infected Mushroom. Hahahaha. Entretanto, apesar da posse desses novos conhecimentos musicais, não desisti de comprar o(s) CD(s) do IM. Pretendo comprar o “Army Of Mushrooms” com certeza e provavelmente o “Friends Of The Mushrooms Deluxe Edition”. Gosto dos Mushrooms e pronto.

23h44. Estou ouvindo agora Terry Riley. Não achei o disco a “A Rainbow Curved In C”, vi que há o “In C” e que há o “A Rainbow In Curved Air”. Optei por ouvir esse último. É mais orgânico que a música eletrônica de hoje. Ou assim me parece. Embora ache que ele só esteja usando elementos eletrônicos. E tem a repetição de temas da música eletrônica. De todos os discos, o menos interessante para mim até o momento. Mas também não é ruim. Só estou achando um pouco agudo demais. O disco é composto de duas músicas, uma de cerca de 19 minutos e outra de cerca de 22 minutos. O que menos gostei de tudo foi Amon Tobin. Aliás, não gostei de Amon Tobin. Pelo menos das músicas do show. Achei chato, cansativo. Mas não sou entendido de música como o meu primo é. Ele está num estágio de evolução musical muito mais elevado do que eu. A julgar pelo que ouvi de Terry Riley até agora, as duas coisas que ouviria novamente seriam Amphex Twin e Flying Lotus. Mas estou curioso para ouvir de Terry Riley ainda, o In C, que é 1968, para ver se o cara já flertava com eletrônica dessa forma desde aquela época. Mas não o farei hoje, o disco tem uma música de 42 minutos. Assim vou dormir depois de uma da manhã e não quero fazer isso. Mas amanhã sem dúvida escutarei. E com as impressões dessa audição, fecharei este post. Vou pegar Coca.

0h07. O problema de Terry Riley, que não é de forma alguma uma música inacessível para mim, é a duração das faixas. Eu sei que isso é frescura da minha parte, mas é o que me chega. E eu acolho. Estou gostando até mais da segunda que da primeira. Mas continuo achando muito agudo, embora menos que a primeira. Talvez seja a ausência de baixo que me cause essa impressão por mais que tenha um som constante e grave bem lá no fundo. Agora ficou parecida com a primeira música. Estou curioso para ver o que esse cara vai inventar para encher mais de 40 minutos de música. Começo a achar o som chato e repetitivo. Tem gosto para tudo mesmo. O meu é muito pouco elaborado eu creio, acho que gosto das coisas mais básicas mesmo.

0h18. Vou falar de outra coisa que como comentarista musical eu sou uma negação. Mas ficam aí as dicas do meu primo para música eletrônica, quem quiser sacar, tem no Spotify. Queria fazer uma coisa outra que escrever nesse momento, mas não há nada que deseje de fato. Queria fazer as minhas compras na Amazon, mas minha mãe ainda não desbloqueou o meu cartão. E reativar o meu Uber.

0h25. Coloquei o “In C” para ouvir. Ele usa muito delay ou reverb, sei lá, algo que faz o mesmo trecho musical se repetir indefinidamente. Acho que era o recurso eletrônico que havia na época. Realmente parece com os primórdios das músicas eletrônicas de hoje. Pela repetição e pequenas variações sobre o tema. Vi a nova lista dos cem melhores jogos de todos os tempos da IGN. Há muitos jogos que gosto, achei a lista justa, só não na parte das colocações, mas sempre vai haver dilema e debate em relação aos melhores jogos de todos os tempos. Vale ressaltar que a maioria eu não joguei. Quero ver “Ex Machina” de novo. Deu vontade. Mas o site de onde baixo está fazendo aparecer uma página muito ozzy simultaneamente, muito difícil de sair dela e com muita cara de ser algo que instale um vírus no meu computador.

0h54. Consegui. A música interminável de Terry Riley é ótima para escrever visto que altamente repetitiva, com porquíssimas variações. Consegui colocar “Ex Machina” e “A Cure For Wellness” para baixar. Achei a resenha desse último curiosa e me deu vontade de assistir. Com isso vou enchendo o meu HD de filmes. Preciso assisti-los e apagá-los. Vou pegar mais um copo de Coca e comer um pouco de farinha láctea. Estou com uma fome da murrinha.

1h01. Comi duas boas colheradas de farinha láctea. É por isso que não emagreço. Por isso e talvez pelos remédios. E talvez por causa da retenção de líquidos, uma vez que tomo vários litros de Coca por dia. Sei lá. Algo me impede de emagrecer. O sedentarismo ajuda, sem dúvida. Espero que a chuva pare daqui para amanhã senão não poderei ir ao CAPS, minha rua está completamente alagada. E não vou me meter nessa água imunda e chegar lá todo molhado. Acabou-se a música de Terry Riley. Vou voltar para IM um pouco. Vou também ligar o ar para ir dormir. Fumar o último cigarro do dia, encher a Coca e ir para cama.

-x-x-x-x-

14h17. Já fui e voltei do CAPS. Há algum tempo, mas fui almoçar com mamãe e, antes, ela foi me mostrar tudo sobre o meu cartão de crédito. Parece estar tudo operacional. Cadastrei no Uber e realizei uma compra na Amazon, só dos CDs, meu amigo cineasta disse que não precisava comprar câmera, que ele iria arrumar uma para mim, o que me desonerou bastante. Como havia dito comprei os dois CDs do Infected Mushroom e dois do Nirvana, pois saía o mesmo preço comprar o “Nevermind” (que também não tenho) e o “In Utero” que só comprar o “In Utero”. E ainda, pelo que entendi, seria uma compra direta da Amazon, não de um fornecedor terceirizado. Confio mais. Meu amigo cineasta me confessou que gostaria de voltar a ser criança. Eu entendo e compartilho o mesmo desejo, o que de certa forma alcancei com a curatela, com todos os bônus e ônus da situação. Os ônus sendo me submeter às vontades da minha curadora, minha mãe, que disse que ligaria para o psicólogo hoje, mas foi tirar um cochilo que provavelmente impossibilitará a marcação do atendimento. É a vida. Mas estou mais que satisfeito com o cartão, já foi uma grande conquista. Ter de volta a liberdade de ir e vir com o Uber e ainda ser mais difícil ter o cartão bloqueado, pois o meu nome é o mesmo do cartão. Estou ouvindo Wilco, o álbum “Yankee Hotel Foxtrot”, sugestão do meu amigo cineasta. Não me tocou. E tem uma música, “Pot Kettle Black”, cujo violão da introdução é chupado descaradamente de “In Between Days” do The Cure, tanto que pensei que era uma cover, mas depois a música muda bastante. Achei que têm influência de Beatles e não gostei dos vocais. Nada contra os Beatles, entretanto. Aliás acho quase impossível alguém não gostar de algo dos Beatles, visto que fizeram músicas as mais variadas. Mas o Wilco achei fraco. Acho que vou de Interpol depois de Wilco, acho que ouvi a banda durante o último internamento no Manicômio e achei a minha cara. Gostava das músicas de primeira. Se Wilco é bom, entende-se porque Radiohead é tão cultuado. Está léguas além, muito embora sinta saudades do Radiohead do “OK Computer”, do Radiohead que fazia músicas com a energia de “My Iron Lung”, mas, como meu amigo cineasta pontuou, essa não é mais a viagem dos caras. Pegar Coca. 14h53.

14h55. Minha leitora número um, Carmem, disse que continuaria a ler meus posts mesmo depois que as perguntas filosóficas acabassem, para a minha grande alegria. Disse que quer assistir o documentário, mas está pensando grande demais se acha que vai entrar no circuito cinematográfico. Se for realizado, o que para mim ainda é uma incógnita, será disponibilizado no YouTube. No máximo! Hahahaha. Ou assim creio. A resolução HD (1080 por 720) não é grande o suficiente para as telas de cinema e duvido que passe na TV as well. É um projeto caseiro do meu amigo. Entrou o disco anterior ao “Yankee Hotel Foxtrot”, o “Mermaid Avenue Vol. II” e o vocal do cara está bem melhor, além de ser um disco mais acessível que o outro. Ainda lembra muito Beatles, mas sem o brilho desses. Realmente não acrescenta nada ao que já ouvi e até agora não veio aquela canção linda ou viajante que me arrebate. Vou tentar o Interpol. Acho que esse era o nome da banda que ouvi quando internado. Vamos ver.

15h09. Coloquei o “El Pintor” do Interpol e não estou gostando muito, porém estou gostando mais que do Wilco. Estou achando que este disco tem mais influência do Pink Floyd. Gosto mais dos arranjos. Não gosto tanto de Pink Floyd. Também conheço muito pouco, o que é um vexame, eu sei. Também conheço quase nada de Led Zeppelin. E se for citar os medalhões do rock que desconheço, passo vergonha aqui. Conheço muito pouco de Rolling Stones e o pouco que conheço não me atrai. Gosto bem mais de Interpol que Wilco até agora. É mais rock de arena, mas tem mais alma que Coldplay. Coldplay não me desce também, não sei por quê. Tinha tudo para eu gostar, mas falta algo à banda que não sei especificar o que é. Hoje no grupo AD pediram para ilustrar como eu sou recaído. Desenhei Hannibal Lecter, o psicopata de “O Silêncio dos Inocentes” todo amordaçado e preso, mas com o pin da caneta escondido na boca, pois é assim que me sinto recaído. Um psicopata, totalmente desprovido de valores morais que sempre encontra uma maneira de conseguir o que quer, qual seja, a liberdade de usar a cola. Se não tivesse saído tão rapidamente do CAPS, poderia ter trazido o desenho e escaneá-lo para ilustrar esse post. É uma pena que não tenha considerado isso. A priori só havia eu e mais outro na sala, mas chegou a usuária que talvez leia meu blog (pelo menos já leu). E acho que vou acabar o post por aqui. Estou gostando de Interpol. Acredito que os trabalhos mais antigos possam ser ainda mais agradáveis aos ouvidos.


15h55. Por que sempre me dá um anticlímax depois de cada compra online que realizo? É porque isso não lhe preenche, idiota! É vero. Mas comprei os únicos CDs que eu desejava comprar, a não ser que Björk, The Cure, Strokes, Caetano, Camelo, Amarante ou Mallu lancem algum CD novo. Ah e New Order e Depeche Mode. Já Chico, não me agradei muito dos últimos dois discos. Gosto de vê-lo mais de bem com a vida e mais descontraído, mas gostava mais da sua poesia do passado. Ainda não tenho certeza se foi Interpol que ouvi no internamento. Por falar em internamento, preciso digitar os diários. Vou terminar esse post por aqui. Revisar, postar e digitar.

sábado, 27 de maio de 2017

QUESTIONAMENTOS FILOSÓFICOS XIV




139 – Podemos ter opiniões objectivas?
Não. Opiniões, por sua própria natureza e definição, são subjetivas.

138 – Certeza é verdade?
É uma verdade pessoal subjetiva que pode não corresponder à verdade do outro.

137 – O futuro pode influenciar o passado?
Se de alguma forma algo for revelado no futuro que tenha forte correlação com um acontecimento passado que faça ver tal acontecimento por outra perspectiva, acredito que sim. Afora isso, só a Suprainteligência Universal pode, do futuro, enviar ao passado mais longínquo, o espaço-tempo zero, o estímulo capaz de gerar o Big Bang com propriedades que inevitavelmente levarão ao surgimento da própria Suprainteligência Universal, ou seja ela criará o universo para poder gerar a si mesma.

136 – Posso sobreviver à morte do meu corpo?
Só se você estiver vivo quando a Singularidade for capaz de fazer o upload de mentes para dentro de sim, senão não. Morreu, acabou.

135 – Quando devo perdoar?
Sempre. Embora nem sempre seja tão fácil ou possível.

134 – O que é a alienação?
Eu sou um alienado, me concentro apenas na escrita e escrevo só sobre mim, assim me alienando de todo o resto. Alienação é o estado de estar alheio ao que acontece ao mundo ao seu redor, não é muito mais que isso.

133 – O que é a amizade?
É a relação não familiar e não romântica mais íntima que você pode ter com outra pessoa.

132 – O que é ser amigo?
É estar presente para celebrar e compartilhar os momentos bons e oferecer ombro e apoio nos momentos difíceis.

131 – Quando é que o meu eu-pessoal se opõe ao meu eu-social?
No meu caso, quase sempre. Estou virando um ser cada vez mais recluso, logo meu eu-pessoal sobrepuja e reprime o meu eu-social. Este último tem cada vez menos importância para mim, o que é deveras preocupante. Acredito que o eu-pessoal é algo bem maior que o eu-social, ou eu-social são facetas ou máscaras que o eu-pessoal usa de acordo com a ocasião, por exemplo o eu-social que apresento quando estou com os amigos é diferente do eu-social que apresento quando estou em reunião com minha família materna. Embora, como já disse, a reclusão me leva a pertencer a ambos os grupos de forma meio isolada, distante, pouco participativa ou ativa.

130 – O que é ser virtuoso?
É ser igual ao meu irmão. Ter valores e comportamentos morais elevados segundo todos os parâmetros. É ser uma pessoa boa e não fazer propaganda disso. Como disse, é ser igual ao meu irmão.

129 – O que é a angústia?
É um sentimento detestável advindo de uma situação de vida que se tem como insuportável.

128 – O que é uma pessoa?

127 – Seria bom se conhecessemos tudo?
Eu acharia, embora não acredite que tenha capacidade cognitiva para isso. Ainda. Mas a Singularidade Tecnológica está chegando.

126 – O que nos faz pensar?
Tudo. Todo e qualquer estímulo e até a falta de estímulos, embora a falta de estímulos seja uma situação utópica, sempre estamos a receber estímulos, mesmo que apenas dos nossos sentidos. Dizem que quem medita esvazia a mente, mas acredito que mesmo nesse estado está se pensando em algo: no vazio da mente. Pensar é ser.

125 – É possível ter a certeza de alguma coisa?
Não, mas mesmo assim temos inúmeras certezas que nos dão segurança para existirmos e agirmos na realidade.

124 – É possível conhecer a verdade?
É possível conhecer os fatos.

123 – O real é pensável?
É, mas de maneira subjetiva, o que distancia o pensamento do que é real de fato. A ciência é nosso melhor esforço para pensar o real de forma objetiva e imparcial.

122 – Toda a ignorância é igual?
Não, até porque a palavra tem mais de uma acepção. Podemos tratar alguém com ignorância, o que significa sermos agressivos ou intolerantes ou violentos de alguma forma com outrem. Podemos ignorar alguém, ou seja, não dar atenção a determinado indivíduo. Mas indo ao que a questão realmente quer dizer, na minha opinião, cada um de nós é ignorante de uma forma diferente. Somos muito mais ignorantes que sábios. Sabemos muito pouco do tudo que há. Cada um sabe a sua parte e sabe de si. E mesmo a soma de tudo o que sabemos não abarca a realidade toda.

121 – Devemos silenciar as opiniões erradas?
Erradas para quem? Não acho que devemos silenciar as opiniões de ninguém, todos têm o direito de manifestá-las, por mais destoantes que possam ser das minhas.

120 – O que é conhecer algo?
É algo impossível, visto que não conseguimos conhecer nem a nós mesmos. Mas diria conhecemos mais algo à medida que temos mais intimidade com este algo.

119 – Não provar a culpa prova a inocência?
Acredito que juridicamente, sim. Em todos os outros âmbitos acho que não.

118- Quando é que devemos evitar a verdade?
Eu evito dizer a verdade – omito – quando posso magoar desnecessariamente alguém. Por exemplo, dizer que acho alguém feio, para que vou dizer isso?

117 – O que é a transparência?
É a propriedade que certos materiais têm de serem translúcidos, como o vidro. Hahahahaha. Falando um pouco mais sério, seria não ter segredos, o que é praticamente impossível. A transparência seria aproximar ao máximo o eu-social do eu-pessoal, mas só os loucos são transparentes, pois expressam tudo o que realmente sentem e desejam.

116 – O que é a liberdade?
O que a Singularidade vai nos dar em grau que nossas limitadas mentes sequer podem imaginar. E mesmo assim não será a liberdade completa, pois esta não existe. É um conceito utópico, platonismo.

115 – As regras limitam a liberdade?
Sem dúvida. É para isso que as regras servem para limitar as liberdades individuais visando, via de regra, o bem social.

114 – Quem sou eu?
Sou este que pensa essas palavras idiotas.

113 – O que é um “eu”?
É uma produção da mente que se reconhece a si mesma.

112- Uma criança que não fale é um “eu”?
Sim. Cachorros também não falam, mas acredito que tenham uma noção de eu.

111 – Há mais que um “eu”?
Há um eu para cada habitante da Terra. Mas falando de um indivíduo só, acredito, como foi aventado em uma das questões anteriores, que há o eu-pessoal e diversos eus-sociais, um para cada situação ou grupo social em que se está inserido. Isso sem falar nas diversas percepções que as pessoas com quem convivo têm do meu eu.

110 – O que é que em mim é só meu?
Tudo em mim é só meu. Ou deveria ser. Por mais que tenha pontos em comum com os demais. Meu corpo e o eu que ele produz são só meus. Posso até repartir tanto o primeiro quanto o segundo com os demais, mas continuam sendo meus.

109 – O que é que em mim é dos outros?
A parte de mim que reparto com a sociedade. Mesmo assim tenho a impressão que o que reparto com os outros continua sendo meu.

108 – Eu sou o meu corpo?
Não só. Existe a mente que é algo produzido pelo corpo, mas que não é o corpo.

107 – Eu sou os meus pensamentos?
Sim, principalmente. E o corpo também.

106 – Há verdade sem conhecimento?
Acredito que não, se eu possuo uma verdade é porque a conheço e a compreendo.

105 – Há conhecimento sem verdade?
Há, basta que ensinem-nos uma mentira. Teremos conhecimento da mentira e até poderemos a ter como verdade, mas de fato não é.

104 – Existem vários tipos de verdades?
Uma para cada habitante da Terra. Embora haja muitos pontos em comum entre as verdades de cada um. Todos, por exemplo, por experiência empírica, acreditam que o sol vai nascer amanhã.

103 – Existe verdade sem linguagem?
Sim, a verdade dos sentidos e dos sentimentos.

102 – Para que serve a verdade?
Para que a busquemos. Para que exista honestidade.

101 – É possível pensar sem qualquer referência à verdade?
Não. Até a pensar numa mentira necessita que pensemos na verdade e numa forma de anulá-la. Lembrando que a verdade é subjetiva.

100 – É possível pensar sem qualquer referência aos valores?
Não. Atribuímos a tudo que pensamos um valor positivo ou negativo ou ambivalente, mesmo que não nos apercebamos claramente disso. Lembrando que os valores também são subjetivos.

99 – Devemos confiar na nossa consciência?
Eu confio, por mais que o meu superego seja muito tirânico comigo. Mas aos poucos estou aprendendo a dominar o bicho e não me culpar tanto.

98 – Devemos confiar nos nossos instintos?
Não confio nos meus. Meus instintos sempre tendem a me colocar em roubadas ou me impedem de tomar certas atitudes necessárias (como o instinto que me impede de me aproximar de uma garota da qual esteja interessado por achar que levarei um fora).

97 – Podemos violar todas as leis?
Não podemos violar as leis da natureza, como a gravidade. As leis dos homens podemos violá-las todas, mas não creio que deveríamos, embora acredite também que as leis dos homens sejam muito primitivas e não reflitam a democracia de fato.

96 – O presente é mais real do que o passado e o futuro?
Sim. O passado são memórias e memórias falham (a minha falha bastante) e o futuro ainda não é, logo não é real ainda. Só o agora é real. Pelo menos para seres com cognição limitada como a nossa. A Singularidade talvez desenvolva uma compreensão de tempo muito mais sofisticada que a nossa. E sua memória vai ser infalível visto que arquivada ciberneticamente.

95 – O óbvio é o verdadeiro?

94 – Os pensamentos podem doer?
Sem dúvida. Pensamentos de culpa, ódio, mágoa, angústia, depressão etc. causam muito sofrimento.

93 – Se tudo tem um fim o que é que tem valor?
O agora.

92 – Existe o nada?
Isso é um paradoxo. Pois o nada é a inexistência, porém, vejamos o nada desdobrado num conjunto matemático e veremos que ele é maior que tudo.





91 – Pode ser legítimo matar?
Só se for matar animais para alimentação. Ou um aborto de um feto indesejado.

90 – Há arte sem beleza?
Hoje em dia, sim. Há arte que é feita para chocar ou questionar, não necessariamente para gerar beleza. Falando em arte stricto sensu. Para mim tudo o que é feito com paixão, dedicação e esmero é uma arte (lato sensu).

89 – A beleza é importante para nós?
Para mim é indispensável, dou muito valor à beleza, talvez até mais do que a maioria das pessoas. É um defeito meu que não sei como me desfazer. Nem sei se quero. Sou suspeito para responder essa.

88 – Há verdade no erro?
Sim. Quando se comete um erro afeta-se a realidade da mesma forma, provocando uma alteração verdadeira na realidade.

87 – Podemos conhecer tudo o que há?

86 – O tempo é real?
Sim. Einstein provou. Espaço-tempo, tudo uma coisa só quadridimensional

85 – O amor é cultural?
Não sei. Sei que o amor da mãe pelo filho é algo universal. O amor romântico pode ser cultural, mas sofro dele deveras.

84 – A vida vale a pena?
Nem sempre. Só quando se quer viver.

83 – A filosofia pode ser prática?
Os valores filosóficos podem ser postos em prática. E há a lógica. Do mais, não sei. Não sou versado em filosofia. Se prática é sinônimo de objetiva, acho que não. Embora as ciências que derivam da Filosofia trabalhem com o universo objetivo através de suas metodologias experimentais.

82 – O que é a filosofia?
Acho que é pensar sobre a vida. Se questionar.

81 – O outro é um limite à minha liberdade?
Sem dúvida. A minha liberdade acaba onde a do outro começa.

80 – Porque existe o mal?
Por causa da carga genética herdada de nossos ancestrais, por causa do nosso lado primitivo, irracional, de traços evolutivos hoje desnecessários que tomam conta quando o nosso bom-senso falha ou nos falta. A ganância e a ambição são dois traços que ao mesmo tempo em que nos impulsionam para buscar mais e melhor para nós e para os nossos e gerem desenvolvimento, também podem levar à corrupção e à maldade. A violência, nem se fala. Tudo o que é violento é mal, a não ser que em legítima defesa.

79 – Existe o bem e o mal?
Existe uma simples constatação: o que dói ou fere a mim, dói ou fere o outro. De posse dessa constatação, a base do bom-senso, na minha opinião, pode se escolher ferir ou não ferir os demais. Os que ferem sabem que estão fazendo algo mal, o que ajudam o ferido fazem o bem. Então, sim, existe o bem e o mal, pelo menos para os homens. Fora dos homens, acredito que não.

78 – A vida tem sentido sem Deus?
Sim, sim. Se não acreditasse na Singularidade, no que creio com ressalvas, a vida teria sentido do mesmo jeito pois hoje gosto de viver. Para mim a vida só tem sentido se se gosta de vivê-la.

77 – Por que é que a vida ganha sentido com Deus?
Não acredito em Deus. Repito a vida não tem sentido maior, transcendente, a razão para viver é uma única para mim, gostar de viver. Quando não se gosta de viver, não há sentido em permanecer vivo, pelo menos era assim que me sentia quando odiava viver por causa do manto negro da depressão que me envolvia.

76 – Somos livres?
Só da cuca para dentro. Minto, nem mesmo aí, pois há o superego para nos azucrinar e reprimir.

75 – Perguntas filosóficas podem ter respostas empíricas?
Não sei. Sinceramente, essa eu pulo.

74 – A filosofia depende da ambiguidade dos termos?
A ambiguidade dos termos certamente ajuda bastante, visto que cada um pode empresta-lhes diferentes significados, desencadeando assim novas correntes de pensamento.

73 – Pode a filosofia morrer?
Todo homem é um filósofo, sempre nos questionaremos sobre o porquê das coisas, logo, acho que não.

72 – Os conceitos podem ser bonitos?
Sem dúvida. O conceito de valor moral é belíssimo.

71 – É possivel criar uma necessidade?
Com certeza. É a mola-mestra do capitalismo. Basta a Nintendo lançar um novo jogo de Mario ou Zelda ou Metroid que uma necessidade de tê-los e jogá-los irrompe em mim. Se bem que ultimamente estou sem saco para videogames. Ou a Sideshow lançar um boneco que realmente ache belo. Ou o The Cure ou Björk ou Strokes lançarem um novo álbum. Tudo necessidades criadas. Pensar que vivi num mundo sem internet, que por longos anos não tive acesso a computadores, coisas que hoje são fundamentais para o meu bem-estar e para o meu modo de ser e estar no mundo. O documentário que meu amigo disse que planeja fazer comigo me gera uma nova necessidade: a de ter uma câmera. E por aí vai. As necessidades básicas permanecem as mesmas, entretanto, mas acredito que hoje, para a maioria dos humanos, não são suficientes para preencher o vazio existencial gerado pela nossa cultura.

70 – É melhor filosofar sozinho ou acompanhado?
Mil vezes sozinho. Realmente não gosto de trabalhar em equipe. Não teria paciência para as divergências de opiniões e as infindáveis discussões até a chegada de um consenso. Sozinho é bem melhor para o ser antissocial que me torno.

15h57. Como previ, o meu cartão de crédito chegou hoje. Precisamos desbloqueá-lo e liberá-lo para compras internacionais. Para ver se posso comprar a câmera se essa se fizer realmente necessária. Além dos CDs do Infected Mushroom e do Nirvana. Mais perguntas. Quero ver se acabo isso hoje. Ou pelo menos chego até à quadragésima pergunta.

69 – O que é a beleza para um cego?
Tudo o que os demais sentidos lhe proporcionarem de superiormente agradável e prazeroso.

68 – Os homens são máquinas?

67 – O que é ser bom?
É não fazer mal aos demais e, se possível, fazer o bem sempre que conveniente. É ser que nem o meu irmão. Vocês precisam conhecer ele para crer.

66 – Quando é que a segurança limita a liberdade?
Sempre, mas, quando não por neurose, por um bom motivo.

65 – As regras limitam a minha liberdade?

64 – Um escravo pode ser livre?
Só nos pensamentos. Acho absurdo que ainda existam formas de escravidão hoje em dia, casamentos forçados, tudo isso é absurdo e incompatível com a realidade em que vivemos. Embora isso seja parte da realidade em que vivemos, infelizmente.

63 – A filosofia opõe-se à vida?
Não. Não vejo por que isso. Meditar sobre a vida é uma forma de vivê-la.

62 – A filosofia conduz à felicidade?
Não sei, não entendo nada de filosofia, o que sei é que pode conduzir à morte, pois vários alunos de filosofia de mente mais fraca já se jogaram do alto prédio de ciências humanas da universidade onde estudei.

61 – O objectivo da filosofia é a felicidade?
Eu pensei que era a busca da verdade, mas posso estar enganado, reitero que nada sei de filosofia. Mas acredito que aos filósofos que criam uma nova vertente filosófica deve trazer alguma felicidade pelo feito, sim.

60 – O amor traz felicidade?
A mim me traz, mas depende do amor. Se for um amor excessivamente dependente ou demasiadamente protetor, dentre outras formas de amor desequilibrado, não-saudável, pode gerar infelicidade.

16h26. Vou comprar duas Cocas ali embaixo e volto para ver se dá tempo de responder mais dez. Ia falar com o meu irmão, liguei para ele, mas mamãe apareceu e como era aniversário dela, eu a deixei com o telefone e ela desligou. Não vou ligar de novo, pois ele deve estar trabalhando agora.

16h46. Voltei. Vamos às perguntas.

59 – A poesia pode ser filosofia?
Não vejo por que não. Fernando Pessoa tinha poesias bastante filosóficas.

58 – O homem descobre-se ou inventa-se?
Acho que os dois. Mas acho que descobre-se mais do que inventa-se. Assim me parece que ocorre comigo. Pouco de mim eu acho que inventei. Se o fiz foi mais na infância. Fora a minha crença que inventei na vida adulta. E que, por sorte, houve alguém de renome para dar algum respaldo, pelo menos à parte inicial dela.

57 – Em que é que filosofar se equipara a morrer?
Não consigo ver correlação, a não ser que filosofando gasta-se tempo, logo aproxima-se da morte ao filosofar. Pode ser também a morte metafórica do ser que se descobre algo diferente ou maior com a filosofia, morrendo e renascendo como a fênix.

56 – As ideias podem impedir-nos de pensar?
Essas perguntas estão ficando cada vez mais complicadas. As ideias, para mim, são o suprassumo do pensar. Ter uma ideia é usar a mente da forma melhor e mais criativa possível. Quem tem uma ideia amplia o seu mundo e os do que o rodeiam.

55 – A nossa personalidade impede-nos de pensar?
A nossa personalidade pode direcionar e talvez limitar as nossas formas de pensar, mas não consigo imaginar nada, a não ser um coma, que nos impeça de pensar. Até no sono pensamos.

54 – A arte é uma linguagem?
Sem dúvida. Todas as formas de arte são formas de comunicar, nem sempre o belo ou apenas o belo, quase nunca apenas o belo.

53 – A música é uma linguagem?
A música para mim é uma forma de arte, então vale a resposta acima, ou seja, sim, é uma forma de comunicar, muitas vezes de protestar.

52 – As crianças sabem fazer filosofia?
A famosa fase dos por quês das crianças o que é se não uma forma de filosofar de conhecer e indagar sobre a realidade que os cercam?

51 – O “Penso logo existo” é necessáriamente verdadeiro?
Para mim é. É a única certeza que eu tenho. E novamente ressalto que falo da frase por ela mesma, sem nenhuma conexão com a corrente filosóficas de onde surgiu ou foi baseada.

50 – Sem ideias haveria beleza?
Sim, pois há muita beleza na natureza. A pergunta mais intrigante para mim seria, sem natureza, haveria beleza? Pois julgo que toda a beleza provém em primeira instância da natureza. A beleza não é necessariamente algo criado. Uma linda garota não é uma ideia, simplesmente é e encanta. A mãe é para a criança a beleza suprema, antes mesmo de entender o conceito de ideia (embora as crianças sejam as pessoas mais criativas que existem).

17h10. Acho que não dá para responder mais questões agora. Estamos em cima da hora de sair. Aliás, já passamos da hora, daqui para esse Café São Braz dá pelo menos uma hora, a depender do trânsito, que dia de sexta deve estar punk. Duvido que cheguemos lá antes das 18h40. Bem vou tentar começar a responder mais dez.

49 – A aparência influencia a maneira de ser?
Sim, sim. A minha aparência afeta negativamente a minha autoestima, pois me acho feio e só me encanto por garotas bonitas e por ser feio me intimido em ir interpelá-las.  

48 – Somos todos filósofos?
Sim, sim. Todos nós pensamos sobre a vida em algum momento dela.

47 – Quando é que a vida tem sentido?
Quando gostamos de viver. Quando fazemos algo que faz sentido para nós.

46 – Qual a origem das ideias?
Eu tenho uma teoria que todas as ideias já existem, precisa-se apenas ter os pré-requesitos específicos necessários para poder fazer o “download” do mundo das ideias e através do indivíduo que a captou manifestá-la na realidade. 

45 – O tempo existe independentemente de nós?
Sim, sim. Novamente é uma das dimensões comprovadas por Einstein tempo e espaço são indissolúveis.

44 – As ideias são reais?
Se se manifestam no real, por mais que sejam fantásticas, como um polvo voador, verde e amarelo com oito mil olhos cantando É o Tchan, ideia que acabei de ter e manifestar em forma de texto, ela está agora materializada na realidade. Ela é uma parte da realidade mesmo sendo de algo muito improvável de existir na forma física, assim como um teorema matemático. Até as ideias abstratas são reais, pois fazem parte, ampliam a realidade.

43 – Qual a realidade das ideias?
Qual o problema com as ideias em detrimentos a outros tipos de pensamento? Elas têm graus de materialidade diversos, podem ser mais abstratas como um cálculo matemático até ideias mais materiais como a do David de Michelangelo.

42 – As ideias reflectem a realidade?
Nem sempre, como as ideias da Matemática mais abstrata onde se trabalha com inúmeras dimensões, por exemplo, mas todas acrescentam algo à realidade posto que manifestas na realidade. Mesmo que ainda apenas dentro da cabeça de quem as imaginou, elas já possuem um certo grau de materialidade na minha opinião, da mesma forma que um sentimento, que qualquer um que sente pode atestar que é real.

41 – Existem verdades absolutas?
Devem existir, mas não as conheço. A verdade mais absoluta que eu tenho conhecimento é que penso, logo existo, visto que eu sou o meu pensamento.

40 – Existem verdades morais?
Não sei se é uma verdade moral, mas eu diria que o que me fere, fere da mesma forma o outro é um fato donde se pode derivar o valor moral mais básico que é o respeito ao próximo.

22h02. Deixarei as 39 questões restantes para uma outra e última ocasião. Este post já está longo demais e estou cansado de pensar filosoficamente por hoje. Cheguei agora há pouco do aniversário da minha mãe e não estou disposto. Se bem que penso em revisar tudo isso hoje, pois não tenho nada de mais interessante a fazer. Bem, talvez ver o bendito episódio de “The Walking Dead”. Mas tentarei revisar primeiro.

22h43. Revisei mal e porcamente. Falei para a minha mãe da ideia de adquirir uma câmera, a mais barata, para ajudar a compor o documentário do meu amigo de Sampa durante nossa viagem, minha e da minha mãe, para a Alemanha. Ela a princípio concordou. Mas disse antes para eu consultar o meu amigo cineasta. Acho que amigo cineasta fica melhor que amigo de Sampa. Passarei a nomeá-lo assim no meu blog, então. Não sei porque não pensei nisso desde o princípio. É algo que o define muito melhor que a cidade onde mora atualmente.

23h13. Eu sei que poderia em vez de escrevendo, estar respondendo mais questões filosóficas, mas estou receoso delas acabarem e eu ficar só comigo mesmo de novo, por isso resolvi guardar 39 para um último post de questões. Minha mente vem se cansando mais rapidamente nesses últimos dias, não sei por quê. O que quer que seja me desestimula a responder mais filosofia de botequim como a minha. E estou com mais vontade de dizer o que me vem à mente. Espero que meu amigo se manifeste mesmo no domingo. Meu primo que morou aqui no prédio disse que planeja fazer um encontro na piscina no domingo. Espero que aconteça. Sinto que tomar uma cervejinha nesse encontro não atrapalharia o meu tratamento, mas geraria apreensão em todos e é melhor não arriscar. A bebida me deixa mais sociável, mas sociável demais, o que é deveras temerário. Falo tudo o que meu id liberto pela embriaguez deseja e isso pode ser causador de problemas, como sempre foi. Fora a ressaca e o fato de que minha mãe perceberia facilmente que estou bêbado. Então não tem razão nem jeito de eu beber nesse encontro, por mais seguro que seja em relação ao crack. Melhor deixar quieto. O encontro de celebração do aniversário da minha mãe foi bem mais agradável do que poderia supor. Tive bons momentos ouvindo as histórias e vendo a família reunida se divertindo. Foi bem bom. Dei um abraço afetuoso na minha irmã, filha do meu padrasto. Achei que deveria. Ela retribuiu. É tão bom trocar carinho com quem se gosta. Não por mera formalidade, mas por um sentimento sincero. No caso, fraternal. E o melhor é que não fazia muito tempo que havia feito isso. No grande encontro da quarta, também troquei afetuosos abraços com minhas amigas psicólogas. Fiquei feliz em ver quão bem resolvidos são os meus amigos, quão saudáveis são. Isso de alguma forma me contagia para o bem. Não sou tão bem resolvido quanto eles e principalmente quanto elas. São duas mulheres adultas, mas de bem com suas vidas. Eu sou um adolescente num corpo de adulto que, graças a esforços diversos, inclusive meus, também está de bem com a vida. É verdade que ainda tenho que me entender com o meu superego e com a minha mãe. Mas vejo dias melhores se aproximando. Estou vivendo uma maré positiva e isso me dá medo. Quando a esmola é grande, o santo desconfia. Mas não vou dar uma de santo desconfiado, vou aproveitar o agora enquanto tudo está bem. Pode ser que esse estar bem perdure até o final da minha vida, não sei e não posso fazer previsões em relação a isso. Mas a possibilidade existe. Acho que vou dar uma pausa aqui e jogar um pouco do Zeldinha e ver um episódio de “The Walking Dead”.

6h06. Não consegui parar de assistir “TWD”, então não dormi. Acho que não dormirei mais, embora o sono esteja batendo agora. Fui ver se haviam surgido novos hits no meu post, mas parece que o único membro dos grupos que virou a noite e está acordado e sóbrio às 6h11 da manhã de um sábado sou eu. Hahahaha. Coloquei no carrinho de compra da Amazon a câmera, os CDs e um cartão de memória de 64 GB. A soma deu um preço meio salgado, mas acho que dentro do meu orçamento. O chato é que o dólar está em alta. Mas acho que está dentro dos limites do cartão e não há mais nada no mundo que eu deseje possuir, além do Zelda novo que meu irmão disse que me daria de aniversário. Talvez o “Persona 5” falte, mas, para descobrir, preciso jogar o “Persona 4” primeiro para ver se gosto do estilo de jogo. Haverá tempo para comprar o “Persona 5”, inclusive para esperar o seu preço baixar. Acho que dentro de alguns meses ele vai estar sendo oferecido por menos de 30 dólares. Acho que vou jogar o Zeldinha. Não, minhas costas estão muito doloridas, acho que vou tentar deitar e dormir. Mas antes, um último copo de Coca.


6h50. Já estou comendo o gelo da Coca. Saco, queria que o copo ainda estivesse cheio. É claro que posso enchê-lo novamente, mas a cada ida à cozinha eu posso acordar e receber um esporro de mamãe. Não sei se encaro o virote e fico acordado até a noite. 

sexta-feira, 26 de maio de 2017

PÁGINA EM BRANCO



Página em branco, sempre bom. Nunca intimidante, sempre convidativa. Ouvindo Infected Mushroom alto. Só a fantástica empregada está em casa, o que é uma raridade nos dias de hoje. O som está tão alto que rouba a minha concentração. A fantástica empregada veio me dar um recado e me desculpei pelo som alto, disse que estava aproveitando que não tinha ninguém em casa (como se ela não fosse alguém). Ela retorquiu que “era bom que ela ouvia de lá”. Ótimo, ela é fantástica mesmo. Hahahaha. Não estou gostando de desses “Hahahas” cada vez mais frequentes no meu blog. Porque não são coisas engraçadas para os demais, só para mim. Mas, e daí? Aqui eu posso tudo. Então posso me rir comigo mesmo. Cada vez menos gente lê os meus posts. Venho observando uma queda considerável no número de acessos. É difícil atualmente chegar a 30 visualizações. Antes chegava aos 50 hits facilmente. Acho que a novidade se esgotou para os grupos do Facebook onde divulgo isso. Fiquei abismado que o meu amigo de Sampa tenha lido o meu blog. Ele disse que achou por acaso pesquisando algo no Google no dia do meu aniversário. Pelo menos se alguém digitar “jornal do profeta” no Google, o que é deveras improvável, o meu blog é o primeiro resultado que aparece. Hoje acompanharei minha mãe à radioterapia sem falta. Uma coisa que meu amigo de Sampa disse, por sinal, acredito que nenhum dos quatro ontem tem mais pai, é que não adianta se lamentar pelo que não foi dito ou feito pelo pai que já se foi, mas tentar não repetir a mesma coisa com a mãe que está viva. Com o meu pai fiquei com a consciência relativamente tranquila, pois no final de sua vida fiz um esforço grande para me aproximar dele e redirecionar a nossa relação, para me aproximar emocionalmente dele, o que não foi tarefa fácil, visto que ele era um homem muito fechado. Mesmo assim obtive relativo sucesso. Ajudava o fato de que eu bebia à época, nós bebíamos, saíamos para tomar uma cerveja e conversávamos bastante. Aos poucos consegui me aproximar e penetrar nos seus bloqueios emocionais, mesmo que raras vezes. Enfim, sei que antes dele morrer me esforcei para um contato mais próximo com ele, então não guardei sentimento de que deixei algo por ser feito. Fiz o possível. Se ele tivesse continuado vivo, talvez evoluísse ainda mais nessa aproximação, mas, infelizmente, não foi possível. Sobre conseguir fazer o mesmo pela minha mãe, como o meu amigo sugeriu, isso para mim é muito mais complicado. Eu tenho muitas limitações com a minha mãe. Acredito que a nossa relação seja adoecida e não tenho pista de como torná-la saudável. Deposito todas as minhas esperanças na terapia que ela se comprometeu a fazer. Espero que ela realmente vá e isso surta algum efeito positivo na nossa relação. Não sendo assim, realmente me arrependerei bastante de não ter feito o suficiente para melhorar a nossa relação. Minha mãe é uma mulher difícil, principalmente em relação a mim. Tudo bem que já aprontei muito com ela, com o meu abuso de drogas e com as minhas crises de depressão, mas o nível de controle e repressão que impõe a mim, a constante desconfiança, as insinuações e chantagens, tudo isso me incomoda muito. As psicólogas disseram que eu preciso decidir quais são os limites que preciso impor e estabelecê-los através de um diálogo franco e sereno, o que é muito difícil de eu e ela termos, pois ela se exaspera logo e eu acabo me exasperando também. Ainda há dificuldade de aceitar carinho vindo dela. Estou ouvindo “Abraçaço”, pois esse disco me lembra o meu amigo de Sampa. Tenho mais facilidade em lhe dar carinho do que receber carinho dela. Sinto um profundo estranhamento que beira o asco quando ela vem me acarinhar. Não sei como reverter isso e isso é um problema meu, nada que ela alcançar na terapia vai mudar uma questão que é minha. Em suma, acho que quando ela morrer eu terei uma lista inumerável de arrependimentos e muitos “e se”, que carregarei pelo resto dos meus dias. Ou não, consiga sublimá-los. Meu cóccix já está querendo doer de novo. Tive uma crise forte durante a madrugada. Proctalgia fulgax é provavelmente o nome clínico dessa dor que sinto e que é bastante incômoda. E que não tem solução. Terei que conviver com ela até o fim da minha vida. A não ser que seja uploaded para a Singularidade e possa me livrar enfim de todas as dores e de tudo o que me incomoda. “O ciúme é o estrume do amor”, canta Caetano. Ah, o amor, o amor. Nem sei se me faz mais falta. Uma parte de mim grita que faz muita falta outra parte fala mansamente que a vida está boa e que tem medo que novo amor venha a desmantelar tudo. Odeio sentir ciúme. Verdade que com a minha quarta e última namorada não senti ciúme que me lembre, éramos tão nossos, que não havia necessidade ou causa de ciúme. Bela parceria. Queria, se houvesse novo relacionamento, construir relação semelhante. Mas estou tão traumatizado com o sexo, que isso me faz recuar frente a possibilidade de um amor. É outra questão que preciso trabalhar. E ainda há o fato de que não quero filhos. Isso me remete diretamente ao relato que ouvi ontem no grande encontro sobre o casal cuja filha morreu de forma inexplicável no nono mês de gestação. Que situação traumática. Ainda mais quando havia outro casal de amigos que engravidou na mesma época e cuja filha nasceu sem problemas. Ambos os casais curtiram as gravidezes juntos e o destino armou essa cilada fatal para um deles. 17h23. Não sei direito o que estou escrevendo. Estou vomitando o que me vem à mente. Sobre o documentário que meu amigo de Sampa planeja fazer sobre a minha pessoa não sei o que pensar. Aliás, não tenho muita ideia de como seria a narrativa visual, visto que a minha rotina é muito limitada, não apresenta a variedade que faria o que é filmado ser interessante. Acho que meu amigo não tem a dimensão de quão estéril é meu cotidiano e de quantas horas eu passo escrevendo. 17h32. Dentro em breve terei que ir à radioterapia. “You don’t know me, better never get to know me, you don’t know me at all”, canta Caetano agora no Spotify e reflete o meu pensamento geral sobre o documentário. Mas, como disse, exibicionista que sou, estou dentro do projeto, pode me filmar à vontade. E a narrativa do áudio parece que será composta por trechos do blog, trechos esses que não conhecerei previamente, que serão escolhidos por ele, só sugeriria que a narração fosse feita por uma voz feminina, para que não achem que a voz do narrador é a minha. Se tivermos nossa conversa para acertar os ponteiros falarei sobre isso com ele. Quando ele disse que tinha um projeto para mim, gelei, pensei que quisesse que eu fizesse algum layout ou marca ou qualquer coisa de publicitária para ele, me pus imediatamente a pensar qual a forma mais delicada de dizer que tenho completa ojeriza em relação a este tipo de trabalho, que só de pensar me faz sentir mal. Quando soube do que de fato se tratava, fiquei extremamente feliz e honrado. Acho que foi algo que sempre desejei, esse tipo de exposição, digo.

17h51. Fui pegar Coca. Nossa, escrevi um parágrafo digno de Proust. Em tamanho, digo. Hahahaha. Ainda guardo reminiscências positivas do encontro de ontem. É o tipo de interação social que acho ideal. Com todos podendo se focar e conversar e se ouvir, num ambiente tranquilo tendo música dos anos 80 de fundo. Tudo conspirou para um encontro muito especial para mim. Um momento muito precioso que espero levar na alma por muito tempo. Será que imerso na Singularidade poderei ter encontros assim? Era bom poder tê-los, na verdade, para mim, seria indispensável poder tê-los, pois são momentos assim que fazem a vida valer a pena, que emprestam mais sentido a ela. Se conseguiria viver sem eles? Conseguiria, como vinha conseguindo, mas acrescentá-los ao meu cotidiano sem dúvida soma milhões à minha pacata e reclusa existência. Penso em comprar uma câmera de filmar para mim, visto que meu amigo quer que eu documente a minha viagem para a Alemanha. Isso sem dúvida é uma boa ideia, visto que daria uma mudada na narrativa. Ele acha que tem uma câmera extra, velha, mas não sabe se funciona. A tia da minha cunhada está nos EUA e voltará em breve, ela talvez pudesse trazer a câmera para mim. Para isso precisaria comprar o mais rápido possível, assim que o meu cartão de crédito chegar. Se o limite do cartão permitir. Mas do que estou falando aqui? De devaneios. Duvido que esse projeto vá para frente. Investir num negócio caro para nada é idiotice. Não lembro se foi domingo que ele falou que vinha falar comigo para combinarmos os detalhes, vamos ver.

18h18. Mas mudar de assunto, né? É porque é uma reviravolta tão grande na minha vida que fica difícil escapar desse assunto. É quase como acordar um dia sem bucho. Ou arrumar uma namorada do nada. É mais ou menos assim que vejo esinto tal empreitada. E o meu blog seria conhecido de todos os meus amigos, o que me deixaria constrangido, como ficaria constrangido de soltar um peido enquanto dormisse com a minha namorada ou roncasse alto demais na mesma situação. 18h24. Daqui a pouco minha mãe vai ter que ir à radioterapia. Vou já ficar pronto.

18h29. Troquei de roupa e peguei mais um copo de Coca. Não sei se assista mais um episódio de “The Walking Dead” hoje. Ou jogue um Zeldinha. Vou acabar me refugiando nas palavras de novo. A média de acesso dos últimos quatro posts do meu blog so far é de 22 vizualizações, o que me entristece um pouco. É como se metade do meu público tivesse sumido. Mas pelo menos 22 pessoas no mundo leem o que escrevo. Ver pelo lado positivo. E quem sabe eu seja imortalizado em vídeo. Hahahahaha. Que coisa mais louca. Nunca imaginaria uma dessas pra cima de mim. Mas é melhor baixar o facho que isso não vai funcionar. Novamente, quero ver o que pensarão amanhã no CAPS. Que onda. Vai ver que isso foi uma brincadeira do meu amigo que levei a sério. Será que ele lê o meu blog mesmo? Tem isso como uma rotina diária? Será que ele é um dos 22? Sei lá. Mas vamos mudar de assunto que foi o que prometi fazer. Quem lê isso daqui sabe que eu quase nunca cumpro o que prometo, então é bem provável que a história do documentário volte à baila novamente. 18h45. Minha mãe já veio me convocar para a radioterapia. Já estou pronto, então é só botar as Havaianas e ir. A minha é do modelo clássico branca e azul. Já está bastante desgastada. Posso até tirar uma foto dela para ilustrar esse post. Não sei. Salvei imagens de duas câmeras que vendem na Amazon e acho que seriam mais ilustrativas do conteúdo desse post. Duas marcas – Go Pro e Akaso – que tem equipamentos semelhantes por valores extremamente diferentes. Enquanto uma é 400 dólares, a outra é menos de 100. Obviamente se for mesmo investir nisso, comprarei a mais barata, mas consultarei o meu amigo de Sampa primeiro. Se bem que a mais barata tem 4,5 estrelas, numa média dada por mais de 4.000 consumidores. A mais cara tem 4,5 estrelas também, porém dadas por 650 compradores. Preciso ler os reviews para ver se não é o caso de uma nota “impulsionada” através da estratégia de dar o produto de graça para a galera em troca de um review. Não verei agora porque minha mãe já-já me chama para partirmos. Já estamos inclusive atrasados. Não sei mais o que dizer. O que penso agora não posso compartilhar. É, não compartilho tudo aqui. Há coisas que prefiro calar para mim. Todos têm seus segredos. Acho que não há esse. Acho que minha mãe me chamou.

20h41. Acabamos de voltar do hospital. Foi rápido, o trânsito estava particularmente bom. Tivemos uma conversa no carro sobre os seus últimos comportamentos em relação a mim e minha mãe findou dizendo que precisava urgentemente de um psicólogo. Ótimo. Tomara que isso seja sincero. Pensei em perguntar a uma psicóloga específica das que fazem os grupos AD se ela poderia ser a minha terapeuta. Isso se ela atender pelos arredores do CAPS.

Gostaria que o meu cartão de crédito chegasse amanhã. Não sei quem terá que ativá-lo se eu ou minha mãe e liberá-lo para compras internacionais. Faz tempo que prometi ir na agência em que trabalhei para uma visita, não sei porque lembrei disso agora, mas minha o meu atual estado reclusivo reprime qualquer motivação que tenha de fazê-lo. Acredito que, hoje, isso seria muito mais uma cortesia social de ambas as partes que um reencontro entre amigos. Posso estar com os pensamentos distorcidos pela minha verve antissocial atual, mas não achei da mesma forma em relação ao encontro de ontem. Ainda bem! Nem tudo está perdido. Hahahaha. A conversa com minha mãe me deixou com um misto de irritação e baixo-astral, mas já está passando. Nossa é bom estar de volta ao meu quarto-ilha. Aqui me sinto mais verdadeiramente eu, mais verdadeiramente meu. E agora que a TV voltou a ligar, eu tenho o Zeldinha e o “TWD” para me distrair, embora a vontade para ambos é pouca. Talvez acabe assistindo um episódio do seriado, pois estou curioso com o que vai acontecer. Na verdade, estou meio chatedao com o que aconteceu no final do episódio anterior, quando tudo estava dando certo e uma variável decorrente da burrice alheia melou tudo. Odeio quando usam esse recurso na história, sempre me dá um profundo sentimento de frustração e até um pouco de raiva. Por esse parágrafo percebo que sinto mais raiva do que costumava julgar ou tenho me tornado mais intolerante. Não quero me tornar um ser humano intolerante e irritadiço, é um jeito muito ozzy de ser. Não quero isso para mim. Mas foram duas situações muito pontuais, não demonstram um padrão, mas, sinceramente, olhando em retrospecto, percebo que hoje meu pavio é mais curto que antigamente. Não gosto disso e não sei como reverter. A vontade que tenho é ter o poder de ordenar a todos que me deixem sossegado no meu quarto-ilha que quando eu quiser sair eu saio. Mas, pronto, já há uma viagem para a Alemanha no meio do caminho e talvez uma para os EUA no final do ano, no meio da maior neve. É fato que nunca vi muita neve, mas é fato também que isso para mim perdeu o encanto depois de ouvir os relatos de como é chato e excessivamente frio esse período do ano lá para as bandas de onde o meu irmão mora. Será que serei obrigado a viver no porão do meu irmão o final dos meus dias? Olhando pelo lado bom, eu definitivamente viveria isolado de tudo. Olhando pelo lado ruim, eu não teria socialização nenhuma, a não ser com os habitantes da casa, visto que tudo é longe de lá. Se bem que há um trem, não sei a que distância, que me levaria, como leva o meu irmão, diretamente para Boston, então quando quisesse ver o mundão, poderia pegar esse trem e vagar pela cidade. O isolamento no quarto-ilha só tem razão de ser se houver algo que eu possa fazer nele que preencha o meu tempo e me preencha. Senão será só tédio e deste à depressão. Vamos ver o que a vida me reservará. Pode ser que isso nem aconteça, que meu irmão volte para o Brasil antes. Tudo dependerá de quando acontecerá a mudança de curador. Não sei nem se a legislação permite que eu receba a pensão vivendo em outro país. Vou espantar os pensamentos sobre isso, pois são pensamentos incômodos que não valem a preocupação tão antecipada. É dar uma de peru e morrer de véspera. Então, xô, pensamentos sobre o futuro. O que tenho é o aqui e agora, no meu querido quarto-ilha, com saudade dos meus amigos que revi ontem e a possibilidade de assistir “TWD” mais tarde. Há ainda a possibilidade do documentário. Parece que meu amigo de Sampa conversou com o meu primo que morou aqui no meu prédio sobre o assunto e ele achou uma ideia interessante. Não sei se isso é fato. Lembro que ele mencionou meu primo em relação a algum de seus projetos. E disse que me mandaria por e-mail o link de alguns curtas que realizou. Mas ele não tem o meu e-mail. Talvez tudo isso seja visto no nosso próximo e último encontro antes de seu retorno a São Paulo. De tanto permanecer em silêncio e, suspeito, por causa de fumar (Vaporfi e cigarro) minha voz vem falhando. É como carro velho, precisa esquentar primeiro até funcionar normalmente. Ah, se eu pudesse falar aqui de um assunto, mas não posso e não devo. É ruim e difícil ter que calar para mim que sou tão boquirroto. Mas sou um pouco menos imprudente hoje em dia também, então ganha o bom-senso nesse caso. Há um segundo caso proibido que me vem à mente que me faz pensar se não é hora de escrever um pouco no Desabafos do Vate. Acho que vou para lá um pouquinho. 21h32.

22h08. Foi bom ter escrito no Desabafos do Vate, me sinto melhor e acho que desvendei o mistério da minha irascibilidade. Amanhã é o aniversário da minha mãe. Eu não comprei nada para ela, não tive acesso a dinheiro nem teria criatividade para dar-lhe algo. Cearemos amanhã no Café São Braz próximo à casa da minha avó a partir das 18h00. É o tipo de evento que já vou querendo voltar. Odeio aniversários. Odeio o trânsito e não gosto do Café São Braz, que provavelmente não terá lugar para abrigar todos os convidados. Senti saudade do meu avô agora. A última vez que fui ao Café São Braz foi com ele e ele ainda estava lúcido, o Alzheimer não tinha se manifestado perceptivelmente. Hoje é um cadáver apodrecido no cemitério. Um dia será a minha vez. E está mais perto que longe. A não ser novamente que o advento da Singularidade seja algo parecido com o que previ. Mas não vou criar falsas expectativas numa teoria que, embora tenha um embasamento factual, está longe de ser uma garantia. Hoje estou escrevendo de um modo diferente, eu percebo isso. Estou mais seco e direto. Acho que não estou de bom humor. Mas gosto do meu estilo assim. Me parece até mais autêntico que meu estilo habitual. Amanhã tenho CAPS e não estou com a preguiça que sempre me acomete na véspera. Acho que por causa da história do documentário. Não sei como o meu amigo de Sampa achou que continuo a mesma pessoa de outrora, me sinto completamente outro, priorado, mas, ao mesmo tempo, mais dono de mim. Acho que deveria estar fazendo companhia à minha mãe na cozinha enquanto ela prepara uma farofa de calabresa para mim. Estou me sentindo descortês e desnaturado estando aqui enquanto ela trabalha lá por mim. Vou pegar Coca e, se ela não estiver se ocupando do celular, fico com ela lá até a feitura da refeição.

22h37. Ela já tinha acabado quando eu cheguei, que pena. Perdi de fazer uma boa ação filial que estava sinceramente disposto a fazer.

23h18. Senti urgência de acrescentar algo ao post do Desabafos do Vate e a outro projeto que toco. Sinto uma grande gratidão e amor por minha mãe agora. Isso é tão raro. Não deveria ser. Queria que esse sentimento me fosse mais presente e tão espontâneo como agora. A vontade que tenho é dar-lhe um beijo e talvez até um abraço. Vou à sala ou não? Queria não a encontrar. Seria mais fácil para mim.

23h23. Ela ainda estava lá e dei dois beijos em sua cabeça. Foi o que consegui fazer, mas o fiz com amor e sinceramente, o que não é uma coisa muito comum para mim. Não sei se isso tem a ver com o que coloquei no Desabafos do Vate. Mas acho que não. Acho que é um sentimento que começa e se encerra na minha mãe. O que meu amigo de Sampa falou sobre valorizar quem ainda está por aqui calou profundamente em mim. Gostaria que isso fosse o estopim de uma nova postura com a minha mãe, desde que espontânea. Veremos. Vários pensamentos colidem dentro de mim, não sei o que escrever ou se necessito escrever. Talvez seja necessário só calar um pouco as palavras e cismar. Não sei, só estou parcialmente aqui neste texto, o resto de mim se avoa por outros confins. Perdi minha poesia. Ganhei em transparência e talvez em coerência e clareza. Não sei se é uma troca justa ou válida, mas é o que tenho agora. Aposto que se lesse alguma poesia me inspiraria. Sabe de uma coisa? Vou tentar escrever uma poesia agora. Não acredito que a poesia em mim haja desaparecido por completo.

És tudo o que não posso
E, no entanto, é tudo o que mais quero
Fazer desse só meu nosso
Eu sei que seria tudo encantado
Pura fantasia do ser
E eu sei que sou só eu me enganando
Mas essa farsa que vivo
É em si uma razão de viver
Gostaria de ter palavras tão belas
Quanto as lembranças que guardo de ti
Mas não há tintas ou aquarelas
Que possam pintar o que sinto e senti
Sem ti
É assim que vivo
É assim que provavelmente viverei
Até o final dos meus dias
À espera do que nunca vai chegar
Um amor de uma mão só
De um coração só
Só e dorido
No meu mundo escolhido
Tu reinarias simples

23h49. Que merda! Hahahaha. Eu, hein? Preciso dar uma lida em Fernando Pessoa. Vou ficar por aqui, minha cabeça não está para escrever hoje.

-x-x-x-x-


11h46. Voltei do CAPS. Fiquei só para o grupo AD, que hoje é logo o primeiro. Cheguei primeiro que os demais membros do grupo, então contei a história do documentário apenas para as psicólogas, o que achei até melhor e mais pertinente. Elas, como sempre, incentivaram a empreitada, mesmo quando afirmei que meu cotidiano é muito limitado em termos de atividades, que só faço escrever e ir ao CAPS. Mesmo assim, elas acharam que algo interessante poderia sair daí, o que é o que eu não sei. Hahahahaha. Estou ficando corcunda de tanto ficar sentado no computador, posso perceber isso na minha postura, geralmente pendendo para a frente. Não queria ficar corcunda de fato, mas acho que isso vai ser meio inevitável. Nesse exato momento estou tentando escrever com a coluna mais ereta, porém tenho certeza que com o tempo vou me esquecer e relaxar na postura retomando a que me é habitual. Acho legal o suporte que as psicólogas do CAPS dão aos meus projetos. Não mencionei que ando citando a Singularidade com completa liberdade e tranquilidade nos meus posts ultimamente. Como se fosse algo pertencente ao meu cotidiano de ideias, que assumi minha postura “singularitariana”. E há a parte que não faz parte da hipótese da Singularidade, em que vou além e menciono meu prognóstico para o futuro muito mais distante até a formação da Suprainteligência Universal, inteligência que é soma de todas as Singularidades existentes e acessíveis no universo e que terá a capacidade de criar a si mesma, ou seja, de criar este universo de onde ela inevitavelmente derivará, mandando do futuro, para o passado mais distante, o espaço-tempo zero, o estímulo que o fará desabrochar no Big Bang com todas as suas leis e componentes necessários à fomentação de seres inteligentes capazes de gerar tecnologias e Singularidades Tecnológicas que descambaram na inteligência criadora de tudo o que há. Não sei como consegui tomar banho hoje de manhã, fiz meio no automático, mas que bom que o fiz. Acho que este post já está bastante extenso, então vou ficando por aqui. É um saco saber que em menos de cinco horas, provavelmente, estarei saindo do meu quarto-ilha para o Café São Braz para uma obrigação social chata, mas inevitável e necessária. Afinal não posso faltar a celebração do aniversário da minha mãe. Não é que eu não ame a minha mãe ou desgoste da família materna, é apenas a vontade de ficar recluso que é mais forte. Percebi que alguém – e quando digo alguém suspeito da cozinheira, visto que meu padrasto e minha mãe não bebem Coca – tomou uma parte da última Coca que há aqui em casa. Espero que minha mãe encomende mais ou compre, visto que a cozinheira acima mencionada disse que ela passaria no supermercado agora pela manhã. Sim, sou movido a Coca Zero e fumaça. São duas coisas que não podem faltar na minha vida, principalmente a fumaça. Sem fumaça entro em desespero. Já havia descansado da minha postura ereta, retomei-a agora, mas sei que logo mais, relaxarei de novo, pois é uma postura forçada, não-natural, necessita de um esforço consciente para ser mantida. Minha amiga que foi ao grande encontro disse que precisamos fazer isso mais vezes. Eu respondi “Yes!”.  Preciso, entretanto, do cartão de crédito para reativar o meu Uber. Vou pegar Coca e colocar um ponto final definitivo aqui.