terça-feira, 21 de novembro de 2017

AINDA ASSOMBRADO POR ELA

14h02. Mais um dia de existência. Este começa tedioso, modorrento. Não consegui fazer o exame de sangue pois não achei a prescrição da Doutora. Estou agoniado de ficar trancado aqui no quarto. Acho que vou dar um passeio até o shopping só para desopilar um pouco. Será que o meu amigo jurista vai querer ver o filme hoje? Gostaria de saber, mas não vou perguntar porque já o pressionei na semana passada em relação ao Odyssey, não vou me passar por chato e insistir essa semana. E a comunicação é uma via de mão dupla, se houver interesse, motivação da outra parte, ele há de se manifestar. Queria saber porque daí não iria ao shopping duas vezes no mesmo dia.

14h27. Há certas posições e gestos que reforçam o sentimento que carrego. Por exemplo levei a mão à têmpora e percebi que isso intensificou o meu sentimento de marasmo. Hoje, até agora, tem se mostrado um dia bastante banal. Não que eu desgoste da minha vida, mas nem todos os dias são de maravilha. Há os dias banais. Surpreendente seria se eu morresse hoje. Mas tenho certa convicção de que isso não vai acontecer. Não sei de onde vem essa certeza. Acho que porque a probabilidade é pequena. Por mais que aumente com a idade, não cheguei à idade em que ela é um fator real de preocupação. Se morrer hoje é atropelado quando e se for realmente ao shopping. É a única probabilidade de morte que consigo aferir. Ou um latrocínio.

15h03. Dane-se se eu for duas vezes ao shopping hoje. Vou agora. Preciso ver um pouco o mundo, as pessoas.

17h11. Só fiz me suar. Não achei graça nenhuma no shopping. Aguentei ir só ir até o terceiro andar, se passei meia-hora lá foi muito. Acho que ainda estou um pouco para baixo por causa do incidente do sábado. Realmente deve ter algo de muito errado comigo para a pessoa me tratar assim. Queria saber onde errei para pelo menos tirar alguma lição do ocorrido, mas deixa para lá. O mundo segue girando no seu passeio pelo cosmo. Quem sabe a vida não tenha alguém guardada para mim? Achei que finalmente havia encontrado, mas não foi o caso. Bem, não sei. Afinal o tal do mundo dá muitas voltas. Quem sabe numa delas, num encontro menos conturbado. Não, também acho que não. Mas não vou ter um comportamento reativo, de desprezo ou coisa que o valha. Ficarei na minha, se quiser se comunicar comigo, serei receptivo. Me prometi não falar mais dela aqui. Porém o que fazer se é o assunto que me domina a alma? Tomara que isso passe logo. “Super de boa”. Sei. Vi. Vivi. Não foi de boa para mim. Não me pareceu assim, nem me senti assim. Novamente, deixa para lá. Deixa o mundo girar. Volto aos meus platonismos, enquanto isso.

17h37. Meu amigo cineasta disse que vai vir aqui no meu aniversário me visitar e filmar. Acho que vai se decepcionar com a “festa de aniversário” porque não vai haver uma. Odeio “Parabéns pra Você”, odeio a falsa felicidade ausente nos demais dias em que eu continuo sendo o mesmo da mesma forma que quando completo mais uma volta em torno do sol. Ainda bem que é um dia só, odiaria muito mais a falsa felicidade diariamente, viver num mundo de hipocrisia. Sei que a hipocrisia é uma útil ferramenta social, mas não gosto de usá-la. Quanto menos, melhor. Dia 16 de dezembro tem o natal da minha família paterna. Talvez consiga participar, embora às vésperas da viagem para os EUA. Mas viajo dia 20, acho que minha mãe não interporá nenhum obstáculo a minha ida. Tentarei estar com as malas já prontas antes do dia 16. Ah, o meu amigo cineasta também estará por aqui nesse período e pretende me filmar. Não sei se valeria ele filmar o natal, não sei se eu me sentiria constrangido com isso. Ou se meus familiares se sentiriam constrangidos com isso. Sei lá, discuto isso depois com o meu amigo cineasta quando ele chegar.

18h09. Perguntei pelo WhatsApp mesmo. Como sempre, esperar resposta. Ele agora está indo tomar um café com sua consorte, deve demorar a responder. Estou agoniado hoje, com uma angustiazinha leve e chata. Queria muito ir ao cinema ou ao Odyssey com o meu amigo jurista, mas, pela hora, já vi que não vai rolar. Pelo menos estou sozinho em casa, isso me dá um certo prazer. E não estou nem botando o som nas alturas. Minha alma não pede isso hoje, prefiro no volume em que está mesmo. E não estarei sozinho por muito tempo. Mamãe e meu padrasto devem estar para chegar.

18h23. Parei para ver um vídeo que o meu amigo da piscina pediu para compartilhar. Pena, mas não compartilho vídeos, mesmo sendo muito pertinente (e muito do mesmo). A ida ao shopping não foi uma variação na minha rotina que tenha me apetecido. Geralmente quando vou, vejo algumas beldades, mas hoje não tive sorte. Mas de que adianta olhá-las e apreciá-las se não posso conversar ou tocar? Nossa, como sinto falta disso, de conversar com uma garota que goste, tocar uma garota que me encante. Mas não vou voltar ao mesmo assunto, por mais que ele me ronde. Parece que, agora que passei de uma década, vou completar bodas de prata de solidão. Espero tremendamente estar tremendamente enganado.

18h39. Mais Coca no copo. Antigamente, quando repartia esse blog com amigos, me diziam que eu escrevia como falava. Será que isso ainda bate com a realidade? Falo tão pouco, mas no dia do Mimo me comuniquei razoavelmente e achei que, afora os palavrões, usei vocabulário similar ao que emprego aqui. Curioso isso. Não acho que sempre se dê assim ou se dá e não me apercebo. Sei lá. E que diferença isso vai fazer na minha vida? Ínfima, se alguma at all. Certamente não falo colocando trechos (totalmente dispensáveis) em inglês. Não sei por que o faço aqui. Faço porque acho conveniente e fácil, há expressões em inglês que são mais práticas nessa língua e complementam bem a ideia da frase. Ou faço por frescura. Hahahahaha. Há uma leitora, creio que administradora de um dos grupos de escritores em que publico, que geralmente curte o que escrevo. Curte no sentido de dar uma curtida de Facebook na postagem. Espero que esteja sendo sincera. Ou vai ver ela faz isso com todas as postagens que lá aparecem sem se dar ao trabalho de ler. Caso leia, saiba que me sinto extremamente lisonjeado e honrado com isso. Alguém gostar do que eu escrevo, mesmo que uma pessoa apenas é glorioso para mim. Aliás, duas, há um senhor também que mais das vezes curte as minhas postagens. Também não sei se lê ou curte tudo o que é publicado, mas deixo minha imaginação um pouco mais condolente comigo e acredito que de fato essas duas pessoas lêem minhas palavras. Eu escrevo torto por linhas certas. Hahahaha.

18h52. Meu amigo cineasta curtiu bastante a ideia de filmar o natal da minha família paterna. Legal. Será massa ter a companhia dele lá. Também é muito amigo do meu primo urbano, que não poderá faltar à festa. Acho que é a única ocasião do ano em que todos os primos se reúnem. Geralmente só eu vou às celebrações dos aniversários da família que acontecem. Dentre os primos/sobrinhos da família, digo. Gosto muito. Estou começando a gostar mais das celebrações da família materna também. Cada vez vejo menos diferença entre o que sinto em ambas as oportunidades.

19h06. Meu amigo cineasta pediu para perguntar à família se há algum problema em seu intento, o que de pronto fiz, através do grupo da família no WhatsApp (campeão em postagens dentre os poucos grupos do qual faço parte). Estou à espera das respostas, mas creio que não haverá. Se houver, ficarei bastante decepcionado com a minha família paterna.

19h18. Nenhuma resposta ainda.

19h35. Até agora só uma prima mandou três palminhas. Não sei o que quer dizer. Mas seu marido conhece o meu amigo cineasta, então creio que seja algo positivo. Estou besta que ninguém mais tenha se manifestado. Pensei que as pessoas da família ficavam de olhos grudados nesse grupo. Ou então não gostaram da ideia. Agora meus outros primos geralmente levam amigos e ninguém reclama. Acho que não vai ter problema. Acho. Esse silêncio no grupo me incomoda. Minha mãe chegou e disse que já vai se retirar. Quer que eu acorde às 10h00 amanhã para ir pegar a requisição do exame para fazer. Mas hoje a noite é minha, não vou me ligar em horário, certamente o laboratório é aberto à tarde, então posso comer quando a fome dos remédios se der.

19h52. Mais ninguém da família se manifestou. Muito estranho. Ou não. Raramente olho o grupo. Vai ver é assim mesmo. Amanhã olho. Ou daqui a uma hora. Não vou aguentar a curiosidade mesmo. Hahahaha. Tenho é que me segurar para não ficar olhando o tempo todo. Ansiedade aqui é boia. Mas vou controlar isso e só olhar às 20h52. Enquanto isso, o que faço? Depois de rapidamente considerar o Mario Galaxy, resolvi ficar aqui mesmo. Mas ficando aqui, o velho assunto vem me assombrar. Perdeu, boy, entenda logo isso. Ponha isso nessa sua cabecinha sonhadora. Você é um cara ozzy que vai acabar sozinho. Simples assim. Eu mereço isso? Um superego estimulante desses? Terapia a caminho, se preocupe não, superego. Pelo que vi no vídeo do meu ex-psicólogo, tudo isso pode ser fruto de uma educação muito crítica a meu respeito. Todos esperavam que eu fosse um papai versão 2.0 ou pelo menos foi assim que entendi e eu colocava o meu pai num pedestal inalcançável, por boas razões, diga-se de passagem. Só muito depois fui descobrir que ele era um ser humano impecável na maioria dos aspectos, mas falho em outros. De toda sorte nunca cheguei ou chegarei aos pés dele. Só existe uma coisa que faço e que ele só ousou uma vez, escrever. Ele escreveu um livro didático, eu vivo a escrever sem o pudor ou a monstruosa bagagem intelectual que possuía, escrevo por prazer, coisa que ele nunca conseguiu fazer talvez por ter leitura demais. Eu sou o seu completo oposto nesse aspecto. Acho que isso torna a escrita ainda mais libertadora. Meu pai não fazia isso, então não tenho que me comparar com ele. Não tenho que me comparar a nenhum grande escritor, não entendo coisa alguma de estilo ou de narrativa ou de gramática ou de ortografia. Escrevo com o que aprendi por osmose, de algum lugar que me escapa, por isso esses textos devem ser paupérrimos em termos de valor literário e pouco se me dá. Não quero ganhar o Nobel de literatura, quero apenas dizer o que penso para um punhado de gente, às vezes menos de um punhado, ou para mim mesmo. E minha confiança na Google me faz crer que me tornarei um escritor imortal no sentido que a minha obra vai estar disponível ao público até bem depois que esse corpo fenecer. Não sei o que acontecerá quando e se da Singularidade Tecnológica. Mas acredito que os arquivos serão preservados. Pelo menos sendo uma pessoa só, não terei que abandonar ninguém se a possibilidade de me fundir à Singularidade for real. Acho que a primeira coisa que eu criaria era um copo de Coca-Cola que não esvaziasse jamais, nem seu gelo derretesse, nem ficasse sem gás. Hahahaha. Se bem que gosto de quando a coca acaba e posso comer o gelo derretido. Acho que criaria um que, a um  pensamento, se enchesse novamente. Da mesma forma a carteira de cigarros, que não tivessem cheiro para os que viessem visitar as minhas paragens criativas. Criar/materializar virtualmente tudo com o pensamento ou com a escrita mesmo, seria apenas o começo, eu acho, das possibilidades inimagináveis de estar fundido à Singularidade. Acredito que deixaria de ser humano, seria qualquer coisa além, acho que abandonaria meu corpo, decrépito à época esperada para a emergência da Singularidade. 2047. Eu terei 70 anos. Se chegar aos 70. Não cuido da minha máquina, esta que habito, bem o suficiente para ter certeza disso. E o pior que eu gosto da tal máquina, apenas desgosto da aparência dela, mas pela sua resistência e por sua capacidade cognitiva, tenho extrema estima, como tenho por ter nascido da espécie humana, por mais que isso acarrete uma série de neuroses que me incomodam. Mesmo assim, poder experimentar tudo o que um ser humano experimenta é fantástico, de um game ou sundae da McDonald’s às maiores abstrações e viagens proporcionadas pelo cérebro superdesenvolvido do homem. Gosto também de ter nascido macho, as fêmeas da nossa espécie passam por muito mais dificuldades que os machos. Dificuldades biológicas e sociais. Por isso admiro tanto as mulheres. Elas me são revigorantes, desde que equilibradas. Conheci muitas mulheres fantásticas. Acho as mulheres em geral fantásticas, independentemente da aparência, cor, credo, classe social, idade ou quaisquer outras variáveis. Talvez por guardar tão profunda admiração e respeito eu não consiga ser galinha ou gostar de ficadas. Não as vejo apenas como objetos a serem penetrados pelo meu pênis. Elas são tão muito mais que isso para mim que chega a ser intimidante. Ao mesmo tempo me apiedo delas pelas dificuldades que experimentam no mundo. Sei lá. Só sei que se a Singularidade se der e vivo estiver deixarei para trás a condição humana e passarei para uma existência outra, com a mente ampliada, multiplicada, elevada exponencialmente. Esse seria o meu segundo maior grande sonho. O meu primeiro seria uma namorada que eu amasse e que me amasse também. Do jeito torto que sou. Nossa, como sinto falta. E como rótulos aplicáveis à minha pessoa me distanciam desse sonho. Viciado, curatelado, coroa (cada vez mais e é irreversível), buchudo, calado, alienado... Alguns reversíveis, outros infelizmente sempre estarão aqui para me assombrar. Os piores. Os três primeiros que citei, para ser mais preciso. Eita, 21h19. Vou olhar se a família paterna se manifestou. Até agora só a minha prima. Que ozzy. Coloquei uma interrogação e uma carinha de meio triste. Espero que isso estimule alguma manifestação contra ou a favor. 21h27. Às 22h27 olho novamente. O que fazer nesse intervalo, nessa uma hora de existência que me separa do evento, indago-me novamente. Já viajei na maionese demais nesta última hora, não tem mais nada que tenha a dizer. Não sei por que cargas d’água lembrei-me de uma frase que a minha professora da terceira ou quarta série disse uma vez, achei super ousado à época, foi no final da aula por alguma razão que a memória me deixa escapar, quem muito escolhe, a m... recolhe. Não lembro se ela falou a palavra, de baixo calão naqueles tempos idos, hoje ouve-se em música no rádio, mas a mensagem era essa. E me veio à mente acho que por despeito. E acho que agora vou jogar Mario Galaxy mesmo.

22h35. Hora de checar o grupo da família. Peguei algumas estrelas no Super Mario Galaxy. Muito bom. Ótima notícia eu ter achado isso, por sinal. Minha tia botou um coração, então, dei como aceito o meu pedido e já repassei a informação ao meu amigo cineasta.

23h26. Me perdi num site de jogos, preciso ir dormir para acordar amanhã às 10h00. Saco. E eu que queria que a noite fosse minha hoje... amanhã será. Não é possível que eu não consiga fazer o exame de sangue amanhã. Durma bem, garota da noite. Desculpe, escapuliu.

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12h53. Já peguei a requisição, já tirei sangue, já almocei.





14h27. Acabei de tirar um cochilo. Acho que hoje não vai rolar nada com o meu amigo jurista. Vai ser mais um dia de solidão. Hoje não estou tão incomodado quanto ontem, coisas das sutilezas da alma. Talvez o fato de ter feito um pequeno desabafo com a psicóloga de plantão no Manicômio enquanto esperava pela requisição dos exames de sangue tenha me aliviado um pouco. Acho que voltar a terapia me fará muito bem, pois serei ouvido sem preconceito. Sem medo do julgamento. Falarei de mim para alguém, não apenas para uma folha em branco. Página esta que até censura da minha mãe já sofreu. Veja onde minha mãe se imiscuiu. Tolher a minha liberdade de expressão. Mas não quero falar disso, águas passadas não movem moinhos.

15h15. Sem muito o que dizer. “I Remember You” passando e fazendo latejar o meu cotovelo levemente dolorido. Hahahaha. Sabe de uma coisa? Deixa isso para lá também. Vamos ver se consigo. Essas coisas sempre têm uma sobrevida maior em mim. A esperança, a vã esperança, moribunda, não morre. Fazer o quê? Seguir vivendo e esperando. Melhor que viver vazio de esperança. Acho eu, mas não tenho certeza. Pois dar murro em ponta de faca é garantia de se machucar. Aí vem “Amor Meu Grande Amor”, parece que o Spotify adivinha o meu mood. Isso está ficando ridículo. Hahahaha. Ainda bem que estou me divertindo com isso agora. Na hora não foi nem um pouco engraçado. Eu quis sumir. Só não sumi porque o meu celular não estava pegando internet. Não foi por falta de tentativa. Ainda bem que o grupo se desagregou e fui encontrar meu primo-irmão e meu amigo cervejeiro numa roda de côco na beira da praia. E com eles passei o resto da noite. E iria adiante na madrugada se o meu dinheiro não tivesse acabado. Pena.

15h51. Hoje a noite será minha, ninguém tasca. Estou ouvindo o som nas alturas. Faith No More. Foi um dos bons shows que vi na vida. Geraldão. Faltou luz no meio do show. Foi divertido. E ainda não havia essa tendência de mega-shows, só Madonna e Michael Jackson os faziam à época. Talvez o The Wall já fosse uma mega-produção também, não sei. Só fui saber do show agora em sua última e impressionante encarnação. Vi pela TV, mostrado pelo marido da minha prima. Every beauty needs to go out with an idiot”, canta U2. Será que isso significa que eu não sou um idiota? Hahahaha. Será que ela continua lendo? Creio que não. Não haveria razão. Ainda mais eu tendo alegado que não iria mais mencioná-la, para o meu ledo engano. Seria a única razão para continuar a fazê-lo. E se um beijo acontecesse e eu não sentisse nada? Não seria muito pior? Detesto ser o que rejeita. Só tive uma experiência assim e foi terrível. Uma e meia. A outra, eu só recebi um cartãozinho que ainda tenho em algum canto, pois me lembro de tê-lo visto, com uma declaração de amor em bela caligrafia e não faz os quase vinte anos que o recebi, faz muito menos. Esse não foi um fora, pois não sabia de quem era o cartão. Só bem depois, de alguma forma descobri. Mas era de uma pessoa que não me interessava. Era azul e branco e tinha uns gatinhos recortados no topo. Bem bonitinho. Me sinto cruel até hoje. Como me senti cruel quando acabei com a minha segunda namorada, tão mal na verdade que reatei o namoro mesmo sem a amar mais, foi terrível. Mas na soma, os momentos fantásticos e os horríveis se equilibraram e fiquei no zero a zero, aprendi muito, nos ensinamos muito um ao outro, foi mais do que válido. Como disse não me arrependo de nenhum amor vivido, embora possa contá-los em uma mão, são das coisas mais preciosas que possuo. Afora eles, só dois beijos de bocas em duas borderlines durante os internamentos e a ninfomaníaca que me agarrou. A isso se resume a minha vida afetiva até o momento. Há pessoas que passam a vida inteira sem viver uma grande paixão, quão miseráveis emocionalmente essas pessoas devem ser. Eu pelo menos vivi cinco, não sei se conseguirei viver outra. Mas em vista aos padrões de hoje, sou um felizardo. Parece que meus amigos têm medo ou o coração oco. Tudo para eles revolve o sexo casual. E há um código de ética, que descobri no dia do Mimo e para o qual não dou a mínima, de que não se pode pegar a garota que o outro pegou. Sei que a garota da noite foi pega por um dos meus amigos, mas não hesitaria em começar a me relacionar com ela porque, por mim, eles podem pegar qualquer das minhas ex e porque o que tenho a oferecer é algo que nenhum deles quer ou está disposto a dar. Ainda mais em respeito a uma coisa fugaz e fútil como uma ficada. Me perdoe, amigo, mas, para mim, a banda toca outra música. Eu já me fiz de cupido para que um amigo agarrasse minha primeira namorada. Eles estavam interessados um no outro, que mal havia em dar uma mãozinha? Sei lá, posso estar completamente equivocado, mas foi e é assim que encaro as coisas. Guardo carinho imenso por todas elas, são mulheres espetaculares, que me fizeram sentir toda a delícia de uma paixão correspondida, mesmo que algumas vezes de forma assimétrica, para um lado ou para outro, mas com momentos de plenitude. Pensando bem, depois desse retrospecto, o que sinto pela garota da noite está muito longe de se configurar uma paixão. Nem poderia, eu mal a conheço. A acho interessante e acredito que há o potencial para virar paixão, mas é algo que definitivamente ainda não é. Seria o embrião de um sentimento. Há ainda o problema do imediatismo do sexo, que não é a minha. Comigo, devagar se vai ao longe. “This time I feel my luck could change”, toca o Radiohead querendo botar fogo em palha molhada. Não adianta. Não adianta Mário, desencana logo. Não tão facilmente. Para mim não é tão fácil assim, não é interruptor de lâmpada, que liga e desliga o meu peito. Mas a ficha vai cair, só dar tempo ao tempo. Nossa, já estou na sexta página.

17h09. O som do Screaming Trees me fez viajar por clipes da época do grunge. Me fez viajar que essa mulher ainda vai ser minha. Hahahaha. De onde veio essa autoconfiança toda, não me pergunte, além de ser uma frase machista para os dias feministas que vivemos hoje, acredito eu. Hahahaha. Como as coisas mudam, né? Antes não havia nada demais em colocar as coisas nesses termos. Mas aí feministas tomam ao pé da letra, de que eu quero ter um sentimento de posse da mulher, objetificando-a ou qualquer coisa que valha. Eu ainda a conquistarei, pronto. Mas isso é só da boca para fora também. Se bem que todo mundo me diz que tem que “chegar chegando”, inclusive mulheres. E eu acho isso um baita desrespeito. Sei lá. Talvez entenda chegar chegando da maneira errada. Ou sou realmente muito tímido para essas coisas. Acho que essa última opção é a mais verdadeira. A verdade é que eu tenho vergonha de mim e isso mina completamente a minha autoconfiança. O contrassenso aí está em que não quero mudar quem eu sou, estou muito bem comigo mesmo na minha solidão. A vergonha só aparece para o outro (ou outra, no caso). Mas ando cismado até com os meus amigos. Me lembrei de um termo que me chocou um pouco, “PA” ou, por extenso, “pau amigo”. Ou era isso ou era “foda amiga”, um dos dois. Foi uma amiga que me ensinou. Deve ser por isso que um não quer que o outro fique com alguém de seu “cardápio”, para que tenha sempre aquela opção quando a vontade de fazer sexo bater. É só ligar e marcar a transa. Me chocou pela banalização do sexo e das relações. Acho que estou ficando realmente velho. Um amigo disse que era capaz de sexo, que é uma coisa superficial, segundo ele, mas não é capaz de construir intimidade ou dar carinho. Exatamente o contrário da minha visão de mundo. Sei que não é o único, tanto é que quem o ouvia disse que sofria do mesmo mal. Eu calado estava, calado fiquei, para não ser ridicularizado ou tido como algum tipo de aberração. O sexo é a culminância da intimidade e do carinho, o ápice aonde eventualmente se chega quando uma base mínima de afeto é construída. Talvez eu seja um dinossauro. Talvez mitifique o sexo. Talvez eu não me interesse tanto por penetração, porque o resultado se assemelha muito ao da masturbação e masturbação é algo para lá de banal para mim. Sei lá o que estou dizendo. Não sei nem se faz sentido, saí vomitando as minhas percepções de forma desordenada. O som alto também atrapalha a concentração e a escrita. De toda sorte, o assunto sexo é um dos que tem que ser tratados em terapia. Se não arrumar namorada antes. Hahahaha. Mas para eu me agradar de alguém é difícil. Sou super seletivo. Ainda tenho isso contra mim. A pessoa tem que ter um quê, um elã que me toque a alma. Tem que ser mui bela, além de tudo. Então, fica difícil porque as mui belas podem escolher pessoas muito mais interessantes esteticamente que eu. Eu tenho uma profunda ruptura com a minha aparência, não consigo aceitá-la. Se tem um lugar que raramente olho é para o espelho, geralmente o faço para passar desodorante e pentear o cabelo. Às vezes me olho rapidamente antes de entrar no banho, no resto do tempo, não olho. Não pego o elevador social e fico a me admirar no seu espelho, ajeitando algo aqui ou ali, como vejo vários dos meus fazendo, ou toda vez que vou ao banheiro, onde há o único espelho ao qual tenho acesso na casa. O espelho para mim tem uma utilidade prática, eu o uso para fazer coisas que não conseguiria fazer sem ele. E me admirar não é uma delas, visto que não me admiro esteticamente. Sei que não tenho nada demais. Eita, 17h57. O quarto já é todo escuridão, não fora a luz da tela. “It’s In Our Hands”. Amo. “Cruelest almost always to ourselves…” lembra alguém? Hahahaha.


18h15. Caramba passei um tempão falando dela e me autodepreciando. Que ozzy. Tá bom. Chega. Revisar essa doideira e postar.


Adendo 2017-11-21 (22h03):


Depois de duas horas de suspension of disbelief, como dizia o meu pai, tudo sobre a garota da noite parece uma grande palhaçada. Me dizer assim no blog me parece ridículo. Foi estranho o que o filme fez comigo. Me distanciou da realidade e pude vê-la por outro ângulo. Estou fazendo papel de palhaço. Nesse post ao menos, mas em quase todos os outros também, pois tenho uma realidade medíocre dentro e fora da minha cabeça. Não gostei muito de “Atomic Blonde”, mas me fez ter esse insight que gostaria de compartilhar. Aliás, acho que muita gente se acha mais do que realmente é. Ou talvez seja eu que me ache menos do que realmente sou. Bem, uma coisa não exclui a outra. Me sinto um tanto cético no momento. É um sentimento interessante de ser experimentado. Não acho que deva ou consiga permanecer nesse frame of mind. Mas é curioso estar nele. Todos peidam e cagam. Todos somos iguais. Foda-se o mundo das aparências e dos egos abalonados. Por um momento, fodam-se todos. Somos nada frente à imensidão do universo. Ficaremos obsoletos por conta das nossas próprias criações. O filme me deu um olhar sombrio, gelou meu coração. Sei que é passageiro, amanhã estarei eu fazendo o que sempre faço, desempenhando esse papel pequeno no pequeno planeta azul. A humanidade não saberá quem eu fui. Do nada ao nada, sendo nada all along. Foda-se, se é o que eu quero ser, então foda-se o resto. Acho que eu preciso de um cigarro. Sempre bem-vindo depois de um filme. 

domingo, 19 de novembro de 2017

HOJE, SÁBADO, EU PRECISO SAIR


Eu tenho que sair hoje. Minha mãe quis que eu tirasse uma parte de um post que escrevi, ou seja, censurou o meu blog. Não sei porque dei o meu braço a torcer. Não darei mais. Ela usou o argumento que nenhuma menina iria querer ficar comigo se soubesse do que narrei. Realmente não é nada que eu precise narrar para ninguém, mas a pessoa que ficar comigo vai ter que saber que tenho problema com droga. Não posso nem tenho como ocultar isso. É um dos ônus de ficar comigo esse meu passado nigérrimo. Que fique no passado. Como o fato de ser curatelado tenha que vir a luz. Que não posso casar no papel. Que não sei dirigir, nem sei se posso. Não posso votar. Não sei mais o que eu não posso. Mas não resta muita coisa. Ah, e que tenho em teoria transtorno bipolar sob controle.

16h34. Mandei um WhatsApp para o meu primo-irmão sobre a saída, mas este ainda não deu resposta. Estou quase perguntando qual é a boa de hoje para a garota da noite. Quase é mentira, mas foi uma ideia que me cruzou a cabeça. Pena que não ache que tenha intimidade o suficiente para indagar isso. Estou com a cabeça nas nuvens ou névoas hoje. Tico e Teco estão demorando para engrenar. Ou talvez esteja sem saco para escrever. Uma coisa que vai ser complicada, caso eu arrume alguém algum dia, será o fato de que a pessoa talvez não goste de ter a sua vida exposta aqui. Pelo menos a parte da vida que se intersecciona com a minha, que é a que poderia narrar. Ah, uma coisa que tenho que deixar claro para uma futura companheira é que não gosto de carnaval. Nada contra quem gosta, se ela gostar, que vá e se divirta bastante, só não espere a minha companhia. Tentei por muitos e muitos carnavais ver graça nele, mas, aparte as criativas fantasias, nada mais me apetece. E ver as curiosas fantasias não valem o calor, o aperto, as mesmas músicas, tudo isso sem beber. Não, não dá para mim. Como disse, tentei. Só saio no Saia Dessa Noia e estico para Os Barbas quando dá tempo. A isso se resume o meu carnaval. Olinda, bailes, prévias, tô fora. Recife Antigo à noite é um caso a ser considerado com muito carinho. Que ela, seja ela quem for, vá para tudo isso e aproveite a vida da forma que lhe aprouver. Só me inclua fora disso. Espero que a pessoa respeite a minha decisão. Como respeitarei a dela de ir, caso goste dos festejos de momo. Mas a quem estou querendo enganar, vou ficar literalmente para titio, sou tão tímido e atrapalhado com esse negócio de conquista que nunca lograrei outro sucesso. Estou praticamente conformado que o meu quinhão de amor eu já vivi, bela e intensamente. Com todas as delícias e amargores que envolvem os grandes amores. Não me ressinto de nenhum. Inclusive minha ex é a minha melhor amiga, algo que qualquer futura pretendente vai ter que entender e acatar. Não vou me desvincular da Gatinha por nenhuma razão. Até porque ela está muito bem afetivamente com o seu namorado. Finalmente parece ter acertado. O cara é bem legal, muito pé no chão e parece gostar dela, vivem uma relação sadia à maneira deles. O que acho ótimo, afinal a Gatinha já teve sua quota de sofrimento na vida. E suplantou todos eles. Somos ambos sobreviventes, ela das crueldades do mundo, eu, de mim mesmo. Fui por muito tempo o meu pior inimigo. Muito devagarinho vou fazendo as pazes comigo. É um processo para lá de conturbado, mas positivo, e acho que a terapia talvez me ajude com isso.

17h34. Eu e meu primo-irmão vamos para o Mimo hoje, um festival em Olinda. Minha mãe ficou relutante, não sei por quê, mas obviamente não iria me impedir. Avisei à garota da noite. Disse que se quisesse maiores informações, falasse com ele. Eu vi as atrações e, embora não conheça nenhuma parece ser música de qualidade. Pelo menos os shows vão valer a pena. Claro que gostaria de contar com a presença da garota da noite, mas acho um tanto improvável. E, pela foto que vi do festival, pela quantidade enorme de pessoas, deve ser difícil se encontrar por lá. Bom, a sorte está lançada. Vou me preparar para ir, já vai dar 18h00 e ele quer que eu chegue lá na casa dele às 19h00. E pediu para eu ser pontual. Deixar acabar “Moonlight In Vermont”.

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3h09. Qualquer ilusão a respeito da garota da noite foi quebrada, esmigalhada, triturada, destruída. Ela passou por mim e rapidamente me deu dois beijinhos e seguiu reto, deixando até as suas amigas perplexas. Estava, se percebi corretamente, com uma blusa vermelha de alças bem finas, tinha a boca igualmente rubra, como de costume, e nem me olhou nos olhos. Achei-a tão bela quanto da vez anterior. Vai ver que continuou lendo esse blog, minha maldição. As suposições é que teria ficado com o nosso amigo bonitão, mas foram só especulações de um ser embriagado. De qualquer forma, fato é que certamente causei alguma reação de repulsa forte nela. Tanto é que nem me aventurei a seguir com a turma para não causar constrangimentos desnecessários a mim e a ela. Foi bastante ozzy. Não esperava um cortada tão cirúrgica quanto o total desprezo. Confesso que doeu um pouco. Estava alimentando realmente uma vã esperança, admito. Mas agora estou de volta ao deserto afetivo. Como pude ser tão burro de continuar postando aqui? O irônico é que quem cantou a pedra do Mimo para ela fui eu. Não sei se iria de qualquer forma. Talvez. Só achei sua reação surpreendente. Não consigo parar de pensar que este blog foi o causador de tudo. Bom agora ela não mais será mencionada aqui. Talvez era isso que ansiasse. Pois bem. Só queria saber a razão e não especulá-la. Mas não vou saber e tenho que me conformar com isso também. Nem sempre a vida sai do jeito que a gente quer. Saiu até por tempo demais, fiquei surpreso. Uma semana da ascensão à queda. Isso dá um baixo astral, uma tristeza fina e azul, uma não-sei-quê que se apaga na alma. Ainda bem que estou mais de pé no chão. Hahahaha. Sei que você que vem acompanhando as últimas postagens deve estar rindo da minha cara. Como pode alguém estar com a cabeça nas nuvens e os pés no chão, mas sendo honesto, foi assim que se deu comigo. O fora foi mais brusco e grosseiro do que poderia sequer imaginar. Mas cá estou em terra firme, ou quase, com os pés fincados no chão do meu quarto-ilha. É a vida. Obrigado, vida, por mais essa. Aprendi um pouco mais. A couraça ficou um pouco mais dura e vejo que continuo – e nisso evoluí muito – a suportar frustrações com tranquilidade. “U R So Fucked” coincidente passa no som. É, em quesito do coração eu estou bastante fucked. Mas esse é só um aspecto da minha vida. Os demais estão satisfatórios. Na média geral estou bem. O entrave é aí mesmo. Ainda estou de cara. A verdade é essa. Me indagando o que precisamente eu fiz de errado para não merecer nem a amizade frouxa. Também não sei se estaria a fim de uma amizade frouxa. Bom, quebrei a cara. Normal. Acho eu. Meu melhor não foi suficiente. Talvez seja excessivo. Se ela ficou com o meu amigo bonitão, isso me põe um tanto mais para baixo, pois sei que é uma coisa fútil e superficial. Mas disse que não iria mais mencioná-la. Ou pelo menos farei o meu melhor. Vou dormir. 4h30. Deveria revisar e postar isso.

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15h58. Ser bonitão é uma vantagem evolutiva até certo ponto. Não sei se iria querer um bando de meninas que não me interessam no meu pé. Não saberia o que dizer para elas.

16h03. Não sei mais o que dizer por ora, acordei há pouco, me percebo ainda mexido emocionalmente, mas não sou nenhum bonitão, era de se esperar. Eu em certa medida estava esperando. Em outra medida mais profunda estava esperando outra coisa, outro desfecho um pouco mais colorido para o meu lado. Não deu, não foi, não será. Bola para frente. O pior é que não há outra amiga do meu primo-irmão que me interesse. Ou que tenha despertado meu encantamento assim. Não que eu me lembre. E disso me lembraria. É uma pena (para mim). Para ela deve ter sido com tirar um sapato que lhe aperta e faz calos nos pés. Alívio. Que bom, pelo menos essa sensação de liberdade a proporcionei.

16h22. O nosso amigo bonitão disse que Recife é uma cidade doente. Me indago que grande metrópole não o é. Percebi que a minha postura de figurante está se cristalizando dentro do grupo. Passei boa parte da noite com o meu primo-irmão e meu amigo cervejeiro e eles simplesmente ignoraram a minha presença e ficaram conversando entre si. Isso me incomodou, mas também estavam para lá de Bagdá e trocando juras de amizade, porém não o tempo todo. Sei lá. Foi uma noite diferente, cheia de novas percepções. Pena que a maioria delas um tanto quanto amargas. Ei, as bandas foram boas e a companhia foi ótima, houve momentos em que interagi com todos, do sexo masculino, da turma. Por incrível que pareça com quem interagi mais foi com o meu amigo cervejeiro. Ele estava particularmente comunicativo, o que foi ótimo para mim. Se disse num astral ótimo o que contrabalançou o meu. Não em entenda mal, não fora pelo completo desprezo de um certo alguém, a noite foi ótima. Há muito não me encontrava com um grupo com o qual eu tenho intimidade suficiente para conversar. Houve momentos em que fiquei de figurante? Sim, mais do que interagi, mas interagi bem, não foi uma noite praticamente nula de interações, eu diria que, em vista dos últimos programas, foi uma noite rica nesse aspecto.


16h51. Sabe de uma coisa? Vou parar de me botar para baixo por um tempo. Não tem para que eu ficar como submarinho emocional, navegando nas profundezas de mim. Se bem que agora seria um bom momento para ouvir a música de roedeira que eu salvei na lista 6, “Tola Foi Você”. Mas vou deixar o modo aleatório decidir por mim. Foi uma noite que valeu a pena ser vivida, muito melhor do que ficar aqui trancado no meu quarto escrevendo. Isso eu já faço todos os dias. Foi uma noite de aprendizado, do emocional ao musical. Interagi com pessoas que sinceramente gosto. Sei mais o que escrever não, vou postar. 

sábado, 18 de novembro de 2017

SURPRESA


Surpresa, um passo foi dado
Surpresa, o passo foi meu
Avancei pouco
Mas adiante estou
Do que estava e era
Surpresa, foi tão mais fácil
Surpresa, foi bom
Estar um passo mais próximo
De você.
Não sei se você vai recuar
Ou se caminhará em minha direção
Tudo é surpresa, descoberta
Ou redescoberta
Uma lufada de vento
No meu coração empoeirado
Cheio de velhos troféus
Cheio de novos sonhos
Você é sonho em botão
Será que, para a minha surpresa
Desabrochará em possibilidade
Firme e plena
De viva cor
Da cor que você escolher
Pode me surpreender
Surpreendente será (se for)
De qualquer maneira.

Faço essa poesia(?) porque minha alma pede. Está repleta de aspirações. Até demais. É melhor baixar o facho. E, vendo as fotos dela, vejo como o mundo é pequeno. Ou como conheço muitos psicólogos. Hahahaha. Tem uma companheira de trabalho dela que foi um grande crush meu quando estava internado no Albergue de Drogados. Paixonite aguda. Também naquele espaço de carência afetiva absoluta. E sem contar que era (e continua sendo, pelo que vi) uma supergata (para os meus padrões). Se eu trocaria uma pela outra? Não posso dizer, não conheço nenhuma das duas bem o suficiente. Mas meu foco é a garota da noite. Não tem nem sentido eu viajar na outra, se brincar já deve estar casada, sei lá. Além de ser um tremendo desrespeito com a garota da noite. Meu deus, como viajo. Viajando que há alguma possibilidade de eu ter alguma coisa com a garota da noite. O meu bucho é a primeira coisa que me faz desinteressante e não desaparece do dia para a noite. Queria que ela respondesse as últimas mensagens que enviei. Ficou off-line. E acusa que minhas mensagens não chegaram. Bom, é a vida. Hoje já foi para mim um dia de grandes conquistas. Me aproximei um pouco mais de uma garota. Uma garota de verdade. Uma garota que não é de todo impossível. Pode ser muito difícil, mas comecei jogando o mais aberto possível e ela já sabe da minha aparência, do meu bucho, da minha idade – se olhou o meu Facebook – do meu interesse, da minha timidez. Tudo, enfim. Só não falei do crush que tive pela amiga dela. Mas descobri isso agora. Depois conto. Ou publico isso. Mas não sei se ela vai ler. Digo-lhe pessoalmente ou num próximo encontro virtual. Será que preciso mencionar isso? Acho bom. Tenho que ir dormir em breve. Amanhã tem consulta com a Doutora. Prevejo que será uma consulta muito mais para a minha mãe que para mim. Nossa, como o mundo é pequeno. Logo uma das minhas paixões platônicas trabalha junto com ela. Já havia até esquecido da existência dela. Espero que isso não se interponha como um problema. Um problema de algo que nem começo tem. E que nem sei se terá. Talvez isso venha até em meu benefício me ajudando a tirar a garota da noite de qualquer pedestal que eu possa teimar em colocá-la. Ela é uma garota e uma garota apenas, não é um anjo que veio do céu para me salvar. Embora ela possa fazer uma transformação no meu modo de vida. Qualquer relacionamento afetivo faria. E isso me aterroriza, pois me tiraria completamente da zona de conforto. E o sexo? Ah, ela teria que ter paciência. Muita paciência, eu creio. Não pular etapas.

22h45. Contei-lhe logo sobre a paixonite que tive por sua colega de trabalho para que não comece com obscuridades. Achei melhor. Ademais, sua amiga nem deve se lembrar que eu existo, como registrei na mensagem que enviei. Eu não lembrava. Mas é de se esperar, na possibilidade de que haja um enlace afetivo, que o encontro com a amiga seja inevitável. Afinal, seu círculo social iria se mesclar ao meu. O dela não iria ampliar muito, pois o meu círculo é super-restrito. De qualquer forma, abrindo essa situação evito quaisquer saias justas para os três que porventura, num futuro hipotético – e bote hipotético nisso –, possa acontecer. Acho que vou ter muita vergonha disso que escrevo agora. Quando der com os burros n’água. Tanta fantasia pelo que tem tudo para não acontecer. Eu tenho essa mania de sonhar e de me deixar levar pelo sonho. Mas creio que estou com os pés no chão. Não me sinto apaixonado. Não tem nem como. Mas não nego que seja uma possibilidade. Não muito distante da minha realidade. Precisa apenas de uma fagulha, eu acho. Ou posso beijá-la e não sentir nada, o que seria terrível. Gostaria de apresentá-la como minha namorada à minha família. Como gostaria de me olhar no espelho e pensar, cara, você namora uma garota fantástica. Mas tudo isso está a anos-luz da realidade. A realidade é que ela leu as impressões que tive sobre ela e se sentiu lisonjeada, lisonja essa que a fez me aceitar como amigo e a motivou a travar um pequeno diálogo comigo pelo chat do Facebook. Só foi isso que aconteceu. Nada mais, nada menos. O acesso ao Facebook dela me deu subsídios para conhecer um pouco mais da sua vida. Como o meu deve ter tido o mesmo efeito, se ela o visitou. O pior é que tem a minha ridícula foto com os cabelos vermelhos. Vergonhoso. E praticamente irreconhecível. Ou reconhecível até demais, infelizmente. Faz muitos anos, acho que de uns 15 a 20.

23h21. Fui pegar Coca e fiquei sem o que dizer, o que é ótimo, pois preciso ir dormir cedo para enfrentar a Doutora amanhã. O pior é que gota de sono não há. Vou beber mais um copo de Coca e passar para a água. Ou ir morrendo de sono para a Doutora, pouco se me dá.

23h36. Fui fumar um cigarro. E como acho que vou me arrepender de escrever essas baboseiras. Mas é onde o meu espírito está agora. É onde ele – eu – quer estar. Mergulhado em fantasias românticas. Não é um lugar ruim de se estar, não fora tudo fantasias. Achei ela uma graça de óculos. Combina com o rosto dela. Percebe-se através das fotos uma evolução dela como mulher confiante e dona da sua feminilidade e sensualidade. Hoje parece muito mais segura de se expor provocante ma non tropo, na medida exata, sem parecer vulgar, mas mulher plena. Antes se via uma pessoa mais acanhada, menos empoderada da condição de mulher, ainda não capaz de explorar toda a sua feminilidade. Hoje parece que a insegurança de outrora ficou para trás e ela sabe muito bem onde pisa. Quando revelei a meu primo-irmão quem era a fonte do meu interesse, ele se limitou a dizer que era a nêga com quem um amigo nosso havia ficado. Não sei se quis dizer isso como incentivo ou como alguém proibida para mim. Realmente não entendi o comentário. E não sei o que significa essa palavra, “ficada”, será que sempre envolve sexo? Não faço ideia e não sou afeito a isso. De passar do conhecimento ao sexo em uma noite só. Sou devagar com sexo, mas acho que aqui já me repito. E, em me repetindo, vou me retirar por hoje.

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13h25. Acabo de voltar da consulta com a Doutora, foi tranquilo. A melhor parte foi mamãe arranjar a referência de uma médica para ver o que são esses esquecimentos, confusões mentais e falta de foco que a acometem. Encontrei com o meu ex-psicólogo e disse-lhe que participar dos grupos que realiza no Manicômio me trazia péssimas recordações. Ele compreendeu. E me deu a boa nova que uma amiga em comum havia parido e tudo estava ok. Massa. Reencontrei com Popeye e ele me perguntou das fotos, disse para eu não mostrar à polícia. Hahahaha. Penso em fazer uma camisa com a imagem, já fiz uns estudos de layout, mas não sei se estou satisfeito. Estou muito enferrujado nessas coisas. A Doutora retirou o Rivotril do meu cardápio. Mas parece que ampliou a dosagem de outro. Para mim, não vai nem vem, não sei para que os remédios servem mesmo. Ela perguntou ao me saber sem terapeuta por que não voltava ao meu ex-psicólogo, ainda bem que minha mãe respondeu por mim. E sua resposta foi melhor que qualquer sinceridade que pudesse dizer ou insinceridade que pudesse conjurar. Disse que eu não dei grandes razões e que queria tentar com uma terapeuta do CAPS. Por falar em CAPS, tanto minha mãe quanto a Doutora acham um ótimo lugar para eu frequentar. O problema é que não quero passar a minha vida toda indo para o CAPS. Não há razão para eu ir para lá, só se eu tivesse uma recaída. Mas ir à psicóloga do CAPS para consultas semanais acho superválido e pretendo fazer isso uma vez que volte dos EUA. Mas não quero nem falar nisso, dos EUA, pois me gera uma moderada angústia. Às vezes me pego cismando sobre qual o valor de depositar minhas palavras e meu tempo aqui. Nessas vezes eu geralmente concluo que é um esforço completamente em vão. Meu superego é cruel. Mas domo ele com a verdade, eu me realizo fazendo isso. É o que faço que mais me agrada, me preenche e dá prazer. Que mais posso pedir de um hobby ou afazer ou ofício?

14h06. Fui pegar um copo de Coca. Quem me dera o Odyssey rolasse hoje. Seria muitíssimo bem-vindo, mas minha intuição me diz que não vai rolar essa semana. Espero estar intuindo erroneamente. Veremos. Eu poderia ser mais incisivo e perguntar na grande quando vai rolar, mas não quero pressionar meu amigo jurista a fazer algo que talvez não esteja a fim de fazer essa semana. Embora eu ache que ele teria abertura para me dizer que não dá essa semana. Vou perguntar. Péra.

14h20. Perguntei. Vamos ver qual será a resposta, quando ela eventualmente vier. Por falar em respostas, vi que os meus comentários chegaram à garota da noite só que ela ainda não viu. Pelo menos é o que os sinais do Messenger dão a entender. Não sei se deveria ter mencionado a minha paixão pela companheira de trabalho dela, mas no fundo acho que foi o mais sensato e honesto a fazer. Aposto que todo esse empenho emocional que dispendo não vai dar em nada, no máximo em mais uma amizade frouxa.

14h51. Estava conversando com o meu amigo jurista. Hoje nasce seu sobrinho ou seja..., mas ele disse que parou o Mario para jogar comigo e está na secura. Quer ir ao cinema também. Quem sabe semana que vem? Bom, é dar tempo ao tempo. O cara tem uma vida atribulada. Mulher, trabalho, filha. Tudo o que não tenho. Hahahaha. Poucos seres humanos têm o que tenho e menos ainda passariam ou passam os dias a escrever. Com um mundo recheado de prazeres para serem experimentados (o que geralmente requer grana e a minha está sob o controle da minha mãe), a experiência mais edificante e gratificante que encontro é sentar a bunda na cadeira e ficar no computador a escrever asneiras.

16h01.

16h14. Mil pensamentos, mas nenhum que se preste a ser postado aqui. Um deles é que hoje é mais um dia só. Não tem programa para eu fazer. Aliás, até tem, ir ao jantar de aniversário da minha prima aqui pertinho no japonês que fica a dois quarteirões da minha casa, mas acho que vai ser só a família nuclear. Vou perguntar à aniversariante. Pronto. Só falta, para variar, a resposta. Mas, de longe, a comunicação que eu mais queria receber era da garota da noite. Gostaria muito que ela achasse a história da sua amiga de trabalho engraçada ou curiosa apenas. No máximo. E que a amiga não queimasse o meu filme.

16h49. Perguntei à mãe da aniversariante também e não obtive resposta. Mais uma noite on my own. Queria eu ter coragem de mandar uma mensagem para a garota noite perguntando o que ela vai fazer hoje. Mas não cheguei a esse grau de ousadia. Nem acho que algum dia chegarei. Nem acho pertinente, pelo contrário, acho impertinente da minha parte ficar fantasiando aqui e querer que a pessoa seja recíproca a tais fantasias. Vou deixar a garota da noite quieta no canto dela e parar de mencioná-la aqui. Se ler, vai me ter por algum tarado ou maníaco e deus me livre passar essa impressão. É que faz tanto tempo que não chego tão próximo, embora ainda muito distante, de uma garota que me interessa. Nossa, uma eternidade. Mas tenho que me conscientizar que essa é outra vez que não vai dar em nada. Que continuarei sozinho, o que parece ser a minha sina. Estou sendo melodramático? Olhe as estatísticas, em mais de dez anos de carreira solo só fui agarrado uma vez por uma garota ninfomaníaca e obviamente não dei conta do recado. Foi por conta desse episódio que passei a me considerar demissexual. Na verdade, só descobri o termo uns dois anos depois, mas sabia já que não era cara de “ficadas” só pelos prazeres da carne. Constatei isso na prática. Tampouco sou galinha. Gostaria muito de ser, tanto de ficadas quanto galinha, minha vida seria bem mais fácil, mas infelizmente essa parte da vida não é nada fácil para um romântico babaca como eu. Romantismo saiu de moda. Até nas músicas, que só falam de sexo hoje em dia. Pelo menos as de massa. As poucas que ouvi. Também não vou generalizar. Toda generalização é burra, já me dizia o meu velho pai. Mas hoje parece que a busca é por relações rápidas e superficiais. Superficiais no sentido do afeto e da intimidade, mas bastante profundas no sentido sexual. Eu funciono na polaridade contrária, afeto e intimidade vêm na frente do sexo. 17h27. Vou pegar Coca e meditar se continuo aqui ou vou para uma realidade alternativa, seja jogo ou filme.

17h32. Voltei para cá, estou ouvindo som alto, como não posso quando o casal está em casa e isso me apraz. “Virus”, versão remix, magnífica. Só alto assim eu consigo ouvir a riqueza da música que é muito maior do que julgava. Me alegra a alma ouvir e redescobrir uma música que eu gosto por causa do som mais potente que hoje possuo. Nada demais, 400W, mas é o suficiente. Nem boto no máximo, pois nem eu aguento, mas essa potência extra, gera uma profundidade e clareza do som que nunca havia experimentado antes. É uma das delícias da minha vida, um prazer raro, como devem ser os grandes prazeres, para que não corram o risco de cair na banalidade. Minha tia respondeu sobre o restaurante japonês, será só a família nuclear. Então, estou fora. Again on my own. Not a bad company after all just the same company as every other day. Me perdoem pelo parco e porco inglês. Não sei porque resolvi escrever em inglês. Saudades do blog de bonecos? Um pouco talvez, mas não tenho conteúdo para escrever nele. Poderia receber uma mensagem da garota da noite para eu ganhar o meu dia e para eu descobrir o estrago que a minha declaração sobre sua amiga causou. Que babaquice, Mário! Deixa dessa frescura! Vai catar coquinho que é melhor. Para de falar dessa menina, não vê que não vai rolar nada? Muda o disco que esse já cansou. Ok, superego. Mas não tenho mais nada o que comentar. Continuo aqui na frente do computador, a noite já se debruçou sobre esta parte do planeta e não tenho ânimo para fazer coisa outra que não escrever.

18h12. Fui fechar a porta para a fantástica faxineira e acabei comendo um pão com presunto. A comida na barriga me deu sono. Talvez me deite um pouco, já que não posso mais falar do que gostaria de falar sob pena de parecer excessivamente excessivo.

18h26. Eu fui uma criança mais bonita do que o adulto que me tornei. Por fora, pelo menos. Se bem que hoje sou muito parecido com a criança que eu era por dentro. Incrível quanto da criança sobrevive em mim nos dias de hoje. Inclusive partes que eu desgosto dela. Espero melhorar nessas partes.

19h34. Minha mãe chegou com as compras e fui ajudá-la. Estou meio para baixo hoje, achando a vida despropositada. Mas só um pouco. A solidão às vezes se torna cansativa, por mais que preze pela minha privacidade e a tranquilidade do meu quarto-ilha. Ella & Louis “Moonlight In Vermont”. Que coisa linda. Faz sonhar. Aí entra Faith No More, quebra o clima. Mas curto a música mesmo assim.

19h48. Meu padrasto chegou. E alguma coisa já o desagradou, espero que não tenha sido o danado do Vaporfi. Sem inspiração para escrever. Há um problema na viagem, não há quem vá buscar-nos no aeroporto dos EUA. No grupo de WhatsApp há um debate entre alugar um carro para ter mobilidade ou apenas uma van-táxi ou coisa do gênero. Bom, isso é da alçada da minha mãe, visto que não dirijo, não tenho acesso ao meu dinheiro e não estou nem um pouco a fim de fazer essa viagem. Outro assunto que baixa o meu astral. Eu sei que todo mundo de país tropical sonha em ver neve, infelizmente esse não é o meu caso. Acho que vou me deitar um pouco.

21h09. Estava tirando um cochilo e fui acordado por uma mensagem da garota da noite no meu celular comentando que me explicaria o que pedi que me explicasse e comentando como o mundo era pequeno (em relação à amiga). Eu respondi, no susto, exatamente isso, “Eu fiquei de cara e temendo que ela por algum motivo queimasse meu filme com você... Sou besta mesmo, me perdoe...”

21h18. Não resistindo, ainda emendei, “Não que eu queira ocultar algo de você, o que quiser saber, eu te falo, só perguntar. Sou afeito à sinceridade e à honestidade.” E fui absolutamente honesto e sincero nessa observação. Pelo menos alguma coisa para me dar uma enxurrada de adrenalina boa. Quem sabe ela não me responda uma vez mais. Só acho incrível como as mensagens demoram a sair do celular dela para o meu. E vice-versa. Só chegou uma para ela. A segunda ainda não e ela não viu nenhuma. Desculpe superego, mas tinha que narrar esse acontecimento.

22h42. Peguei algumas estrelas em Mario Galaxy. Estou quase assistindo “Atomic Blonde”. Acho que vou dar uma chance ao filme... já-já.

22h52. Vou não, vai ficar tarde demais, já são quase 23h00. Vou tentar dormir mais cedo hoje. Que coisa a minha cabeça, não paro de pensar na garota da noite. Ela vai pegar a minha ficha clínica com a amiga e aí adeus quaisquer chances. Hahahaha. Se bem que se ela me perguntasse eu teria de contar mesmo. Vamos ver quão mente aberta pode ser uma psicóloga. Mas duvido que para um fruto bichado e buchudo ela tenha alguma disponibilidade. Hahahaha. Rio para esconder a minha frustração. Será que ela continua lendo o blog? Espero que não. Não deve ter tempo nem paciência. Ainda bem. Me parece a suposição mais acertada. Sei que não consigo converter leitores com essa facilidade. Tanto é que o meu último post teve apenas 27 acessos até agora. Não acho que vá passar disso. Nem acho que eu e a garota da noite nos cruzaremos nesse final de semana. A probabilidade é baixa. Da forma como meu primo-irmão se referiu a ela foi como se não tivesse essas intimidades todas, ela nem está no grupo de WhatsApp da turma, talvez por pertencer a uma turma diferente, não sei. Sei que não vou ter o embasamento do outro cara “que a pegou” para debater psicologia, aliás me sinto incapaz de debater qualquer coisa. Mas isso, como o meu superego diz, é frescura, acredito que seja capaz de conversar, só me sinto bastante acanhado para tal. O negócio é sobreviver até quebrar o gelo. Quem me dera eu ter coragem de fazer festa e pedir um abraço. Por que o abraço? Para ver se nossos corpos se encaixam. Há pessoas cujos corpos não se encaixam num abraço. Pelo menos eu tenho essa teoria. Houve pessoas que abracei que não encaixaram comigo. Vai muito do jeito de abraçar, eu acho. Nossa, me sinto liberto depois que abandonei o baixo astral dos grupos de assexuais. Eu gosto bastante até as preliminares, a penetração e o orgasmo é que não são a oitava maravilha que todos apregoam. Se bem que eram de legais a bem legais com as minhas namoradas. Mas faz tanto tempo isso. De toda sorte, de onde eu estou até um negócio desses vai um looongo caminho. Que nem sei se vai ser trilhado. Eu não sei nem quando a reverei. Se reverei at all. São tantos “se”, a maioria com probabilidade de não que é melhor eu defenestrar essa ideia da cabeça. Não, não vai ser dessa vez que arrumarei alguém para amar. Nem sei se estou disponível para isso. Tudo indica que sim, sinto forte inclinação por dar início ao processo, mas com calma e parcimônia. Nada de pressa. O que estou falando, meu deus? “Milhões de vasos sem nenhuma flor”, como diria o poeta. Vou pegar Coca. Acho que mais dois ou três copos e vou dormir.

0h00. Mudança de planos. Resolvi jantar e acho que isso vai me dar sono. Não comi muito nem pouco e somando ao que me alimentei no resto do dia acho que não devo ter consumido as 2.000 calorias diárias, então talvez amanhã acorde um pouco mais magro. Pouco. Melhor que acordar mais gordo! Hahahaha. Vou me retirar. Amanhã reviso e posto.

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18h21. A garota da noite me mandou uma mensagem que não entendi, muito evasiva, acho que não responderei. E demorarei para responder. Será que vai ter dois beijinhos? Minha mãe chegou. Estava no Desabafos do Vate talvez role um novo WhatsApp para Bic, mas não vou contar aqui.

19h24. Mandei, mas é muito nada a ver, por isso mantenho no Desabafos. Acho que meu padrasto já reclamou do “cheiro” do Vaporfi uma vez mais. Eu acho, não ouvi direito e posso não ter ouvido certo.

19h34. Pensando que é uma boa hora para encarar um game ou filme. Acho que vou de Mario Galaxy.

20h21. Meu padrasto está discutindo o negócio do Vaporfi de novo. Meu irmão, que novela. Porque ele insiste nisso? Meu deus, é uma cruzada antitabagista. Que saco. Virou questão de argumentos frequentes com a minha mãe. Ainda bem que não é comigo. Passou meses e meses sem sentir coisa alguma, ninguém nunca sentiu. Subitamente ele desenvolve narinas supersensíveis que passam a detectar o odor do Vaporfi, coincidente depois que me viu dando uma baforada dentro do quarto com a porta aberta. Meu irmão, se isso não é perseguição, não sei o que é.

Abri a janela, deixei a cidade invadir meu quarto-ilha. A cidade à noite e seu murmurar característico, um silêncio que não é de todo silencioso. E que é quebrado por rompantes de homens, máquinas e animais. Claro que não é o barulho e ininterrupto da manhã, o burburinho matinal. Esse não me agrada tanto quanto a noite.

20h52. Havia desligado o celular há algum tempo. Não sei o que responder à mensagem da garota da noite. Acho que vai ficar sem resposta. Eu não sei o que dizer.

21h26. Botei um sorriso. Foi o mais simpático e pertinente que pude ser com o que ela comentou. Não havia realmente nada a dizer. Não consegui divisar. Se ela não quiser nada comigo, que é o mais provável, o que farei da minha vida afetiva? Voltar à estaca zero, claro. Pelo menos flutuei um pouco acima do chão, como pena em que bate brisa leve. Se eleva um pouco no ar e suavemente volta ao chão. Acho que vai ser uma aterrissagem suave, sim. Primeiro porque sou sonhador aqui, mas realista de fato. Segundo porque acho que não vai haver nenhuma agressividade ou rejeição instantânea da parte dela, até porque se eu tomar alguma iniciativa é a de conversar. Uma colega da turma que participava, ministrada pelo meu ex-psicólogo, que encontrei quando fui ao Manicômio para a consulta com a Doutora, me disse que mulher gosta de homens que as façam rir. Se for esse o fato, estou em maus lençóis, pois ando tão sem graça ultimamente. Se eu bebesse talvez. Mas não vou beber. Questão de sobrevivência. E prefiro sobreviver a arriscar voltar àquele lugar infernal. Terei que ser quem eu sou e isso vai ter que bastar.

22h23. Meu amigo da piscina chegou de sua saída, vai jantar e quer que eu desça para conversar com ele. Acho que vou. Não estou fazendo nada. Não pude ir para o Mimo, para onde meu primo-irmão foi, porque meu padrasto estava lá debatendo com a minha mãe sobre o Vaporfi. Espero que amanhã eu consiga sair com ele.

23h41. Tivemos uma boa conversa eu e meu amigo da piscina e ele me convenceu a fazer um layout de alguma coisa. Me convenceu de ao invés de vir escrever, ir direto para o Corel.

1h48. Acabei de fazer. Fiz da Coca Zero. Um do jeito que eu queria e uma seguindo as normas. Não posso dizer que me senti bem fazendo, especialmente o layout mais careta, mas não me senti terrível. Mas prefiro ficar longe disso. É outra coisa que me leva a ruína psicossocial.









Vou revisar e postar... quando acordar. Vou é dormir agora. 1h55. Estou com sono. Vontade de fumar um cigarro. Acho que vou. O saideiro da noite. Vou.