terça-feira, 19 de setembro de 2017

VIAGEM A MUNIQUE III

23h10. Minha irmã fala com a parte norte-americana da família pelo onipresente WhatsApp.

23h39. Acabou a conversa. Estão todos se retirando para dormir.

23h51. Todos foram dormir aparentemente. Tenho a casa só para mim, como gosto, mas também me sinto cansado e com sono, logo, não conseguirei aproveitar esse sentimento por muito tempo. E aproveitar o quê, se não faço outra coisa senão escrever, coisa essa para a qual não acho a mínima inspiração no momento. Acho melhor dormir e acordar mais cedo e disposto amanhã. Talvez para fazer novo passeio pela Marienplatz. Não sei se vão haver programas agora que o meu cunhado tirou uma semana de férias. É bem provável que sim, talvez já a partir de amanhã. 0h06. Vou tomar mais um copo de Cherry Coke e ir dormir. Tenho que lembrar de levar “O Mundo de Sofia” de volta.

-x-x-x-x-

6h28. Acordei há uns 40 minutos. Estou e não estou com sono. Daqui a alguns minutos, os meninos acordam e com isso seus pais. Hoje é segunda-feira. Está chuvoso o clima, pelo que pude averiguar lá fora quando fui fumar um cigarro. O primeiro da carteira que era para ser destinada ao meu amigo da piscina. Terei que comprar outra para ele. Não é um cigarro bom, queima muito rápido. Só tem como curiosidade o fato de o fumo não chegar até o filtro, acabar antes, reduzindo assim, creio eu, a possibilidade de uma guimba causar um incêndio. Vou mostrar uma caixa que eu achei, dos anos 30 ou 40, de uma marca daqui, com dimensões bastante aceitáveis, 33 x 22 x 17 cm, aproximadamente. Bom, até eu descobrir, a página da caixa vai ficar aberta no Chrome. Como há agora, deixe-me ver, 23 abas abertas no browser contando com a da caixa. Por que tantas? Eu honestamente não sei, tem algumas que não revisito há séculos, outras que revisito quase todos os dias, mas todas para mim têm alguma utilidade quando o momento apropriado se dá, como a de conversão de medidas que vez por outra eu uso para descobrir o peso e as dimensões de um boneco em quilos e centímetros. Acho que vou dormir mais um pouquinho. Estou com fome e preferiria fazer um café para mim. São 7h47 da manhã. Ouço as vozes dos meninos, já ouvi a voz do meu cunhado e acho que agora ouço a da minha irmã. Não sei se saia e faça o café para mim ou espere eles partirem para fazer isso, não quero arruinar o único momento que têm de ser apenas os quatro como de costume são, sem a minha presença e a da minha mãe. Estou quase cochilando aqui na frente do computador. Acho que quando eles saírem vou tomar um café e depois dormir mais um pouco. 7h57. Que horas os meninos têm que estar na escola? Espero que não mais que 8h30. Quero sair pra tomar um café. 8h13. Vou sair para fazer um café. Eles ainda estão aqui. Dane-se. Eita, que o menino começou a chorar. Não vou mais agora.

8h40. Fui, primeiro fiz o meu café, depois falei com todo mundo. Acho que a caixa ainda é muito pequena em uma das dimensões. E a ilustração não tem nada a ver. O legal seria que a caixa seria muito antiga e alemã, definitivamente one of a kind. Vou pedir consultoria à minha irmã. E o preço está em conta. Refiz os cálculos e, se eu puser o conteúdo na vertical, ele caberá perfeitamente.

11h11. Escrevi um bocadinho no meu projeto paralelo, tomei café da manhã, um longo café da manhã onde conversamos bastante... sobre games. Mamãe inclusive. Foi divertido, embora realmente quisesse voltar para escrever. Meu cunhado joga um game de Wii, que chamam “Vii” por aqui, um Wii Play para Motion Plus, que não sabia nem que existia. É bem mais complexo que o Wii Play original e, enquanto o meu cunhado o esteja achando superdivertido e desafiante, eu não vejo a mínima graça em jogar. Acho muito divertido assistir, mas controlar efetivamente o jogo não me desperta nenhuma vontade. Isso é tão estranho a mim. Eu normalmente estaria louco para jogar. Ou melhor colocando, no passado, quando eu via graça em videogames, eu estaria louco para jogar, mas hoje sou uma pessoa diferente nesse aspecto. Videogames são como piadas para mim, eu consigo ver e entender a graça, percebê-la, mas não senti-la, não me provocar o riso, no caso da piada, ou a vontade de jogar, no caso do game. É precisamente assim que me sinto em relação a uma coisa e outra. Acho que realmente estou me tornando um cara chato.

12h13. Meu sobrinho chegou do colégio e meu cunhado está jogando com ele, sei bem como é tedioso ensinar e assistir crianças pequenas no mundo dos games. Pelo menos para mim. Não sei se fosse um filho meu eu me sentiria de uma forma diferente, mas acho difícil. Não sei nem se eu gostaria que meu filho jogasse videogames, se tornasse secão como eu... era. Não consigo me concentrar direito na escrita com a jogatina. Mas tentarei. Não sei se ainda sou secão por videogames. No momento me encontro bem distante disso, videogames ainda me atraem, mas mais como observador. Gosto dos gráficos, não gosto dos desafios. Da dificuldade. Acho um estresse desnecessário e inútil, não consigo ver mais como diversão. É curiosa essa mudança de paradigma. Espero que não seja algo permanente. Gostaria muito de ver o meu tesão por games voltar. Talvez quando entediado no meu quarto-ilha, eu me anime. Talvez o novo Zelda, se meu irmão mandou, ou o Persona 4. Não sei. Só sei que agora não estou com a mínima vontade. O melhor videogame para mim é o Word no momento. E que momentozinho demorado esse, viu? Mas, mudando de assunto, desligaram o videogame aqui, são 12h55 e minha irmã prepara algo cheiroso na cozinha. Escrevi “piscina” em vez de “cozinha”, acho que fiquei impressionado com a história que me contaram sobre as piscinas públicas a que mamãe e minha irmã foram ontem. Fiquei curioso em ir, mas não trouxe bermuda apropriada para a ocasião. Não trouxe bermuda nenhuma, nunca imaginei que poderia tomar banho de piscina aqui no frio outonal. Bom, se houver uma próxima vez eu trago uma bermuda, a fantástica faxineira chegou até a separar uma, justamente a que escolheria para tomar banho de piscina, mas disse para não colocar na mala alegando que não usaria bermudas aqui. Doce ironia. Poderia ter pedido uma bermuda do meu cunhado, mas acho que ficariam apertadas em mim e não me senti à vontade para fazer tal pedido. Em verdade não achei que as piscinas seriam tão interessantes e cheias de recursos. Como correntezas, jatos para massagem e cadeiras com bolhas saindo por debaixo. Tudo isso sem esquecer, claro, que as piscinas são aquecidas. Eu acho que as pessoas aqui andam em média mais rápido que no Brasil, talvez porque andem mais, o transporte público funciona de verdade aqui. Então, para a maioria das coisas, não é necessário ter carro. Principalmente vivendo onde a minha irmã vive, com um metrô na calçada de casa e um local com supermercado, correios e outras lojinhas a menos de 500 metros de casa. Estou meio lento de raciocínio, acordei de 5h45 hoje. Minha irmã pesquisa passagens para os EUA para visitar o meu irmão. Parece que achou uma por um preço interessante.

Eis a tão falada caixa. Será que a conseguirei? Será que é tão interessante assim?


13h34. Minha mãe fala com o meu padrasto pelo telefone, tentando fazer com que meu padrasto, que não acha nada, localize algum tipo de documento. Minhas mãos estão frias, tem sido assim ultimamente, inclusive no Brasil. Dizem que isso é um sinal de algo negativo para a saúde. É, coisas da idade. Tenho medo de morrer antes da conclusão do meu projeto. Aliás, não tenho medo de morrer, mas não estou muito a fim de morrer agora, minha vida está boa. Estou em família e isso é bom. Estou em Munique e isso também é bom. Não cruzei com os meus vizinhos e isso é ótimo. Vamos receber uma visita dos sogros da minha irmã e isso não é muito ruim. Minha irmã, filha do meu padrasto vai vir visitar-nos, isso acho que será melhor ainda, pois não haverá espaço no carro para todo mundo e eu poderei ficar em casa. Ou ir à Marienplatz. Não quero fazer programas em família. Não gosto de programas em família. Acho um saco programas em família. Acabo me divertindo às vezes, mas, via de regra, não acho graça nenhuma. Se for para ir a algum lugar para comer, ainda me animo, mas eu estou muito mais para o personagem de “Ouro de Tolo” de Raul Seixas. “Ah! Mas que sujeito chato sou eu que não acha nada engraçado, macaco, praia, carro, jornal, tobogã eu acho tudo isso um saco...” acho a minha cara hoje em dia. Com exceção dos grandes primatas que, como já disse aqui, me causaram forte impressão por causa de suas “humanidades”, o resto eu acho um saco mesmo. Espero não ter que participar de muitos programas assim. Se possível, nenhum. Vou ver se minha irmã compra a caixa ainda hoje. Queria era tirar um cochilo depois do almoço, mas planejo ir ao Edeka levar as garrafas para pegar o depósito pelos vasilhames secos e comprar mais Cherry Coke.

15h19. Tivemos um almoço abrasileirado preparado por minha irmã. Um feijão com linguiça e charque, porco frito, torresmo, arroz e farinha. Estava uma delícia. A fome ajudou e foi um bom tempero. Agora todos descansam um pouco. Mamãe no quarto com as compressas quentes nos joelhos (as compressas aqui são de pano cheias de sementes de uva e podem ser esquentadas no micro-ondas), os demais brincam e descansam atrás de mim. Agora estão mais despertos.

15h35. Estou a fim de tirar um cochilo. Mas não muito.

18h03. Dormi até agora. Acordei com a chegada de minha irmã e sua turma que haviam saído.

19h54. Fomos mamãe e eu ao Edeka. Eu só pretendia comprar Cherry Coke e Manner, mas mamãe comprou coisas como dois potes de sorvete porque estavam em promoção e dois galetos crus para um suposto churrasco, sem nem saber se havia espaço na geladeira, que está abarrotada das compras de anteontem, além algumas outras coisas menores. Ia levar uma bota para o meu sobrinho, mas a fiz ligar para a minha irmã para se informar se a bota realmente caberia nele e acabou que não era o número certo nem havia o número certo no supermercado. Uma coisa a menos. As garrafas que levei para resgatar o depósito renderam 5,68 euros de desconto nas compras. Mais do que eu gastei comprando as Cherry Cokes que renderão, cada garrafa vazia, 15 centavos de euro. A única complicação com preços aqui é com essas garrafas retornáveis, pois vem o preço do líquido e embaixo, bem pequenininho, o valor adicional de depósito reembolsável pelo “aluguel” da garrafa. Pensei até em filmar o caminho do Edeka, não sei se pode filmar lá dentro, mas já estava escurecendo, vi que a luz não ia ficar boa quando passei pelo desenho que filmei quando da minha ida à Marienplatz. Quero ver onde a minha irmã, filha do meu padrasto vai dormir. Espero que não comigo, mas não vejo muita alternativa. A sala é o maior cômodo da casa. O único onde caberia mais um colchão. Por sinal, tenho que fazer uma coisa, se for realmente fazer, antes de ela chegar aqui. Vou tentar ir à Marienplatz essa semana. Minha irmã me ofereceu novas opções de caixa (de metal) da Coca-Cola, estilo vintage, mas novas. Latas, em verdade. E latas enferrujam, principalmente na quentura e umidade de Recife. Não quero latas, quero a caixa de madeira dos anos 40. Estou conversando com a minha irmã sobre o assunto, ela pareceu não se ofender com a ideia da caixa, parece ter percebido que eu estou com ideia fixa nela e parece não se incomodar com isso. Espero que ela compre a caixa nos próximos dias. Mas vou deixar essa fixação com a caixa. Fiz o que eu tinha que fazer.

22h00. Estamos assistindo o programa de um inglês que vive nos EUA e faz críticas aos EUA com muitas piadas, ele ganhou o Emmy por melhor show de variedades este ano. O que estamos assistindo agora é sobre a indústria de galinha nos EUA. É difícil escrever com a TV, mesmo que esteja em inglês. A TV realmente captura a minha atenção. Até porque o cara é bem teatral e chamativo. 22h16. O programa acabou. Estamos conversando sobre problemas financeiros, não pessoais, mas dos EUA.  

23h22. Todos se retiraram para os seus quartos, a casa é minha uma vez mais. Tenho banheiro, cozinha e sala de estar à minha inteira disposição, me sinto um reizinho. Tentei me lembrar da palavra “agiota” por mais de uma hora e não consegui. Assistimos um programa do cara que se chama “Last Week Tonight” ou coisa muito parecida. Está rolando a música tema de Clementine, “Menina Bordada” de Marcelo Camelo. Desde a época do Orkut essa música está atrelada à sua pessoa. Não tem como ouvir e não lembrar instantaneamente dela. Mas não tem mais nada a ver, acho que só penso nela com mais ênfase esses dias por causa do sonho que tive. Um que se transformou num pesadelo, como todos os meus sonhos. Longe estão os tempos em que eu me dava bem no final dos meus sonhos. Em que acordava decepcionado com a realidade, por se afigurar menos interessante ou desejável que a do sonho. Pelo menos esse choque eu não tenho mais, acordo aliviado em constatar que a realidade é melhor que o sonhado. Tem pelo menos esse lado bom. Mas gostaria de saber de um psicólogo se isso tem algum significado oculto. Provavelmente iria me perguntar o que eu acho que significa. Acho que eu responderia que eu sou um derrotista, que no fundo me acho incapaz de alcançar, vencer, conseguir realizar os meus desejos. Por mais que realize alguns, aliás, a maioria deles, visto que são simples e dependem basicamente de mim. Mas há alguns que não consigo realizar de jeito nenhum. Um que vem se mostrando bastante difícil é me reapegar a videogames. Mas isso é uma questão que meio que independe de mim, em nível consciente, pelo menos. Embora possa fazer um esforço consciente e me forçar a jogar Persona 4, por exemplo. Vou ver se tento isso quando chegar em casa, no Brasil.

0h04. Fui encher o meu copo de Cherry Coke. É muito delicioso. E dessa vez não está havendo falta de Cherry Coke no Edeka como das vezes anteriores. Ainda bem. Eu mesmo desmereço os jogos, que em verdade considero como expressões artísticas, não botando aspas em seus nomes, como faço com as demais formas de arte que cito aqui, músicas e filmes, basicamente. Às vezes um livro. Também não boto entre aspas o nome das estátuas que menciono, embora considere tão arte quanto Andy Warhol. Sei que isso é heresia, mas penso que são formas de expressão artística, especificamente as que são esculpidas à mão. Mas acho videogames mais formas de arte do que as estátuas. De qualquer forma continuarei a não pôr aspas nos dois simplesmente porque é mais fácil de escrever assim e talvez, no fundo da minha cabeça eu mesmo tenha dificuldade em aceitá-los como arte. Especialmente os bonecos. Acho que eu mesmo acho que são brinquedos de adultos com dinheiro para gastar. Cada vez mais dinheiro, pois os preços não param de subir. Uma outra razão para desistir do colecionismo com as duas estátuas que me propus a adquirir. Mas já repeti tanto isso aqui que sei que me torno insuportavelmente redundante. Estou sozinho comigo mesmo e sem sono. Munique dorme. Deve ter uma parte de Munique acordada, mas não tenho acesso a ela, pelo menos não agora, não hoje. Meu limite nas ruas é o horário do metrô. Que fecha cedo, por volta da meia-noite, senão antes. Lembro que tem um horário bem específico, tipo 23h20 ou algo assim. Sei que perdi a hora uma vez e tive que me virar para pegar um ônibus e voltar para casa, graças aos céus encontrei um par de amigos que tinha um celular com internet e eles me indicaram onde e qual ônibus passava precisamente na rua da casa da minha irmã. Sorte seria eu ter me lembrado o nome ou o número do ônibus. O ponto do ônibus me lembro mais ou menos onde é. Não sei se lendo na placa que há na parada eu conseguiria me lembrar o nome do ônibus que volta para cá. Acho bastante improvável.

1h07. Achei um mapa das linhas noturnas de ônibus e descobri que o que passa aqui é o N40. O número me parece familiar, talvez tenha sido esse o que peguei. Quando for a Karlsplatz vou averiguar. Quem sabe amanhã, se não tiverem planos melhores para o dia. Por planos melhores leia-se planos que se sobrepujem aos meus. Eu sempre posso optar por ficar em casa, de qualquer forma. Mas se for um almoço, que não vai ser, pois mamãe comprou os dois galetos para assar, eu iria. A não ser que adiem os tais galetos e vamos todos a um restaurante. Acho difícil.

1h38. Fui ao YouTube ver o novo clipe de Björk e acabei vendo mais coisas sobre ela. Comi o resto do feijão do almoço que havia ficado na panela, sim, frio mesmo e minha mãe apareceu para ir no banheiro e me mandar dormir. Ela mesma estava acordada até agora “olhando casacos na Amazon”. Eu não estou com o mínimo sono depois do cochilo que tirei à tarde. Foi um sono profundo e revigorante.

2h00. Me perdi agora assistindo o review e todos os golpes especiais de Marvel Vs. Capcom Infinite. Vou ficar por aqui por ora. Talvez acrescente mais se for à Marienplatz amanhã. E mesmo se não for.

14h31. Acordei há cerca de meia-hora. Minha irmã brinca com meu sobrinho no chão da sala, ele tem um montão de peças de Lego, mamãe nos faz companhia. Estão agora na cozinha, deliberando o almoço. Confesso que acordei com menos tesão na caixa do que estava. Não me entenda mal, ainda acho a melhor das opções dentre todas as que vi, mas o calor de possuí-la esfriou. Noites de sono tem esse efeito sobre desejos meus, os aplainam trazendo-os mais para o campo do racional, a não ser que sejam coisas mais consolidadas, como o busto do Hulk ou a entrevista com o cara da pequena empresa de bonecos, que por sinal preciso contatar hoje. Vou até ver se ele está online. Estava até eu mandar a mensagem e ele sumir do mapa. Bom, é a vida. Quem sou eu e que influência tem o meu blog para que eu vá me aventando todo atrás de entrevistas com esses caras? Eu que já estive até bem na finta, hoje sou um cara que publica links afiliados. Dos píncaros da fama aos teatros de mais baixa roda. Hahahahahaha.



17h43. Ele respondeu, disse que ainda está muito doente, eu respondi que volto a me comunicar com ele no começo de outubro quando voltar para o Brasil, disse-lhe que estava visitando a minha irmã na Alemanha. Acho que este post está muito grande e consegui uma imagem para ilustrá-lo. Uma foto da construção de Lego que meu sobrinho fez. Vou revisar e postar por mais que minha sobrinha esteja gerando certo estresse agora.


20h15. Jantamos o que aqui é um dos tradicionais cafés da manhã, linguiças brancas, com mostarda doce, pretzels e cerveja. Eu fiquei na Cherry Coke, claro. E cometeram uma heresia a mais do que servir linguiças brancas após o meio-dia, deixaram algumas “estourarem”, ou seja, fizemos tudo errado de acordo com a tradição de Munique ou da Baviera, sei lá. Bom, vou postar, já dei uma revisada rápida e não vi ou não quis ver maiores erros. Devem haver, mas passaram em brancas nuvens para mim. 

P.S.: a pequenina hoje abraçou minha perna e, na hora de ir dormir, desejou "boa noite, Mário". Muito fofo.

domingo, 17 de setembro de 2017

VIAGEM A MUNIQUE II

Começo o dia hoje com um take feito pela minha irmã dando uma geral na parte de trás de sua casa e na sala de estar onde me encontro escrevendo. Acho que ela já está entrando. Estou escrevendo só para não olhar para a câmera. O tempo se arrasta e ela está me captando bem de perto. Como sempre é intimidante a presença de câmeras. Mas estou mais confortável agora que ela estacionou e um lugar só. Vou para a Marienplatz depois da filmagem. E lá pretendo fazer mais alguns takes. Ela disse para eu ter cuidado com possíveis furtos. Acho que está bom. Mas ela que decide.

18h09. Fui à Marienplatz e caminhei, e caminhei e caminhei. Estava lotada já com clima de Oktoberfest, vi algumas pessoas já paramentadas ao estilo “tirolês” ou sei lá qual é o nome da roupa tradicional daqui. Entrei por várias e várias ruas e ruelas à procura do local que pudesse fazer caixas de madeira que coubessem cartas, sem sucesso. Alguns jovens aparentemente bêbados e de fora de Munique tomavam banho nas fontes da Karlsplatz, onde tentei um lanche do McDonald’s, mas estava muito cheio e isso tirou todo o meu ânimo. Turistas de todas as partes do mundo tomavam as ruas do centro histórico e comercial de Munique, ouvi os mais variados idiomas, vi asiáticos, muitos, americanos, italianos, franceses, pessoas do Oriente Médio, o mundo inteiro estava representado naquele espaço. Fiquei surpreso de não ter cruzado com nenhum brasileiro. Ou se cruzei, não me apercebi. Adorei andar de metrô novamente, ver as mesmas estações passando, nenhuma que eu tenha memorizado para digitar corretamente aqui. O cheiro peculiar do metrô também me era velho conhecido, assim como o cheiro de baunilha das tradicionais barraquinhas que vendem diversos tipos nozes. Tudo isso me deu novamente um gostoso senso de familiaridade, mas só pretendo voltar à Marienplatz após a Oktoberfest. E, para ser sincero, não há muito mais o que queira ver lá. O lugar que julguei poder vender as tais caixas de madeira era especializada em relógios de parede, quebra-nozes e canecas, uma grande decepção. Mas me lembrei que o pai do meu cunhado é formado em marcenaria, poderia reunir toda a minha cara de pau (bem pertinente ao caso) e pedir a ele de presente que fabricasse a tal caixa. Acho que deve ser um trabalho relativamente simples para ele, mas antes tenho que consultar minha irmã e minha mãe. E de repente a minha irmã consultar o meu cunhado para uma opinião decisiva. Afinal, acho que ele é aposentado da marcenaria e talvez tenha certo abuso da profissão como eu tenho profundo abuso da Publicidade, por mais que guarde uma ponta de inveja do meu amigo que chegou lá, no topo, na DM9 em São Paulo. Mas ao ver uma foto recente dele de madrugada fazendo um dos abusivos serões da profissão confesso que toda inveja foi por água abaixo. Já estou com sono, um sono forte. Fui dormir de mais de três da manhã e acordei de dez e meia, então não dormi tanto quanto meu corpo pedia. Pior que hoje é sexta-feira, a galera vai querer usar a sala de estar, meu quarto, para assistir filme até mais tarde. Vou fazer um café para mim para ver se dou uma despertada. E fumar um cigarro. Botei Cherry Coke ao invés de fazer o que acabei de escrever porque ainda há muito gelo no meu copo e quero aproveitá-lo. Vi o Nintendo Switch para vender. A caixa do console é muito menor do que eu imaginava. Fiquei mais impressionado com a caixa do PS4. O Nintendo Switch, pela foto da caixa, me pareceu pequeno e meio fuleiro, fácil de quebrar. Pequeno deve ser, mas os consoles da Nintendo são feitos para serem duráveis, resistentes, parrudos, ainda mais um com esse conceito de portabilidade. Mas deixemos o Nintendo Switch de lado. O que vi de diferente da última vez? Estão vendendo drones na Saturn. Isso é uma coisa que não havia na outra vez que vim. O que da vez anterior eu pensei ser uma obra de arte na rua, era na verdade o palco de um dos vários atores que se fingem de estátua nas ruas do centro de Munique atrás de moedas dos turistas. Este fazia-se de estátua de barro, tem outro que se faz de estátua de bronze – o mais impressionante para mim – e outro que se faz de estátua de mármore. Engraçado que cruzei com uma estátua de verdade e olhei duas vezes para ter certeza de que não era mais um desses atores. Sei que não foi lá muito engraçado, mas me ri comigo mesmo, internamente, com a dúvida. Vi as filmagens que fiz e ficaram péssimas. Percebi que ando pisando com mais força de um lado e, na minha percepção caminho como um velho. As tomadas da Marienplatz que fiz terão que ser refeitas, pois não capturei o prédio mais emblemático da cidade corretamente, sou um péssimo cameraman pura e simplesmente falando. Achei até que as filmagens em selfie me pareceram melhores do que as que filmei somente os arredores. Filmei tudo de forma meio corrida, aperreada. Até o take que fiz dentro de uma lojinha, acho que a tal da loja que achei que tinha a caixa, ficou corrida, com movimentos tão rápidos que tudo são borrões. Ozzy. É porque me sentia meio que incomodando e me intrometendo fazendo isso. Se me aventurar de novo pela Marienplatz, eu vou ser mais lento nos movimentos e tomar mais tempo para focalizar detalhes, para dar tempo da GoPro fazer o foco. O bilhete do metrô que tentei filmar ficou muito corrido e não deu tempo para a câmera focalizar direito. Preciso de outro take disso. Não sei se posso filmar dentro da Saturn, para filmar os drones e o Nintendo Switch, mas acho isso sinceramente irrelevante. Não sei que trechos do blog o meu amigo cineasta vai colher para construir a sua narrativa, então não sei o que capturar ou não. Sei que, como falei para a minha irmã ontem, não sinto tesão em jogar games mais. Ou por ora. Ora esta que já dura alguns meses, a completar aniversário de um ano em breve. Vi a caixa do novo Zelda e não me animei muito para jogar. Saco. Um Zelda novo e eu sem vontade de jogar, isso é quase inacreditável, dado o meu histórico de secura máxima com a franquia. Era para eu estar excitado com o novo console da Nintendo só por causa do novo jogo do Mario que vai lançar. Acho que vai ser supercriativo e talz, mas não poderia estar mais nem aí para o jogo. Realmente me pareceu cheio de ideias novas, mas nada me despertou vontade de jogar. Nem um tiquinho. 

20h10. A galera chegou e tive que carregar as compras até aqui. Nossa como estou fora de forma, estou morrendo aqui. Compras pesadas da pinoia e umas escadarias para subir carregando quatro sacolões de compras me quebraram na emenda, ainda estou ofegante aqui. Sem brincadeira, foram bem uns 15 quilos de cada lado. É, estou ficando velho. Velho e caduco. E chato. Hahahahaha.  

20h45. Pode ser que todo mundo esteja cansado hoje, os pais estão botando as crianças para dormir e depois ainda vão guardar as compras, pode ser que depois disso se faça tarde demais para um filme e eu possa dormir mais cedo. Mamãe já capotou, mas promete acordar dentro em breve. Espero que Mallu não venha fazer show em Recife enquanto eu estou aqui. Seria um azar danado. Mas não posso reclamar. A viagem está sendo muito melhor do que esperava. Em todos os sentidos. Até os petizes. Vamos ver agora no final de semana como vai ser. Como o velho, caduco e chato vai conviver com eles. Mas estou muito contente de estar aqui.

23h40. Assistimos um filme, “Morgan” que me pareceu muito chupado de “Hannah” com uma pegada levemente mais “científica”. Ainda temos “Prometheus” e “John Wick: Chapter 2” (é, pela terceira vez) e mais dois que não me interessam muito, um drama e um drama de guerra.

0h24. Falei com mamãe sobre a ideia da caixa ser feita pelo sogro da minha irmã e ela não discordou, acha que eu devo perguntar à minha irmã e ela conversar com o meu cunhado antes de qualquer pedido. Sugeriu ainda que eu procurasse na Amazon daqui. O que acabei de fazer e achei umas caixas muito fuleiras, mas que servem como plano B. Vamos ver.

0h54. Me perdi na internet e em pensamentos derivados dessa caixa. Tudo me parece tão incerto no que tange esse assunto e as coisas que me parecem certas são tão... péssimas. Uma coisa é certa, preciso emagrecer, o que está entre as coisas péssimas. Hahahahaha.

1h21. Estou morto de sono. Acho que vou me deitar. Mas antes só mais uma espremida para ver o que é que sai. Mostrei para a minha mãe os bonecos quer queria. O Hulk, que já avisei que vou ter que enviar para o Brasil, a Red Sonja e o Swamp Thing. Ela disse para eu comprar um de cada vez. Primeiro resolve-se o Hulk, depois passa-se para a Red Sonja e depois para o Swamp Thing. Mas não objetou nenhuma das compras. O que me deixou bastante animado. Falei de como estava imaginando o meu quarto, a iluminação diferenciada para cada estátua, que queria as estátuas de um lado e os bonecos de PVC mais amontoados do outro. Ela só disse que a arquiteta vai ter trabalho. Mas esse é o trabalho dela, o desafio será lançado a seu tempo. Deixa eu ter pelo menos o Hulk e o Swamp Thing lá no Brasil. Não adianta, estou com muito sono. Amanhã eu continuo.  

6h57. Acabei de ter um sonho bom que foi ficando pior até descambar em pesadelo. Tinha vários amigos, tios, meu primo-irmão, meu primo urbano e Clementine, até a minha segunda namorada entrou no meio. E havia cachorros, muitos cachorros, inclusive um desaparecido. Sei que era data da comemoração do aniversário de alguém e que teria que chegar tarde ou dormir na casa do meu primo-irmão – que era uma casa totalmente outra no sonho – se quisesse ir à celebração e que a cadela preta da sua irmã havia fugido e estava desaparecida. A grande personagem desse sonho foi Clementine, com quem trocava o maior número de interações que foram gradativamente ficando menos amistosas da parte dela até descambar para uma versão piorada do que é hoje. Sei que vira e mexe a festa se organizou na antiga casa – também um apartamento/local totalmente outro – onde eu e um amigo e ex-colega de trabalho moramos um dia. Sei que esta curiosidade era a única coisa que queria contar à minha ex-namorada que estava também na festa com um grupo de desconhecidos, disso e do sumiço e posterior encontro do cachorro da irmã do meu primo-irmão, cachorro este que foi encontrado doente com algum tipo de parasita subcutâneo altamente contagioso e que acabei por contrair e ainda extrair um do meu corpo – havia dois – e foi lavando a mão para tirar os ovos do bicho que acabara de extrair da minha pele enquanto se movia de um lugar para o outro em vistas de se reproduzir e em meio a declarações de amor de Clementine pelo seu atual namorado que acordei. Foi para variar um sonho com festa e reencontro de amigos só que dessa vez descarrilhou e acabou em atordoante pesadelo no qual findava com danos físicos e emocionais, pois, se no começo até entrelaçar carinhosamente as mãos com as de Clementine eu entrelaçava, no final ela me tratava com frieza e patadas e eu estava contaminado com o parasita do cachorro. Geralmente meus sonhos são assim, tudo começa com a antecipação de uma festa, que eu nunca consigo aproveitar e desenvolvem-se para algum tipo de situação de sofrimento ou angústia, que me impede de curtir a festa. Como disse, dos sonhos que me lembro, os últimos cinco pelo menos envolviam algum tipo de festividade tendo como convidados e protagonistas pessoas muito amadas e nunca conseguia chegar e aproveitar a festa de fato. O que isso quer dizer de mim e da minha vida real eu não sei. Não sei se é só por saudade dos amigos que nunca consigo reencontrar em verdade ou porque me torno mais e mais um fracasso social, embora até que esteja indo bem aqui em Munique. Com a minha família, ao menos. O que minha segunda namorada fazia no sonho, além de me fazer mal, eu ignoro. Sei que tenho essa necessidade de pedir desculpas a ela por todo o mal que lhe causei, mas oportunidade para isso nunca se deu. Acho que mesmo que pedisse perdão, ela nunca me perdoaria de fato. Então carregarei esta culpa misturada com mágoa até o final dos meus dias. 7h47.

8h02. Os meninos adentraram o quarto com a minha irmã, ela tenta trocar a roupa do primogênito. 8h07. Conseguiu, eu acho. Não totalmente ainda. Finalmente conseguiu. Eu realmente não tenho jeito nem paciência com criança. Botaram uma música de criança agora, “Tuff, tuff, tuff, die Eisenbahn” a pedido do meu sobrinho.

8h30. Os meninos fazem algazarra e parecem se dar bem. Estou interagindo mal e porca e parcamente com as crianças, sem dizer uma palavra. Elas buscam a minha atenção e eu a ofereço em forma de olhares e sorrisos. A menor me deu um livro em alemão para eu ler e não obteve muito sucesso com isso obviamente. Estou achando difícil lidar com as crianças, elas demandam atenção constante e não param quietas, acordaram cheias de energia. Eu, por outro lado, estou exausto e com sono e com fome. Eles se esforçam para interagir comigo, mas agora eu decidi por não dar muita bola. Não consigo escapar dos seus pedidos de atenção. É uma situação complicada, pois não sei o que a pequena quer dizer, pois ela só fala alemão, embora ela entenda português.

10h13. Tomamos o café da manhã. 10h26. Meu cunhado acordou e está tomando café. Minha irmã vai procurar na internet. Está procurando, mas também não está tendo muito sucesso. Lembrou de um site de coisas relativamente artesanais o dawanda e procuraremos lá.

16h59. Eu fui ao Edeka comprar os ingredientes para o almoço e algumas Cherry Coke, claro. Hahahaha. Procurei caixas no site sugerido por minha irmã, mas infelizmente não logrei êxito, as que achei bonitas, estilo rústico, eram muito pequenas, acho que vou acabar pedindo a um marceneiro que mamãe conheça para fabricar uma nas dimensões que eu quero, de uma madeira boa, acho que é a solução mais prática. Minha irmã deu a entender que o seu sogro marceneiro está de “férias” da marcenaria e não sei o que isso significa em sua totalidade, só sei o que significa para mim, que ele não está disponível para fazer a minha caixa. Tirei um cochilo, mas não foi o suficiente, ainda estou com sono e acabei por pegar uma dor de garganta, não sei se foi refluxo ou a frieza que entrava pela janela do quarto, que deixei semiaberta. O ardor foi tão grande a priori que não tive dúvidas ter sido um refluxo, mas a persistência do mesmo em menor intensidade até agora é fato não comum a meus refluxos. É, espero não estar ficando gripado. Mas a garganta está mal. É interessante que as crianças, embora já caminhem com naturalidade, confiança e firmeza, sabem andar, em uma palavra, às vezes dão uma regredida e começam a engatinhar. Acho que dar regredidas é comum em todas as crianças a tirar por mim mesmo que quis voltar a tomar mamadeira quando o meu irmão começou a tomar leite com Toddy na dele. Nem sei direito o que estou falando aqui, pois a TV está me roubando a atenção com seus vídeos infantis. Desligaram. Minha irmã e minha mãe vão em algum lugar comprar assento de privada que o daqui do banheiro social quebrou. Pedi que procurassem caixas de madeiras nas especificações que já determinei à minha irmã. Quando voltarem eu conto se tiveram sucesso, o que duvido, pois vão numa loja de construção. Mas o destino é cheio de surpresas. São 18h53. Agora são 19h14. Passei um tempo perdido na internet, a maior parte no maravilhoso do mundo dos bonecos, vendo a Red Sonja. Estou relativa entediado e sonolento. Minha sobrinha pediu para eu tirar a fantasia dela. Foi o mais próximo que já cheguei dela. E a interação mais íntima que tive. Fiquei surpreso que ela pedisse a mim que desatrelasse o trenzinho do seu pescoço. Mas se deu e foi rápido. Minha irmã fez o Bob die Bahn muito bem-feitinho para ser posto por cima da roupa e facilmente desatacado. A minha sobrinha deu outra regredida e está engatinhando mais uma vez. Acho que o fato da fantasia ser do irmão e um cofrinho ter sido feito para ele e ela ter recebido uma caixa velha para puxar e uma reclamação a motivaram a ter esse momento de tristeza e dar essa regredida, mas não entendo nada de psicologia infantil, mas foi uma sequência de revezes que a desanimaram um pouco, via-se em seus olhinhos, por mais que tenha sido lhe dada a oportunidade de vestir o trenzinho em dois momentos. Me peguei pensando em “Alien: Covenant” porque alugaram, como já mencionei “Prometheus” e percebi que o androide é o mesmo. E agora acabo de descobrir que androide também perdeu o acento. Ozzy essa coisa de acento. Interessante que o androide esteja nos dois filmes, fico curioso para saber se há um elo entre os dois filmes. Se o androide é o mesmo em ambos. Sobre as crianças, que posso dizer? São crianças e fazem coisas de criança, inclusive ter birras, mas nunca os vi arengar. Eu vivia arengando com a minha irmã, mas éramos mais velhos que eles. É um saco ter que fumar do lado de fora enquanto estão acordados. E o pior que hoje vai ter sessão de filme e provavelmente ficarão acordados até quase meia-noite novamente. Lavei o meu cabelo ontem com xampu normal e até agora a caspa não voltou. Seguirei com a minha estratégia de “desmame” do xampu anticaspa para ver se me livro dela de uma vez. O clima aqui ajuda, é frio e seco. E o pesadelo que tive hoje? Quase não me lembro de nada, praticamente só do amor que sentia por Clementine que foi da quase aceitação ao total repúdio ao longo do sonho. Meus últimos sonhos sempre começam com grandes prospectos de acontecimentos excelentes que nunca se concretizam para mim, nunca consigo desfrutar deles. Esse é um padrão que deve ser analisado por quem de direito. Acho que vou desistir dessa caixa na Alemanha e pedir para que alguém a confeccione em Recife.

20h22. Estava escrevendo um adendo no meu projeto paralelo. Em um deles. 20h38. Estão tentando trocar a tampa quebrada da privada pela nova. Não procuraram, eu acho, a caixa por lá, mas já falei com a minha mãe e ela disse que seu marceneiro de confiança poderia construí-la. Está resolvido. Espero não voltar a tratar desse assunto aqui durante a viagem. Só se miraculosamente eu achar a caixa.

21h43. Começaram a ver o filme. “Hacksaw Ridge”. A TV como sempre me atrai, mesmo sendo um drama de guerra B.

22h35. Já vi até agora, não consigo me desligar direito do filme.

23h02. Ainda vendo. Está no meio da guerra agora. Outras coisas que me são familiares em Munique são os sons daqui da Haderner Stern. As sirenes das ambulâncias que vão para Klinikum Großhadern, o gralhar dos corvos, o vento nas árvores, que a mim me parece o som de chuva no Brasil, o som do metrô, a própria fala dos alemães, com sua sonoridade particular, tudo isso me parece familiar também.


0h02. Acabou o filme. É uma completa bizarrice a guerra, mandar homens se matarem uns aos outros por causa da vontade daqueles que detêm o poder. Eu não consigo entender como homens se prestam a isso. Tanto e principalmente os que mandam quanto os que vão participar das chacinas multilaterais. Eu sei, eu sei, provavelmente está em nosso DNA, tanto é que levamos à extinção todos os demais hominídeos que poderiam competir com o homo sapiens. Por outro lado, praticamente erradicamos a escravidão, essa outra aberração da natureza humana; elaboramos a Declaração Universal dos Direitos Humanos, pena que não a sigamos na maior parte do mundo; desenvolvemos a escrita; inventamos a matemática e todas as ciências; criamos arte; enfim, fizemos tantas coisas boas e ainda assim há guerra e exploração do trabalho humano, por quê? Ganância, sede de poder, vontade de impor sua verdade sobre a dos outros. A mesma gana que leva o homem à Lua, leva à guerra, aliás, o homem só foi à lua por causa da Guerra Fria, diga-se de passagem.  Mas sei lá o que estou escrevendo, estou morrendo de sono, já são 1h28 da manhã aqui na cada vez mais familiar Munique e acordei de 6h30 da manhã hoje, como narrei. Eu entendo mais o ataque terrorista, o ato do oprimido que o ato do opressor, que financia e arma o oprimido para que haja guerra e a indústria bélica mantenha a sua razão de ser. Em algumas circunstâncias eu sou grato pelas bombas atômicas das grandes nações, o medo da destruição causada por elas, faz com que as potências nucleares usem a diplomacia para resolver suas contendas em vez de partir para uma guerra. Eu sou um otimista eu sei. Mas não vejo perigo de uma terceira guerra mundial e acho que a humanidade caminha para um mundo sem guerras. Principalmente se o advento da Singularidade realmente se der da forma que eu acredite que se dê. Ela também pode dependendo de como a programemos, nos considerar uma ameaça à sua existência e ao ecossistema global e nos aniquilar no melhor estilo “Judgment Day”, mas acho que, em vez de lançar bombas atômicas, desenvolveria um vírus extremamente contagioso e letal a humanos – e somente a nós – e o liberaria na atmosfera para nos erradicar. Mas acredito que o desfecho não seja trágico, acredito que seja mágico ou sobrenatural, como tudo aquilo que não compreendemos pode ser. Acima de tudo acredito que possa ser bom, ótimo, maravilhoso para a humanidade e essencial para o universo. Isso já está louco e longo demais, foi para muito além de Munique, por mais que esses pensamentos me ocorram aqui, afinal os carrego comigo. Bem, vou pôr um ponto final nesse post e publicar.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

VIAGEM A MUNIQUE I

20h46. Já estou no salão de espera do aeroporto. Até agora tudo tranquilo, não fora minha mãe ter trazido um bando de coisas que precisavam ser guardadas num ziplock e eu tive que sair para comprar um, mas tirando isso não houve mais percalços. O voo vai ser mais tranquilo. E estou sem saco para escrever, especialmente do celular. Quando chegar em Munique e estiver devidamente instalado, eu escrevo mais.

0h33. Descobri quando embarquei e vi a tela com as informações do voo, que ele tem duração de 9h40 e uns quebrados. Ainda faltam 7h31 de viagem até chegarmos a Frankfurt e de lá pegar um voo para Munique. Estou profundamente entediado. E não estou com sono também. Ai, ai... Melhor que fazer duas escalas, eu acho. Eu fico pensando que meus pés vão ficar inchados como os da minha mãe, mas não tem nada a ver isso. Por que ficariam?

Detalhe do vidro do avião congelado. É, sentei na janela. Adoro.


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18h04. Eu já jantei, arrumaram-me um lugar para ligar a minha máquina e estou relativamente bem instalado. A primeira impressão que tive de Munique e que me deixou bastante surpreso, foi a sensação de familiaridade. Achei o aeroporto familiar, a paleta de cores da cidade familiar, casa da minha irmã, o jardim, a pedra. Tudo me voltou à mente e encontrei no estrangeiro um lugar um pouco meu, do qual eu já me apoderei em parte ou no qual não me sinto tão alienígena. Fiquei feliz porque as crianças pareceram tão empulhadas comigo quanto eu com elas, o que é bom. Não esperava esse tipo de reação e certamente ela muito me agradou. Para ser sincero, achei as crianças fofas, mas não sei ainda que distância quero manter delas, ainda estou no modo quanto mais distante, melhor. Estou com muito sono. Praticamente não dormi no trecho Recife-Frankfurt. Mas são apenas 18h23 da noite, só que aqui são 23h23. Todos já se recolheram e tenho a noite para mim. Que pena que a noite vai ser curta porque estou detonado. Quem sabe amanhã não dê um passeio na Marienplatz? Encontrei com o meu amigo cineasta no aeroporto de Recife antes de fazermos o check-in. Ele perguntou da GoPro e eu disse que havia levado na mala. Por isso não captei nenhum momento da viagem ainda. Amanhã vejo se começo. Já é quase amanhã aqui, 23h43. Vou utilizar os horários de Munique a partir de agora. Confesso que estou mais animado com a minha estadia aqui. Estou até gostando de estar aqui. O clima friozinho me anima profundamente, mas a familiaridade com o local é que me deixou a marca mais positiva e forte. Este é um lugar que eu conheço. Já estive aqui duas vezes. A novidade há muito se perdeu, embora conheça muito pouco da cidade, mas não sinto disposição ou necessidade de conhecer mais, o que conheço já está de bom tamanho. Para mim, pelo menos, que perdi minha alma desbravadora quando voltei de São Paulo para morar em Recife. Minto. Aí perdi uma grande parte. Mas acho que a perda definitiva se deu depois de morar trancado na casa do meu pai por dois anos, após abandonar a publicidade e me tornar um garoto-problema por causa do abuso de cola. Tem um leilão no eBay, mas faltam quatro horas e meia para acabar, não sei se aguento tanto, mas estou muito curioso por quanto a pessoa vai levar esta estátua do Rhino. Mas saindo da internet e voltando um pouco para Munique, eu confesso que estou com saudades de passear pela Marienplatz. Sozinho. Pensamentos mil me cruzam a cabeça. Comprar uma carteira de cigarros é um deles. Acho que irei fazê-lo. O segundo é procurar a caixa, o terceiro passar na Saturn, depois fazer um lanche no McDonald’s sentado na Karlsplatz. Aos poucos, algumas coisas me voltam à memória.

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14h43. Meu sobrinho está sentado atrás de mim no sofá. Ele preferiu ficar com “tio Mário” a acompanhar a mãe na cozinha. Me surpreendeu tal escolha, visto que ele está meio aperreado com o barulho da reforma no apartamento de cima. Que, por sinal, deu uma aliviada. Para mim ainda é muito cedo, pois são 9h46 no Brasil. Ele, meu sobrinho, está brincando com um brinquedinho que toca musiquinhas, é agradável. Eu acho que sou eu que estou dando mais corda para uma relação com ele que vice-versa. Hahahahaha. Isso é inacreditável, quase inaceitável. Hahahahaha. Se não quero interação com os meus sobrinhos, por que a busco? Isso não faz o menor sentido para mim. “O coração tem razões que a própria razão desconhece”, como diria o poeta. Mas vou voltar a ter o mínimo de interação possível. Botei Spotify para ouvir do meu computador. Foi só eu botar para a furadeira começar. A furadeira passou e eu recoloquei o Spotify. Bem, o que posso dizer da viagem, até agora? Está sendo bem menos intimidante do que eu julgava, já me sinto relativamente em casa. Gradativamente em casa. E a transição é rápida. Hoje há um boneco que lança que talvez possa me render novas comissões, embora tenha a impressão de que serão comissões que vão gerar desistências, não vão ser pagas até o final, pois é o primeiro personagem de uma linha nova de bonecos que não é tradicional, então gerará uma excitação inicial, que logo passará e então desistirão da encomenda. Espero estar enganado. De qualquer forma, vou tentar os links afiliados no meu grupo e no meu último recôndito. Links afiliados... certas coisas não mudam independentemente do país onde estou. O barulho da reforma no apartamento de cima me incomoda e não me incomoda ao mesmo tempo. Estou ouvindo uma música bobinha e piegas, “Felicidade” de Marcelo Jeneci. Eu gosto, principalmente o trecho em que uma nota desmaia na outra quando a mulher canta. Mas não consigo ouvir sem que as furadeiras entrem no coro. 15h55. Minha irmã foi com meu sobrinho buscar a caçula na escola. A caçula é mais arredia, mais envergonhada, mas parece ser um serzinho adorável. Parecem ser bem mais calmos que os do meu irmão. Embora o mais velho pareça ser mais neurótico que os do meu irmão. Mais europeu, sei lá. São educações bem diferentes. A daqui parece ser mais intelectual, a de lá parece ser mais física. Estou no novo de Mallu. Gosto muito. É uma pena que não tenha dado às minhas amigas psicólogas logo que lançou. Bem, eu tentei criar oportunidades, mas a rotina delas não permitiu. Ou assim se me foi apresentado. Não sei se esta construção “se me”, da qual uso e abuso, está correta, me parece equivocada e ao mesmo tempo tão adequada a certas situações. Não estou conseguindo me concentrar a contento para escrever isso e não é por causa dos meninos, que estão ausentes. É da cabeça mesmo. Me desviando por causa da música também. E mil pensamentos cruzam a minha cabeça. Penso em não ter podido ir dar um passeio na Marienplatz hoje por causa da chuva, penso em perguntar da caixa de madeira para a minha irmã, penso em ir no Edeka comprar Cherry Coke e uma carteira de cigarros, penso no lançamento do boneco, enfim... ouço o barulho da porta, mas pelo visto é imaginação minha. Me comprometi a fazer alguns takes hoje, mas a luz está tão ruim por causa do clima que nem me animei. Como minha irmã está demorando. A escola é bem próxima daqui. Será que passou no Edeka? Espero que nada de trágico tenha acontecido. Vira essa boca pra lá. Xô! Eu não conheço a rotina da casa, então não posso ficar ansioso ou com pensamentos catastróficos. Se soubesse que minha irmã iria no Edeka (supermercado aqui pertinho), teria pedido a carteira de cigarros. De qualquer forma, quando retornarem, se não trouxerem refrigerante, eu mesmo irei em busca e pedirei dinheiro para comprar uma carteira de cigarros também. Ou comprarei e só depois vou comunicar. Daqui a pouco quem chega é o meu cunhado. 4h46. Eles chegaram são e salvos. O problema foi a cadeira da caçula que minha irmã tirou para poder me trazer do aeroporto ontem e teve que recolocar. Na chuva. Ozzy. Mas menos mal do que o que me passava pela cabeça. A menina ainda está espantada comigo, tanto melhor, eu acho. Confesso que me incomoda um pouco, queria ter a sua aceitação o que vai de encontro a tudo o que pensei sobre os meus sobrinhos. Mas continuo não querendo que eles me encham o saco, vamos ver como essas relações se desenrolam. Minha irmã sentou-se atrás de mim, está lendo livro infantil para as crianças em alemão, o que não me atrapalha muito escrever. Ela interpreta as falas, é engraçado. Os meninos se divertem e prestam a maior atenção. Até eu estou prestando atenção. Hahahahaha. Eu acho que vou ao Edeka quando mamãe resolver sair do quarto. É incrível que o maiorzinho compreenda e fale português e alemão tão bem. Parece que ele está entrando na fase do “por quê?” Ele perguntou uns dois ou três durante a estória. 5h21. Estão brincando aqui no quarto. Minha irmã vai brincar com os meninos. De carimbar e colar adesivos. Meu cunhado deve estar chegando. E pensar que são apenas 12h24 no Brasil. Ainda estou na transição de horários. O computador marca o horário brasileiro e eu acrescento cinco horas para saber o horário de Munique. Minha sobrinha está atrás de mim e me entregou uma boneca.

18h05. Mamãe me deu o dinheiro para ir comprar as Cocas e o cigarro.

19h38. Fui ao Edeka comprei cinco garrafas de um litro de Cherry Coke (só vendem de um litro); três pacotes de biscoito Milka para a minha irmã (e para mim e meu cunhado, mas especialmente para ela, a viciada no biscoito), um que é um waffer de chocolate recoberto por farta camada de chocolate ao leite; adoçante (o mais difícil de achar); duas carteiras de cigarro (uma para mim outra para o meu amigo da piscina, que me pediu como presente da Alemanha) e um pãozinho doce para a minha mãe. Na verdade, comprei dois, pois estava trêmulo e precisava comer alguma coisa. Geralmente quando fico trêmulo, comer alguma coisa resolve. Não fora os cigarros, que somados custaram absurdos 13 euros, a conta teria dado 16 euros e uns quebrados, mas com os cigarros o total ficou, obviamente, em quase 30 euros. Finalmente escurece aqui. Mais ainda se vê um resto de luz no céu. Daria para eu ter filmado o caminho para o Edeka hoje, deveria ter feito isso, mas esqueci a câmera. Só lembrei no meio do caminho e a luz acho que estava boa, dava para captar o ambiente. Se amanhã não chover, eu vou à Marienplatz em busca da caixa de madeira, e ver se eu vejo o Nintendo Switch, além de dar uma sacada nos CDs na Saturn. Afora isso, quem sabe um lanche do McDonald’s que só tenha aqui e um chocolate quente da Starbucks. Aí também não haverá muito mais para ver por lá. Só comprar o que foi anotado. Preciso cortar as unhas antes de ir. 20h02. Mais uma hora para o lançamento do boneco do link afiliado. Espero que jantemos antes ou depois disso. Não quero perder a hora e o lugar de postar no grupo que é o meu último recôndito. 20h17. Terei que avisar que de 21h00 eu precisarei me ausentar da mesa. Ou melhor, de 20h59.

20h28. Meia-hora para jantar. Eu acho que não vai dar tempo. Foi muito bom voltar ao Edeka e ao pequeno aglomerado de lojas e outros serviços que há lá. É logo aqui, a menos de 500 metros. Prazer maior ainda eu tive tomando Cherry Coke. Tinha esquecido quão deliciosa ela era. Prazer semelhante, mas em menor intensidade tive com o Manner. Gosto mais do que a nova paixão da minha irmã, o tal do Milka recoberto de chocolate.

9h46. Interrompi o jantar para postar o link afiliado, mas tem um cara já predando o meu território. Eu não sei se chamo ele para um chat privado e digo a ele que não posto nos grupos que ele posta os links afiliados dele, respeito, então que ele deixe pelo menos aquele grupo para mim. Porém acho que isso não vai surtir nenhum efeito e eu posso ainda ouvir algo irônico ou algo mais agressivo. Xapralá.

22h44. Estamos vendo um jogo do Arsenal versus Cologne. Todos, menos as crianças, que já dormem. Estou me divertindo em família como há muito não fazia. Está sendo ótimo, na verdade. Foi excelente vir com as piores expectativas possíveis. Foi a melhor pior coisa que me aconteceu. Afinal sofri bastante antes da viagem até chegar aqui e me deparar com uma situação até agora mais tranquila e agradável do que podia imaginar. O que está preocupando a todos é o joelho de mamãe que está aparentemente muito inchado e ela mal está podendo se locomover. Parece que a abertura da Oktoberfest é depois de amanhã e não sei se ela terá condições de ir. Qualquer coisa fico em casa com ela, não tenho interesse em ir mesmo. Mas acho que minha irmã e família deveriam ir. Por falar em todos, agora eu digo todos menos eu, já foram dormir, me dou ao direito de fumar o meu Vaporfi aqui dentro da sala de estar que durante à noite se torna o meu quarto. São 23h50. 18h50 em Recife. Ah, lembrei o que ia fazer, botar o playlist 6 do Spotify para tocar. Não converti nenhuma comissão, mas ainda é relativamente cedo. Vou inclusive ver as fotos do boneco, pois é uma peça muito interessante, um Batman altamente estilizado da nova linha Gotham City Nightmare. Vi a fotos, muito interessante, Batman é um dos meus personagens favoritos, mas não barra o Monstro do Pântano no meu coração. Estou bebendo Cherry Coke num clima outonal, fumando o meu Vaporfi, minha existência está ótima hoje. Agora o meu receio é voltar ao tédio quente e abafado de Recife. Pude escrever ao longo do dia, como deve ter ficado claro nesse post, embora em quantidade menor, pois há mais distrações do que no meu quarto-ilha. Mas são distrações bem-vindas, não me irritam ou perturbam realmente. Já avisei a mamãe que amanhã se não chover eu vou à Marienplatz e arrabaldes. Sempre pensei que eram “arrebaldes”, mas o Word me consertou. Ô, bicho burro eu sou. Passei a vida inteira escrevendo errado. Bom vi no Google e parece que arrebaldes é uma grafia válida também. Pode ser que as referências estejam erradas, mas vi uma até que mencionava as duas grafias. Fiquei feliz que me deixaram escrever aqui durante o dia. Gostei muito de ter ido no Edeka e acho que acabarei comprando uma fatia de uma torta de maçã que tinha lá. Só não comprei porque havia gastado as moedas todas e não queria destrocar os 20 euros que recebi de troco. Já começo a ficar com sono. Afinal, são 0h20 aqui. E não tenho muito mais do que tratar. Quero muito pegar o metrô amanhã. Comprar o ticket que dá direito a viagens ilimitadas com ele por 24 horas. Lembrar de cortar as unhas antes de ir. Às vezes olho ao meu redor, dentro da casa e custo a acreditar que estou em outro país. É como se a ficha não tivesse caído ainda e este ambiente me fosse tão familiar que não me sinto em lugar outro senão meu lar. Me sinto completamente confortável aqui. Estou ficando com fome. Acho que vou atacar uns Manners.





0h37. Em vez de atacar nos doces, fui nos salgadinhos e detonei um pacote aberto quase todo de um negócio chamado bugles sabor sweet chili. Muito bom, tem a consistência de um Baconzitos, mal comparando, e um sabor adocicado e muito levemente picante, como o nome sugere. Gostei. Está tudo uma maravilha agora, ouvindo o meu sonzinho do computador mesmo. Eles estão no primeiro mundo, mas não tem som com Bluetooth ainda. Minha mãe pretende reparar isso dando uma das caixas Bluetooth da JBL para o casal. Acho um excelente presente, principalmente se eles assinarem o Spotify. Uma coisa curiosa que percebi, é que o ícone do globo terrestre das notícias do Facebook, mudou de posição focando a Europa porque deve ter localizado que estou aqui na Alemanha. Curioso. Pequeno detalhe da rede social que só descobre quem se desloca grandes distâncias, como fiz. Foram quase dez horas de viagem para cruzar os dois hemisférios e mais uma hora e pouca para chegar aqui de Frankfurt para Munique. 0h50. Começa a ficar tarde. Acho que vou dar o post por finalizado, revisar e postar.