domingo, 15 de julho de 2018

TRISTE-FELIZ




11h30. Hoje acordei mais cedo do que me é habitual, por volta das 10h30. Tico e Teco ainda estão reativando. Eu começo o meu dia bastante devagar. Estão a pedir o almoço, chinês e indiano.

11h59. Será que depressão só acomete os fracos de espírito? Ou será mesmo uma condição patológica? Sinto muitas vezes que, não fora as medicações, eu já teria caído nas garras da maldita há muito tempo. Me sinto um espírito incomodamente frágil. Difícil me concentrar com os meninos cantando e meu cunhado filmando.

14h08. Estão preparando as coisas aqui para a chegada dos pais do meu cunhado, avós dos meus sobrinhos. Apostei 2 a 0 para a Croácia contra a França, acho um placar meio impossível de se dar. Mas no futebol tudo é possível. Nada da portuguesinha até agora.

16h59. A portuguesinha respondeu, mas o jogo vai começar.

19h15. Estou feliz e triste. Não porque a Croácia perdeu mesmo tendo jogado mais. Estou feliz porque a portuguesinha vive o sonho que um dia vivi e que sonharia viver novamente com alguém como ela. Ou seja, ela já vive um grande amor, uma parceria, reparte a vida com ele, formam mais que um par, um lar. E fico sinceramente feliz por ela ter construído isso que a mim é tão inalcançável e precioso, rogo para que não perca e que ambos cultivem um ao outro como pessoas entrelaçadas pelo acaso-destino e pela escolha; nesse caso o livre-arbítrio é determinante, eu acho. Pelo menos comigo é. Triste fico pois me sinto mais uma vez profundamente só e sem esperança de desfazer esta medíocre condição. Esperança essa que alimentei sozinho, ela em nada contribuiu para isso. Desde sempre foi impossível, mas eu que sou dado a alimentar fartamente o impossível, servi-lhe lauto banquete. É indigesto saber que tem a vida amorosa tão concretizada. A portuguesinha não merece menos do que isso. Merece muito mais e mais vai alcançar. Há uma longa e vitoriosa jornada a seguir e tem pernas para isso. E, pelo visto, trilhará esse caminho muito bem acompanhada. Só posso desejar o melhor para ela, seria injusto desejar diferente a alguém que me fez tão bem.

20h21. Minha mãe me questionou porque eu estava tão macambúzio. Quando lhe expliquei a situação, disse-me que tivesse calma que essas coisas às vezes não duram. Hahaha. Mães sendo maternais são uma graça. Hahaha. Fico surpreso como sou transparente para a minha mãe, ela consegue me enxergar profundamente. Resta-me a esperança de que a portuguesinha não abandone a leitura dos meus textos. Mas nem isso acalenta-me a alma no momento. Acho que hoje tomo um banho de banheira – há uma banheira aqui –, creio que é um agrado a mim mesmo que me fará bem. Um prazer descoberto em Lisboa, no hotel onde a portuguesinha trabalha. Resta-me ainda a minha última ilusão, tão irrealizável quanto a portuguesinha. Ousaria dizer que até um pouco mais, mas creio que essa eu carregarei até o túmulo. Ou melhor até que me torne cinzas. Sei lá, que façam o que quiserem com o meu corpo quando cessar de habitá-lo. Está mais perto do que longe pela forma como cuido da cada vez mais velha máquina de carnes e emoções. Meu cunhado ouve Jimi Hendrix e agora Creedence, acho que vou fechar a porta da sala e botar Caetano, que foi a trilha sonora dessa paixão platônica e como tal paixão, embora moribunda, pois fatalmente sangrada pela afiada realidade, ainda resista, ouvir o baiano cai bem.

20h40. Pronto. Coloquei o “Livro”, nunca imaginei que este disco me soaria um dia tão lusitano, aliás nunca imaginei que poria os pés em Lisboa. Afora do aeroporto, digo. Nunca imaginei que parte do meu coração insistiria e insiste em permanecer lá. E em vez de partir, permanece lá partido. Mas estou acostumado a desilusões como já enunciei aqui mais vezes do que me seria agradável. Nossa, como a música de Caetano me encanta. Lembro do sorriso dela, o seu sorriso. Lembro das suas caretas, você é cheia de caras e bocas e move-se graciosa pelo mundo, com uma feminilidade ao mesmo tempo pueril e sensual. Há quanto tempo não digo um “eu te amo” de amor de amantes. Não vai ser dessa vez que poderei dizê-lo, por mais que a vontade haja, esta calará para sempre dentro de mim.

21h46. Houve uma complicada complicação em relação ao voo de volta de mamãe de Lisboa para Recife, mas aparentemente minha irmã, minha cunhada e eu conseguimos desenrolar o novelo. Foi uma tarefa árdua com direito a lágrimas e dores de cabeça. Mas, enfim, a passagem de mamãe há e parece que está tudo ok. Está tudo ok. Tem que estar.

21h58. O uso do bidê foi a revelação de um grande mistério, no Brasil, há décadas, utilizamos apenas papel higiênico. Curioso, mais que as partes íntimas, do que vagamente suspeitava, foi utilizar aquilo para lavar os pés. Hahaha. Outra curiosidade brasileira é que o seu “apelido” no Brasil é chamado de “sobrenome”, apelido para nós equivale a nickname. Mas você já deve saber disso. Bom, sei lá. As gírias pernambucanas – Pernambuco é o estado onde resido – para “fixe” e “é seca” são “massa” e “ozzy”, respectivamente.  

23h29. Estava vendo “Big Bang Theory” com dois físicos, experiência única. É uma série engraçada, mas não costumo rir dessas coisas. Achei interessante assistir, entretanto. Saiba que dificilmente a verei apenas como amiga, por mais que valorize amizades e as verdadeiras são das coisas mais preciosas que podemos cultivar, o meu bem querer por você está um degrau acima. Sei que isso não faz a mínima diferença, não muda nada, mas não posso negar nem sentir de outra forma, a não ser que de alguma maneira que não diviso, um milagre talvez, eu arrume alguém, daí sim isso torna-se imediatamente possível. Entretanto, como sou, como vivo e minhas exigências absurdas em relação à pessoa a ser amada tornam tal acontecimento quase impossível. Bom é a vida e segue incontinente rumo à morte. Um dia isso acaba para mim, tudo vai ter fim, a ilusão, a esperança, os platonismos. Deixarei para trás um bando de bonecos inúteis e um bando de texto perdido, à deriva no mundo cibernético até quando a Google achar por bem exterminar o meu blog e com ele seus espirituosos comentários. Que papel ridículo esse que desempenho na existência, sou um ser inútil, completamente desnecessário. E tanto mais ridículo o torno exaltando alguém que tem tudo o que desejo, mas que não rola. Acho que desaprendi a amar de verdade, só sei amar sonhos, o éter. Estou mais triste que feliz nesse momento. Mas pensar que você vive a vida em sua plenitude, com metas que sem dúvida alcançará, me aquece a alma. É melhor me focar nisso. Voltei a ouvir Caetano desde que os físicos, minha irmã e meu cunhado, foram dormir. Assim como minha mãe. Achei curioso da parte dela querer alimentar o meu inútil devaneio a seu respeito. Talvez ache que porque você me responde, haja alguma possibilidade. Ou quem sabe sopra a ferida como uma mãe faz com o machucado da criança. Tanto faz. Sinto que meu tempo de conquistar uma garota que me interesse passou, saí de validade para as coisas boas do coração. Foda-se. Tenho raiva de mim mesmo. Tudo o que tenho é esse esconderijo eletrônico onde me escondo do mundo para me revelar para ele. É paradoxal, eu sei, mas foda-se isso também. É a minha vida, é o que sei fazer do meu ócio, é o que continuarei fazendo. Vou comer o resto do bolo de fubá com calda de chocolate e fumar um cigarro com Coca cereja.

0h48. Sentimentos, coisas mais perniciosas, tão essenciais à experiência humana e tão cruéis algumas vezes. Queria afirmar com convicção que me torno mais insensível, mas isso não é verdade, o fato é que cada vez me desiludo mais com os meus sentimentos e tento reprimi-los, mas não consigo, simplesmente não consigo. Asshole, você sabia desde o começo que era impossível, por que ainda insiste? Não sei, superego. Não estou insistindo muito depois da revelação do último comentário. Ela, a portuguesinha, tem algo muito concreto no peito, creio que ela crê que achou o parceiro ideal. Quem sou eu frente ao Rick Martin lusitano? Não, mãe, não foi dessa vez. Não vai haver uma nova vez. Não no meu atual status quo e com o meu modus operandi. Tudo em mim me empurra para longe de um novo amor. E sabe de uma coisa, cansei de correr atrás, de me desgastar com tanto investimento emocional para receber somente desilusão. Meu acaso-destino é a solidão, me conformei com esta triste sina. Amei muito e fui muito amado. Era o que a vida havia reservado do mais inebriante e recompensador dos sentimentos, visto que estou velho demais para filhos. Foda-se. Foda-se eu e minha simbiótica solidão. Vou revisar esse agridoce texto.

sábado, 14 de julho de 2018

SOU DA PORTUGUESINHA E DEMAIS FOTOS DE MUNIQUE

Pirei nessa máquina de escrever, ainda mais quando eu vi o brasão da Mulher-Maravilha. Hahaha.



23h57. Portuguesinha (pois é, ela mais uma vez, infeliz leitor), seu review de “Skyscraper” ficou excelente, simplesmente hilário. Hahaha. Só tenho uma ressalva, ele se arriscou na comédia infantil “A Fada do Dente” ou algo que valha. Não assisti. O último que vi dele foi outro filme-catástrofe, dessa vez sobre um terremoto. Você que é cinéfila deve saber de qual falo. Mas vou deixar esse post latente até que receba outro comentário seu, que parece andar sem tempo cuidando do seu próprio blog. Saiba apenas que você se superou nesse último texto. Parabéns. Ah, e desculpe o delay nas respostas, geralmente só consigo aprontar um post em dois dias. Tanto tempo para resultado tão pífio, eu sei. :P

0h56. Não me seguro, até por não ter muito o que fazer a essa hora. Esqueci de contar-lhe, tenho um amigo que estudou cinema e cismou em fazer um documentário sobre um ano da minha vida, utilizando como fio da narrativa os textos deste blog. Ou assim idealizou e me transmitiu o projeto. Ele teve azar de pegar um ano sem muitos acontecimentos, até porque minha vida não é nada excitante e basicamente me filmou sentado a escrever. De todos os ângulos possíveis e imagináveis. Hahaha. Não capturou muito mais que isso. Ele ainda não aprontou o que suponho que será um curta e nem sei se terá tempo de fazê-lo agora que espera o primeiro rebento. Estou curiosíssimo e envergonhadíssimo com essa história. Acaso mantenhamos o contato até essa soporífera obra ficar pronta, tento repartir com você. Nossa, como queria poder amar você, ao mesmo passo que morro de medo disso. Faz tanto tempo que o amor correspondido não se dá que a ideia me assusta terrivelmente. O medo do meu fracasso.

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Velho solitário com grande fé. :P


15h18. Conversando com uma amiga de internamento (que já foi um dia paixão platônica, ela parece um anjo de tão bela) sobre o meu livro por ora impublicável, acabei motivando-a a escrever a própria história que é muito mais emocionante que a minha, afinal sofre de transtorno borderline, logo tem – ou tinha, afinal está mais pacata e conseguindo lidar com o mundão de forma razoável, conseguiu inclusive construir uma relação estável com um rapaz aí – as emoções à flor da pele e excessivas, tive oportunidade de conviver e presenciar seu sofrimento existencial. Caso venha mesmo a escrever, o que tenho as minhas dúvidas, visto que borderlines são dados a rompantes fugazes, dará uma obra interessantíssima. E ela tem um bom português e é bastante inteligente. Combinei com ela que mandarei o meu livro para ela ler quando a revisão estiver completa. É uma obra caudalosa e tediosa na minha opinião, mas, quem sabe, com a enxugada da revisora se torne algo mais palatável.

Pausa no trabalho para uma cervejinha.


19h18. Fui ao biergarten da Augustiner Bräu aqui perto encontrar a família que havia ido a uma festa do colégio da minha sobrinha caçula e, quando volto, dou de cara com um comentário seu! Que prazer! Os seus comentários são a alegria do meu dia. Pela sua rotina noturna é de supor que more só, já seja emancipada. Na minha vida, nunca deu certo morar completamente só, não nasci para viver sozinho. Não sou a minha melhor companhia. As duas vezes em que morei só foram catastróficas. Sem exagero. Entretanto, quando reparti o apartamento com um colega de trabalho e anos depois fui morar com a Gatinha, tudo transcorreu perfeitamente. O período com a Gatinha, que durou cerca de três anos, foi o ápice da minha vida adulta, a parte mais feliz dela, senti que tinha uma vida completa. Vivíamos apertados financeiramente, mas nada nos faltava. E o melhor: tínhamos um ao outro e nos amávamos e nos tratávamos como iguais. Foi bom enquanto não estraguei tudo. Mas estraguei e a vida segue solitária desde então. A conheci na terapia de grupo a qual mencionei a você no dia dos presentes, no grupo composto só por mulheres. Calhamos de pegar o mesmo ônibus para voltar para casa e, nessas idas e vindas, daí a paixão aconteceu. E depois virou amor. Ainda a amo, mas sem o eros, apenas como amiga. E é uma baita amiga.

Flores do biergarten para você. :)

Aqui já bebiam cerveja antes de Cabral partir com suas caravelas rumo ao Brasil.


 20h01. Que bom que você usaria o biquíni, no entanto achei a barriga da moça musculosa e máscula demais, para mim mulheres têm que ser mais macias que duras. Claro que um corpo firme e bem torneado como o seu é lindo demais, mas sem excessos. Tinha uma amiga que se orgulhava das pernas, mas malhou tanto estas partes do corpo que para mim ficou deformada, mais parecendo pernas de jogador de futebol. Horrível. Prefiro até a flacidez, mas gosto mesmo do meio-termo. Você, do jeitinho que é, me cairia perfeitamente. Hahaha. By the way, há uma excelente academia (o que você chama de “ginásio”, lugar de malhar, ou seja, fazer exercícios) na mesma rua em que você supostamente estagiaria, no Espaço Rizoma. Desculpe, estou delirando.

As suspeitas são que pegam no seio dessa moça para ter sorte no amor.
Se voltar lá, acho que o farei. Se há um campo da minha vida em que preciso
de muita, muita, muita sorte é esse.


20h10. Engraçada essa do “Senhor Mário” do Novotel, quer dizer que eu fiz fama no A Bicicleta para além de você, “o babaca das Coca-Colas cheias de gelo”. Hahaha. Muito curioso.  

Certamente não são frutas típicas do meu país tropical.


20h37. Vamos continuar a assistir “Ready Player One”, para mim, até agora, me parece a tentativa de Spielberg de criar o seu próprio “Avatar”, um que faça jus ao cibernético nome. Estou adorando as referências à cultura pop e videogames, muitas, diversas para elencar aqui.

Espécie de catavento musical pelo que pude perceber.


22h31. Gostei do filme, para um gamer como eu sou (ou costumava ser) e com a minha visão de futuro e minhas crenças nada ortodoxas a respeito de como as coisas vieram a ser e como se darão, o filme é bem a minha praia e visualmente é deslumbrante. É uma pena que a Nintendo não tenha permitido que heróis das suas franquias aparecessem. Minha mãe acaba de perguntar se você deu notícias, ficou impressionada que tenha dado. Eu penso que você não responderá por muito tempo mais. A brincadeira vai perdendo a sua graça para você e estímulos repetidos tendem a perder seu impacto. A novidade deixa de ser novidade. Bem, que se há de fazer? Voltando ao filme, embora tenha uma paleta de cores menos vibrante que “Avatar” e animações menos humanas é uma proeza tecnológica. Diria que ele é um cruzamento de “Avatar” com “Wreck it Ralph”, uma mistura que muito me agrada. Talvez seja um filme com um pouco menos de alma que os outros dois ou talvez eu esteja ficando insensível para cinema. Não sei. Não sei se a portuguesinha gostaria do filme, tenho as minhas dúvidas. Por sinal vou procurar para ver se há o review dela sobre esse filme. É bem capaz.

Fonte e mais flores. Desculpe o enxame de fotos, mas quero postá-las todas e me livrar
deste encargo. Além disso, dizem que um post bem ilustrado torna a leitura mais fácil.


23h20. Ela assistiu e fez um review extremamente positivo. Nossa, eu e a portuguesinha temos mais coisas em comum do que poderia supor. Aparentemente leu o livro que originou a obra, que eu nem sabia que existia. Concordo com ela que assistir em IMAX deve ser o bicho, massa real, pena que perdi essa oportunidade. Pretendo assistir em Recife na minha TV, pois acho que a TV da minha irmã, por ser mais velha, puxa muito para o laranja o tom de pele das pessoas e sabe-se lá mais quais distorções revela. Para amanhã acho que assistiremos após o jogo, “Justice League”. Ela alugou no Amazon Prime, serviço que optou em relação ao Netflix, o que não sei se foi das melhores escolhas. Mas cada um no seu quadrado. Nada tenho a reclamar. Mas já espero me decepcionar com este filme de super-heróis. Veremos. Ah, as últimas coisas que queria adquirir em Munique já estão devidamente encomendadas pela mesma Amazon, o Chartreuse verde, meu licor predileto, e um organizador de moedas de euro. Aqui, ao contrário do Brasil, cada centavo vale e não estou familiarizado com as formas e tamanhos das moedas, então vai ser uma ferramenta útil para quando for passear ou fazer compras no supermercado da esquina. Fumar.

Protesto à moda alemã.


23h47. Pensei no biquíni para você pois no prédio onde moro há uma piscina decente num espaço bem astral. Sonhei descermos uma tarde para um banho de piscina e um bom papo. É cada uma que sai da minha cabeça torta! Hahaha. O bezerro com duas cabeças não atraiu mais leitores para o meu blog, então foi uma estratégia falha, não a repetirei.

Uma igreja, suponho.


23h54. Você vai ao cinema sozinha ou sempre acompanhada? Há uma preferência? Algo me diz que você quer o mínimo de interferência externa possível para que o seu post fique o mais autêntico, o mais à rolha que pode ser. Como queria que você largasse tudo e viesse morar conosco no Brasil para conseguir o seu tão desejado estágio. Tomar uma cervejinha na Praça, dançar um forró que rola no Poço da Panela, num lugar muito astral. Sair com a minha turma, que é formada em sua maioria por, pasme, psicólogos. Quem sabe se apaixonar por mim... é, hoje estou especialmente delirante. Sonhar não custa nada, apenas o amargo gosto da desilusão, preço este que já estou mais do que acostumado a arcar. Preciso me preparar.

Outra igreja, eu assumo.


0h34. O soninho bate, acho que terminarei de escrever quando acordar. Não falta muito para acabar a terceira página, mas falta ainda menos de mim para fazê-lo. E ainda tenho que encher as caçambas de gelo. Inté amanhã, portuguesinha mais adorável do mundo. Beijo.

Toda vez que você vir esse "A" em Munique, tenha certeza que há uma farmácia.


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13h07. Acabei de acordar. Fui transferido mais cedo para o quarto de mamãe, pois as crianças queriam utilizar a sala. O sentimento que carrego agora ainda com a mente turva pelo sono é de que é um imenso despropósito escrever isso para você. Mas se não estivesse escrevendo sobre e para você estaria escrevendo sobre coisa bem menos interessante, em verdade essa paixonite veio bem a calhar, pois me inunda de conteúdo para transcorrer e sobre algo mais interessante, um sentimento, não a ausência dele. Tenho um personagem encantador, a você que imagino, e um sentimento. É bem mais do que escrever com o peito vazio. Em verdade pouco teria a escrever não fora você. Você me veio como uma bênção, em verdade. Pode tudo não passar de desperdício de tempo e palpitações cardíacas, mas é melhor do que nada, cada comentário seu é uma pequenina pérola de felicidade que deposita na minha vida, é como se cada dia fosse Natal à espera de um presente seu. Sei que você vai cansar disso, sinto que já faz como obrigação, visto que não nutre nenhum sentimento especial por mim, acredito que apenas se apiede da minha vã existência e do esforço de construir essas linhas para você. Falando em linhas, o que está a ler? Você leu aquela série dos “50 Tons de Cinza”? Eu nunca li, mas fez um sucesso tremendo no Brasil. Para dizer que não li, li as primeiras páginas no Kindle da minha mãe enquanto esta fazia uma ressonância, mas o texto não me capturou e nem acho que eu seja o seu público-alvo da obra. Ademais para me dispor a ler é necessário... aliás nem sei o que seja necessário, pois nenhum tema me atrai quando posso escrever sobre os temas que me atraem aqui. Você me atrai muito e por isso escrevo para você e, quando você desistir de mim, haverá o luto de você, minha preciosa companheira de letras e, eu sei, não muito mais do que isso. Quanto a desligar do “modo psicóloga” acredito também que você se desligaria. Aos psicólogos que perguntei, disseram que conseguem fazê-lo sem maiores problemas. Você não se considera uma psicóloga porque não cumpriu a última etapa do processo para entrar na OPP. Pois eu digo que você usa um pouco de psicologia com todos os clientes d’A Bicicleta. Como quando você percebeu que um certo cliente estava ansioso por estar a balançar as pernas. Ops, acabou-se a terceira página. Antes de partir, gostaria de entender qual a utilidade de um bidê, aquele negócio que fica ao lado do sanitário no banheiro. Eu já morei numa casa que tinha um, mas é uma coisa há muito extinta no Brasil. Descobri ao chegar em Lisboa e reencontrar o objeto que carrego esta indagação desde a infância. Bom, fico por aqui. Não quero torrar mais sua paciência que já deve estar quase carbonizada pelos meus textos ridículos. :P  

Este porco enfaixado costumava ter duas orelhas quando estive aqui da outra vez.
Que será que sucedeu?


quarta-feira, 11 de julho de 2018

BEZERRO BIZARRO, PORTUGUESINHA, FOTOS MUNIQUE

A Natureza às vezes... sei lá.



A todos os demais leitores peço perdão por estar escrevendo essa espécie estranha de diálogo com a portuguesinha, mas hão de entender que é o que de mais precioso tenho e por isso sinto a inescapável necessidade de fazê-lo. Não sei se estou perdendo os poucos que me leem. Se isso se dá, acho a troca mais do que justa, visto que sou lido por quem mais importa para mim. Tentarei incluir algo do meu cotidiano aqui, mas o tom dos meus posts enquanto essa troca se dá será de conversa com ela. Sorry.

E sorry de novo pela imagem do bezerro de duas cabeças, mas achei-a a mais chamativa e impactante que vi nos últimos tempos (contraditoriamente, como é às vezes do meu feitio, tento com essa estratégia atrair mais leitores, os mesmos que penso alienar com a minha nova postura na escrita, vai entender). Não procuro tais imagens, elas é que me encontram. Caso queiram saber do destino do animal, ele não conseguia se manter de pé e morreu cinco dias após ter nascido apesar de todo o cuidado dos criadores. Uma dessas aberrações que o acaso-destino opera nos genes.

22h24. Torci para a Bélgica, queria que o time que tirou o Brasil da Copa chegasse à final, mas a França foi mais eficiente, portanto mereceu o magro, porém decisivo, placar.

22h26. Sobre ser egocêntrica, acredito que todos nós sejamos. Acredito que o que nos move a todos é a satisfação das necessidades do ego desde as mais animais até as mais sofisticadas como a fé e a solidariedade. Acredito que se fazemos caridades as fazemos porque isso de alguma forma nos agrada o ego. Sei que você não acredita muito nessa história de ego, portuguesinha, mas você colocou o termo correlato no seu comentário e não pude me furtar a dizer o que acho que move nossas decisões e ações. Necessidade e/ou recompensa.

22h39. Sobre o biquíni, creio que você deva estar imaginando algo como o que chamamos de asa delta ou fio dental. Acho esse tipo de biquíni que entra no rego da bunda e mal cobre os mamilos, pavoroso e vulgar, assim como os excessivamente curtos. Pode ser um biquíni português, desde que com lacinhos na lateral. Hahaha. Acho os danados dos lacinhos o que há de mais sexy e nem todos os modelos revelam tantas carnes assim. Ou talvez esteja eu acostumado aos biquínis brasileiros, sei lá. Achei uma graça o seu pudor e de forma nenhuma gostaria de vê-la se exibindo de modo que a desagradasse. Só indo ao Brasil para ver os tipos de mulheres que ousam o fio dental. Basta dizer que o que têm a mostrar ou falta ou está em excesso, geralmente esse último caso. É dantesco. Hahaha. Ah, e é bom exibir as carninhas enquanto ainda estão jovens, duras e belas, a juventude passa num sopro.

22h47. Achei “John Wick: Chapter 2” simplesmente eletrizante, uma montanha-russa de adrenalina ininterrupta. Adorei milhões. Tanto que o vi duas vezes no intervalo de uma semana. E ao todo assisti três vezes, pois quis repartir o filme também com a minha irmã, que não se emocionou com a obra. Respondi o seu primeiro comentário sobre a franquia dizendo o nome, o porquê do nome e a data de lançamento do terceiro filme (vi que você acabou de responder! :P). Outra coisa que me chegou por acaso-destino, não fui eu quem procurou. Aliás veio no mesmo feed do bezerro que o Twitter me mandou por e-mail, eu acho. Vou fumar. Aproveito e levo o lixo reciclável para o depósito. Eis duas fotos de biquíni de lacinho que muito me agradaram. Dessas eu fui atrás. Pelo menos servem para agradar o público masculino, se leitores masculinos eu tiver. Creio que o público feminino se agrade mais da minha escrita, não sei porque cargas d’água.



Esse você teria coragem de usar, né?


23h27. Adoro quando calha de cair o meu número da sorte no horário. Levei o lixo reciclável e fumei um cigarro, quando fui interpelado por um alemão à procura da residência de sigla “R9”. Respondi que não sabia, afinal não há letras nos números dos apartamentos do condomínio onde a minha irmã mora. Espero que encontre, anyway. Estou me preparando para ver o que acredito ser o terço final do filme “The Girl With All The Gifts”.  





Acho imagem acima terrivelmente feia e tremendamente desejada. Queria envelhecer com uma companheira e continuar tendo carinho e amor por ela – e ela por mim – até o final. E a cada dia que passa me aproximo do final de mãos vazias. Sobre as suposições em relação à sua pessoa, você poderia ao menos indicar quais intuo corretamente, para que monte de você uma ideia mais precisa. Vou assistir o resto do filme, que me agrada até este ponto.

0h26. Drama com zumbis. É possível. E interessante. Boas atuações, só não entendi por que a pequena e talentosa Melanie ateou fogo em uma coisa em determinado ponto do filme. Ela explicou, mas não consegui entender o inglês. Deveria ter voltado para entender melhor, mas agora é tarde, já desliguei todo o equipamento. Bons filmes, o de ontem e o de hoje. Recomendo ambos. Acho que gostei mais de “Get Out” que de “The Girl With All The Gifts” por ser mais fora do comum. E ter ficado mais na minha cabeça. Não me arrependo de ter visto nenhum dos dois, valem o tempo investido. Acho que o de zumbis toca mais às mulheres pela questão da maternidade, do instinto maternal. Não sei, posso estar falando besteira agora. Geralmente estou. Hahaha.

1h44. Decidi que não vou ver filmes que me interessam sem legendas, a história do fogo foi um ponto crucial, que explicaria muito das motivações e da percepção de realidade da nossa pequena heroína e perdi completamente esse trecho. O sono vai batendo e, ao que tudo indica, amanhã é dia de Marienplatz com a minha mãe. Disse que se fosse acordar-me-ia cedo. Sempre com chantagens. Esse hábito me incomoda, mas já me incomodou muito mais. Nem o preconceito e a desconfiança me incomodam mais. De tão corriqueiras tais manifestações, acabei me acostumando e nem me ofendo como deveria. E se me ofendo é algo brando que passa ligeiro. Ela diz que quando voltar vai fazer terapia. Veremos. Hora da caminha.

-x-x-x-x-

13h49. Acordei e vou a Marienplatz e arredores com a minha mãe. Tentarei tirar algumas fotos com o celular dela. Até a volta, mon petit.

19h47. Voltei e ainda deixei minha mãe lá, dessa vez explorando a Galeria Kaufhof, enquanto estive lá ela ficou a fazer compras na Müller. Tirei fotos a rodo do Glockenspiel e de outras coisas do centro de Munique, este vai ser o post mais cheio de fotos que já publiquei. Acho até que vou reparti-las em dois posts. Ou mais.

23h38. Finalmente acertei quem ganharia um jogo da Copa! Não era possível que a aleatoriedade não pendesse para o meu lado. Mas errei o placar. Vi que você esteve ocupada hoje, portuguesinha, fazendo a resenha de “Fire Storm”, pelo que li da sua introdução não parece ser o meu tipo de filme, mas não quis saber mais por receio de vir a assisti-lo. Fui a uma lanchonete da Kentucky Fried Chicken aqui em Munique hoje e a coisa mais estranha se deu, para entrar no banheiro era preciso um código numérico para destravar a porta que dava acesso aos sanitários num corredor estreito e um tanto quanto sombrio na parte de trás da loja; 3571 era o código e só soube por intermédio da atendente. O mesmo vinha impresso também no cupom fiscal do pedido, achei estranho e me senti como num filme. Outra coisa curiosa que vi foi uma loja que vendia roupas no quilo, peguei dois broches da mesma para guardar de recordação. No mais, andei a tirar fotos pensando em repartir um pouco de Munique com você e quiçá algum leitor. Minha mãe achou de péssimo gosto a imagem que escolhi para encabeçar (pun intended. A bad one) o blog e me perguntou se você tinha dado algum sinal de vida. Contei-lhe que você comentava os meus posts e ela emendou dizendo que você era “uma garota muito educada”. Hahaha. Não que eu lhe ache mal-educada, muito pelo contrário, tem mais educação do que eu em todos as acepções da palavra, achei curiosa apenas a percepção dela a respeito dos seus comentários. Se os faz só para ser polida, o que acho que não ocorre – acredito mais na motivação egocêntrica, talvez porque me agrade mais –, não precisa responder, afinal, você não tem nenhuma obrigação de comentar, por mais que dizer isso me doa um pouco. Vou tomar uma chuveirada e ver se ainda tenho energia para pôr aqui mais algumas palavras.

0h42. Acho obrigações uma das criações mais chatas da humanidade. Quanto menos, melhor. Sei que existem obrigações que servem de degraus para alguma recompensa posterior e geralmente é isso que nos motiva a acatá-las e encará-las, mas aqui não há isso, há somente eu a despejar tolices pensando em você, em estar na Europa, em anomalias da natureza. Mas vamos ao que interessa, algumas fotos de Munique, tiradas por um fotógrafo que não tem o mínimo dom, a partir de um celular.


Glockenspiel 1 (lateral) - Acho de um estilo arquitetônico totalmente
diferente do que vi em Lisboa 


Glockenspiel 2 - Ali na parte verde da torre central há uma série de bonecos de metal que
ao badalar de certas horas se movem, cavalgam, lutam ao som de uma música, é interessante.


Galeria Kaufhof, lugar predileto de compras da minha mãe. E tome biquíni. Hahaha.


Lego!


Anjo matando demônio. A riqueza de detalhes me impressiona. Como a cena violenta
à entrada de uma igreja. Certamente uma cultura diferente da minha.



Mais anjinhos matando monstros no meio da praça principal.


Galeria que achei aprazível.

Gosto muito de te ver leãozinho... leões (e veados) não faltam em Munique.

Loja de chapéus para cinéfilos?

Prova de que estive em Munique e de que preciso emagrecer urgentemente quando retornar a Recife!



1h29. Acabei de redimensionar algumas das fotos que tirei na Marienplatz para postar aqui. As demais, coloco no próximo texto. Portuguesinha, uma dúvida, você escreve os seus reviews diretamente no Blogger ou faz em Word ou no editor de texto da Apple e depois coloca online? Pergunto porque meu hábito é escrever no Word e só depois passar para o blog, as letras ficam maiores e a autocorreção é mais eficaz do que burra, além de me alertar para certos deslizes gramaticais. E mesmo assim os textos saem cheios de erros! Hahaha.

1h35. O soninho está batendo. Você deve estar a caminho de casa na Lisboa que provavelmente nunca mais verei. Uma coisa que achei curiosa, quando da sua ausência do hotel no final de semana, foi que a moça que a substituiu deduziu que eu era o “senhor Mário”. Você tem algum dedo nisso? Fiquei surpreso. Positivamente surpreso. Me senti, por assim dizer, uma pessoa célebre no microcosmo do hotel. Hahaha.

1h50. Fico a me indagar que se fosse médico não passaria a olhar as pessoas com um aglomerado de órgãos, a imaginar-lhes as entranhas, como sistemas orgânicos que inevitavelmente cessam de existir, coisificando o ser humano. Da mesma maneira, em me tornando psicólogo, não sei se conseguiria me desvencilhar do hábito de perceber as neuroses alheias. Seriam profissões que talvez me fizessem ver o meu igual de forma diferente e não sei se melhor. Isso se dá contigo? Ou existe um botãozinho interno de liga e desliga e você só encarna o papel de psicóloga quando isso se faz necessário? Gostaria muito de saber. A terceira página acabou. A essa altura você já deve estar em casa. O que faz quando chega em casa? Nossa, como queria saber tudo ou o máximo de você. Por falar em saber mais... ainda espero um dia que me mande a entrevista. Bom meu tempo se esgotou, já entro na quarta página. É revisar e postar.

Adendo: instigado por um membro do Facebook que ficou indignado com a imagem do bezerro,  dizendo-a nada poética, quis mostrar a ele que ao poeta (que não sou) é possível extrair poesia de tudo.


A indecisão da Natureza
Toma um rumo incerto
Que mais parece desamor
À criatura
Pura
Mas condenada
Desde o primeiro momento
E não teve muitos depois deste
Três olhos, dois narizes, duas bocas
O excesso foi demasiado
Que se fez impróprio
E chocante
Quanta ingratidão, Natureza
Ó, mãe das mães,
Para que isso?
Um despropósito
Que agride por sua bizarria
E nos faz lembrar
Quão afortunados somos
Por sermos completos

Sem excessos ou faltas