quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

É QUINTA-FEIRA OU HULK ESMAGA O MEU JUÍZO

Olha quem passa o dia me vendo trabalhar nesses textos.


É quinta-feira e já são 14h14 da tarde, o que significa que esse post não vai ser longo, eu espero. Invadiram minha conta Steam, que, ainda bem, não tem nenhum carão vinculado. Foi um acesso da Alemanha. A coincidência na história é que o meu Hulk está vindo pela DHL, o correio alemão. Mas não acho que uma coisa tenha realmente a ver com a outra. Acho que vou ligar para a DHL para ver que informações ela precisa de mim. Um minuto, ou vários, não sei o tempo de espera da DHL.

15h04. Meu irmão, a DHL não poderia ter me dado notícia mais chocante que o valor das taxas do Hulk. Estou aqui com um frio na espinha só de pensar. Minha mãe vai pirar. É, sem dúvida, o último boneco que envio para o Brasil. Basta dizer que o valor é de 100 a 120% o valor do produto mais o frete. Ou seja, o dobro do que eu pensei que seria. Não sei nem se o meu cartão tem esse limite de crédito. Esse Hulk tem que ser realmente a peça mais incrível da minha coleção. Não sei nem como dizer isso à minha mãe. Fiquei sem chão agora.

15h27. Ia ligar para saber o teto do meu cartão de crédito mas meu celular descarregou justo na hora. Estou supernoiado agora. É esperar chegar para pagar. Não tem mais o que fazer. Putz grilo, bem que achei que estava tudo transcorrendo fácil demais. Que golpe da existência esse, pagar mais de imposto que o próprio valor do produto (mais o frete do produto) é surreal. Inimaginável para mim até alguns minutos atrás. Seja o que deus quiser. Mas estou agora com um frio no estômago ou um gelo na espinha, ou os dois juntos. Choque de adrenalina do caramba. Quando ouvi o valor, fiquei sem fala. E a moça, Letícia, até que me preparou. Só falta o Hulk chegar com defeito. Acho que a existência não vai ser tão cruel comigo. Não faço nada de mal a ninguém. Não é possível. Bom, eis a realidade e o que posso fazer é acolher e aceitar que a tributação brasileira para importados é ridiculamente atroz.

15h43. Estava redimensionando as fotos que tirei da Rei e do Homem-Aranha Simbionte. Queria que na do Homem-Aranha desse para ver que, em vez de preto, ele é de um azul-marinho meio metálico. Não sei se deu para captar isso. Vê aí.




15h46. Puxa, nem sei o que pensar do Hulk. Foi a coisa mais cara que comprei na vida. Minha mãe vai ficar muito enlouquecida. Meu deus do céu. Não sei nem o que dizer mais sobre o fato, pois é um fato, é uma coisa que não tem volta. E é uma vez na vida que faço uma besteirada dessas. Não faço mais. A Red Sonja vai para casa do meu irmão. Não mando mais nada para o Brasil. Mais de 100% de imposto é de lascar. Que pedrada da existência. Estou aqui doidinho. Vou tentar relaxar. Pensar em outra coisa. Mas em quê? Pelo menos esse evento me joga para bem longe do tédio, mas para um lugar igualmente ruim. Só que de outra maneira. Fato é que não tenho coragem de contar a mamãe desse valor. É tão absurdo que não consigo imaginar a sua reação. Me pelo de medo só de pensar. É um preço absurdo a se pagar por uma estátua somando tudo. Absurdo. Se eu soubesse de antemão, teria cancelado. Agora não tem volta e é a peça que mais desejei na vida. Espero que seja tudo o que espero. Esse assunto está fora do meu controle. Não há nada que eu possa fazer para mudar o fato que o Hulk vai aparecer aqui embaixo com uma conta altíssima a ser paga. E por altíssima, eu realmente quero dizer altíssima. Além das minhas posses. Não sei o que fazer pois não há nada a ser feito. Não deveria ter ligado. Por que eu fui ligar? Era melhor eu ter recebido a pedrada quando o Hulk eventualmente chegasse aqui. Me sinto mal de saber o valor e não repartir com mamãe. Não sei, não sei, não sei. Rei Ayanami me fita impassível. O Coisa apresenta um semblante melancólico que se adequa mais a situação. Hahaha. Melhor rir que me desesperar. Mas estou desesperado e a merda está feita. Não tem volta. A volta me custaria o mesmo valor e não teria boneco nenhum. Teria pago tudo por nada. É inacreditável o valor. Ainda estou de cara. E com a adrenalina pulsando a mil. Ai, ai, ai... vou ter que ligar para o banco para ver o teto do meu cartão de crédito e de repente pedir para aumentá-lo, sei lá. Acho que vou fazer isso quando o celular carregar. Estou muito ferrado com a minha mãe. Mas não sabia dessa tributação insana. Não foi algo intencional. Foi inocência. É um preço muito alto a se pagar pela inocência. Literalmente. Mais sobre isso nos próximos posts, tenho certeza. Nossa, que golpe da existência. Que lições eu posso tirar disso? Obviamente nunca mandar mais nenhum boneco para o Brasil. Eu que estava até me animando e pensando em fazer com a Red Sonja o mesmo que fiz com o Hulk. Não mais. De forma alguma. Não há mais lições a tirar. Agora é esperar a retaliação de mamãe. Ela vai querer descontar em mim de alguma forma. Não sei como. Mas vai. Eu sinto. Ainda mais quando souber que eu já sabia do valor. Não sei se publique esse texto. É me autoincriminar. Parece algo premeditado. Não sei o que fazer.

16h42. Vou tentar pôr esse assunto de lado. Meu primo urbano me enviou uma música que compôs chamada “Duelo”. Ele já havia me mostrado na casa dele e o que percebi é que ela funciona muito mais ouvida alta que baixinho. Ouvi baixo da primeira vez e não funciona. Ele sugeriu que poderia ser ouvida também com fones de ouvido. Realmente, faz tanto tempo que não ouço nada com fone de ouvido que me escapou essa possibilidade. Não adianta, o valor dos impostos Hulk fica como uma enorme sirene vermelha na minha cabeça. Tenho que relaxar, entregar na mão do poder superior, como se dizia na Clínica de Drogados que rezava pela cartilha dos 12 Passos. O poder superior foi crudelíssimo agora. O celular está em 93%. O que eu queria era nunca ter ligado para a DHL. Só saber no dia e me chocar na hora. Esse sofrimento antecipado me corrói as entranhas. Como é que pode? Letícia enumerou os impostos e confesso que nem prestei atenção direito, tão chocado estava. Pelo menos isso daqui serve para eu desabafar todo o meu terror. O pior que o processo é irreversível. A ignorância seria uma bênção para mim nesse momento. O que não tem solução, solucionado está, já dizia o meu velho e ido pai. Papai seria mais compreensivo que mamãe sobre isso. Mas acredito que até ele ficaria chocado com o valor. Projetando, acho que ele também ficaria fulo da vida. Não sei. Talvez dissesse, é o seu dinheiro, se quer gastar nessas porcarias, o problema é seu. Mas o que estou fazendo agora, fantasiando com o meu finado pai? Não tem nada a ver. O problema é a minha muito viva, graças a deus, mãe. É, não há o que fazer. Posso tentar contar para ela, mas acho que isso só vai piorar a situação. Ela vai sofrer com raiva, acredito que raiva seja um tipo de sofrimento existencial, afinal não dá prazer nenhum e rouba a paz da alma, colocando no lugar uma agressividade que não leva, mais das vezes, a canto nenhum. Acredito que algumas vezes leve a uma revolução, mas nesse caso em particular, não vejo nenhuma benesse para mim ou para ela. Estou me sentindo perdido em relação a esse assunto. Se minha mãe fosse uma pessoa mais fácil, eu cogitaria contar para ela. Nossa, não podia nunca imaginar. Ainda estou chocado com o valor. Não sei se vou publicar isso. Se ela ler, vai achar que eu estou tentando lhe passar a perna ou enganar de alguma forma não revelando esse dado de dura realidade que me atingiu como um soco do Hulk. Ele chega em teoria no dia 27, ao que parece, dia da missa de um ano da morte vovô. Não tenho certeza. Não lembro quando vovô faleceu. Sou péssimo com datas. E ainda tem o aniversário do meu sobrinho para ir no sábado ou domingo em João Pessoa. Meu celular carregou.

17h22. Liguei para o banco para aumentar o limite do meu cartão e só que pode fazer isso é mamãe. Estou muito ferrado. Que sentimento ruim. Dread é a única palavra que me vem à mente. Mamãe vai colocar a culpa toda em mim, pois adora encontrar culpados para as coisas. O único pensamento que me alivia é saber que isso um dia vai ser passado. Nossa, fazia tempo que não me sentia tão mal com uma coisa. E o pior que não tenho controle nenhum sobre a cadeia de eventos que se darão. O que posso fazer é repartir ou não essa informação que possuo com a minha mãe. O mais honesto a se fazer é abrir o jogo com ela. E o mais justo? Para ambas as partes? Há uma diferença aí. Me sinto mal não repartindo a informação, mas o medo da reação é muito grande. Não sei o que fazer. Deixa ser como será. Mas eu determino em parte como será, pois estou de posse da informação. Saco. Acho que não vou publicar isso. Ou o mais justo talvez seja publicar isso e deixar o acaso decidir se mamãe vai ler ou não. Acho que isso é o mais justo, é ao mesmo tempo contar e não contar. Deixo nas mãos dela decidir se lê ou não. Está decidido. Publicarei isso e seja o que deus quiser. A minha consciência não pesa tanto dessa forma. Não me sinto escondendo, enganando ou manipulando de alguma forma a minha mãe. Estará dito aqui. Se ela ler, o que costuma fazer, saberá. E saberá de todo o sofrimento que estou passando por causa disso. Estou me sentindo muito mal, embora não me considere culpado. Não imaginaria nunca uma extorsão tributária dessas. Caraca... ...17h44 já. Em breve mamãe chega em casa, com que cara eu vou olhar para ela? Bom, um dia isso será passado. E talvez tenha para sempre o prazer de ter o Hulk aqui comigo. Sei lá se terei. Esperei tanto tempo por esse momento, só não esperava desfecho tão... sem palavras para descrever no momento este momento que atravesso. Maldita ligação! Por que inventei de ser proativo? Agora estou com um Hulk inteiro de preocupação na minha cabeça. Puxa vida, vida, você às vezes, hein? Sem comentários...

18h00. Continuo na mesma, me sentindo mal para caramba.

18h06. Meu primo urbano veio perguntar sobre o assunto (precisava desabafar com alguém) o que me deixa ainda pior. Dread... total. Saco isso. Não sei o que fazer para desopilar. Só se for jogar um Mario. Mas não estou com cabeça. Pelo menos hoje eu tenho uma razão bastante sólida para estar mal. Fato é que terei o Hulk aqui, não tem mais volta.

18h56. Minha mãe chegou. Notou minha cara de abatimento. Não lhe disse nada. Ela falou que vai ler o blog para saber. A sorte estará lançada. Se ela souber por aqui ou no dia da entrega, o desfecho vai ser o mesmo. Eu não sei o que fazer ou o que dizer sobre o assunto. Ah, nesse ínterim peguei a feira no carro e tomei um bom e refrescante banho. Vou mudar o rumo da conversa, não adianta ficar me maltratando mentalmente. Acho que ter me desvencilhado um pouco do assunto com outros afazeres foi uma coisa boa. Já sofri demais e mais sofrerei quando mamãe descobrir. É a vida e não deixa de ser bonita, bonita, bonita.

19h03. Vi fotos de um toró em Macau, terra natal da minha família paterna. Senti saudades de lá e de Areias. O que posso dizer, meu saco?

19h13. Estava olhando o site da Sideshow, a fabricante do Hulk e lançaram uma Harley Quinn muito bem-feitinha, com uma expressão muito boa, mas ainda fico com a Red Sonja.

19h31. Minha mãe me chamou para jantar. Fritou uns bifes acebolados muito gostosos para mim, o que me fez ficar com a consciência ainda mais pesada. Tenho que me conscientizar que eu não poderia prever essa tributação. Para! Chega, não vou falar mais sobre isso.

19h33. A vida segue e eu sigo com ela. A primeira coisa que me veio à cabeça foi a garota da noite. Imagino-a de bruços na minha cama conversando comigo. Não, nada de sexual. Curtiria mesmo a intimidade e companhia, pode ser que evoluísse para uma transa, mas não seria o começo da interação. Não no pensamento que tive. Pensei em meu tio que fez aniversário dia 20, mesmo dia do meu cunhado, que se disse saudoso de mim. Fiquei muito feliz com o reconhecimento. Certamente não o esperava quando o felicitei. É uma pessoa muito legal, pelo menos foi assim que ficou gravado em minha memória. Lembro que um dia, num dos muitos almoços organizados por papai em seu apartamento em Boa Viagem, meu tio disse que a melhor música do Legião Urbana era “Perfeição”. Disse que gostava muito da letra. Por falar em música, a conexão entre o computador e o som deu pau mais uma vez. Teria que reiniciá-lo, mas estou sem paciência para esperar no momento. Mas vou querer ouvir o som mais tarde. Terei que fazer isso num momento outro. 19h45. De 20h20, eu faço. Posso passar sem som por enquanto. Ficou curiosa a construção da frase anterior, o acaso, ah, o acaso, me pôs uma construção curiosa de frase na cabeça que tem uma certa musicalidade, “posso passar sem som”. Hahaha. Estou rindo, mas detrás da minha cabeça o alarme está a gritar. É como se eu tivesse feito uma grande trela, só que eu não fiz nada. Mas a culpa é a mesma. O medo da punição é o mesmo. Que saco. Será que vou ficar nesse perrengue até o busto chegar? Será que mamãe vai ler isso? Sei lá, sei lá, sei lá. Sei que não estou nada bem com a situação. E ela fica buzinando no meu juízo. Acho que não vou divulgar esse post também, não tem nada a ver as pessoas lerem esse meu desabafo. Só publicarei por causa do que mencionei acima. Não quero esconder de mamãe, quero menos ainda revelar. O meio-termo entre uma coisa e outra é esse blog, que fica ao critério dela ler ou não. Ela indicou que leria. Olhei para o Nintendo Wii U agora e me deu uma repulsa de games. Nem o Switch, nem o PS3 me causam isso. Mas jogarei algum dia todos os jogos do Wii U, nem que seja só para ver como são. Não sei se tenho essa disposição com o PS3, pois tenho realmente muitos jogos de PS3. Não acho que jogarei todos. Mas tudo é possível. Certamente não jogarei todos os da PSN, nem posso, pois o meu PSPlus está esgotado. Não entendeu nada? Não faz muita diferença para você, não. Melhor deixar isso para lá. Fato é que tenho um monte de jogos lacrados para jogar e nem o Mario Odyssey, o meu queridinho de todos os tempos, me desperta atração hoje. Ouço som de TV na sala. Acho que consumo mais Coca quando ela vem nessas garrafas de um litro que mamãe comprou. Não sei qual é o desvio do meu cérebro que me faz beber mais. O celular de mamãe toca o alarme. Botei o CD do som para tocar, “Homogenic” de, adivinha..., é, dela mesmo, Björk. Ainda vou ouvir a música do meu primo uma vez mais ou duas para ver se entro no clima dela. Acho que é uma ótima música para ouvir escrevendo. É um brinquedo muito invocado o quarto de som do meu primo urbano. Talvez se soubesse mexer e tivesse um equipamento daquele à disposição, encontrasse nele um novo hobby para rivalizar com a escrita. Ou não. Talvez me empolgasse por um ou dois meses, depois perdesse o tesão e teria um equipamento caro, ocupando um espaço grande para absolutamente nada. Se tivesse só o programinha de som acho que poderia brincar. Sei lá, não tenho nem um nem outro e o programinha de som é já é supercomplexo de mexer. Minha mãe veio aqui e disse que queria ver um filme comigo amanhã na sala. Eu disse a ela que não estava muito a fim e a culpa latejou forte em mim. Que ozzy. Mamãe parece que pressente as horas mais inadequadas para me fazer um convite dessa natureza. Tudo o que quero até esse Hulk chegar é manter distância dela, pois omitir nesse caso é muito parecido com mentir. Me dói. Me machuca. Me esmaga o juízo.

20h17. Acho que minha mãe vai acordar no meio da noite para me pastorar, indo dormir a essa hora. Disse para eu tomar o remédio às 22h00. O farei, certamente. Há pão e mortadela para a fome madrigal. Embora tenha comido os bifes acebolados, tenho convicção que a fome se manifestará. Mãe, me desculpe por não ter tido coragem de contar presencialmente a você sobre os impostos do Hulk. Fiquei com medo da sua reação. Estou com medo da sua reação. Isso está deixando minha alma em torvelinho. Perdoe a covardia, mas foi chocante para mim, imagino para você. Ainda não acredito que vamos ter que pagar de uma só vez o valor que passei meses pagando, por causa da tributação daqui. Meu deus, você já vai chiar com o valor do frete, nem imagino a sua reação em relação ao valor dos impostos. É muito dinheiro, eu sei, mas não sabia até ligar para DHL hoje. Nunca sequer me passou pela cabeça isso. Não sei como vou lhe repor esse valor, mas espero que a minha pensão compense de alguma forma. Nossa, você não sabe como estou me sentindo com tudo isso. É uma coisa grande e que foge do meu controle, estou de mãos atadas, nada posso fazer. Só posso pedir que me perdoe pela minha ignorância. E por não ter tido coragem de jogar aberto com você. Não consigo entender até agora como o tributo possa ser de igual ou maior valor que o produto mais o frete. Estou muito mal com isso e por não estar falando tudo isso para você com a minha boca, olhando nos seus olhos. Não sou capaz. Há algo na sua ira, na reação que projeto que terá que me faz recuar. Estou sofrendo deveras no momento. Tudo o que mais quero é que essa situação se resolva logo e vire logo passado. Do jeito que está, está muito ruim para mim. Quero muito o Hulk, mas o medo da sua reação me domina no momento. Um dia isso vai ser apenas uma história a ser lembrada, mas enquanto é um futuro que se aproxima galopante e enquanto eu tenho que omitir isso pareço estar vivendo um pesadelo, uma piada de mal gosto da existência. Estou todo tomado de um medo, uma coisa ruim, um peso na consciência enorme. Preferia ter descoberto no dia da entrega, mas resolvi me antecipar e deu nessa chocante constatação de valor. Não sei o que fazer, fiquei sem chão. Você vai ter que me ajudar nessa. Como me ajudou em todas as burradas que eu cometi. Não sei mais o que dizer. Só peço que tenha pena de mim. Eu já sofri muito hoje e sofrerei mais até que você descubra. Infelizmente não tenho coragem de enfrentar a fera que você vai virar. Só peço que entenda que eu não sabia que o valor seria tão alto. Não fui eu quem pediu por isso, não era assim que eu estava me planejando, me pegou de surpresa, como julgo que a pegará também. Isso é uma humilhação pública, mas peço clemência. Por isso estou abatido e evitando você. Porque não encontrei outra forma de abordar o problema que não essa do blog. Estou muito mal. Você não pode imaginar. Não sei mais o que dizer, se achava que esse blog não tinha serventia, agora acho que tem, pelo menos para lhe comunicar o que não consigo dizer pessoalmente.

20h50. Esse descarrego que eu fiz agora me deixou muito abatido. Estou com a alma muito pesada, com a mesma culpa de uma recaída, eu acho. Mas não vou pensar em algo ainda pior. Não mereço dois infernos ao mesmo tempo. Xô, pensamento invasivo, não me pega dessa vez, enfrentarei minha mãe de cara limpa. Enfrentar, você chama isso de enfrentar, Mário? Mandando notinhas pela internet? Pare, superego. Vá se lascar. Você só fez me martirizar até agora, é o melhor que eu posso dar. Simplesmente não tenho coragem de contar à minha mãe. É demais para mim. Não foi o que havia decidido, o limbo da internet ao silêncio puro e simples? Pois bem, está tudo aqui às claras. Para quem quiser ler. Pronto, não consigo mais que isso. Se isso é muito pouco ou é menos do que o esperado, é também o máximo que posso oferecer. Estou muito mal, mas não tenho coragem de falar para mamãe, isso já não ficou claro? Ela é minha mãe, eu a amo, mas não consigo dizer. Prefiro esse sofrimento do que a outra alternativa. Não sei se estou fazendo uma tempestade num copo d’água, mas sei que não estou, é um valor substancial de que estamos falando. Seriam meses da minha pensão para eu conseguir repor toda essa grana a ela, é uma grande e inesperada despesa. E o pior, não posso fazer nada. Seria mais digno contar a mamãe? Seria, é o que estou tentando fazer através desse post, caso você não tenha percebido, superego. Já disse que não tenho coragem de contar ao vivo. Nossa, não sei que maneiras minha mãe vai inventar de me punir ou me privar, de descontar sua ira em cima de mim. Vai ser muito ozzy. Ela vai ficar possessa. Ou será que não, será que um milagre se dará, ela pensará que isso só se dará essa vez e compreenderá a situação. Tá certo, até parece. Eu sei que meu receio é firmado no real. Eu sei que ela vai ficar transtornada. Eu sei de tudo o que eu vou passar. E por achar que é pior do que o que já estou passando, eu prefiro comunicar por aqui. Mas não fiz nada de errado. Isso deveria contar alguns pontos a meu favor. Não comprei uma figura sem autorização, não usei nenhuma droga, não fiz nada. Apenas liguei para a DHL e Letícia me disse o valor estimado. E pronto, desde este fatídico telefonema estou me corroendo por dentro. Que coisa ruim, que coisa desnecessária, existência. Não precisava desta na minha vida. Foi bom para aprender que há situações muito piores que o tédio. Grande lição. Caríssima lição.

21h20. Vou pegar Coca. Estou pensando em publicar isso e pedir para a minha mãe ler. Não sei se consigo. Para vocês verem o tipo de covarde que se esconde por detrás dessas palavras. É preciso encarar a situação. Quanto antes ela souber... o que? Em que vai ser melhor? Minha consciência vai ficar aliviada? O sermão que eu vou ouvir ou sei lá definir a reação da minha mãe vai me fazer sentir triplamente culpado. Eu sei lá. Talvez eu diga para ela ler o blog. Preciso ponderar. Tenho a noite toda para pensar. Queria me ver livre desse dilema de uma vez. Chutar o pau da barraca. Vou publicar esse post e mandar um WhatsApp para ela. Mas não agora, quero pelo menos ter uma noite de sono tranquila antes do resto que falta do mundo desabar sobre a minha cabeça. Pois é, mãe, se você queria saber porque eu estava tão sorumbático hoje, agora já sabe que assim estava por uma boa razão. Ou uma terrivelmente péssima razão. Agora que está tudo às claras, pode descer a lenha em mim. Ou ser misericordiosa. Faça o que bem entender. Não fui eu quem criou o sistema de tributação nem fui eu quem definiu o preço. É fato que o Hulk vai chegar aqui na porta de casa em menos de uma semana e precisaremos pagar o valor na sua totalidade em uma única parcela. A Letícia disse que não há parcelamento. E se não fosse só isso, o meu cartão de crédito, o que você fez para mim, não tem limite suficiente para pagar esse custo. Eu não sei como isso pode ficar pior aos seus olhos, ou aos meus, se for por isso, mas é essa a situação. É uma bronca pesadíssima. Por isso estou tão intranquilo e preocupado. Você vai me ajudar?

21h40. Não sei mais o que dizer, até clemência já pedi a minha mãe. Já falei e repeti a mesma coisa um sem número de vezes. Eu não queria estar na minha pele agora, mas é a pele em que habito. Não há outra nem haverá. Como não há outro Hulk e nunca haverá. O raio nunca cai duas vezes no mesmo lugar. Ainda bem. É rezar para a minha mãe ser compreensiva e amiga, um teste para ela. Mas acho que não vai ter compreensão nem amizade que segure a cólera dela. Posso estar julgando mal, nossa, como espero estar julgando mal, tudo o que mais queria era que minhas projeções estivessem erradas e que ela visse que eu não tenho culpa ou controle dessa variável e que fosse descontando da minha pensão o valor dos impostos. Sei lá, milagres acontecem. Espero que um milagre aconteça depois dessa tragédia. Mas, sinceramente, não espero muito por isso. Não sei ainda se mande um WhatsApp pedindo para ela ler. Acho que seria o mais honesto que poderia ser, em se eliminando a possibilidade de contar pessoalmente, que está fora do meu rol de capacidades. Como, mas como eu queria estar fazendo uma tempestade num copo d’água, mas eu conheço. Sei como é. Quando o assunto é dinheiro principalmente. Não vou denegrir minha mãe, novamente, pode ser que sua reação seja surpreendente e ela seja compreensiva e amiga. Bom, deixa para lá. Eu não sei o que fazer, nem há nada o que eu possa fazer, é ela quem controla o meu dinheiro, é ela quem dá as ordens. Eu só posso obedecer. Quero que se reconheça apenas que eu não fiz nada de errado, por mais que se quiserem apontar um culpado, não restará ninguém que não eu. Ou o cara que regula a tributação de importados. Mas esse é uma figura sem rosto e culpados precisam ter cara para que se possa cuspir todo o veneno e ódio. Esse cara sou eu. E vou ter que dar a minha cara a tapa. Quando acabar de escrever, vou mandar um WhatsApp para ela. Como diz o ditado de baixo calão, o que é um peido para quem está cagado? E eu estou aqui na merda. Me sentindo mal, enganando por não repartir com ela a informação, pensando mil e uma coisas ruins. Eu estou me sentindo péssimo hoje. Tenho lá os meus motivos. Ou motivo. Como pode uma coisa tão sonhada de uma hora para outra se tornar um pesadelo? Que ironia do destino. Tomara que tudo se resolva da melhor forma. Só duvido que isso aconteça.

22h03. Já falei demais. Não aguento pensar sobre esse assunto, eu jogo a toalha. E bem na hora de tomar o remédio. Coincidência. Vou revisar o retrato da minha miséria e postar. Não. Ainda não. Não tenho coragem. Mas eu tenho que encarar a realidade. Ela é inescapável. Não há nada que eu possa fazer. O mais decente é comunicar mamãe desse fato. Vou revisar.  

Espero que nos encontremos.


quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

QUALQUER COISA




15h57. Mais um texto parido. Dá uma sensação de alívio e de missão cumprida. Pena que os meus posts angariem cada vez menos leitores. Mas se é assim que vida se me afigura, não há nada que eu possa fazer além do que faço. Divulgo em sete ou oito grupos e já percebi que não adianta, o quanto eu tente apagar, sempre aparece o aviso que eu postei em algum desses grupos na minha página principal, então meus conhecidos também são avisados que eu publiquei um texto novo, que era tudo o que não queria. Mas, novamente, se a realidade se dá assim, só posso aceitar e acolher, não vou deixar de divulgar o que escrevo. É a única forma de ter alguns leitores.

16h06. A últimas mensagens do meu amigo Marinheiro, enviadas às 5h30 da manhã, contam que ele ainda não comeu. Isso me põe bastante preocupado. Se eu morasse sozinho e fosse dono do meu dinheiro, eu faria uma feira para ele, mas a vida mais uma vez não se dá assim. Estou de mãos atadas em relação a isso, o que me deixa muito mal. Me sentindo culpado e egoísta. Acho que vou revisar e publicar o texto que fiz para o Desabafos do Vate.

16h41. Não tive paciência para revisar. Meu primo urbano está por aqui pelas Ubaias e me convidou para uma partida de Snipperclips, declinei, pois estou acordando e quando estou acordando, sou muito chato, antissocial. Ele disse que entendia perfeitamente. Assim espero. Ademais, eu nem instalei o Nintendo Switch ainda. Acho que não vou divulgar esse texto, só postar. Quero dar mais tempo de vida ao outro. Esse parece que vai ser um post meio vazio.

16h44. A turma do meu primo-irmão se mobiliza para ir para a, deixe-me ver, Terça do Vinil na Galeria Joana d’Arc. Se meu primo-irmão for, eu vou. Mas não vou pressioná-lo a ir, vou deixar que se manifeste e, caso demonstre interesse em ir, me comunico com ele. Acho que o post anterior ficou bom e com um título chamativo. A palavra “perseguição” acho que desperta curiosidade. Não sei se foi a palavra ou o horário, mas o post já está com dez visualizações. O último teve apenas 18.

16h50. Coloquei “Utopia” para rolar. Começando da minha queridinha “Arisen My Senses”, que calha de ser a primeira do álbum. Mas estava em “Body Memory”.

16h57. Meu primo-irmão acaba de declinar da saída. Disse que de segunda a quinta não rola para ele. Eu não queria continuar a terapia. Mas continuarei à minha revelia. Não é possível que não me acostume com ela. É um momento de adaptação, eu espero. O que queria agora? Não muito, que o texto saísse com mais fluidez, principalmente por ser um que não vai ser divulgado, posso tratar só de futilidades. Mas não tenho muito o que dizer, tudo o que me aconteceu de relevante desde que acordei já foi dito, mas como falei no meu post anterior, mesmo numa realidade restrita como a minha, a vida não para de ser dinâmica e os pensamentos se sucedem, infalivelmente, porque continuo pensando e não sei como parar de pensar, só se fechasse os olhos e tentasse meditar. Não me angustia o fato de não conseguir parar de pensar, me angustia mais quando não tenho o que dizer. É aí que o grande tédio bate. Acho que esse grande tédio tem muito a ver com os níveis de cafeína no meu sangue. Como bebi três xícaras de café já hoje, não há sinal do tédio. Por mais que eu não tenha muito assunto posso dizer o que está me vindo à cabeça, é só prestar atenção. Ouvir os pensamentos mais sussurrados que passam em minha mente. Como quem ouve os canais de som mais baixos de uma música com rico arranjo como é o caso das de “Utopia”. Ainda estou soando meio chato por ter dito não ao meu primo urbano quando este me chamou para uma partida de Snipperclips, mas não tinha, como ainda não tenho disposição nenhuma de interagir com ninguém, ainda estou antissocial. “O antissocial”, taí um bom nome de blog para eu registrar.

17h13. E endereço já está registrado, mais um blog abandonado. Em 2011. Uma prova da persistência dos blogs no Blogger. Isso me deixa mais tranquilo, me dá confiança que o meu blog continuará depois de mim. Acho que estou com um pouco de confusão mental desde ontem. Vejo os meus textos muito truncados. O que fiz para o Vate chega dá agonia, por isso parei de revisar. Mas marquei de vermelho onde parei, para, quando me der na telha, continuar a revisão, que é mais frouxa que a daqui, deixo as coisas mais cruas e doidas mesmo. Se bem que aqui também não interfiro muito. Se acho que o texto está fluindo bem, conserto os erros que descubro, mas não altero muito a estrutura e muito menos o conteúdo. Parou em dez visualizações e uma curtida o meu post. Vou olhar de novo, para ver se houve alguma evolução. Nada. Acho que vou pegar uma Coca.

17h23. Essa foi o cúmulo, perdi a coragem de ir à cozinha para não precisar interagir com a minha mãe e meu padrasto que estão na sala. Peguei água da torneira. Hahaha. É tragicômico. Mas não quero interagir com ninguém. A não ser que minha mãe venha ao meu quarto, aí a interação é inevitável. E não é uma interação ruim. Aparentemente, pelos tons das vozes, estão discordando de algo. Meu padrasto entrou em seu quarto, vou pegar a Coca agora.

17h29. Peguei. O chocolate que meu amigo cineasta levou para a sessão de games, amargo com pedrinhas de flor de sal, me abriu a percepção para a presença de sal em coisas doces. Percebi o sal no Bono de chocolate ontem e na Coca Zero agora. Não foi uma percepção agradável no caso da Coca Zero. Por sinal já tomei o copo de Coca todo, que ozzy. Queria mais, mas minha mãe vai reclamar comigo. 11 visualizações e uma curtida.

17h41. Tirei uma foto do meu boneco do Coisa para fazer um jogo de palavras com o título e descobri qual é a parte mais chata do meu ofício, colocar as fotos no post. Mais até do que revisar. O método que uso para me mandar fotos do meu celular para o computador, as enviando por e-mail, é demorado, além de ter que redimensionar, cortar, achar lugar minimamente pertinente para colocá-las, ir buscá-las na imensidão de documentos que compõe os arquivos do Jornal do Profeta, tudo é chato. Mas as fotos têm o papel de quebrar a narrativa e tornar o post mais atraente, além disso é um prazer tirar fotos com o meu celular novo. Ele capta muito bem imagens com pouca luminosidade, meu amigo cineasta gostou da câmera o que é um bom indício. Disse até que poderia filmar com ela para o projeto dele sobre um ano da minha vida.

17h54. Seria muito curioso se eu me metesse a ir para a Galeria Joana d’Arc encontrar com a minha amiga filósofa e meu amigo bonitão. Não sei nem se eles me consideram amigo. Amigo acho que é coisa mais íntima do que a relação de que privamos. Gostaria de reverter isso, construir mais intimidade com eles, mas estou muito antissocial. Queria sair hoje. Não sei se minha mãe concordaria. Indo sem o meu primo. Mas ela tem que ter mais confiança em mim. Deixa para lá, vou passar por um estresse desnecessário, para enfrentar um estresse necessário que seria essa interação com a filósofa e o bonitão. Se ele for. Acho que vai, tem um gosto por programas inusitados. Mas isso é só palpite. Não o conheço a fundo para saber.

18h07. Se fosse a Boa Viagem, poderia talvez ajudar o meu amigo Marinheiro. Sinto um impulso de ir e, ao mesmo tempo, forte rejeição à ideia que se sobrepõe ao impulso, invalidando-o. Muito chato isso. É preciso botar certas coisas em movimento algumas vezes. Essa não será uma delas. Já basta a terapia. Me senti muito desconectado de Ju. Não sei por que isso. Aliás, sei, porque estou cada vez mais distante dos demais. Eu penso que me distancio da minha própria humanidade vivendo esse monólogo comigo mesmo na maior parte do meu tempo desperto. A esmagadora maioria do meu tempo é voltada para a escrita desse texto e parece que à medida que me aproximo mais de mim, me distancio do todo. Acho que dei boas indicações do meu processo na terapia. Disse que se fosse privado de meu computador para escrever, minha vida seria privada de sentido. Será que seria bom eu dar férias ao meu computador, tirar férias da escrita? Só de pensar me bate uma curiosidade do que se daria e uma forte ansiedade da privação tremenda que isso seria. Mas poderia me privar disso por essa noite e ir à Galeria Joana d’Arc? O impulso cresce em mim, será que sobrepujará a repulsa? E enfrentar a minha mãe e todas as suas preocupações a respeito da minha saída? Não sei, o impulso tem que crescer muito.

18h26. Finalizei o parágrafo acima porque me senti aprisionado nele. Dando voltas atrás do meu próprio rabo. Consigo me projetar saindo para a Galeria Joana d’Arc daqui a uma hora e meia. Boto o celular para carregar pensando nisso? Está com 25% e não gosto de carregar quando a bateria está assim, acho que lasca a vida útil da mesma. No entanto, não me sinto seguro para sair com apenas essa quantidade de carga. Dilema besta. Vou deixar para decidir isso, se falar com mamãe antes das 19h00 e ela concordar com ideia. Estou achando que não farei isso acontecer. Finalizei o parágrafo anterior e continuo a tratar do mesmo assunto, não deu em nada. Hahaha.

18h35. Acho que ficarei aqui em casa mesmo por pura falta de coragem de enfrentar mamãe.

18h41. Falei com mamãe antes da 19h00 e ela foi até receptiva à ideia. Estou incrível. Agora só depende de mim. Agora que fiz o mais difícil, esfriei. Perdi a motivação de ir. Não imaginava isso. Não esperava por essa. Vamos ver se me reanimo.

18h46. Esqueci de contar, acabei de saber de uma ozzy, minha mãe quer viajar de novo para a Alemanha em junho. Não posso crer. Eu disse a ela que não queria viajar esse ano. Que merda. Que saco. Não acredito nisso. Porque não vai com o meu padrasto? Bom, pelo menos o meu Hulk está vindo. Isso me alegra a alma. E eu tenho uma saída para hoje. Eu não sei o que fazer mais em Munique. Acho que vou passar o dia em casa escrevendo. Nossa, todo o estresse da viagem, do translado, digo. Não aguento mais isso. Não quero mais isso na minha vida. Estou de saco cheio de viajar. Não gosto de viajar. É muitíssimo ozzy ser obrigado a fazer uma coisa que não quero, que tenho quase aversão sem ao menos ser questionado sobre a minha vontade. Vou colocar o celular para carregar. Sem saco para ir, vamos ver agora se o impulso cresce novamente. A ansiedade é que cresce pensando nisso. Saco. Às vezes é um saco ser eu. Vou botar o celular para carregar, enfim.

19h04. Coloquei. Mas não sei se vá ainda. Estou 50/50. E essa é uma posição muito chata. De indecisão, de vergonha, de achar que a minha amiga filósofa não vai ficar contente com a minha presença lá. De qualquer forma, eu tenho o mesmo direito de estar lá que qualquer outra pessoa. Não sei, a sensação de ser rejeitado me desestimula. Talvez eu seja uma pessoa desestimulante. Certamente sou uma pessoa desestimulada a qualquer coisa que me tire da zona de conforto. Por outro lado, terei o que contar aqui se for, não vou ficar apenas na masturbação mental em que agora me encontro. Santa dúvida, Batman. Será que se tomar banho me animo mais? 14 leitores do meu último post até agora. E uma sempre bem-vinda curtida. Agora que vi, a entrega estimada do Hulk é dia 27 de fevereiro. Rápido, não posso crer. E a data é um dos meus números da sorte.

23h02. Voltei da Galeria Joana d’Arc. Não encontrei ninguém, vi o movimento e vim para casa. Dei um passeio, pelo menos, vi gente. Mas me pareceu que a minha energia diferia completamente da do ambiente e não consegui me sentir à vontade lá. Fiquei mais tempo do lado de fora que do lado de dentro. E dou por visto.

23h13. Já tomei os remédios. Estou de volta instalado no meu quarto-ilha. Acho que amanhã ligo o Nintendo Switch.

-x-x-x-x-

13h56. Estou feliz de estar no meu quarto-ilha hoje. Não há lugar outro em que quisesse estar. Dormi relativamente cedo, antes de 1h00. Vi que o Hulk já está no Brasil, em Viracopos “em processo de liberação alfandegária”. Só espero que não danifiquem o meu precioso busto. O envio está sendo muito rápido. Acordei pensando que não estou disponível para a terapia. Não houve conexão, não houve da minha parte, digo. E quando não há da parte de um, não há da parte do outro, acredito eu. Sair sozinho para uma noite é algo que me causa profunda aflição, pude perceber ontem. Estou muito antissocial. Quando penso que cheguei ao pico, percebo que o negócio pode piorar ainda mais. E piora. Nesse exato momento, não gostaria de sair da minha casa por nada. Também ainda estou no pior momento do dia que é o despertar. Como já disse em outros textos, é quando me encontro mais chato e mais fechado.

14h30. Foi uma experiência ruim ir para a Galeria Joana d’Arc ontem. Tão ruim que foi marcante e acho que foi ela que aumentou a minha fobia social. Queria continuar a seguir a minha vida sem terapia. Mas estou vendo que isso é minha resistência à mudança. O meu lado racional diz que eu vou acabar me beneficiando com a terapia. O resto de mim não queria voltar lá.

14h53. Tive que reiniciar o computador.

14h59. Me peguei pensando na decoração do meu quarto-ilha. Em pregar a bandeira do Brasil no teto, visto que não haverá lugar nas paredes para pregá-la. Não sei se é uma ideia muito doida, mas é um desejo. Não sei como fazer com os meus gibis. Não quero pensar nisso agora. Embora a minha mãe quer que eu já vá pensando e elaborando um croqui de como vejo o meu quarto. Não vou fazer isso no momento. No momento não quero fazer nada. Só ficar sacando a internet e escrevendo. Sem muita vontade para ambos tampouco. Mas é melhor do que não fazer absolutamente nada. Acho que vou abrir as persianas para não me sentir tão enfurnado aqui. Embora a janela fique atrás de mim, a claridade se faz visível no quarto inteiro. Esse é um post que definitivamente não vou divulgar.

15h20. As horas se sucedem rápido. Dentro em breve será noite e outro dia findará para mim. Vou reler o que produzi ontem para os meus outros projetos e possivelmente apagar, pois não me agradou. Depois volto para cá. Momento.

16h15. Revisei e achei que só dava para o Desabafos do Vate mesmo. Estava muito truncado e ruim, como o que geralmente produzo para lá. Hahaha. É o meu depositório de liberdade. Inclusive das normas da escrita. 16h16. Só para marcar a hora bonitinha mesmo. Hahaha.

16h16. Minha mãe voltou de onde quer que ela tenha ido. Acho que da universidade. Parece que ainda vai ou foi para a massagem. Não sei, não entendi. Acho que o que eu queria era me resignar e me entregar por completo à solidão. É um pensamento que me traz certa paz de espírito. Não deveria ser assim. Será que será assim? Não sei. Sei que todas as interações sociais me são sofridas. E o quase pânico que tive ontem em meio às pessoas da Galeria Joana d’Arc foi um sentimento forte e ruim. Que interações não eliminaria da minha vida? Por ora, só os games na casa do meu primo urbano. E as estadias na casa da minha tia-mãe. Ah, e as filmagens do meu amigo cineasta. A menos difícil dessas interações é sem dúvida a casa da minha tia. Não acredito que eu vou viajar de novo. Minha mãe não tem jeito. Espero não ser obrigado a interagir com os vizinhos da minha irmã. Espero escapar deles como da outra vez. Caramba, não sei o que diabos vou fazer lá. Qualquer coisa fico só escrevendo. Nossa, só de pensar na viagem já me dá uma coisa ruim. O Hulk já passou pela alfândega, o próximo passo é Recife, segundo o muito informativo site da DHL, que inclusive informou que falta informações do importador. Que eles tentariam me contatar ou que eu poderia me adiantar e contatar a central de atendimento. Não o farei. Não estou com saco, me dá um frio na barriga que não me apetece. Eles que tomem a iniciativa de entrar em contato comigo. Vamos ver se o serviço é bom mesmo.

16h55. A vida segue rumo a seu fim. Eu sigo rumo ao nada ou a uma realidade expandida na forma da Singularidade Tecnológica terrestre. Por incrível que pareça minha fé me leva a achar que há uma possibilidade de 50% de a Singularidade acontecer e acontecer dentro do meu ciclo de vida. Se esse não for interrompido por nenhum percalço. Será que depois que eu me for, alguém irá descobrir esses escritos e se fascinar com eles, como, sei lá, o retrato de uma época? Se bem que não narro os acontecimentos mundiais ou locais que seriam a matéria de algum historiador. Realmente não sei a quem isso poderia interessar. Sei que meu post anterior teve até agora, 27 visualizações. Já considero um post vencedor.

17h17. Tirei uma foto para o Vate de um recanto esquecido do quarto que diz muito dos meus hábitos e hobbies.




17h19. Acho que esse post vai ser curto, não ando muito inspirado para a escrita. Snipperclips é um jogo simples e ao mesmo tempo complexo, pois os personagens podem assumir praticamente qualquer forma nas mãos de um jogador habilidoso. Preciso pensar com mais seriedade em ligar o Nintendo Switch. É só colocá-lo no dock. Não tenho ânimo nem para isso no momento. Este é o post do desânimo. Hahaha. Não estou hoje com vontade de fazer absolutamente nada, por fazer nada entenda-se escrever, que é o que há de mais fácil e agradável a se fazer. Não sei exatamente para que serve essa facilidade de me dizer em palavras e mesmo se há utilidade ou não. Sei que produzo e me regozijo quando atinjo mais de 20 acessos. E a isso se resume a maior parte da minha existência. Estou empolgado com a chegada do Hulk. Depois dele só há a Red Sonja. Fora as que estão na casa do meu irmão. Estou tão sem o que dizer. Tenho que comer antes de mamãe chegar. Vou fazer isso agora. 17h37.

17h53. Comi peito de frango e arroz com molho rosé. Grande informação. Hahaha. É a falta de assunto. Está começando a me dar uma vontade de jogar Mario Odyssey. Foi só escrever a frase que a vontade passou, que ozzy. E o Zelda Breath Of The Wild, hein? Ainda na casa de titia e sem me fazer falta alguma. E a terapia? Vou com as expectativas mais baixas possíveis, quem sabe assim não me surpreenda positivamente. O problema não é Ju, sou eu. Ela continua a mesma pessoa. Eu é que só fiz acentuar o quadro que apresentava no CAPS. Eu é que estou avesso a interações. Eu é que estou sem saber como me comportar na sessão. Bom, é sinceridade e abertura completa, não tem muito erro se seguir por aí, que é como geralmente sigo em terapias. Embora não me ache tão disponível como dantes. É um movimento que vem se desenhando há anos, uma curva rumo ao isolamento social que vem sendo traçada por mim há bastante tempo. E que agora chega a níveis totalmente anormais. Mas não quero falar nisso. Já bati nessa tecla tantas vezes que estou saturado. Sei que baterei muitas mais pois a situação não se resolve do dia para a noite. É um processo. Espero que mais rápido do que foi chegar aqui. O caminho de volta sempre parece mais curto que o de ida. Por falar nisso, minha mãe fica me estimulando a voltar a andar. Não estou com saco para andar. O que queria fazer era a barba. Quem sabe amanhã. Mas estou empulhado até para encarar a cabeleireira. Ozzy. Do jeito que me sinto hoje, agora, a vontade que me dá é não sair de casa para nada, só para a terapia. Não posso continuar assim. Mas disse que não iria falar nisso de novo. Estou são e salvo no meu quarto-ilha com as minhas palavras agora. O futuro não é agora. Então não preciso me preocupar com a viagem ainda.

18h19. Me perdi vendo uma coisa virtual ou outra. A Red Sonja está marcada para ser entregue no mês da viagem, logo não estarei aqui e provavelmente não poderei enviá-la para o Brasil. Se bem que posso negociar isso com a Sideshow, eu creio. Peguei o case e o grip do Switch e não liguei. Realmente hoje minha maré não está para peixe. Vou abrir o case para me dar mais um passo e ver se isso me dá vontade de encarar o game.

18h25. Montei tudo, mas não me veio vontade de jogar. Suspiro... é, não vou me forçar a nada. Ontem fiz um esforço hercúleo para ir à Galeria Joana d’Arc e foi horrível. Suspiro... o que fazer? Escrever, é o jeito.

18h31. Tentei tirar duas fotos, uma do Demolidor e uma do Ursinho que ganhei da minha segunda namorada há mais de 20 anos. Não ficaram boas, mas sem muito conteúdo, vou postá-las aqui. Deixa eu me enviar por e-mail.









18h38. Vi que tirei uma da rua, voltando da Joana d’Arc que vou postar também. Só de pensar no nome do lugar já me sinto mal. Que ozzy. As fotos foram enviadas. Foi rápido dessa vez. Não sei se acabe esse post por aqui e comece um novo. Não. Vou jogar um Mario Odyssey antes.




19h17. Saí do mundo em que estava e fui em outro, o anterior e bem mais fácil. O único em que peguei todas as luas até agora. Será que algum dia alguma mulher que eu deseje e que me deseja entrará no meu quarto? Tenho sérias dúvidas. Voltar para cá está baixando o meu astral. Estou num mato sem cachorro, então. Eu tenho que ter pensamentos mais positivos. Mas que pensamentos, o que me cruzou a cabeça foi chamar a turma do meu primo-irmão para uma cervejinha na Praça, mas numa quarta-feira e sendo um programa desanimado, sem agito, provavelmente ninguém se animaria. Eu não vou sozinho também tomar duas ou três Cocas, de repente um pastel, e voltar. Talvez outro dia. Seria um local curioso para sentar e escrever com o computador. Causaria estranheza aos locais e correia o risco de ser assaltado na volta, mas posso sempre escrever no celular. É uma ideia que precisa ganhar corpo dentro de mim. E talvez eu não fosse no horário de pico, mas no final da tarde. Sei lá, seria alguma coisa para adicionar um sabor especial à minha vida. Tenho um amigo esquizofrênico que mora perto e sempre está pela Praça. Ele é muito bem-resolvido com a sua doença e, mais das vezes, se passa por uma pessoa normal. Tem lá seus papos viajados, é solteiro também e está mais conformado com isso do que eu. Se apaixonou por uma vampira sanguinária sei lá de que século. E sei lá de que recanto da internet ele desencavou essa história.

20h27. Minha mãe está se esforçando muito para me aceitar. Estou impressionadíssimo. Obrigado, mãe. Minha gratidão só cresce em reconhecimento ao seu esforço.

21h05. Estava conversando com o meu amigo Marinheiro até agora. Guarda um grande rancor, várias mágoas da mãe. Enquanto eu fico cada vez mais em paz com a minha, ele se distancia mais da dele. É uma pena. É quase como se tivéssemos vidas e aspirações opostas. Eu gosto de paz e ele de estar sempre pronto para a guerra. A vida é mesmo curiosa.

21h23. Não acredito que passei esse tempo todo olhando o Instagram. O negócio é sem fim. Tremendo buraco negro de atenção e tempo. Acho que vou revisar para postar.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

GAMES, PERSEGUIÇÃO E TERAPIA


13h37. Sento aqui para escrever por não haver outra alternativa de afazer que me interesse. Sei que vou à casa da minha tia com minha mãe hoje. Isso pode atrapalhar os planos de jogar na casa no meu primo urbano. Ou vai atrapalhar, sei lá. O que vier para mim está bom. Não estou com saco de jogar Snipperclips. Amanhã tem terapia, que ozzy. Não estou preparado para isso. Acho que a primeira sessão vai ser improdutiva. Descobri um sinal meio anômalo no meu braço. Sem inspiração...

13h59. O dia está chuvoso, tempo fechado, muitas nuvens no céu. Aqui dentro do quarto-ilha está com o friozinho do ar condicionado desligado há pouco. Björk e seu “Utopia” preenchem o ambiente. Nossa hoje o tédio está monumental. Não quero sair do quarto sob pena de minha mãe me chamar para almoçar. Não estou com a mínima fome. O Hulk não foi enviado ainda. Talvez na segunda. Minha mãe me chamou para almoçar, mas declinei do convite da forma mais simpática possível, que não foi lá tão simpática. O sinal anômalo no meu braço coça. Foi assim que o descobri. Pode ser um pelo encravado. Tomara.

14h12. Queria pegar mais Coca, mas agora só depois que o almoço terminar. Qual a razão de existir sendo eu? Limitado ao que faço? Escrever isso que ninguém lê? Acho que vou publicar o post sobre as filmagens.

14h42. Postei faz uns 10 minutos e até agora só duas visualizações. Desse jeito, não alcançarei nem dez leitores. Estava esperançoso que o tema filmagem atraísse mais leitores, mas pelo visto não foi e não é o caso.

14h47. Estou mais desperto e mais disposto. Mais o primeiro que o segundo. Não tenho ainda disposição para os eventos que talvez me aguardem hoje. Estou mais disposto para visitar a casa da minha tia do que para jogar games na casa do meu primo urbano. Acredito que no devido tempo, entretanto, me anime para os dois. Está começando a fazer calor aqui no quarto. Abri a janela para os ares da cidade invadirem o recinto e o ar circular um pouco. Como está nublado, a temperatura se torna mais agradável. Gosto de acompanhar o número de visualizações de uma nova postagem logo após ser divulgada porque é quando gera mais visualizações. Não está gerando muitas, em verdade.

15h10. Parece que vou para a casa do meu primo e não vou para a casa da minha tia. Meu primo quer sair daqui a pouco. Já desmontei o Switch e coloquei na mochila.

15h48. Já tomei banho e estou só à espera do chamado do meu primo.

-x-x-




23h25. Acabei de chegar da casa do meu primo urbano e me instalar aqui no quarto-ilha. O Uber demorou bem mais que o esperado e, bem, jogamos demais. Se mostrou uma excelente aquisição o Snipperclips. Jogamos até saturar do jogo. Eu não imaginei que fosse jogar tanto, mas foi o que fizemos depois de curtir o equipamento de som do meu primo um pouco. Achei a música menos legal que da primeira vez. Porém a outra que ele mostrou está redonda, perfeita para ouvir escrevendo, muito climática e pacífica ao mesmo tempo. Acho que essa está pronta, não é possível que queira mexer. Há um canal particularmente belo e interessante que só percebi existir quando ele isolou o som. Nosso amigo cineasta se arriscou um pouco com o brinquedo, eu só fiquei vendo. Acho mais interessante ver. Se eu soubesse mexer, mixava a música com outra calibração de volume. Traria esse som que achei interessante mais para a frente, deixaria mais alto, complementando melhor a guitarra.


Vista da varanda do meu primo urbano

Vista interna da varanda. Adoro esse banco. É um lugar muito simpático.


Meu amigo Marinheiro contou-me os seguintes acontecimentos, que me sinto confortável de transcrever, porque ele quer que eu escreva a vida dele. Como não farei nunca uma biografia, narro as nossas intersecções de vida.

[21:13, 18/2/2018] Marinheiro: Voltei Mário
[21:13, 18/2/2018] Marinheiro: Escapei de uma fedendo
[21:13, 18/2/2018] Marinheiro: Por pouco
[21:14, 18/2/2018] Marinheiro: 😰😰😰
[23:23, 18/2/2018] Eu: O que foi, velho?
[23:41, 18/2/2018] Marinheiro: Tentaram me pegar
[23:42, 18/2/2018] Marinheiro: Mas não conseguiram
[23:44, 18/2/2018] Eu: Lhe pegar como?
[23:45, 18/2/2018] Marinheiro: Como lhe disse
[23:45, 18/2/2018] Marinheiro: Eu havia ido para o Raid por conta própria
[23:46, 18/2/2018] Marinheiro: De passar 15 dias pra desintoxicar e descansar
[23:46, 18/2/2018] Marinheiro: Só que o 15 dia seria domingo de carnaval
[23:47, 18/2/2018] Marinheiro: Daí falei para o mesmo amigo que foi me deixar lá ir me buscar no dia seguinte após a quarta de cinzas.
[23:47, 18/2/2018] Eu: Sei.
[23:48, 18/2/2018] Marinheiro: Desconfiei que estava havendo algo pois tinha se passado meio dia e nada
[23:48, 18/2/2018] Marinheiro: Daí alertei para a psicóloga que esperava por um amigo ir me buscar
[23:49, 18/2/2018] Marinheiro: Eles ligaram para minha mãe sem eu saber de nada
[23:49, 18/2/2018] Eu: Eita.
[23:50, 18/2/2018] Marinheiro: E quando eu assinei os papéis do desligamento eles me avisaram que minha mãe havia decidido me jogar numa involuntária
[23:50, 18/2/2018] Eu: Que ozzy.
[23:50, 18/2/2018] Marinheiro: E que o resgate tava pronto pra me pegar
[23:50, 18/2/2018] Eu: Aí tu fez o que?
[23:51, 18/2/2018] Marinheiro: Fugi. A casa já estava toda cercada, mas eles não contavam com minha astúcia e minha velocidade
[23:51, 18/2/2018] Marinheiro: Pulei o muro e saí no pinote
[23:51, 18/2/2018] Eu: Porra, mago, conseguisse fugir?
[23:51, 18/2/2018] Marinheiro: Corri demais
[23:52, 18/2/2018] Marinheiro: O máximo que pude
[23:52, 18/2/2018] Marinheiro: Consegui sim
[23:52, 18/2/2018] Marinheiro: Depois me atirei no matagal
[23:52, 18/2/2018] Marinheiro: E fiquei mais de 1 hr escondido
[23:53, 18/2/2018] Marinheiro: Em meio às formigas e mosquitos ( de diversos tipos e tamanhos)
[23:53, 18/2/2018] Marinheiro: Mas eu consegui escapar
[23:53, 18/2/2018] Eu: Que ozzy.
[23:53, 18/2/2018] Marinheiro: Senão essa hora estaria na vila Santana babando de remédio
[23:54, 18/2/2018] Marinheiro: Ou no recanto paz (aonde eu acho que iria) pra passar 6 meses sendo mau tratado
[23:54, 18/2/2018] Marinheiro: Mais uma pra conta da minha mãe
[23:55, 18/2/2018] Marinheiro: Só que dessa vez ela tomou um balão lindo meu
[23:55, 18/2/2018] Marinheiro: 😉😉😉
[23:55, 18/2/2018] Eu: Espero que não haja novas tentativas.
[23:56, 18/2/2018] Marinheiro: Não haverá
[23:56, 18/2/2018] Marinheiro: Liguei pra ela depois
[23:57, 18/2/2018] Marionheiro: Lhe ameaçando caso ela insistisse com isso
[23:57, 18/2/2018] Eu: Puxa.
[23:57, 18/2/2018] Marinheiro: Já passaram-se 3 dias e estou de boa
[23:57, 18/2/2018] Eu: Ainda bem.
[23:57, 18/2/2018] Marinheiro: Já tô no meu apartamento de volta
[23:58, 18/2/2018] Marinheiro: Acho que ela se deu por vencida essa vez
[23:59, 18/2/2018] Marinheiro: Também lhe disse que se eu desaparecesse por 48hrs haveria 3 caras prontos pra pegá-la e sabiam onde ela mora.
[23:59, 18/2/2018] Eu: Mas isso é verdade? Não, né?
[00:00, 19/2/2018] Marinheiro: Claro que estou blefando mas se ela acha que sou bandido vou alimentar um pouquinho a loucura dela
[00:00, 19/2/2018] Marinheiro: E vê se ela me dá sossego
[00:00, 19/2/2018] Eu: Hahaha. Essa foi um onda.
[00:01, 19/2/2018] Eu: Ainda bem que estás bem.
[00:01, 19/2/2018] Marinheiro: Tentaram balotelli
[00:01, 19/2/2018] Marinheiro: Mas não conseguiram
[00:01, 19/2/2018] Marinheiro: Caught me
[00:02, 19/2/2018] Marinheiro: Me perseguiram como se eu fosse um animal
[00:02, 19/2/2018] Eu: Foi mesmo, ainda teve perseguição?
[00:02, 19/2/2018] Marinheiro: Simmmm
[00:02, 19/2/2018] Marinheiro: Vi os filhos da puta passando perto de onde eu estava escondido
[00:03, 19/2/2018] Marinheiro: Freio de carro
[00:03, 19/2/2018] Marinheiro: Por isso passei 1hora e meia intocado
[00:04, 19/2/2018] Vinícius (Vivi Alone): Até me assegurar que dava pra sair mesmo
[00:04, 19/2/2018] Vinícius (Vivi Alone): Fizeram ronda no local a pé e de carro
[00:04, 19/2/2018] Vinícius (Vivi Alone): Mas eu usei uma verdadeira tática de guerra pra escapar deles
[00:05, 19/2/2018] Marinheiro: Me senti no Vietnã
[00:28, 19/2/2018] Eu: Caraca, mago. Sua vida tem cada uma, viu?

0h44. Fui ver o negócio dos remédios que eu tomo e não respondi em tempo e o Marinheiro desistiu de falar comigo. Ou assim espero. Depois de uma história dessas, sei lá.

0h52. Acho que vou dormir. Estou cansado. Não sei ainda. Acho que se for tentar dormir agora vou ficar vendo os bonecos de Snipperclips na minha cabeça. Hahaha.

1h08. Acordarei amanhã perto da hora da terapia. Estou com certa ansiedade em relação a esse encontro. Ou reencontro. Mas todo mundo disse que faz bem. Veremos. Acho que vou comer um pouquinho. Boa noite.

1h22. “Arisen My Senses” rolando. Fui fumar um cigarro e deu vontade de ficar mais um pouquinho de nada no computador. Acho que se o Switch estivesse ligado eu iria arriscar um Sipperclips. Melhor não, é um jogo extremamente mais apreciável em grupo. Pelo menos uma dupla. Vou poupar as fases para uma próxima jogatina. Foi uma boa aquisição. Acho que agora só o Metroid Prime 4 ou o Dr. Mario, se lançar. Pobre do Marinheiro.

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13h57. É hoje o dia. Começarei de novo a terapia. Não estou com a mínima vontade de ir. Mas não tem volta agora. Já me comprometi a enfrentar. Que ozzy. Mamãe ainda quer que eu coma antes de ir, acabou de me dizer. Sem fome nenhuma.

14h09. Atualizações da vida do Marinheiro.

[00:29, 19/2/2018] Eu: Desculpe a demora, precisei me ausentar. Remédios.
[06:00, 19/2/2018] Marinheiro: Eca. Só tomei remédio uns 3 dias lá depois optei em não tomar nada é fazer esporte como "remédio"
[06:02, 19/2/2018] Marinheiro: Em 18 dias no Raid voltei a meu peso normal, entrei em forma (a ponto de escapar de uma remoção) e li 4 livros.
[06:03, 19/2/2018] Marinheiro: Todos os dias fazia musculação, trabalho com bola e a noite dava uma nadada na piscina
[06:04, 19/2/2018] Marinheiro: Eu dizia que isso era meu remédio daí eles ficavam invocados cmg principalmente os outros internos
[06:06, 19/2/2018] Marinheiro: Fui de fato desintoxicar mano, aquelas patricinhas psicólogas de shopping do Raid não tem a mínima "bagagem" de vida nem de nada pra me dar conselhos.
[06:07, 19/2/2018] Marinheiro: Eliminei quase tudo através do suor, fezes e urina
[13:55, 19/2/2018] Eu: Massa, você realmente não precisa de remédios. Eu já tive depressões tão severas que não me confio sem eles. Sinto que eu vivo equilíbrio emocional químico. Mas é melhor que a depressão.
[13:56, 19/2/2018] Marinheiro: Entendo
[14:05, 19/2/2018] Eu: Mas estás bem agora, né?
[14:06, 19/2/2018] Marinheiro: Sim
[14:06, 19/2/2018] Marinheiro: Melhor que qualquer lugar onde queriam me botar
[14:06, 19/2/2018] Marinheiro: Só estou com fome
[14:07, 19/2/2018] Eu: Eita.
[14:07, 19/2/2018] Marinheiro: Mas vou tentar resolver isso
[14:07, 19/2/2018] Marinheiro: Juntando ontem e hj eu só comi 3 pacotes de biscoitos e 4 pastilhas.
[14:08, 19/2/2018] Marinheiro: Mas tô mantendo o bom humor e a calma
[14:08, 19/2/2018] Eu: É muito pouco. Fico com o coração na mão de não poder ajudar.
[14:08, 19/2/2018] Marinheiro: Jajá vou sair
[14:08, 19/2/2018] Marinheiro: E tentar resolver isso
[14:09, 19/2/2018] Eu: Puxa, te desejo sorte.

14h18. A vida do meu amigo Marinheiro não é fácil, principalmente quando comparada à minha. Mas também ele estava recaído em crack e saiu do emprego não sei por que cargas d’água. Só sei que não estou nem um pouco receptivo à ideia de iniciar uma terapia, mesmo sendo com Ju e até por ser com ela. Não sei o que direi.

14h30. Uma hora para partir para a terapia. Nossa, que bicho estou fazendo de uma coisa tão boba. Não estou desempregado e passando fome como o meu amigo Marinheiro. Estou é sem fome nenhuma e com obrigação de comer, o que não deixa de ser uma amarga ironia. Se pudesse, enviava um prato de almoço para o meu amigo Marinheiro, mas não posso. Por que não posso? Porque ele mora do outro lado da cidade e por causa da minha mãe.

14h37. Meu amigo publicitário me contatou pelo Messenger. Vou fingir que não vi até depois da consulta com Ju. Todo o meu ser está em preparação para esse encontro. E o tempo parece que avança mais rápido, me empurrando para esse futuro que eu mesmo busquei. É certo que um grande motivador disso foi deixar os que me cercam mais tranquilos em relação a mim, senti que meus colegas mais próximos inclusive, se espantavam de eu estar sem acompanhamento nenhum. Fato é que eu estava de saco cheio de acompanhamentos e internações. Vou pegar outro copo de Coca e fumar um cigarro.

14h54. Caramba o tempo se impõe contra mim. Ou a favor. Seria perfeito se eu começasse a sessão empulhado e depois soltasse o verbo. Pois começar empulhado eu já sei que vai se dar. Tenho que entrar no banho dentro em muito breve. 14h58. De 15h10 entro no banho. Ai, ai, como queria que hoje já fosse amanhã e a terapia já tivesse passado. Em algum momento será. Sei que meus dilemas são idiotas quando comprados às questões enfrentadas pelo meu amigo Marinheiro, mas são os meus dilemas e esse é o meu blog. Disse ao Marinheiro que narraria a sua vida aqui, o que serve como um interessante comparativo de duas existências completamente diversas. Será que Ju se pegou pensando hoje em mim, no nosso encontro? É uma indagação curiosa. Não tinha me passado pela cabeça o outro lado da moeda. Com certeza ela não deve ver isso com a mesma tensão que me causa. Espero trazer boas notícias quando voltar. Espero que me empolgue com a terapia. Seja melhor do que estou imaginando. 15h06. Quatro minutos para o banho. Que ozzy. Mas não tem volta e não quero que tenha. Eu preciso enfrentar isso. Todos disseram que será bom para mim. Preciso sair com meia-hora de antecedência pois não sei direito onde fica o local. 15h09. Maldito tempo. Vou logo me preparar. 15h10.

15h38. Estou pronto, fisicamente falando. Banho tomado e roupa trocada. Vou lá encarar essa terapia. Daqui a pouco volto para contar como foi.

Sineta à entrada no portão do Lumen (local da terapia)


17h26. Voltei mais leve do que fui para a terapia. Fiquei um pouco espantado com o visual de Ju, mas não acho que tenha sido isso que me fez ficar desconfortável. Foi uma coisa outra, talvez o tempo e a falta da interação cotidiana que tinha com ela. Acho que é um investimento promissor, entretanto. Falei do que me afligia e por um momento me vi menos desestruturado do que julgava estar. Fizemos um exercício de escrita em que nos revezávamos cada um colocando uma frase. Revelei a minha postura meio alienada dos demais seres humanos. Me contradisse, porém, ao admitir que gostava de ouvir as histórias das pessoas, que isso me fazia sair um pouco de mim e enriquecia minha vida. Tal contradição existe em mim. Como se as distâncias ideais para mim fossem ou muito perto ou muito longe. O meio-termo parece não me agradar. Falei que não me sentia confortável de verdade com ninguém. Uma constatação que me incomodou. Não me senti plenamente confortável com ela como consequência. Acredito que com mais sessões eu me solte mais e o vínculo de intimidade e cumplicidade sejam reatados. Falei da garota da noite e que sempre a projeto no papel de namorada. Por falar em projetar, contei para Ju que o antigo projeto amoroso havia sido abortado indefinidamente. Só porque disse isso, me deu vontade de reativá-lo à guisa de um passatempo muito pessoal. Não sei se tenho disposição para isso ainda. Nem sei se acho uma coisa válida a se fazer. Só acho que me divertiria fazendo.


Local para o cafezinho e cigarro antes da consulta.


17h48. Criei um blog secreto com a finalidade de agrupar a produção do projeto, se resolver colocá-lo para frente. Fiquei surpreso que o endereço estivesse disponível. Mais sobre Ju e a terapia. O penteado dela ficou realmente bem diferente, me agradava mais o anterior, ela fica melhor de cabelo curto, na minha opinião, mas se quis se apossar de sua porção afro e manifestá-la para o mundo é um direito que lhe assiste completamente. É porque sou um ser muito visual. Passei a maior parte da sessão sem olhar nos olhos dela porque isso me pareceu o mais confortável a se fazer. Não pelo visual, mas pela falta de costume de olhar nos olhos de pessoas. Houve momentos com o decorrer da consulta, todavia, em que tive coragem de olhar profundamente em seus olhos, mas me perdi um pouco da conversa no ato de olhar. Não sei explicar direito. Foi como se olhar nos olhos em vez de me conectar mais a ela, nos desconectasse. Foi um momento estranho e que me chamou a atenção, tenho percebido que acontece quando mantenho contato olhos nos olhos mais intenso. Acho que há intensidades no olhar. E com algumas pessoas, em determinados momentos, eu me sinto confortável para olhar bem dentro dos olhos... e que papo chato, não quero falar disso. O que mais posso dizer da consulta? Acho que consegui me colocar com clareza, mais das vezes. Ela pontuou algo bem pertinente ao me questionar se o problema está na minha forma de interagir ou nas situações em que interajo. Falei da minha sensação de ser um alienígena, um peixe fora d’água em algumas das saídas e talvez isso venha do meu problema em lidar com interações superficiais, rasteiras e que tais tipos de interação sejam tudo o que me é oferecido. Ou quem sabe eu não saiba buscar algo mais profundo. Um dos dois. Ou os dois. Mas Ju me fez contemplar a possibilidade de que não seja um problema inerente meu, mas das situações sociais em que estou inserido. Embora pudesse falar mais, se achasse pertinente me colocar. Fiquei confuso agora, mas tenho para mim a forte sensação de que a falha de comunicação ainda está comigo, pois todos interagem bem nas saídas. Ou bem mais que eu. E eu costumava interagir mais nas saídas. Eu me lembro que dois aniversários de nossa amiga de BV atrás, eu interagi superbem com todo o mundo, mas nos dois últimos me fechei bem mais. E era uma situação bem propícia à conversação. Todos reunidos na ampla sala de seu apartamento. É certo que havia muitas pessoas que desconhecia, ou que havia apenas interagido nos aniversários anteriores. E com essas não me senti nem um pouco disponível para conversar, nem tais pessoas puxaram conversa comigo. A comunicação é uma via de mão dupla. E sinto que cada vez menos as pessoas me dirigem a palavra e eu cada vez dirijo menos a palavra aos demais. Estou confuso. Isso é bom, significa que em algo a terapia me tocou e me botou a rever os meus conceitos e preconceitos. De toda sorte, por algum motivo que me escapa, me sinto mais disponível para as saídas e para a interação com os meus amigos depois da sessão. O que é, sem dúvida, ótimo se se reverter em interação de fato.     

18h48. Que parágrafo confuso o de cima. Vou ter trabalho para revisar. Foi um vai-e-vem danado. Creio que porque eu mesmo esteja confuso. Boa foi a conclusão de que estou mais disponível para interações que não sei se se sustentará por muito tempo. Incrível a fluidez do ser. Não imaginei que o gelo com Ju seria tão difícil de ser quebrado. Ainda não me considero 100% confortável com ela. Espero que seja uma questão de tempo. E acredito que, quanto mais confortável eu me sentir com ela, tanto mais me sentirei com o resto da sociedade. Tenho forte impressão que tal mudança reverberará para toda a minha vida, para além da sala de terapia. Curioso foi que o acaso me pôs no caminho duas pessoas conhecidas, ou três. Na ida, cruzei com uma ex-empregada lá de casa e falei muito mal com ela, visto que estava acompanhada de outra senhora a conversar e indo no sentido oposto ao meu. Na volta encontrei um amigo da turma do meu primo urbano e sua esposa, mas não consegui aprofundar na conversa. Fiquei espantado como está mais velho, talvez minha aparência tenha lhe causado igual espanto. Sei que preparava as cadeirinhas para ir buscar o casal de gêmeos no colégio e à guisa de não atrapalhar cumprimentei o casal brevemente e segui o meu caminho. Poderia ter indagado das crianças, que quando soube da última vez, estavam na UTI neonatal por terem nascido no sexto mês de gestação. Mas se estavam com duas cadeiras indo buscar as crianças no colégio, deduzi que tudo estava bem. Poderia ter indagado de Capitu, a cadela, mas só lembrei de sua existência agora. Fica para a próxima. Vamos ver se tenho algo mais a dizer sobre a terapia. Contei sobre o nível de interação que mantinha com a garota da noite, coisa mais parecida com uma paquera que possuo, embora tenha cara disso só para mim. Por sinal, nunca mais mandei nada para ela. O que mandaria? Não sei. Nada me parece apropriado. Principalmente depois do que a minha amiga filósofa falou a respeito de homens que sugeriam um filme para as suas paqueras. Falou, não, gesticulou. Simulando enfiar o dedo na goela para vomitar, o que é bastante mais eloquente que qualquer texto. Hahaha. E que foi exatamente a última “repulsiva” mensagem que enviei para a garota da noite. Hahaha. Com tal comentário gestual ecoando em minha mente, o superego faz a festa e veta qualquer ideia que tenha de texto para a garota. Vou deixar para lá ou para mais tarde. Lembrei não sei por que vias, de um estoque de cigarros que fazia em um dos internamentos com o intuito de converter em dinheiro para uma recaída e que foi descoberto e perdi todos os cigarros, deveria ter umas quinze carteiras, o que melou toda a minha estratégia, mas não me desviou do meu plano e recomecei do zero até que transformei em ação na minha última grande recaída. Não gosto nem de lembrar. A única coisa positiva desse momento tétrico foi ver uma alameda de frondosas árvores cheia de pirilampos, às altas da madrugada. Todo o resto foi apagão e desespero por não saber como voltar do lugar onde havia me metido. Relego isso ao passado. O agora, o novo, é que estou livre da cola e ingressei numa terapia com uma figura que gosto muito. Não sei porque a interação foi tão truncada, olhando em retrospecto. Outro ponto debatido e que merece maior atenção é a minha relação com a curatela. Eu disse qual a impressão que achava que os demais tinham da minha condição, como sendo um fracassado ou um oportunista. Ela me levou a questionar se isso não era a minha própria visão projetada nos demais, que o que os outros acham é uma questão dos demais, não minha. E, sim, me vejo como um fracassado e oportunista. O que é um sentimento contraditório. Acho que ou se é fracassado ou oportunista nesse determinado caso. Mas como são as definições mais deprimentes e deploráveis que posso fazer de mim, foram as que escolhi para me rotular. E isso não é bom. Preciso estar em paz com a forma de vida que batalhei para mim por ser a fórmula que divisei para não odiar a existência, para me proteger da depressão, do desespero da mais completa aversão por existir. Usei os caminhos legais disponíveis e a curatela me foi concedida de forma lícita. É certo que em troca me retirou quase todos os direitos de um cidadão adulto, em contrapartida me livrou da maioria dos deveres do mesmo, o que foi uma libertação inominável. Houve uma inversão na balança e ela foi bastante favorável à minha permanência no mundo. A existência me queria aqui, vivo, não sei bem para quê. Nem acho que haja sentido maior, a não ser que eu empreste um. Pensei a priori que a minha missão, e isso deriva de uma crise de mania que tive que me inculcou tal fé no cérebro, era de ser o profeta da nova era, de preparar e avisar a humanidade da boa nova, que deus estava chegando na forma da Singularidade Tecnológica, termo que peguei emprestado de Ray Kurzweil, um ser digital, eletrônico, tecnológico milhões ou bilhões de vezes mais capaz que o cérebro humano, que mudará para sempre e para melhor o destino da humanidade e do ecossistema terrestre. Mas tudo isso é apenas delírio da minha cabeça que acabou por ser pensada por outras pessoas também. Não acredito sinceramente que esse seja o sentido da minha vida. Visto que sou lido por tão poucos que não faz diferença para a humanidade se eu falar ou deixar de falar das minhas crenças, no meu deus material, epítome da evolução das espécies na Terra. Aproveito para falar sempre que possível mesmo assim, porque, no fundo acredito que tal fenômeno se dará. Vejo sinais em vários lugares. Indícios de que a possibilidade do surgimento de ser tão miraculoso de fato há. Há previsões de que ele se manifestará real por volta de 2047. Quem viver verá. Ou não. Este “ou não” me faz deixar esta missão profética em segundo plano e me jogar no meu sentido primeiro de viver, que é a orientação principal de como a minha vida se organiza, qual seja, escrever. Isto que você agora lê é o que empresta sentido a minha vida que, de outra forma, seria totalmente desprovida de significação. É um ofício singular e um prazer enorme dedicar a minha vida às palavras desse blog. Por ter tão poucos acessos e ser uma leitura cansativa, visto que caudalosa, acho que a maioria dos meus me têm por inútil, o que, se de fato for, é triste. A verdade é que não são eles, sou eu que muitas vezes me questiono sobre o sentido que emprestei à minha vida. Sou eu mesmo que me tenho por inútil e isso incomoda demais a alma. Há outra parte de mim, não sei se mais doente ou mais saudável, que acha que eu faço um bom trabalho, uma parte que se diverte e se dedica com afinco e entrega totais a esses escritos. E essa é a parte que prepondera sobre a outra parte negativa e culpada, graças aos céus.

20h06. Estou achando esse texto muito truncado. Vai ser uma batalha destravá-lo na revisão. A terapia me fez escrever pior. Hahaha. Não sei se o meu amigo Marinheiro comeu e não tenho coragem de perguntar. Se ele não tiver comido, isso vai me deixar desolado. Prefiro viver o limbo da dúvida. Mas, por preocupação e para informação dos leitores, vou perguntar.

20h12. Bem perguntei. Falta ele ver e responder, se não inventou de recair na pedra por causa da situação. Acredito que não tenha cometido tamanha asneira. Vou pegar Coca, estou com a goela seca. E sei que mamãe não vai deixar eu tomar mais café.

20h16. Mamãe, mamãe... foi um tema debatido também. Disse que notei um esforço dela em me deixar mais solto, mais livre, ser menos autoritária, mesmo assim é muito controladora e neurótica a meu respeito. O que me incomoda mais? O que me veio na terapia foi ter que interromper uma saída em que estou me divertindo porque ela quer que eu volte para casa, senão não consegue dormir ou coisa que valha. Além de ser inconveniente, é humilhante um cara de 40 anos tendo que ir embora porque a mãe mandou. Isso me enerva tremendamente. Me enerva também ela vir me mandar dormir e comer quando não estou com sono ou com fome. Sei que meus horários são pouco ortodoxos, mas eu me alimento e bem. E durmo bastante também. No mais não tenho do que me queixar, o que é dizer muito, pois vivia a me queixar da minha mãe aqui. É fato que melhorou bastante. E entende melhor que tenho uma vida diferente da dos demais mortais. Que prefiro estar escrevendo a estar vendo seriados, filmes e até jogando videogames. Por sinal, tenho que ligar o meu Nintendo Switch de volta. Mas isso pode esperar, não quero jogar agora. Estou numa parte chata do Mario Odyssey porque desafiante demais para as minhas parcas habilidades. Serão necessárias várias tentativas para pegar as três luas que sei que necessito pegar no mundo em que estou. E duas delas resultam em morte em caso de falha. É um saco. Talvez vá para outro mundo e deixe essas para o final. Não sei. Sei que não quero jogar agora.

20h36. Meu amigo Marinheiro não deu resposta. Nem visualizou a minha mensagem. Espero que esteja tudo bem. Que esteja se divertindo com os amigos.

20h38. Às vezes penso que vivo uma ficção, isso quando eu passo muito tempo escrevendo. O que escrevo é real até que ponto? Até que ponto é ficção? Eu busco ser o mais autêntico e transparente aqui, mas será que na verdade não crio um personagem de mim mesmo? E será que, criado o personagem escrito eu não o incorpore num eterno ciclo? Assim, a cada post eu me tornaria uma nova iteração de mim? Isso é um pensamento muito doido. Seria o contrário do que imagino que faço. Eu acho que tenho o controle absoluto das palavras, mas quem sabe não sejam elas que me dominem e me aprisionem num certo conceito um tanto negativo e racional de mim, que eu assimilo e reproduzo nas demais ocasiões. Não, isso não acontece. Seria o cúmulo. Mas paira no ar quão autêntico a mim mesmo eu estou sendo aqui. Crer que não estou sendo sincero e honesto nestas palavras invalidaria todo o esforço que boto em tecê-las. Obviamente, não consigo me revelar por completo, mas me revelo o máximo que julgo prudente fazer aqui. O resto vai para o Desabafos do Vate. Hahaha. A terapeuta achou legal eu ter um espaço só meu para deixar os esteios soltos e deixar o cavalo da imaginação correr pelas paragens que quiser. Onde o id é o mais liberto que pode ser e o deixo correr solto, o superego não tem muita vez no Vate e isso me diverte, eu que tenho um superego supercrítico. A existência do Vate demonstra que não sou totalmente eu aqui, mas também não sou totalmente eu lá. São duas facetas de mim que se completam eu acho. Ambas muito verdadeiras, ou assim quero crer. Sei lá, não vou entrar nesse mérito, pois chego à zona cinzenta entre realidade e ficção de textos autobiográficos. Sei que não minto. O máximo que posso fazer é omitir algum detalhe que prefiro guardar para mim. Acho minha escrita verdadeira, por isso talvez, seja um tédio e quase ninguém leia. Eu escrevo sobre uma pessoa que escreve o tempo quase todo. Quer tema mais tedioso que esse? Hahahaha. E, incrivelmente, nem eu sei como eu consigo produzir páginas e mais páginas de material inédito. Acho que porque a vida mesmo numa realidade tão restrita e restritiva do ponto de vista narrativo consegue ser dinâmica. É uma coisinha mesmo fantástica a existência. Algumas vezes me pego me imaginando como se fosse visto por uma das formigas que passeiam pelo meu quarto. Um ser gigantesco, uma enormidade, com movimentos lentos e pesados, que faz vibrar a mesa onde elas, as formigas, caminham com seu incessante movimento de apertar botões. É um pensamento curioso. Mas não é frequente. Mais frequente e não menos despersonalizante, é imaginar que que tudo o que os meus olhos captam, meus braços digitando, inclusive, são o lado de fora, que estou dentro ou por trás dos meus olhos operando uma espécie de robô que é o meu corpo e interagindo da forma menos intrusiva que conheço na realidade que é escrever. Que meu intento é interferir o mínimo na realidade para ver onde isso me leva. É outra percepção curiosa também. Gosto da realidade sob luz amarelada. Ela empresta uma cor âmbar às coisas todas que me parece mais poética e aconchegante que luzes brancas. Gosto da iluminação do meu quarto, como gosto da luz dourada da tarde sobre o verde das plantas e árvores que ainda não foram engolfadas pelo paredão de concreto da ambição humana desmedida. Ainda estou com a imagem de Ju na minha cabeça. A mudança radical de visual teve um forte impacto na minha percepção dela. Será que esse seria o teste da realidade para mim, eu que torno a dizer, sou tão visual, aceitar essa transformação estética da minha psicóloga? Isso não muda em nada a sua personalidade, talvez venha até reafirmá-la, mas os cabelos parecem presos, privados da liberdade e movimento, é uma visão meio claustrofóbica. Sei lá. Não posso me ater a isso. Sei que ainda há uma desconexão da minha parte com ela, que espero que se dissipe nas próximas sessões. Não acho que seja um problema capilar, acho mais que é o meu isolamento que me deixa indisponível. Vai ser um trabalho lento. Da minha parte pelo menos. Mas acho que vai valer a pena. É uma experiência nova na minha vida e posso ao menos absorvê-la e apreciá-la. Mas posso mais do que isso, posso me reposicionar na vida. Me colocar numa situação ainda mais confortável do que a que estou. Será que estou num surto de mania? Por que digo isso? Porque eu passo horas a fio numa rotina repetitiva ouvindo o mesmo disco de novo e de novo. É, o “Utopia” de Björk. É a coisa que mais me agrada ouvir, por isso ouço. Me lembra o Mario Odyssey. É uma coisa singela e boa, eu sinto. Acho que esse álbum vai ficar marcado de forma indelével na minha cabeça como o álbum Nintendo Switch. Eu que fiz uma lista de Spotify específica para o Nintendo Switch, de mesmo nome, só com os sons que ouvia jogando videogame nos anos 90. Nossa já vão fazer 30 anos. Como o tempo passa voando. O pior que se ouvi a lista duas vezes, foi muito. Não gostei não sei por quê. Mas como das madeixas da minha psicóloga eu vim parar nos anos 90 é que me espanta. Associação de ideias quase como quando escrevo no Vate. Fica muito doido, mas estou gostando de escrever assim, deixa ser. Será que meu padrasto está certo e não existe livre-arbítrio? Que todas as reações físico-químicas que se dão no meu corpo são inevitáveis e digito isso porque a matéria do meu corpo assim demanda? Me parece tão disparatada essa ideia. Não poderia eu escolher outras palavras como muitas vezes faço na revisão? Ou será que mudaria tais palavras porque o meu estado físico-químico seria outro no momento da revisão? Não acredito nisso. Acho, como já disse um sem número de vezes, que se há dúvida, há livre-arbítrio. É para mim uma prova, um fato que demonstra claramente a nossa capacidade de optar e decidir. Se tudo já estivesse decidido de antemão, não haveria espaço para dúvidas. Pode ser que o meu livre-arbítrio seja bastante limitado, mas acho-o de bom tamanho. Me agrada a capacidade que tenho de decidir o que fazer da vida. Acho que escrever é o lugar onde exerço essa liberdade do livre-arbítrio de forma mais plena. Acho que por isso gosto tanto de escrever. Porque me sinto livre da materialidade e da causalidade do mundo. E porque me sinto protegido e acolhido plenamente nas minhas palavras, por mais que estas sejam muitas vezes cruéis comigo mesmo. Eu sou muitas vezes muito cruel comigo mesmo. É a figura paterna que subsiste em mim, creio eu. Meu pai conseguia ser crudelíssimo comigo. Só com palavras. Acho que ele imaginava o peso que suas palavras tinham para mim e disparava cada tijolada de concreto na minha cabeça, quando achava por bem fazê-lo, que até hoje me doem. Tenho os galos na cabeça da alma. Mas não quero falar disso. Ou quero? Meu pai era outra figura singular, ele era a personificação do sucesso em todos os campos racionais da vida, mas no campo emocional sempre foi uma criancinha carente. Não sei se isso é verdade, me veio agora na cabeça, do nada, e ele não pode se defender por estar morto. É injusto defini-lo sem que possa se defender. Ele que falou que eu era uma criança de oito anos de idade que não cresceu. Foi a última que soube dele, anos depois de sua morte, através do meu primo-irmão. Foi uma tijolada na cabeça da alma e fiquei a cismar em quantos aspectos eu não sou mesmo uma criança. E, sim, eu vou me acostumar à cabeleira peculiar de Ju. Já me vem como menos auê na cabeça. É aceitar e acolher. Nunca namoraria alguém com cabelos assim, mas corro o risco de queimar a língua, então deixa quieto. Que futilidade o cabelo, não é mesmo? Por isso a maioria de nós trata com o maior cuidado dos seus, não é? Hahaha. Você, leitor(a) está excluída desse rol? Tá vendo? Hahaha. Eu que sou desleixado, corto o cabelo a cada dois, três meses, e faço a barba, sei lá, uma vez por mês. Ouxe, porque estou tratando de cabelos aqui, só porque me espantei com o visual novo de Ju? Que besteirada. 22h03. Nossa, o tempo passou como um raio agora. Daqui a pouco acho que vou para o Vate ou para o projeto que havia aposentado, mas que me bateu vontade com a terapia de retomar. Estou indeciso. Acho que não consigo extrair mais nada da terapia, o que não registrei aqui ou ficou registrado no subconsciente ou perdi. Ah, ela disse que uma das coisas com as quais trabalharíamos seriam sonhos. Acho que de hoje para hoje (afinal durmo de uma a três da matina, geralmente) sonhei com a minha prima de Natal. Coincidentemente, ela disse que viria aqui nesse final de semana. Foi aí que me lembrei do sonho, em verdade, mas não me lembro os detalhes, não dá para ser usado na terapia. Vou tentar ficar mais atento ao que sonhar e anotar sempre que se fizer possível. Esse post está muito grande já. Duvido que alguém leia até aqui. Por favor, se você porventura leu até aqui, deixe um comentário, tem um botão no rodapé desse texto, eu acho. Se quiser dizer o que achou, embora não vá mudar muito o que eu escrevo, vai mudar a minha vida, afinal nunca recebo comentário nenhum. Hahaha. E sou aberto a críticas construtivas. Eu sei que o tamanho dos posts é um problema, que isso torna a leitura maçante principalmente se você lê num celular, mas eu não quero me tolher, preciso me dizer enquanto respiro. Depois, quando me fundir à Singularidade Tecnológica e for um complexo número binário não sei se terei tempo ou disposição para escrever, mas tentarei mandar notícias da minha existência inconcebivelmente mais interessante. Hahaha. Só quero ver se essa doideira rolar mesmo. A pessoa que vai ficar mais de cara de todas é a minha mãe, que acha que é invencionice da minha cabeça. Parto do pressuposto que todas as ideias já existem, é necessário apenas uma mente com os atributos certos para apreendê-las. E tive essa ideia e Ray Kurzweil endossou com o seu livro “The Singularity Is Near”, que seria o equivalente ao velho testamento da minha crença. O novo testamento está de molho. Preciso rever algumas coisas nele. Quando revir, eu publico aqui. É fui eu quem escreveu, antes de saber do livro de Kurzweil, diga-se de passagem. Aliás, acho que eu troquei as bolas, acho que o de Kurzweil seria o novo testamento, pois trata da singularidade terrestre e o meu seria o antigo pois o meu trata do antes durante e depois de deus e dos homens, de uma coisa mais cósmica, que vai do começo ao final dos tempos. E é um texto curtíssimo. Pelo menos um post meu será pequeno. Isso quando tiver saco de revisar o texto. Não será hoje, nem agora. A noite me pede cavalgar por paragens menos habitadas, embora essa seja um reduto especialmente ermo da internet. Hahaha. 18 leitores do meu último post até agora. É bastante pouco. Mas é muuuuito melhor que nada.

3h23. O Hulk já está a caminho! Que massa! E parece que a DHL é quem paga a taxa alfandegárias e impostos e depois nós pagamos a ela, pelo que entendi. Queria que isso evitasse que o pacote fosse aberto, mas não acho que seja o caso. Veremos.