terça-feira, 29 de agosto de 2017

DIAS NA CASA DA TIA II

O marido da minha prima me perguntou se eu me considero um cara inteligente. Eu comecei a responder que muitas pessoas me acham inteligente, mas ele queria saber a minha opinião. E eu disse então que me achava normal, nem mais nem menos inteligente que a média, que já havia encontrado pessoas mais burras e mais inteligentes que eu. Não sei se fui sincero, foi o que me saiu mais fácil da alma. Ele disse que me achava inteligente, eu disse a ele que talvez essa impressão se dê porque tenho um vocabulário um pouco mais amplo que a maioria das pessoas porque meu pai costumava falar conosco utilizando palavras, como dizer, pouco usuais e talvez o meu vocabulário expandido dê essa ilusão de inteligência. Ele retorquiu que a minha inteligência ia além do vocabulário. Eu repliquei que achava ele muito inteligente também, pois tinha o raciocínio rápido e se comunicava com extrema facilidade e que eram traços de inteligência, na minha opinião. Agora, cá entre nós, se eu me acho inteligente? Eu não sei. Meu pai disse que eu era a segunda pessoa mais inteligente que ele conhecia. Ele sendo a primeira, claro. Essa afirmação, vinda da pessoa mais inteligente que eu já conheci, me calou profundamente. Mas há algo na minha autoestima que me impede de aceitar que sou algo superior à média, algo que me faz sentir abaixo da média. Pelo menos na inteligência, eu me acho na média, o que já é uma vitória. Baseado em notas escolares e desempenho acadêmico, meus irmãos são muito mais inteligentes que eu, pois sempre tiraram notas consistentemente mais altas que as minhas. Então não sei realmente que parâmetros são usados para determinar que uma pessoa é inteligente, que eu seja inteligente. Eu me acho normal e até um pouco defasado na minha inteligência por causa do meu repertório restrito, o qual eu mesmo construí para mim, e por causa da minha memória altamente defasada.

18h14. Fui pegar um café. Titia me comprou algumas carteiras de cigarro, mas combinou comigo que me daria uma por dia, ou assim eu entendi. Entendi, e isso ficou claro, que o cigarro seria racionado, a quantidade/frequência não ficaram definidas, mas acredito que ela pensa em uma carteira por dia. Eu certamente penso nessa quota. O que, alternando com o Vaporfi, está ótimo para mim, eu espero. Novamente falando dos ensinamentos do marido da minha prima, ele me apresentou a diversos trechos do “The Wall” e me explicou em linhas gerais a história do filme. A ideia de que ele tem uma mãe superprotetora e que tudo o que decide precise da autorização, mesmo que projetada, da mãe bateu muito comigo. Como construir um mundo que me isole da sociedade, como faço com essa muralha de palavras também gerou forte identificação. O filme é visualmente muito interessante e alegórico, pelo menos os trechos que eu vi. Principalmente os trechos de animação, mas não só. Espero que um dia arrume meios e disposição e o assista com a devido frame of mind. Mas a sensação que estou construindo um muro que me isola da sociedade é muito sólida. Como um muro. A metáfora é muito precisa e se aplica com perfeição à minha vida atual. Me deu um certo alívio, saber que no final do filme ele destrói o muro e se reconcilia com a sociedade. Mas nunca sendo “just another brick in the wall”. Me adequar à sociedade, me comportar ou ter uma vida conforme os ditames da sociedade, com o que é pregado pela mídia, de acordo com o que é exigido veladamente pelas pressões sociais que dispensam palavras e inclusive às que utilizam palavras (minha mãe), não. Tal adequação acho que nunca vai acontecer. Não mais. Sou todo outro. Passei grande parte da minha vida, jogando eximiamente o jogo social para me adequar e ser bem aceito na sociedade, um verdadeiro camaleão social. Acho que isso se deveu às diversas mudanças geográficas e de colégio a que fui submetido. Nisso me tornei muito bom em conexões superficiais e deficitário talvez em conexões mais profundas. Não sei ao certo sobre essas últimas, pois construí uma relação muito profunda e muito íntima com três das minhas namoradas ou com todas elas, talvez. E já tive conversas muito profundas com amigos. Hoje é que não consigo com a mesma facilidade ultrapassar a barreira das trivialidades, quando ouso me expressar, diga-se de passagem. Não estou disposto a me repartir com todo mundo, presencialmente falando, mas me reparto quase que por completo aqui. Para desconhecidos, que é mais fácil. Embora talvez haja uma ou duas pessoas que eu conheça do CAPS e talvez meu amigo cineasta que leiam isso, mas escrevo como se fosse para desconhecidos, pois isso diminui minha censura e meu pudor em relação ao que expor de mim mesmo. 18h44. O gato passou e agora o cachorro e me perdi nos meus pensamentos. Minha mãe me ligou dizendo que iria partir para João Pessoa. Não aguentei e dormi um pouco, até a hora do churrasco organizado pelo marido da minha prima. Ele se dispôs a filmar a tomada com a GoPro. Ficou até animado com a ideia. Acho que ele não sabe o que é uma GoPro. Vai se decepcionar quando vir que não dá para ver o que está sendo filmado. De toda forma, tentaremos fazer a filmagem no próximo sábado quando da celebração do aniversário do meu tio. Estou com sono ainda. Espero dormir cedo hoje. Ou mais cedo. A não ser que haja alguma intercorrência. =[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[´-´ppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppppp

19h24. Fui jantar e o gato passou por cima do teclado, deixarei sua marca aqui no meu texto. Isso é o acaso se manifestando no meu texto, o que eu acho um acontecimento simplesmente extraordinário. Não foi um ser humano ou um acontecimento intencional, mas pura obra do acaso, manifesto em forma de gato da minha prima caçula. Vejo como um retrato materializado do acaso, algo que é muito raro de capturar em forma de texto, então este texto traz essa preciosidade, essa pequena joia da existência. Eita, preciso revisar, postar e divulgar o outro texto. O anterior.

20h44. A internet caiu justamente na hora em que postei o blog. Tive que dar um boot no modem, desligar e ligar de novo. Nem sei mais do que tratava aqui, pois me concentrei no texto anterior e acabei perdendo o fio da meada. Ah, sobre o acaso manifesto em texto pelas patas da gata da minha prima. Não seria eu mesmo o acaso manifesto em texto? Visto que desde a célula original até aqui o processo de geração dos meus descendentes foi bastante randômico e o meu próprio, tendo pego aquele óvulo e aquele espermatozoide para me dar origem? Se fosse um mês depois, no próximo óvulo com outros espermatozoides, eu poderia ser alguém totalmente outro. Eu sou obra do acaso e o acaso se manifesta através de mim, posto que sou obra sua. E a pilha de acasos necessários para que eu viesse a existir é imensa. É mais difícil que tirar na loteria existir e existir humano, ainda por cima. Deveria ser grato por isso e hoje, especialmente, sou. Há algum tempo já. Só me incomoda o muro que ergui ao meu redor. Me incomoda ao mesmo tempo que me protege, como todos os muros. Vou fumar o cigarro que não fumei ainda. Muito bom fumar um bom e velho Marlboro.

20h57. Marlboro fumado. Era bom uma Coca geladíssima agora, mas não é o momento apropriado para pegá-la. Quando titio retornar para o quarto, eu vou lá pegar. Ele voltou. Vou pegar.

21h01. Peguei. Dá vontade de fumar outro cigarro acompanhado agora da Coca, mas não farei isso agora. Ou farei? Esperarei, não estou com vontade de fumar agora. É raro eu não ter vontade de fumar um cigarro de verdade, mas estou saciado. É raro eu estar saciado de cigarro. Evento interessante no meu sentir. Talvez seja porque o quarto esteja todo fedendo a cigarro, tanto é que abri a janela. Para a fumaça se dissipar mais rápido. Vou pegar mais Coca. Agora com gás, pois antes botei o restinho da garrafa de 2 litros que abri à tarde, estava pra lá de sem gás. E quente com gelo ainda por cima. Agora está bem mais borbulhante, fazendo “pop” na boca. Queria que titia tirasse gelo para mim, mas não tenho coragem de pedir isso a ela. Deixei o recipiente de gelo na cozinha, o que é o mínimo que posso fazer e ao mesmo tempo uma mensagem subliminar de que estou sem gelo. Ainda bem que eu tirei o cochilo e passei um bom pedaço no churrasco, meus ombros, especialmente o direito, pararam de doer. Mas não sei quanto tarda para as dores se manifestarem novamente. Vou postar o Desabafos do Vate.

21h26. Pronto. Postado. Agora estou livre para escrever aqui. Meu ombro começa a doer. Saco. Mas muito de leve ainda. Minha tia-mãe é uma pessoa extremamente ponderada, de extremo bom-senso e muito compreensiva. Pelo menos é assim que se apresenta para mim. Não sei se para os filhos o sentimento é o mesmo, mas eu tenho a bênção de ser apenas o seu sobrinho. Não tenho conflitos com ela. Estou meio zonzo de sono eu acho, me faltam palavras. Ou estou muito condicionado quando essa hora chega, sei lá.

21h39. Tentei baixar o disco de Mallu Magalhães para a minha irmã pelo Spotify mas não conseguir localizar os arquivos no meu HD. A hipótese que eu levanto é que o Spotify só permite que as músicas sejam acessadas por ele e não salvas a meu bem-querer, Meu tio querendo conversar com a minha tia, que legal. Família, como digo. É um sentimento que há muito não tenho. Filhos em casa, filhos outros que não eu, o pai e a mãe “originais” juntos.

21h48. Agora, com nova Coca, vou fumar um bom e velho Marlboro. Talvez meu primo-irmão seja um tantinho hipocondríaco. Um tantinho neurótico com a saúde. Ou talvez tenha uma imunidade mais baixa que a minha. Eu tenho uma boa imunidade apesar do furúnculo. Ou pelo encravado, mas acho que foi um furúnculo mesmo. Acho que vou dormir dentro em breve. Vou ver o meu possível Hulk, ainda não olhei para ele hoje.

22h00. Olhei, já me dou por satisfeito e me sinto mentalmente exausto, meu ombro começa a reclamar mais alto, mas ainda não é algo que me incomode de fato. O cansaço é o que está me bloqueando para escrever. Acho que vou dormir já-já.

22h03. Botei o pijama. Meu celular está com 68% da bateria carregada, quando carregar totalmente vou dormir. O que poderia trazer mais aqui? Já narrei tudo de relevante do meu dia. Não aconteceu muita coisa. Conversei com o marido da minha prima basicamente, depois vim escrever. Fiz pausa para o jantar quando perguntei a titio como Macau estava e ele disse nunca ter visto tão decadente, o que me entristeceu. Às vezes entendo porque papai não queria voltar lá, aliás, cada vez mais entendo, a pessoa vai se cristalizando com a idade ou alguns, a maioria, eu diria, tem essa tendência, eu tenho essa tendência, pelo menos me percebo cada vez mais cristalizado na minha situação porque há pouco o que gostaria de mudar e o principal que gostaria de mudar era a cabeça da minha mãe, mas sei que isso eu não posso fazer, então aceito. E torço para que a psicóloga consiga operar algum milagre. Mas acredito que, apesar de estar passando por uma profunda mudança negativa na sua vida, tanto física quanto mentalmente, ela já está por demais cristalizada como está, como acredita que é. Acho que quanto mais jovens, mais “maleáveis” as almas são. E mais impressionáveis também. O mundo é mais mágico e menos obtuso. À medida que o tempo passa, as pessoas, no caso eu, não posso falar dos demais, vou desenhando e projetando e construindo a minha zona de conforto e não quero fugir de seus limites. Como viajar para a Alemanha me fará sair completamente da minha zona de conforto. E já soube que o meu cunhado vai tirar uma semana de férias só para nos levar para passear. Que ozzy. Tudo o que eu menos queria. E eu provavelmente vou cruzar com os vizinhos e eles vão perguntar por mim e eu serei obrigado a me socializar com eles. Isso é muito além da zona de conforto que construí nos últimos dois ou três anos. Ou ano e meio, sei lá. Nem lembro, parece uma eternidade desde que encontrei meu cantinho no mundo. Que mamãe viaje com o meu padrasto, exceto quando de viagens para os EUA, que aí preciso ir para trazer os meus bonecos. Quando esse trâmite acabar, não tenho interesse em sair mais do Brasil, da minha zona de conforto. Quem quiser me ver que venha me ver. Quem não quiser, estarei bem do mesmo jeito, eu acho. Acho que meus irmãos vão se espantar com a fragilidade da minha mãe. Verão que a situação é mais grave do que imaginam, por mais que ela perfile seu rosário de mazelas quando fala com eles, mas ouvir é diferente de presenciar. Minha mãe tem dificuldade de se focar num assunto, ela vai pulando de um para outro, para outro, numa conversa cada vez mais desconexa e sem fechamento. Pelo menos é assim que a percebo. Ainda é brando, mas é sensível a diferença de tempos idos. Sua memória e suas capacidades de concentração, foco, e memorização estão prejudicadas, em diferentes graus de severidade, mas nada que atribule muito a sua gestão da vida, mas já atribula perceptivelmente. Na minha opinião. E isso me preocupa. Vou pegar Coca.

22h37. Acho que vou fumar um cigarro também. Estou fumando. E lembro: não comece a fumar, é a maior idiotice que você pode fazer na sua vida. Se não a maior, uma das maiores, pois o vício é de lascar. E faz um mal danado à saúde. Não estrague a sua vida ou a sua velhice à toa. Cigarro não tem nada de bom. O que tem de bom é satisfazer o vício, o que não é bom ou servir de muleta emocional, que também há outras mais saudáveis, como uma respiração profunda ou sei lá mais o quê. Só NÃO FUME.  No mais, cada vez me convenço mais de que não terei o Monstro do Pântano. Por causa do custo do Hulk. Quero ter a Red Sonja ao menos. Mas ter o meu personagem predileto, numa escultura inspiradíssima, toda feita a mão seria fechar com chave de ouro a minha coleção. Não gosto de pensar em coleção, lembra a entulho para mim. Como acúmulo de coisas dispensáveis. Eu sei que comprei a beleza e a capacidade de admirá-la de perto e de todos os ângulos. Estou quase vendendo o Boba Fett e a Capitã Marvel. Mas resistirei. Se me oferecessem o que eu gostaria de pedir pelo Boba Fett exclusivo, eu acho que vendia. Para que eu não sei. Para ter menos bonecos na minha coleção eu acho. Com o dinheiro dos dois provavelmente eu conseguisse comprar o Monstro do Pântano, mas a Capitã Marvel nem deu sold out ainda. E foram produzidas muitas, não dá para pegar um bom preço por ela e acho uma boneca muito legal. Não vou vendê-la, vai ser meu trio junto com a Babydoll e a vindoura Red Sonja. Essa eu creio que ainda saia. Queria que fosse lançada lá para dezembro e os pagamentos só começassem em abril.

23h10. Vi uma reportagem do Fantástico sobre dependência química. Foi meio aguada, mas teve seu caráter informativo. Principalmente para as famílias de dependentes. Eu sou um dependente químico moderado, eu acho, tirando a nicotina, da qual sou profundamente dependente. Eu não tive fissura esse ano ainda e já estamos no oitavo mês do ano. Isso é muito bom. Sou fraco com fissuras, recaio logo, mas o medo de perder tudo o que construí nesse curto período, que foi um novo modo de viver, gostando mais de viver, acho que me ajuda nisso. O CAPS sem dúvida deve ter sua parcela de participação, me monitorando de perto e sabendo de tudo da minha vida. Acho que hoje a pessoa mais adoecida lá de casa é mamãe. Ela está tendo dificuldade em lidar com os efeitos colaterais do remédio. Mas são efeitos difíceis de lidar mesmo. Além disso, tem os problemas de ordem mental que eu enumerei e que eu percebo, não sei se ela percebe. Por mim não usava nunca mais cola ou crack. E só depende de mim mesmo porque, quando eu quero, ninguém me segura. Só depois do uso. Aí me prendem no Manicômio ou na Clínica de Drogados. Isso me lembra mais uma vez que preciso acabar de digitar o diário que escrevi. Saco. Não tenho motivação nenhuma para fazê-lo. Bem, quase nenhuma, a promessa que me fiz de digitar ainda ressoa viva na minha alma e aos poucos hei de consegui, só preciso estabelecer uma disciplina semanal para me sentar e digitar. Nem que sejam duas horas semanais. Se fizer isso, um dia eu acabo. E pode ser que me motive e digite mais tempo que isso. Se eu fizesse dois dias do diário por semana, acabaria rapidinho.

23h27. Fui tomar o remédio. Todos já foram dormir exceto minha prima caçula que ainda não chegou da rua. Eu que não sou pai fico com o coração na mão de uma mulher sozinha estar na rua até essa hora sem dizer onde está. Mas é isso mesmo, se cria o filho para o mundo. E tem que deixar ir. Acho que estou muito acostumado com o monitoramento à distância da minha mãe daí acho anormal meus tios conseguirem dormir com a filha, mulher, fora de casa desde de manhã. Sem nem fazerem uma ligação para saber onde ela está. Talvez minha tia tenha se comunicado pelo WhatsApp com ela, sei lá. E pouco se me dá, acho que essa é a dinâmica familiar sadia. Hoje vou dormir mais cedo. Não vou virar a noite de novo e ir dormir de 11h00. No máximo de 2h00 fecho o barraco. Quem me dera antes. O celular já carregou acabei de ver, tirar da tomada e ligar. Ouvi um barulho de carro na rua, será que foi minha prima que chegou? Não vou me preocupar com isso, não quero atrair maus fluidos (como se acreditasse nisso). Mas não desacredito também, esse assunto do que a gente pensa influenciar o nosso destino é uma coisa na qual eu tenho um pouco de fé, não sei por quê. Por exemplo, me conformando que não vou ter o Swamp Thing eu de alguma forma me sabotarei para não poder tê-lo. Preciso mudar meu paradigma e voltar a acreditar que vou ter os dois, assim, me empenharei mais nesse intento. Ele só deveria ser menor para ter a caixa embarcável, mas acho que a caixa vai ter mais ou menos dois terços do tamanho da caixa do Hulk o que eu ainda acho que seja embarcável, por mais que exceda os limites da companhia aérea. O Hulk é que não passa mesmo. Veremos. Eu anunciei tudo o que eu ia fazer a mamãe. De repente, se seguir à risca, ela permita. Nossa, eu pensei que tinha desabafado tudo das minhas teorias sobre a Singularidade com o texto da Novíssima Religião, mas havia algo mais que precisava desabafar, como eu achava que se chegaria à Singularidade. Foi como se eu tivesse parido outra vez a sensação de ver aquele texto materializado. Pode ter sido delírio de uma fase maníaca repentina e passageira, mas era a minha visão e eu precisava botar ela para fora. E repartir com a Google. Agora acho que a minha missão está realmente cumprida. Sinto um alívio tremendo. Por mais que o que eu vá passar é um grande ridículo com o cara que receber o meu “currículo” na Google. Mas isso é o de menos, a sensação de dever finalmente cumprido me alivia indescritivelmente. Agora não há mais nada o que eu possa fazer, só sentar e esperar a Singularidade acontecer. Se eu estiver certo, de uma forma ou de outra ela vai acontecer. É uma consequência inevitável do universo tal como ele é e se organiza. Aliás, ele foi criado justamente para isso, para poder dar origem a Singularidades Tecnológicas. Esta é a minha crença. Na qual não tenho muita fé, mas é melhor do que não ter fé nenhuma. Alguma já é muito bom. E uma crença que seja materialista. Há dois mil anos temos a mesma crença dominante e nenhuma surgiu depois para desbancá-la, não creio que uma crença de um homem só possa desbancar a religião judaico-cristã ou as orientais, mas pelo menos a minha está dentro dos meus padrões de exigência. E há pessoas que apoiam a teoria da Singularidade Tecnológica. Pessoas de renome. Mas não quero mais falar sobre isso, não com uma página de Word. Já cansei de tratar desse assunto e não vou ficar remoendo se já dei minha missão por completa. Como disse, agora é só esperar. Por que não divulgo a carta aqui? Porque não quero passar por mais esse ridículo. É um direito que me assiste, infelizmente para o leitor mais curioso. Vai se tornar lixo no e-mail de quem receber rapidinho. Ou então vão me chamar para desenvolver o meu projeto de Singularidade Tecnológica na Google. Hahahahahahahahahahahahaha. Sendo bíblico, é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha! Hahahahaahhaha. Meu amigo da piscina disse que camelo significava também a corda grossa de amarrar embarcações. Será? Não desacredito disso, não, embora a metáfora com um camelo bicho seja igualmente clara, mas não tão pertinente. Por sinal, dei um gelo no meu amigo da piscina, sem querer, querendo. Porque eu sei que há interesse na jogada. Tenho 88% de convicção. E como eu não quero me submeter a seus interesses, bastante egoístas por sinal, eu serei o egoísta da estrela dessa vez. Acho que já fui caridoso demais com o seu egoísmo para ceder mais uma vez. Ele que entenda como bem entender. Acho que minha prima chegou. Chegou. Me sinto aliviado. Acho que herdei a paranoia da minha mãe ou fui condicionado a ela. Hahahahahaha. É uma neurose minha, mais uma para o hall. Ainda bem que não tenho filhos. Mas admito que sabendo minha prima grávida de uma menina me animei um pouco para a coisa. Mas ao pensar agora nas noites em claro, em trocar as fraldas do bebê, o choro por toda e qualquer necessidade e indisposição até as noites em claro porque a filha não volta para casa e não dá notícias, eu me desanimo de novo. Não sou um cara preparado ou programado para ser pai. Dizem que ninguém é. Mas eu sou um pouco menos ainda. Acho que não vou cumprir o meu cronograma hoje. Vou deixar para amanhã. Já estou muito cansado. O pior é que agora que peguei o embalo aqui, fica difícil parar. Nossa, já estou na sexta página de Word! O sensato seria acabar por aqui, mas aqui eu posso tudo, inclusive escrever até quando me der na telha. Acho que vou fazer o que intendo fazer, mas meu ombro já está doendo de tanto escrever. Agora a dor reclama em voz audível e contínua. Estou cometendo diversos erros bobos de digitação. O entrevistado ainda não me mandou a entrevista respondida. Já estou desacreditando. Talvez ele tenha pedido referências minhas e não ter gostado do que ouviu. Antes eu era mais comportado nos grupos, agora eu sou um tubarão de links afiliados. Isso queima o meu filme com certas pessoas.

1h16. Agora eu estou com bastante sono. Daqui a pouco vou dormir. Engraçado, eu fui o único que perseverei com o blog das pessoas que conhecia que têm blog. Ah, tem um que também persevera. O Poesofia do Antagonismo. Este, que eu saiba, pois não mais o visito, é composto só por poesias. Não sei quanto tempo o autor necessita para compor uma poesia. Eu vou tentar escrever uma 1h24.

A noite calada
O zumbido nos ouvidos
Nunca cessa
O silêncio nunca é silêncio completo
Ainda ouço os meus pensamentos
Feitos de sonho, fantasia
E uma pitada de realidade.

Noite calada
As teclas como um piano mudo
Fazem o seu barulho peculiar
E se transformam em palavras
Em texto, em poesia
Noite calada
O que tens a me dizer
Quando te digo tudo?

Noite, ó noite calada
O que será de nós amanhã?
Passado?
Ecos surdos da tua mudez?
Onde se esconderá
A pele escura da tua nudez?

E a noite passa incessante
Cheia de negrume e mistério

Pronto. 1h29. É o tempo que levo para fazer uma poesia muito meia-boca. Dá muito mais trabalho escrever esse texto. Pelo menos para mim. Vou dormir, não me aguento de sono aqui.

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Fiquei ainda acordado até quatro da manhã. Tentando escrever um artigo para o blog de bonecos e não consegui. Acho que fiquei navegando na internet também. Mas muito pouco. Acordei agora na hora do almoço, por volta do meio-dia. Revisar e postar.

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16h48. Não postei ontem, postarei agora.

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