quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Carnaval 2012




Papel eletrônico em branco. Dia chuvoso chorando ao redor. Varanda e Linkin Park, uma mistura heterogênea. Daniel elogiou meu texto e isso me fez bem. Mesmo sabendo que estou escrevendo porcamente estes dias. Falta de prática. Me distanciei um pouco das palavras e quero-as de volta. Folheei uma gramática, manual do usuário da nossa língua. Parei na metade do sumário, tantas coisas, incontáveis meandros de coisas e classificações e usos que fizeram minha cabeça girar. Imagine se uma pessoa só pudesse escrever se soubesse aquilo tudo. Ainda bem que papai me ensinou que para escrever bem é preciso apenas ler e não falou dos textos técnicos de gramáticas. Tenho lido muito pouco. E não me sinto muito culpado, por mais que não me sinta isento de culpa tampouco. Me faltam os olhos dela enxergando minha alma por detrás dos meus.

12h36. Strokes e uma vontade crescente de carnaval. Quero que ela me domine. Quero o beijo da moça. 2001 visitantes no blog!

17h54. Perto da hora de sair para a casa do meu primo e de lá para o carnaval. Preguiça passageira, espero.

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A primeira noite de carnaval para mim foi no Recife Antigo e o que mais me marcou foi a apresentação de uma africana que tocou o Bolero de Ravel de um modo muito peculiar, rítmico, pernambuco-africano. Abordei uma menina dizendo – sinceramente – que havia visto mais bonitas e mais gostosas, mas que ela havia sido a que mais desejei beijar. Quis, mais do que beijá-la, fazê-la sentir-se especial. Espero ter conseguido pelo menos isso. Pouco depois, uma amiga dos meninos me ensinou uma cantada muito mais legal. Você chega para a garota e pergunta: “tem uma colher?” E emenda: “porque eu estou te dando a maior sopa.” Além disso me perdi do meu primo e levei muita chuva. Não sei dizer se foi uma noite com mais prós ou contras.

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Fui no domingo a Olinda e, graças aos céus, não choveu e fiquei numa rua tranqüila, onde podia sentar e assistir com impensado conforto aos freqüentes blocos ou troças, com sua corte de fantasiados que por lá passavam. Curiosamente foi no meio do carnaval de Olinda que vi os maiores quebra-cabeças da minha vida. Paredes cheias deles, de oito, nove, dez mil peças, na casa de uma amiga de albergue que encontrei por lá. Novamente houve desencontro na hora de voltar para casa, mas foi um dia válido.

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Na segunda, houve o Baile do Chapolin - Ano I na casa do meu tio. Foi o dia mais limpo do carnaval e também, de longe, o melhor. De muito longe. Foi o primeiro evento de reunião familiar em que estive desde a morte do meu pai e mesmo esse sabor amargo não roubou a doçura desse dia singular. Vi minha tia dançar com toda a alma, com uma euforia sóbria e rara, um espetáculo de alegria. Vi minha prima exibindo uma nova feminilidade, mais madura, mais mulher, mais completa, fruto, a meu ver, do casamento. Vi meu tio fantasiado de Chapolin Colorado, o que é sempre e inevitavelmente impagável. Vi Maria e isso muito me alegrou o coração, embora sinta que não tenha a curtido o suficiente. Vi outra tia revivendo seus tempos de flamenco e um espanhol tocando frevo. Vi primos de Natal que há muito não via. Vi meu sobrinho, mas não vi muito, pois havia muitos ao mesmo tempo e o tempo todo para vê-lo. Não vi Maria interagindo com ele, mas torço muito para que tenha valido sua viagem de Natal até aqui. Vi uma mulher mais bruta que qualquer homem que conheço. Aliás, houvesse homem tão bruto, provavelmente já estaria morto, pois a truculência não seria tolerada ou entendida como excentricidade. Ainda bem que as coisas são como são e assim ela pode se sentir mais macho que muito homem pelo menos nesse aspecto. O dia acabou com um gostoso banho de piscina, quando conversamos sobre videogames e outras cositas mais, numa típica celebração contemporânea de juventude.

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Agora é 0h41 da Quarta-Feira de Cinzas. Não fiz nada de carnavalesco na terça. Ainda tenho pique para um cervejinha amanhã, mesmo que não carnavalesca. Apenas com os primos e amigos que aportaram por aqui para a folia.

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