quarta-feira, 4 de julho de 2018

ESTOU EM MUNIQUE


Eu havia composto um post com uma série de perguntas para você, minha portuguesinha, mas mudei de ideia em relação a publicá-lo. Não creio que você queira ter esse tipo de intimidade comigo, visto que não me mandou a entrevista (sonho antigo ser entrevistado), nem me adicionará ao Facebook. Criei o marcador “Portuguesinha” para que você saiba quais posts tratam de você. Vi hoje a sua resposta ao meu post, estava sem internet até agora há pouco, não tinha a senha do Wi-Fi da minha irmã. Que bom que tenha gostado da camiseta e ainda mais de apreciar ser a musa das minhas palavras. Redobra o prazer de escrever saber que seus olhos passarão por aqui.

13h10. Li a sua entrevista com Victoria Guerra e, sinceramente, na foto fica claro que você é mais bela que ela! Primeira foto que vi em que você saiu realmente bem. Não entendi a celeuma dos escândalos (sexuais, pelo que pude intuir) na indústria do cinema. Sobre feminismo, o movimento encontra eco no Brasil e concordo com Victoria que é perigoso o radicalismo acerca do tema e temo eu também que se torne um machismo às avessas, como sinto ocorrer com certas garotas mais radicais no meu país, por mais que não se possa comparar a sexualidade de uma cultura com a outra. Gostei da entrevista, com poucas perguntas você conseguiu extrair muito conteúdo relevante dela. É incrível o grau de erudição de vocês, europeus. Me envergonho de mim e da minha pequenez cultural. A minha completa alienação. Alienação esta que imponho a mim mesmo, trocando tudo pela escrita ensimesmada. Não sei porque me ocorre assim, mas é o que se dá. E nesse movimento me distancio de tudo o que é social e me sinto cada vez mais deslocado socialmente. Descobri com a entrevista que a expressão não é “fish” como supus, mas “fixe”. Hahaha. Vivendo e aprendendo.

13h38. Sei que isso é impossível, mas conheço um espaço muito fixe para você estagiar em Recife, não é muito na sua área, embora haja dinâmicas familiares de quando em quando. Acho que você iria adorar e se surpreender com a equipe, formada em sua maioria por mulheres jovens. E o melhor, fica pertíssimo de onde eu moro, caso você aceitasse montar sítio conosco. Hahaha. A minha psicóloga, que também trabalha nesse espaço, não deve ser muito mais velha que você, quiçá mais jovem ou da mesma idade. Por falar nisso, hoje (03/07) é seu aniversário! Parabéns, que esse seja um ano de conquistas e boas surpresas. Vinte e seis voltas em torno do astro-rei já deram para aprender um bocadinho do que a coisa toda se trata. As regras do jogo da vida, por mais que estas sejam orgânicas e vivam a se transformar e renovar.

14h21. Ajudando mamãe com as malas. Perdi-me todo agora. Sim, meu blog é muito pessoal, íntimo e não sei por que tal tipo de exibicionismo me acomete. É a minha vida dizer-me aqui. E só sei dizer sobre mim, então fico meio sem alternativa ou não diviso nada que, sozinho e com o tempo de que disponho, me realize mais. Eu que sou tão caseiro, só saio à guisa de boa companhia, não encontro alternativa outra para preencher meus dias. Saudades de você. Teria o mundo para conversar contigo. Sobre Munique que posso eu dizer? É uma cidade extremamente organizada com um belíssimo sítio histórico, é muito bem planejada, com um excelente sistema de transporte, há a barreira da língua, está em constante manutenção/improvement e a casa da minha irmã empresta um gostoso senso de familiaridade ao lugar. Me saltou aos sentidos o cheiro da casa dela. Toda casa, todo lugar tem um cheiro particular, já percebeu isso?

14h50. Eureca! Fiz uma descoberta essencial sobre mim e que me parece tão óbvia agora que a descortinei que não sei como não havia percebido isso antes. O que procuro numa mulher é ter orgulho de mim mesmo. Exato! Orgulho de mim mesmo por tê-la como companheira. Se não me causar tal sensação, não me interessa. Por isso é tão difícil me encantar por alguma, porque para sentir orgulho de mim mesmo tem de ser alguém realmente especial. Não sei se isso é certo ou errado, se é egoísta demais, mas é assim que se constitui minha psique em relação ao sexo feminino. É necessária uma sincera e profunda admiração para que eu me apaixone. A priori estética – e raras vezes passei do a priori – e depois, pelo ser como um todo. Que coisa mais mesquinha reduzir o amor a uma satisfação pessoal, mas não posso mentir para mim mesmo. Quero sentir orgulho de ter a pessoa como parceira de vida. Estufar o peito, brilhar os olhos e dizer com felicidade, essa é a minha garota.

15h02. Que curioso, você publicou uma entrevista exatamente no dia do meu aniversário deste ano, com Ivo Canelas. Gostei mais da de Victoria Guerra, achei ele muito seco nas respostas.

15h31. Li as demais entrevistas, minha predileta continua a ser a Victoria Guerra. Fico impressionado como há construções belas, quase poéticas no português de Portugal. Não digo que impossíveis, mas muito difíceis para quem vive e pensa o português brasileiro. Me encanta. Parece um português de ordem mais elevada que o nosso. Não vou menosprezar o brasileiro, que é um português mais solto e criativo, mais maleável, flexível. Cada um tem suas vantagens, mas me agrada bastante ler o que você escreve. Estou me coçando para ler a de Deadpool 2, mas segurarei para ver o filme primeiro.

16h07. Começou o jogo da Suécia e Suíça. Vou assistir. E almoçar.

18h53. Fui brincar com os meus sobrinhos e voltei me questionando quanto isso vai durar, essa troca entre nós dois. É uma experiência nova para mim. Diferente. Não sei para que serve ou como funciona. Provavelmente de nada serve e não funciona, mas algo me move adiante. Um sentimento por você que não sei que nome dar. Sei que me faz bem e, caso não seja mau para você, continuarei escrevendo.

21h03. Voltei do supermercado aqui perto onde fui em busca de Coca cereja (sem sucesso) e cheguei bem no começo do jogo de Colômbia e Inglaterra. Está no intervalo.

23h09. Jogo finalizado. Você tem namorado e uma vida em Portugal. E um projeto de vida que quer perseguir. Não sei se caranguejo combina com áries (meu signo do zodíaco, 19 de abril, não sei como chamam em Portugal), nem sei direito onde isso vai descambar, provavelmente num contínuo desinteresse de ambas as partes até a separação total, a morte da esperança que insisto em cultivar.

-x-x-x-x-

13h56. Baixei “Lady Macbeth”, “A Quiet Place” e “The Killing of a Sacred Deer”. Não sei como coloca para assistir no equipamento de vídeo da minha irmã. E confesso que não estou para filmes ultimamente. Um ultimamente que já vem de algum tempo. Mas quando a oportunidade se afigurar, quando aprender a operar as coisas aqui, eu assisto, afinal estou com muito tempo livre em Munique. E durmo na sala, onde fica, obviamente, a televisão. Você ainda não comentou o meu último post, será que já optou por me defenestrar da sua vida? Talvez. Não a culpo, tal empreitada não tem muito sentido de ser. Vou tomar banho.

15h12. Voltei. Aqui há mais ciclistas e velhos que em Lisboa, mas de Lisboa conheci muito pouco e não posso medir os lisboetas pela gente que cruzei no hotel, ainda mais um hotel, portanto internacional, que aceita crianças de graça. Por que meu coração foi me pregar essa peça e por que continuo a encená-la? Esperança tola, como tolo sou. Como tola é toda essa história que mais se apresenta com estória.

15h38. Já apaguei três vezes o que escrevi porque tudo o que me sai parece sem sentido, sem medida com a realidade. Nunca me tomou tanto tempo preencher três páginas. Por que escrevo para você e sobre você? Eu sei a resposta, porque você foi a melhor coisa que me aconteceu em muito tempo. Eu sei que a forte impressão que me causou não durará para sempre, como se dá com todos os estímulos, seu impacto enfraquece com o decorrer do tempo, quando não alimentado. Gostaria de ter um canal de diálogo melhor que os comentários do blog, mas você não aparenta ter igual inclinação. Já partilhei o meu e-mail e o meu Facebook, mas ao que parece você não quer tais intimidades. Acolho e respeito, não há muito o que fazer, não é mesmo?

16h32. Fui almoçar. Às vezes me alimento, sabe? Sobre o perfil da autora no seu blog, achei que você conta as suas qualidades com muita sinceridade e bom humor. Acabei de falar com minha irmã e essa me garantiu que vai me ensinar a operar a TV, que é ligada a um computador. À medida que a idade avança, mais alienígena me sinto quanto às novas tecnologias, a facilidade que possuía outrora de desvendá-las me escapa ou falta-me paciência e interesse para decifrá-las. Sei que pulo de assuntos como um macaco que brinca nos galhos de uma árvore, mas é assim que se dá a minha escrita. Será que você celebrou o seu aniversário? Espero que sim.





19h29. Estava a brincar com os meus sobrinhos, fazendo desenhos de giz no chão do pequeno quintal do apartamento térreo da minha irmã. Havia me programado para ir à Marienplatz hoje, mas decidi ficar em casa. Acho que amanhã irei. Não sei bem para que, mas irei. Acho que porque a vida é uma só, porque não sei quando estarei por estas bandas de novo, para procurar o Chartreuse verde (por mais que já o tenha encontrado na Amazon.de), para ver se encontro o CD de “Bastards” de Björk na Saturn.  O perfume eu já tenho, só me falta o licor, o disco não me interessa muito, visto que tenho Spotify, seria mais um ato de consumismo colecionista. De qualquer forma irei porque é um lugar belo, cosmopolita, civilizado e agradável.  

0h37. Tentei persuadir minha mãe e minha irmã a ver algum dos três filmes supramencionados, mas preferiram ver “Baby Driver”. Me surpreendi positivamente. Pelo trailer pensei que seria muito pior. E há a doce ironia de o protagonista se apaixonar por uma garçonete. Hahaha. A trilha sonora é interessante e bem variada e achei curioso no começo do filme, que é bem musical, que o cenário reflete parte das letras das músicas, uma sacada interessante, mas que não perdura por toda a película. Divertimento descompromissado, com doses de adrenalina, humor, violência, romance e uma pitada de drama. Passa voando. Queria ter assistido um dos três hoje para poder comentar, mas tenho certeza que terei tempo para isso. Só não tenho tempo para escrever. Acabou-se a terceira página. Inté.

2 comentários:

  1. Primeiro: adorava ir a Munique.

    Segundo: yey, que filmes fixes (sim, é FIXE que se escreve :p)! Espero que gostes tanto do "The Killing of a Sacred Deer" quanto eu.

    Terceiro: o Baby Driver tem uma banda sonora muito fixe, vi logo que ias gostar.

    Kissss

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  2. *Quarto: wooohooo, nunca tive um marcador só para mim! Quão especial me sinto :D

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