domingo, 8 de julho de 2018

A PORTUGUESINHA PERSISTE


19h42. Mal acabo de publicar um post e já começo a escrever outro tendo os meus pensamentos e sentimentos tomados pela portuguesinha. Sei o que o leitor deve estar pensando que não tenho o mínimo senso do ridículo que passo aqui. Pois sei bem e indago ao leitor se é melhor ter no peito uma vã esperança ou tê-lo vazio? Eu gosto de amar, é um dos meus passatempos prediletos, senão o preferido, que posso eu fazer se só calho de me encantar por garotas impossíveis? É uma sina que em uma década não chegou nem perto de ser quebrada. E sigo sentindo assim, sem destinatária que corresponda ao que carrego cá comigo.

19h58. O jogo Rússia e Croácia está para começar.

20h48. Um a um.

23h11. Bom jogo, muito bom. Eu acho que a Croácia mereceu ganhar. Como acho os textos da portuguesinha muito espirituosos, como ela é. Desculpem-me, mas fui fumar um cigarro e a imagem dela me veio à mente como é de praxe nesses dias europeus. Me agarro a isso como me agarrei à possibilidade de o Brasil empatar até o último minuto. Se bem que meu último minuto com ela já se passou há mais de uma semana. Mas meu espírito é renitente. Em outras palavras, eu sou muito idiota. A vontade de amar é tanta que me presto a esse papel. De amar sem ser amado, de amar o impossível. Não sei nem se isso pode ser chamado de amor. É o que encontro para aquecer a alma nesses gélidos e aparentemente infindáveis dias de solidão. Um quase nada que me toma todo. Sim, ela é linda, é inteligente, é engraçada é toda um prazer, mas já foi, está em outro país, está inacessível, sempre foi inacessível, visto que comprometida, e ainda assim sinto prazer em falar dela, pensar nela, não consigo evitar, continuo encantado. Passa, eu sei, tenho que voltar a me focar na inominável. Não quero, mas sinto que devo. Pelo menos esta não lê nem nunca lerá isso. Como acho que a portuguesinha já desistiu da leitura, está lá em Portugal a viver a sua vida e nem deve mais lembrar-se de mim. A flor já deve ter ido para o lixo, murcha e apodrecida. Como são fugazes as rosas. De tudo só esse sentimento resiste. Que idiotice. Tenho um coração com defeito e ele agora dói de uma saudade que nunca será satisfeita porque nunca verei meu objeto de desejo nessa existência que é única, graças a deus ou à materialidade com a qual encaro as coisas. Qualquer um que leia isto deve me achar patético, ridículo, romântico demais (na pior acepção da palavra). Estão e estarão todos certos e podem acrescentar que eu não sei nem amar. Me apaixono profundamente pelo que não pode ser. Esta tem sido a minha sina e odeio meu bucho. Fui fumar e esse ódio me veio à cabeça, nenhuma garota encantadora – aos meus olhos seletivos demais – se encantará por alguém que ostente tamanha protuberância abdominal. Tenho vergonha de mim, profunda vergonha do meu corpo, vergonha de tudo o que eu sou. Tenho vergonha de ser tão envergonhado também. Só não tenho vergonha de expor o quão vergonhoso eu sou aqui. Preciso tomar os meus remédios. Momento.

23h58. Pois é, portuguesinha, acaso venha a ler esse texto inútil para você e todo o resto da humanidade, eu tomo diariamente um punhado de medicamentos que prometem estabilizar meu suposto transtorno bipolar. Acredito nos medicamentos e acredito no transtorno. Já sofri um bom bocado em minha vida antes deles, por isso os tomo religiosamente e sem questionar ou saber o porquê de cada um dos comprimidos. A mim tanto faz, desde que não caia em depressão profunda novamente. O que não ocorre desde que comecei a fazer uso deles. E isso para mim, não estar no mais agudo dos agudos sofrimentos existenciais, já me faz feliz ou, se não faz, me dou por satisfeito por não estar em sofrimento. O resto é resto, sai na urina, como se diz. A mim me basta não acordar num pesadelo em vida. Antes a apatia de uma vida estéril, sem grandes feitos, com uma rotina redundante e inútil, na qual perco meu tempo escrevendo isto, minha grande obra, que não tem serventia a ninguém que não a mim mesmo, que o desespero de não suportar estar vivo. E, às vezes, como agora, perdido um pouco de mim, numa paixão platônica, como você prova e comprova. É um alento à minha alma tais paixões, pois me lembram que ainda tenho uma e que ela ainda é capaz de nutrir o mais belo e esplendoroso sentimento que conheço. Tudo em vão, eu sei, como sei que estas palavras também o são, mas fantasio que vale a pena viver por tão pouco e sigo levando a minha vida assim. Às vezes a existência, na forma da minha mãe, me leva para visitar os meus irmãos e suas famílias e viajo. Meu irmão mora nos EUA, relativamente perto de Nova Iorque, mas nunca tive a oportunidade de conhecer a Big Apple. Sei que é um dos seus sonhos e sinceramente desejo que o realize antes de mim, que não possuo interesse especial por conhecer a cidade. Guardo certa curiosidade, mas nada perto de um desejo, quanto mais de um sonho ou meta de vida. Não mereço conhecer Nova Iorque, mas a vida é tão irônica que talvez faça isso acontecer. Já a vi demais pelas telas de cinema, sei que é o centro do mundo, mas me interesso muito mais por conhecer pessoas interessantes que lugares interessantes. Sou carente de humanidade, de afeto, da troca sincera e espontânea entre dois seres humanos, muito mais do que de arranha-céus cobertos de neon. Cada um com os seus gostos e suas necessidades. Foi essa troca que encontrei no A Bicicleta. Especialmente com você, mas não exclusivamente com você. Se estiver ainda a ler isso, diga, por favor, que mando lembranças e que sinto saudades do lugar onde fui mais humanamente servido em toda a minha vida. Senti sincera empatia por toda a equipe. Mas me perco em meus pensamentos. Esta pausa me roubou de mim e não sei para onde seguir com este texto. Desejo seu corpo, precisava dizer-lhe isso. Você é uma mulher muito apetitosa para o meu peculiar paladar, ver seu corpo branco e nu, poder tocar, beijar e apalpar cada centímetro de você, com especial e voraz interesse pelas intimidades que toda cultura não tribal acha por bem esconder seria algo divinal. Gostaria muito de vê-la dormir (na minha cama), mulheres amadas dormindo são das coisas que mais me encantam, acho que porque é algo muito íntimo e que denota confiança entre o par. Da mesma forma e ainda mais gostaria de lhe observar se banhando, acho mulheres banhando-se um dos fenômenos mais belos dessa coisa toda que me cerca, talvez por ser algo ainda mais íntimo e porque cada mulher tem um jeitinho peculiar de se banhar e me encantei, deslumbrei, saboreei e até ri, pois há momentos tão graciosos que engraçados, nas poucas vezes em que fui testemunha de tal ato. A última mulher que vi se banhar foi a minha ex, dez anos atrás, quando vivíamos juntos numa perfeita democracia de dois. Foi maravilhoso enquanto durou. Enquanto não destruí tudo. Pois bem, destruí, alienando da minha vida a coisa mais preciosa que tinha, que era a relação com a Gatinha. Pelo menos nos tornamos melhores amigos e acredito que seremos melhores amigos até o fim, por mais que a vida dela vá gradativamente se distanciando da minha. Não há culpados nesse distanciamento, é a força das circunstâncias. Suponho que com você teria uma relação igualmente democrática e divertida, com alguns – ou muitos – momentos de arenga, principalmente da sua parte. Hahaha. Já fui muito arengueiro na infância e confesso que às vezes arengo com a minha mãe, mas de modo geral sou um sujeito pacífico. Nossa, que desperdício de palavras. Todas em vão, visto que são para você e sobre você, de quem conheço apenas um “quase nada”, mas de quem fiz e faço diversas inferências. Nossas vidas se cruzaram por um miraculoso chiste do acaso-destino. Eu iria ficar no hotel da frente (não sei que Malhoa), mas por algum motivo que não compreendi, calhamos de cair no Novotel. E agora estou nessa, com o peito repleto de você, em Munique. A escrever lixo, já que serventia não há para as minhas palavras. Já começo a redundar, mas o espaço cibernético é meu, me foi outorgado pela Google e faço dele o que bem entender. Agora vou fazer uma pausa para tomar uma Coca cereja (enfim tenho um estoque) com muito gelo e um bom e velho Marlboro red.

1h07. E pensar que a convidei para ser a minha hóspede no Brasil sem nem mesmo consultar a minha mãe sobre a possibilidade e a disponibilidade dela para tal feito, baseado na mera suposição de que ela aceitaria porque gostou muito de você. Hahaha. É muita irresponsabilidade da minha parte, além de um projeto surreal. Acho que estou sexualmente inclinado hoje, pois me pus a projetar você em um biquíni brasileiro, de lacinho dos lados, meu modelo predileto, curtindo a casa de praia da minha tia na badalada praia de Porto de Galinhas. Dizem que é uma das mais belas do Brasil e há um local com piscina de corais aos quais nunca me dei ao trabalho de ir. Mas acho que você não gostaria do Brasil, da falta de civilidade do povo e das enormes desigualdades sociais. Pelo menos acho que sairia com um estágio que, pelo que entendi, é o que falta para você poder clinicar em Portugal. Mas tudo isso é uma grande viagem da minha cabeça, como se faz óbvio até para o mais desligado dos leitores. Nossa, o que estou a escrever, um relicário de ilusões? Sei não, viu?...

1h26. Ah, minha querida portuguesinha, eu coleciono estatuetas de super-heróis. Pois é, além de tudo fui escolher o mais ridículo dos hobbies e que ocupa um espaço tremendo. Os bonecos são grandes, cerca de ¼ do tamanho de uma pessoa normal. Há uma boa porção que é menor do que isso, eu tenho uma miríade de bonecos do mais variados tamanhos e fabricantes e há a promessa de ter meu quarto remodelado para acomodar a minha coleção ainda este ano. Parte da minha coleção ainda está nos EUA, na casa do meu irmão. Uma parcela significativa que ele traz aos poucos quando pode. Um dia sonho ver minha coleção toda reunida e exposta. É um objetivo mais fácil de alcançar que uma garota. Hahaha.

2h12. Já arrumei meu sofá-cama para me retirar. Fumando, eu pensei que vivo parte do meu tempo, uma grande parte, num mundo de fantasia, de autoengano. Hoje preenchido por você, portuguesinha, que veio e passou na minha vida, mas que insisto em alimentar e reter na memória. Aliás, acho que esse projeto se dá à minha revelia, mas não faço nada para estancá-lo, ou evitá-lo ou escapar dele, muito pelo contrário, tento mergulhar o mais fundo que posso e isso o faço parcialmente consciente porque me faz bem pensar em você, o que é um paradoxo, pois jamais poderei tê-la. Vai entender. Eu não consigo. Estou ficando sonolento, vou me retirar. Amanhã preencho o restinho que falta da página três. Boa noite minha preciosa portuguesinha. Perdi meu celular e meu coração em Lisboa. Espero que consiga resgatar o segundo, já que o primeiro se foi para sempre. Hahaha.

-x-x-x-x-

15h49. Mais um dia sem sinal da portuguesinha. Se é isso o melhor que a existência tem a me oferecer, não posso fazer nada senão aceitar. Aceitar provavelmente que nunca mais se comunicará comigo novamente. Ah, como quase nada é melhor do que nada, mas aparentemente voltei a este. Estou novamente à deriva na noite escura dos mares da solidão. Demorei a acostumar os olhos ao breu, mas agora enxergo mais claramente. Sinto-me triste, mas valeu-me enquanto durou essa efêmera experiência, esse sonho lusitano ao qual acho por bem dar fim. Não sei sobre o que escreverei, não há mais nada dentro de mim que valha ser mencionado aqui. É uma pena. E dói o que não deveria doer, pois nada houve de fato além da minha fantasia. Acabou-se a terceira página. E mais um pouco com ela.

18h02. Dormi e quando acordei lá estava um comentário da portuguesinha! Também acho “John Wick” muito fixe, já a parcela da família que mora na Alemanha achou o “John Wick: Chapter 2” “cansativo” e “parecido com um videogame” quando os mostrei muito animado a película. Bom, como dizem no Brasil, gosto é como cu, cada um tem o seu e mal posso esperar pelo “Chapter 3” ou como quer que chamem o próximo filme que, espero, continue exatamente de onde o segundo acabou. A portuguesinha deu sinal de vida e minha vida respondeu positivamente. Uma frase apenas. Prova suficiente de que minhas palavras não são completamente em vão. Pena não poder escrever mais, já entrei na quarta página.     

Um comentário:

  1. Continuo a gostar muito dos teus posts especialmente porque sou particularmente egocêntrica e, portanto, adoro tudo o que tenha a ver com essas suposições acerca da minha pessoa :p

    Eu num biquini brasileiro não vai acontecer! Muita carninha à mostra :p ahah

    Tenho que discordar quanto ao John Wick 2 porque embora não seja tão awesome como o primeiro, acho-o cheio de ação e com bastabte entretenimento!

    As tuas palavras nunca são em vão porque eu leio-as a todas! Beijinho :)

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