sábado, 6 de maio de 2017

DA PISCINA VI E QUESTÕES FILOSÓFICAS




18h02. Primeiro post que começo realmente da piscina. Meu amigo vai descer. Posso pedir para ele me fazer algumas perguntas. Ou não. Veremos. Esqueci de publicar o post de ontem, eita. Agora só quando subir.

18h19. Meu amigo chegou e conseguiu colocar a internet do meu celular no computador.

19h28. Depois de me mostrar um joguinho de Star Wars no celular. Um jogo muito bem projetado, por sinal, a UI bem elaborada. Fácil de pegar a sua lógica básica. O jogo possui uma profundidade na sua parte colecionável e de implementação dos personagens que é de onde se tira a grana, paga-se para facilitar a implementação e liberação dos personagens colecionáveis. Personagens ou naves da franquia Star Wars e todos recriados fielmente. Para um fã de Star Wars, como o meu amigo da piscina, é um deleite. Conversamos sobre Star Wars, mas meus conhecimentos são limitados, pois assisti a todos da série, mas não me lembro direito de nenhum. A não ser de cenas-chave como aquela em que o cara que ia se tornar Darth Vader enfrenta Obi Wan. Ou a que Darth Vader com seu sabre de luz aceso sai da escuridão no final do Rogue One. A Disney é uma máquina de fazer dinheiro, meu deus. E com entretenimento de qualidade. Beirando arte com a Pixar, como é o caso de Wall-E. De qualquer forma, a parte realmente interessante da conversa veio depois quando revelei-lhe que já levei eletrochoques. Ele ficou, com o perdão da piada, chocado. Disse que não faria nunca num filho dele. Eu disse que era tudo feito comigo anestesiado, que eu não sentia nada dos eletrochoques e que eles foram usados como última medida para conter minha depressão com ideário suicida que não desaparecia. Mas não quero falar de depressão, é um assunto muito baixo-astral. 20h01. Meu amigo já se foi há muito tempo, ele se despediu me ensinando um cumprimento, que não decorei, dois tapas com certeza, e o encaixe de dois hangloose num murrinho no final. Acho que tem dois murrinhos depois dos tapas, mas não dou certeza. Foi justamente por causa da minha (falta de) memória que chegamos aos eletrochoques. Acho que eles danificaram minha memória, sobre fatos passados e quero ficar em silêncio agora. Sem música. E os remédios estão maltratando a minha memória de médio prazo. Um carro passou, o som parecia mais de caminhonete. Me desconcentrou. A usuária do CAPS me mandou uma mensagem pelo Messenger pelo que entendi para ouvir a rádio Frei Caneca. Mas eu não tenho acesso a rádio, não sei acessar do meu celular embora eu ache que ele tenha o rádio da Google, mas eu não sei mexer, nunca toquei, também não sei a estação nem vou perguntar a ela agora. E eu não vou ficar ouvindo rádio do celular. E também não instalei, nem vou instalar a antena do meu som para ouvir rádio. Eu acho. Até porque eu tenho Spotify. Eu ouço tudo o que eu quero. Que no momento é o silêncio. As cigarras cantando ou grilos, não sei. Só não gosto dos carros passando. Mas vão diminuir com o avançar das horas. 20h16. Estou fraco das ideias hoje. O CAPS foi legal, hoje é o dia do “confessionário” e fazer planejamento seguro para o final de semana, quando a incidência de recaídas é maior, eu imagino. Não se aplica muito ao meu caso. Mas não quero falar do meu caso agora, já relembrei muito o uso de cola hoje digitando os diários. Chega. Não joguei o Zeldinha hoje e, nesse exato momento, também não quero jogar. O celular não parava de piscar por causa da mensagem da usuária que eu, que odeio alarmes, alertas, etc. – mas gosto de psytrance – tive que ver a mensagem e ela havia enviado o número da rádio. Agradeci e disse que quando tivesse acesso um rádio ouviria. Ela replicou dizendo que estava lendo meu blog. “Que vergonha!”, eu respondi. Muita vergonha alguém que eu conheça ler o blog, mas é um dos fardos de ser público. Pelo menos tenho uma leitora. Por falar em psytrance... acho que vou colocar baixinho. É foi uma escolha pertinente até o momento. É muito invocado o som, muito bem trabalhado. “Never Mind”. O pior é que, além de estar sem Coca, estou com pouco gelo. Mas é a vida. Que dê para mais um copo de água da torneira bem gelada. Ou maneiro no gelo e dá para dois copos, a depender de quanto resta. Vamos descobrir. Mal deu para um copo. Não adiantou. A luz continua a piscar. Vou ver, mas não vou responder nada. É interessante saber que tenho uma leitora assídua, eu preferia ter poucos assíduos que muitos esporádicos. Mas como diferenciar os assíduos dos esporádicos? Impossível. Bom, bom saber que tenho pelo menos uma assídua. Ela me conhecerá muito, para o bem e/ou para o mal. Nada me passa pela cabeça. A usuária não para de conversar agora. Agora está tudo explicado. Embora eu esteja estranhando essa conversa. Bom, acabou. Posso me dedicar à minha escrita. Espero não ter sido ríspido com ela em nenhum momento. 20h54. Agora só tenho uma hora de escrita. E minha produção está baixa. Relembrei com o psicólogo do CAPS a nossa conquista no grupo de quarta-feira. E o toque de que eu não preciso ser igual a ninguém para gostar de mim. Posso me aceitar exatamente como sou. Essa ficha ainda não caiu totalmente, me apodero disso racionalmente, preciso me apoderar emocionalmente. Meu deus, queira que isso não fosse uma crise de mania, seja uma evolução terapêutica mesmo. Acho que estou ouvindo demais sobre Deus dos cristãos e dos espíritas e dos cristãos-espíritas que acreditam que aliens vieram à Terra. Eu podia até oferecer a meu amigo, se encontrasse – parte mais difícil –, a minha edição do “Evangelho Segundo o Espiritismo”. A usuária do CAPS falou que eu escrevia de forma, esperem que eu vou ver o termo, “indecifrável”. Isso muito me preocupa, pois eu tento ser o mais claro possível. O que será que há de indecifrável? Só se for a parte sobre a Singularidade. Espero que seja isso. Preciso pôr a outra bateria do Vaporfi, que descarregou, na tomada assim que chegar em casa. Não posso ficar com as duas descarregadas. Hoje o meu amigo trouxe cigarro. Me deu até um dos dele para eu experimentar e pegou um do meu para fumar. O walkie-talkie do porteiro que veio para a área da piscina combina com a música do IM. Essa música combina com qualquer som não-orgânico ou rítmico. 21h14. Será que dá para o porteiro escutar o meu som? Quando passou atrás de mim certamente deu. Gostaria de saber o nome de todos os porteiros, mas os mais antigos eu tenho vergonha de perguntar. E a maioria são os mais antigos. Já li uma vez numa plaqueta com o nome e fotos de todos eles. Quem disse que eu decorei algum? Um belo dia serei mais velho que os porteiros e serventes do prédio. Mais os serventes que têm rotatividade maior. Não sei como é a nomenclatura da função, se é servente mesmo, os profissionais que cuidam da limpeza do prédio, da coleta do lixo, da jardinagem. Serviços gerais? Sei lá. Eu acho que, se brincar, eu já sou mais velho que alguns. Isso me entristece. Acho que ela achou grosseria eu ter deduzido. Não nego que foi um pensamento que me passou pela cabeça para sua felicidade ou infelicidade. Não a recrimino por isso. De forma alguma. Cada um sabe como ser feliz. Eu aqui do meu lado estou tentando ser o mais feliz que posso. Se meu ofício de coração é escrever, então o faço. Parece que na sexta-feira, o pessoal que visita a piscina não aparece, por serem jovens, vão curtir a night. Se tivesse Uber funcional até eu iria. Mas estou usando isso como desculpa para me isolar um pouco. Eu gosto da minha solidão. Cada vez mais. Isso é preocupante? Acho que só o seria se eu desgostasse da solidão e isso fosse um incômodo na minha vida. Não estarei aqui, quando e se algum grupo resolver fazer o chill out na piscina. Meu tempo aqui se esgota. 21h32. Se for fumar o último cigarro é agora. Minhas costas doem. Estou ficando velho ou tempo demais na frente do computador. Tanto faz, preferia não sentir dores. Eu estou empolgado com o prospecto da Singularidade. Acho que de tanto ter escrito sobre ela. Pode ser uma baita decepção. Que esta hipótese nunca ocorra. Ou que venha como o apocalipse. Mas tenho fé. É bom ter fé em algo, como o meu amigo me ensinou. É uma pena que a minha fé seja tão discrepante das demais. Isso preocupa a minha mãe como sintoma de mania. Talvez os quarenta anos seja uma época em que algumas decisões e algumas coisas precisem ser feitas e aceitas pelo indivíduo, já é tarde para crises existenciais. Não quero mais crises existenciais. Embora tenha vários dilemas, precisarei solucioná-los todos, pelo menos os mais importantes para poder amadurecer, eu acho. Para não ter tantas crises existenciais, pelo menos. Ou as tê-las o mínimo possível. 21h45. Se tenho essa fé e minha mãe e meu padrasto discordam dela, o problema é deles. E se quiser falar da minha fé, eu falo, senão quiser também não falo. Mas percebi meu amigo sempre pregando e isso me inspirou a fazer o mesmo. Não nego. Percebi que há espaço para isso. Ele consegue pregar abertamente, oralmente sobre a sua fé. Eu já não consigo tanto, por mais que a tenha debatido ainda esta semana com o psicólogo do CAPS. Mas isso é uma exceção muito mais que uma regra. Espero que a empregada fantástica não tenha entendido o meu elogio como uma cantada. Na saída, em vez de dizer “tchau” ou “até a próxima semana” ela disse “beijo”. Achei um ato falho interessante e assustador. Pior ainda se fato consciente. 21h50. E eu respondi, muito errado, “beijo”. Acho que hoje estou levando tudo para o mau caminho. Publicar o outro post assim que chegar em casa.

22h48. Tomei banho, joguei um Zeldinha e aí postei o blog e estou aqui. Este está sendo um post fútil. Que seja. Minha mãe vai me dar os remédios. Esses remédios são uma das coisas que me fazem ficar balofo, eu acho. Todos os que tomam engordam. Pelo menos lá no internamento no Manicômio todos ganharam peso. Lembrei disso agora porque passei a tarde digitando os diários, por isso só comecei a escrever este post quando efetivamente fui para a piscina. Acho que digitei umas oito páginas de Word. Estou ouvindo U2. Mamãe ficou perguntando qual era a música que eu estava ouvindo, se era “aquela”, o psytrance. Quando ouviu que era U2 falou “ainda bem, é muito melhor”. Tão melhor que ela confundiu um com o outro. Sua preocupação era outra, só não sei qual. Só porque ela me falou de IM, eu vou ouvir IM.

Achei uma mina de ouro para encher este blog: 777 perguntas filosóficas!

Escolho 5 ou vou pela ordem decrescente do site? Vou pelo site. De 10 em 10. Não sei se realmente levarei esse projeto adiante, vamos ver no que é que dá.

777 – É imoral quebrar regras morais inconscientemente?
Depende do ponto de vista, aquele que conhece as regras morais achará imoral a quebra da lei, o que desconhece as regras nem saberá que as está quebrando. Lembrando que o que é moral ou imoral varia de cultura para cultura.

776 – Um demente é capaz de agir moralmente?
Dependendo do nível e do tipo de demência, sim. Minha avó ficou tão demente que simplesmente parou de agir simplesmente. Já vi, por outro lado, um esquizofrênico obedecer o que havia combinado comigo.

775 – O que é uma acção moral?
Qualquer ação pode ser considerada uma ação moral, se há uma motivação, há um intento, uma intenção, então é uma ação que pode passar pelo escrutínio da moral.

774 – Para haver justiça tem de haver igualdade?
Creio que não, para haver justiça tem que haver alguém no papel de julgado e outro no papel de julgador, daí uma assimetria nasce, por mais que temporária. Se forem todos justos, ainda podem haver os justos mais bem-sucedidos financeiramente, por exemplo, o que também gera uma desigualdade. Mas acredito que numa terra de justos essas diferenças tendam a diminuir ou, ao menos, não haverá miséria ou privações passadas por nenhum cidadão, a não ser que seja de sua vontade passar pela privação.

773 – O que é uma comunidade?
Um grupo de pessoas que compartilham algo em comum, seja um espaço geográfico, seja a cultura, a religião etc.

772 – O tom de um discurso conta para a sua coerência?
Não acredito nisso. A coerência nada tem a ver com o tom do discurso. Ou não entendi a pergunta ou o Português de Portugal.

771 – De onde vem a calma?
Acho que é meio inerente ao ser humano a quantidade de calma que cada um dispõe. Há pessoas mais explosivas, há pessoas mais tranquilas. Uma calma fictícia pode vir do controle ou repressão emocional, mas isso não é calma verdadeira, visto que por dentro a pessoa se sente aflita ou angustiada pelo que está lhe roubando a calma.

770 – Quando devemos desistir?
Essa é uma boa pergunta que varia do grau de persistência e resiliência de cada pessoa. E do grau de motivação para alcançar tal ou qual objetivo. Geralmente as coisas extremamente recompensadoras do ponto de vista do indivíduo são as que despertam maior persistência e empenho, visto que são as que lhe proporcionam maior grau de motivação. Há obviamente desejos que caem no campo da fantasia e desses é melhor desistir logo. Tenho problemas em divisar os que são fantasias minhas do que é real. E às vezes invisto muito em fantasias. Total perda de tempo, pois são inalcançáveis.

23h40. Vamos mais 10? Vamos!

769 – O que é ser estrangeiro?
É se sentir deslocado culturalmente. Estar em um ambiente que de alguma forma difere dos seus gostos, moral e cultura. Eu me sinto um estrangeiro quando vou ao Barchef. Não me sinto pertencente ao universo das pessoas que por lá circulam. Me sinto mais à vontade na Casa Astral, me identifico mais com o público, mas, até lá, muitas vezes me sinto um estrangeiro. Acho que se sentir estrangeiro tem a ver com empatia, se você tem empatia pelo que lhe circunda, você não é um estrangeiro naquela circunstância.

768 – A intuição é conhecimento?
Boa pergunta. A intuição é algo quase metafísico, pois é uma coisa que parece gerada antes do consciente, ela vem a consciência à revelia da nossa vontade. Acredito que seja um conhecimento pouco confiável e que deve ser avaliado pela razão antes de ser seguida. Sou péssimo de intuições, quase sempre intuo errado.

767 – Quando devemos ser politicamente correcto?
No momento em que meu comportamento ferir os direitos do outro, ou sua moral.

766 – Seria errado “matar” robots humanóides?
Robôs humanoides eu acho que não, mas robôs com inteligência artificial superdesenvolvida, que se assemelhe à nossa, acho que poderia ser uma coisa errada a se fazer, a não ser que por algum motivo apresente algum defeito que ponha em risco a segurança e o bem-estar dos humanos.

765 – Qual a diferença entre acreditar em Deus e acreditar no Pai Natal?
Acho que são fés bem diferentes. Papai Noel não nos ensina regras morais de comportamento nem nos promete o paraíso se seguirmos suas regras, por exemplo. Mas desacredito dos dois igualmente. Aliás, meu pai na nossa mais tenra idade nos ensinou que o Coelhinho da Páscoa, Papai Noel e Deus não existem.

764 – Existe a “vontade colectiva”?
Acredito que algumas vezes os seres humanos são levados por um comportamento de “manada” um começa a repetir a atitude que o outro está fazendo e isso se espalha, geralmente em situações de perigo ou pânico. Mas há também pessoas que independentemente do clima emocional têm vontades semelhantes, é o que acontece nas eleições, por exemplo.

763 – O que é ser Europeu?
É ter, no mínimo, mais quinhentos anos de civilização que nós, brasileiros.

762 – O dinheiro torna-nos piores?
Não, o dinheiro é apenas uma ferramenta inteligente de troca de posses. O dinheiro por si só é algo inanimado, incapaz de qualquer ação seja para o bem, seja para o mal.

761 – O poder torna-nos piores?
Boa pergunta, eu tendo a crer que não. Dou como exemplo o presidente de um país sul-americano que não me recordo agora, que não saiu da casa onde morava, nem quis regalias por ser presidente. Foi muito humilde. Mas via de regra, o poder corrompe, assim eu acho. O tal presidente é mais exceção do que regra.

760 – Qual a pior coisa para fazer na vida?
Fazer algo que não gostariam que fizessem com você.

Acho que está bom, por ora. Divertido responder essas perguntas. Dá vontade de pegar mais dez para responder. Pego ou não pego? Peguei.

759 – Inventar uma história é inventar uma mentira?
Sim, mas não quer dizer que seja uma mentira prejudicial a alguém.

758 – É errado andar nu na rua?
Depende da cultura.

757 – Podemos viver num jogo?
Não entendi a pergunta. Imersos numa realidade virtual? Através da gamification nós podemos tornar afazeres chatos mais divertidos e mais parecidos com jogos ou brincadeiras. Mas essa ciência ainda está engatinhando e, honestamente, acho que só em empresas de vanguarda ela pode ganhar algum ar.  


756 – Queremos saber quem realmente somos?
Acredito que sim, é uma curiosidade que eu carrego pelo menos.

755 – Sabemos quem realmente somos?
Não de todo, nem pensar.

754 – Podemos amar uma máquina?
Eu tenho muito carinho pelos meus videogames! Hahahahaha. E já soube de um japonês que casou com uma personagem de um date simulator, acho que esse era o gênero do game senão me engano. Levou a máquina para o altar. Cada vez mais está próximo o dia em que poderemos todos amar uma máquina.

753 – Com desigualdade pode haver justiça?
Sim, vide a resposta 774.

752 – A filosofia permite atingir a excelência?
Eu não sei, não sou versado em filosofia, pode se ganhar muito conhecimento em relação ao que é imaterial, intangível ao homem.

751 – Qual a melhor vida que posso ter?
Esta que estou levando agora está bastante do meu agrado. Que continue assim ou daí para melhor.

750 – Qual a melhor vida que posso ter?
Esta que levo talvez com uma namorada.

749 – É possível fazer-se o que não se quer?
Sim, claro, vivo fazendo o que não quero, mas é preciso ou me dizem que é preciso ou a sociedade força a fazer o que não se quer.

Tá bom. Disse à minha mãe que a amava quando fui lhe entregar um copo de Coca. Dei um passo em direção à uma proximidade melhor com ela. Tá bom de escrever. Vou dormir. 0h33.


0h55. Voltei, Recife. Não estou com sono ainda. Ou melhor, estou. Vou me deitar.

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